Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Solidão(o trago da seda)

Solidão-1983-Jorge Guinle


A hora da solidão não se conta no tempo,
porque é solitária a hora que não passa.
E sendo tempo e solitude, não vai embora
nessa ausência presente; Vira devassa.

quem a mesma solidão em si ressente,
tem no peito os nós e a dor dessa fumaça.
Como um absurdo gole de aguardente,
queimando a voz e calando assim a graça.

Ah! solidão, senhora impura e indecente,
que vive nua envolta em carapaça.
Traz no barulho surdo da serpente,
o soar distante que a saudade laça.

pode-se estar só em volta a muita gente,
a solidão pode existir em coletiva escala.
A falta está é nessa hora inclemente,
em que te espero e o celular se cala.

Ao desespero, inerte como indigente,
descontente espero a sua chegada.
Entre o caminho, seu atraso e minha lente,
vejo muitos passos para pouca estrada.

Sera que falta de mim já não sente?
Ou na lembrança sou eu coisa ignara.
A sua falta em mim completamente,
deixa em silencio a paz que me roubara.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Menestrel menstrual(a puta me encantou)

Mulher deitada-1966- Di Cavalcanti

A mulher deitada ao meu lado chorava dores, seu corpo cheirava ao todo os sofrimentos seus.
Eram tantos sofrimentos de femininas cores, tive vontade de desvenda-los como um Deus.
Mas sendo apenas um homem de feição mortal, só pude abraça-la forte e aquecer-lhe o ventre.
A minha vontade mesmo era invadir-lhe o trauma com minhas armas de sorriso. Assim portando a espada de butilbrometo de escopolamina, cometi uma fatal atitude assassina, passional e apaixonada.
Matei a sangue frio suas tristezas físicas, e resgatei a felicidade sequestrada, devolvendo-a em tranquila paz para o conforto de minha namorada.
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domingo, 19 de julho de 2009

Rodriguiano(a puta me encantou)

Clown-1999- Bernard Buffet

Sou um clown rodriguiano,
pois a vida é como ela é.
As vezes choro um engano,
outras o bebo num café.

Quando a paixão me abandona,
percalços de desilusão.
Meu peito é que vai à lona.
Sozinho levanto do chão.

Trago no calor humano,
malabares quando em pé.
Meu calcanhar é mundano,
virgem em cada mulher.

Cujo corpo nú profano,
para saber quem ela é.
Se a encontro dentro eu a amo,
se não a encontro, dou ré.

So Por amor me equilibro.
Calibro meu caminhar
de acordo com o carinho,
da cama que me acordar

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O poema que não quero(o trago da seda)

Guataia-1986-Ascânio MMM

Fiz um pequeno verso que não ficou bom, depois de pronto sobraram sem uso muitas palavras.
Não sei o que fazer com elas, só sei que não foram ditas. Não sei o que fazer também sem elas, fora são aflitas.
Seriam essas palavras as mais importantes, e não foram ditas. Ficaram no ocaso da coragem.
Tantas palavras ficam nos sustos da vida, nos gritos engolidos, nos desejos comovidos, quantas dessas palavras estarão no rescaldo dos amores removidos, quanto delas grudarão nas paredes caídas da despedida, nos escombros de fim da paixão.
Quantos nós guardados, quando o pensamento esta elidente à voz e a fala é só segredo sem pele.
As palavras não ditas fazem a inércia da língua mas ficam edificadas no rosto, no olhar, num gesto, na postura corporal, não desistem porque estão mudas, elas ficam , e ficam, e ficam , não vão embora, no olfato elas resistem aos muros da timidez evidente.
São intimas como o amor nos corpos, mas não foram ditas, recusam a despir-se na boca, mas dançam completamente nuas na solidão.
Fizeram-se mistério quando mais eu as queria abertas e transparentes, escolheram o sigilo por significado, palavras ocultas em suas próprias dúvidas, a se entender porque.
Quem sabe o que elas diriam se faladas? Extraídas do silêncio, arrancadas. Se gesticulassem livres, se viessem, se voassem, se vaiassem, se vivessem às claras, as palavras são a alma da língua e a tessitura da sabedoria.
Que significado teriam no fato, que afeto não desvendado, quais seus segredos, que misteriosa face de vergonha guardam no véu do acanhamento.
Porque tímidas se afastam do meu verso quando delas eu mais urgente preciso agora.
Elas sim são as de maior importância, pois guardadas calam a poesia.
Mudando sua fisionomia, escondem outro poema em interdito e sombra, que some privado de expressividade.
Qualquer verso sem elas é elisão, é impropriedade, é vazio, não é nada.
Serão elas as que dizem quietas todos os gritos, todos os afagos, toda a compreensão, sendo assim são muito mais que simples palavras, são atos não verbalizados.
Fazer um poema sem elas não faz sentido, fazer um poema sem elas o torna desprovido de razão, é vicissitude.
Sempre haverá nele um pensamento escondido, intimidado na atitude, na ausência dos restos de expressão do que não foi dito, pedaço quebrado de sentimento. Essa sentença, essa prisão, poema assim trancado eu não quero não.

