Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sorriso á vista ( Olhos nus)

fotografia: Janela com vista-Luiza Branco

Não me tire seu sorriso,
disse o outro poeta.
Seu sorriso é uma seta,
rumando no improviso.
Sendo assim, é um aviso,
nua atitude predileta.
É seu afeto movediço

Não me tire seu sorriso.
Essa perfumada faceta.
Nele a tristeza em sumiço,
como quem limpa a gaveta,
deixa em mim bom feitiço.
Felicidade me chega,
contendo o seu reboliço.

Não, não me tire seu sorriso,
preciso desse seu júbilo.
O amor pode ser lúdico,
leveza de um mar tão liso.
Maior dos seus preconícios,
desse sinônimo múltiplo,
de que eu tanto preciso.

Com fusão ( O olhar da carranca)

Fotografia: Pão, vinho, poesia e cor-José de AlmeidaPão, Vinho , Poesia e cor



O poema, para o menino da laje,
tem o cerol, a linha e a pipa.
O poema do balconista da lanchonete
vem no avental, e no pedaço de pizza.
O poema da faxineira
esta na casa que outro habita.
O poema do moço pedreiro
traz nas mãos as marcas da brita.
O poema da mulher amada
põe na boca perfume de brisa.
O poema da moça que passa
tem a rima bonita, bonita.
O poema do estudante, litúrgico,
no futuro da vida se aplica.
O poema para o metalúrgico
esta na peça que ele fabrica.
O poema para o porco corrupto
esconde favores, xixica.
O poema da paz entre os povos,
hoje é contemporânea  Guernica.
O poema do chope cremoso
fica la no Adonis, Benfica.
O poema se vale em si mesmo,
não é algo que a palavra explica.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Poema da panela de barro ( Beco da fome)

Fotografia: Moqueca Capixaba- Luiz Henrique

Bem que pode rolar uma salsinha.
Para perfumar um boquet manjericão.
Junto disso picar cebolas bem fininhas.
Sem chorar as tristezas da vida no fogão.
Se quiser pode pedir pimenta da vizinha.
Depois descascar um vermelho pimentão.
Peneirar três colheres, das boas, de farinha.
Reservar a cabeça, no caldo, pro pirão.

Um tomate cortado em cubinhos ou tirinhas.
Para tudo se espreme o sumo de um limão.
Tem um alho poró anelado em fatias.
Mais dois dentes de alho picados com paixão.
Cinco folhas de sálvia e alfavaca bem verdinhas.
Depois disso limpar, meio quilo, o camarão.
Também tem pimenta do reino moidinha.
O molho de tomate na manha de antemão.

Juntar à aquela salsa um maço de cebolinha.
Botar agua no fogo e ferver o caldeirão.
azeite extra de boa origem advinha.
Se a rima é pobre, no sal, é uma degustação.
Quem não tiver Namorado no dia faz Tainha.
A cerveja gelada antecipa um violão.
Deixe o samba rolar, no quintal, toda a tardinha
A felicidade encantará à barriga e ao coração.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Coisa Minéria ( O olhar da carranca)

Fotografia- Corrupto; Regys Loureiro de Macedo
Grande é o perigo e maior é o mistério.
Maior que o mistério, enorme é o castigo.
Aonde se instala o ladrão Ministério,
para sustentar essa ação entre amigos.

A coisa é grave, o assunto é sério,
porque o ladrão tem sempre um abrigo.
Sabe-se aonde está, e qual o critério.
Melhor não opinar, dizer eu não ligo.

A coisa é dos vivos, os fatos bactérios.
Propina é vulgar, é um simples delito.
Quem despe a República, descobre adultério.
Vai tudo ficar no dito por não dito.

Grande é o perigo e maior é o mistério.
Podendo pegar o que é da viúva
Maior que o mistério, enorme é o castigo.
Problema maior são as mesmas saúvas.

