Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Não ( Mamulengo)

Fotografia: Rod Costa- Falar com...Um olhar

No raso do pensamento
onde a palavra se esconde.
Por trás do alumbramento
com a estatura de longe
Os olhos que te descrevem,
no que a boca repudia,
são desejos roçando a pele,
na face que os negaria.

No temor do novo intento,
aonde o amor se queria,
o corpo comportamento
guardou sua poesia.
Desnuda pelves palavra,
tão clara no seu silêncio.
Mostrando cara com cara,
um assustado intenso.

Comum ao lenço do medo,
cuja vontade escondia.
O olhar pedinte dos beijos,
atravessando a harmonia.
Nesse íntimo tal universo
onde o humano se fia,
temeu o seu próprio verso,
traiu sua própria alegria.

Lá vem! Esse ser abissal.
Sorrateiro que é o homem,
entrando pelo quintal,
pronunciando seu nome.
Mesmo que não se faça,
o amor que o olhar pedia.
Mesmo que se acovarde,
o abraço na coisa fria.

Restará nesse um olhar
certezas mais que pungentes,
do sal que há nesse mar,
no sol que houvera quente.
O desejo quando defeito,
deixa um rastro, um rio.
É fogo que implode o peito
sem acender o pavio.

Então se rompeu o afeto,
no que dele é a esquiva.
Derivamos no incerto,
descemos no ralo do dia.
Mas esse olhar inquieto,
fecundo e sem calmaria.
No que falar de completo,
vai dizer o que queria.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amor de intelectuais

"Na penumbra
ela me toca os orgãos.
Em um rasgo,
a mim fode.
...Atravessam a noite
as estrelas...
Em quadris do diabo,
dançam rumba.
Enquanto a lua
Lê a Freud”
Amanheceu e ela dorme....

Miame ( Mamulengo)


Fotografia: Edsel Citation en el Malecón-Pedro Moreira

AH Cuba!
Deixa que eu entre com meus iPhones, com meus Hamburguers,
com meus dinheiros.
Deixa que eu te abrace de amante, pelas commodities primeiro.
Faremos amor em Guantânamo e atravessaremos o mar,
sem precisar de balseiros.
_Lembra do Al Capone?
_O Corleone?
Ainda trago esse perfume, esse cheiro, deixa eu voltar!
Abre a porta de trás , chegarei sorrateiro.
Se você deixar eu juro que não brigo, vamos tratar nossas manchas
com solução para vitiligo.
De presentinho, pra te agradar, trago um sotaque de gringo Flórida,
para misturar com rebolado Habaneiro.
Juro que não embargo mais no seu traseiro, me chame de charme,
me chame, me chame.
Ouça esse reclame!
Dou-lhe meu nome latino agora, é Miami!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tequila ( Imails da Jô)

Fotografia: Maks-Carla Broekhuizen

Imail enviado por Jô a escrava do amor

Ah! Quem dera,
eu fosse aqui nessa paquera
a sua bela.
Ah! Quem dera,
aqui nessa pontinha
de olhar.
A primeira

Quem me dera,
mulher nenhuma
alem de mim,
fosse seu fim,
fosse eu aqui seu par.
Seria eu a outra,
da historia outra,
desse outro lugar.

Ah! Quem dera,
vindo nas entranhas
soçobrasse a fera
indo até o talo
Seu beijo ruím
fosse meu regalo.
Molhasse-me toda a mais.
Retirando a minha páz.

Faço-te reparo.
Que te olhar assim.
Que te desejar.
Que há nesse mar.
Quê  de se alagar.
Mestre do meu corpo, arrais

Eu já faço planos,
há no amor enganos,
por baixo dos panos,
mesa de bilhar.

Meu amado.
Meu profano.
Taco todo meu,
quitute suburbano.
Deixa-a pra lá,
vem brincar de amar.

O amor é velhaco.
Diz que sim,
às vias de fato,
vem para cá.
Antes que outro fim
faça-o ir embora,
e pague a conta,
sem levar em conta
esse olhar.

