Capa de disco/Design for LP cover: Chega de Mágoa/No More Sorrow, Vários/Various- Elifas Andreato
Em memória de Chico Mário
A língua da música esta lambendo meus ouvidos agora,
Isso tira cracas de dentro dos meus pensamentos.
Notas musicais organizam minha paz de dentro para fora.
Mudam os gabaritos que engenharam o indivíduo a tempos.
Quando uma música toca, em mim dilui qualquer tormento,
restaurando os tons à vida pelas claves soltas mais sonoras.
Se um instrumento toca é algo maior que brisa a vento.
Sobre as pautas dançam em harmonias, minha alma junto com o meu centro.
Um solo de guitarra grafa a fender fotos de porta retratos;
Prometendo o salto surpresa implícito no rítimo dessa nau felicidade.
Entra o conversar de cordas, couros, paletas e metais, tudo me invade.
Metamorfoses singram meu espírito e a calma é o tento.
Até que esse velho marinheiro de cais, cidadão de corpo hiato,
voe emoções chorando um improviso Sebastian Bach de alarde.
Como um pássaro de sons impregnado desses instrumentos.
Tudo então se alinha ao salto, à solução fina do sax Pixinguinha.
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Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Crooner (O analfabeto poético)
A voz do Milton
é trompete de Miles.
Parece um rio
de sonoridade.
O trompete
Miles na voz
do Milton,
enche o vazio,
dá felicidade.
O Milton Miles.
O Miles Milton.
Mil tons.
Mil Davis.
Mil dádivas.
O improviso é o sopro
Para quem quer se soltar........
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Entrando de sola ( O analfabeto poético)
O que empenho para viver
é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória
Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas
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é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória
Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Do amor (imails da Jô)
Imail enviado por Jô a escrava do amor
O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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domingo, 5 de setembro de 2010
Affair ( O analfabeto poético)
Desejei seu beijo em vão,
pois ele era fumaça.
Fiquei no caminho do não,
sei bem o que nos afasta.
Francisco diz na canção,
um poeta quando passa,
sabe ver na escuridão. -
Mais uma cena se embaça,
mais uma desilusão.
Feliz não sou quem lhe faça,
vou guardar meu coração.
Mas esse olhar de vidraça, Dos seus olhos já sem graça,
vai ficar sem solução.
Se a vontade por pirraça,
formar brasa em seu colchão,
se o dia for o da caça,
se lhe faltar com a paixão,
não se envergonhe em ameaça,
utilize os dedos da mão.
Pode vir prazer aguaça-
até escorrer pelo chão.
Mas esse medo que afasta, vai te morder como um cão
Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão,
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão,
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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sábado, 4 de setembro de 2010
Hapa Nui ( O analfabeto poético)
Foto: Moia em tongariki- Revista época, Haroldo Castro
Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.
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Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Manhã dos homens (O analfabeto poético)
Ao primeiro sinal de partida sonorizado, a realidade é urgente.
A manhã dos homens surge como uma lâmina iluminada.
Há que correr atrás do tempo reproduzindo de novo suas pegadas.
Na urbe os cidadãos procuram em jogo, suas cadeiras numeradas.
Atrofiam a vida pela global fábula dos emergentes, desastrada.
Ao segundo sinal, senhores, religuem seus celulares.
Mastiguem o pão nas commodities do balcão à frente.
Preparem seus diafragmas de mergulho, prendam os gases,
para que as surpresas da pressa se acumulem, travem os dentes.
Diante da possibilidade do que é fútil pareçam inteligentes e populares.
Anonímem-se em avatares, aos reclames
enquanto uma floresta em chamas será queimada,
na multiplicidade ignorante de um povo.
Amarrem-se ao cais salarial com seus cordames
Em hipóteses ou Iphones, não respirem ar novo.
Se for povo, leia antes o manual de instrução.
Socorram-se nos bares.
sendo tolos, fiquem quietos, é o mais conveniente, não reclamem.
Mantenham-se rígidos nos plexos solares.
