Montagem com CHARLIE HEBDO
O Extremismo, no circo da alma,
tem origens milenas e agressivas;
Na humanidade forma amálgama,
sinistralidade sem muita esquiva.
A parcialidade é musa nociva,
mostrando o como a vida não é alva.
O radical nunca é um homem livre,
pois está preso à ortodoxia.
Repete a noite e não sabe o dia,
no seu labirinto volta aonde estava.
Sendo único o reflexo de como vive,
se as crenças são provas dos nove,
na matemática kalashnkov,
aqui, Ali e Alá o desative.
Somente a existência há que se comprove;
E nenhuma ideologia pode ter xerife.
Se é a liberdade o que nos move,
seja a igualdade um fundo sem glose,
e a semente da fraternidade nunca um esquife.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração.
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Folia de Reis ( Banguelê)
Acrílica sobre cartão preto- Brasilfolclore.hpg
Tambores rufando as peles, passam os garbos sobre as ruelas.
Na memoria da infância de pedras toda lembrança do que já não sei.
A história segue, soltam- lhe as pernas em seu um cortejo, hoje, é dia de santos reis.
Senhores, toquem suas violas, fole em sanfonas, mil talabares, cores, couros e platinelas.
Vibrem as cordas, Ternos da lira, louvem na vida o que eu não salvei.
Tragam as rabecas, e os reco-recos; Paramentados, tradição mantida.
Coro em catira, peçam a mirra mais caipira por tal gratidão.
Embaixadores, mestres da festa, digam a seresta de toda grei.
Venham bandeiras, mui respeitosas com seus alferes cuidando delas.
Tempos festeiros, tempos pandeiros, querem dinheiro para a nação.
Mas o diabo sempre aparece em meio à prece, com o Bastião.
Tem poesia no mestre ajudante, bem elegante dentro do fato.
Tipe e Retipe, mais Contratipe,num picnic cantam no ato.
Não há mulheres nessa folia, suas alegrias cobrem janelas.
Tudo termina no improviso, e em reboliço, segue a função.
Com alegria e sem muito a viso, seguem altivos, e lá se vão.
Tambores rufando as peles, passam os garbos sobre as ruelas.
Na memoria da infância de pedras toda lembrança do que já não sei.
A história segue, soltam- lhe as pernas em seu um cortejo, hoje, é dia de santos reis.
Senhores, toquem suas violas, fole em sanfonas, mil talabares, cores, couros e platinelas.
Vibrem as cordas, Ternos da lira, louvem na vida o que eu não salvei.
Tragam as rabecas, e os reco-recos; Paramentados, tradição mantida.
Coro em catira, peçam a mirra mais caipira por tal gratidão.
Embaixadores, mestres da festa, digam a seresta de toda grei.
Venham bandeiras, mui respeitosas com seus alferes cuidando delas.
Tempos festeiros, tempos pandeiros, querem dinheiro para a nação.
Mas o diabo sempre aparece em meio à prece, com o Bastião.
Tem poesia no mestre ajudante, bem elegante dentro do fato.
Tipe e Retipe, mais Contratipe,num picnic cantam no ato.
Não há mulheres nessa folia, suas alegrias cobrem janelas.
Tudo termina no improviso, e em reboliço, segue a função.
Com alegria e sem muito a viso, seguem altivos, e lá se vão.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Desforra ( Beco da fome)
Para Marta
Aquelas jabuticabas frondejantes,
com os caules revestidos em negritude,
floriam brancas flores, qual gigantes,
plantadas de alegria e altitude.
Toda a virtude, das arvores doces,
traziam ao farfalhar do tempo infante.
Ceifadas, desfolhadas, as elegantes,
ficaram só memória, e acabou-se.
Por conta dos tijolos e das paredes,
telhados como muros habitantes,
que vivem do progresso seco em sede,
contêm brutalidade impressionante.
Agora quem por lá passa, não sabe,
o quanto ali viveu tanta aventura.
