Fotografia; Revista fórum
Tudo que o juiz pediu
O doleiro falou:
_Se é pra sair do gradil,
eu entrego ao senhor
tudo que meu dedo viu,
aonde empreiteiro subiu,
até o banco gentil
que honradamente ajudou.
_Pois não tenho mais idade,
juro a mais pura verdade
da santa cruz , piedade,
não posso com o xilindró.
_Fico doente e febril,
não, isso não, tenha dó.
_Sou pelo bem do Brasil
visto ao olhar do Renó.
_Tem olho grande o Nestor.
O faz-me rir lhe sorriu,
_Juro ao que lhe fez alegre.
_Isso com o tempo prescreve,
no céu azul de anil.
_Disse a mim o opositor.
O outro juiz não devolve,
aquilo em que se sentou.
A velha Arena comove,
ao ser contraria ao covil,
lançando assim seu ardil,
parece ser o Redentor.
Tudo é tão quente e azougue,
na falta d'água se afogue
nesse verão deu X nove,
a chapa aqui esquentou.
_Tanto Dólar a esquiar neve,
acho, o leão cochilou.
Lá não se vale o que escreve
muito dinheiro da Ambev
para derrubar o eleitor.
Tucano esquece o Herzog,
a bicha, a mulher, o preto e o pobre
que a direita golpeou.
Hoje prefere um sacode,
barba, cabelo e bigode,
do Pizzolato que for.
A vida é mesmo um brinquedo
tem gente que está com medo
da perda ao que conquistou.
_Mas hoje joga o Flamengo,
tem passeata mais cedo,
no megafone um Pastor.
Esse é o cantar de um segredo,
republicano arremedo,
de um poeta azedo que micou.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sexta-feira, 27 de março de 2015
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sutil ( Barril Diógenes)
Harmonização vocálica
não seve para a escrita.
A oralidade prática,
flagrante no Brasil,
rompe a culta gramática
como política clássica.
Nessa ruptura matemática
não há isenção, é sutil,
há uma multidão errática,
mantendo um povo servil.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Tim tim ( Olhos nus)
Arthur Bispo do Rosário
Me guardo nesse momento
dentro do pano da noite
no mundo não sou isento
dos arranjos corticoides.
balanço ao sabor dos ventos,
das vontades e dos intentos
proibidos do alcaloide.
Se aguardo um pouco lento,
não fico e não vou, sou dentro,
e o caminho me percorre.
Sei que a vida é um invento
que amadurece com o tempo
e o sol é um Deus quando dorme.
Meu ensejo é de sal e urgência.
Diante da inclemência do fatal
O óbvio nem sempre é evidência. Sou feito das pertinências
das formas de resistência
do meu olhar universal.
Me guardo nesse momento
dentro do pano da noite
no mundo não sou isento
dos arranjos corticoides.
balanço ao sabor dos ventos,
das vontades e dos intentos
proibidos do alcaloide.
Se aguardo um pouco lento,
não fico e não vou, sou dentro,
e o caminho me percorre.
Sei que a vida é um invento
que amadurece com o tempo
e o sol é um Deus quando dorme.
Meu ensejo é de sal e urgência.
Diante da inclemência do fatal
O óbvio nem sempre é evidência. Sou feito das pertinências
das formas de resistência
do meu olhar universal.
Impressões
Vik Muniz: Impressões
Cada passo que conquisto
faço disto o meu espaço.
No tato sensível do piso
reviso o que é um improviso
em mim mesmo, e me refaço.
Meus olhos jazem sorrisos,
são os avisos dos seus reparos.
De muito ou de pouco caso,
de bom ou de mal juízo,
fazendo-me, assim, prévio aviso
de seu gosto pleonasmo.
Se pareço ser impreciso
ao seu olhar ignaro,
por não ter placa ou aviso,
por isso é que eu sou tão claro.
Ninguém me ganha no grito,
ninguém me leva num laço.
Quando pensam que sou liso,
abrasivo é o meu mormaço.
Trago num gesto conciso
o que não economizo,
na amplidão dos meus lados.
Assim é que eu vou amigo ,
refazendo o que sou estrago.
Quem não entende o que digo,
não colhe de mim abrigo
nem saberá dos afagos.