Não cedam de si nada, nem por um minuto.
Sob nenhuma possibilidade dêem-se ao outro,
essa entrega seria um vexame de atos vulgares, e até libidinosos.
Paguem o dízimo à receita federal, evitem incômodos perigosos.
Ao terceiro sinal.......
Êpa!!
Um ipê sorriu de cor,
em abusado azul turquesa.
Chamou para si a natureza do dia,
essa cena não estava combinada.
Iluminou toda a calçada.
Consumo presumido de delicadeza?
Quem diria!
Uma criança corre escrachando-se em beleza animada.
Vai aprender necessidades na escola dos homens.
Resiste a praia, mesmo que magoada de ecologia.
Nas suas línguas negras ensaiadas, está vazia de areia e de ontem.
Cedo demais para as utopias físicas do mar em sua alegria.
A moça bonita negou-se ao namorado à noite,
agora nervosa passa perdida, em lamento.
Há um qualquer de tristeza em seus olhos,
parecem que choram para dentro
um restinho de amor ou de ressentimento.
Agora ela vai correndo apressada
em seu terninho arrependido de advogada,
pedir hábeas corpus ao juizado da vênia.
Não fala da noite passada. Não coitada!
O amor é assim,
faz silêncio ao fim,
nas paredes de um beijo.
Êpa!!!!
Desejo não se discute, evitem a poesia de cada um,
em situações limite ceguem os olhos do poeta,
mesmo que eles saibam ver na escuridão.
Guardem bem suas emoções, aguardem o lançamento.
Nas páginas octogenárias, em alguma parte alguma.
Pois um dinossauro de metal se esfrega nas ruas.
Em seu ponto final chegou, cheio de gente na barriga de bilhete único.
Gente que vale o transporte, gente igual, gente só rosto, gente só gente.
Cadastros, grotões, pingentes.
Correm à sorte!
Corram, corram, corram todos para o dia de hoje.
Dizem que é de quem chegar primeiro.
Mas atenção sejam felizes, porque esse dia também será único.
Até o próximo sinal.....
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Olhar paisagem ( O olhar da carranca)
Fotografia: Falésias a cair, Samuel Cantingueiro
Para Carlinhos Baixista
Ficam me olhando com esse olhar de janelas.
Pessoas como eu quebram, no corpo, suas fronteiras.
Fazem-no, eles, os que não conseguem passar por elas.
Mas quem enfim não as têm?
São precipícios!
Aquém de si próprios, tangem-se nas falésias, pelas beiras.
Miram assustados o universo do tudo que não sabem.
Preservam-se do que não sabem, protegidos pelo sossego,
garantidos do que é o óbvio, é paisagem.
São as fumaças do medo.
Santas, essas pessoas calmas, distraídas nos recatos dos seus centros.
Sem correr riscos imponderáveis, por princípios.
Protegem seus rostos de vidro, contra os desconhecidos ventos.
Quem de si não sai, por um único momento, viverá apenas normal,
viverá apenas morrendo.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Relógio de sol( O analfabeto poético)
Gosto de amar pela manhã, isso me faz vagabundo.
Gosto de dormir à tarde , quando vem a preguiça dos homens.
À noite vou para as ruas beber a solidão nos versos do mundo.
Gosto de escrever na madrugada, quando o barulho do silêncio
deixa as ideias acordadas.
Não posso ver o trabalho, pois tenho
as vistas cansadas.
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Fotografia: Relógio de sol, Márcia Liliana C. de Abreu
Gosto de dormir à tarde , quando vem a preguiça dos homens.
À noite vou para as ruas beber a solidão nos versos do mundo.
Gosto de escrever na madrugada, quando o barulho do silêncio
deixa as ideias acordadas.
Não posso ver o trabalho, pois tenho
as vistas cansadas.
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Fotografia: Relógio de sol, Márcia Liliana C. de Abreu
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Casas novas
Sua poesia é a leveza limpa dos versos, lhe pertence.
