Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

domingo, 23 de dezembro de 2012

Dos caminhos do amor.( O trago da seda)

               Salvador Dali- Poster : Winter and summer Patient Lovers-1973

Coração é terra imprecisa.
A conhece quem nela se aventurou.
Só quem sofre de amar o avaliza,
até o assina em nome desse amor.
Cada um fale do seu, mesmo à guisa
de desdenhar ou de haver valor.
Paixão é quando a alma se anarquiza,
vai ao chão, leva uma pisa.
A ilusão é água mole em pedra lisa,
e há quem diga que o afeto é uma flor.
Pobre é aquele que no amor economiza,
não se entrega, fica só, não alça voo.
A saudade é uma distancia poetisa,
e a solidão quando chega não avisa,
é um vazio de feitio sem calor.
O sorriso dos amantes é uma brisa,
tem segredos de olhar da Monalisa,
tem razões que a própria razão nem notou.






sábado, 22 de dezembro de 2012

O malabarista no circo da alma



De acordo com o movimento
pendular no círculo dos pratos,
há mesmo que se equilibrar
na atitude da sensatez.
A realidade ao se debruçar
total e inteira na ordem dos fatos,
faz girar a vida que se equilibra
em sua cigana rapidez.

Vai quase cai não cai,
segue seu mistério,
seu artesanato.
Gira como um passista
mestre nos critérios,
faz a sua vez.

Sendo o discernimento
próprio ao bom momento,
ou na acidez.
Requer bem mais atenção,
calma e coração,
como aparato.

Mesmo se estando triste,
e a tristeza  insiste
como embriaguez.
Segue, passo vai por passo,
construindo o novo
no sentido lato.

Pode parecer bem árduo,
dia a dia, ano a ano,
hora a hora, mês a mês.
Mas,  isso é o que fascina,
aflorar estima,
ativo e sensato.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Noturno (Banguelê)

Imagens obtidas pelo laboratório hubble da ag. espacial americana
                                                                                                                              
hoje estou apenas noite, sopro e silêncio.
Não resgato dúvidas passadas, nem afago o futuro.
hoje respiro a vida apenas guardada no tempo.
Poderia ter feito muitas coisas nele, mas não as fiz,
e ao não faze-las paralisei desejos, abdiquei relatos,
cometi erros financeiros, levei tombos, perdi razão,
guardei sorrisos, desdenhei abraços, briguei no salão.
Guiando a história contra a maré acumulei escuros, hiatos.
Do que nunca me coube em outra época, não sou eu agora.
Ao meu amor dedico o perfume da pele da realidade.
trago no peito rabiscos sem rescunhos.
Mas relato que a realidade é sonora, é grande.
Tão vasta é a sua capacidade que ela abriga os sonhos,
desses sonhos eu nunca me salvei.
Hoje estou apenas noite quietude e silêncio.
Lavado dos rancores, sem alegrias nem tristezas,
sem ignorâncias nem sabedorias,
leve e vazio de plenitude;
Estou imerso no real incomensurável dos fatos.
Apenas um homem e seu silêncio
esvaziado de coragem e de medo.
Apenas um homem composto de suas horas, seus dias,
um homem construído do seu tempo.
Mas se essa é a asa da vida, o tempo é um voo inacabado.
Ele sempre se reinicia, que sempre é outro,
sempre é novo, nunca se repete, tão pouco é urgente.
Não tenho passos largos, mas tenho caminhos á frente,
ando apoiado no coração, apenas homem,
apenas me trago, lanterna, dentro da noite.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Cheesecake ( Banguelê)

Fotografia: O Globo- Imagens/AFP -12-2012

No Pais do Bang-bang,
aonde a arma é sagrada,
liberdade lava a sangue
a infância desarmada.

O liberalismo à bala
Não cabe em eufemismo.
Na cultura mais privada
está  a origem do abismo.

Quando o valor das crianças
perante fatal cinismo
patenteia um mimetismo
perigoso e fatal;

Reproduz-se na matança
o tacanho niilismo,
emendando o civilismo
em armamento legal.

