Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Portela 90 (Perna bamba é do samba)

Fotografia: Portela Águia- O Globo

O mundo é uma grande esfera
girando o seu corpo nu.
Nobreza tem a Portela
escola de sangue azul.
Todos sabem quem é ela.
Mais alta por relevância.
Na hora do samba à vera
nenhuma outra se esmera
ao ponto de sua elegância.
Seu canto é vós altaneira,
ecoa de Madureira
ouvido a toda distância.
De toda forma ou maneira
Portela é escola de luz
pertinho de Osvaldo Cruz
do Paulo, Paulinho e Candeia.
Aonde se reproduz
cultura a quem faz jus
por ter o samba nas veias.
A todas as outras respeito,
carinho dedico ao resto.
Mas claro que não tem jeito,
a águia que tenho ao peito,
celestial por seus feitos
domina todo o universo.




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Botafogo na roupa (Perna bamba é do samba)

Fotografia: Bloco Cordão do Bola preta -O Globo-2013

Vamos lá galera chegou o carnaval.
Agora é à vera do Leme ao pontal.
Alô Madureira, ligou o Vidigal.
Até quarta feira liberou geral.

Serrinha, Mangueira, cuíca brejeira
e a tamarineira, alô pedra do sal.

Bandida ligeira da fé  à multidão.
A cidade inteira puxando o cordão.
Menino à menina, da moça ao ancião.
Todos sassaricando, suando em tesão.
Em banda ou em bando, com copo na mão.

 O trombone é de vara, tarol caixa seca.
A cidade desvaira segura a chupeta.
Se empurra não para, pé quebra a moleta.
Todo mundo à farra,  total na retreta.
Quem sofrer tristeza guarde-a na gaveta.

Vá a Santa Tereza e dê beijos na boca.
Vista a camiseta,e se a vergonha é pouca,
de cara ou careta, de peruca louca,
Dê fogo ao capeta até a voz ficar rouca.
Caia na folia, o samba é a alegria tirando a roupa.








terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Esses maços (Perna bamba é do samba)


          Fotografia:Ode a um cigarro- Sara Belo Pedro
Peço licença ao amor,
sussurro na madrugada.
Peço só isso e mais nada,
diante de um dissabor.
O samba que hoje faço
na cama sem namorada,
rimando a lua com nada,
é louco de tocar tambor.

Sem te-la mais nos meus braços,
canto ao que aconteceu:
A moça ficou zangada,
por uma palavra aleijada,
levou-me algo de seu.
Fez ir embora o abraço,
por conta de um embaraço,
sem  beijos entre ela e eu.

O vício de amar é sacana;
Vou também sem errar passos.
Vazio ficou o espaço
ao lado na minha cama.
Quanto mal faz esse maço,
não tenho os nervos de aço,
pois deixem passar essa dama.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Caralho ( Barril Diógenes)

                             Fotografia:...Caralho...- Tiago Janeira

Cale a boca poeta!
Sua língua não é bem vinda, sua poesia é intriga,
deixe a palavra quieta mesmo que um olhar te siga.
Cale-se, evite a briga, mantenha sua visão interna.
Quanto à poesia?
Pois guarde-a na boca da aurora,
deixe-a lá, ela evapora ante conceitos de valor.
Coisa feia e atrevida é chamar sua amada de amiga,
causa- lhe chatice, melancolia e horror.

O poeta é um deseducado.
Pôs uso à palavra bandida,
por esse poema grisalho,
o codinome de ato falho,
é locução tão alarida.

À companheira ao seu lado,
provoca ardência ferida,
agressão ao pundonor,
dissabor, boca maldita.