Cada passo que conquisto
faço disto o meu espaço.
No tato sensível do piso
reviso o que é um improviso
em mim mesmo, e me refaço.
Meus olhos jazem sorrisos,
são os avisos dos seus reparos.
De muito ou de pouco caso,
de bom ou de mal juízo,
fazendo-me, assim, prévio aviso
de seu gosto pleonasmo.
Se pareço ser impreciso
ao seu olhar ignaro,
por não ter placa ou aviso,
por isso é que eu sou tão claro.
Ninguém me ganha no grito,
ninguém me leva num laço.
Quando pensam que sou liso,
abrasivo é o meu mormaço.
Trago num gesto conciso
o que não economizo,
na amplidão dos meus lados.
Assim é que eu vou amigo ,
refazendo o que sou estrago.
Quem não entende o que digo,
não colhe de mim abrigo
nem saberá dos afagos.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Finitude ( Olhos nus)
Fotografia- Walter Firmo
Sei que não houve muita infância, estava ocupado com as vicissitudes, coisas adultas que vieram antecipadas, mas não por vontade própria; O instinto de sobrevivência tem domínio maior.
Também não tive a pertinência, no que concerne a ser adolescente. Quando essa fase chegou, já estava sério demais , estava amadurecido antes do tempo, por efeito estufa.Crescer rápido nos torna exóticos e insignificantes, uma personalidade inadaptada à história comum.
Como adulto versejei senilidades. Senil, virei o senhor do que é meu rosto, essa escultura vincada, de inverno e calor. Foi o que formou meu gosto inadequado à pressa desumana.
Das ruas aonde andei, eu me fiz mais pura cria urbana, sou criado da necessidade.
Sei que não houve muita infância, estava ocupado com as vicissitudes, coisas adultas que vieram antecipadas, mas não por vontade própria; O instinto de sobrevivência tem domínio maior.
Também não tive a pertinência, no que concerne a ser adolescente. Quando essa fase chegou, já estava sério demais , estava amadurecido antes do tempo, por efeito estufa.Crescer rápido nos torna exóticos e insignificantes, uma personalidade inadaptada à história comum.
Como adulto versejei senilidades. Senil, virei o senhor do que é meu rosto, essa escultura vincada, de inverno e calor. Foi o que formou meu gosto inadequado à pressa desumana.
Como senhor desse destino procuro agora o menino, mas já não houve!
Não se repõe tempo passado, inútil desatino, pois Kronus come seus filhos.
Serei inacabado sempre!
Minha história toda tem as partes embaralhadas, como cartas fora do lugar, comum também ás minhas ideias. Serei inacabado sempre!
Das ruas aonde andei, eu me fiz mais pura cria urbana, sou criado da necessidade.
Homem feito à face da minoria. Que é essa minha história, essa é minha poesia, buscar uma lógica harmonia dentro do universo das diferenças. Isso é a mais assustadora inquietude.
O tempo deserda a idade na sua passagem mais profunda mundo a fora.
Depois fica consolidada a memória, com suas fissuras e mutilações existências no inesquecível entre vencedores e vencidos.
Elas ocupam o lugar histórico, compõem feição, fisionomia salgada de suor.
Por dentro de um mar aonde nunca houve calmaria, o tempo faz morada de finitude guardada, lá na arrebentação.
Vitória é conseguir a achar alegria enganando a tristeza, essa tão alérgica senhora.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Maraca tu
Vem cá meu bem enquanto o chope gela,
o que é que tem vem cortejar o Gebav...
Sai desse aterro e vem rodando a saia
Vem meu amor, de tomara que caia.
Vem cá meu bem enquanto o chope gela,
o que é que tem vem desfilar no Gebav...
Maracatu é um baque de nação,
Vem coração, não vai me deixar na mão.
Vem cá meu bem enquanto o chope gela,
o que é que tem, vem cá sambar no Gebav...
No carnaval o estatuto é liberado,
levanta a alfaia porque o baque ta virado
Vem cá meu bem enquanto o chope gela
O que é que tem, vem cortejar o Geba....
Vem meu amor com a caixa e o gonguê
vou levantar o estandarte pra você.
