Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Riscos de amar- V(a puta me encantou)

Fantoche-1964-Di Cavalcanti
A indiferença no amor é uma sentença,
condenação  silênciosa a um final.
Ocorre quando já não há mais crença,
não há mais nada que convença,
a aliança partida é só normal.

É só normal olhar olhos nos olhos,
é nada ver, no que se desconhece.
No opaco rio já nem lágrima desce
e a nudez do nada, é descomunal.
Assim a vida segue parca decadente.

Quando um e outro são só tal e qual,
nesse acordo lento tudo é sem prazer.
Como ler notícia velha no jornal.
Nada vale a pena sem acontecer.
Viver amor morto é igual morrrer.

sábado, 12 de setembro de 2009

Após(a puta me encantou)

Foto de Clarice-Carlos Sclier
Minha amiga tem saudade lispectorante,
tão familiar, clariciando sua memória.
Que a lembrança deixa sempre farta história,
estocada na memória dos amantes.

Nessas lembranças do desejo o beijo é glória,
como a língua em outra boca é fala arfante.
Recordar é um retorno do distante,
recompensa do amor de forma adórea.

Minha amiga é de lispector instantes,
ela quem diz dessa saudade que não sei.
Eu que amei de forma incostante,
meu coração de tanto errante esquartejei.

Já não trago labaredas, só queimadas.
pelas estradas do amor que caminhei .
Saudade é um perfume de floradas,
eu a tenho por quem ainda não amei.

Essa lembrança, de clarices tão brejeiras,
na elegância da poesia de Queiroz,
é Diadorim, Diadorim, mulher primeira,
saudade é cheiro de um poema em sua vóz.

Sem falar no Manuel mais pantaneiro,
com Coralina, formam juntos seus avós.
Agora, bem aqui no Rio de janeiro,
sua saudade é um radiante após.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quando o amor foge(a puta me encantou)

“Madalena Penitente"-1996-Barahona Possollo

Quem faz do amor um negócio,
esquece bastante o seu prazer.
Perde o melhor do seu ócio,
retem o que é de conceder.

Assim sai correndo do fato
do amor ser amor pra valer,
Foge com o peito assustado,
isso te faz detraquè.

Se seu carinho tem mercado,
sei, dele até da pra se ver.
Mais sei, não esta acostumado
a ter um canto só para você.

Seu peito está equivocado,
ele tem medo de sofrer.
Prefere ficar desocupado,
ele  te põe pra correr.
.

domingo, 30 de agosto de 2009

On the road(a puta me encantou)

Soleil sur paysage bleu-1969-Antônio Bandeira


O sol rasgou todas as nuvens sobre mim.
A minha pele branca de reter noite,
sentiu queimar o couro da vergonha.
Na taça de teu corpo bebi ate o fim
tua parte mais íntima de despir.
Tinha a adstringência de um borgonha,
e de tão apertada tive eu que insistir.
Nessa trilha de corte justo, flui peçonha.
Um blues foi o beijo réquiem a carpir.
Agora saio cansado, músculos flácidos
de seguir os passos do corpo que tens.
I'm on the road agian


Se um pedaço de mim rasgou a ti,
para seu vinho da fama fui Paratí.
Quebrei-te a porta na tramela,
depois entrei pela janela,
fui dentro de ti cuspir.
Num gole de beijo bom,
bebi então o bourbon,
entre tuas pernas destilado.
Se Deus fez teu corpo decupado,
pôs o diabo em tua imagem e tom,
e eu sou um pecado alem.
I'm on the road again.

Agora sou o fim da festa,
depois de abrir-te em nesga,
e por teus lábios a sorrir.
Eu vou sem deixar arestas,
sei que a calma é sinistra,
por onde passa teus restos.
Pedaço deles é abraço,
o outro é canção de ir.
Mais vou eu e outro vem,
que se o amor não pertence a ninguém,
é encontro lúdico de trilhos, não traz o trem.
I'm on the road again.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

É ou não é ?(a puta me encantou)

Ou errado ou certo eu sou Silva-1973-J. Antônio da Silva

O amor é veneno vil
O amor é agareno mal
O amor é sereno viril
O amor é fundo de quintal
O amor é corpo febril