A se sustentar essa ação entre amigos,
ninguem vai notar suas mãos sob as luvas.
Impune, o ladrão tem sempre um abrigo,
o mistério esta na raposa das uvas.

Melhor não opinar, e dizer eu não ligo.
A verba é lugar da horta e da chuva.
Propina é vulgar, é um simples delito.
Vai tudo ficar o dito por não dito.

Superfaturar ao piaba e à manjuba.
A se sustentar essa ação entre amigos,
se não marolar a agua não turva.
Pra que reclamar, pra que fazer grito.

Melhor não opinar e dizer eu não ligo.
Problema maior são as mesmas saúvas,
propina é vulgar, é um símples delito.
Quem pode  pegar o que é da viúva.

Já não se discute tamanho absurdo.
Quem pode pegar o que é da viúva,
melhor  não falar, não ver, ficar mudo.
O mistério esta na raposa das uvas

Ninguém vai notar as mãos sob as luvas,
ao desconhecer, não se é cornudo.
O mistério está na raposa das uvas,
se o rei ficar nu nunca vai mostrar tudo.

A verba é  o lugar da horta e da chuva,
ao não se notar, não haverá furto.
Superfatura ao piaba e à manjuba,
denunciar fatos é rasgar veludo.

Se não marolar a agua não turva,
diz o popular que o governo é mamudo.
A verba é o lugar da horta e da chuva
Se o rei ficar nu nunca vai mostrar tudo.

Já não se discute tamanho absurdo.
Qual é o mistério da licitação,
melhor não falar, não ver, ficar surdo.
Lá no Ministério quem é o ladrão.

Ao desconhecer não se é cornudo.
Vencer concorrência por combinação.
Se o rei ficar nu, não vai mostrar tudo.
Se disserem sim, é que então dirão não.

Ao não se notar não haverá furto.
Propina não rima com a inflação,
denunciar fatos é rasgar veludo.
Se o bem é do público quero meu quinhão.

Diz o popular que o governo é mamudo.
As vias de fato têm mão contra mão.
Ao não se notar não haverá furto,
qual é o mistério da licitação.

Parece piada parece pilhéria,
lá no ministério quem é o ladrão.
Se é mesmo piada, parece ser velha,
vencer concorrência por combinação.

Essa é a política da moléstia venérea
se disserem sim é, que então dirão não.
A impunidade se desaconselha,
propina não rima com a inflação.

Se o bem é do público, quero meu quinhão.
Quem rouba mais faz  reconhece a matéria,
as vias dos fatos têm mão contra mão.
Como se repara coisa tão minéria?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Somos todos ( O olhar da carranca)

                                                                     Fotografia- Multidão - Artur Ferreira

Fico vazio se não resido no outro, como homem pleno e aprendiz.
Nesse trânsito busco a vida,  e dela mesma a felicidade é filha.
Colho no que está fora de mim o que me compõe e me partilha.
Contenho, pelo vivido até aqui, mais do que se aparenta ao mel verniz.
Articulando o que venho com o que recebo em troca  mútua de cartilha.

Entre o que sou, e o outro que me é útil, o fascínio e o milagre da linguagem.
Na linguagem me expresso, dividido, inteiro e múltiplo, no aqui e no agora.
O que sou é o que troco, no que de mim segue no outro e faz a história.
A linguagem interna é prisão, se o ser humano não a divide, é carceragem.
O que sou, é o que guardo desse encontro, eu o levo preso na memória.

Nada valho, se desisto dessa troca e seu afável, o poeta o disse e corrobora.
Minha cidade esta no outro,  no outro meu princípio se compõe e se inicia.
Sem a atitude de interdependência solidária a vida seria inútil e inodora.
Sem paixão, sem solução, só uma ilusão onde o indivíduo evapora.
Hoje trago meus versos como objeto aonde o inevitável comemora.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O pio da coruja ( O analfabeto poético)

Antropofagia- 1928- Tarsila do Amaral
Oswáld era os seus manifestos
atropofagicamente.
Os inteiros dos seus restos,
são contradições das sementes.
Germinam no que é moderno,
no inverso do indiferente.
Instigantes como pesto
na vanguarda da massa ao dente,
de um Pau Brasil mais honesto.
Do seu tempo um pertinente.