A clareza escorre quente como um mergulho instante.
A natureza ferida em gotas guarda seu ciclo feminino inteligente.
Na trama exuberante onde se deita, são lençóis Maranhenses.
Ensina-me transbordando o seu primeiro gole elegante.
As muitas faces da busca formam a despedida e seu castigo.
Algo que talvez passe por você e eu nem veja.
Como o primeiro libreto de reciclar sonhos, enjaulados e ricos.
Segura no corrimão do meio urbano para realizar sonhos,
aonde a poetisa brilha na trigésima primavera de ibiscos.
Sua avenida passa, passista em movimento geóide e graça.
Nesse por do sol, que como um poema pronto nos abraça.
Ate o próximo, e o próximo, e o próximo, incessante....
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A clareza escorre quente como um mergulho instante.
A natureza ferida em gotas guarda seu ciclo feminino inteligente.
Na trama exuberante onde se deita, são lençóis Maranhenses.
Ensina-me transbordando o seu primeiro gole elegante.
As muitas faces da busca formam a despedida e seu castigo.
Algo que talvez passe por você e eu nem veja.
Como o primeiro libreto de reciclar sonhos, enjaulados e ricos.
Segura no corrimão do meio urbano para realizar sonhos,
aonde a poetisa brilha na trigésima primavera de ibiscos.
Sua avenida passa, passista em movimento geóide e graça.
Nesse por do sol, que como um poema pronto nos abraça.
Ate o próximo, e o próximo, e o próximo, incessante....
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Pois é
Uma pessoa que não comete alguma desobediência civil,
é uma pessoa indelicada com a vida!
Difícilmente será uma pessoa livre.
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é uma pessoa indelicada com a vida!
Difícilmente será uma pessoa livre.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Como Deus pais ( A puta me contou)
Poema para as mulheres normais.
Correndo na frente,
seguindo tão crentes,
desejam demais.
Os corpo latentes,
sorrisos aos dentes,
são tão comoventes,
parecem iguais.
Vozes eloquentes.
Sempre consequentes,
derramam seus ciclos menstruais.
Poema para as mulheres iguais.
Serão lenientes,
parecem parentes,
seus corpos decentes rivais.
Loucuras ausentes,
as inteligentes,
são uni presentes.
De tanto querer demais
Assim finalmente,
são naturalmente
amantes lembranças dos seus pais.
Correndo na frente,
seguindo tão crentes,
desejam demais.
Os corpo latentes,
sorrisos aos dentes,
são tão comoventes,
parecem iguais.
Vozes eloquentes.
Sempre consequentes,
derramam seus ciclos menstruais.
Poema para as mulheres iguais.
Serão lenientes,
parecem parentes,
seus corpos decentes rivais.
Loucuras ausentes,
as inteligentes,
são uni presentes.
De tanto querer demais
Assim finalmente,
são naturalmente
amantes lembranças dos seus pais.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Esse samba não tem Bis ( perna bamba é do samba)
Caricatura: Lupicínio Rodrigues- JB caricaturas
Foi você quem não me quis
Apagou-me feito um giz
Bagunçou meu coração
Seu desejo era verniz
Só palpite, era infeliz
Logo dizendo que não
Bebo um gole de cachaça
Pra ver se a vontade passa
Quase perco é a razão
Outra vem e me abraça
Mas não acho a menor graça
Remendar desilusão
Tergiverso e faço um samba
Mas minha verve de bamba
Volta pro mesmo refrão
Hoje vou voltar pra Lapa
Onde o samba não escapa
Largar-me na fundição
Vou cantar la no Semente
Mais uma mulher que mente
Caida em contradição
Outro gole e vou na raça
No suor e na pirraça
Procurar outra Paixão
Ah! E esse samba não tem bis...