Vem que estou ficando tonta.
Vem-me, vem, me desapronta.
Vem fazer eu me cansar.
Vem entra e não pensa.
Vem, veja, vare e vença.
Vem, intenta.
Vem que eu vim intensa.
Vem brilhar.
Vem e vem correndo.
Vem, que estou ardendo agora.
Vem que estou querendo.

Não! Não vá embora.
Não! Não está na hora.
Deixa aberta a porta.
Deixa eu te sonhar.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Música (O analfabeto poético)

Capa de disco/Design for LP cover: Chega de Mágoa/No More Sorrow, Vários/Various- Elifas Andreato

Em memória de Chico Mário
A língua da música esta lambendo meus ouvidos agora,
Isso tira cracas de dentro dos meus pensamentos.
Notas musicais organizam minha paz de dentro para fora.
Mudam os gabaritos que engenharam o indivíduo a tempos.
Quando uma música toca, em mim dilui qualquer tormento,
restaurando  os tons à vida pelas claves soltas mais sonoras.
Se um instrumento toca é algo maior que brisa a vento.
Sobre as pautas dançam em harmonias, minha alma junto com o meu centro.
Um solo de guitarra grafa a fender fotos de porta retratos;
Prometendo o salto surpresa implícito no rítimo dessa nau felicidade.
Entra o conversar de cordas, couros, paletas e metais, tudo me invade.
Metamorfoses singram meu espírito e a calma é o tento.
Até que esse velho marinheiro de cais, cidadão de corpo hiato,
voe emoções chorando um improviso Sebastian Bach de alarde.
Como um pássaro de sons impregnado desses instrumentos.
Tudo então se alinha ao salto, à solução fina do sax Pixinguinha.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Crooner (O analfabeto poético)



A voz do Milton
é trompete de Miles.
Parece um rio
de sonoridade.
O trompete
Miles na voz
do Milton,
enche o vazio,
dá felicidade.
O Milton Miles.
O Miles Milton.
Mil tons.
Mil Davis.
Mil dádivas.
O improviso é o sopro
Para quem quer se soltar........

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Entrando de sola ( O analfabeto poético)

                                            Fotografia-Retratos (in)parciais-Gonçalo Afonso dias
O que empenho para viver
é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória

Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga 
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Do amor (imails da Jô)

Fotografia: Na corda Bamba-Augusto
Imail enviado por Jô a escrava do amor

O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 5 de setembro de 2010

Affair ( O analfabeto poético)

                                              Fotografia: Fumaça-Varli José Dorighello

Desejei seu beijo em vão,
pois ele era fumaça.
Fiquei no caminho do não,
sei bem o que nos afasta.
Francisco diz na canção,
um poeta quando passa,
sabe ver na escuridão. -                                            
Mais uma cena se embaça,
mais uma desilusão.
Feliz não sou quem lhe faça,
vou guardar meu coração.
Mas esse olhar de vidraça,                                                                                        Dos seus olhos já  sem graça,
vai ficar sem solução.

Se a vontade por pirraça,
formar brasa em seu  colchão,
se o dia for o da caça,
se lhe faltar com a paixão,
não se envergonhe em ameaça,
utilize os dedos da mão.
Pode vir prazer aguaça-
até escorrer pelo chão.                                    
Mas esse medo que afasta, vai te morder como um cão
Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão, 
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sábado, 4 de setembro de 2010

Hapa Nui ( O analfabeto poético)

Foto: Moia em tongariki- Revista época, Haroldo Castro

Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto                                             
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Manhã dos homens (O analfabeto poético)


Fotografia:Arte Urbana, Carsil 

Ao primeiro sinal de partida sonorizado, a realidade é urgente.
A manhã dos homens surge como uma lâmina iluminada.
Há que correr atrás do tempo reproduzindo de novo suas pegadas.
Na urbe os cidadãos procuram em jogo, suas cadeiras numeradas.
Atrofiam a vida pela global fábula dos emergentes, desastrada.

Ao segundo sinal, senhores, religuem seus celulares.
Mastiguem o pão nas commodities do balcão à frente.
Preparem seus diafragmas de mergulho, prendam os gases,
para que as surpresas da pressa se acumulem, travem os dentes.
Diante da possibilidade do que é fútil pareçam inteligentes e populares.

