Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 13 de agosto de 2011

O Sarau que vem da rua ( O trago da seda)

Fotografia: Sanitário de cela de presos políticos década de 70 . Walter Rodrigues V. Filho
Nas noites em que buscamos poesia boa
A tábua rasa da cultura ficou quase nula
Drogadiços navegaram ao fim em falsas bocas
Enfermos fizeram de palavras rotas só charruas
O feitiço do amor inverteu o melhor do sexo
Marqueteiros fizeram das trovas remos de canoas
Assoreando o que já raso e ténue não é léxico.

Na noite em que jogamos nossa sorte à lua
A vida veio com a rapidez hoje contemporânea
O que era paz virou deslumbre de cisânea
Ao desfazer o rumo deslizou sem prumo e sem norte
Num abraço a solidão armou o rodilhar de um bote
passando por menor estima em lote a solução tacanha
Radicalização do querer bem assim não se situa

O prazer do momento se reduziu à carne crua
O senso critico locutor ficou sem nexo
de tudo nada vale a pena e ficou o resto
Diz que diz é poesia, e vale tudo, e pode.
Melhor que ser surdo é esse manifesto
Com esse verso provocante, tão molesto,
àqueles incapazes, com os quais a arte se recua.

Na noite em que o amor se fez no orifício que evacua
a vida pela vida transmitiu o odor do som sarau que vem da rua.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Flash ( Banguelê)

Fotografia: Ver mais além, não só o que está á frente...´: Pedro F. dos santos Aires


À frente da lente esta a realidade,
é onde o poeta fotografa o seu tempo.
Com imagens projetadas em letras,
descreve na ousadia das imagens,
o flash em outros sentimentos.
Sem  conter farsa, a proteção dos caretas.

Á frente na realidade, o poema vence seus  limites,
pigmentando a palavra com cores de outra  ousadia,
perfuma com um olhar novo as humanas aletas.
Franqueando esse olhar díspar, o poeta insiste
em observar de forma diferente, o que antes dele não se via.
Na linguagem servida à forma crua, a gorjeta gorda é a poesia.

À frente da realidade o poeta nunca se copia,
quando fere a comodidade, quando rasga a noite e pare o dia.
O poema tem uma maldade, ao mostrar de forma eloquente,
onde o verso refaz outra metade, sorrindo ou rangendo dentes. 
Transforma a humanidade em outra de maior valia.

À frente da realidade o poeta é mesmo ignorante.
Estrábico, vesgo e delirante, conduz os crentes ao mirante,
de onde creem ver verdades, em outras verdades diferentes.
Assim,  sofrendo, diz sem dor, quando dor de fato não sente.
Assim fazendo, diz ser arte, o seu nariz sem palmo à frente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meu amor ( O trago da seda)

Fotografia: Betty . Gerhard Richter
Meu amor me ama com a graça
transparente e nua da alegria
Vem com a fúria da boa ventania
com a lua da noite me abraça

Meu amor é uma mulher tão viva
atiça meu corpo e o devassa
Reinventa a vida e me laça
invadindo assim minha preguiça

Tem o charme da malabarista
O sorriso mais lindo que há na praça
Sua atitude  é sempre, a mim, bem quista
O seu beijo é vinho em minha taça

Meu amor diz que à ela eu trago paz,
quando nela a paz já esta contida
Seu desejo desfila na avenida,
com um brilho luminoso e sagaz.

Ela tem a calma humana por ofício
Desse amor sou simples ladravas
Eu devolvo esses versos ao início
Nessa graça eu a amo muito mais





segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Rilke ( Barril Diógenes)

Fotografia: The Real  Valley : JL Andrade


Meus olhos de fim de tarde observam ensimesmados
Os poderes parecem caber numa xícara de chá
O mundo despenca de suas bolsas enquanto anda de lado
E o tempo tem nos papeis um movimento indelicado
Herdaremos dos ortodoxos um único jeito de olhar

Os poetas estampam  pardos os seus poemas inaptos
Enquanto a intranquilidade é  instigada em dois Clicks
A coisa fica estranha se consequências antecipam os fatos
Não importa o caminho,o chegar, mas os modelos dos sapatos. 
A sanha individual desmorona o seu perfil neo chique.