Cubismo, futurismo, Polinésias,
os Afros vão à Europa.
No leite de magnésia,
de novo a arte se dobra,
nos cenários das falésias,
sanatório das desovas.

Nas antropotarsilas telas,
todo indio quer apito.
Quem volta também retorna
Ao Ipiranga no grito.
A literatura, essa bela,
se banha em agua morna.
Sem fazer muito agito,
para não haver mais marola.

Enquanto come sardinha,
no amburguer da causa humana,
repondo antropoasia,
pastel e caldo de cana.
Vendida traz mais valia,
a Tropicália bacana.

A moda autopsía
aonde a pessoa urbana
mastigou sua poesia.

Modernismo é uma alegria
morena como o bombom.
O Cacau é da Bahia,
as ideias "ton sur ton".
Onde a coruja pia,
tem Marx, Freud e Breton

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Baixa ( O analfabeto poético)

Fotografia:Cristo Redentor -Paulo Camarão

Parece absurdo e até desvario,
coisa do demônio, do inferno.
Inesperado como faz frio
no centro do Rio, um gelo eterno.
Ascendam o sol pelo pavio
Preciso casaco, preciso de terno,
uma cana, caneca ou uma taça de vinho.
De costela e coberta, me alterno,
para espantar esse frio vadio.
O frio aqui não é nada moderno.
O Carioca é a ele arredio,
ninguém gosta, e eu não quero.
Qualquer lugar fica vazio.
No susto eu mesmo hiberno.
Tudo é abandono, é baldio.
Brrrr! Que frio no Rio, que inverno!

terça-feira, 12 de julho de 2011

22 é malucão ( Olhos nus)



Fotografia: Vai um biscoito ai? - Alexandre Fernandes Costa.
.
Eles faziam com as palavras aquilo que quisessem.
O mito fez assado o biscoito fino dos Andrade.
Numa lenda mastigada herdamos as benesses.
Cada cultura tem o Macunaíma que a merece.
Hoje a literatura é maçã caramelizada.
Marketing é o que a define, eco dos interesses.
Os versos para os sentidos mais parecem maçada.
A arte é desidratada nessa feira de quermesse
O forno das vaidades deixou a rosca queimada.
Dessas ideias vazias surge a poesia sem alicerce.
De resto para o sarau sobrou o nada versus nada.

Trancelim ( O olhar da carranca)

                                         Fotografia: Estátuas vivas 8 - Francisco de Oliveira

Desço eu de mim mesmo
no passo de um trancelim.
No que me desconheço,
ao meu lado, quase assim.

Vejo no silêncio, o começo,
se o poema é trampolim.
Seu destino web, a esmo,
temperado em botequim.

Palavras de sal, torresmo,
arrimam em boa ou ruim,
cobrando em sentido, o arresto.
Pedaços de mim em mim.

Um do outro me descrevo.
Eixo virabrequim,
na explosão dos apreços,
sou o rosto do arlequim.

Flutuo no chão, o tropeço,
o destro do Bandolim.
No meu corpo de Hefesto,
cruza o poema carmim.

Rimando o amor honesto
com sua pele de cetim.
Não me preocupa o resto,
pois volto a me estar no fim.
mauro-paralerpoesiabastatercalmablogspot.com

sábado, 9 de julho de 2011

Banguela ( Banguelê)

Fotografia: Fernanda Magalhães
 
Toda preguiça se inicia com não
O cinismo é só um escárnio
 Autruismo é uma retidão
A solidão é um beijo sem lábio
A vida inventa sua solução
O tempo passado é relicário
No universo a terra é um peão
Amor sem afeto é um erro primário
Quem vive sem troca não aperta mão
A farinha é pouca na boca do otário
De toda palavra o poeta é ladrão
Criando sentidos de além dicionários

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Kilamba ( Banguelê)

Fotografia: Azul mar azul - Sandra Marques

kilamba é um cego pisteiro,
sabe interpretar as sereias.
No canto do strike, o receio,
no fundo do mar tem areia.