Sobrou a cara dura da cidade,
de pedra, de descarte e de clausura.
Desmata esconde na sua conjuntura,
amarras de uma história inacabada.
E a natureza perde em sua altura,
abaixo foram as jabuticabas.
A quem só vê no vento a cor do agora.
A lápide é a virtude, mesmo errada,
e as árvores tão sábias, tão senhoras,
nas tombas ignaras viram toras.
Com elas foi embora à luz dos tempos,
um outro tempo, o feito de outra hora.
Aqui chora o poema num lamento,
Pois a lembrança é um tipo de desforra.
Aquelas jabuticabas frondejantes,
com os caules revestidos em negritude,
floriam brancas flores, qual gigantes,
plantadas de alegria e altitude.
Toda a virtude, das arvores doces,
traziam ao farfalhar do tempo infante.
Ceifadas, desfolhadas, as elegantes,
ficaram só memória, e acabou-se.
Por conta dos tijolos e das paredes,
telhados como muros habitantes,
que vivem do progresso seco em sede,
contêm brutalidade impressionante.
Agora quem por lá passa, não sabe,
o quanto ali viveu tanta aventura.
Sobrou a cara dura da cidade,
de pedra, de descarte e de clausura.
Desmata esconde na sua conjuntura,
amarras de uma história inacabada.
E a natureza perde em sua altura,
abaixo foram as jabuticabas.
A quem só vê no vento a cor do agora.
A lápide é a virtude, mesmo errada,
e as árvores tão sábias, tão senhoras,
nas tombas ignaras viram toras.
Com elas foi embora à luz dos tempos,
um outro tempo, o feito de outra hora.
Aqui chora o poema num lamento,
Pois a lembrança é um tipo de desforra.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
A dependência no circo da alma
Intermingling- Kandinsk
A dependência é um muro alto
para as exigências mais básicas.
A sua natureza pode não ser mágica
para a existência, só um desfalque.
O hiato de viver não é atitude sabática,
é sim, o desvendar de coisas trágicas.
Por mais que se esteja incauto,
sob o céu azul do cobalto,
ou que a trilha seja errática.
Os fatos têm carne enfática.
e a dependência é antipática.
Há que se suprir do fácil,
descortinado sem palco.
O dependente, esse ilustre fidalgo,
ao não saber a gramática corporal,
em qualquer passada lunática,
desatenta ou pouco prática,
produz marcas em seu tátil.
É o corpo nos dizendo algo:
_Ah! Como a vida é frágil!
A dependência é um muro alto
para as exigências mais básicas.
A sua natureza pode não ser mágica
para a existência, só um desfalque.
O hiato de viver não é atitude sabática,
é sim, o desvendar de coisas trágicas.
Por mais que se esteja incauto,
sob o céu azul do cobalto,
ou que a trilha seja errática.
Os fatos têm carne enfática.
e a dependência é antipática.
Há que se suprir do fácil,
descortinado sem palco.
O dependente, esse ilustre fidalgo,
ao não saber a gramática corporal,
em qualquer passada lunática,
desatenta ou pouco prática,
produz marcas em seu tátil.
É o corpo nos dizendo algo:
_Ah! Como a vida é frágil!
sábado, 29 de novembro de 2014
Apanhei de ovo frito ( 0 beco da fome)
Até de ovo frito apanha.
Vou ensinar como é
o filét do Oswaldo do Aranha.
Vai impressionar a mulher.
Quem não a tiver, uma ganha.
Comer gostoso em talher,
Pois vou lhes mostrar a façanha
Precisa gostar da carne,
a boa é um filet Mignon.
Maciota, sem alarde,
Para comer é tão bom.
O corte é um bife alto
no modelo de chorizo.
Como a riqueza de Fausto
alarga qualquer sorriso.
Mas antes vêm as batatas,
cortadas à portuguesa.
Fininhas bem delicadas,
enxugadas, fritas e secas.
