Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRECONCEITO(o trago da seda)

A cara- 1975-Cildo Meireles


QUANTO CUSTA O PRECONCEITO,  A QUEM O SOFRE EM SIGILO.
É UMA QUESTÃO QUE CABE AQUI SEM RESERVAS REFLETIR.
OLHANDO OS OLHOS DE OUTROS, SENTINDO NOJO DE ZUMBI,
QUANTO CUSTA O PRECONCEITO DENTRO DE ISTO OU DAQUILO.

VIVER PENSANDO UM SO JEITO       É DEFEITO INTERATIVO,
AO SABER ANTES DO LEITO         SEM SE DEITAR PRA DORMIR.
QUEM PRATICA O PRECONCEITO     É SEMPRE ESCRAVO DE SI,
TRAZENDO EM MENTE PRECEITOS DE PRÉ-PENSAR EM ARQUIVOS.


VER UM ADÓNIS PERFEITO               É ENGOLIR SEM CUSPIR.
SEMPRE SE QUER POR CORRETO,   SEM DUVIDAR, DE OUVIDO,
FALSA IDEIA DE UM TODO QUANDO  É PARTE, É DIVIDIDO,
TRAZENDO NO FALSO BEIJO, UM MOLDE SEMPRE A EXIBIR

A VIDA MOSTRA AO VIVER               O PRECONCEITUAL ABISMO,
A OLHOS NUS FAZ SENTIDO, EXCESSO INDIVIDUAL.
NÃO É OPÇÃO DE GOSTO,              NEM PERSONALIDADE REAL.
A INTOLERÂNCIA SEM GOZO           É CEREBRAL PRIAPRISMO.
.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Iansã é quarta feira(perna bamba é do samba)

Iansã-2004-Daniela Amaral

Sou um poeta de verve ordinária,
lançando a você um desafio.
Sou chuva, sou poça, sou lago, sou rio,
sou mar procurando a sua fúria.
Mas não consegui um comentário
sequer, em nenhum momento.
Ou meu verso é Paraguaio,
ou Oyá não quer os ventos.

Ode Wawá tem a fartura
de rimas nos seus intentos,
Iyá-Ory tem encantamentos,
nesse amante da arte mais pura.
Caçador do axé in natura,
nos compassos da escritura,
da criação do firmamento.

Dizem que Iansã tem uma espada,
aprendeu a usar com Ogum.
Nos reinos por mais de um,
dos orixás foi amada.
Mas agora está cansada,
num desafio de nada,
a divina se esquivou.

Sinta-se pois desafiada,
a responder com palavras,
que sei estarem guardadas
num verso dentro da flor.

domingo, 9 de agosto de 2009

Email a um Jovem Poeta(o trago da seda)


O poeta e o anjo-1938-Mário eloy Pereira


Poeta não é quem escreve versos , seja poeta!
Seja sempre , e não quando convém apenas.
Seja-o na vida mais que na escrita correta,
seja-o em todas as palavras ditas, dispertas
seja-o por princípio, por meta.
Tenha poesia de pleno, na pele e alem;
Tísica é a moradia dos que vivem sem.
Hoje ser poeta é vencer covardia,
cantar a melodia que toda alma tem,
nisso pouco importa a caligrafia.
Há que ter cadência com o amor de alguém,
porque sem amor a rima é fria,
é como diria, um verso a ninguém.
Como noite insone no raiar do dia,
a tristeza e a alegria são versos também.
Pode conter versos assunto qualquer,
desde que o seja para todos os outros.
O gozo do sexo de homem e mulher,
ou mesmo o tanto sadio dos loucos.
Um verso é um verso, mesmo se sem pé,
tem o que dizer com o resto do corpo.
Da vida mesmo o poema é oriundo,
portanto, viva-o inteiro e firmemente.
Não guarde o poeta nem por um segundo,
por mais que isso assuste, deixe-o ir em frente.
Ser poeta não é fazer versos, é visão de mundo,
no olhar dentro dele para ver o que contem.
Esse olhar tem que ser simples, grávido, fecundo,
pois de resto, é desse olhar que o poema advém.

sábado, 8 de agosto de 2009

O jardineiro(o trago da seda)


Vaso com Flores-1986-Enrico-Bianco

Quem sabe o que há por dentro das flores ?
Quem é que a sorte o permitiu dizer ?

