Cacique Kunibu da tribo Akuntsu, da tribo Rio Omerê, localizada no município de Corumbiara, no Estado de Rondônia-Brasil invisível-Valdemir cunha.
Narrativa em Roland Barthes
é poesia, esse umbu das artes,
essa água sagrada de beber.
Esta viva em todas as partes.
Se maior, se menor, se encarte,
são as ideias da humanidade
quando fala de si ao se ver.
Poiesis da diversidade
é só uma forma de linguagem.
Despindo-se da sacralidade,
sua nudez equivale
a ter algo que é de todos a dizer.
Sua origem é sua cultura,
contaminando mais criaturas
unificadas à quem se versa.
Amarrada em nós no mundo,
como os fios de um tapete persa,
a narrativa é uma conversa.
A poesia é só um jeito do ser humano a tecer.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Uma dose ( O olhar da carranca)
Fotografia: Catador de caranguejos- Brasil invisível- Valdemir Cunha
Minha poesia tem o interior desvairado.
Seus significantes fogem da cadeia nos versos.
Deixando em sobressalto e abertos os significados.
Nesse desatino de sujeito, então, miro o diverso.
Ela se apropria dos signos e os revira, os distorce
para um outro olhar diferente. Mais liberto.
A quem os sentimentos decifre, ou chegue perto.
Meus versos são um veio, ou são só um recado
para esse olhar ao alheio, mais aflito de gnose.
Na solidão de um saber mais aberto, disserto.
Eles que sirvam de pequenas doses.
Estivando as palavras para outros barcos.
Reanimando objeto, nenhum eu fica vazio.
A história é o segredo, da minha aldeia,
a memória é o que sou, é o leito do rio.
Pavio que se transmite em poderio não alienado.
Quando vista em pertinência e atavismo,
toda linguagem abriga em si o seu abismo.
Mas antes, decerto, tece seu abraço emaranhado.
Minha poesia tem o interior desvairado.
Seus significantes fogem da cadeia nos versos.
Deixando em sobressalto e abertos os significados.
Nesse desatino de sujeito, então, miro o diverso.
Ela se apropria dos signos e os revira, os distorce
para um outro olhar diferente. Mais liberto.
A quem os sentimentos decifre, ou chegue perto.
Meus versos são um veio, ou são só um recado
para esse olhar ao alheio, mais aflito de gnose.
Na solidão de um saber mais aberto, disserto.
Eles que sirvam de pequenas doses.
Estivando as palavras para outros barcos.
Reanimando objeto, nenhum eu fica vazio.
A história é o segredo, da minha aldeia,
a memória é o que sou, é o leito do rio.
Pavio que se transmite em poderio não alienado.
Quando vista em pertinência e atavismo,
toda linguagem abriga em si o seu abismo.
Mas antes, decerto, tece seu abraço emaranhado.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
A função no circo da alma
A tristeza quando vem furando a lona,
sentando á frente na cadeira de pista,
quando em sempre é invasiva essa senhora
de semblante taciturno e intimista.
Tão sombria por aonde passa, que odora
seu perfume próximo à melancolia.
Seu pesar contrasta o leve da alegria.
Seu olhar de mina d'água sempre aflora.
Tem no ventre o embrião da tragédia,
como um vulto contraparente da morte.
Gesta a dor, o dissabor e a má sorte,
quando ao pulso ela nos toma a rédia.
Traz a cor de cinza chumbo dessa hora,
seu poder pode nublar a luz do dia.
Quem a segue vai jurar que não queria
e o desejo é mais que ela vá embora.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Flor de sal ( O trago da seda)
À água de sal da Barra levei meus olhos,
para que não se furtassem às curvas do mundo.
Na calmaria do mar lavei meus pés
já tão cançados do chão dos homens.
Do sol maior da tarde louvei a pele
numa oração de carne abrasada e de vento.
Na sombra dos desconhecidos lavrei poemas
que ficarão guardados em nuvem, como digitais.