O ordenamento, a trança
do tecido social,
é permissivo no perigo
em favor do individuo,
faz da América o abrigo
do poderio letal.

Somente é a ponta da lança,
vista assim de modo tal,
conserva um terrorismo
de amplitude nacional.

Nas escolas, nos cinemas,
almejando o universal.
Qualquer mocinho oprimido,
qualquer desvio ao  normal
tem gatilho concedido,
apelo constitucional.

No Texas, na Califórnia,
em Oklahoma, na Flórida.
Luby's, Virgínia Tec, in memória.
Atlanta já não espanta
Amishs da Pensilvânia.
Wisconsin os acompanha.
Lá vai Rambo Columbine.

Em mira mal camuflada,
Batman do Colorado vai.
Ao massacre de Nevada.
A história só repete o"inside".
Com cristãos de Oakland,
os Sikhs de Oak Creek,
essa cultura e a sanha
Neo nazista do CheeseCake.




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Espelho ( O olhar da carranca)


                                                                                                                                                                                                                               Fotografia: Carlos Amaral

Quanta força há no outro que eu precise,
por saber minha a maior necessidade?
Quanto do outro algo é a minha verdade,
que eu a reveja e absorva em mais reprise?
Qual a medida dessa adversidade?
Do que eu não sei, ele o saiba e me avise.
Pois ao invadi-lo cometo o meu deslise,
ao qual nomeio como afetividade.

Qual a energia que do outro tomo a mim,
fazendo-a minha, nessa força, em propriedade.
Sem saber mesmo qual motivo, meio ou fim.
Eu a permeio por fazer minha vontade
Qual a medida, na linha realidade,
dessa cobiça emocional forjada assim?
Domino a caça em que resulta tal butim,
quando o que é meu, quero no outro por saudade.




terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vagas ( O olhar da carranca)

    Fotografia: Ai mar alto- Vitor M. F. Estrelinha

Sem ter aonde se espelhar ninguém vê a própria face,
sempre terá que tateia-la em si mesmo; Isso leva tempo.
Leva tempo para se construir um olhar.
Às vezes se parece com o nadar
em busca da curvatura do mar, nas dúvidas,
nas vagas marinhas  da humanidade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Despignatari ( O trago da seda)

Fotografia: O globo 03/12/2012

Pignatari não é mais concreto
Agora está no céu de lona
                                                                                                                    Noigrandes grades Coca-cola
                                                                                                                    Nessa hora Décio cala e cola
                                                          Concretamente na memória
Semântica forma sonora
                                                                                                                 Plano piloto pouso repouso
Pleno ouso dizer Despignatari.
                                                                foi embora em Carrossel
                                                                                                                                                para o céu
Signo da linguagem.
                    Paraocéuparocéuparocéuparocéuseucéuparocéuapareceuparaocéuparocêparaocéuparaocéubeleleuparaocéuparaucéuparouparaocéu...


sábado, 1 de dezembro de 2012

Despertos ( O olhar da carranca)

  Fotografia: Quando tiveres medo lança-te- Vera Vilas-Boas

Nunca me foi permitido ter medo,
fraqueza diante da vida tão pouco.
A fragilidade  em mim, nesse enredo,
foi uma desconhecida desde cedo,
falando assim parece algo louco.

Porque o medo é senso necessário,
no mínimo para o abraço protetor,
fazendo o ser humano mais gregário,
mais gentil, mais ancho, mais solidário,
mais profundo na largura do amor.

Não me foi permitido, por degredo,
esse sentimento genuíno e puro.
Incapaz de desvendar o segredo,
decifrar tão mal desassossego,
ao vê-lo em minha amada fico duro.

Aonde a dureza é cega, há poesia,
e a palavra é pedra dura, é rochedo.
Mesmo não sendo aquela que eu queria,
pois não saber não serve à valentia,
acho que temo mesmo em arremedo.