terça-feira, 7 de julho de 2009

É assim que é - II(A puta me encantou)

Café da Manhã-2008-Bia Arujo

Eu que tenho vivido esse amor de subsistência, frágil.
Deixo aqui sua denúncia, no que dele é uma coisa vã,
tão vã como qualquer relação de afeto pouco ágil.
trepar não vale a pena se não resiste ao café da manhã.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sem planos(perna bamba é do samba)

Fotografia:Paulo Costa

Sigo com passos de pedra,
sigo compassos de samba.
Madureira em mim emana,
comigo vem a Portela.

Minha poesia é discreta,
Carioca e suburbana.
Mulata que a mim profana,
tornando a carne concreta.

Também ela fica em brasas,
minha poesia é de cama.
A mim ela me devassa,
transpassa com sua chama.

Quando a musa é a massa,
minha poesia é fulana.
Assim ela vem e me abraça,
com suas pernas de dama.

No ar a poesia tem asas,
voa, ferve, fere e plana.
Suada quando é amada,
tem corpo sujo de lama.

Minha poesia tem norte,
tem palavra que esfola,
deixa em mim tantos cortes,
sempre que tento ir embora.

Ela é a mesma cigana,
Quizomba de minha sorte.
Retoma em mim sua trama,
sem ela há risco de morte.

Assusta a minha poesia,
delira, derrama, expele.
Quem um pouco dela bebe,
pode sofrer de alegria.

Clamando é outra a poesia:
"Ela há de ser um sol tão novo,
como a gema de um ovo,
dentro da clara do dia."

Martelo por seu destino,
poema, porre, porrete.
Garganta d'agua na sede,
nela sou homem e menino.

Então sobrevivo dela,
sem ela nem vou prás ruas.
Segredos meus á desvenda,
meus versos são pele nua.

Estão nos rastros que deixo,
tatuados nos enganos,
por caminhar com desleixo,
os faço versos sem planos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Outro( o trago da seda)

"Bandeirinhas estruturadas com mastros”-dec. de 70-Alfredo Volpi




Gosto de conversar com estranhos,
pessoas conhecidas a poucas horas.
É um momento perfeito para ouvir.
De bom nisso, está a imparcialidade;
Parte do pensamento humano rara.
Gosto de ouvir frases ditas de forma
que pareçam soltas, mas não estão.
As ideias alheias, a mim contribuem,
é um momento rápido, é fugaz.
Tenho que absorver o dito, assim,
como se inspirando o ar novo.
O desconhecido é livre, mesmo quando
não é leve, é descompromissado.
Guardo às vezes uma frase,
uma virgula qualquer.
Um detalhe.
Uma pequena ideia vinda do casual,
pode ser uma onda em mim, que se agiganta, e eu cresço.
Uma intonação diferente, outra versão.
Como se fazendo em mim outra respiração.
È assim que em alguns momentos saboreio
um pouco mais de eu mesmo, em outra opinião.
.

Leminsk(a puta me encantou)

Os amantes do Leminsk
cantam-no três vezes à loa.
Bebem-no como whiske,
Goles em gelo nas ruas.

