Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Do amor (imails da Jô)

Fotografia: Na corda Bamba-Augusto
Imail enviado por Jô a escrava do amor

O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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domingo, 5 de setembro de 2010

Affair ( O analfabeto poético)

                                              Fotografia: Fumaça-Varli José Dorighello

Desejei seu beijo em vão,
pois ele era fumaça.
Fiquei no caminho do não,
sei bem o que nos afasta.
Francisco diz na canção,
um poeta quando passa,
sabe ver na escuridão. -                                            
Mais uma cena se embaça,
mais uma desilusão.
Feliz não sou quem lhe faça,
vou guardar meu coração.
Mas esse olhar de vidraça,                                                                                        Dos seus olhos já  sem graça,
vai ficar sem solução.

Se a vontade por pirraça,
formar brasa em seu  colchão,
se o dia for o da caça,
se lhe faltar com a paixão,
não se envergonhe em ameaça,
utilize os dedos da mão.
Pode vir prazer aguaça-
até escorrer pelo chão.                                    
Mas esse medo que afasta, vai te morder como um cão
Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão, 
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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sábado, 4 de setembro de 2010

Hapa Nui ( O analfabeto poético)

Foto: Moia em tongariki- Revista época, Haroldo Castro

Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto                                             
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Manhã dos homens (O analfabeto poético)


Fotografia:Arte Urbana, Carsil 

Ao primeiro sinal de partida sonorizado, a realidade é urgente.
A manhã dos homens surge como uma lâmina iluminada.
Há que correr atrás do tempo reproduzindo de novo suas pegadas.
Na urbe os cidadãos procuram em jogo, suas cadeiras numeradas.
Atrofiam a vida pela global fábula dos emergentes, desastrada.

Ao segundo sinal, senhores, religuem seus celulares.
Mastiguem o pão nas commodities do balcão à frente.
Preparem seus diafragmas de mergulho, prendam os gases,
para que as surpresas da pressa se acumulem, travem os dentes.
Diante da possibilidade do que é fútil pareçam inteligentes e populares.

Anonímem-se em avatares, aos reclames
enquanto uma floresta em chamas será queimada,
na multiplicidade ignorante de um povo.
Amarrem-se ao cais salarial com seus cordames
Em hipóteses  ou Iphones, não respirem ar novo.

Se for povo, leia antes o manual de instrução.
Socorram-se nos bares.
sendo tolos, fiquem quietos, é o mais conveniente, não reclamem.
Mantenham-se rígidos nos plexos solares.
Não cedam de si nada, nem por um minuto.
Sob nenhuma possibilidade dêem-se ao outro,
essa entrega seria um vexame de atos vulgares, e até libidinosos.
Paguem o dízimo à receita federal, evitem incômodos perigosos.

Ao terceiro sinal.......

Êpa!!   
Um ipê sorriu de cor,
em abusado azul turquesa.
Chamou para si a natureza do dia,
essa cena não estava combinada.
Iluminou toda a calçada.
Consumo presumido de delicadeza?
Quem diria!

Uma criança corre escrachando-se em beleza animada.
Vai aprender necessidades na escola dos homens.

Resiste a praia, mesmo que magoada de ecologia.
Nas suas línguas negras ensaiadas, está vazia de areia e de ontem.
Cedo demais para as utopias físicas do mar em sua alegria.

A moça bonita negou-se ao namorado à noite,
agora nervosa passa perdida, em lamento.
Há um qualquer de tristeza em seus olhos,
parecem que choram para dentro
um restinho de amor ou de ressentimento.

Agora ela vai correndo apressada
em seu terninho arrependido de advogada,
pedir hábeas corpus ao juizado da vênia.
Não fala da noite passada. Não coitada!

O amor é assim,
faz  silêncio ao fim,
nas paredes de um beijo.

Êpa!!!!
Desejo não se discute, evitem a poesia de cada um,
em situações limite ceguem os olhos do poeta,
mesmo que eles saibam ver na escuridão.
Guardem bem suas emoções, aguardem o lançamento.
Nas páginas octogenárias, em alguma parte alguma.

Pois um dinossauro de metal se esfrega nas ruas.
Em seu ponto final chegou, cheio de gente na barriga de bilhete único.
Gente que vale o transporte, gente igual, gente só rosto, gente só gente.
Cadastros, grotões, pingentes.
Correm à sorte!
Corram, corram, corram todos para o dia de hoje.
Dizem que é de quem chegar primeiro.

