Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 25 de setembro de 2010

Na linha


Fotografia:Bola na rede é gol -Rafael Neddemeyer
Amor, passe perfeito
entre jogadores
no futebol do peito
.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Revelação ( Olhos nus)

                                           Fotografia: Inconsciente-Cecília Hudec

Se a linguagem não diz tudo,
no conteúdo das palavras,
tem um pedaço que é mudo,
é escuro,
é secreto.

Esse pedaço silêncio,
esconde no seu concreto
um misto de atitude,
revelação e afeto.

Por trás do comportamento,
preserva o seu absurdo.
Parte que não se pensa,
aparece em corpo desnudo.

São atos soltos no vento.
Revelados amiúde,
no seu passar desatento.
Como algo grafado em latim,
na tessitura dos vetos.

Histórias, fatos sem língua,
memórias caladas em medos.
Qual vegetação de restinga
espalham-se em interditos.

Lá o poeta entra, e briga,
para buscar o poema
do olhar, que hora lhe acena,
mas que ainda não foi descrito.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Será a tarde? ( Mamulengo)

Quando a primavera chega,
é claro, é cor.
Iluminação de todos,
claridade de entrudo.
Calor de felicidade.
Vaidosa a natureza
invade em delicadeza
tudo, tudo, tudo.
Perfume de todo mundo,
semeadura de liberdade.
Estação de alegria
Violinos de Vivaldi
na flor da diversidade.
Quando a primavera chega,
é claro e estou.
Ouvidos, visão, olfatos, sentidos....
No tato do seu calor,
alguma parte me arde.
Será a tarde?
Será Gullar?
Será?
.
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Fotografia: É primavera- Carlos Oliveira

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

De grife

Fotografia: Caricatura-Carlos Barcellos
Quando o sarau é de grife,
a poesia não resiste.
Se por lá chega,
rapidamente evapora.
Deixando só um esquife
de conteúdo pobre.
Sem qualidade longeva,
feito de cascas de palavras,
cujo sentido se deprava,
no cheiro, numa bandeja.
O que essas cascas encobrem,
na fantasia de nobre
é o caricato da cena.
São tatuagens de rena,
Versos que não valem a pena,
A que dão o nome de poema
onde a poesia foi embora.
.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mamulengo

Fotografia: As feses do Mamulengo_ Sílvio Feitosa
O universo do universo,
deixo para os astrônomos.
O universo da terra,
Cava-o os agrônomos.
Uni o verso de peito,
ao peito de quem é anônimo
ao sub do sol que é urbano.
Fulano, Beltrano, Sicrano.
Sou  um poeta mamulengo,
solto no corpo de pano.
A costura do meu poema
é o universo humano.
.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Virando a mesa




Fotografia: Olhar pela janela azul - Izabel Duarte de Almeida
Aquilo que te assusta,
faz parte da minha natureza.
Se a vista não lhe for curta,
faça do lençol "tereza."
Tire dos olhos a burca,
Salte da janela de si.
A vida fora das presas
foi feita para fluir.
Não guarde pó de tristezas,
agora tenho que ir.
Eu vivo de virar a mesa.
O amor é um trago no fim.
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domingo, 19 de setembro de 2010

Depois do Jantar ( Imails da Jò)

          Fotografia:Amantes- Cristina Matos
Imail enviado por Jô a Escrava do amor

Quando suas mãos vêm me visitar
com dedos de urbe,
tato de púbis,
hálito de bar.
Quando o coração trafega no olhar
meu Deus como pude?
Depois do jantar!
Eu tinha jurado por tudo que há.
Você me descobre, me cobre,
e come.
Consome,
você me faz delirar!

Quando sua boca me vem ofegar.
por trás do pescoço, colosso,
alvoroço.
Falando vulgar,
de língua
de gato
de bruços
de quatro
de fato,
de lado,
faz eu me virar.

Então viro outra,
ponho-lhe na boca,
aos beijos de docas
de louca,
de portas
de entrar.

Quando você vem,
e chama, e chupa.
Perco a conduta,
me escuta,
me escuta,
eu fico sem ar.

Se a vida é tão curta,
eu digo que sim.
Quero não.
Eu digo que não.
Quero sim.
Fico devoluta de mim,
por razão.

Então você vem e cutuca
de mansinho assim.
Tirando-me as cercas,
machuca, executa,
plantando a paixão.
Ao cabo da luta,
eu fico tão puta.
Da fadiga justa
sobrou-me
o suor,
no assoalho da sua invasão.
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Olhos de pedra ( o analfabeto poético)