Vou(a puta me encantou)

Jorge Vieira (1922-1998) Sem título, 1947

Há no meu peito um templo em fúrias,
deixo-as guardadas com as certezas.
talvez porque tenho as vergonhas,
talvez porque ao virar a mesa
desse amor sobra enfadonha,
tenha notado nele: Só tristezas.

Agora é noite e chove muito,
vou porque não amo com riqueza.
Desse amor falta-me assunto.
Saio pela porta e levo junto,
na escuridão da vela acesa,
o que dele mesmo hora defunto,
tenha ficado: Só tristezas.

Não tendo paz na minha vida,
vou caminhar na noite escura.
Levando a carne e as feridas,
em solidão buscarei cura.
Na morte desse amor havida,
cambaleante em correnteza,
dessa união mal sucedida,
tenha sobrado: Só tristezas.

Fim de amor é vida inglória
acaba aqui essa centúria
decreto o fim da nossa história
Há no meu peito um templo em fúria.

domingo, 28 de junho de 2009

Contradição(a puta me encantou)


Incomodandodrumond- s/d- sem autor

Sei não!!!
Estou brigando comigo,
todo enfiado em solidão.
Há algo errado, eu me digo,
ando caindo no chão.
Parece que busco um pecado,
para obter um perdão.
Num coração complicado
Isso é contradição,
Sei não!!!
.

Poema chinfrim(a puta me encantou)

Sem título-1963-Pablo Picasso

Todo inicio do fim
é do outro lado começo.
Paixão é pedra no rim,
amor é algo diverso.

Ela não esta em mim
e eu não estou no seu verso.
Pólvora fogo em estopim,
finda a ilusão nesse resto.

Então ficamos assim,
num samba de manifesto.
E o couro de um tamburim,
apanha como protesto.

Vai num poema chinfrim,
é o que lhe cabe por certo.
Explode coisa ruim,
que eu vou no caminho inverso.

amizade(a puta me encantou)

Auto-retrato-1972-P. Picasso


Plantei amizade com a vida, seu fruto tem gosto e tesão.
um pedaço cura as feridas, outro as farpas da ilusão.

Seu vinho bom é de Baco, bebido no ato com pão.
Sou único desse retrato, não tenho reprodução.

Olha que o mar tem um fato, em cada arrebentação.
Hoje nos somos hiato, aonde ontem fomos paixão.

Abri a janela em açoite, entrei pela porta humorada.
Na fenda solar de um corte, vibrei sua gargalhada.

Colhi da boa alegria, a muito encabulada.
Por uma paixão ventania, que deixa a paz dominada.

Fui homem de fino trato, sem patente e sem perdão.
Quem fica bem ao meu lado, aprende a cair no chão.

Beijar a boca da noite, deixando a manhã bem molhada,
enquanto ouve pandeiros, amando de madrugada.

Quando o sol vem pelo cheiro do corpo de quem é amada,
o amanhecer é um tinteiro, pintado na noite estrelada.

Vou caminhando de leve. A minha amizade é nua.
Se vou, sei que volto em breve, para regar a que é sua.

Há um samba que me descreve quando venho, é quando passo,
sinto meu peito em neve, por falta do seu abraço.

A minha vida é de rua, a quem ela é emprestada.
Mas como as pegadas na lua, eu deixo a amizade plantada.

sábado, 27 de junho de 2009

Amar: Sobre a liberdade( o trago da seda)

Liberdade-2008- Santiago Ribeiro

A liberdade está no momento
exato da relação
perene entre as asas e os ventos.

Abraço ao Tabajaras(perna bamba é do samba)

                         foto: marco Antonio Cavalcanti
Não vou hoje ao Tabajaras
saber das suas ladeiras.
Ontem cidadania cara,
hoje busca primeira.

Onde a força da marra
amarra numa cadeia,
o morador que trabalha
ao outro da bandalheira.

Tabajara é um povo
de descendência guerreira,
há de quebrar esse ovo
que a serpente arreia.

Nessa atitude há quem queira
apagar todo estorvo
desta guerra de trincheira,
impostando algo novo.

Não vou, mas o abraço te chega
como um olhar de criança,
trocando algo que espreita
por gesto de esperança.