Alem do perfume quais são os sabores?
Quais são os calores que vão ali ter?

Bem mais que pefume esse publico ente,
as flores têm história de riso ou de dor.

Dentro delas guardados estão simplesmente,
o conjunto de tudo que se vive no amor.

As flores de dentro são as que importam,
pois têm nelas a soma que a vida editou.

sendo a vida o adubo a semente e colheita,
faz uma silhueta marcante na flor.

E o perfume não é mesmo adstringente,
deixa no ar o aroma de quem a plantou.

As flores de dentro te mostram para agente.
A poetisa com versos descreve-se em valor.

Descerra o peito apaixonadamente,
nas folhas de papel que o poeta inalou.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Honoris causa(o trago da seda)

Livre o congresso nacional....
Clube do sonegador, traficante mas legal.
A meio pau deputados de valor.
E o general de pijamas nos legou, pelos jornais, a nova fralde social; assim vai mal !

O viaduto hoje é teto meu amor, por onde roncam barrigas e importados do Japão.
Num povo louco a vida insiste em passar por,
trincados dentes indigentes sempre a lamber sabão.

Novo bandido assessora o delegado, trazendo ao lado a puta loura ao celular. Então sem fome um presunto é desovado, decidido, empacotado e sem idade pra votar. 

Enquanto isso amantes da corrupção, bloco do sujo mais famoso a desfilar, laraiá.......
vende respostas pra toda licitação, e bebe uísque parodiando Calabar.

Meio sem graça o sambista descontente afiando a sua língua, apaixonado faz sangrar,
um novo samba pra essa comissão de frente, comissão grémio central do rufião parlamentar.

Traz em destaque as esposas infiéis, Numa alegoria à vistas jogam lama no altar,
escancaradas vêm cheirando uns papeis, elas são as caridosas da união LBA.

Eu digo: Livrem o congresso nacional........


Tem as meninas que amam por contrato, de fino trato levam um senador ao céu.
Comprometidos com esse estranho sindicato, Vão parar lá na Suíça pra passar lua de mel.


Enquanto isso, assim bem discretamente, lá no silêncio das estrações minerais, Carajas.......
O ouro pouco a pouco vira anel de outra gente, e a vida passa em estuprados matagais.


Os juizados, homens de melhores causas, sem querer ficam sem calças e sem ter o que falar,
posto que a lei usa um bustiê sem alças, desvendando em suas coxas tatuagem tão vulgar.


Pra completar tem a ala dos lobistas, extensa lista de tão surdas percussões, trazem nas mãos informações e economistas, crupiê existencialista em maculadas tranzações.


E nesse enredo tão cruel de disparates, o povo canta em união de epidemias, Malariá......
Sem ter educação e sem saúde que os trate, sobrevivem ao Carnaval do dia a dia.


Eu digo: Livrem o congresso nacional........

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os riscos de amar- I(o trago da seda)

Chalupa de duas velas navegando-1987-Castagneto
Amar é coisa ariscada,
achar o amor é uma sorte,
antes da curva da morte,
mante-lo é outra parada.

O perigo é a entrega,
O risco é a desilusão,
A confiança é a mão,
com a qual o outro te leva.

Mas se é cristal e se quebra,
faltando compreensão,
requer cuidado e atenção
para não cair em tinebra.

O barco do amor navega
nas ondas altas do mar
mas traz nas velas do olhar
a luz que ao farol enxerga.

Seu leme é pra quem se atreve,
a nesse mar achar rumo.
Desafio é o seu prumo,
e a sua ilusão é bem breve.