Quem ama veleja em saveiros,
O straike é uma onda e golpeia.
O farol do amor é certeiro
Só teme amar quem se alheia

Se o medo do amor vem primeiro,
quem a ele temeu, não o tem.
Instiga à maré ao marinheiro,
mas nunca à si lança a alguém.

Kilamba, esse bom perdigueiro,
enxerga, esse cego, o além.
Sereia é canto prisioneiro,
seu canto não encanta ninguém.

Assim sem ninguém a si destro.
Ao tentar destruir o que não tem
Queimando-se em fogo aceso,
se destrói nesse Strike também

.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Natureza ( O analfabeto poético)

Fotografia: Budy& Sun- Carlos Loff Fonseca

O sal e o sol
temperam seu corpo,
tal e qual
o céu e o mel.
Nos olhos do poeta
forma-se o escopo,
sobe a Torre de Babel.
No que a descreve esse louco,
gozando bem mais que pouco,
descortina-se o seu véu.
E desse olhar de raio novo,
surge o verso, desse ovo,
numa folha de papel.
.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Fração Brasileira ( Barril Diógenes)

Fotografia: Menino Juan- G1
Pergunta lotado o Maracanã.
Vegonha maior à polícia pertence.
Onde foi parar o menino Juan?
Cruel, a real baixada Fluminense
esconde uma prática não cidadã.

Aonde estará esse pobre menino?
Porque se escondeu num outro segredo?
Por que beco anda, ou está sumido?
O silêncio esconde a violência no medo?
Ou o silêncio do medo é o medo assumido?

Enquanto não esquece a comuna Danon,
seu rosto aparece no negro mais simples.
Meninos não somem no Alto Leblon,
O preço da vida tem muitas origens.
Nos becos escuros o direito é sem som.

No beco do pobre o surdo estampido,
esconde de fato uma outra razão.
Por que estará o menino sumido?
No beco da pobreza de um cidadão.
Nesse beco a vida é um ato foragido.

Pergunta a cidade inteira unida.
Cadê o Juan, o João do Brasil?
Essa pura questão tem que ser respondida.
Quem nele atirou? com que mão? que fuzil?
Que fração brasileira fêz essa ferida?
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Fio da meada ( A puta me contou)

Fotografia: Com a mão na Massa- Inácio Silva
Madame faz compras no Carrefour.
Pastrame é salame que se come.
Casino é perder dinheiro em jogo.
O poder faz o circo pegar fogo.
Cor de rosa assim dinheiro some.
Os impostos são caros pra xuxú.

Um francês quer comprar o Pão de açúcar,
mas o outro comeu um pedaço dele.
Nessa teia de aranha, nessa rede,
Dom Diniz vem ao pote e traz a sede,
no social de um banco com esse nome,
brasileiro entrou com grana puta.

Dom Diniz que de bobo não tem nada,
Já tão rico comendo a marmelada,
essa herança, o deixou um português.
Enche a burra de Euros na jogada,
revendendo esse Pão mais uma vez.
Esse pão tão popular, já tão Francês.

Num negócio que cheira a coisa errada,
o rei pobre outra vez vai ficar nu.
Lá no caixa madame entre com o cu,
perfazendo com os fundos essa compra.
A madame disso nem se dá mais conta,
desconhece os tais fios da meada.

A visão com as nuvens é nublada,
no bondinho vai vem do pão de açúcar.
O mercado é invenção meio maluca,
com  finanças do povo empesteadas.
Dom Diniz é um homem tão batuta,
ganha o amigo e sai rindo da piada.