Vem cá meu bem enquanto o chope gela
O que é que tem, vem cortejar o Geba... No corpo quente o maracatú se integra Vem meu amor vem cortejar o Geba...
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Saideira ( Perna bamba é do samba)
Caricatura do João Nogueira-Batistão
Desse tempo emprestado de alegria,
ando desocupado, pelas beiras.
Afastado das virtudes da folia,
vejo a vida desfilar pela janela,
tão alegre qual as cores da Portela,
e eu aqui desprovido de valia.
Mas que não seja isso o que me inteira.
Tudo muda com sopro de ventania.
Se recordo o poeta João Nogueira,
dos seus olhos de fogo me vem a luz.
Minh'alma respira o ar de Madureira,
bem pertinho estou de Oswaldo Cruz.
Entrosando a palavra com a bateria,
aonde o samba se bole pelas cadeiras.
Sou movido ao sabor da gabapentina.
Mesmo não sendo isso o que eu queria.
Beijo o ouro e o lilas do Simpatia,
como quem beija a boca brasileira.
Vivermos, aqui, será o que se destina...
No cortejo popular da brincadeira.
Nesse enredo invoco minha auto estima,
num chopinho Cervantes de saideira.
Se essa é a nova serpentina do meu salão,
Deixa falar é o carnaval que me sublima,
ela é a euforia que tenho às mãos.
Se o corpo não vai ao bloco, o vai a rima,
deixo aos moços o Pierrô e a Colombina,
e ao poeta desfilo um samba canção.
Desse tempo emprestado de alegria,
ando desocupado, pelas beiras.
Afastado das virtudes da folia,
vejo a vida desfilar pela janela,
tão alegre qual as cores da Portela,
e eu aqui desprovido de valia.
Mas que não seja isso o que me inteira.
Tudo muda com sopro de ventania.
Se recordo o poeta João Nogueira,
dos seus olhos de fogo me vem a luz.
Minh'alma respira o ar de Madureira,
bem pertinho estou de Oswaldo Cruz.
Entrosando a palavra com a bateria,
aonde o samba se bole pelas cadeiras.
Sou movido ao sabor da gabapentina.
Mesmo não sendo isso o que eu queria.
Beijo o ouro e o lilas do Simpatia,
como quem beija a boca brasileira.
Vejo o samba passar por minhas meninas
cuja festa há de varar quarta-feira,Vivermos, aqui, será o que se destina...
No cortejo popular da brincadeira.
Nesse enredo invoco minha auto estima,
num chopinho Cervantes de saideira.
Se essa é a nova serpentina do meu salão,
Deixa falar é o carnaval que me sublima,
ela é a euforia que tenho às mãos.
Se o corpo não vai ao bloco, o vai a rima,
deixo aos moços o Pierrô e a Colombina,
e ao poeta desfilo um samba canção.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Tandrilax (Perna bamba é do samba)
Há pouco sorriso no caminho,
como o cavaquinho já falou.
Solidão, por força do destino,
faz de todo o tempo um céu sem brilho,
é luz negra em palhaço do amor.
A mulher quer sempre ser feliz,
seu desejo em mim já não se faz.
Meus cabelos brancos de aprendiz
mostram minha historia visa à vis,
quando eu for saudade, serei paz.
Já não sei o sol, tão pouco a lua.
Rugas no meu rosto em tanta dor.
Meus pés falseando vão à rua,
e a realidade fica nua,
sem a fantasia e o esplendor.
Eu só tenho o pranto do poeta.
Os meus braços já não sentem nada.
No meu horizonte não tem reta,
um vazio em mim se introjeta,
bebo à solidão da madrugada.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
PODEMOS ou não ( Banguelê)
Fotografia GGR
.
O jovem precário vai às ruas,
deteriorado dos direitos seus.
Sai por aí, sentando a pua,
buscando o que a nação não o deu.
Suas efetivas demandas são reais,
e as leis abstrações, nomenclaturas,
na pulsão mais movediça do plebeu.
Se as leis são ilusões, tem que haver cura.
Enquanto abstração, palavra fluida,
sem regulamentos, são banais.
Degradando a massa sem cultura,
negando-lhes sempre mais e mais.