Os que nesse barco estão,
sabem qual o ponto preciso
da longitude de um sorriso,
na latitude da união.

domingo, 26 de julho de 2009

Manhã(o trago da seda)

Mulher na janela -2000-Cícero Dias


Tinha manha e sabor a ingenuidade do dia,
O amanhecer se debruçou leve na janela.
Em sua pele clara e virgem havia poesia

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Solidão(o trago da seda)

Solidão-1983-Jorge Guinle


A hora da solidão não se conta no tempo,
porque é solitária a hora que não passa.
E sendo tempo e solitude, não vai embora
nessa ausência presente; Vira devassa.

quem a mesma solidão em si ressente,
tem no peito os nós e a dor dessa fumaça.
Como um absurdo gole de aguardente,
queimando a voz e calando assim a graça.

Ah! solidão, senhora impura e indecente,
que vive nua envolta em carapaça.
Traz no barulho surdo da serpente,
o soar distante que a saudade laça.

pode-se estar só em volta a muita gente,
a solidão pode existir em coletiva escala.
A falta está é nessa hora inclemente,
em que te espero e o celular se cala.

Ao desespero, inerte como indigente,
descontente espero a sua chegada.
Entre o caminho, seu atraso e minha lente,
vejo muitos passos para pouca estrada.

Sera que falta de mim já não sente?
Ou na lembrança sou eu coisa ignara.
A sua falta em mim completamente,
deixa em silencio a paz que me roubara.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Menestrel menstrual(a puta me encantou)

Mulher deitada-1966- Di Cavalcanti

A mulher deitada ao meu lado chorava dores, seu corpo cheirava ao todo os sofrimentos seus.
Eram tantos sofrimentos de femininas cores, tive vontade de desvenda-los como um Deus.
Mas sendo apenas um homem de feição mortal, só pude abraça-la forte e aquecer-lhe o ventre.
A minha vontade mesmo era invadir-lhe o trauma com minhas armas de sorriso. Assim portando a espada de butilbrometo de escopolamina, cometi uma fatal atitude assassina, passional e apaixonada.
Matei a sangue frio suas tristezas físicas, e resgatei a felicidade sequestrada, devolvendo-a em tranquila paz para o conforto de minha namorada.
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domingo, 19 de julho de 2009

Rodriguiano(a puta me encantou)

Clown-1999- Bernard Buffet

Sou um clown rodriguiano,
pois a vida é como ela é.
As vezes choro um engano,
outras o bebo num café.

Quando a paixão me abandona,
percalços de desilusão.
Meu peito é que vai à lona.
Sozinho levanto do chão.

Trago no calor humano,
malabares quando em pé.
Meu calcanhar é mundano,
virgem em cada mulher.

Cujo corpo nú profano,
para saber quem ela é.
Se a encontro dentro eu a amo,
se não a encontro, dou ré.

So Por amor me equilibro.
Calibro meu caminhar
de acordo com o carinho,
da cama que me acordar

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O poema que não quero(o trago da seda)