Na latitude do desejo lacei seu corpo,
e nele tatuei as tintas temperadas do prazer.
Na longitude da vida lancei a sorte,
essa senhora que de sí não dá a todos.
A atitude de amar resiste à morte,
mote que contempla à toda a humanidade.
Nas dobraduras da sorte reside o amor,
sentimento inteiro de todas as suas partes.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Paradoxo ( A puta me contou)
Fotografia: Circulo humano- Henrique Caleira
A amizade é uma gastronomia repartível
Solidão é uma erosão sem curva de nível
Cumplicidade é mesmo um silêncio audível
E o amor? Ah! O amor!
É de todos, o paradoxo mais incrível!
A amizade é uma gastronomia repartível
Solidão é uma erosão sem curva de nível
Cumplicidade é mesmo um silêncio audível
E o amor? Ah! O amor!
É de todos, o paradoxo mais incrível!
O palhaço no circo da alma
Fotografia:Palhaço-A. Vieira
A alegria é um brilho diamante
encrustado profundo no sorriso.
É um espelho público sem Narciso.
O sorriso é seu aviso brilhante,
iluminando o ar por um instante.
Mesmo breve, largo, mesmo conciso,
seu calor dissolve o grão granizo,
em uma efusão de alastrar contagiante.
Quem o tela, sendo seu o apanágio,
faz da clareza fácil o abrigo.
Faz do próximo o melhor amigo,
por natureza, liberdade ou contágio.
A alegria não se encobre em verniz,
não tem vergonha, preparo ou estágio,
não se copia, arremeda ou faz plágio.
É só o ato saudável de ser feliz.
A alegria é um brilho diamante
encrustado profundo no sorriso.
É um espelho público sem Narciso.
O sorriso é seu aviso brilhante,
iluminando o ar por um instante.
Mesmo breve, largo, mesmo conciso,
seu calor dissolve o grão granizo,
em uma efusão de alastrar contagiante.
Quem o tela, sendo seu o apanágio,
faz da clareza fácil o abrigo.
Faz do próximo o melhor amigo,
por natureza, liberdade ou contágio.
A alegria não se encobre em verniz,
não tem vergonha, preparo ou estágio,
não se copia, arremeda ou faz plágio.
É só o ato saudável de ser feliz.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Diabo no corpo ( A puta me contou)
Fotografia: É o Diabo- Jomar
Meus olhos de cair noite e cama
têm energia de sol na lua.
Minhas mãos, de lavrar suas ancas,
descendo formão em neblina.
forjam a ferro essas rimas,
deixando a calma insana.
O desejo se insinua.
a carne já não sublima.
Pulsão de vida é uma dama
deslavada em seu perfume.
Então você vem e reclama,
derruba o pau da cabana,
querendo que eu me acostume.
Ardendo sou tocha humana,
queimando a pele na sua.
em REM o seu corpo plana,
meditação tibetana,
enquanto eu só diabruras.
Tesão que o diabo não cura.
Combustado em gasolina,
disposto em adrenalina.
que a madrugada quer nua.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Ponte ( A olhos nus)
A vanguarda não é um prato, é a fome.
A estrada não é o passo, é o destino.
O adolescente não é o homem, nem menino.
Crescer não é guardar a criança no limbo,
e o adulto tem o domínio desse nome.
O caráter não tem cunho alcalino.
As lembranças são os arquivos de ontem,
participam do futuro que se monte.
Fazer anos é atravessar uma ponte,
e crescer é refazer o figurino.
Ver um filho crescer é uma lida.
Apoia-lo é um cuidado que se tome.
Se oriente rapaz, diz a cantiga.
Pois no mundo onde há paz, o couro come.
Sem que a dignidade o abandone,
ser feliz é a busca e a batida,
porque a vida é vulcão em pedra-pomes.