A solidariedade resiste nesse momento agrotóxico
Ministros tiram férias enquanto a casa incendiada  pega fogo
A vida segue seu rumo desvairado, na cotação do monóxido
Pelas ruas definham as sobras queimadas em baratos tóxicos
A existência se define em um saque como o software do jogo

O império do consumo se abala, os jovens põem fogo em Londres.
A primavera Árabe atinge a clássica Abbey Road.
Tudo esta bem, posso ver do alto de minha janela, ao longe.
Os vandalismos financeiros dos títulos não mais respondem.
Mas não se trata de fim dos tempos, é só mais um Round.

Nos ventos da vida, o que é rápido se descarta na história.
O pânico tenciona à todos sem calma,  ou algo que o explique
Qualquer custo vale a pena, por .cinco minutos de glória.
A melhor fotografia Humana é a que fica na memória
Enquanto tudo acontece, leio em paz Réiner Maria Rilke

domingo, 31 de julho de 2011

Poema acidental ( Barril Diógenes)

Fotografia:Coração Brasileiro- Mágda Rosa
Vivemos de moda no que ela é serpentina,
mas de fato nem tudo é folia ou Carnaval.
Locupletemos dos sorrisos das vitrinas,
Estamos prestes ao defaut Imperial.
Peça emprestado uma palavra para rima
à vitamina da banana nacional.
Existem carros mais baratos lá na China,
tantos impostos no desvio federal.

A classe C, que um dia era patavina,
hoje domina o imaginário Capital.
A dona Dilma abraçada à Cristina,
caminham juntas no duelo cambial.
A ultra direita explode os seus na repentina.
Um coronel tem disfunção sexual.
Homofobias, racismos ou minorias.
Intolerâncias em cena adverbial.

Psicopatas têm mentes assassinas,
mas eles sempre se destroem no final.
Nas atitudes destrutivas por morfina,
eles escondem a farsa intelectual.
O big-stick está perdendo adrenalina.
Tragédia Grega é da Europa por igual.
Ecologia é ouro verde nessa mina.
A Amazônia é brasileira em Cacoal.

Mais um ministro é envolvido com propina.
Custo Brasil torna mais caro seu mingau.
Mas conterrâneo mesmo nunca desanima,
tem alta estima e o sorriso triunfal.
Esse poema é homenagem bem traquina,
só se combina se quem ler tiver astral,
A inspiração as vezes fica tão sovina,
que se amotina no poeta ocasional.
-

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sorriso á vista ( Olhos nus)

fotografia: Janela com vista-Luiza Branco

Não me tire seu sorriso,
disse o outro poeta.
Seu sorriso é uma seta,
rumando no improviso.
Sendo assim, é um aviso,
nua atitude predileta.
É seu afeto movediço

Não me tire seu sorriso.
Essa perfumada faceta.
Nele a tristeza em sumiço,
como quem limpa a gaveta,
deixa em mim bom feitiço.
Felicidade me chega,
contendo o seu reboliço.

Não, não me tire seu sorriso,
preciso desse seu júbilo.
O amor pode ser lúdico,
leveza de um mar tão liso.
Maior dos seus preconícios,
desse sinônimo múltiplo,
de que eu tanto preciso.

Com fusão ( O olhar da carranca)

Fotografia: Pão, vinho, poesia e cor-José de AlmeidaPão, Vinho , Poesia e cor



O poema, para o menino da laje,
tem o cerol, a linha e a pipa.
O poema do balconista da lanchonete
vem no avental, e no pedaço de pizza.
O poema da faxineira
esta na casa que outro habita.
O poema do moço pedreiro
traz nas mãos as marcas da brita.
O poema da mulher amada
põe na boca perfume de brisa.
O poema da moça que passa
tem a rima bonita, bonita.
O poema do estudante, litúrgico,
no futuro da vida se aplica.
O poema para o metalúrgico
esta na peça que ele fabrica.
O poema para o porco corrupto
esconde favores, xixica.
O poema da paz entre os povos,
hoje é contemporânea  Guernica.
O poema do chope cremoso
fica la no Adonis, Benfica.
O poema se vale em si mesmo,
não é algo que a palavra explica.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Poema da panela de barro ( Beco da fome)

Fotografia: Moqueca Capixaba- Luiz Henrique

Bem que pode rolar uma salsinha.
Para perfumar um boquet manjericão.
Junto disso picar cebolas bem fininhas.
Sem chorar as tristezas da vida no fogão.
Se quiser pode pedir pimenta da vizinha.
Depois descascar um vermelho pimentão.
Peneirar três colheres, das boas, de farinha.
Reservar a cabeça, no caldo, pro pirão.