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Conflito ( O olhar da carranca)

 Fotografia: Light Battle- David Rochas
                                                                                                                                       
Francamente discuto com o poeta sua arte inacabada.
Com fragmentos de vida ele rebate essa desimportancia.
Se o preço do feijão não cabe nas estrofes do poema,
o poema se ilimita, na capacidade descrita nessa ânsia.
O poema não quita débitos anteriores das palavras.
O poema apenas berra, onde o silêncio do poeta o depara.
Pode até ser, que o poema escolha as palavras pouco claras.
Sua fragrância, francamente eu discuto, nessa flor inadequada.

O poema fura o ar do imaginário como a ponta de uma lança.
O poeta usa a palavra, no que dela, o diafragma é ofegante.
Um no outro se esfrega, corpo a corpo, em inafável contradança.
Ilusionista, ele aponta no espelho, o espelho do espelho.
Cuja imagem só reflete se há luz, no escuro é delirante.
Para que um haja no outro, o aviso é o impreciso da escala.
Discuto, eu com o poeta, se ele é sua palavra nesse instante;
Ou se aponta simplesmente, nesse escuro, um olhar ignorante.

O poeta é caótico, e o seu sorriso patológico é vermelho.
Sua boca diz a mim, o quanto, em mim, o seu poema é interessante.
Digo então para o poeta, aonde a ausência da palavra é seu destelho.
O poema quer passar pelo buraco da agulha, paquidérmico, gigante.
Eu discuto com o poeta, se a palavra é ele mesmo em vocábulo elegante.
Se na ponta da caneta, a ele mesmo, a palavra é um cinismo provocante.

O poeta me revida com uma rima de palavras proeminentes,
me instiga, ao me dizer que elas são feitas da união tempo e história.
Ele briga com as palavras boca a boca, olho a olho, dente a dente;
Até que elas saltem quentes, diferentes, da barriga da memória.
A poesia é mulher nessa palavra iluminada, ela é parturiente.
Quando nua, a poesia, é coisa viva, é erogenia humana, é glória.
O poema, insistente em ser poema, sai sem pena, inconsciente à trajetória.

Vão  poema e poeta, estão, bebidos de sentido e aguardente, vão embora.
O poeta e o poema se esfaqueiam numa briga em sangue quente;
Pelos pulsos do poeta, o poema, ganha vida alucinante nessa hora.
Eu discuto com o poeta se a palavra é de tamanho elefante.
O poema e o poeta se percutem um no outro em codinome.
Eles são, os dois unidos, o som de mil auto-falantes.
Já eu sei que o poema é o humano, na razão pura de Kant.
Ao poeta eu fustigo, para que ponha logo fogo no poema, e nesse fogo o detone.

Ele diz que as palavras são compostas no real, são o real com outro nome.
Assim cada uma delas tem um ciclo, nesse ciclo se consomem.
Da cultura o poema nos acena, como magma nos aquece.
Se o poeta e a poesia vivem juntos, é como a crença e a prece.
A poesia e o poeta se conduzem, em ambas partes dessa ponte.
Se atravessam no caminho com o amor de um casal que se merece.
Depois disso cada um vai pro seu lado, como a vida fosse ontem.
Mas traduzem nesse encontro, tão presente, o futuro que há no homem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para Milton Santos- "In memória" ( Olhos nus)

Fotografia: Vênus Brilhante de Luiz Argerich

A tarde chora nuvens sobre a cidade fria.
A vida de hoje não reparte conhecimentos.
O que sabemos entre o real e os fatos tantos,
há nas ideias do saudoso Milton Santos.
A geografia do  real tem passos lentos.

O real nem sempre é o que nós vemos,
espelhado nos jornais de todo dia.
A informação é nesse vão seleta guia,
a esconder na escuridão maior valia,
reproduzindo riqueza aos poucos mesmos.