Expandi-la é dobrar novas esquinas.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
O pedido ( A puta me contou)
Fotografia:Objetos do desejo-Ana mokarzel
O pedido foi direto,
sem saber qual é a cor.
Sem saber o seu tamanho,
sem noção de qual sabor.
Sei que hei de atende-lo,
para isso me assanho.
Ninguém disse o modelo,
se é de graça ou se é de ganho,
sem que lhe apontem o dedo,
não se sabe aonde ele está.
Se é conhecido ou estranho,
se perdido no sofá.
Se ele é largo ou se tacanho,
se não lhe deram lugar.
O pedido foi dileto
sem ter muito blá, blá, blá.
Pois assim vou descreve-lo
antes dele te assustar.
Desatando esse novelo
sem ter medo no olhar.
Se o amor é um segredo
o pedido é o seu desejo,
é algo que se quer gozar.
O pedido foi direto,
sem saber qual é a cor.
Sem saber o seu tamanho,
sem noção de qual sabor.
Sei que hei de atende-lo,
para isso me assanho.
Ninguém disse o modelo,
se é de graça ou se é de ganho,
sem que lhe apontem o dedo,
não se sabe aonde ele está.
Se é conhecido ou estranho,
se perdido no sofá.
Se ele é largo ou se tacanho,
se não lhe deram lugar.
O pedido foi dileto
sem ter muito blá, blá, blá.
Pois assim vou descreve-lo
antes dele te assustar.
Desatando esse novelo
sem ter medo no olhar.
Se o amor é um segredo
o pedido é o seu desejo,
é algo que se quer gozar.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Esqueletos ( Banguelê)
Fotografia: Tarde em Copacabana-Marco Campos
A tarde brinca de estátua.
Apenas a brisa do mar a denuncia.
A casa pendurada no ar sobre a rua,
silenciosa na solidão nua e crua,
deixa passar as horas pela janela do dia.
Sem angústia, leio as maldades do mundo;
Traduzidas de forma frouxa, feia e quase fria.
Com seus absurdos esqueletos profundos,
Reproduzidos, sem perceber o gene fecundo,
retornado em comuns, qual perene ácido de asia.
Respiro mais alongado por uns segundos.
Olho uma réstia de sol, ela me contagia.
Toma-me por, contradito, uma alegria de lua.
Assim, surge o contrapor da pequena poesia.
A tarde brinca de estátua.
Apenas a brisa do mar a denuncia.
A casa pendurada no ar sobre a rua,
silenciosa na solidão nua e crua,
deixa passar as horas pela janela do dia.
Sem angústia, leio as maldades do mundo;
Traduzidas de forma frouxa, feia e quase fria.
Com seus absurdos esqueletos profundos,
Reproduzidos, sem perceber o gene fecundo,
retornado em comuns, qual perene ácido de asia.
Respiro mais alongado por uns segundos.
Olho uma réstia de sol, ela me contagia.
Toma-me por, contradito, uma alegria de lua.
Assim, surge o contrapor da pequena poesia.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Arrais ( A olhos nus)
Fotografia: Praia do Leblon- Ilan - 2012
Maria, minha Maria que dia você vai voltar
a ter aquela alegria, me diga venha de lá.
Tristeza é uma vilania na alma, é algo sem par.
Me lembro, você sorria e encantava o lugar.
A sua fisionomia fazia a gente cantar,
agora minha Maria, me diga, pode falar.
Maria você sabia sorrir como ondas do mar.
Agora é só afonia, cizânia por não fumar.
Já fui até na Bahia pedir lá no Afonjá,
que me arranjem umas guias com força Iorubá.
Fui num terreiro em Caxias, fiz promessa popular
para ver se a coisa tardia saia a deixando paz.
Eu digo nessa porfia, do desejo que ela traz,
pois quando você sorri Maria, o mundo sorri a mais.
Que volte sua alegria, que você volte Maria.
Espia em torno, espia a falta que você faz.