Agora, como retalho, penará na abstinência.
Pode guardar o caralho no mar da inconveniência.
Não lhe dê grande ao trabalho no fio da inclemência.
Pois vai dormir no silêncio da libido patavina.
Sem afago, sem calor, sem sabor de nicotina.
Agora sem agasalho a madrugada se fina.
Sem talho e sem atalho, tenha santa a paciência!







quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Direto ao ponto ( O olhar da carranca)

            Fotografia: Maria e eu- Jaqueline


Há um poema em teus olhos de enamorar, neles é que me deito com a força da chuva da noite, neles me deito com essa herança negroide das constelações, neles faíscam uma história que é tua e a quero minha.
Há alguma coisa nesses olhos que foi tecida na memória, como uma luz de estrela que brilha, quando no tempo tirita luz, mas ela já está morta e na lembrança continua.
Mesmo nesse momento o amor é tua trajetória. O enamorar desse momento é um trato de nobreza em um corpo  de rainha.
Nobreza de palavras querendo explodir grandezas, como as estações ensolaradas de simplicidade e de alumbramento.
Não,não, não e não! Não há frigidez, mas fluidez de teu afeto.
Não há rigidez na tua voz de natureza divina e bela.
Ah! Esse poema de olhos a assaltar teu rosto e te dominar  a fala.
Agora fala, fala qualquer coisa a um poeta cego, fala qualquer coisa, mas fala!
Diz o que aos teus olhos te pareça certo, que em teus lábios a palavra é sorriso.
Costure teus versos com elas. Uma a uma, outra e outra, frase a frase, quando a quando.
Eles são quentes e sol, são precisos e mar, eles derretem granizo, eles ecoam no ar.
Os teus poemas de crônicas de almoços de domingo, ainda os trago no palato, ainda os trago num tinto. Há um, sempre fugindo desses olhos de abraçar, há um sempre florindo na feira de quinta.
Um há, o sei, de me olhar de esgueira.
Esses são teus olhos de andar por, esses são os olhos de desanuviar cegueiras, brilho que os meus vão de encontro.
São os olhos do meu amor, que os tem servido direto ao ponto.





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eram só vidas meninas (Olhos nus)


                                                 Fotografia:  Santa Maria- Revista Veja

O quanto custa o descaso é quanto vale o desrespeito.
No jeito desse atraso, da impunidade, no feito,
tragédia é pouco caso, porque no caso, o cheiro
dessa fumaça em tom negro, matou todo brasileiro.

No tarô da cartomante chacina à juventude;
Massacre de atitude, essa ode à ilicitude,
mostra a inclinação talude do abuso ignorante.
No silêncio não sabia, na busca da mais valia,
na autoridade tardia, do crime é coadjuvante.
Crime de cidadania, covardia, mais covardia
na noite sul, noite fria, matando aos estudantes.

O quanto vale a vida é o quanto dela se cuida,
não é preciso ser Druida, é quanto dela se importa,
é quanto dela se estima, enquanto não está morta.
Mil vidas não se confina de forma tão idiota.
Criminosa, lúgubre, vil, feia, insana e torta.
Eram só vidas meninas trancafiadas de costas.
Eram só vidas meninas despostiçadas e mortas.
Eram só vidas meninas que não tiveram mais portas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Umbu das artes (Banguelê)

Cacique Kunibu da tribo Akuntsu, da tribo Rio Omerê, localizada no município de Corumbiara, no Estado de Rondônia-Brasil invisível-Valdemir cunha.

Narrativa em Roland Barthes
é poesia, esse umbu das artes,
essa água sagrada de beber.
Esta viva em todas as partes.
Se maior, se menor, se encarte,
são as ideias da humanidade
quando fala de si ao se ver.

Poiesis da diversidade
é só uma forma de linguagem.
Despindo-se da sacralidade,
sua nudez equivale
a ter algo que é de todos a dizer.

Sua origem é sua cultura,
contaminando mais criaturas
unificadas à quem se versa.
Amarrada em nós no mundo,
como os fios de um tapete persa,
a narrativa é uma  conversa.
A poesia é só um jeito do ser humano a tecer.







segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Uma dose ( O olhar da carranca)

Fotografia: Catador de caranguejos-  Brasil invisível- Valdemir Cunha

Minha poesia tem o interior desvairado.
Seus significantes fogem da cadeia nos versos.
Deixando em sobressalto e abertos os significados.
Nesse desatino de sujeito, então, miro o diverso.
Ela se apropria dos signos e os revira, os distorce
para um outro olhar diferente. Mais liberto.
A quem os sentimentos decifre, ou chegue perto.
Meus versos são um veio, ou são só um recado
para esse olhar ao alheio, mais aflito de gnose.
Na solidão de um saber mais  aberto, disserto.
Eles que sirvam de pequenas doses.