O amor é música vinil
O amor é cínico
O amor é químico
O amor é mímico
O amor é rímico

O amor é agriotímico
O amor é sutil
O amor é página de jornal
O amor é Yoko e John
O amor é Jontéx no pau

O amor é receita federal
O amor é pago fútil
O amor é tudo de bom
O amor é partilha
O amor é chegada

O amor é o tom da madrugada
O amor é presente
O amor é fogo em matagal
O amor é indolente
O amor é partida

O amor é a puta parida
O amor é asovio
O amor é psiu
O amor é correnteza de rio
O amor é ferida emocional


O amor é boca num oral
O amor é swing todo mundo
O amor é sexo grupal
O amor é paixão geral por bunda
O amor é alma carnal

O amor é samba em carnaval
O amor é coisa mais profunda
O amor é poder marginal
O amor é sina de poeta oriunda
O amor é língua na boceta

O amor é de veneta
O amor é vendeta
O amor é alagamento vaginal
O amor é sangue
O amor é mangue

O amor é bumerangue
O amor é fenomenal
O amor é carne entumecida
O amor é cama na avenida
O amor é em si natural

O amor é tudo tal e qual
O amor é tudo igual
O amor é nada
O amor é briga
O amor é estrada

O amor e namorado a namorada
O amor é prado
O amor é complicado
O amor e absoluto
O amor é busca

O amor é custa
O amor é justo
O amor é fado
O amor é cego
O amor é mar

O amor é do corpo o lugar
O amor é robusto
O amor é lego
O amor é compartilhar
O amor é mameluco

O amor é matuto
O amor é susto
O amor é não ter estatuto
O amor é meio início e final
O amor é leve

O amor é breve
O amor é brusco
O amor é muito
O amor é pouco
O amor é coisa de louco


O amor é rouco
O amor è sussurro
O amor é grito
O amor é casmurro
O amor é juiz que erra no apito

O amor é um rito
O amor é bandeira geral
O amor é conflito
O amor é drible de bola de craque
O amor é peça de bric a brac

O amor é sentido em destaque
O amor é trabalho braçal
O amor é mágico
O amor é trágico
O amor é circo

O amor é o olhar no cisco
O amor é mico
O amor é sorte
O amor é forte sotaque
O amor é cardíaco fraque

O amor é atabaque
O amor é falta de vergonha
O amor é jurar na fronha
O amor é peito farto
O amor é dor

O amor é sentir calor
O amor é aguardente
O amor é quente
O amor é cor
O amor é luta

O amor é ter conduta
O amor é sabor
O amor é bala
O amor é impala
O amor é pente

O amor é dente por dente
O amor é decente
O amor é indecente
O amor é calmamente
O amor é sem capataz

O amor é paz
O amor é demais
o amor é cáis
O amor é cego
O amor é greve de super ego

O amor é prego
O amor é duro
O amor é semente
O amor é somente
O amor é toda hora

O amor é agora
O amor é sorridente
O amor é bebida quente
O amor é inconveniente
O amor é mais que eu

O amor é aconteceu
O amor é programa de TV
O amor é você
O amor é simplesmente
O amor é cúmplice

O amor é vértice
O amor é crise
O amor é completamente
O amor é romper hímen complacente
O amor é amor no amor da gente

E onde não houver mais o amor,
é que o amor é sepulto indigente
E nessa terra adubo, a flor
ressurge pleno Novamente.



l

Cara minha(a puta me encantou)

História Trágico Marítima”, 1944,Vieira da Silva

Todos os meus músculos de rigidez foram cansados.
Não tenho mais nenhum amor em mim, de estar vazio.
Com a face seca de tudo, como leito árido de um rio,
meus abraços de virtude da paixão, são estanques, já não as crio.
Os meus olhos de idade vivida têm visão de olhar calcinado.
Dentro do meu corpo morto, a vida anda lenta e de lado,
nele sigo a fogo curto, passo a passo, explosivo sem pavio.
tudo que tenho ou tive ficou gravado em pó de asfalto
também de mim agora desprendeu-se a poeira de algum pranto.
Não vale mais a pena gritar quando o silencio é mais alto,
diante desse seu afeto de mulher que quebrou o salto.

domingo, 23 de agosto de 2009

Prado Júnior(a puta me encantou)

Fotografia: Prado Jr. Marco Maciel

A tarde passa pela Prado Júnior com seu sol dislexo.
Abraça a lua colada com silicose no corpo negro da noite.
Nessa rua cara pintada de concreto côncavo e convexo,
um retalho de luz ilumina a face do Rio. Parece sem nexo.