Sem você tudo esfria, em mim fica a falta do cais
Volta depressa Maria, o seu sorriso é meu arrais.
Maria, minha Maria que dia você vai voltar
a ter aquela alegria, me diga venha de lá.
Tristeza é uma vilania na alma, é algo sem par.
Me lembro, você sorria e encantava o lugar.
A sua fisionomia fazia a gente cantar,
agora minha Maria, me diga, pode falar.
Maria você sabia sorrir como ondas do mar.
Agora é só afonia, cizânia por não fumar.
Já fui até na Bahia pedir lá no Afonjá,
que me arranjem umas guias com força Iorubá.
Fui num terreiro em Caxias, fiz promessa popular
para ver se a coisa tardia saia a deixando paz.
Eu digo nessa porfia, do desejo que ela traz,
pois quando você sorri Maria, o mundo sorri a mais.
Que volte sua alegria, que você volte Maria.
Espia em torno, espia a falta que você faz.
Sem você tudo esfria, em mim fica a falta do cais
Volta depressa Maria, o seu sorriso é meu arrais.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Ano novo ( O trago da seda)
Foto: Fernando Quevedo / O Globo
O que há de novo no ano novo
é o que há de bom no ano bom.
Que surpresa haverá dentro do ovo?
Qual cantiga haverá? qual é o tom?
O poeta já o viu dentro da gente,
escondido num cantinho sem ter som.
Todo dia é um ano novo emergente,
renovado no ano tempo como um dom.
O que há no ano novo é tão presente,
é o que está desde antes adentro à mente,
com o que já acostumamos de estar com.
Quando os fogos lá no céu espalham luzes,
nos avisam que a hora é a da felicidade.
Mas ela vem de aonde está, não vem de alhures,
externa apenas os sorrisos das verdades.
De comum o ano novo é uma festa
diluída nos desejos da cidade.
Das fanfarras que a alegria assim orquestra
soprem ventos de mais solidariedade.
Outrossim nos reinventamos nesse sopro
a que nos mesmos chamamos realidade.
Quanto mais a vida segue e ganha corpo,
mais inteira, mais soma, menos metade.
Sempre o ano novamente nos começa,
enquanto o outro finda dentro da saudade.
O que há de novo no ano novo
é o que há de bom no ano bom.
Que surpresa haverá dentro do ovo?
Qual cantiga haverá? qual é o tom?
O poeta já o viu dentro da gente,
escondido num cantinho sem ter som.
Todo dia é um ano novo emergente,
renovado no ano tempo como um dom.
O que há no ano novo é tão presente,
é o que está desde antes adentro à mente,
com o que já acostumamos de estar com.
Quando os fogos lá no céu espalham luzes,
nos avisam que a hora é a da felicidade.
Mas ela vem de aonde está, não vem de alhures,
externa apenas os sorrisos das verdades.
De comum o ano novo é uma festa
diluída nos desejos da cidade.
Das fanfarras que a alegria assim orquestra
soprem ventos de mais solidariedade.
Outrossim nos reinventamos nesse sopro
a que nos mesmos chamamos realidade.
Quanto mais a vida segue e ganha corpo,
mais inteira, mais soma, menos metade.
Sempre o ano novamente nos começa,
enquanto o outro finda dentro da saudade.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Dos caminhos do amor.( O trago da seda)
Salvador Dali- Poster : Winter and summer Patient Lovers-1973
Coração é terra imprecisa.
A conhece quem nela se aventurou.
Só quem sofre de amar o avaliza,
até o assina em nome desse amor.
Cada um fale do seu, mesmo à guisa
de desdenhar ou de haver valor.
Paixão é quando a alma se anarquiza,
vai ao chão, leva uma pisa.
A ilusão é água mole em pedra lisa,
e há quem diga que o afeto é uma flor.
Pobre é aquele que no amor economiza,
não se entrega, fica só, não alça voo.