A troica paranoica quer seu Braz,
canta e decanta tudo o que não atura.
É a ineficácia dos direitos nacionais,
com a base da pirâmide não tem curva.
Considerando a todos marginais,
ostenta os dotes patrimoniais,
com a falta de decoro na Res pública.
Aos impostos seguem sempre desiguais,
resumindo a revolta aos tribunais,
Tendo nos policiais tanta ternura.
O sub emprego só restringe tais direitos,
erigindo o que a elite mais queria.
Como um pais que quase, quase não tem jeito,
distribui custos e reprime a gritaria.
Nessas tenções grita o fato, mais que o guia,
assim segue o Brasil pais por seus proveitos.
com a renda curta e os lucros multi tropicais.
Pimenta é gás e na borracha vai com o peito.
.
O jovem precário vai às ruas,
deteriorado dos direitos seus.
Sai por aí, sentando a pua,
buscando o que a nação não o deu.
Suas efetivas demandas são reais,
e as leis abstrações, nomenclaturas,
na pulsão mais movediça do plebeu.
Se as leis são ilusões, tem que haver cura.
Enquanto abstração, palavra fluida,
sem regulamentos, são banais.
Degradando a massa sem cultura,
negando-lhes sempre mais e mais.
A troica paranoica quer seu Braz,
canta e decanta tudo o que não atura.
É a ineficácia dos direitos nacionais,
com a base da pirâmide não tem curva.
Considerando a todos marginais,
ostenta os dotes patrimoniais,
com a falta de decoro na Res pública.
Aos impostos seguem sempre desiguais,
resumindo a revolta aos tribunais,
Tendo nos policiais tanta ternura.
O sub emprego só restringe tais direitos,
erigindo o que a elite mais queria.
Como um pais que quase, quase não tem jeito,
distribui custos e reprime a gritaria.
Nessas tenções grita o fato, mais que o guia,
assim segue o Brasil pais por seus proveitos.
com a renda curta e os lucros multi tropicais.
Pimenta é gás e na borracha vai com o peito.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Etnocêntrico ( Olhos nus )
Grafite: Os Gêmeos
O homem sem referências tem que se abraçar às sombras.
Equilibrar certos, os ombros, para cumprir uma história.
Isso produz um convívio entre maturidade e ingenuidade,
provocado pelos experimentos e as expectativas sem memória.
Sua Memória pública fica desguarnecida, tênue ou ausente, nas sobras.
Nessa exclusão saltam os guetos, templos aos preconceitos da cidade.
O homem sem referências se re-significa, no adverso dos escombros,
entre todos os fragmentos acolhidos data a solitária vivacidade.
Matéria com a qual se institui e se restitui dos tombos,
formando unica e incomparável a personalidade.
Mas o ser humano é gregário, se assusta com o que é único.
Sendo assim, sem a luz do farol da inclusão
resta, ao incomparável, um guerrear púnico.
Por sobrevida a resistência avizinha o lúdico,
mágica guia seleta, entre esburacados passos ao longo.
É a realidade dos caminhos e do coração!
O homem sem referências tem que se abraçar às sombras.
Equilibrar certos, os ombros, para cumprir uma história.
Isso produz um convívio entre maturidade e ingenuidade,
provocado pelos experimentos e as expectativas sem memória.
Sua Memória pública fica desguarnecida, tênue ou ausente, nas sobras.
Nessa exclusão saltam os guetos, templos aos preconceitos da cidade.
O homem sem referências se re-significa, no adverso dos escombros,
entre todos os fragmentos acolhidos data a solitária vivacidade.
Matéria com a qual se institui e se restitui dos tombos,
formando unica e incomparável a personalidade.
Mas o ser humano é gregário, se assusta com o que é único.
Sendo assim, sem a luz do farol da inclusão
resta, ao incomparável, um guerrear púnico.
Por sobrevida a resistência avizinha o lúdico,
mágica guia seleta, entre esburacados passos ao longo.
É a realidade dos caminhos e do coração!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Sujeito objeto
Fascínio é a ideia, no tempo, vizinha da paixão.
Represado em limites, os músculos só desafinam.
Trafegam sem rima destoando os pés, o tropeço e o chão.