Anonímem-se em avatares, aos reclames
enquanto uma floresta em chamas será queimada,
na multiplicidade ignorante de um povo.
Amarrem-se ao cais salarial com seus cordames
Em hipóteses  ou Iphones, não respirem ar novo.

Se for povo, leia antes o manual de instrução.
Socorram-se nos bares.
sendo tolos, fiquem quietos, é o mais conveniente, não reclamem.
Mantenham-se rígidos nos plexos solares.
Não cedam de si nada, nem por um minuto.
Sob nenhuma possibilidade dêem-se ao outro,
essa entrega seria um vexame de atos vulgares, e até libidinosos.
Paguem o dízimo à receita federal, evitem incômodos perigosos.

Ao terceiro sinal.......

Êpa!!   
Um ipê sorriu de cor,
em abusado azul turquesa.
Chamou para si a natureza do dia,
essa cena não estava combinada.
Iluminou toda a calçada.
Consumo presumido de delicadeza?
Quem diria!

Uma criança corre escrachando-se em beleza animada.
Vai aprender necessidades na escola dos homens.

Resiste a praia, mesmo que magoada de ecologia.
Nas suas línguas negras ensaiadas, está vazia de areia e de ontem.
Cedo demais para as utopias físicas do mar em sua alegria.

A moça bonita negou-se ao namorado à noite,
agora nervosa passa perdida, em lamento.
Há um qualquer de tristeza em seus olhos,
parecem que choram para dentro
um restinho de amor ou de ressentimento.

Agora ela vai correndo apressada
em seu terninho arrependido de advogada,
pedir hábeas corpus ao juizado da vênia.
Não fala da noite passada. Não coitada!

O amor é assim,
faz  silêncio ao fim,
nas paredes de um beijo.

Êpa!!!!
Desejo não se discute, evitem a poesia de cada um,
em situações limite ceguem os olhos do poeta,
mesmo que eles saibam ver na escuridão.
Guardem bem suas emoções, aguardem o lançamento.
Nas páginas octogenárias, em alguma parte alguma.

Pois um dinossauro de metal se esfrega nas ruas.
Em seu ponto final chegou, cheio de gente na barriga de bilhete único.
Gente que vale o transporte, gente igual, gente só rosto, gente só gente.
Cadastros, grotões, pingentes.
Correm à sorte!
Corram, corram, corram todos para o dia de hoje.
Dizem que é de quem chegar primeiro.

Mas atenção sejam felizes, porque esse dia também será único.
Até o próximo sinal.....

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhar paisagem ( O olhar da carranca)


Fotografia: Falésias a cair, Samuel Cantingueiro

Para Carlinhos Baixista

Ficam me olhando com esse olhar de janelas.
Pessoas como eu quebram, no corpo, suas fronteiras.
Fazem-no, eles, os que não conseguem passar por elas.
Mas quem enfim não as têm?
São precipícios!

Aquém de si próprios, tangem-se nas falésias, pelas beiras.
Miram assustados o universo do tudo que não sabem.
Preservam-se do que não sabem, protegidos pelo sossego,
garantidos do que é o óbvio, é paisagem.
São as fumaças do medo.

Santas, essas pessoas calmas, distraídas nos recatos dos seus centros.
Sem correr riscos imponderáveis, por princípios.
Protegem seus rostos de vidro, contra os desconhecidos ventos.
Quem de si não sai, por um único momento, viverá apenas normal,
viverá apenas morrendo.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Relógio de sol( O analfabeto poético)

Gosto de amar pela manhã, isso me faz vagabundo.
Gosto de dormir à tarde , quando vem a preguiça dos homens.
À noite vou para as ruas beber a solidão nos versos do mundo.
Gosto de escrever na madrugada, quando o barulho do silêncio
deixa as ideias acordadas.
Não posso ver o trabalho, pois tenho
as vistas cansadas.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/


 


                                                               








