Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um puro ( A olhos nus)

                                                                      Fotografia: O globo- Yoni maquiada

A blogueira cubana veio a Copacabana  beber uma água de coco
Dizem que ela fez fama na onda de quem reclama.
A dissidência da um troco.

A chiadeira deu lastro, o ocidente deu prêmio.
Ela arrecada nos louros descompustura nos Castro
Algo na ilha e nefasto para essa líder do grêmio.

A moça da cabeleira trouxe na voz Havaneira
a fúria do Malecon.
Se há quem goste de vê-la, a outros é barraqueira,
não sei se é ruim ou bom.

A desidratada ilhéu desempenha o seu papel,
talvez lhe seja um dom.
Políticos em tropel querem um gole do mel
na mídia em alto som.
Fazendo-lhe aparato recolhem de um simples fato
a buzina foron-fon.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Água na boca ( A puta me contou)

Lá se foram os anéis
coisa tão tola
Micaram os papéis
Choro eu às cebolas
Sobrou desse revés
o burro e a cenoura
Lá se foram os mil Réis
dessa parca lavoura.
Grito em mil decibéis
minha vóz ficou rouca
não me foram fieis
ou fui eu, marquei touca
comeram meus pastéis
ficou a água na boca.
.

Terferência ( O olhar da carranca)

Fotografia: Rave- Daniel

Perdi o sono e o sonho
produtos de uma minha alegria.
Cujo consumo tão rápido
foi raptado nos fatos do hoje em dia.

Tudo se foi, eu suponho,
qual juventude da mercadoria.
E hoje eu me recomponho
do conteúdo trágico,
de um real que eu não queria.

Mas, o negar por ser medonho,
ou no mínimo enfadonho,
não mesmo, não poderia.
Portanto minhas mãos lhe ponho
resoluto e pragmático.
Vou fazer desse antipático
uma outra fisionomia.

Dessa prisão, com a teresa,
sairei virando a mesa,
transformado em valentia.
Resgatando com magia,
com a força que há na certeza,
do tombo farei firmeza,
do estrago sabedoria.
Acabada essa tristeza,
não haverá tibieza,
Eu vou fazer o outro dia.




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Gastrópoda ( O circo da alma)

                                                                                       Fotografia: Cais do porto RJ-Lorena  Brandão de Araujo

Depois de um pedaço já gasto da vida,
já se pode desfazer a mala de sustos.
A cada peça de roupa saída
é uma ideia esfoliada nas marcas da pele.
Mais leves ficam meus ossos.
Mais livre e comprometida
com a dignidade, fica a face encrespada.
Mais claros ficam os pensamentos do incerto.

Evidentes e calmos, os meus olhos
aprenderam a olhar, em silêncio.
Depois de um pedaço de vida já gasto,
aprende-se a respirar a paz mais de frente.
A respeitar o tempo deposto, mas figurado de sol.

Nesse pedaço da vida,
as mensagens do mar
já não cabem nas garrafas.

Elas grafam aos ouvidos com as mãos
aproximadas em concha.
assim elas falam os havidos
da imprecisão marinha e do cais.
É nas histórias dos filhos
que estão inscritos os pais.





sábado, 16 de fevereiro de 2013

Passos ( A olhos nus)


Fotografia: Erros de arbitragem- Cesar Prata


O quanto erramos no tanto, é fissura de nos mesmos.
Comuns enganos são dados das posturas meio a esmo.
Às vezes planos guardados, na arquitetura aonde os lemos,
provocam danos de fato, como a gordura é torresmo.

Se no entanto o tempo avisa a tempo antes tais erros,
por mais ou maior espanto que no real soprem os ventos,
saber voltar ao principio é o caminho mais inteiro.
Somente plenos, inteiros, é que nos vem sabedoria

Mercadoria que não o é, pois não se vende ou se compra.
Também se sabe, na vida, ela não vem coisa pronta,
a sua origem total esta no que não se sabia.
Há que busca-la aqui, outra hora é ali seu paradeiro.
Pois a ninguém é dado ao fim, nem a mim, sua moradia


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pelas barbas do poeta ( Olhos nus)


Maria pede um poema.
Eu tento dar conta ao recado.
De livre, o poeta vagueia
no leme do barco da veia,
num tema para o Eduardo.

Esse homem semeador
cultiva à sua maneira,
nas noites da quarta feira,
a poesia de fato.
E a brisa do mar vem cheia,
quem quiser então que a leia,
ao se expressar nesse ato.

Os versos fazem cadeia,
um no outro tece a teia,
e a beleza entra no tom.
A palavra em pleno sabor,
ali como quem faz feira,
de forma bem brasileira,
poder se expressar é bom.

Poesia campeia em concerto
no ofício do  mercador,
e os versos sendo libertos,
no microfone abertos,
vão a quem queira estar com.
De toda e qualquer maneira,
fazem fundo, meio e beira.
Azuis, vermelhos, marrons.