Mas atenção sejam felizes, porque esse dia também será único.
Até o próximo sinal.....

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhar paisagem ( O olhar da carranca)


Fotografia: Falésias a cair, Samuel Cantingueiro

Para Carlinhos Baixista

Ficam me olhando com esse olhar de janelas.
Pessoas como eu quebram, no corpo, suas fronteiras.
Fazem-no, eles, os que não conseguem passar por elas.
Mas quem enfim não as têm?
São precipícios!

Aquém de si próprios, tangem-se nas falésias, pelas beiras.
Miram assustados o universo do tudo que não sabem.
Preservam-se do que não sabem, protegidos pelo sossego,
garantidos do que é o óbvio, é paisagem.
São as fumaças do medo.

Santas, essas pessoas calmas, distraídas nos recatos dos seus centros.
Sem correr riscos imponderáveis, por princípios.
Protegem seus rostos de vidro, contra os desconhecidos ventos.
Quem de si não sai, por um único momento, viverá apenas normal,
viverá apenas morrendo.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Relógio de sol( O analfabeto poético)

Gosto de amar pela manhã, isso me faz vagabundo.
Gosto de dormir à tarde , quando vem a preguiça dos homens.
À noite vou para as ruas beber a solidão nos versos do mundo.
Gosto de escrever na madrugada, quando o barulho do silêncio
deixa as ideias acordadas.
Não posso ver o trabalho, pois tenho
as vistas cansadas.

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Fotografia: Relógio de sol, Márcia Liliana C. de Abreu

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Casas novas

Sua poesia é a leveza limpa dos versos, lhe pertence.
A clareza escorre quente como um mergulho instante.
A natureza ferida em gotas guarda seu ciclo feminino inteligente.
Na trama exuberante onde se deita, são lençóis Maranhenses.
Ensina-me transbordando o seu primeiro gole elegante.
As muitas faces da busca formam a despedida e seu castigo.
Algo que talvez passe por você e eu nem veja.
Como o primeiro libreto de reciclar sonhos, enjaulados e ricos.
Segura no corrimão do meio urbano para realizar sonhos,
aonde a poetisa brilha na trigésima primavera de ibiscos.
Sua avenida passa, passista em movimento geóide e graça.
Nesse por do sol, que como um poema pronto nos abraça.
Ate o próximo,  e o próximo, e o próximo, incessante....

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pois é

Fotografia: presa por desobediência?- Jorge
Uma pessoa que não comete alguma desobediência civil,
é uma pessoa indelicada com a vida!
Difícilmente será uma pessoa livre.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como Deus pais ( A puta me contou)

Fotografia: guerra da mulher
Poema para as mulheres normais.
Correndo na frente,
seguindo tão crentes,
desejam demais.

Os corpo latentes,
sorrisos aos dentes,
são tão comoventes,
parecem iguais.

Vozes eloquentes.
Sempre consequentes,
derramam seus ciclos menstruais.

Poema para as mulheres iguais.
Serão lenientes,
parecem parentes,
seus corpos decentes rivais.

Loucuras ausentes,
as inteligentes,
são uni presentes.
De tanto querer demais

Assim finalmente,
são naturalmente
amantes lembranças dos seus pais.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Esse samba não tem Bis ( perna bamba é do samba)

                                                         Caricatura: Lupicínio Rodrigues- JB caricaturas
Foi você quem não me quis
Apagou-me feito um giz
Bagunçou meu coração

Seu desejo era verniz
Só palpite, era infeliz
Logo dizendo que não

Bebo um gole de cachaça
Pra ver se a vontade passa
Quase perco é a razão

Outra vem e me abraça
Mas não acho a menor graça
Remendar desilusão

Tergiverso e faço um samba
Mas minha verve de bamba
Volta pro mesmo refrão

Hoje vou voltar pra Lapa
Onde o samba não escapa
Largar-me na fundição

Vou cantar la no Semente
Mais uma mulher que mente
Caida em contradição

Outro gole e vou na raça
No suor e na pirraça
Procurar outra Paixão

 Ah! E esse samba não tem bis...