                                    
Fotografia: Relógio de sol, Márcia Liliana C. de Abreu

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Casas novas

Sua poesia é a leveza limpa dos versos, lhe pertence.
A clareza escorre quente como um mergulho instante.
A natureza ferida em gotas guarda seu ciclo feminino inteligente.
Na trama exuberante onde se deita, são lençóis Maranhenses.
Ensina-me transbordando o seu primeiro gole elegante.
As muitas faces da busca formam a despedida e seu castigo.
Algo que talvez passe por você e eu nem veja.
Como o primeiro libreto de reciclar sonhos, enjaulados e ricos.
Segura no corrimão do meio urbano para realizar sonhos,
aonde a poetisa brilha na trigésima primavera de ibiscos.
Sua avenida passa, passista em movimento geóide e graça.
Nesse por do sol, que como um poema pronto nos abraça.
Ate o próximo,  e o próximo, e o próximo, incessante....

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pois é

Fotografia: presa por desobediência?- Jorge
Uma pessoa que não comete alguma desobediência civil,
é uma pessoa indelicada com a vida!
Difícilmente será uma pessoa livre.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como Deus pais ( A puta me contou)

Fotografia: guerra da mulher
Poema para as mulheres normais.
Correndo na frente,
seguindo tão crentes,
desejam demais.

Os corpo latentes,
sorrisos aos dentes,
são tão comoventes,
parecem iguais.

Vozes eloquentes.
Sempre consequentes,
derramam seus ciclos menstruais.

Poema para as mulheres iguais.
Serão lenientes,
parecem parentes,
seus corpos decentes rivais.

Loucuras ausentes,
as inteligentes,
são uni presentes.
De tanto querer demais

Assim finalmente,
são naturalmente
amantes lembranças dos seus pais.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Esse samba não tem Bis ( perna bamba é do samba)

                                                         Caricatura: Lupicínio Rodrigues- JB caricaturas
Foi você quem não me quis
Apagou-me feito um giz
Bagunçou meu coração

Seu desejo era verniz
Só palpite, era infeliz
Logo dizendo que não

Bebo um gole de cachaça
Pra ver se a vontade passa
Quase perco é a razão

Outra vem e me abraça
Mas não acho a menor graça
Remendar desilusão

Tergiverso e faço um samba
Mas minha verve de bamba
Volta pro mesmo refrão

Hoje vou voltar pra Lapa
Onde o samba não escapa
Largar-me na fundição

Vou cantar la no Semente
Mais uma mulher que mente
Caida em contradição

Outro gole e vou na raça
No suor e na pirraça
Procurar outra Paixão

 Ah! E esse samba não tem bis...

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

terça-feira, 17 de agosto de 2010

De mãos dadas para o vazio ( O analfabeto poético)

                                                                                    Fotografia: De mãos dadas para o vazio- Sisse


Por um momento único nossos olhos se tocaram.
Por um segundo de calor em  um lapso instigante.
De vitrinas vivas houvera o reclame rápido,
como um raio involuntário.
Enquanto nossas mãos chamaram pela união dos corpos.
Mas eles não estavam prontos.
Detiveram-se nas fronteiras da negação fria, éramos só normais.
Num labirinto de formas nos desintegramos, se tanto.
Como a um estalo de ferro, comum ao ranger dos músculos armados.
Como a uma inversão dos brios, comum à descrença dos inacabados.
Como a barragem dos rios corrompidos na energia, para validar a luz
na cidades dos sonhos dos seres de terra.
Devastamos aguas e morremos na praia.

Ah! Se não houvessem tantas regras, tantas ideias prévias,
tantas banalidades de solidão.
Ah! se houvessem só coragem e coração.
Mas houvera apenas um único segundo desvairado,
num olhar único, denunciante. O olhar de um beijo.
Por um momento de segredo infiel, fugidio e passado.
Amamos-nos, como a onda quebrada  no momento do mar,
é da areia.
Porque é da areia e do mar  o tempo de sal de todo e qualquer amor,
por menos ou quase.

Nós que não soubemos ser do desejo, não beberemos desse sol,
dessa coragem. Fomos fracos.
Mas nós dois, por um átimo de instante rápido qualquer,
nos amamos.
O amor vem primeiro nos pequenos atos falhos,
quando fogem sussurros no silêncio.
O amor vem bem antes na sedução, inesperado.
Amamos no que houvera de perdido e assustador,
amamos onde o amor nos saiu  do controle,
antes de se esvaziar no ar.
Como dois abandonados em temor.
Ficamos desligados, estancamos no inacabado.
Mas amamos.
Nesse espaço vazio, nesse início finado, que agora é desbota.
Nessa cortina de fumaça que nos afasta, e desenlaça,
desfazemos como a uma réstia ácida
encoberta em suas cascas de medo,
como as couraças e seus segredos.