Também o alho laminado,
dourado, mas sem queimar.
Reservado em tanto farto,
vão dar gosto ao paladar.
O prato é coisa rica,
é uma tradição Carioca,
vem lá do Cosmopolita,
mas tem em qualquer birosca.
Prestem atenção meus amigos.
Concentrem, a ideia foca,
não vão se prender no visgo,
agora vem a farofa.
Manteiga clarificada,
não pode queimar jamais.
Juntar azeite é a sacada,
pois é assim que se faz.
Bacon, o bom venenoso,
bem pouco, para a saúde,
pois o danado é gostoso,
e artéria não tem virtude.
Suar cebola em cubinhos.
Um alho, e Jalapenã.
Também do reino, um pouquinho,
para não faltar em pimenta.
Farofa não tem amarras,
tudo vale é tudo pode.
Um pouco de alcaparras
vai ao gosto do bigode.
Picado vai um tomate,
rúcula rasgada a mão,
azeitonas pro arremate,
sem caroço à dentição.
Uma xícara de chá, padrão,
carregada em farinha crua.
Mexam, mexam, meus irmãos,
pra cozinhar com ternura.
Agora é fundamental
dois ovos, quebrados antes.
Corrijam o gosto do sal,
coisa muito importante.
Aqui ponho a banana,
ela entra sem censura.
Faz da farofa uma dama,
com a minha assinatura.
Peguem um pouco de arroz,
desse que tenha sobrado,
para ser usado depois,
replicante em outro prato.
Finalizando o serviço,
a cebolinha e a salsa,
para comer sem juízo,
como quem ouve uma valsa.
Na montagem cada prato
deve conter a beleza.
Os olhos comem de fato,
a carne, essa realeza.
Dediquem muito carinho
no serviço à la carte.
Um Cabernet é bom vinho,
harmonizando com arte.
domingo, 23 de novembro de 2014
De menor ( A puta me contou)
Perdi meu homem, assim,
na disputa
Fui procurar no jornal
por labuta
Sem ter o segundo grau
fui à luta
Pela criança topei
saia curta
Há quem me trate legal,
quem me furta
Sei esnobar no lençol,
fiquei puta
Levei porrada do cara
da justa
Falei que dói, mas ninguém
me escuta
Bebi mais um Red Bull
com cicuta
Só pra manter a atenção
na conduta
Topei cumprir a missão
la na praia
Agora entrei bem de linda
ordinária
Dei um doisinho, a bagana
era palha
Às vezes sou a sacana,
outra otária
Às vezes sou a sacana,
outra otária
Eu sobrevivo assim:
Candelária
Faço algum ganho no fim,
salafrária
Sou ninfetinha do rabo
de arraia
de arraia
Foi sem querer, opção
necessária
Mas sobrevivo no fio
da navalha
Levo um din din, um capim,
sou primária
Meu top é tudo, é tomara
que caia.
Não aprendi, mas já sei
a matéria
a matéria
Já fui obreira de cristo
com féria
Tenho quatorze, mas passo
mais velha
Pus la no Face outro nome:
Valéria.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Unidade multi ( Barril Diógenes)
Perder dois mestres em dois dias
é uma coisa muito doída
Vai na tarde a finitude, e depois é a vida.
Leandro me ensinou a pensar ao ser transformado.
Manuel, era mais sério, sabia fazer quintal, adubado
de palavras, perfumou meus olhos de pitanga.
Os dois eram una dialética da poesia.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Uma dose ( Barril Diógenes)
Fotografia: William Kentridge
Sou o que não há em mim,
não sou bom, não sou ruim,
vou alem, não sei pra onde.
O sonho que isso esconde,
é lavado em pedra-pome,
mil rasgos, eu sigo assim.
Se hoje o tempo está nublado,
sou o escuro, até pesado,
já não trago força em murro.
Algo dentro esta maduro
impreciso em tanto acuro,
sigo alerta e preocupado.
Quebro o muro em Berlim.