Mas se o tempo, senhor de mim, me fez seu desatino,
Mas se o tempo, senhor de mim, me fez seu desatino,
se destino virei, faço eu mesmo objeto e regeneração.
Todo lento, devagar, devagar, devagar, devagarinho...
Todo lento, devagar, devagar, devagar, devagarinho...
Num carinho que possa trazer-me por rota alguma solução.
Eu comigo, sou o atributo do equilíbrio ausente.
Eu comigo, sou o atributo do equilíbrio ausente.
Desconhecido do meu próprio corpo, meu sozinho,
na nudez do desejo, de noite, de rua, de amor e de taça de vinho.
Desespero um sorriso de humor, que gargalhe da dor simplesmente.
Quero de volta a torta visão que me fez desde antigamente;
No esquerdo do peito, e no abraço, da trêmula mão, o caminho
desentrave em mim a barreira, e me devolva ao precipício da razão.
na nudez do desejo, de noite, de rua, de amor e de taça de vinho.
Desespero um sorriso de humor, que gargalhe da dor simplesmente.
Quero de volta a torta visão que me fez desde antigamente;
No esquerdo do peito, e no abraço, da trêmula mão, o caminho
desentrave em mim a barreira, e me devolva ao precipício da razão.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
O extremismo no circo da alma
Montagem com CHARLIE HEBDO
O Extremismo, no circo da alma,
tem origens milenas e agressivas;
Na humanidade forma amálgama,
sinistralidade sem muita esquiva.
A parcialidade é musa nociva,
mostrando o como a vida não é alva.
O radical nunca é um homem livre,
pois está preso à ortodoxia.
Repete a noite e não sabe o dia,
no seu labirinto volta aonde estava.
Sendo único o reflexo de como vive,
se as crenças são provas dos nove,
na matemática kalashnkov,
aqui, Ali e Alá o desative.
Somente a existência há que se comprove;
E nenhuma ideologia pode ter xerife.
Se é a liberdade o que nos move,
seja a igualdade um fundo sem glose,
e a semente da fraternidade nunca um esquife.
O Extremismo, no circo da alma,
tem origens milenas e agressivas;
Na humanidade forma amálgama,
sinistralidade sem muita esquiva.
A parcialidade é musa nociva,
mostrando o como a vida não é alva.
O radical nunca é um homem livre,
pois está preso à ortodoxia.
Repete a noite e não sabe o dia,
no seu labirinto volta aonde estava.
Sendo único o reflexo de como vive,
se as crenças são provas dos nove,
na matemática kalashnkov,
aqui, Ali e Alá o desative.
Somente a existência há que se comprove;
E nenhuma ideologia pode ter xerife.
Se é a liberdade o que nos move,
seja a igualdade um fundo sem glose,
e a semente da fraternidade nunca um esquife.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Folia de Reis ( Banguelê)
Acrílica sobre cartão preto- Brasilfolclore.hpg
Tambores rufando as peles, passam os garbos sobre as ruelas.
Na memoria da infância de pedras toda lembrança do que já não sei.
A história segue, soltam- lhe as pernas em seu um cortejo, hoje, é dia de santos reis.
Senhores, toquem suas violas, fole em sanfonas, mil talabares, cores, couros e platinelas.
Vibrem as cordas, Ternos da lira, louvem na vida o que eu não salvei.
Tragam as rabecas, e os reco-recos; Paramentados, tradição mantida.
Coro em catira, peçam a mirra mais caipira por tal gratidão.
Embaixadores, mestres da festa, digam a seresta de toda grei.
Venham bandeiras, mui respeitosas com seus alferes cuidando delas.
Tempos festeiros, tempos pandeiros, querem dinheiro para a nação.
Mas o diabo sempre aparece em meio à prece, com o Bastião.
Tem poesia no mestre ajudante, bem elegante dentro do fato.
Tipe e Retipe, mais Contratipe,num picnic cantam no ato.
Não há mulheres nessa folia, suas alegrias cobrem janelas.
Tudo termina no improviso, e em reboliço, segue a função.
Com alegria e sem muito a viso, seguem altivos, e lá se vão.
Tambores rufando as peles, passam os garbos sobre as ruelas.
Na memoria da infância de pedras toda lembrança do que já não sei.