Fotografia: plataforma 1

Meu poema ambiental teve a palavra queimada.
Meu verso de ouro teve a impureza lavada no mercúrio fluvial.
Minha rima caçada de tráfico, veio silvestre bioma passarada.
O meu rio se sorrio, é assoreo; Ausência ciliar no capinzal.
Minha poesia foi sina, foi biodiversidade menina, roubada de prima,
foi mina de lavra, foi palavra de eucalípto no Fantástico.
Sou um poeta de usina suja e natureza alagada, fogo e matagal.
Há amor em mim, eu o acho, entre o chorume e o lençol freático.
Comi da genética poética, com o semem transmodificado Monsanto.
A energia fóssil queimou meus olhos monóxidos.
A industria suja surge rude na fronteira Bric de araque.
Fazendo a palavra mais fácil de ser comprada, é prático.
A lógica não precisa da realidade, mas do Descartes mágico.
A vida é simples quando vem com lacre, plastificada.
A face do homem que sou, teve a numeração raspada.
A beleza do consumo é a classe média engalanada.
Mídia Deusa minha, bem ou mal, boca falada.
A madeira dessa farpa no meu peito,
teve algum jeito de nunca ser certificada.
O ar de sobra do amianto fez chiar meu canto.
De fuligem, de barro, de cigarro e de carros,
fez-se a vida na fumaça sonora.
Máxima alegoria no ouvido culto dos satisfeitos.
O lixo estrangeiro veio perfumar narinas com seu cheiro.
Nos containeres fazem rima aqui na Bolívia ou na África.
Na extinção do animal humano o poeta sobra.
A sirene avisa o avanço das águas fáticas
O mar pega fogo de óleo negro e morte,
talvez a vida resista sobre meus olhos de pedra.

sábado, 18 de setembro de 2010

Desfile

Fotografia: - Sem tempo- Pedro soares
Só pra você saber.
A magica do tempo
não esta em ve-lo passar,
está no acontecer.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Fui ( Mamulengo)

Fotografia: Janela para o Mar-Reynaldo Monteiro

Fui daqui embora,
tendo pouco pra falar.
Mais que pouco tendo nada,
que possa compartilhar.
Levei metade de abraços,
um quadro do Síloé,
lembranças e embaraços.
Carranca que não assusta,
e os espíritos do Rio.

Um São Jorge, nenhum tusta.
No fim eu me principío.
Você vai ficar com o Fusca.
Eu vou de peito baldio
do seu apreço de mulher.
Na despedida que custa,
Se a saudade lhe vier,
aperte-a com uma das mãos.
Ponha um calço no fogão,
e aprenda a fazer café.

A vida reinicío
num bico de pena leve,
que se asa tambem tivesse,
não ia me acompanhar.
Voaria em céu Brigadeiro
antes de mim primeiro,
numa corrente de ar.

Ah...escultura de neve
que é o amor!
Vive tão breve
e tem o sabor
derretendo-se no olhar.

Não levarei nenhum tempo,
que o tempo nunca se leva.
O tempo anda sozinho,
não sei para que lado vai.

Também não levo os carinhos,
que foram feitos em par.
Pois todos foram doados,
aos ventos apaixonados
dessa janela sobre o mar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Não ( Mamulengo)

Fotografia: Rod Costa- Falar com...Um olhar

No raso do pensamento
onde a palavra se esconde.
Por trás do alumbramento
com a estatura de longe
Os olhos que te descrevem,
no que a boca repudia,
são desejos roçando a pele,
na face que os negaria.

No temor do novo intento,
aonde o amor se queria,
o corpo comportamento
guardou sua poesia.
Desnuda pelves palavra,
tão clara no seu silêncio.
Mostrando cara com cara,
um assustado intenso.

Comum ao lenço do medo,
cuja vontade escondia.
O olhar pedinte dos beijos,
atravessando a harmonia.
Nesse íntimo tal universo
onde o humano se fia,
temeu o seu próprio verso,
traiu sua própria alegria.

Lá vem! Esse ser abissal.
Sorrateiro que é o homem,
entrando pelo quintal,
pronunciando seu nome.
Mesmo que não se faça,
o amor que o olhar pedia.
Mesmo que se acovarde,
o abraço na coisa fria.

Restará nesse um olhar
certezas mais que pungentes,
do sal que há nesse mar,
no sol que houvera quente.
O desejo quando defeito,
deixa um rastro, um rio.
É fogo que implode o peito
sem acender o pavio.

Então se rompeu o afeto,
no que dele é a esquiva.
Derivamos no incerto,
descemos no ralo do dia.
Mas esse olhar inquieto,
fecundo e sem calmaria.
No que falar de completo,
vai dizer o que queria.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amor de intelectuais

"Na penumbra
ela me toca os orgãos.
Em um rasgo,
a mim fode.
...Atravessam a noite
as estrelas...
Em quadris do diabo,
dançam rumba.
Enquanto a lua
Lê a Freud”
Amanheceu e ela dorme....

