Ciente do meu tempo, por onde olho, o mundo rosa dos ventos segue perene. Se não consigo tento, e quase colho, o seu olhar moreno que me acene . Agora sendo invisível me sei mais sério , eu faço o que bem quiser pois ninguém me vê. Deixei de ser mundano virei mistério, transito no virtual, veja só você! Criei-me dentro da noite fiel da lua, exilado da cegueira monumental. Liberto dos enganos vivo nas ruas, sempre a mercê do assanho neoliberal. Enquanto apreendo a dor de alguém disforme, sem fome de ter poder individual, revejo crescer inútil no seu tamanho a concentração do PIB nacional. Meu canto pode ter nome lumpesinato , essa massa, enorme sobra sem capital. A fome é o dividendo de quem não come , sem nome ,sem sobrenome, sem cabedal. Transeuntes pedem sempre supras desculpas pela fotografia ingrata ocasional do que é o destino incerto entre as rotas curvas, por conta de qualquer culpa intestinal . Presos no preconceito de sujas lupas, mantém a ignorância monumental. Desse ideário pobre, tosco e burro, nasce o legado ignaro, acrítico e duro, forjado em todo racismo estrutural. A isso assino em mim toda resistência, e sei não estou sozinho, me saiu bem. Distante da intolerância abro caminhos, esse é meu jeito inteiro mais natural . Se trago sorriso nobre, é galo de rinha , comum á minha resiliência corporal . Quanto ao meu choro , é um choro do Pixinguinha em roda de choroēs de fundo de algum quintal. Assim termino um poema no fim da linha deixando aquele abraço no seu final .

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