A saudade é uma distancia poetisa,
e a solidão quando chega não avisa,
é um vazio de feitio sem calor.
O sorriso dos amantes é uma brisa,
tem segredos de olhar da Monalisa,
tem razões que a própria razão nem notou.
Coração é terra imprecisa.
A conhece quem nela se aventurou.
Só quem sofre de amar o avaliza,
até o assina em nome desse amor.
Cada um fale do seu, mesmo à guisa
de desdenhar ou de haver valor.
Paixão é quando a alma se anarquiza,
vai ao chão, leva uma pisa.
A ilusão é água mole em pedra lisa,
e há quem diga que o afeto é uma flor.
Pobre é aquele que no amor economiza,
não se entrega, fica só, não alça voo.
A saudade é uma distancia poetisa,
e a solidão quando chega não avisa,
é um vazio de feitio sem calor.
O sorriso dos amantes é uma brisa,
tem segredos de olhar da Monalisa,
tem razões que a própria razão nem notou.
sábado, 22 de dezembro de 2012
O malabarista no circo da alma
De acordo com o movimento
pendular no círculo dos pratos,
há mesmo que se equilibrar
na atitude da sensatez.
A realidade ao se debruçar
total e inteira na ordem dos fatos,
faz girar a vida que se equilibra
em sua cigana rapidez.
Vai quase cai não cai,
segue seu mistério,
seu artesanato.
Gira como um passista
mestre nos critérios,
faz a sua vez.
Sendo o discernimento
próprio ao bom momento,
ou na acidez.
Requer bem mais atenção,
calma e coração,
como aparato.
Mesmo se estando triste,
e a tristeza insiste
como embriaguez.
Segue, passo vai por passo,
construindo o novo
no sentido lato.
Pode parecer bem árduo,
dia a dia, ano a ano,
hora a hora, mês a mês.
Mas, isso é o que fascina,
aflorar estima,
ativo e sensato.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Noturno (Banguelê)
Imagens obtidas pelo laboratório hubble da ag. espacial americana
hoje estou apenas noite, sopro e silêncio.
Não resgato dúvidas passadas, nem afago o futuro.
hoje respiro a vida apenas guardada no tempo.
e ao não faze-las paralisei desejos, abdiquei relatos,
cometi erros financeiros, levei tombos, perdi razão,
guardei sorrisos, desdenhei abraços, briguei no salão.
Guiando a história contra a maré acumulei escuros, hiatos.
Do que nunca me coube em outra época, não sou eu agora.
Ao meu amor dedico o perfume da pele da realidade.
trago no peito rabiscos sem rescunhos.
Mas relato que a realidade é sonora, é grande.
Tão vasta é a sua capacidade que ela abriga os sonhos,
desses sonhos eu nunca me salvei.
Hoje estou apenas noite quietude e silêncio.
Lavado dos rancores, sem alegrias nem tristezas,
sem ignorâncias nem sabedorias,
leve e vazio de plenitude;
Estou imerso no real incomensurável dos fatos.
Apenas um homem e seu silêncio
esvaziado de coragem e de medo.
Apenas um homem composto de suas horas, seus dias,
um homem construído do seu tempo.
Mas se essa é a asa da vida, o tempo é um voo inacabado.
Ele sempre se reinicia, que sempre é outro,
sempre é novo, nunca se repete, tão pouco é urgente.
Não tenho passos largos, mas tenho caminhos á frente,
ando apoiado no coração, apenas homem,
apenas me trago, lanterna, dentro da noite.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Cheesecake ( Banguelê)
Fotografia: O Globo- Imagens/AFP -12-2012
No Pais do Bang-bang,
aonde a arma é sagrada,
liberdade lava a sangue
a infância desarmada.
O liberalismo à bala
Não cabe em eufemismo.
Na cultura mais privada
está a origem do abismo.
Quando o valor das crianças
perante fatal cinismo
patenteia um mimetismo
perigoso e fatal;
Reproduz-se na matança
o tacanho niilismo,
emendando o civilismo
em armamento legal.
