Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Eva

 Eva que veio nua, argúcia de nome Lúcia… Silêncio! Em si traz lascivos traços e tem a seguir seus passos homens que vão sem brida. Suor de uma alquimista, cadinho que faz veneno de condimentos pequenos, receita feita sem lista. Em alguns lugares beijinhos, em outros tais tem carinhos, segredos de quem inventa e não se pode contar. Depois desregrado abraço, calor para inflamar pedaço por onde passeia e brinca. Então tendo feito o feitiço, cerrando os olhos da noite, repousa o corpo e é só isso que a vida pode acordar.

sábado, 25 de julho de 2026

Questão

Mau pais tem suas terras, brigam por elas os homens. 

Não as têm todos, quisera, 

plantados campos sem fome. 

Devolutas assim e tanta são as terras não sociais, 

se nelas nada se planta, são inuteis agros, não mais.  

As cercas já são tão vastas e os seus donos tão poucos. 

De imposições e ameaça impingem assim seus gostos. 

Enquanto os tantos sem terra ocupam terras sem tantos, 

há sangue de justas guerras, enfim irrigando os campos . 

Ocupam lotes pequenos, cultivam por igualdade, 

não permitindo terreno para os fuzis da cidade. 

Vão todo, homens, mulheres, moços, velhos, crianças .

Nas lutas, cantos e greves demarcam suas esperanças. 

Em união solidária, embates de ocupações, 

perseguem reforma agrária pra verdejar plantacões. 

E tentam, tentam e tentam, nas praças, nos ministérios;  

Buscando se movimentam contra brigadas e critérios.  

Então uma pergunta fica e uma resposta também:

__ Se um país tem seus terras, seu povo que terras tem?                                                                                        

                                                                                    

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Rosa dos Ventos

       


                                                                                                                                                           Ciente  do meu tempo, por onde olho, o mundo rosa dos ventos segue perene. Se não consigo tento, e quase colho, o seu olhar moreno que me acene .  Agora sendo invisível me sei mais sério , eu faço o que bem quiser pois ninguém me vê. Deixei de ser mundano virei mistério,  transito no virtual, veja só você!  Criei-me dentro da noite fiel da lua, exilado da cegueira monumental. Liberto dos enganos vivo  nas ruas, sempre a mercê do assanho neoliberal. Enquanto  apreendo a dor de alguém disforme, sem fome de ter poder individual, revejo crescer inútil  no seu tamanho a concentração  do PIB nacional. Meu canto  pode ter nome lumpesinato , essa massa, enorme sobra sem capital. A fome é o dividendo de quem não come , sem nome ,sem sobrenome, sem cabedal.  Transeuntes  pedem sempre supras desculpas pela fotografia ingrata ocasional do que é o destino incerto entre as rotas curvas, por conta de qualquer culpa intestinal . Presos no preconceito de sujas lupas, mantém a ignorância monumental. Desse ideário  pobre, tosco e burro, nasce o  legado ignaro, acrítico e duro, forjado em todo racismo estrutural. A isso assino em mim toda resistência, e sei não estou sozinho, me saiu bem. Distante da intolerância abro caminhos, esse é meu jeito inteiro mais natural . Se trago sorriso nobre, é galo de rinha , comum á minha resiliência corporal . Quanto ao meu choro , é um choro do Pixinguinha em roda de choroēs de fundo de algum quintal. Assim termino um poema no fim da linha deixando aquele abraço no seu  final .