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

De mãos dadas para o vazio ( O analfabeto poético)

                                                                                    Fotografia: De mãos dadas para o vazio- Sisse


Por um momento único nossos olhos se tocaram.
Por um segundo de calor em  um lapso instigante.
De vitrinas vivas houvera o reclame rápido,
como um raio involuntário.
Enquanto nossas mãos chamaram pela união dos corpos.
Mas eles não estavam prontos.
Detiveram-se nas fronteiras da negação fria, éramos só normais.
Num labirinto de formas nos desintegramos, se tanto.
Como a um estalo de ferro, comum ao ranger dos músculos armados.
Como a uma inversão dos brios, comum à descrença dos inacabados.
Como a barragem dos rios corrompidos na energia, para validar a luz
na cidades dos sonhos dos seres de terra.
Devastamos aguas e morremos na praia.

Ah! Se não houvessem tantas regras, tantas ideias prévias,
tantas banalidades de solidão.
Ah! se houvessem só coragem e coração.
Mas houvera apenas um único segundo desvairado,
num olhar único, denunciante. O olhar de um beijo.
Por um momento de segredo infiel, fugidio e passado.
Amamos-nos, como a onda quebrada  no momento do mar,
é da areia.
Porque é da areia e do mar  o tempo de sal de todo e qualquer amor,
por menos ou quase.

Nós que não soubemos ser do desejo, não beberemos desse sol,
dessa coragem. Fomos fracos.
Mas nós dois, por um átimo de instante rápido qualquer,
nos amamos.
O amor vem primeiro nos pequenos atos falhos,
quando fogem sussurros no silêncio.
O amor vem bem antes na sedução, inesperado.
Amamos no que houvera de perdido e assustador,
amamos onde o amor nos saiu  do controle,
antes de se esvaziar no ar.
Como dois abandonados em temor.
Ficamos desligados, estancamos no inacabado.
Mas amamos.
Nesse espaço vazio, nesse início finado, que agora é desbota.
Nessa cortina de fumaça que nos afasta, e desenlaça,
desfazemos como a uma réstia ácida
encoberta em suas cascas de medo,
como as couraças e seus segredos.

Resta agora a distância, como é longa a distância! diz o poéta!
Como é vazia!
Se não soubemos amar, amamos a dúvida.
Hoje não restamos dádiva do delírio, e talvez nunca o sintamos.
Não soubemos mais que esse couro sem pele de nossos pobres estáticos braços.
Esse será o nosso pecado replicante.
Não soubemos mais que o prévio combinado de medo,
na delicadeza dos infelizes.
Talvez já o saibamos.

Estivemos nus desse desejo encabulado dentro das nossas roupas de carne,
dentro dos preconceitos pétreos, dentro de nossas censuras.
Fomos só distantes, e de distantes ficamos pequenos.
Com nossas poucas palavras exiladas, mas condenadas à libido.
Nossa nobreza será essa, desperta de disparates entre os dedos da elegância.
Nossa pobreza será essa, nossa união será essa,
essa será nossa extravagancia
Essa distância que nos aproxima, num brilho de erogenidade,
enquanto olhamos para o nada disso tudo,
pois o tempo do amor nos atos não se conta em ábacos.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Inquietude ( O analfabeto poético)



                 Fotografia: Artéria paulistana- Gal Oppido



Vivo do absurdo que sou.
Respiro o alívio da desilusão.
A cada ausência lúdica me refaço,
no abraço da sabedoria dos cansaços,
olhando com o olhar inteiro a amplidão.

Nela me assenhoro dos meus passos.
Vou no enlace frouxo da razão.
Corre no meu pulso sangue brasio.
Sempre há algo em mim que principio.
No peito trago nua essa paixão.

O tempo de lonjuras e mormaços
discorre nesse misto o seu condão.
Na solidão dos homens me repasto.
Por hombridade faço a solução,
a ter que prosseguir passo por passo.

Vivo de existir no que conquisto,
sem ter o passaporte das certezas.
Nem garantias trago nos meus vícios.
Minha alegria é carta sobre a mesa,
dos sorrisos da contradição.

Um dia no outro dia me completa.
Entre os dois a noite me abandona.
O ciclo da vida não é rota certa.
O inesperado sempre vem à tona,
contrariando o solo dos anacoretas.

Sobre os contornos da indiferença,
às vezes quase morto vou à lona.
Abatido por um olhar destro e esteta.
Amasso o barro impuro da existência,
com as minhas mãos, assim ela desperta.