A história segue, soltam- lhe as pernas em seu um cortejo, hoje, é dia de santos reis.
Senhores, toquem suas violas, fole em sanfonas, mil talabares, cores, couros e platinelas.
Vibrem as cordas, Ternos da lira, louvem na vida o que eu não salvei.
Tragam as rabecas, e os reco-recos; Paramentados, tradição mantida.
Coro em catira, peçam a mirra mais caipira por tal gratidão.
Embaixadores, mestres da festa, digam a seresta de toda grei.
Venham bandeiras, mui respeitosas com seus alferes cuidando delas.
Tempos festeiros, tempos pandeiros, querem dinheiro para a nação.
Mas o diabo sempre aparece em meio à prece, com o Bastião.
Tem poesia no mestre ajudante, bem elegante dentro do fato.
Tipe e Retipe, mais Contratipe,num picnic cantam no ato.
Não há mulheres nessa folia, suas alegrias cobrem janelas.
Tudo termina no improviso, e em reboliço, segue a função.
Com alegria e sem muito a viso, seguem altivos, e lá se vão.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Desforra ( Beco da fome)
Para Marta
Aquelas jabuticabas frondejantes,
com os caules revestidos em negritude,
floriam brancas flores, qual gigantes,
plantadas de alegria e altitude.
Toda a virtude, das arvores doces,
traziam ao farfalhar do tempo infante.
Ceifadas, desfolhadas, as elegantes,
ficaram só memória, e acabou-se.
Por conta dos tijolos e das paredes,
telhados como muros habitantes,
que vivem do progresso seco em sede,
contêm brutalidade impressionante.
Agora quem por lá passa, não sabe,
o quanto ali viveu tanta aventura.
Sobrou a cara dura da cidade,
de pedra, de descarte e de clausura.
Desmata esconde na sua conjuntura,
amarras de uma história inacabada.
E a natureza perde em sua altura,
abaixo foram as jabuticabas.
A quem só vê no vento a cor do agora.
A lápide é a virtude, mesmo errada,
e as árvores tão sábias, tão senhoras,
nas tombas ignaras viram toras.
Com elas foi embora à luz dos tempos,
um outro tempo, o feito de outra hora.
Aqui chora o poema num lamento,
Pois a lembrança é um tipo de desforra.
Aquelas jabuticabas frondejantes,
com os caules revestidos em negritude,
floriam brancas flores, qual gigantes,
plantadas de alegria e altitude.
Toda a virtude, das arvores doces,
traziam ao farfalhar do tempo infante.
Ceifadas, desfolhadas, as elegantes,
ficaram só memória, e acabou-se.
Por conta dos tijolos e das paredes,
telhados como muros habitantes,
que vivem do progresso seco em sede,
contêm brutalidade impressionante.
Agora quem por lá passa, não sabe,
o quanto ali viveu tanta aventura.
Sobrou a cara dura da cidade,
de pedra, de descarte e de clausura.
Desmata esconde na sua conjuntura,
amarras de uma história inacabada.
E a natureza perde em sua altura,
abaixo foram as jabuticabas.
A quem só vê no vento a cor do agora.
A lápide é a virtude, mesmo errada,
e as árvores tão sábias, tão senhoras,
nas tombas ignaras viram toras.
Com elas foi embora à luz dos tempos,
um outro tempo, o feito de outra hora.
Aqui chora o poema num lamento,
Pois a lembrança é um tipo de desforra.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
A dependência no circo da alma
Intermingling- Kandinsk
A dependência é um muro alto
para as exigências mais básicas.
A sua natureza pode não ser mágica
para a existência, só um desfalque.
O hiato de viver não é atitude sabática,
é sim, o desvendar de coisas trágicas.
Por mais que se esteja incauto,
sob o céu azul do cobalto,
ou que a trilha seja errática.
Os fatos têm carne enfática.
e a dependência é antipática.
Há que se suprir do fácil,
descortinado sem palco.
O dependente, esse ilustre fidalgo,
ao não saber a gramática corporal,
em qualquer passada lunática,
desatenta ou pouco prática,
produz marcas em seu tátil.
É o corpo nos dizendo algo:
_Ah! Como a vida é frágil!