Um tomate cortado em cubinhos ou tirinhas.
Para tudo se espreme o sumo de um limão.
Tem um alho poró anelado em fatias.
Mais dois dentes de alho picados com paixão.
Cinco folhas de sálvia e alfavaca bem verdinhas.
Depois disso limpar, meio quilo, o camarão.
Também tem pimenta do reino moidinha.
O molho de tomate na manha de antemão.

Juntar à aquela salsa um maço de cebolinha.
Botar agua no fogo e ferver o caldeirão.
azeite extra de boa origem advinha.
Se a rima é pobre, no sal, é uma degustação.
Quem não tiver Namorado no dia faz Tainha.
A cerveja gelada antecipa um violão.
Deixe o samba rolar, no quintal, toda a tardinha
A felicidade encantará à barriga e ao coração.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Coisa Minéria ( O olhar da carranca)

Fotografia- Corrupto; Regys Loureiro de Macedo
Grande é o perigo e maior é o mistério.
Maior que o mistério, enorme é o castigo.
Aonde se instala o ladrão Ministério,
para sustentar essa ação entre amigos.

A coisa é grave, o assunto é sério,
porque o ladrão tem sempre um abrigo.
Sabe-se aonde está, e qual o critério.
Melhor não opinar, dizer eu não ligo.

A coisa é dos vivos, os fatos bactérios.
Propina é vulgar, é um simples delito.
Quem despe a República, descobre adultério.
Vai tudo ficar no dito por não dito.

Grande é o perigo e maior é o mistério.
Podendo pegar o que é da viúva
Maior que o mistério, enorme é o castigo.
Problema maior são as mesmas saúvas.

A se sustentar essa ação entre amigos,
ninguem vai notar suas mãos sob as luvas.
Impune, o ladrão tem sempre um abrigo,
o mistério esta na raposa das uvas.

Melhor não opinar, e dizer eu não ligo.
A verba é lugar da horta e da chuva.
Propina é vulgar, é um simples delito.
Vai tudo ficar o dito por não dito.

Superfaturar ao piaba e à manjuba.
A se sustentar essa ação entre amigos,
se não marolar a agua não turva.
Pra que reclamar, pra que fazer grito.

Melhor não opinar e dizer eu não ligo.
Problema maior são as mesmas saúvas,
propina é vulgar, é um símples delito.
Quem pode  pegar o que é da viúva.

Já não se discute tamanho absurdo.
Quem pode pegar o que é da viúva,
melhor  não falar, não ver, ficar mudo.
O mistério esta na raposa das uvas

Ninguém vai notar as mãos sob as luvas,
ao desconhecer, não se é cornudo.
O mistério está na raposa das uvas,
se o rei ficar nu nunca vai mostrar tudo.

A verba é  o lugar da horta e da chuva,
ao não se notar, não haverá furto.
Superfatura ao piaba e à manjuba,
denunciar fatos é rasgar veludo.

Se não marolar a agua não turva,
diz o popular que o governo é mamudo.
A verba é o lugar da horta e da chuva
Se o rei ficar nu nunca vai mostrar tudo.

Já não se discute tamanho absurdo.
Qual é o mistério da licitação,
melhor não falar, não ver, ficar surdo.
Lá no Ministério quem é o ladrão.

Ao desconhecer não se é cornudo.
Vencer concorrência por combinação.
Se o rei ficar nu, não vai mostrar tudo.
Se disserem sim, é que então dirão não.

Ao não se notar não haverá furto.
Propina não rima com a inflação,
denunciar fatos é rasgar veludo.
Se o bem é do público quero meu quinhão.

Diz o popular que o governo é mamudo.
As vias de fato têm mão contra mão.
Ao não se notar não haverá furto,
qual é o mistério da licitação.

Parece piada parece pilhéria,
lá no ministério quem é o ladrão.
Se é mesmo piada, parece ser velha,
vencer concorrência por combinação.