Pouco a pouco, delirante e férrea.
Como uma festa itinerante de querências,
marcada por suas próprias consequências
a questionar-me telúrica e etérea.
Mantendo a esperança irrequieta.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Onde o poeta não é poesia.(O analfabeto poético)

                                       Fotografia: Cláudio Edinger

Onde o poeta não é poesia,
é onde não há solidariedade.
Aonde o reino inútil da ironia,
toma lugar da humanidade.
Não há nobreza na monarquia,
mas pequeneza de sua parte.
Não há fascínio na omissão,
só a solidão da adversidade.
Quando um homem pede a mão,
demonstra precisão, necessidade.
Pobre é o espírito de quem diz não,
cercado de imbecis na realidade.
Custos maiores puxam o cão,
que irá abater essa inutilidade.
Homem não se faz por herdade,
herança pobre ou pusilânime.
Negar socorro é mais que maldade,
é fraqueza, é fragilidade, e vexame.
A fotografia que fica, é de um nada.
Justa é a causa de que se reclame.
Cegar um poeta com uma pedrada,
diante de fúteis espectadores,
é ser da poesia a idiotice ladra.
Os que não enxergam as suas cores,
dos seus sentidos não são senhores,
jamais souberam os seus valores.
A esses restaram as barras da lei,
na qual se apure responsabilidades.
Aqui nesses versos finalizarei,
repudiando aos falsos poetas e aos covardes.

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domingo, 1 de agosto de 2010

.Com (O analfabeto poético)

Fotografia- Falas à boca pequena- José M. G. Pereira


O instrumento da palavra
a mim comove.
A palavra afinada
em qualquer tom.
A expressão do pensamento
se harmoniza no que fala.
Transmite ao plural humano 
o que é humano.
Na linguagem nos aproxima
e nos espalha.
No silêncio do rastilho fogo e palha, a palavra falada deixa som.
No seu canto tem imagens muito claras,
mesmo quando não diz algo de bom.
Proferida das mais  bocas sem amarras,
a palavra é membro físico incorpóreo.
No direito adquirido é história.
Quem a perde sofre em vida o purgatório.
No aprimorado isolamento ponto com,
vai alugando o coletivo dessa glória.
Muito embora isso pareça um contrassenso,
a palavra em teia é viva e unificada,
na tecnologia de um magico imenso,
afasta os corpos no erigir da madrugada.
Quanta gente agora vive ocupada.
Nessa tela que se arrosta como lenço.
Passa o tempo em ausência acompanhada,
sem que possam se dizer tudo que pensam.
Nesse imenso pé de ouvido estão linkadas,
onde a palavra é um teclado em movimento.

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sábado, 31 de julho de 2010

Clivagem (O analfabeto Poético)

Delírio-Mai under
Ah criatura !
A polissemia
é uma doença dos poetas.
E não tem cura.

Deve ser tratada
com doses ininterrúptas
de imaginação,
bem miscigenada.

No desvario
o poeta lambe a fenda
da linguagem,
até o delírio.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Acaso da vida (O analfabeto Poético)

Fotografias: Meu olhar diz tudo & Trago as marcas da vida no rosto                       M. Luísa       

A vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
Substância subjetiva, alienável e passível de precariedade.
O que a vida tem é pulsão de continuidade,  realejo de fertilidade nessa continuação.
Seja ela divindade ou acaso cósmico, não tem conceito ou sequer propriedade.
Ela é ela própria, vista toda ou parte, por pedaço, ou por metade.
Quem tem vida, nasce e vive com a simples realidade da água que corre, do ar da respiração. Parte é repartição da biodiversidade, parte é sua destruição.
Se tem pão, roupa, casa, saber, cultura, saciedade ou razão,
isso já é do campo da sobrevivência. Isso é ecologia social.
A vida surge pelo desejo, uma outra escala cromática musical.
Na acidental divisão da natalidade, vida é conspiração da natureza.
Aos que dela pedem é dada a indignação falada. Nessa ordem há a horda dos deserdados de acumulação, são os sem nada.
Miseráveis estão ausentes da sua fartura na distribuição.
Lotados nos albergues das calçadas, ou nas anestesias da virtualidade da televisão.
Mas isso também é uma outra questão.
A vida é de todos, e tem a felicidade dela mesma. Contida num gesto de olhar a lua,  num cheio, numa noite estrelada. Por um mínimo que se veja, ela faísca e explode, mostrando sua beleza plena. Grandiosa e singela, é  assim no resultado da sua inteireza.
Vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
A vida se vale é da sua própria grandeza.