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Foi você quem não me quis
Apagou-me feito um giz
Bagunçou meu coração
Seu desejo era verniz
Só palpite, era infeliz
Logo dizendo que não
Bebo um gole de cachaça
Pra ver se a vontade passa
Quase perco é a razão
Outra vem e me abraça
Mas não acho a menor graça
Remendar desilusão
Tergiverso e faço um samba
Mas minha verve de bamba
Volta pro mesmo refrão
Hoje vou voltar pra Lapa
Onde o samba não escapa
Largar-me na fundição
Vou cantar la no Semente
Mais uma mulher que mente
Caida em contradição
Outro gole e vou na raça
No suor e na pirraça
Procurar outra Paixão
Ah! E esse samba não tem bis...
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
De mãos dadas para o vazio ( O analfabeto poético)
Por um momento único nossos olhos se tocaram.
Por um segundo de calor em um lapso instigante.
De vitrinas vivas houvera o reclame rápido,
como um raio involuntário.
Enquanto nossas mãos chamaram pela união dos corpos.
Mas eles não estavam prontos.
Detiveram-se nas fronteiras da negação fria, éramos só normais.
Num labirinto de formas nos desintegramos, se tanto.
Como a um estalo de ferro, comum ao ranger dos músculos armados.
Como a uma inversão dos brios, comum à descrença dos inacabados.
Como a barragem dos rios corrompidos na energia, para validar a luz
na cidades dos sonhos dos seres de terra.
Devastamos aguas e morremos na praia.
Ah! Se não houvessem tantas regras, tantas ideias prévias,
tantas banalidades de solidão.
Ah! se houvessem só coragem e coração.
Mas houvera apenas um único segundo desvairado,
num olhar único, denunciante. O olhar de um beijo.
Por um momento de segredo infiel, fugidio e passado.
Amamos-nos, como a onda quebrada no momento do mar,
é da areia.
Porque é da areia e do mar o tempo de sal de todo e qualquer amor,
por menos ou quase.
Nós que não soubemos ser do desejo, não beberemos desse sol,
dessa coragem. Fomos fracos.
Mas nós dois, por um átimo de instante rápido qualquer,
nos amamos.
O amor vem primeiro nos pequenos atos falhos,
quando fogem sussurros no silêncio.
O amor vem bem antes na sedução, inesperado.
Amamos no que houvera de perdido e assustador,
amamos onde o amor nos saiu do controle,
antes de se esvaziar no ar.
Como dois abandonados em temor.
Ficamos desligados, estancamos no inacabado.
Mas amamos.
Nesse espaço vazio, nesse início finado, que agora é desbota.
Nessa cortina de fumaça que nos afasta, e desenlaça,
desfazemos como a uma réstia ácida
encoberta em suas cascas de medo,
como as couraças e seus segredos.
Resta agora a distância, como é longa a distância! diz o poéta!
Como é vazia!
Se não soubemos amar, amamos a dúvida.
Hoje não restamos dádiva do delírio, e talvez nunca o sintamos.
Não soubemos mais que esse couro sem pele de nossos pobres estáticos braços.
Esse será o nosso pecado replicante.
Não soubemos mais que o prévio combinado de medo,
na delicadeza dos infelizes.
Talvez já o saibamos.
Estivemos nus desse desejo encabulado dentro das nossas roupas de carne,
dentro dos preconceitos pétreos, dentro de nossas censuras.
Fomos só distantes, e de distantes ficamos pequenos.
Com nossas poucas palavras exiladas, mas condenadas à libido.
Nossa nobreza será essa, desperta de disparates entre os dedos da elegância.
Nossa pobreza será essa, nossa união será essa,
essa será nossa extravagancia
Essa distância que nos aproxima, num brilho de erogenidade,
enquanto olhamos para o nada disso tudo,
pois o tempo do amor nos atos não se conta em ábacos.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Inquietude ( O analfabeto poético)
Vivo do absurdo que sou.
Respiro o alívio da desilusão.
A cada ausência lúdica me refaço,
no abraço da sabedoria dos cansaços,
olhando com o olhar inteiro a amplidão.
Nela me assenhoro dos meus passos.
Vou no enlace frouxo da razão.
Corre no meu pulso sangue brasio.