Miame ( Mamulengo)


Fotografia: Edsel Citation en el Malecón-Pedro Moreira

AH Cuba!
Deixa que eu entre com meus iPhones, com meus Hamburguers,
com meus dinheiros.
Deixa que eu te abrace de amante, pelas commodities primeiro.
Faremos amor em Guantânamo e atravessaremos o mar,
sem precisar de balseiros.
_Lembra do Al Capone?
_O Corleone?
Ainda trago esse perfume, esse cheiro, deixa eu voltar!
Abre a porta de trás , chegarei sorrateiro.
Se você deixar eu juro que não brigo, vamos tratar nossas manchas
com solução para vitiligo.
De presentinho, pra te agradar, trago um sotaque de gringo Flórida,
para misturar com rebolado Habaneiro.
Juro que não embargo mais no seu traseiro, me chame de charme,
me chame, me chame.
Ouça esse reclame!
Dou-lhe meu nome latino agora, é Miami!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tequila ( Imails da Jô)

Fotografia: Maks-Carla Broekhuizen

Imail enviado por Jô a escrava do amor

Ah! Quem dera,
eu fosse aqui nessa paquera
a sua bela.
Ah! Quem dera,
aqui nessa pontinha
de olhar.
A primeira

Quem me dera,
mulher nenhuma
alem de mim,
fosse seu fim,
fosse eu aqui seu par.
Seria eu a outra,
da historia outra,
desse outro lugar.

Ah! Quem dera,
vindo nas entranhas
soçobrasse a fera
indo até o talo
Seu beijo ruím
fosse meu regalo.
Molhasse-me toda a mais.
Retirando a minha páz.

Faço-te reparo.
Que te olhar assim.
Que te desejar.
Que há nesse mar.
Quê  de se alagar.
Mestre do meu corpo, arrais

Eu já faço planos,
há no amor enganos,
por baixo dos panos,
mesa de bilhar.

Meu amado.
Meu profano.
Taco todo meu,
quitute suburbano.
Deixa-a pra lá,
vem brincar de amar.

O amor é velhaco.
Diz que sim,
às vias de fato,
vem para cá.
Antes que outro fim
faça-o ir embora,
e pague a conta,
sem levar em conta
esse olhar.

Vem que estou ficando tonta.
Vem-me, vem, me desapronta.
Vem fazer eu me cansar.
Vem entra e não pensa.
Vem, veja, vare e vença.
Vem, intenta.
Vem que eu vim intensa.
Vem brilhar.
Vem e vem correndo.
Vem, que estou ardendo agora.
Vem que estou querendo.

Não! Não vá embora.
Não! Não está na hora.
Deixa aberta a porta.
Deixa eu te sonhar.

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Música (O analfabeto poético)

Capa de disco/Design for LP cover: Chega de Mágoa/No More Sorrow, Vários/Various- Elifas Andreato

Em memória de Chico Mário
A língua da música esta lambendo meus ouvidos agora,
Isso tira cracas de dentro dos meus pensamentos.
Notas musicais organizam minha paz de dentro para fora.
Mudam os gabaritos que engenharam o indivíduo a tempos.
Quando uma música toca, em mim dilui qualquer tormento,
restaurando  os tons à vida pelas claves soltas mais sonoras.
Se um instrumento toca é algo maior que brisa a vento.
Sobre as pautas dançam em harmonias, minha alma junto com o meu centro.
Um solo de guitarra grafa a fender fotos de porta retratos;
Prometendo o salto surpresa implícito no rítimo dessa nau felicidade.
Entra o conversar de cordas, couros, paletas e metais, tudo me invade.
Metamorfoses singram meu espírito e a calma é o tento.
Até que esse velho marinheiro de cais, cidadão de corpo hiato,
voe emoções chorando um improviso Sebastian Bach de alarde.
Como um pássaro de sons impregnado desses instrumentos.
Tudo então se alinha ao salto, à solução fina do sax Pixinguinha.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Crooner (O analfabeto poético)



A voz do Milton
é trompete de Miles.
Parece um rio
de sonoridade.
O trompete
Miles na voz
do Milton,
enche o vazio,
dá felicidade.
O Milton Miles.
O Miles Milton.
Mil tons.
Mil Davis.
Mil dádivas.
O improviso é o sopro
Para quem quer se soltar........

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Entrando de sola ( O analfabeto poético)

                                            Fotografia-Retratos (in)parciais-Gonçalo Afonso dias
O que empenho para viver
é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória

Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga 
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas

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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Do amor (imails da Jô)

Fotografia: Na corda Bamba-Augusto
Imail enviado por Jô a escrava do amor

O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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domingo, 5 de setembro de 2010

Affair ( O analfabeto poético)

                                              Fotografia: Fumaça-Varli José Dorighello

Desejei seu beijo em vão,
pois ele era fumaça.
Fiquei no caminho do não,
sei bem o que nos afasta.
Francisco diz na canção,
um poeta quando passa,
sabe ver na escuridão. -                                            
Mais uma cena se embaça,
mais uma desilusão.
Feliz não sou quem lhe faça,
vou guardar meu coração.
Mas esse olhar de vidraça,                                                                                        Dos seus olhos já  sem graça,
vai ficar sem solução.

Se a vontade por pirraça,
formar brasa em seu  colchão,
se o dia for o da caça,
se lhe faltar com a paixão,
não se envergonhe em ameaça,
utilize os dedos da mão.
Pode vir prazer aguaça-
até escorrer pelo chão.                                    
Mas esse medo que afasta, vai te morder como um cão
Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão, 
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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sábado, 4 de setembro de 2010

Hapa Nui ( O analfabeto poético)

Foto: Moia em tongariki- Revista época, Haroldo Castro

Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto                                             
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.

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