Que a trilha nunca se apague,
do sério à brincadeira,
com a qual o peito se afague,
do pai ao filho Tornague,
de forma tão verdadeira.

Então esse afamado,
contemporâneo fadado,
de olhar e alma inquieta,
mudando a vida de lado,
em jeito apaixonado
Tornague entorna o poeta.

Maria que tando lhe gosta,
a pura amizade arrosta,
essa homenagem lhe presta.
De forma simples, modesta,
faz dessa pequena amostra,
pequeno carinho em festa.

No verso eu galo a briga.
Em riba, Humanos direitos,
a todo e qualquer efeito.
Sou o mais humilde escriba.
Agora me aproveito.
De forma bem manifesta,
no pedacinho que resta,
dou um braço à essa cantiga.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Olhos nus (Olhos nus)

Fotografia: - O Globo

Quando acordo no cedo do dia com o sol arranhando a janela,
não é raro haver poesia, mesmo que eu nem procure por ela.
Sempre vem, eu não sei qual a roupa ela tenha no corpo vestido,
faço versos  que saem da boca, porque acham no peito o sentido.
Ser poeta é de fato um defeito para o qual não existe oficina.
Verso bom vem como água da mina, na qual lavo minhas mazelas.
Carnaval que me afeta às retinas, esse jeito de olhar de outro jeito,
ateando em mim  gasolina, cujo fogo é em palavras sinceras.

Essa trama me acorda, e a aceito, com a força fecunda me guia.
Logo eu fujo das academias, uso short e arrasto as chinelas.
Faço a rima da dor com a alegria em um poema na mesma panela.
Nunca sei se o sagrado me afia, ou o profano é minha alma na dela.
Desse amor abraçado no leito, dessa força que a mim me sacia,
vem a luz com que o verso foi feito, iluminando a fisionomia.
Capoeira tem o seu preceito, ante a luta um ao outro se espera.
À poesia dedico respeito  porque ela me é coisa séria.

Para mim não é frase de efeito cuja soma final sempre zera.
Os meus olhos rimando o espelho, fazem rima ao real por tabela.
Como a realidade é primeira, meus poemas têm cheiro de terra.
Fazem de mim verdade inteira, pois de fato são fotografias
evidentes dessa valentia, com a força solar como vela.
Um no outro essa luz alumia como um flash na língua da ibéria.
Se não sei se  é errada ou certa, a questão é de cardiologia,
mas aonde um poema se avia, quem habita a palavra é o poeta.












sábado, 9 de fevereiro de 2013

Bela da tarde (Olhos nus)

Fotografia: Rio-Angra dos Reis- José Cardoso Cunha

Teu dorso no teto do espelho
das águas tranquilas da angra.
Deitando tantos segredos
corava a cor de pitanga.
Se desinibia dos medos
na tarde solar das paredes,
ardia de seca na sede,
vertendo o doce da manga.
Na cabeceira vermelha,
incendiada em maneiras,
minava de água na boca.
A casa de beira de estrada,
como oltdoor por reclame,
dizia-te:_Vem amada,
a vida é tão curta, tão pouca,
matar junto com o teu homem,
a sede de que um corpo fala
na carne a que o outro come.





Goiabada no queijo (Beco da fome)

          Fotografia:Romeu e Julieta- Kiko neto

A vida é uma magia
despida em alto relevo.
Ela é escola e avenida
uma na outra contida.
É vassourinhas no frevo.

A moça é desinibida.
para quem gosta ela é linda.
Sabendo o quanto é querida,
o sangue lhe corre nas veias.
Nela, como homem menino,
adentra um tal de destino
ferrando o zangão à abelha.

O mel que desce é o tempo,
nele é que tudo se liga
sonoramente em cantiga.
Fervendo a massa em cortejo.

O amor é força sem brida.
Quando vem correspondida
é a goiabada no queijo.
E a felicidade é parida
de dentro de uma barriga
a qual chamamos desejo.









quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Portela 90 (Perna bamba é do samba)

Fotografia: Portela Águia- O Globo

O mundo é uma grande esfera
girando o seu corpo nu.
Nobreza tem a Portela
escola de sangue azul.
Todos sabem quem é ela.
Mais alta por relevância.
Na hora do samba à vera
nenhuma outra se esmera
ao ponto de sua elegância.
Seu canto é vós altaneira,
ecoa de Madureira
ouvido a toda distância.
De toda forma ou maneira
Portela é escola de luz
pertinho de Osvaldo Cruz
do Paulo, Paulinho e Candeia.
Aonde se reproduz
cultura a quem faz jus
por ter o samba nas veias.
A todas as outras respeito,
carinho dedico ao resto.
Mas claro que não tem jeito,
a águia que tenho ao peito,
celestial por seus feitos
domina todo o universo.