Resta agora a distância, como é longa a distância! diz o poéta!
Como é vazia!
Se não soubemos amar, amamos a dúvida.
Hoje não restamos dádiva do delírio, e talvez nunca o sintamos.
Não soubemos mais que esse couro sem pele de nossos pobres estáticos braços.
Esse será o nosso pecado replicante.
Não soubemos mais que o prévio combinado de medo,
na delicadeza dos infelizes.
Talvez já o saibamos.

Estivemos nus desse desejo encabulado dentro das nossas roupas de carne,
dentro dos preconceitos pétreos, dentro de nossas censuras.
Fomos só distantes, e de distantes ficamos pequenos.
Com nossas poucas palavras exiladas, mas condenadas à libido.
Nossa nobreza será essa, desperta de disparates entre os dedos da elegância.
Nossa pobreza será essa, nossa união será essa,
essa será nossa extravagancia
Essa distância que nos aproxima, num brilho de erogenidade,
enquanto olhamos para o nada disso tudo,
pois o tempo do amor nos atos não se conta em ábacos.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Inquietude ( O analfabeto poético)



                 Fotografia: Artéria paulistana- Gal Oppido



Vivo do absurdo que sou.
Respiro o alívio da desilusão.
A cada ausência lúdica me refaço,
no abraço da sabedoria dos cansaços,
olhando com o olhar inteiro a amplidão.

Nela me assenhoro dos meus passos.
Vou no enlace frouxo da razão.
Corre no meu pulso sangue brasio.
Sempre há algo em mim que principio.
No peito trago nua essa paixão.

O tempo de lonjuras e mormaços
discorre nesse misto o seu condão.
Na solidão dos homens me repasto.
Por hombridade faço a solução,
a ter que prosseguir passo por passo.

Vivo de existir no que conquisto,
sem ter o passaporte das certezas.
Nem garantias trago nos meus vícios.
Minha alegria é carta sobre a mesa,
dos sorrisos da contradição.

Um dia no outro dia me completa.
Entre os dois a noite me abandona.
O ciclo da vida não é rota certa.
O inesperado sempre vem à tona,
contrariando o solo dos anacoretas.

Sobre os contornos da indiferença,
às vezes quase morto vou à lona.
Abatido por um olhar destro e esteta.
Amasso o barro impuro da existência,
com as minhas mãos, assim ela desperta.

Pouco a pouco, delirante e férrea.
Como uma festa itinerante de querências,
marcada por suas próprias consequências
a questionar-me telúrica e etérea.
Mantendo a esperança irrequieta.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Onde o poeta não é poesia.(O analfabeto poético)

                                       Fotografia: Cláudio Edinger

Onde o poeta não é poesia,
é onde não há solidariedade.
Aonde o reino inútil da ironia,
toma lugar da humanidade.
Não há nobreza na monarquia,
mas pequeneza de sua parte.
Não há fascínio na omissão,
só a solidão da adversidade.
Quando um homem pede a mão,
demonstra precisão, necessidade.
Pobre é o espírito de quem diz não,
cercado de imbecis na realidade.
Custos maiores puxam o cão,
que irá abater essa inutilidade.
Homem não se faz por herdade,
herança pobre ou pusilânime.
Negar socorro é mais que maldade,
é fraqueza, é fragilidade, e vexame.
A fotografia que fica, é de um nada.
Justa é a causa de que se reclame.
Cegar um poeta com uma pedrada,
diante de fúteis espectadores,
é ser da poesia a idiotice ladra.
Os que não enxergam as suas cores,
dos seus sentidos não são senhores,
jamais souberam os seus valores.
A esses restaram as barras da lei,
na qual se apure responsabilidades.
Aqui nesses versos finalizarei,
repudiando aos falsos poetas e aos covardes.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/