Sentindo assim como caricatura
eu vou em frente, e acho, vai dar certo.
Porque a vida é a melhor ventura
proponho as fichas nessa assinatura,
resiliência é o que nos faz despertos.







sábado, 24 de novembro de 2012

Mocotó de Bacana ( Beco da fome)


Um caldo de mocotó
pode ser a solução,
para quem gosta de amar
mas falta disposição.
É bom pra desamarrar
trabalho de coração.
Levanta cobra morta,
do desejo abre a porta,
na mulher da aflição.

Precisa de um pé de boi,
dos quatro quero um só.
Lave, mas não ensaboe,
qual segredo de Ebó.
Esfregado no limão,
lavado com as próprias mãos,
bem serrado, bem cotó.
Essa água se lhe coe.
é mais benta, deus perdoe,
pois desmancha catimbó.

Bastante pasta de alho,
da melhor gosto depois.
Marinada em vinha d'alhos,
coisa feita, passo dois.
Facilitando o trabalho,
deixe soar qual orvalho
no vinagre de arroz.
Refogado de cebola,
ralada de forma atoa,
e anéis de alho Poró

Três tomates, sem sementes,
cortados em Brunoise.
Esse é nome bonitinho,
mas para encurtar caminho,
passando por essa fase,
pode cortar em cubinhos,
de jeito que a coisa case
da forma mais diligente.
Formando um fundo, ou base,
quando a vida da um nó,
pimenta do reino em pó,
saída de um moinho,
da branca é mais pertinente.

Uma colher de Urucúm,
mais dois cravinhos, ou um.
De alho a  mais dois dentes.
Um tanto em vinho branco,
de paio cortado um tanto,
nacos de lombo acrescente.
Uma pitada em cominho,
mais duas folhas de louro,
isso provoca um estouro,
abrindo qualquer caminho.

Deixe o pé descansando
no limão vinte minutos,
depois ponha a pressão,
para resultado astuto
atenção no fogo brando,
e agora é com o fogão.
Não pode errar na mão,
o tempo é absoluto.

Se cozinhando em trinta,
esse caldo é fervoroso,
acredite , a carne é linda,
de se comer bem gostoso.
Quando tudo acaba em gozo,
de se comer com tesão,
não há quem diga que não,
qualquer loucura é distinta.

Se o calor lhe sobe às tampas
com força de apitar,
é que a força é maior, é  tanta,
com o sal que vem do mar.
Mais um pouco só de amido,
para um caldo mais grosso,
Junte amigas com amigos.
Sem ser angu de caroço,
isso é mais que um colosso,
para  um santo Iorubá.

Com salsinha e cheiro verde,
um pouco de hortelã,
no chão, na cama, na rede
se ouve a flauta de Pan.
Mata a fome e mata a sede
de amor até de manhã.










quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vida na dobra ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: A voz do morro- Rodrigo molina

Levei minha nega para uma fita legal no cinema,
numa sala bacana e pequena lá perto do Galo.
Aonde a coruja dorme o barulho é a boca pequena.
Nesse bairro elegante e charmoso que é  Ipanema,
a levei com carinho pois eu sei que a santa é de barro.

A fita estrelava o Bezerra da Silva como ator na cena.
Ela disse vou ver esse filme porque ele é um desagravo.
Mas o samba povão deixou minha moça de fato grilada.
Ela chega a fechar os olhos por motivo de grande emoção,
quando viu na telona o sambista real na sua vida privada.

Na primeira cena, o começo, é ligado com um rabecão.
Eu falei: Minha nega o samba é coisa de gente bem séria.
Garateia de ideias do censo comum do mundo povão,
aonde a cultura rasga o verso no código João da Gomea,
quando a crítica vem do olhar afinado do homem peão.

Segue em frente o pagode tocado em cavaco de ouvido,
descrevendo o cotidiano do morro e de seus cidadãos.
Na caixinha de fosforo o toque é bemol sustenido,
despistando a lei que não vem com a macaca e o bandido.
Porque o bicho que pega aparece é com um Tresoitão.