A dependência é um muro alto
para as exigências mais básicas.
A sua natureza pode não ser mágica
para a existência, só um desfalque.
O hiato de viver não é atitude sabática,
é sim, o desvendar de coisas trágicas.
Por mais que se esteja incauto,
sob o céu azul do cobalto,
ou que a trilha seja errática.
Os fatos têm carne enfática.
e a dependência é antipática.
Há que se suprir do fácil,
descortinado sem palco.
O dependente, esse ilustre fidalgo,
ao não saber a gramática corporal,
em qualquer passada lunática,
desatenta ou pouco prática,
produz marcas em seu tátil.
É o corpo nos dizendo algo:
_Ah! Como a vida é frágil!
sábado, 29 de novembro de 2014
Apanhei de ovo frito ( 0 beco da fome)
Até de ovo frito apanha.
Vou ensinar como é
o filét do Oswaldo do Aranha.
Vai impressionar a mulher.
Quem não a tiver, uma ganha.
Comer gostoso em talher,
Pois vou lhes mostrar a façanha
Precisa gostar da carne,
a boa é um filet Mignon.
Maciota, sem alarde,
Para comer é tão bom.
O corte é um bife alto
no modelo de chorizo.
Como a riqueza de Fausto
alarga qualquer sorriso.
Mas antes vêm as batatas,
cortadas à portuguesa.
Fininhas bem delicadas,
enxugadas, fritas e secas.
Também o alho laminado,
dourado, mas sem queimar.
Reservado em tanto farto,
vão dar gosto ao paladar.
O prato é coisa rica,
é uma tradição Carioca,
vem lá do Cosmopolita,
mas tem em qualquer birosca.
Prestem atenção meus amigos.
Concentrem, a ideia foca,
não vão se prender no visgo,
agora vem a farofa.
Manteiga clarificada,
não pode queimar jamais.
Juntar azeite é a sacada,
pois é assim que se faz.
Bacon, o bom venenoso,
bem pouco, para a saúde,
pois o danado é gostoso,
e artéria não tem virtude.
Suar cebola em cubinhos.
Um alho, e Jalapenã.
Também do reino, um pouquinho,
para não faltar em pimenta.
Farofa não tem amarras,
tudo vale é tudo pode.
Um pouco de alcaparras
vai ao gosto do bigode.
Picado vai um tomate,
rúcula rasgada a mão,
azeitonas pro arremate,
sem caroço à dentição.
Uma xícara de chá, padrão,
carregada em farinha crua.
Mexam, mexam, meus irmãos,
pra cozinhar com ternura.
Agora é fundamental
dois ovos, quebrados antes.
Corrijam o gosto do sal,
coisa muito importante.
Aqui ponho a banana,
ela entra sem censura.
Faz da farofa uma dama,
com a minha assinatura.
Peguem um pouco de arroz,
desse que tenha sobrado,
para ser usado depois,
replicante em outro prato.
Finalizando o serviço,
a cebolinha e a salsa,
para comer sem juízo,
como quem ouve uma valsa.
Na montagem cada prato
deve conter a beleza.
Os olhos comem de fato,
a carne, essa realeza.
Dediquem muito carinho
no serviço à la carte.
Um Cabernet é bom vinho,
harmonizando com arte.
domingo, 23 de novembro de 2014
De menor ( A puta me contou)
Perdi meu homem, assim,
na disputa
Fui procurar no jornal
por labuta
Sem ter o segundo grau
fui à luta
Pela criança topei
saia curta
Há quem me trate legal,
quem me furta
Sei esnobar no lençol,
fiquei puta
Levei porrada do cara
da justa
Falei que dói, mas ninguém
me escuta
Bebi mais um Red Bull
com cicuta
Só pra manter a atenção
na conduta
Topei cumprir a missão
la na praia
Agora entrei bem de linda
ordinária
Dei um doisinho, a bagana
era palha
Às vezes sou a sacana,
outra otária
Às vezes sou a sacana,
outra otária
Eu sobrevivo assim:
Candelária
Faço algum ganho no fim,
salafrária
Sou ninfetinha do rabo
de arraia
de arraia
Foi sem querer, opção
necessária
Mas sobrevivo no fio
da navalha
Levo um din din, um capim,
sou primária
Meu top é tudo, é tomara
que caia.