Sempre há algo em mim que principio.
No peito trago nua essa paixão.
O tempo de lonjuras e mormaços
discorre nesse misto o seu condão.
Na solidão dos homens me repasto.
Por hombridade faço a solução,
a ter que prosseguir passo por passo.
Vivo de existir no que conquisto,
sem ter o passaporte das certezas.
Nem garantias trago nos meus vícios.
Minha alegria é carta sobre a mesa,
dos sorrisos da contradição.
Um dia no outro dia me completa.
Entre os dois a noite me abandona.
O ciclo da vida não é rota certa.
O inesperado sempre vem à tona,
contrariando o solo dos anacoretas.
Sobre os contornos da indiferença,
às vezes quase morto vou à lona.
Abatido por um olhar destro e esteta.
Amasso o barro impuro da existência,
com as minhas mãos, assim ela desperta.
Pouco a pouco, delirante e férrea.
Como uma festa itinerante de querências,
marcada por suas próprias consequências
a questionar-me telúrica e etérea.
Mantendo a esperança irrequieta.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Onde o poeta não é poesia.(O analfabeto poético)
é onde não há solidariedade.
Aonde o reino inútil da ironia,
toma lugar da humanidade.
Não há nobreza na monarquia,
mas pequeneza de sua parte.
Não há fascínio na omissão,
só a solidão da adversidade.
Quando um homem pede a mão,
demonstra precisão, necessidade.
Pobre é o espírito de quem diz não,
cercado de imbecis na realidade.
Custos maiores puxam o cão,
que irá abater essa inutilidade.
Homem não se faz por herdade,
herança pobre ou pusilânime.
Negar socorro é mais que maldade,
é fraqueza, é fragilidade, e vexame.
A fotografia que fica, é de um nada.
Justa é a causa de que se reclame.
Cegar um poeta com uma pedrada,
diante de fúteis espectadores,
é ser da poesia a idiotice ladra.
Os que não enxergam as suas cores,
dos seus sentidos não são senhores,
jamais souberam os seus valores.
A esses restaram as barras da lei,
na qual se apure responsabilidades.
Aqui nesses versos finalizarei,
repudiando aos falsos poetas e aos covardes.
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domingo, 1 de agosto de 2010
.Com (O analfabeto poético)
O instrumento da palavra
a mim comove.
A palavra afinada
em qualquer tom.
A expressão do pensamento
se harmoniza no que fala.
Transmite ao plural humano
o que é humano.
Na linguagem nos aproxima
e nos espalha.
No silêncio do rastilho fogo e palha, a palavra falada deixa som.
No seu canto tem imagens muito claras,
mesmo quando não diz algo de bom.
Proferida das mais bocas sem amarras,
a palavra é membro físico incorpóreo.
No direito adquirido é história.
Quem a perde sofre em vida o purgatório.
No aprimorado isolamento ponto com,
vai alugando o coletivo dessa glória.
Muito embora isso pareça um contrassenso,
a palavra em teia é viva e unificada,
na tecnologia de um magico imenso,
afasta os corpos no erigir da madrugada.
Quanta gente agora vive ocupada.
Nessa tela que se arrosta como lenço.
Passa o tempo em ausência acompanhada,
sem que possam se dizer tudo que pensam.
Nesse imenso pé de ouvido estão linkadas,
onde a palavra é um teclado em movimento.
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sábado, 31 de julho de 2010
Clivagem (O analfabeto Poético)
Ah criatura !
A polissemia
é uma doença dos poetas.
E não tem cura.
Deve ser tratada
com doses ininterrúptas
de imaginação,
bem miscigenada.
No desvario
o poeta lambe a fenda
da linguagem,
até o delírio.
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A polissemia
é uma doença dos poetas.
E não tem cura.
Deve ser tratada
com doses ininterrúptas
de imaginação,
bem miscigenada.