Essa é a política da moléstia venérea
se disserem sim é, que então dirão não.
A impunidade se desaconselha,
propina não rima com a inflação.

Se o bem é do público, quero meu quinhão.
Quem rouba mais faz  reconhece a matéria,
as vias dos fatos têm mão contra mão.
Como se repara coisa tão minéria?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Somos todos ( O olhar da carranca)

                                                                     Fotografia- Multidão - Artur Ferreira

Fico vazio se não resido no outro, como homem pleno e aprendiz.
Nesse trânsito busco a vida,  e dela mesma a felicidade é filha.
Colho no que está fora de mim o que me compõe e me partilha.
Contenho, pelo vivido até aqui, mais do que se aparenta ao mel verniz.
Articulando o que venho com o que recebo em troca  mútua de cartilha.

Entre o que sou, e o outro que me é útil, o fascínio e o milagre da linguagem.
Na linguagem me expresso, dividido, inteiro e múltiplo, no aqui e no agora.
O que sou é o que troco, no que de mim segue no outro e faz a história.
A linguagem interna é prisão, se o ser humano não a divide, é carceragem.
O que sou, é o que guardo desse encontro, eu o levo preso na memória.

Nada valho, se desisto dessa troca e seu afável, o poeta o disse e corrobora.
Minha cidade esta no outro,  no outro meu princípio se compõe e se inicia.
Sem a atitude de interdependência solidária a vida seria inútil e inodora.
Sem paixão, sem solução, só uma ilusão onde o indivíduo evapora.
Hoje trago meus versos como objeto aonde o inevitável comemora.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O pio da coruja ( O analfabeto poético)

Antropofagia- 1928- Tarsila do Amaral
Oswáld era os seus manifestos
atropofagicamente.
Os inteiros dos seus restos,
são contradições das sementes.
Germinam no que é moderno,
no inverso do indiferente.
Instigantes como pesto
na vanguarda da massa ao dente,
de um Pau Brasil mais honesto.
Do seu tempo um pertinente.

Cubismo, futurismo, Polinésias,
os Afros vão à Europa.
No leite de magnésia,
de novo a arte se dobra,
nos cenários das falésias,
sanatório das desovas.

Nas antropotarsilas telas,
todo indio quer apito.
Quem volta também retorna
Ao Ipiranga no grito.
A literatura, essa bela,
se banha em agua morna.
Sem fazer muito agito,
para não haver mais marola.

Enquanto come sardinha,
no amburguer da causa humana,
repondo antropoasia,
pastel e caldo de cana.
Vendida traz mais valia,
a Tropicália bacana.

A moda autopsía
aonde a pessoa urbana
mastigou sua poesia.

Modernismo é uma alegria
morena como o bombom.
O Cacau é da Bahia,
as ideias "ton sur ton".
Onde a coruja pia,
tem Marx, Freud e Breton

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Baixa ( O analfabeto poético)

Fotografia:Cristo Redentor -Paulo Camarão

Parece absurdo e até desvario,
coisa do demônio, do inferno.
Inesperado como faz frio
no centro do Rio, um gelo eterno.
Ascendam o sol pelo pavio
Preciso casaco, preciso de terno,
uma cana, caneca ou uma taça de vinho.
De costela e coberta, me alterno,
para espantar esse frio vadio.
O frio aqui não é nada moderno.
O Carioca é a ele arredio,
ninguém gosta, e eu não quero.
Qualquer lugar fica vazio.
No susto eu mesmo hiberno.
Tudo é abandono, é baldio.
Brrrr! Que frio no Rio, que inverno!

terça-feira, 12 de julho de 2011

22 é malucão ( Olhos nus)



Fotografia: Vai um biscoito ai? - Alexandre Fernandes Costa.
.
Eles faziam com as palavras aquilo que quisessem.
O mito fez assado o biscoito fino dos Andrade.
Numa lenda mastigada herdamos as benesses.
Cada cultura tem o Macunaíma que a merece.
Hoje a literatura é maçã caramelizada.
Marketing é o que a define, eco dos interesses.
Os versos para os sentidos mais parecem maçada.
A arte é desidratada nessa feira de quermesse
O forno das vaidades deixou a rosca queimada.
Dessas ideias vazias surge a poesia sem alicerce.
De resto para o sarau sobrou o nada versus nada.