O Jeitinho é a forma mais publica desses barretes.
Nas vielas e becos e bicos de tantas Catraias.
Solução é silencio melhor do que ser "caguete".
O Pagode provem desses duros e dos rabos de saia.
Minha nega se assusta com a justa nesses palacetes.

Essa laje elegante é pro samba do mestre  da obra,
a poesia ali esta longe de qualquer verbete.
O malandro é malandro e o mané é aquele calhorda.
ser gourmet é legal, mas na fome farofa de areia é banquete.
Quem não quer entender faz carinho no peito peludo da sogra.

Para sede do espírito um salgado e conhaque sovaco de cobra.
Quem discute a origem da erva é o Genoma semente.
Se tem gente safada no morro, essa gente manobra.
Pois procure mudar o olhar com a visão dessa fala latente,
sem ter constrangimento diante da vida na dobra.










segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A acrobata no circo da alma

                              Fotografia: O circo da beleza- Maba

Kãma fazendo o convite
ao instinto passional
Divindade em Afrodith
Fuga aos demonios de Lilith
Pior pecado capital
Anuket deusa do egito
Aonde Pan põe o apito
da alegria interracial
Sob as camisas de Venus
sopram os desígnos de Eros
sobram gemidos e berros
alguns mais e outros menos
Dionísico ritual
feito ao luar Muísca
impossivel a onanistas
Tlazotéotl imortal
Seja em que povo for
Sade é prazer na dor
Luxúria é Carnaval.
Mas ao fim dessa paixão
vazia vai sem virtude
quem dela vive se ilude
na solidão amoral.
.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O globista no circo da alma


Fotografia: Inclusão social já- Míriam  C. de Souza

O que digo pode ser bem duro, mas quem tem que lutar por dignidade todos os dias não possibilita perjuro. O que é vivo assim, tende mais cedo a ficar maduro.
Conquistar sua inclusão depende ademais da força diligente da valentia.
Para muitos a vida é a resistência de um enduro, é precisão de energia, é na pressão  da resiliência . Esses não têm tempo para futuro, descobrindo a existência no agora, na realidade sem anestesia.
Seja nos dias claros ou escuros, seja nos abusados absurdos, seja nas vilanias, nas tragédias, seja lá nos piores apuros, seja no que houver de comédia, Seja na hipocrisia dos turvos, seja nas ventanias das rédeas das minorias, nos muros mais indiscretos dos preconceitos burros da covardia de quem só fingia ser, na resistência de cunho absoluto.
O humano é a fonte e o desgaste da ecologia.
Se a vida no fundo é traquicardia, o criativo é passar pelo mundo sem a perda natural da alegria.





quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Cospe fogo no circo da alma

Fotografia: O cospe fogo- Armindo Vicente

Ira não é coisa que se adquira
por conta de episódios.
Não se conta no relógio,
não se amarra com embira.

Não se vira nem revira.
Sentimento monocórdio.
Não contem troféu nem pódio,
nem visão. É erro em mira.

Também tem por nome ódio,
rancor, aversão ou fúria.
Diarreia tão espúria.
Doentio monopólio.

Pois quem o sofre sem saber
tem uma dor descomunal,
amargando o desprazer
de um pecado capital.






terça-feira, 6 de novembro de 2012

O elefante no Circo da alma

                                                                                     Fotografia: Elefante no Tsavo- Maria José T. Gonçalves

Gula é estômago compulsivo
Faz do afago digestivo
cerimônial glutão.
Um farnel farto e abusivo
ao paladar atrativo,
gastro gosto bem gordão.

À entrada vemos um aperitivo,
ao couvert já bem fornido,
Foie gras, vinho e pão.
Sem contar o prato da entrada,
depois vem macarronada,
pururuca no leitão.