Sou eu mesmo em estado quente.
nem hilário nem comovente,
nem revoltado em Pequim.
Sei que sou o olhar nos olhos
Insano ensejo senhores,
meu silêncio destrincha vozes,
sou o extinto em botequins.
Eu sou mesmo tenebroso;
Sou o susto, sou o gozo,
o perigo e a cirrose.
Meu terreno é arenoso,
em razão e em psicose,
o periférico nervoso;
Curvado à realidade
possuído da saudade,
Sou um atributo da gnose.
E ao fim, sou ton-sur-ton,
sou amigo do garçom
e me destilo em uma dose.
Sou o que não há em mim,
não sou bom, não sou ruim,
vou alem, não sei pra onde.
O sonho que isso esconde,
é lavado em pedra-pome,
mil rasgos, eu sigo assim.
Se hoje o tempo está nublado,
sou o escuro, até pesado,
já não trago força em murro.
Algo dentro esta maduro
impreciso em tanto acuro,
sigo alerta e preocupado.
Quebro o muro em Berlim.
Sou eu mesmo em estado quente.
nem hilário nem comovente,
nem revoltado em Pequim.
Sei que sou o olhar nos olhos
Insano ensejo senhores,
meu silêncio destrincha vozes,
sou o extinto em botequins.
Eu sou mesmo tenebroso;
Sou o susto, sou o gozo,
o perigo e a cirrose.
Meu terreno é arenoso,
em razão e em psicose,
o periférico nervoso;
Curvado à realidade
possuído da saudade,
Sou um atributo da gnose.
E ao fim, sou ton-sur-ton,
sou amigo do garçom
e me destilo em uma dose.
domingo, 2 de novembro de 2014
Os fatos no circo da alma
Manabu Mabe
Os fatos, no circo da alma,
não têm gás paralisante.
Nos seus músculos inexatos
ressaltam os beijos dos atos,
num descarte deselegante.
O destaque mais provocante
quebra o salto na avenida,
e o ar que respira é a vida,
ocupada na sua própria lida,
em suas horas mais ofegantes.
Os fatos, no circo da alma,
deixam nos ossos desgastes
de cujas paredes resgates,
se avincam quaisquer semblantes,
no afogadilho do trauma.
Salvando o que pode ou pôde,
como andarilho errante,
se descobre, o itinerante,
que a vida ferve na calma
do que será sempre o hoje.
Os fatos, no circo da alma,
não têm gás paralisante.
Nos seus músculos inexatos
ressaltam os beijos dos atos,
num descarte deselegante.
O destaque mais provocante
quebra o salto na avenida,
e o ar que respira é a vida,
ocupada na sua própria lida,
em suas horas mais ofegantes.
Os fatos, no circo da alma,
deixam nos ossos desgastes
de cujas paredes resgates,
se avincam quaisquer semblantes,
no afogadilho do trauma.
Salvando o que pode ou pôde,
como andarilho errante,
se descobre, o itinerante,
que a vida ferve na calma
do que será sempre o hoje.
domingo, 26 de outubro de 2014
Natureza quase morta ( O olhar da carranca)
Quando o importante é sobreviver, pequenas coisas, pequenas atitudes ganham valor inestimável; Uma fruta sobre a mesa, imprecisa, a ser descascada, a força sensibilidade perdida, precisa achar uma solução. Aonde a naturalidade é agora o impossível, a laranja é no momento só o olhar, silencioso, solar, brilhante, impassível sobre a mesa. Exala um perfume explosivo, entre o desejo, esse olhar e o tato.
A textura reluzente e a frutose contida ficam mais exuberantes e explosivas.
O interior de carne é fibra imaginária adocicada intimamente, sua pele lisa e nova externa o interior. Carne desejada entre os gomos, entre os lábios a maciez de dama, cujo hálito cítrico entra na língua, entre os dentes há sedução de açúcar desenhada em palavras.