Na PJ quem quiser se esconder, tem por lá quem o acoite.
Ah!  Prado Júnior! Essa pista onde o sexo é do sexo.
Sua carne anda nua, essa carne é o cerne da sua própria sorte.
Lá o preço do amor de mercado está pela hora da morte,
nos pregões das vitrinas,expostos em seus públicos postes.

É uma sorte do mar ser esquina de tão nobre corte.
Aonde todos vivem a procura, essa nesga de sal é o calor do seu norte.
Essa rua é viva, e bebe a si no álcool do seu bombardeio, nunca dorme.
Seus caminhos ressurgem nas vinte e quatro horas acesas de botecos e becos da fome.
Calçadas do vaudeville, Boulevard do movimento, caminho da diversidade e da adversidade da alma humana, aonde passeia o mundo todo com seu passo esperanto universal; Esperando quem a tome nesses braços cosmopolitas, de natureza tropical e física, unindo a mulher ao homem.
Prado Júnior onde a fome do corpo, noutro corpo se consome em outros tantos codinomes.
Seu tamanho é pequeno para mostrar o enorme tamanho do seu próprio nome.
.

O cerne(a puta me encantou)

Pássaro-2001-Aldemir Martins

No mexido do corpo a saia da mulata treme,
bamboleia como as ondas do mar
nas margens duras da pedra do leme.
Meus olhos que são ventania de olhar,
perdem rumo, no sumo de vê-la passar,
sorrateiros gemem.
Não adianta o sal da tristeza ofuscar,
tudo muda ao vê-la assim passear,
na geleia geral dos desejos de olhar.
Meus olhos se rendem.
despindo o calçadão nos passos que da.
No minuto não importa pra onde ela vá,
o destino de um corpo é a outro amar,
sorridente Irene.
depois que ela for outro a enxergue,
o sol que a trouxe a levará breve,
volto à minha dor, que ela a mim concerne.
como a vida é breve!

sábado, 22 de agosto de 2009

Riscos de amar- III(a puta me encantou)


      O Sr. Não Está Só... Um Amigo em Toda Parte...,1966, Rubens Guerchman

O amor não permite abstinência,
nele não há ditame, não há pecado, só perdão.
Em falta morre-se lentamente sem clemencia.
O amor é o iconoclasta da razão.

Riscos de amar- IV( a puta me encantou)

Eles e Elas, 1965,Ivan Serpa

O risco de amar atravessa a esquina,
pode o amor se quebrar faltando rima.
É quando o olhar já não ilumina
um novo lugar dentro da rotina.

É quando um do par desloca a retina,
ou o que era mar vira uma piscina,
a união das cores já não se combina.
Aí a cumplicidade vira assassina.

Chora a tempestade nesse amor que fina
já não incendeia o fogo em gasolina
um sol de peneira forjada em cortina

Ah! quanta vontade de estricnina,
quando a paz amada é só disciplina,
e o que era mais, hoje nem se estima.

Riscos de amar - II(aputa me encantou)

Moça no bar- s/d-Yuji-Arimizu
O ciúme é um crime do amor,
quando sofre de apropriação indébita.

Temor, dor reflexo de outra dor,
que dói com a cena inédita.
Mesmo assim contem sabor.

É leite que sai da pedra,
é tanto que não se pega,
é cortina de fumaça,

inseguro quando passa
temeridade, fé madrasta.
Fogo frio sem calor.