Trancelim ( O olhar da carranca)

                                         Fotografia: Estátuas vivas 8 - Francisco de Oliveira

Desço eu de mim mesmo
no passo de um trancelim.
No que me desconheço,
ao meu lado, quase assim.

Vejo no silêncio, o começo,
se o poema é trampolim.
Seu destino web, a esmo,
temperado em botequim.

Palavras de sal, torresmo,
arrimam em boa ou ruim,
cobrando em sentido, o arresto.
Pedaços de mim em mim.

Um do outro me descrevo.
Eixo virabrequim,
na explosão dos apreços,
sou o rosto do arlequim.

Flutuo no chão, o tropeço,
o destro do Bandolim.
No meu corpo de Hefesto,
cruza o poema carmim.

Rimando o amor honesto
com sua pele de cetim.
Não me preocupa o resto,
pois volto a me estar no fim.
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sábado, 9 de julho de 2011

Banguela ( Banguelê)

Fotografia: Fernanda Magalhães
 
Toda preguiça se inicia com não
O cinismo é só um escárnio
 Autruismo é uma retidão
A solidão é um beijo sem lábio
A vida inventa sua solução
O tempo passado é relicário
No universo a terra é um peão
Amor sem afeto é um erro primário
Quem vive sem troca não aperta mão
A farinha é pouca na boca do otário
De toda palavra o poeta é ladrão
Criando sentidos de além dicionários

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Kilamba ( Banguelê)

Fotografia: Azul mar azul - Sandra Marques

kilamba é um cego pisteiro,
sabe interpretar as sereias.
No canto do strike, o receio,
no fundo do mar tem areia.

Quem ama veleja em saveiros,
O straike é uma onda e golpeia.
O farol do amor é certeiro
Só teme amar quem se alheia

Se o medo do amor vem primeiro,
quem a ele temeu, não o tem.
Instiga à maré ao marinheiro,
mas nunca à si lança a alguém.

Kilamba, esse bom perdigueiro,
enxerga, esse cego, o além.
Sereia é canto prisioneiro,
seu canto não encanta ninguém.

Assim sem ninguém a si destro.
Ao tentar destruir o que não tem
Queimando-se em fogo aceso,
se destrói nesse Strike também

.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Natureza ( O analfabeto poético)

Fotografia: Budy& Sun- Carlos Loff Fonseca

O sal e o sol
temperam seu corpo,
tal e qual
o céu e o mel.
Nos olhos do poeta
forma-se o escopo,
sobe a Torre de Babel.
No que a descreve esse louco,
gozando bem mais que pouco,
descortina-se o seu véu.
E desse olhar de raio novo,
surge o verso, desse ovo,
numa folha de papel.
.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Fração Brasileira ( Barril Diógenes)

Fotografia: Menino Juan- G1
Pergunta lotado o Maracanã.
Vegonha maior à polícia pertence.
Onde foi parar o menino Juan?
Cruel, a real baixada Fluminense
esconde uma prática não cidadã.

Aonde estará esse pobre menino?
Porque se escondeu num outro segredo?
Por que beco anda, ou está sumido?
O silêncio esconde a violência no medo?
Ou o silêncio do medo é o medo assumido?

Enquanto não esquece a comuna Danon,
seu rosto aparece no negro mais simples.
Meninos não somem no Alto Leblon,
O preço da vida tem muitas origens.
Nos becos escuros o direito é sem som.

No beco do pobre o surdo estampido,
esconde de fato uma outra razão.
Por que estará o menino sumido?
No beco da pobreza de um cidadão.
Nesse beco a vida é um ato foragido.

Pergunta a cidade inteira unida.
Cadê o Juan, o João do Brasil?
Essa pura questão tem que ser respondida.
Quem nele atirou? com que mão? que fuzil?
Que fração brasileira fêz essa ferida?
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Fio da meada ( A puta me contou)

Fotografia: Com a mão na Massa- Inácio Silva
Madame faz compras no Carrefour.
Pastrame é salame que se come.
Casino é perder dinheiro em jogo.
O poder faz o circo pegar fogo.
Cor de rosa assim dinheiro some.
Os impostos são caros pra xuxú.