Simplesmente, nesse querer, se instala a impossibilidade, em crua casca rude escamada na nervura da cor inexplicável do fato realidade, o mundo fica no que é inalcançável pelo inexpressivo das mãos. O perfume prazer é uma ilusão fotográfica em três dimensões. A frágil armadura imóvel, impávida do impossível.
A faca, a falta do toque, o corte, o sangue, a ausência de dor aonde há ferida.
A pequena palavra desconectada do cérebro, a mão esquerda move apenas insensibilidade, um rasgo no dedo indicador é quase nada.
A mão esquerda é seda, a mão esquerda é a sede, Mas cede sua própria má sorte; E a laranja é dia, a laranja em sua solidariedade de sabores repousa insólita sobre a mesa.
A pura sobremesa radiante e tão composta, circunferência de alto valor e caloria circunspecta em quietude.
Aqui estou eu e ela, aqui eu e ela juntos à janela azul do céu, essa cobertura inabitável. Agora glicose azul, agora a laranja é o inacessível, ela é seu próprio erro de sabor, agora ela é o inabalável de minha dor. A laranja de cera, de beleza intocável, a laranja mecânica e seu suicídio imaginário, jamais a verei nua, jamais tocarei sua carne brasa, aqui a tortura e a vitamina comum , aqui você e eu, aqui a idade avançada e a juventude com seus riscos de endorfina guardados e incalculados no corpo.
Juntos, se afagados, libertaríamos o sumo que se espalharia invasivo sobre a casa; Mas, o lado esquerdo dorme. Só e o braço direito é vigília, e a observa desatenta sobre aquele lençol quadriculado. O desejo se instala como quem transpõe a última porta. Sou eu, sou meu abdômen, saliva é o meu corpo de homem; E ela tonificada em energia, ela desinibida imagem da natureza, ela inapelavelmente quase morta.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Tucano de paletó ( Perna bamba é do samba)
O candidato deu
aquele sorriso amarelo,
dizendo pro pé de chinelo
que a vida vai ser um brinco.
Mas é que ele se esqueceu,
de fato de ser sincero.
Malandro no lero-lero,
papo torto quarenta e cinco.
Com uma pinta de bonito,
tinha olhar de matreiro,
no nariz trazia um cheiro
que o deixava bem aflito.
Dizia ser solução,
mas era um boquirroto,
Sujeito quase escroto,
parecia vendidão.
Bicho selvagem tucano,
em plumagem de gravata,
tem linguagem de bravata,
tem paleto de urbano.
Alimenta o próprio gosto,
de caráter leviano,
de madeira tem o rosto,
mas falta-lhe mais tutano.
Pensa que leva o povo
só no gogó da Jurema,
falseando faz a cena,
da serpente traz o ovo.
Mas o povo tem antena,
seu próprio discernimento,
não quer coisa tão pequena,
não vai permitir tal intento.
Acordar defunto morto
de outras legislaturas,
construir aeroporto,
em terra sem prefeitura.
Todos sabem quem ele é,
vai perder essa contenda,
vai apanhar de mulher,
com maria da penha se entenda.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Art nouveau ( Barril Diógenes)
Nature morte au vieux soulier 1974- Juan Miró
O fim do filme,
no fim da noite,
do fim da festa,
do sorriso que resta,
de festim, do amor.
Duas quadras,
é só isso,
e finda o mar
no fio da farça.
O corte ouriço
No corpo, o corte,
pressente a morte
do sol que eu não sou.
Então pergunto,
__O que foi doutor,
que de mim é o susto
que me sobrou?
domingo, 21 de setembro de 2014
Bilhete ( Barril Diógenes)
Fotografia: Alessandra Sanguinetti
Aquilo que temos vontade de ser
está emaranhado no desejo
Aquilo que nos permitimos ser
cercania nosso latifúndio vilarejo
Aquilo que de fato somos ao viver
é o histórico entre o olhar e o sobejo.