O ciume é imponderável.
Tormento vivido em solidão,
fermento do irreconhecível,

enrijece quem é amado
em um cárcere privado,
nas cavernas do coração.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Anti- herói(a puta me encantou)

Fazendeiro com o burro e o balde-1950-Karel Appel


Meu corpo e único cárcere , é de onde fujo quando em vez . Parece que o faço com arte, mas o que eu faço quando dele escapo , é ir para dentro de outros olhos, e de la, nesse esconderijo escrevo por uma exigência do que esses outros olhos vêm. Eu fico cego como o cantador Aderaldo.
São eles então que fazem suas considerações livres, quanto a mim? Somente e apenas transcrevo tudo aquilo que dizem. Se isso é arte não sei , mas sei que é visão dos outros.
Sobre mim mesmo nada digo , de mim não há nada a dizer que valha a pena, mais vale o que eles os outros olham , o que lhes chama a atenção.
Esse é o ponto de vista que expressa um valor de fato, é dele o relato, só faço uma transcrição e mais nada.
Quando saio de mim assim, ando bem devagar nas ruas, para que esse olhar a mim mesmo liberte e assim possa observar tudo por onde passa; Sem que qualquer descuido meu possa ferir essa sutil observação.
Qualquer pressa minha seria ato danoso, então procuro caminhar nos fatos com o máximo silencio possível nos pés, meu olhar percorre a realidade como quem pisa em papel arroz.
Às vezes para não ser notado e não atrapalhar em nada esse olhar, eu chego bem de mansinho , sem estardalhaço. Estando dentro dos olhos, ainda assim, me despedaço das roupas da timidez; Descubro-me de sua capa de fumaça.
Uso somente um chapéu à noite, para que ninguém possa notar que saí de mim e venha procurar-me aqui, dentro desses outros olhos de os rever, que não são os meus , repito.
Assim, já fora de mim , tudo é despreocupado , qualquer verdade me vale, pois já declinei da razão. Sem ela me sinto mais leve, posto que a razão pesa e cansa como fantasia de escola de samba depois do desfile quando chove.
Por não portar razão, fico livre para variar das ideias de acordo com os olhos dos outros.
Para poder voar nos versos desligo minha personalidade, deixo que fique hibernando um tempo.
Para que serve também, enfim, a personalidade? Parece sempre forte e bonita essa moça rígida, que anda sempre comigo e se pinta de razão; Na verdade virou um castigo de super-ego que tenho que carregar.
Quando saio de mim, abandono os princípios como a um terno fora de moda, ou uma gravata antiga numa camisa de força.
Lembro-me do velho e moderno Mário de Andrade, depois de uma certa idade já tinha o Macunaíma, aquele herói sem caráter. Então jogo o meu fora, sopro a cocaína e vou embora drogado no que é real. Não drogado de alcaloides, que esses me afetam os músculos e eu já sou descoordenado o bastante. Hoje minhas drogas são mais fortes, são as ideias. Também não as minhas, que delas já estou cansado, por isso saio de mim e pulo para os mais dessemelhantes olhos, que de olhar tenham mais coragem que a minha, já esgotada a tapas.
Também não pulo para qualquer par de olhos, evito os olhos graves pois estão sempre muito ocupados e sisudos ou tristes, de tristezas me basto . Quero saber é de alegrias, de folia , de fuleiragem.
Quando quero falar de amor, primeiro eu me desnudo de todo e qualquer preceito, isso é fundamental. Depois jogo fora as regras que organizam meu transito, então, estando pelado das peças da ilusão, eu procuro somente as meninas dos olhos, mas somente aqueles apaixonados. Ali então me hospedo por um tempo não contratado , aonde o sublime é incorreto, o abraço é apertado, o beijo é das línguas, e o corpo é rasgado como papel de presente aberto ao suor da intimidade amorosa.
Quanto ao olhar, se acaso nele uma lágrima desce, é porque nela , quando não tenho a paixão sou eu sendo despejado.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRECONCEITO(o trago da seda)

A cara- 1975-Cildo Meireles


QUANTO CUSTA O PRECONCEITO,  A QUEM O SOFRE EM SIGILO.
É UMA QUESTÃO QUE CABE AQUI SEM RESERVAS REFLETIR.
OLHANDO OS OLHOS DE OUTROS, SENTINDO NOJO DE ZUMBI,
QUANTO CUSTA O PRECONCEITO DENTRO DE ISTO OU DAQUILO.

VIVER PENSANDO UM SO JEITO       É DEFEITO INTERATIVO,
AO SABER ANTES DO LEITO         SEM SE DEITAR PRA DORMIR.
QUEM PRATICA O PRECONCEITO     É SEMPRE ESCRAVO DE SI,
TRAZENDO EM MENTE PRECEITOS DE PRÉ-PENSAR EM ARQUIVOS.