Estes mesmos nos dirão o que sabemos,
o que vestir, o que falar, o que pensemos.
Na ideologia salutar da coisa feita,
pois, no pavio desse tal comportamento
a condução mais popular tanto se ajeita.

Mas sendo a vida uma resposta sem receita,
nas atitudes do porvir muda a razão.
Por mais que tenham a guisa de condução
feito a cama onde a humanidade deita,
dessa Maleita ela reinventa outra gestão.

Assim ressurge outro real regurgitante,
a desdizer o contradito outra vez.
A vida segue com os passos dos seus pés
ao se fazer de novo nova e emocionante.
Re-fabricando uma outra solução.
.

sábado, 25 de junho de 2011

Das coisas ( O analfabeto poético)

Fotografia: Uma Janela, dois exteriores; Carlos Souto

No ceu azul do inverno,
aguardo sozinho apenas
o seu sorriso interno,
sem as tristezas pequenas.
Nada mais me discerne,
ao ver no seu vago olhar
distancia quase perene,
mas que desmancha no ar.
No seu vetusto inferno
por uma casa vazia,
cerrando veu do desterro
para onde foi a alegria,
uma casa é uma coisa,
noção maior, e só fria,
não sofra, nem fique doida
por conta de sua valia.

Não se acerta sempre,
tambem nem tudo se erra.
Se o fogo da vida é quente,
o inverno esfria a terra.
A alegria da gente
quando se vive o que há,
é rente ao que se sente
com perfume de sonhar.
Não perca a noção em nada!
Também não pare, sorria!
Não pare como um imóvel
de paredes táo vazias.
A solidão que há nas coisas
sem face se irradia,
A calma não é afoita,
e o amanhã é outro dia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pétalas ( A puta me contou)

                                                                   Fotografia: Ao som da Música . Gabriela ferreira
Temer pode danificar a vida,
provocar a alma ao deserto, à solidão.
A jovem quis amar, mas nessa briga
entre os segredos, sempre disse não.
Na calma ilusória de uma virgem,
guardou-se mais no tempo á permissão,
esperando a hora certa, essa vertigem,
ardeu-lhe em brasa viva o coração.
Temendo em Do maior o sofrimento,
qual peça a provocar suor na Lira,
o amor em ato desmoronamento,
quebrou-lhe a concretude da mentira.
Então ao dar à carne melodia,
desejou o amado, assim quase tardia.
Agora com um sorriso de alegria,
pôde sofrer o gozo da paixão.
Tirando do fatal toda agonia,
deu-se o romper da vida sem perdão.
Radiante com tamanha descoberta,
resplandeceu o todo da mulher.
Passou no vão maior da porta aberta,
Podendo exercer o que quer.
Assim seguiu a própria natureza,
do desfolhar de cada geração.
Deixando às lembranças a menina,
mostrou simplicidade na beleza.
Cresceu tomando rumo e atitude
descortinada em corpo, feminina.
juntou-se ao namorado em plenitude,
dobrando a vida à próxima esquina.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tá prontinho? ( A puta me contou)