Aquilo que temos vontade de ser
está emaranhado no desejo
Aquilo que nos permitimos ser
cercania nosso latifúndio vilarejo
Aquilo que de fato somos ao viver
é o histórico entre o olhar e o sobejo.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Sem Limão ( Beco da fome)
O sol sobre as barracas dos homens.
Verdura, a três por um, provoca empurro.
Tempero é urucum, vermelho puro.
O alho, a granel, é roxo escuro
e as frutas damas doces que se come.
Um olho na freguesa, lá vem ela!
Maçã, morango doce ou melão,
chicória, rabanete ou salsão.
Pechincha pode ser: Já esta na mão,
alface, cebolinha, berinjela.
Os gritos são cantigas pregoeiras.
Carrinhos se atropelam por saúde.
Legumes veneráveis de amplitude
na festa das sardinhas, dos quitutes,
bem cedo se barulha toda a feira.
Ao tempo da manhã, o abacate.
Tem coco da Bahia e tem cajás.
Giló, abobora boa pro Jabá.
Cebola pra quem quer levar tomates.
Quem come o pede, frango no caixote,
quem gosta do Carré ou das bananas,
laranja e tangerina são Veganas,
Pastel olímpico e o caldo de cana,
ao som do fruteiro que é um Pavarotti.
Mas antes que o festim descubra a tarde,
como um filé de peixe assado em brasa,
os preços caem todos, perdem asas,
e a xepa abastece tantas casas,
ao fim tudo se vale ao que arrecade.
Já pouca flor nos baldes do florista.
Da salsa, do agrião, já pouco resta.
E a couve meio murcha manifesta,
deitada ao tabuleiro faz a sesta,
qual renegada ao sabor consumista.
O feirante arrima com a gelada,
num cantinho de copo americano.
Depois da luta, como um espartano,
depois que a barraca fecha o pano,
relaxa da missão que lhe foi dada.
Por fim o chão consome tanta sobra,
para a alimentação pode ser útil!
Jogada ao não, como objeto fútil,
riqueza sem limão, mas inconsútil,
onde a questão dos ciclos não desdobra.
Os cheiros, como magica, já somem.
Peixeiro já levou seu caminhão.
E a rua desvanece, perde o nome.
Agora é só um caminho e todos vão.
sem cheiros, sem perfume, solidão.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Bilhete ( O circo da alma)
Fotografia: Sienna n 1- Makan Emadi
Veja como é o edifício da intimidade
aonde a moral
é vizinha bisbilhoteira da sexualidade
Veja como é o edifício da intimidade
aonde a moral
é vizinha bisbilhoteira da sexualidade
domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Tatu daí ( Barril Diógenes)
Herbário de plantas artificiais em estrutura pré Colombiana- Alberto Baraya
As pessoas, atualmente,
não compram um poema por ser bom.
Elas o fazem porque ele é do Drummond.
Asim mais, bem mais que de repente,
O poema se compara porque é mesmo legal.
Obviamente é comovente, porque é João Cabral.
Aos poemas, que bom, serem geniais desde o início,
viram mesmo até vício, desde que se vejam Vinícius.
O poema, quando sujo, é limpinho, é lunar.
Não existe nele entulho, se for Ferreira Gullar.
Como é bom um poema, em que todos façam links.
O bacana, o genial, é que é um Paulo Leminsk.
Por querer, mesmo num verso, a rima e os seus baratos,
beija-se a boca do inferno, lendo Gregório de Matos.
Ele toca muito a todos, de alguma tal maneira,
obviamente se, oxente, é do Manuel Bandeira.
Se alguns nos evoluem, neles há mesmo todo esbanjo,
mas somente nos concluem, se for Augusto dos Anjos.
Outros sim. são viscerais, fervem muita hemoglobina.
Serão tão fenomenais, se são do Jorge de Lima.
Se um poema é um poema, uma coisa é uma cousa,
mais é mesmo o melhor, sendo assim um Cruz e Souza.