VER UM ADÓNIS PERFEITO               É ENGOLIR SEM CUSPIR.
SEMPRE SE QUER POR CORRETO,   SEM DUVIDAR, DE OUVIDO,
FALSA IDEIA DE UM TODO QUANDO  É PARTE, É DIVIDIDO,
TRAZENDO NO FALSO BEIJO, UM MOLDE SEMPRE A EXIBIR

A VIDA MOSTRA AO VIVER               O PRECONCEITUAL ABISMO,
A OLHOS NUS FAZ SENTIDO, EXCESSO INDIVIDUAL.
NÃO É OPÇÃO DE GOSTO,              NEM PERSONALIDADE REAL.
A INTOLERÂNCIA SEM GOZO           É CEREBRAL PRIAPRISMO.
.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Iansã é quarta feira(perna bamba é do samba)

Iansã-2004-Daniela Amaral

Sou um poeta de verve ordinária,
lançando a você um desafio.
Sou chuva, sou poça, sou lago, sou rio,
sou mar procurando a sua fúria.
Mas não consegui um comentário
sequer, em nenhum momento.
Ou meu verso é Paraguaio,
ou Oyá não quer os ventos.

Ode Wawá tem a fartura
de rimas nos seus intentos,
Iyá-Ory tem encantamentos,
nesse amante da arte mais pura.
Caçador do axé in natura,
nos compassos da escritura,
da criação do firmamento.

Dizem que Iansã tem uma espada,
aprendeu a usar com Ogum.
Nos reinos por mais de um,
dos orixás foi amada.
Mas agora está cansada,
num desafio de nada,
a divina se esquivou.

Sinta-se pois desafiada,
a responder com palavras,
que sei estarem guardadas
num verso dentro da flor.

domingo, 9 de agosto de 2009

Email a um Jovem Poeta(o trago da seda)


O poeta e o anjo-1938-Mário eloy Pereira


Poeta não é quem escreve versos , seja poeta!
Seja sempre , e não quando convém apenas.
Seja-o na vida mais que na escrita correta,
seja-o em todas as palavras ditas, dispertas
seja-o por princípio, por meta.
Tenha poesia de pleno, na pele e alem;
Tísica é a moradia dos que vivem sem.
Hoje ser poeta é vencer covardia,
cantar a melodia que toda alma tem,
nisso pouco importa a caligrafia.
Há que ter cadência com o amor de alguém,
porque sem amor a rima é fria,
é como diria, um verso a ninguém.
Como noite insone no raiar do dia,
a tristeza e a alegria são versos também.
Pode conter versos assunto qualquer,
desde que o seja para todos os outros.
O gozo do sexo de homem e mulher,
ou mesmo o tanto sadio dos loucos.
Um verso é um verso, mesmo se sem pé,
tem o que dizer com o resto do corpo.
Da vida mesmo o poema é oriundo,
portanto, viva-o inteiro e firmemente.
Não guarde o poeta nem por um segundo,
por mais que isso assuste, deixe-o ir em frente.
Ser poeta não é fazer versos, é visão de mundo,
no olhar dentro dele para ver o que contem.
Esse olhar tem que ser simples, grávido, fecundo,
pois de resto, é desse olhar que o poema advém.

sábado, 8 de agosto de 2009

O jardineiro(o trago da seda)


Vaso com Flores-1986-Enrico-Bianco

Quem sabe o que há por dentro das flores ?
Quem é que a sorte o permitiu dizer ?

Alem do perfume quais são os sabores?
Quais são os calores que vão ali ter?

Bem mais que pefume esse publico ente,
as flores têm história de riso ou de dor.

Dentro delas guardados estão simplesmente,
o conjunto de tudo que se vive no amor.

As flores de dentro são as que importam,
pois têm nelas a soma que a vida editou.

sendo a vida o adubo a semente e colheita,
faz uma silhueta marcante na flor.

E o perfume não é mesmo adstringente,
deixa no ar o aroma de quem a plantou.

As flores de dentro te mostram para agente.
A poetisa com versos descreve-se em valor.