Um francês quer comprar o Pão de açúcar,
mas o outro comeu um pedaço dele.
Nessa teia de aranha, nessa rede,
Dom Diniz vem ao pote e traz a sede,
no social de um banco com esse nome,
brasileiro entrou com grana puta.

Dom Diniz que de bobo não tem nada,
Já tão rico comendo a marmelada,
essa herança, o deixou um português.
Enche a burra de Euros na jogada,
revendendo esse Pão mais uma vez.
Esse pão tão popular, já tão Francês.

Num negócio que cheira a coisa errada,
o rei pobre outra vez vai ficar nu.
Lá no caixa madame entre com o cu,
perfazendo com os fundos essa compra.
A madame disso nem se dá mais conta,
desconhece os tais fios da meada.

A visão com as nuvens é nublada,
no bondinho vai vem do pão de açúcar.
O mercado é invenção meio maluca,
com  finanças do povo empesteadas.
Dom Diniz é um homem tão batuta,
ganha o amigo e sai rindo da piada.


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Conflito ( O olhar da carranca)

 Fotografia: Light Battle- David Rochas
                                                                                                                                       
Francamente discuto com o poeta sua arte inacabada.
Com fragmentos de vida ele rebate essa desimportancia.
Se o preço do feijão não cabe nas estrofes do poema,
o poema se ilimita, na capacidade descrita nessa ânsia.
O poema não quita débitos anteriores das palavras.
O poema apenas berra, onde o silêncio do poeta o depara.
Pode até ser, que o poema escolha as palavras pouco claras.
Sua fragrância, francamente eu discuto, nessa flor inadequada.

O poema fura o ar do imaginário como a ponta de uma lança.
O poeta usa a palavra, no que dela, o diafragma é ofegante.
Um no outro se esfrega, corpo a corpo, em inafável contradança.
Ilusionista, ele aponta no espelho, o espelho do espelho.
Cuja imagem só reflete se há luz, no escuro é delirante.
Para que um haja no outro, o aviso é o impreciso da escala.
Discuto, eu com o poeta, se ele é sua palavra nesse instante;
Ou se aponta simplesmente, nesse escuro, um olhar ignorante.

O poeta é caótico, e o seu sorriso patológico é vermelho.
Sua boca diz a mim, o quanto, em mim, o seu poema é interessante.
Digo então para o poeta, aonde a ausência da palavra é seu destelho.
O poema quer passar pelo buraco da agulha, paquidérmico, gigante.
Eu discuto com o poeta, se a palavra é ele mesmo em vocábulo elegante.
Se na ponta da caneta, a ele mesmo, a palavra é um cinismo provocante.

O poeta me revida com uma rima de palavras proeminentes,
me instiga, ao me dizer que elas são feitas da união tempo e história.
Ele briga com as palavras boca a boca, olho a olho, dente a dente;
Até que elas saltem quentes, diferentes, da barriga da memória.
A poesia é mulher nessa palavra iluminada, ela é parturiente.
Quando nua, a poesia, é coisa viva, é erogenia humana, é glória.
O poema, insistente em ser poema, sai sem pena, inconsciente à trajetória.

Vão  poema e poeta, estão, bebidos de sentido e aguardente, vão embora.
O poeta e o poema se esfaqueiam numa briga em sangue quente;
Pelos pulsos do poeta, o poema, ganha vida alucinante nessa hora.
Eu discuto com o poeta se a palavra é de tamanho elefante.
O poema e o poeta se percutem um no outro em codinome.
Eles são, os dois unidos, o som de mil auto-falantes.
Já eu sei que o poema é o humano, na razão pura de Kant.
Ao poeta eu fustigo, para que ponha logo fogo no poema, e nesse fogo o detone.

Ele diz que as palavras são compostas no real, são o real com outro nome.
Assim cada uma delas tem um ciclo, nesse ciclo se consomem.
Da cultura o poema nos acena, como magma nos aquece.
Se o poeta e a poesia vivem juntos, é como a crença e a prece.
A poesia e o poeta se conduzem, em ambas partes dessa ponte.
Se atravessam no caminho com o amor de um casal que se merece.
Depois disso cada um vai pro seu lado, como a vida fosse ontem.
Mas traduzem nesse encontro, tão presente, o futuro que há no homem.