Guataia-1986-Ascânio MMM

Fiz um pequeno verso que não ficou bom, depois de pronto sobraram sem uso muitas palavras.
Não sei o que fazer com elas, só sei que não foram ditas. Não sei o que fazer também sem elas, fora são aflitas.
Seriam essas palavras as mais importantes, e não foram ditas. Ficaram no ocaso da coragem.
Tantas palavras ficam nos sustos da vida, nos gritos engolidos, nos desejos comovidos, quantas dessas palavras estarão no rescaldo dos amores removidos, quanto delas grudarão nas paredes caídas da despedida, nos escombros de fim da paixão.
Quantos nós guardados, quando o pensamento esta elidente à voz e a fala é só segredo sem pele.
As palavras não ditas fazem a inércia da língua mas ficam edificadas no rosto, no olhar, num gesto, na postura corporal, não desistem porque estão mudas, elas ficam , e ficam, e ficam , não vão embora, no olfato elas resistem aos muros da timidez evidente.
São intimas como o amor nos corpos, mas não foram ditas, recusam a despir-se na boca, mas dançam completamente nuas na solidão.
Fizeram-se mistério quando mais eu as queria abertas e transparentes, escolheram o sigilo por significado, palavras ocultas em suas próprias dúvidas, a se entender porque.
Quem sabe o que elas diriam se faladas? Extraídas do silêncio, arrancadas. Se gesticulassem livres, se viessem, se voassem, se vaiassem, se vivessem às claras, as palavras são a alma da língua e a tessitura da sabedoria.
Que significado teriam no fato, que afeto não desvendado, quais seus segredos, que misteriosa face de vergonha guardam no véu do acanhamento.
Porque tímidas se afastam do meu verso quando delas eu mais urgente preciso agora.
Elas sim são as de maior importância, pois guardadas calam a poesia.
Mudando sua fisionomia, escondem outro poema em interdito e sombra, que some privado de expressividade.
Qualquer verso sem elas é elisão, é impropriedade, é vazio, não é nada.
Serão elas as que dizem quietas todos os gritos, todos os afagos, toda a compreensão, sendo assim são muito mais que simples palavras, são atos não verbalizados.
Fazer um poema sem elas não faz sentido, fazer um poema sem elas o torna desprovido de razão, é vicissitude.
Sempre haverá nele um pensamento escondido, intimidado na atitude, na ausência dos restos de expressão do que não foi dito, pedaço quebrado de sentimento. Essa sentença, essa prisão, poema assim trancado eu não quero não.

terça-feira, 7 de julho de 2009

É assim que é - II(A puta me encantou)

Café da Manhã-2008-Bia Arujo

Eu que tenho vivido esse amor de subsistência, frágil.
Deixo aqui sua denúncia, no que dele é uma coisa vã,
tão vã como qualquer relação de afeto pouco ágil.
trepar não vale a pena se não resiste ao café da manhã.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sem planos(perna bamba é do samba)

Fotografia:Paulo Costa

Sigo com passos de pedra,
sigo compassos de samba.
Madureira em mim emana,
comigo vem a Portela.

Minha poesia é discreta,
Carioca e suburbana.
Mulata que a mim profana,
tornando a carne concreta.

Também ela fica em brasas,
minha poesia é de cama.
A mim ela me devassa,
transpassa com sua chama.

Quando a musa é a massa,
minha poesia é fulana.
Assim ela vem e me abraça,
com suas pernas de dama.

No ar a poesia tem asas,
voa, ferve, fere e plana.
Suada quando é amada,
tem corpo sujo de lama.

Minha poesia tem norte,
tem palavra que esfola,
deixa em mim tantos cortes,
sempre que tento ir embora.

Ela é a mesma cigana,
Quizomba de minha sorte.
Retoma em mim sua trama,
sem ela há risco de morte.

Assusta a minha poesia,
delira, derrama, expele.
Quem um pouco dela bebe,
pode sofrer de alegria.

Clamando é outra a poesia:
"Ela há de ser um sol tão novo,
como a gema de um ovo,
dentro da clara do dia."

Martelo por seu destino,
poema, porre, porrete.
Garganta d'agua na sede,
nela sou homem e menino.

Então sobrevivo dela,
sem ela nem vou prás ruas.
Segredos meus á desvenda,
meus versos são pele nua.

Estão nos rastros que deixo,
tatuados nos enganos,
por caminhar com desleixo,
os faço versos sem planos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Outro( o trago da seda)

"Bandeirinhas estruturadas com mastros”-dec. de 70-Alfredo Volpi




Gosto de conversar com estranhos,
pessoas conhecidas a poucas horas.
É um momento perfeito para ouvir.
De bom nisso, está a imparcialidade;
Parte do pensamento humano rara.
Gosto de ouvir frases ditas de forma
que pareçam soltas, mas não estão.
As ideias alheias, a mim contribuem,
é um momento rápido, é fugaz.
Tenho que absorver o dito, assim,
como se inspirando o ar novo.
O desconhecido é livre, mesmo quando
não é leve, é descompromissado.
Guardo às vezes uma frase,
uma virgula qualquer.
Um detalhe.
Uma pequena ideia vinda do casual,
pode ser uma onda em mim, que se agiganta, e eu cresço.
Uma intonação diferente, outra versão.
Como se fazendo em mim outra respiração.
È assim que em alguns momentos saboreio
um pouco mais de eu mesmo, em outra opinião.
.