No desvario
o poeta lambe a fenda
da linguagem,
até o delírio.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Acaso da vida (O analfabeto Poético)
Fotografias: Meu olhar diz tudo & Trago as marcas da vida no rosto M. Luísa
A vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
Substância subjetiva, alienável e passível de precariedade.
O que a vida tem é pulsão de continuidade, realejo de fertilidade nessa continuação.
Seja ela divindade ou acaso cósmico, não tem conceito ou sequer propriedade.
Ela é ela própria, vista toda ou parte, por pedaço, ou por metade.
Quem tem vida, nasce e vive com a simples realidade da água que corre, do ar da respiração. Parte é repartição da biodiversidade, parte é sua destruição.
Se tem pão, roupa, casa, saber, cultura, saciedade ou razão,
isso já é do campo da sobrevivência. Isso é ecologia social.
A vida surge pelo desejo, uma outra escala cromática musical.
Na acidental divisão da natalidade, vida é conspiração da natureza.
Aos que dela pedem é dada a indignação falada. Nessa ordem há a horda dos deserdados de acumulação, são os sem nada.
Miseráveis estão ausentes da sua fartura na distribuição.
Lotados nos albergues das calçadas, ou nas anestesias da virtualidade da televisão.
Mas isso também é uma outra questão.
A vida é de todos, e tem a felicidade dela mesma. Contida num gesto de olhar a lua, num cheio, numa noite estrelada. Por um mínimo que se veja, ela faísca e explode, mostrando sua beleza plena. Grandiosa e singela, é assim no resultado da sua inteireza.
Vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
A vida se vale é da sua própria grandeza.
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A vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
Substância subjetiva, alienável e passível de precariedade.
O que a vida tem é pulsão de continuidade, realejo de fertilidade nessa continuação.
Seja ela divindade ou acaso cósmico, não tem conceito ou sequer propriedade.
Ela é ela própria, vista toda ou parte, por pedaço, ou por metade.
Quem tem vida, nasce e vive com a simples realidade da água que corre, do ar da respiração. Parte é repartição da biodiversidade, parte é sua destruição.
Se tem pão, roupa, casa, saber, cultura, saciedade ou razão,
isso já é do campo da sobrevivência. Isso é ecologia social.
A vida surge pelo desejo, uma outra escala cromática musical.
Na acidental divisão da natalidade, vida é conspiração da natureza.
Aos que dela pedem é dada a indignação falada. Nessa ordem há a horda dos deserdados de acumulação, são os sem nada.
Miseráveis estão ausentes da sua fartura na distribuição.
Lotados nos albergues das calçadas, ou nas anestesias da virtualidade da televisão.
Mas isso também é uma outra questão.
A vida é de todos, e tem a felicidade dela mesma. Contida num gesto de olhar a lua, num cheio, numa noite estrelada. Por um mínimo que se veja, ela faísca e explode, mostrando sua beleza plena. Grandiosa e singela, é assim no resultado da sua inteireza.
Vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
A vida se vale é da sua própria grandeza.
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sábado, 24 de julho de 2010
Bom dia ( O analfabeto poético)
Quando saír de casa mulher,
ponha a felicidade em sua necessaire.
E usa também par de brincos,
que sejam dois pingos de luz.
Para os lábios pinte sorrisos,
se puder bem mais que cinco.
Pois o dia será longo,
carregado de azuis.
Nos olhos tenha um jeito
de desejo feminino.
Ao andar faça gracejos
de praia com sol a pino.
Se o dia for cansativo,
de estourar bueiro da Light,
pensamentos positivos.
Na escolha ? diga alright !
Caminhando faça passos lentos,
não deixa de olhar os lados.
Para não perder o tempo
de achar um namorado.
É quando a tardinha chegar
com jeito de tai chi chuan,
Dos bolsos tire pecados
para comer com maçã.
Com o abraço doce da noite
Saque o diabo do corpo,
junto com as peças íntimas.
Para isso deve a um coito
dedicar suas estimas.
Depois, mas só depois, já serena.
Com a alma e o corpo em rima,
fecha o olhos e dorme,
o sono de uma menina.
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