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Botafogo na roupa (Perna bamba é do samba)

Fotografia: Bloco Cordão do Bola preta -O Globo-2013

Vamos lá galera chegou o carnaval.
Agora é à vera do Leme ao pontal.
Alô Madureira, ligou o Vidigal.
Até quarta feira liberou geral.

Serrinha, Mangueira, cuíca brejeira
e a tamarineira, alô pedra do sal.

Bandida ligeira da fé  à multidão.
A cidade inteira puxando o cordão.
Menino à menina, da moça ao ancião.
Todos sassaricando, suando em tesão.
Em banda ou em bando, com copo na mão.

 O trombone é de vara, tarol caixa seca.
A cidade desvaira segura a chupeta.
Se empurra não para, pé quebra a moleta.
Todo mundo à farra,  total na retreta.
Quem sofrer tristeza guarde-a na gaveta.

Vá a Santa Tereza e dê beijos na boca.
Vista a camiseta,e se a vergonha é pouca,
de cara ou careta, de peruca louca,
Dê fogo ao capeta até a voz ficar rouca.
Caia na folia, o samba é a alegria tirando a roupa.








terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Esses maços (Perna bamba é do samba)


          Fotografia:Ode a um cigarro- Sara Belo Pedro
Peço licença ao amor,
sussurro na madrugada.
Peço só isso e mais nada,
diante de um dissabor.
O samba que hoje faço
na cama sem namorada,
rimando a lua com nada,
é louco de tocar tambor.

Sem te-la mais nos meus braços,
canto ao que aconteceu:
A moça ficou zangada,
por uma palavra aleijada,
levou-me algo de seu.
Fez ir embora o abraço,
por conta de um embaraço,
sem  beijos entre ela e eu.

O vício de amar é sacana;
Vou também sem errar passos.
Vazio ficou o espaço
ao lado na minha cama.
Quanto mal faz esse maço,
não tenho os nervos de aço,
pois deixem passar essa dama.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Caralho ( Barril Diógenes)

                             Fotografia:...Caralho...- Tiago Janeira

Cale a boca poeta!
Sua língua não é bem vinda, sua poesia é intriga,
deixe a palavra quieta mesmo que um olhar te siga.
Cale-se, evite a briga, mantenha sua visão interna.
Quanto à poesia?
Pois guarde-a na boca da aurora,
deixe-a lá, ela evapora ante conceitos de valor.
Coisa feia e atrevida é chamar sua amada de amiga,
causa- lhe chatice, melancolia e horror.

O poeta é um deseducado.
Pôs uso à palavra bandida,
por esse poema grisalho,
o codinome de ato falho,
é locução tão alarida.

À companheira ao seu lado,
provoca ardência ferida,
agressão ao pundonor,
dissabor, boca maldita.

Agora, como retalho, penará na abstinência.
Pode guardar o caralho no mar da inconveniência.
Não lhe dê grande ao trabalho no fio da inclemência.
Pois vai dormir no silêncio da libido patavina.
Sem afago, sem calor, sem sabor de nicotina.
Agora sem agasalho a madrugada se fina.
Sem talho e sem atalho, tenha santa a paciência!







quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Direto ao ponto ( O olhar da carranca)

            Fotografia: Maria e eu- Jaqueline


Há um poema em teus olhos de enamorar, neles é que me deito com a força da chuva da noite, neles me deito com essa herança negroide das constelações, neles faíscam uma história que é tua e a quero minha.
Há alguma coisa nesses olhos que foi tecida na memória, como uma luz de estrela que brilha, quando no tempo tirita luz, mas ela já está morta e na lembrança continua.
Mesmo nesse momento o amor é tua trajetória. O enamorar desse momento é um trato de nobreza em um corpo  de rainha.
Nobreza de palavras querendo explodir grandezas, como as estações ensolaradas de simplicidade e de alumbramento.
Não,não, não e não! Não há frigidez, mas fluidez de teu afeto.
Não há rigidez na tua voz de natureza divina e bela.
Ah! Esse poema de olhos a assaltar teu rosto e te dominar  a fala.
Agora fala, fala qualquer coisa a um poeta cego, fala qualquer coisa, mas fala!
Diz o que aos teus olhos te pareça certo, que em teus lábios a palavra é sorriso.
Costure teus versos com elas. Uma a uma, outra e outra, frase a frase, quando a quando.
Eles são quentes e sol, são precisos e mar, eles derretem granizo, eles ecoam no ar.
Os teus poemas de crônicas de almoços de domingo, ainda os trago no palato, ainda os trago num tinto. Há um, sempre fugindo desses olhos de abraçar, há um sempre florindo na feira de quinta.
Um há, o sei, de me olhar de esgueira.
Esses são teus olhos de andar por, esses são os olhos de desanuviar cegueiras, brilho que os meus vão de encontro.
São os olhos do meu amor, que os tem servido direto ao ponto.