Estivando as palavras para outros barcos.
Reanimando objeto, nenhum eu fica vazio.
A história é o segredo, da minha aldeia,
a memória é o que sou, é o leito do rio.
Pavio  que se transmite em poderio não alienado.
Quando vista em pertinência e atavismo,
toda linguagem abriga em si o seu abismo.
Mas antes, decerto,  tece seu abraço emaranhado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A função no circo da alma

Fotografia: O circo partiu. Os palhaços permaneceram...-Viesturs link

A tristeza quando vem furando a lona,
sentando á frente na cadeira de pista,
quando em sempre é invasiva essa senhora
de semblante taciturno e intimista.

Tão sombria por aonde passa, que odora
seu perfume próximo à melancolia.
Seu pesar contrasta o leve da alegria.
Seu olhar de mina d'água sempre aflora.
Tem no ventre o embrião da tragédia,
como um vulto contraparente da morte.

Gesta a dor, o dissabor e a má sorte,
quando ao pulso ela nos toma a rédia.
Traz a cor de cinza chumbo dessa hora,
seu poder pode nublar a luz do dia.
Quem a segue vai jurar que não queria
e o desejo é mais que ela vá embora.









quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Flor de sal ( O trago da seda)

Fotografia: Flor de sal- Ezequiel Vieira

À água de sal da Barra levei meus olhos,
para que não se furtassem às curvas do mundo.
Na calmaria do mar lavei meus pés
já tão cançados do chão dos homens.
Do sol maior da tarde louvei a pele
numa oração de carne abrasada e de vento.
Na sombra dos desconhecidos lavrei poemas
que ficarão guardados em nuvem, como digitais.
Na latitude do desejo lacei seu corpo,
e nele tatuei as tintas temperadas do prazer.
Na longitude da vida lancei a sorte,
essa senhora que de sí não dá a todos.
A atitude de amar resiste à morte,
mote que contempla à toda a humanidade.
Nas dobraduras da sorte reside o amor,
sentimento inteiro de todas as suas partes.






segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Paradoxo ( A puta me contou)

Fotografia: Circulo humano- Henrique Caleira

A amizade é  uma gastronomia repartível
Solidão é uma erosão sem curva de nível
Cumplicidade é mesmo um silêncio audível
E o amor? Ah! O amor!
É de todos, o paradoxo mais incrível!



O palhaço no circo da alma

Fotografia:Palhaço-A. Vieira

A alegria é um brilho diamante
encrustado profundo no sorriso.
É um espelho público sem Narciso.
O sorriso é seu aviso brilhante,
iluminando o ar por um instante.
Mesmo breve, largo, mesmo conciso,
seu calor dissolve o grão granizo,
em uma efusão de alastrar contagiante.

Quem o tela, sendo seu o apanágio,
faz da clareza fácil o abrigo.
Faz do próximo o melhor amigo,
por natureza, liberdade ou contágio.
A alegria não se encobre em verniz,
não tem vergonha, preparo ou estágio,
não se copia, arremeda ou faz plágio.
É só o ato saudável de ser feliz.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Diabo no corpo ( A puta me contou)


                                                                                                                             Fotografia: É o Diabo- Jomar 

Meus olhos de cair noite e cama
têm energia de sol na lua.     
Minhas mãos, de lavrar suas ancas,
descendo formão em neblina.
forjam a ferro essas rimas,
deixando a calma insana.

O desejo se insinua.
a carne já não sublima.
Pulsão de vida é uma dama
deslavada em seu perfume.
Então você vem e reclama,
derruba o pau da cabana,
querendo que eu me acostume.

Ardendo sou tocha humana,
queimando a pele na sua.
em REM o seu corpo plana,
meditação tibetana,
enquanto eu só diabruras.

Tesão que o diabo não cura.
Combustado em gasolina,
disposto em adrenalina.
que a madrugada quer nua.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ponte ( A olhos nus)


A vanguarda não é um prato, é a fome.
A estrada não é o passo, é o destino.
O adolescente não é o homem, nem menino.
Crescer não é guardar a criança no limbo,
e o adulto tem o domínio desse nome.

O caráter não tem cunho alcalino.
As lembranças são os arquivos de ontem,
participam do futuro que se monte.
Fazer anos é atravessar uma ponte,
e crescer é refazer o figurino.