O ordenamento, a trança
do tecido social,
é permissivo no perigo
em favor do individuo,
faz da América o abrigo
do poderio letal.
Somente é a ponta da lança,
vista assim de modo tal,
conserva um terrorismo
de amplitude nacional.
Nas escolas, nos cinemas,
almejando o universal.
Qualquer mocinho oprimido,
qualquer desvio ao normal
tem gatilho concedido,
apelo constitucional.
No Texas, na Califórnia,
em Oklahoma, na Flórida.
Luby's, Virgínia Tec, in memória.
Atlanta já não espanta
Amishs da Pensilvânia.
Wisconsin os acompanha.
Lá vai Rambo Columbine.
Em mira mal camuflada,
Batman do Colorado vai.
Ao massacre de Nevada.
A história só repete o"inside".
Com cristãos de Oakland,
os Sikhs de Oak Creek,
essa cultura e a sanha
Neo nazista do CheeseCake.
No Pais do Bang-bang,
aonde a arma é sagrada,
liberdade lava a sangue
a infância desarmada.
O liberalismo à bala
Não cabe em eufemismo.
Na cultura mais privada
está a origem do abismo.
Quando o valor das crianças
perante fatal cinismo
patenteia um mimetismo
perigoso e fatal;
Reproduz-se na matança
o tacanho niilismo,
emendando o civilismo
em armamento legal.
O ordenamento, a trança
do tecido social,
é permissivo no perigo
em favor do individuo,
faz da América o abrigo
do poderio letal.
Somente é a ponta da lança,
vista assim de modo tal,
conserva um terrorismo
de amplitude nacional.
Nas escolas, nos cinemas,
almejando o universal.
Qualquer mocinho oprimido,
qualquer desvio ao normal
tem gatilho concedido,
apelo constitucional.
No Texas, na Califórnia,
em Oklahoma, na Flórida.
Luby's, Virgínia Tec, in memória.
Atlanta já não espanta
Amishs da Pensilvânia.
Wisconsin os acompanha.
Lá vai Rambo Columbine.
Em mira mal camuflada,
Batman do Colorado vai.
Ao massacre de Nevada.
A história só repete o"inside".
Com cristãos de Oakland,
os Sikhs de Oak Creek,
essa cultura e a sanha
Neo nazista do CheeseCake.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Espelho ( O olhar da carranca)
Fotografia: Carlos Amaral
Quanta força há no outro que eu precise,
por saber minha a maior necessidade?
Quanto do outro algo é a minha verdade,
que eu a reveja e absorva em mais reprise?
Qual a medida dessa adversidade?
Do que eu não sei, ele o saiba e me avise.
Pois ao invadi-lo cometo o meu deslise,
ao qual nomeio como afetividade.
Qual a energia que do outro tomo a mim,
fazendo-a minha, nessa força, em propriedade.
Sem saber mesmo qual motivo, meio ou fim.
Eu a permeio por fazer minha vontade
Qual a medida, na linha realidade,
dessa cobiça emocional forjada assim?
Domino a caça em que resulta tal butim,
quando o que é meu, quero no outro por saudade.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Vagas ( O olhar da carranca)
Fotografia: Ai mar alto- Vitor M. F. Estrelinha
Sem ter aonde se espelhar ninguém vê a própria face,
sempre terá que tateia-la em si mesmo; Isso leva tempo.
Leva tempo para se construir um olhar.
Às vezes se parece com o nadar
em busca da curvatura do mar, nas dúvidas,
nas vagas marinhas da humanidade.
Sem ter aonde se espelhar ninguém vê a própria face,
sempre terá que tateia-la em si mesmo; Isso leva tempo.
Leva tempo para se construir um olhar.
Às vezes se parece com o nadar
em busca da curvatura do mar, nas dúvidas,
nas vagas marinhas da humanidade.
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