Não aprendi, mas já sei
a matéria
a matéria
Já fui obreira de cristo
com féria
Tenho quatorze, mas passo
mais velha
Pus la no Face outro nome:
Valéria.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Unidade multi ( Barril Diógenes)
Perder dois mestres em dois dias
é uma coisa muito doída
Vai na tarde a finitude, e depois é a vida.
Leandro me ensinou a pensar ao ser transformado.
Manuel, era mais sério, sabia fazer quintal, adubado
de palavras, perfumou meus olhos de pitanga.
Os dois eram una dialética da poesia.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Uma dose ( Barril Diógenes)
Fotografia: William Kentridge
Sou o que não há em mim,
não sou bom, não sou ruim,
vou alem, não sei pra onde.
O sonho que isso esconde,
é lavado em pedra-pome,
mil rasgos, eu sigo assim.
Se hoje o tempo está nublado,
sou o escuro, até pesado,
já não trago força em murro.
Algo dentro esta maduro
impreciso em tanto acuro,
sigo alerta e preocupado.
Quebro o muro em Berlim.
Sou eu mesmo em estado quente.
nem hilário nem comovente,
nem revoltado em Pequim.
Sei que sou o olhar nos olhos
Insano ensejo senhores,
meu silêncio destrincha vozes,
sou o extinto em botequins.
Eu sou mesmo tenebroso;
Sou o susto, sou o gozo,
o perigo e a cirrose.
Meu terreno é arenoso,
em razão e em psicose,
o periférico nervoso;
Curvado à realidade
possuído da saudade,
Sou um atributo da gnose.
E ao fim, sou ton-sur-ton,
sou amigo do garçom
e me destilo em uma dose.
Sou o que não há em mim,
não sou bom, não sou ruim,
vou alem, não sei pra onde.
O sonho que isso esconde,
é lavado em pedra-pome,
mil rasgos, eu sigo assim.
Se hoje o tempo está nublado,
sou o escuro, até pesado,
já não trago força em murro.
Algo dentro esta maduro
impreciso em tanto acuro,
sigo alerta e preocupado.
Quebro o muro em Berlim.
Sou eu mesmo em estado quente.
nem hilário nem comovente,
nem revoltado em Pequim.
Sei que sou o olhar nos olhos
Insano ensejo senhores,
meu silêncio destrincha vozes,
sou o extinto em botequins.
Eu sou mesmo tenebroso;
Sou o susto, sou o gozo,
o perigo e a cirrose.
Meu terreno é arenoso,
em razão e em psicose,
o periférico nervoso;
Curvado à realidade
possuído da saudade,
Sou um atributo da gnose.
E ao fim, sou ton-sur-ton,
sou amigo do garçom
e me destilo em uma dose.
domingo, 2 de novembro de 2014
Os fatos no circo da alma
Manabu Mabe
Os fatos, no circo da alma,
não têm gás paralisante.
Nos seus músculos inexatos
ressaltam os beijos dos atos,
num descarte deselegante.
O destaque mais provocante
quebra o salto na avenida,
e o ar que respira é a vida,
ocupada na sua própria lida,
em suas horas mais ofegantes.
Os fatos, no circo da alma,
deixam nos ossos desgastes
de cujas paredes resgates,
se avincam quaisquer semblantes,
no afogadilho do trauma.
Salvando o que pode ou pôde,
como andarilho errante,
se descobre, o itinerante,
que a vida ferve na calma
do que será sempre o hoje.
Os fatos, no circo da alma,
não têm gás paralisante.
Nos seus músculos inexatos
ressaltam os beijos dos atos,
num descarte deselegante.
O destaque mais provocante
quebra o salto na avenida,
e o ar que respira é a vida,
ocupada na sua própria lida,
em suas horas mais ofegantes.
Os fatos, no circo da alma,
deixam nos ossos desgastes
de cujas paredes resgates,
se avincam quaisquer semblantes,
no afogadilho do trauma.
Salvando o que pode ou pôde,
como andarilho errante,
se descobre, o itinerante,
que a vida ferve na calma
do que será sempre o hoje.
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