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eram só vidas meninas (Olhos nus)


                                                 Fotografia:  Santa Maria- Revista Veja

O quanto custa o descaso é quanto vale o desrespeito.
No jeito desse atraso, da impunidade, no feito,
tragédia é pouco caso, porque no caso, o cheiro
dessa fumaça em tom negro, matou todo brasileiro.

No tarô da cartomante chacina à juventude;
Massacre de atitude, essa ode à ilicitude,
mostra a inclinação talude do abuso ignorante.
No silêncio não sabia, na busca da mais valia,
na autoridade tardia, do crime é coadjuvante.
Crime de cidadania, covardia, mais covardia
na noite sul, noite fria, matando aos estudantes.

O quanto vale a vida é o quanto dela se cuida,
não é preciso ser Druida, é quanto dela se importa,
é quanto dela se estima, enquanto não está morta.
Mil vidas não se confina de forma tão idiota.
Criminosa, lúgubre, vil, feia, insana e torta.
Eram só vidas meninas trancafiadas de costas.
Eram só vidas meninas despostiçadas e mortas.
Eram só vidas meninas que não tiveram mais portas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Umbu das artes (Banguelê)

Cacique Kunibu da tribo Akuntsu, da tribo Rio Omerê, localizada no município de Corumbiara, no Estado de Rondônia-Brasil invisível-Valdemir cunha.

Narrativa em Roland Barthes
é poesia, esse umbu das artes,
essa água sagrada de beber.
Esta viva em todas as partes.
Se maior, se menor, se encarte,
são as ideias da humanidade
quando fala de si ao se ver.

Poiesis da diversidade
é só uma forma de linguagem.
Despindo-se da sacralidade,
sua nudez equivale
a ter algo que é de todos a dizer.

Sua origem é sua cultura,
contaminando mais criaturas
unificadas à quem se versa.
Amarrada em nós no mundo,
como os fios de um tapete persa,
a narrativa é uma  conversa.
A poesia é só um jeito do ser humano a tecer.







segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Uma dose ( O olhar da carranca)

Fotografia: Catador de caranguejos-  Brasil invisível- Valdemir Cunha

Minha poesia tem o interior desvairado.
Seus significantes fogem da cadeia nos versos.
Deixando em sobressalto e abertos os significados.
Nesse desatino de sujeito, então, miro o diverso.
Ela se apropria dos signos e os revira, os distorce
para um outro olhar diferente. Mais liberto.
A quem os sentimentos decifre, ou chegue perto.
Meus versos são um veio, ou são só um recado
para esse olhar ao alheio, mais aflito de gnose.
Na solidão de um saber mais  aberto, disserto.
Eles que sirvam de pequenas doses.

Estivando as palavras para outros barcos.
Reanimando objeto, nenhum eu fica vazio.
A história é o segredo, da minha aldeia,
a memória é o que sou, é o leito do rio.
Pavio  que se transmite em poderio não alienado.
Quando vista em pertinência e atavismo,
toda linguagem abriga em si o seu abismo.
Mas antes, decerto,  tece seu abraço emaranhado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A função no circo da alma

Fotografia: O circo partiu. Os palhaços permaneceram...-Viesturs link

A tristeza quando vem furando a lona,
sentando á frente na cadeira de pista,
quando em sempre é invasiva essa senhora
de semblante taciturno e intimista.

Tão sombria por aonde passa, que odora
seu perfume próximo à melancolia.
Seu pesar contrasta o leve da alegria.
Seu olhar de mina d'água sempre aflora.
Tem no ventre o embrião da tragédia,
como um vulto contraparente da morte.

Gesta a dor, o dissabor e a má sorte,
quando ao pulso ela nos toma a rédia.
Traz a cor de cinza chumbo dessa hora,
seu poder pode nublar a luz do dia.
Quem a segue vai jurar que não queria
e o desejo é mais que ela vá embora.









quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Flor de sal ( O trago da seda)

Fotografia: Flor de sal- Ezequiel Vieira

À água de sal da Barra levei meus olhos,
para que não se furtassem às curvas do mundo.
Na calmaria do mar lavei meus pés
já tão cançados do chão dos homens.
Do sol maior da tarde louvei a pele
numa oração de carne abrasada e de vento.
Na sombra dos desconhecidos lavrei poemas
que ficarão guardados em nuvem, como digitais.
Na latitude do desejo lacei seu corpo,
e nele tatuei as tintas temperadas do prazer.
Na longitude da vida lancei a sorte,
essa senhora que de sí não dá a todos.
A atitude de amar resiste à morte,
mote que contempla à toda a humanidade.
Nas dobraduras da sorte reside o amor,
sentimento inteiro de todas as suas partes.