Ver um filho crescer é uma lida.
Apoia-lo é um cuidado que se tome.
Se oriente rapaz, diz a cantiga.
Pois no mundo onde há paz, o couro come.

Sem que a dignidade o abandone,
ser feliz é a busca e a batida,
porque a vida é vulcão em pedra-pomes.
Expandi-la é dobrar novas esquinas.





segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O pedido ( A puta me contou)

Fotografia:Objetos do desejo-Ana mokarzel


O pedido foi direto,
sem saber qual é a cor.
Sem saber o seu tamanho,
sem noção de qual sabor.
Sei que hei de atende-lo,
para isso me assanho.
Ninguém disse o modelo,
se é de graça ou se é de ganho,
sem que lhe apontem o dedo,
não se sabe aonde ele está.
Se é conhecido ou estranho,
se perdido no sofá.

Se ele é largo ou se tacanho,
se não lhe deram lugar.
O pedido foi dileto
sem ter muito blá, blá, blá.
Pois assim vou descreve-lo
antes dele te assustar.
Desatando esse novelo
sem ter medo no olhar.
Se o amor é um segredo
o pedido é o seu desejo,
é algo que se quer gozar.




sábado, 5 de janeiro de 2013

Esqueletos ( Banguelê)

Fotografia: Tarde em Copacabana-Marco Campos


A tarde brinca de estátua.
Apenas a brisa do mar a denuncia.
A casa pendurada no ar sobre a rua,
silenciosa na solidão nua e crua,
deixa passar as horas pela janela do dia.

Sem angústia, leio as maldades do mundo;
Traduzidas de forma frouxa, feia e quase fria.
Com seus absurdos esqueletos profundos,
Reproduzidos, sem perceber o gene fecundo,
retornado em comuns, qual perene ácido de asia.

Respiro mais alongado por uns segundos.
Olho uma réstia de sol, ela me contagia.
Toma-me por, contradito, uma alegria de lua.
Assim, surge o contrapor da pequena poesia.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Arrais ( A olhos nus)

Fotografia: Praia do Leblon- Ilan - 2012


Maria, minha Maria que dia você vai voltar
a ter aquela alegria, me diga venha de lá.
Tristeza é uma vilania na alma, é algo sem par.
Me lembro, você sorria e encantava o lugar.
A sua fisionomia fazia a gente cantar,
agora minha Maria, me diga, pode falar.

Maria você sabia sorrir como ondas do mar.
Agora é só afonia, cizânia por não fumar.
Já fui até na Bahia pedir lá no Afonjá,
que me arranjem umas guias com força Iorubá.
Fui num terreiro em Caxias, fiz promessa popular
para ver se a coisa tardia saia a deixando paz.

Eu digo nessa porfia, do desejo que ela traz,
pois quando você sorri Maria, o mundo sorri a mais.
Que volte sua alegria, que você volte Maria.
Espia em torno, espia a falta que você faz.
Sem você tudo esfria, em mim fica a falta do cais
Volta depressa Maria, o seu sorriso é meu arrais.







sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ano novo ( O trago da seda)

Foto: Fernando Quevedo / O Globo

O que há de novo no ano novo
é o que há de bom no ano bom.
Que surpresa haverá dentro do ovo?
Qual cantiga haverá? qual é o tom?
O poeta já o viu dentro da gente,
escondido num cantinho sem ter som.
Todo dia é um ano novo emergente,
renovado no ano tempo como um dom.
O que há no ano novo é tão presente,
é o que está desde antes adentro à mente,
com o que já acostumamos de estar com.
Quando os fogos lá no céu espalham luzes,
nos avisam que a hora é a da felicidade.
Mas ela vem de aonde está, não vem de alhures,
externa apenas os sorrisos das verdades.
De comum o ano novo é uma festa
diluída nos desejos da cidade.
Das fanfarras que a alegria assim orquestra
soprem ventos de mais solidariedade.
Outrossim nos reinventamos nesse sopro
a que nos mesmos chamamos realidade.
Quanto mais a vida segue e ganha corpo,
mais inteira, mais soma, menos metade.
Sempre o ano novamente nos começa,
enquanto o outro finda dentro da saudade.