O poema é mesmo bom quando o nome se lhe pesa,
Como não se derramar cult Ana Cristina Cesar?
Para ser mesmo o tal, quem o fez será primeiro.
Para ter mesmo o sal, só o Geraldo Carneiro.
Cajuína neuronal destarte é inquieto,
poesia só se vale em um Torquato Neto.
De mulher pra Mulher, fica dado o recado.
Não num poema qualquer, gerúndio de Adélia Prado.
Sendo ele um poema, há de ter sua autoestima.
Vale a pena o se dizer desde Cora Coralina.
Se foi dito a saber, pois então o desnovele;
Vamos lá, Vamos a ver, se é Cecília Meireles.
Algo novo, para que?
Hoje é tudo instantâneo.
Haicaiu Karaokê
Tudo não faz mais sentido. Barulho é o desagrado
é poesia do enfado, teatro do oprimido.
Então perto do espasmo, então é o então sumindo.
para o seu duro deserto decerto o poema é lindo
lamberemos o sabão com essa grife do inquieto,
viva Waly Salomão, Tiririca até o teto.
Tudo é mesmo uma meta, ta cheirando, deixa perto,
é a poesia, é de salão, lepo,lepo,lepo,lepo.
As pessoas, atualmente,
não compram um poema por ser bom.
Elas o fazem porque ele é do Drummond.
Asim mais, bem mais que de repente,
O poema se compara porque é mesmo legal.
Obviamente é comovente, porque é João Cabral.
Aos poemas, que bom, serem geniais desde o início,
viram mesmo até vício, desde que se vejam Vinícius.
O poema, quando sujo, é limpinho, é lunar.
Não existe nele entulho, se for Ferreira Gullar.
Como é bom um poema, em que todos façam links.
O bacana, o genial, é que é um Paulo Leminsk.
Por querer, mesmo num verso, a rima e os seus baratos,
beija-se a boca do inferno, lendo Gregório de Matos.
Ele toca muito a todos, de alguma tal maneira,
obviamente se, oxente, é do Manuel Bandeira.
Se alguns nos evoluem, neles há mesmo todo esbanjo,
mas somente nos concluem, se for Augusto dos Anjos.
Outros sim. são viscerais, fervem muita hemoglobina.
Serão tão fenomenais, se são do Jorge de Lima.
Se um poema é um poema, uma coisa é uma cousa,
mais é mesmo o melhor, sendo assim um Cruz e Souza.
O poema é mesmo bom quando o nome se lhe pesa,
Como não se derramar cult Ana Cristina Cesar?
Para ser mesmo o tal, quem o fez será primeiro.
Para ter mesmo o sal, só o Geraldo Carneiro.
Cajuína neuronal destarte é inquieto,
poesia só se vale em um Torquato Neto.
De mulher pra Mulher, fica dado o recado.
Não num poema qualquer, gerúndio de Adélia Prado.
Sendo ele um poema, há de ter sua autoestima.
Vale a pena o se dizer desde Cora Coralina.
Se foi dito a saber, pois então o desnovele;
Vamos lá, Vamos a ver, se é Cecília Meireles.
Algo novo, para que?
Hoje é tudo instantâneo.
Haicaiu Karaokê
Tudo não faz mais sentido. Barulho é o desagrado
é poesia do enfado, teatro do oprimido.
Então perto do espasmo, então é o então sumindo.
para o seu duro deserto decerto o poema é lindo
lamberemos o sabão com essa grife do inquieto,
viva Waly Salomão, Tiririca até o teto.
Tudo é mesmo uma meta, ta cheirando, deixa perto,
é a poesia, é de salão, lepo,lepo,lepo,lepo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
A fala no circo da alma
Dalí
Seu instrumento é a palavra
o sopro, o veio de luz.
se é solo desafinado
o verbo é o que a traduz.
Às vezes parece escracho,
quando acha a todos tão nus.
de ouvidos tira o capuz
do silêncio, e assina embaixo.