Descerra o peito apaixonadamente,
nas folhas de papel que o poeta inalou.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Honoris causa(o trago da seda)

Livre o congresso nacional....
Clube do sonegador, traficante mas legal.
A meio pau deputados de valor.
E o general de pijamas nos legou, pelos jornais, a nova fralde social; assim vai mal !

O viaduto hoje é teto meu amor, por onde roncam barrigas e importados do Japão.
Num povo louco a vida insiste em passar por,
trincados dentes indigentes sempre a lamber sabão.

Novo bandido assessora o delegado, trazendo ao lado a puta loura ao celular. Então sem fome um presunto é desovado, decidido, empacotado e sem idade pra votar. 

Enquanto isso amantes da corrupção, bloco do sujo mais famoso a desfilar, laraiá.......
vende respostas pra toda licitação, e bebe uísque parodiando Calabar.

Meio sem graça o sambista descontente afiando a sua língua, apaixonado faz sangrar,
um novo samba pra essa comissão de frente, comissão grémio central do rufião parlamentar.

Traz em destaque as esposas infiéis, Numa alegoria à vistas jogam lama no altar,
escancaradas vêm cheirando uns papeis, elas são as caridosas da união LBA.

Eu digo: Livrem o congresso nacional........


Tem as meninas que amam por contrato, de fino trato levam um senador ao céu.
Comprometidos com esse estranho sindicato, Vão parar lá na Suíça pra passar lua de mel.


Enquanto isso, assim bem discretamente, lá no silêncio das estrações minerais, Carajas.......
O ouro pouco a pouco vira anel de outra gente, e a vida passa em estuprados matagais.


Os juizados, homens de melhores causas, sem querer ficam sem calças e sem ter o que falar,
posto que a lei usa um bustiê sem alças, desvendando em suas coxas tatuagem tão vulgar.


Pra completar tem a ala dos lobistas, extensa lista de tão surdas percussões, trazem nas mãos informações e economistas, crupiê existencialista em maculadas tranzações.


E nesse enredo tão cruel de disparates, o povo canta em união de epidemias, Malariá......
Sem ter educação e sem saúde que os trate, sobrevivem ao Carnaval do dia a dia.


Eu digo: Livrem o congresso nacional........

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os riscos de amar- I(o trago da seda)

Chalupa de duas velas navegando-1987-Castagneto
Amar é coisa ariscada,
achar o amor é uma sorte,
antes da curva da morte,
mante-lo é outra parada.

O perigo é a entrega,
O risco é a desilusão,
A confiança é a mão,
com a qual o outro te leva.

Mas se é cristal e se quebra,
faltando compreensão,
requer cuidado e atenção
para não cair em tinebra.

O barco do amor navega
nas ondas altas do mar
mas traz nas velas do olhar
a luz que ao farol enxerga.

Seu leme é pra quem se atreve,
a nesse mar achar rumo.
Desafio é o seu prumo,
e a sua ilusão é bem breve.

Os que nesse barco estão,
sabem qual o ponto preciso
da longitude de um sorriso,
na latitude da união.

domingo, 26 de julho de 2009

Manhã(o trago da seda)

Mulher na janela -2000-Cícero Dias


Tinha manha e sabor a ingenuidade do dia,
O amanhecer se debruçou leve na janela.
Em sua pele clara e virgem havia poesia

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Solidão(o trago da seda)

Solidão-1983-Jorge Guinle


A hora da solidão não se conta no tempo,
porque é solitária a hora que não passa.
E sendo tempo e solitude, não vai embora
nessa ausência presente; Vira devassa.

quem a mesma solidão em si ressente,
tem no peito os nós e a dor dessa fumaça.
Como um absurdo gole de aguardente,
queimando a voz e calando assim a graça.

Ah! solidão, senhora impura e indecente,
que vive nua envolta em carapaça.
Traz no barulho surdo da serpente,
o soar distante que a saudade laça.

pode-se estar só em volta a muita gente,
a solidão pode existir em coletiva escala.
A falta está é nessa hora inclemente,
em que te espero e o celular se cala.

Ao desespero, inerte como indigente,
descontente espero a sua chegada.
Entre o caminho, seu atraso e minha lente,
vejo muitos passos para pouca estrada.

Sera que falta de mim já não sente?
Ou na lembrança sou eu coisa ignara.
A sua falta em mim completamente,
deixa em silencio a paz que me roubara.