Leminsk(a puta me encantou)

Os amantes do Leminsk
cantam-no três vezes à loa.
Bebem-no como whiske,
Goles em gelo nas ruas.

Vou(a puta me encantou)

Jorge Vieira (1922-1998) Sem título, 1947

Há no meu peito um templo em fúrias,
deixo-as guardadas com as certezas.
talvez porque tenho as vergonhas,
talvez porque ao virar a mesa
desse amor sobra enfadonha,
tenha notado nele: Só tristezas.

Agora é noite e chove muito,
vou porque não amo com riqueza.
Desse amor falta-me assunto.
Saio pela porta e levo junto,
na escuridão da vela acesa,
o que dele mesmo hora defunto,
tenha ficado: Só tristezas.

Não tendo paz na minha vida,
vou caminhar na noite escura.
Levando a carne e as feridas,
em solidão buscarei cura.
Na morte desse amor havida,
cambaleante em correnteza,
dessa união mal sucedida,
tenha sobrado: Só tristezas.

Fim de amor é vida inglória
acaba aqui essa centúria
decreto o fim da nossa história
Há no meu peito um templo em fúria.

domingo, 28 de junho de 2009

Contradição(a puta me encantou)


Incomodandodrumond- s/d- sem autor

Sei não!!!
Estou brigando comigo,
todo enfiado em solidão.
Há algo errado, eu me digo,
ando caindo no chão.
Parece que busco um pecado,
para obter um perdão.
Num coração complicado
Isso é contradição,
Sei não!!!
.

Poema chinfrim(a puta me encantou)

Sem título-1963-Pablo Picasso

Todo inicio do fim
é do outro lado começo.
Paixão é pedra no rim,
amor é algo diverso.

Ela não esta em mim
e eu não estou no seu verso.
Pólvora fogo em estopim,
finda a ilusão nesse resto.

Então ficamos assim,
num samba de manifesto.
E o couro de um tamburim,
apanha como protesto.

Vai num poema chinfrim,
é o que lhe cabe por certo.
Explode coisa ruim,
que eu vou no caminho inverso.

amizade(a puta me encantou)

Auto-retrato-1972-P. Picasso


Plantei amizade com a vida, seu fruto tem gosto e tesão.
um pedaço cura as feridas, outro as farpas da ilusão.

Seu vinho bom é de Baco, bebido no ato com pão.
Sou único desse retrato, não tenho reprodução.

Olha que o mar tem um fato, em cada arrebentação.
Hoje nos somos hiato, aonde ontem fomos paixão.

Abri a janela em açoite, entrei pela porta humorada.
Na fenda solar de um corte, vibrei sua gargalhada.

Colhi da boa alegria, a muito encabulada.
Por uma paixão ventania, que deixa a paz dominada.

Fui homem de fino trato, sem patente e sem perdão.
Quem fica bem ao meu lado, aprende a cair no chão.

Beijar a boca da noite, deixando a manhã bem molhada,
enquanto ouve pandeiros, amando de madrugada.

Quando o sol vem pelo cheiro do corpo de quem é amada,
o amanhecer é um tinteiro, pintado na noite estrelada.

Vou caminhando de leve. A minha amizade é nua.
Se vou, sei que volto em breve, para regar a que é sua.

Há um samba que me descreve quando venho, é quando passo,
sinto meu peito em neve, por falta do seu abraço.

A minha vida é de rua, a quem ela é emprestada.
Mas como as pegadas na lua, eu deixo a amizade plantada.