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sábado, 24 de julho de 2010

Bom dia ( O analfabeto poético)

Foto: Avançar na vida- Fidalgo pedrosa

Quando saír de casa mulher,
ponha a felicidade em sua necessaire.
E usa também par de brincos,
que sejam dois pingos de luz.
Para os lábios pinte sorrisos,
se puder bem mais que cinco.
Pois o dia será longo,
carregado de azuis.

Nos olhos tenha um jeito
de desejo feminino.
Ao andar faça gracejos
de praia com sol a pino.
Se o dia for cansativo,
de estourar bueiro da Light,
pensamentos positivos.
Na escolha ? diga  alright !

Caminhando faça passos lentos,
não deixa de olhar os lados.
Para não perder  o tempo
de achar um namorado.
É quando a tardinha chegar
com jeito de tai  chi chuan,
Dos bolsos tire pecados
para comer com maçã.

Com o abraço doce da noite
Saque o diabo do corpo,
junto com as peças íntimas.
Para isso deve a  um coito
dedicar suas estimas.
Depois, mas só depois, já serena.
Com a alma e o corpo em rima,
fecha o olhos e dorme,
o sono de uma menina.

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

caos ( O analfabeto poético)


Foto: Estética do caus- Bernardo costa
Minha estética é a do caos
Mistério é minha chama
A alegria de um Carnaval
Desfilo às vezes na cama

Se amo é amor de muito
Desolo quem não me quer
Com o mundo tenho assunto
maior é meu canto de fé

Meu canto é canto profundo
Feito de raiz no chão
Quem esta comigo esta junto
Quem não está é vazão

Os sábios são quase poucos
Silêncio rouco é palavra.
Tenho-a tatuada no corpo
Como rosto da estrada

Trago no delta do rio
Caminho de mar sem retorno
O mar tem o sal dos navios
E o mundo tem seus contornos

Meu verso quando te cala
Vias de fato ou canção
É  coração de aba larga
Apara de desilusão

Do caos puro se projeta
Refazendo o conjunto
Na vida de visão reta
Poesia e curva de fundo.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ménage a trair ( O analfabeto poético)

fotografia de atomareaufruestung


Sabe quando uma mulher se aproxima de um poeta e se abre?
O  poeta, esse tolo de idéias fora do lugar, acha que é para o homem.
Os heterónimos das pessoas às vezes têm outros planos, e neles se escondem.
E o que acontece?
É um engano!
Um engano de hormônios, um erro dos demónios mais sacanas.
Do que ela gostou ? Foi da poesia !
Então recorre naturalmente ao poeta, na sua jugular interna humana.
Atinge assim o sangue quente do homem, sem deseja-lo no ato.

Ela então diz alguma coisa sobre ser amiga, quando de fato sequer se conhecem.
Mas isso acontece.
A fêmea foi atraída pela  carne quente da poesia, pela sua trama muscular subjetiva.
O homem então é só um cavalo dessa entidade afetiva, que passa a ser  agora o guia.
Em seguida acontece com o afeto masculino uma azia de quem comeu torresmo e não podia.

Pronto!
Mais uma vez o poema traiu o poeta que traiu o homem.
O poema quase venceu o homem, como criatura subjulgando o criador.
como se nessa interface ele, o criador, se sentisse corneado consigo mesmo.
Num Ménage a trair, onde no final, ninguém ficou com ninguém dentro de sí.
Ou quase é isto, quando cada um sai consigo mesmo e algum saldo de poesia.
Para que se entenda, que ser poeta não é sempre o ocasional de pura alegria.
E a moral dessa história?
É que a desatenção em literatura pode fazer chifres em cabeças de cavalos.
Portanto caros poetas:
_ Cuidado.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Silvana (Prelúdio literário Bachiano para piano e poeta)


Piano e Mandola-1909/10- George Braques
                               

Aquela voz sussurrante
aderiu aos meus ouvidos,
como a ouvi-la ao distante,
ainda a ouço nos sentidos.

Aqueles dedos andantes
dos teclados destemidos,
harmonizaram acordes,
num canto meu escondido.

Agora resta um soneto,
com solo em sopro weril,
balançando meu coreto.

Só não olhou quem não viu.
Verso viril inquieto,
feito para você Sil.

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