Tal instrumento, falada,
é achada dentro de um verso,
Com ela eu digo o que penso,
no extenso e no frágil protesto.
Quando ela fica agachada,
guardada dentro do incerto,
parece expressão de um deserto,
aonde a cultivo de enxada.
Pura ideologia em suspenso,
do homem é mais que seus ossos.
Tem sonhos verbais e terrosos,
despidos dos pensamentos.
Palavra contem paradoxos,
solares por natureza,
denota visão de um mundo.
Quem a domina mais fundo
desbrava a tal da certeza.
Seu instrumento é a palavra
o sopro, o veio de luz.
se é solo desafinado
o verbo é o que a traduz.
Às vezes parece escracho,
quando acha a todos tão nus.
de ouvidos tira o capuz
do silêncio, e assina embaixo.
Tal instrumento, falada,
é achada dentro de um verso,
Com ela eu digo o que penso,
no extenso e no frágil protesto.
Quando ela fica agachada,
guardada dentro do incerto,
parece expressão de um deserto,
aonde a cultivo de enxada.
Pura ideologia em suspenso,
do homem é mais que seus ossos.
Tem sonhos verbais e terrosos,
despidos dos pensamentos.
Palavra contem paradoxos,
solares por natureza,
denota visão de um mundo.
Quem a domina mais fundo
desbrava a tal da certeza.
domingo, 10 de agosto de 2014
Saga que se estraga ( Barril Diógenes)
Numa terra bem distante
depois do Maracanã,
de nome significante,
chamava-se Canaã.
Nesse pedaço de chão
chegou um sujeito um dia;
Seu nome era Abraão
gerador de ventania.
Por gostar muito de mulher,
por nelas ter alegria.
Em Sara tinha a fé,
mas com Agar bem dormia.
Com a segunda, Agar,
Abraão teve Ismael;
Mas não assinou papel
para não se complicar.
Para Sara não chiar,
deu-lhe outro filho, Isaac.
Como coisa de almanaque,
dividiu em dois o lar.
Ismael se foi embora,
deixando Isaac pra lá.
Depois de passada a hora
deram de se odiar.
Isaac gerou um filho,
deu-lhe o nome de Jacó.
Para complicar mesmo o nó,
tirar o carro do trilho.
Jacó chamou a si Israel,
pois foi como aconteceu,
estava escrito no céu,
que é meu, é nosso é ateu.
Também o bom Ismael,
no deserto de Becá,
construiu um canto seu
e se pôs a procriar.
Depois nasceu tanta gente,
tantos filhos, tantos filhos,
e a coisa ficou mais quente,
feito pólvora e rastilho.
Na terra peninsular,
sem pensar sobre a questão,
resolveram só brigar.
Um pregava o Alcorão
e o outro amava a Torá.
Por conta criaram muros,
para fazer a cisão.
Entre si, olhos casmurros,
teimosos de coração.
Um deles, de amigo rico,
ganhou um domo de ferro.
O outro por ser proscrito,
disse essa terra eu quero.
Jogam pedras palestinas,
foguetes sem precisão,
e a resposta vaticina
fogo, bomba e canhão.
Morrem meninos, meninas,
senhoras e anciãos.
O mundo vê na vitrina,
sem muito fazer questão.
Sem direito de nação
por geração concubina,
nas asas do avião,
as bombas vêm lá de cima.
Cercados por mar e terra,
morrem numa explosão.
Mas como sair então
dessa tão malvada guerra?
Entra um camelo no céu,
sete virgens há por lá.
Mistério sempre usa véu,
são coisas de Oxalá.
Irmão que mata irmão,
como Caim e Abel,
não vai achar solução
guardada no solidéu.
Javé que desça depressa.
Que venha um café tomar.
E traga para a conversa,
a destreza de Alá.
Na busca de mais amem,
Jesus chegou com seu trio.
Ao redor de Jerusalém
de sangue nasceu um rio.
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