Cinco chopes, Ciabatta,
muito azeite na Burrata,
ou até sardinha em lata,
para a gula é um quinhão.
Muito açucar com certeza
tem que ter a sobremesa,
sendo em calda é uma beleza,
chocolate, mel, mamão.

Quem degusta se entope,
tem glicose alterada,
tem pressão mais elevada,
muita massa, muito inhoque.
Se lhe cabe o escalope,
maionese com batatas,
ou maminha de alcatra,
é questão de puro enfoque

LDL é o cão
nas dietas mais erradas.
É questão de opinião,
um deboche na salada.
Tem gordura em profusão
no deguste da rabada.
Coronárias, coração,
são coroas complicadas.

Com o tempo as enzimas
param tudo, fazem greve
excedendo as proteínas.
exercendo a clara em neve,
indo mesmo ao suicídio.
Por comer mais que se deve,
por querer triglicerídeos.
a obesidade atreve.

Nesse aumento estomacal
elas são complexadas,
vão ficando mais culpadas,
no limite passam mal.

Se o sujeito come muito,
não evita o Vatapá.
Não despensa um torresmo
com bomba de Guaraná.
Até não caber no mesmo
cumbuca de Tacacá.
Contribui com o presunto,.
Para fechar o assunto
ainda come um Abará.

Pá de cal é aonde isso finda,
no final que coisa linda,
na cidade do pé junto.
Já sem sal, saúde míngua.
Boca em bolo de fubá.
Salivando até no olhar.
Pouca fala sem assunto,
que a língua é de mastigar.

Tal barriga na berlinda
fica tão descomunal,
devo dizer: Cabe ainda
acidente cerebral
alguns goles mais de Pinga
faz gordura acumulada,
por ter causa dilatada
em  pecado Capital.













segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A bruxa no circo da alma


                                                                                                            Fotografia: Retrato da bruxa-Flávio oliveira

Avareza é um medo pecuniário.
Uma falta, um déficit estrutural.
Com certeza vem do imaginário,
num profundo vetor solitário,
é temor inseguro e pouco original.

O acúmulo tem maior valor primeiro,
no apego retensivo ao bem material,
A sovinice sorrateira é ato pouco visionário,
até mesmo doentio, de cunho patrimonial.
Mesquinhez guardando o inteiro
afeto pelo dinheiro, de modo individual.

A avareza é uma praga
que seca o homem pelo centro,
todo o tanto é algo por cento,
seja por fora ou por dentro
ou qualquer forma de paga.
Ela carrega uma incerteza,
um pseudônimo de riqueza,
mas mendiga a falta de paz.

A avareza é a correnteza
vertendo sempre para dentro.
Guarda em si um mal tormento
se todo o gasto é ladravaz.
tornando  pobre ao avarento,
esse é seu grau contrassenso,
quanto mais guarda,mais falta faz





quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A contorcionista no circo da alma

                               Fotografia: A contorcionista Paulo Coimbra Amado

A preguiça é sempre a inquieta
e difícil arte de não fazer nada.
 É a ocupação mais completa,
é capacidade do atleta
focado em única meta
da essência desocupada.

Há que respeitar o seu ritmo,
olhando a vida com calma,
Potência de logaritmo,
é assim que ela é.
Ocupa dos dedos dos pés
até o fundo da alma.

A preguiça tem seus mistérios,
precisa concentração mesmo,
não basta ficar parado
com o olhar estacionado,
não é fazer nada a esmo.
É mesmo um assunto sério,
nem todos são preparados.
Para muitos há espinhos cardos
que impedem seus privilégios,
em muitos causa tenesmo.

Essa virtude tão sábia
por si já da tanto trabalho,
que muitos lhe metem malho,
que muitos lhe gastam lábia
contrários à sua batalha.
Os tantos querem cangalha,
ou murro em ponta de faca.
Depois reclamam do talho,
guardado em fronte grisalha.

Preguiça é o drible da vaca,
é a perfeição mais asceta
que a nossa vida arquiteta,
não tem erro, nunca falha.
Sendo atitude completa,
ela não permite atalho
onde o trabalho se meta
armando sua barraca.