Fotografia: Seda-José Gama
Tá prontinho?
Perguntou Fernanda com olhos de malícia, tá prontinho?
Essa era a senha para a felicidade, objeto e sonho de consumo dos homens, mas nem sempre algo acessível a todos e a qualquer momento. Para ela é necessário investir, estar realmente preparado.
Diferenças de visão de mundo, concorrência entre pessoas adversas, desigualdades várias e miopias ás distâncias podem ser o ensaio sobre a cegueira humana nas suas relações.
A felicidade se dissipa com tais influências. todos a desejam, todos a buscam, todos sem exceção, perseguem no íntimo esse objetivo, mas nem todos realizam inteiros o seu fim, ficam suspensos em sí mesmos numa espécie de sublimação afetiva. De fato é preciso estar bem prontinho antes.
Fernanda sabia disso já a algum tempo, e ela sim, estava pronta para o bónus do amor naquela hora.
Havia passado por outros amores antes, havia brincado de casar na juventude, havia casado para gerar, havia gerado outros desejos passados, agora estava pronta para esse que se suponha ser o maior de todos os desejos humanos. O amor de entrega e o de fato correspondido.
Diferente de outras de suas mais variáveis formas, esse é sem dúvidas o maior de todos, posto que é troca em completude. Para esse tipo de amor é preciso viver um tempo antes, cometer erros antes, degustar solidão antes, é preciso sofrer para entende-lo, para desnudar sua ética.
Sempre é pré-requisito para quem se propõe ao amor, que a vida tenha se enveredado um pouco mais na realidade que cerca a existência.
É preciso tempo de maturação para os afetos.
A intimidade como a solidão, podem se mascarar na multidão e ibernar como forma oculta.
É preciso achar o carvão para encontrar o diamante. É preciso estar disponível para encontrar amor.
Fernanda mergulhou fundo para recuperar a própria vida, queria saber como goza-la com o coração antes de tudo.
Houvera esperimentado outras formas de amor. A cada um ao seu tempo se dera e de algum jeito valera a pena. Agora a sua hora nova chegara, com a importância que a vida dá aos que lutam por ela de verdade. A vida pela qual consigo mesma lutara de forma tamanha e obstinada, enfrentando duras provas, para saber  gozar de novo com o coração inteiro.
Se a vida cobrara à vera seu preço, então também essa lhe trouxera o endereço da felicidade, e os frutos de sua cepa.
A alegria, a solicitude, a entrega e a disposição para o outro, sem dúvida permitem que o retorno imediato venha espontâneamente. Fernanda o sabia, sabia mesmo trafegar nesse universo com a desenvoltura de uma bailarina de portar bandeira.
Conhecera-se o bastante para não temer a sua existência, não se assustava diante do mundo com as individualidades dos liberais.
Ela sim entregara-se ao amor, salvara seu coração nos segredos de amar, ao se desvendar em amplitude nesse ato.
Estava limpa, perfumada de espontaniedade e beleza. Estava nua de carinhos e dádivas, estava inteira amorosa e linda.
Apenas perguntava a ele :
_Cê tá prontinho?
.

domingo, 5 de junho de 2011

Singularidades ( A puta me contou)

Fotografia: Simetrias de José Bóia


Inspirado no conto Singularidades de uma rapariga loira de Eça de Queirós
.

Seus olhos retinham a alegria da vida.
A sua vida trilhava ilusão de integridade
contagiante; Em cuja postura adquirida
fizera-se a atitude,em largura de avenida,
onde ao seu lado quase edificou felicidade.

As noites sorvidas comuns nas taças de vinho,
eram o caminho para o amor das madrugadas.
Aonde os corpos afagaram o mais puro desalinho,
unificando-se em partes de unidade o comezinho,
pôde um engano vaticinar o gran- final, não dar em nada.

O engano é sempre um malfeitor, vetor dos desesperados.
Não sobrevive tendo algum resquício de amor ao lado.
Sendo equívoco ao afeto é deste o seu maior culpado,
sofre a priore a pior dor, a dor dos equivocados.
desintegrando-se nos braços do sujeito, o enganado.

Vão se desfazendo as imagens nas cenas mais caricatas.
O tempo é só o tempo, tudo nele há de ser o nada.
Quem tem só poeira nos olhos, não saberá ver a estrada.
Quanto maior é o tombo, menor o vão da escada.
Tem gente que perde o amigo por não entender a piada.

Quem sabe onde a vida é certa, derrapa onde ela é doida.
O ontem é tão singular, em qualquer rapariga loira.
Quem se põe enfim a chorar, terá lágrimas estoicas.
O vagão do trem é lugar onde a existência é heróica.
Toda pupila dilata onde a pílula a mais lhe doira.