Cidadania na mesa
é prato dessa festança,
alimento das certezas
havendo de encher pança.

Uma ação certeira à hora
tirando gente da beira,
Para por no meio da roda,
fazendo-a pessoa inteira.

Tabajaras, essa escarpa.
Não cai no esquecimento,
por hoje não vou, lamento,
mas da próxima não escapa.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

E agora(perna bamba é do samba)

                                                                                                                                                    fodasefoice- 2008-Nuno Maia



Como é que eu faço agora?
Como é que eu posso fazer?
Seu nome não sai da memoria,
eu vou tentar te esquecer.
Ouço Paulinho da viola,
próximo á Duvivier.

Com ele a paixão evapora.
Tenta se desfazer.
Bebo Paulinho da viola,
e o mar navega você.
Fui eu o soldado raso.
Eu que evitei te prender.

Prendo-me a mim nesse caso,
qual o alvará passo a ter?
Num samba que agora é traço,
pergunto ao meu peito cedê,
o cheiro do seu abraço,
ou o seu olhar de tiê.

Será que voa no espaço?
Ou sabe amar por prazer?
Esse é um poema escasso,
eu disse que é pra te esquecer.
Ficou vagando, eu acho,
tentando poema não ser.

Do que não houve, não há resto,
auge, ou algo a dizer.
Canto por que manifesto
o que o peito quis tecer.
Ao meu afeto eu adestro,
então não há do que sofrer.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Eros(a puta me encantou)

Eros e psique-1817- Jaques-louis David


Minha boca há de beijar de tal forma
a outra tua,
que a rima despida, a fará gozar como
fosses nua.





Poetas ao leme

Foto: Louis e Bandeira do Polem- s/d -Blog polem

Há num cantinho do Leme,
bem nas portas de Copacabana,
quando é noite a serena.
Ao sereno se declama,
sobre os toldos da poesia
com seu perfume de dama.

Sopram seus temas poetas,
edificando as ventanas.
Por onde o poema na certa
há de trazer peito em festa,
versando em nobre etnia,
para encontrar quem o chama.

Vem entre um gole de pinga,
um quentão, um vinho pobre.
Para que a garganta amiga
aquecida o verso entorne,
numa letra de cantiga.
Onde outro poema ocorre.

São como galos de briga,
põem esporão nas palavras,
Com as quais fazem as vigas,
do quiosque onde eu estava.
Se a poesia é liga,
é como o samba, não morre.

As trovas por liturgia,
as musas por companhia,
a pedra fazendo campana,
olhem bem a lua que espia.
jogando sua luz vadia,
na poesia urbana.

O mar na areia faz franja,
alguma rima lhe havia,
com o ronco rouco pedia,
mas esse verso por canja.
Já próximo o sol se arranja,
finando a noite no dia.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Se eu pudesse dizer que te amo(perna bamba é do samba)

Sleeping baigneuse, 1897- Pierre-Auguste Renoir

Quando ao mar revolto veio a calmaria,
nessa hora eu homem quedei-me aos seus braços.
Como a rocha firme adere ao sargaço,
trouxe nesse enlace o limo da poesia.

Cantei à espuma branca molhando seus passos,
tanto quanto canto ao corpo que traziam.
Ressurgiu inteira nesse meu mormaço,
Eu simples pedaço diante da alegria.

Nada mais havendo de grande valia,
seguiu a tarde, e o tempo e o cansaço.
onde o amor não arde, a carne exigia.

A mulher que quero é a que não acho,
Como pescador com a rede vazia.
vagas são os carinhos, e esse mar devasso.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Autoestima(o trago da seda)

Sarah Rede de Hospitais pelo Brasil

Neurocirurgia
nela a alegria
de quem não sabia
volta sedutora

Quem é que diria
que a beleza um dia
voltaria à vida
coordenada e boa

Sorriso dispara
em ponto de bala
quando ela fala
do seu corpo que voa

Reconstroe tão linda
nova e recorrente
trova de auto estima
causa comovente

Engenhando gente
nova e que se instala
em gente novamente
essa rede é Sarah