Essa tão nobre atitude
não é dada a qualquer ser.
É preciso ter virtude,
É preciso merecer.
Ter latitude e longitude,
ou mesmo aptidão,
ser dono maior do tempo,
saber degusta-lo lento,
não o deixar ser patrão.

Qualquer movimento rude,
se o puder, faça não.
Acalme a respiração.
Cuidado, não se assuste
com o feitio do prazer.
Tenha-o por premissa,
concentre-se na preguiça,
deixe-a tomar você.







quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O levantador de peso no circo da alma

Fotografia: O circo III- Gustavo Longo

Mágoa é um ressentimento,
é tralha de fundo de sótão.
Crava seus dentes na gente,
queimando em larva candente
derramada no coração.

Concreto armado em silêncio,
construindo ao longo do tempo
um monumento ao descontente.
Pobre de quem o sente,
é um inimigo do perdão.

Tragedia interna e tardia
que dista do arrependimento,
na lenta dramaturgia
percorrida em passos lentos,
rumo ao culto do sofrimento
revido em mais solidão.

Resultado de um agravo
do qual se torna escravo
o fígado pertinente.
Chicana da afetividade
petrificada no vento.
Sua triste fisionomia,
ganha um maior acento
na solução sem solução




terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Mágico no Circo da alma

Fotografia: Da cartola!- Ribeiro


O orgulho é por si um autoimune.
Vagueia entre os olhos e a mente.
Para muitos é mal de semente,
quando é pura soberba impune.

É um ilusionista, o insolente,
quando ilude no que é aparente,
como jeito qualquer em que se arrume
outra força maior, e mas silente.

O orgulho paramenta um perfume.
Quando é altivez tem lá razão,
mas perdido, em defesa, é estrume.
Se é limite, é pobreza e presunção.

A arrogância é casca, um tapume.
Escondendo algo na escuridão
da cartola negra dos costumes,
nas couraças com odor de curtume,
depositárias de uma outra tenção.






quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A Bailarina no circo da alma

Fotografia: Bailarina- João Pinto Vieira da Costa

Vaidade, essa criança sapeca.
Penteia-se junto ao espelho,
mesmo que sendo careca.
Prima dileta do orgulho,
tão solitária, é um balão.
Vive se vendo no céu,
vive seu mundo alçapão.
Quando é excesso, é entulho.
Quando sem corpo é barulho,
Quando sem faro é ilusão.
Essa levada da breca,
sempre vestida em vermelho,
pode quebrar-lhe o joelho
com seu charme de maneca.
Muitos lhe perdem as cuecas,
Por ela queimam salários,
causando males tão vários,
dor de barriga ou congestão.
Vaidade, essa boneca,
esconde o que introjeta
como sendo solução.
Porque dança essa bailarina?
Se na próxima esquina,
pode bem cair no chão.






segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O anão no circo da alma

Fotografia:Circo I- Gustavo Longo

A inveja é trêmula,
apequena, é falha de gosto.
Não tem aparente rosto.
Quando ataca não é amena.
A inveja quer do outro, o posto.
Não sabe cantar canção,
não pede, mete a mão,
age mal, parece encosto.
Ataca na escuridão,
essa mesquinha impúbere.
Deseja o que não tem,
tão infantil e insalubre.
Estéril fronte em alguém,
cuja arte é um desgaste.
Não soma, rouba uma parte
sem sombra e sem mesmo alarde.
Cuidados há que se ter
com o sentimento invejoso.
Não pode ser musculoso,
esse estranho jeito e prazer
de querer do outro o gozo,
e não dedicar repouso
enquanto não o puder ter.
Cuidado com o falso, amigo,
que por não conter umbigo,
não sabe o cordão romper.
Da mãe será  sempre um filho,
na falta de um estribilho
melhor que se possa dizer.
 Esse sujeito invejoso
cujo voo não sai do pouso
fica velho sem crescer.