Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Papel ( O analfabeto poético)

Buraco da fechadura-2004- Ivan do Espírito Santo

O papel, de portar palavras
pós escritas, vira boca.
O poeta, de pensar palavras,
pôs a vida nessa porta.
Traduz de dentro de si o mundo
para fora de sua vista torta.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Universo Mundo....(O analfabeto poético)



Para Marcelo Gleiser


O mundo é imperfeito.
Deus é o complementar.
A simetria tem defeitos,
do quântico ao relativizar.
No espaço há nove dimensões,
sendo seis a se procurar.
Qual o pedaço das noções?
quem é  o tempo esse super star?
Mutações, falhas perfeitas
na história ambiental.
Não sei porque a vida foi feita,
mas o mundo conspira no quintal.
Nos somos raros desse jeito,
ao compara-se o resto.
A natureza é frágil,
o verídico é honesto.
Da curiosidade mais ágil,
o universo é um veludo.
O nosso olhar retrátil,
sem ter respostas ao susto,
mantem a imaginação fértil.
viver é volátil e vetusto.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Prazer importado (O analfabeto poético)


 
                                                                   Sexo em shoping-s/autor-s/data

Faremos tudo que quisermos,
mas somente se estivermos juntos.
Um conjunto em desconjunto.
Segura o leme, e veremos
um mar, de homem e mulher
num bar, boteco bunda em pé.
Isso e tudo, nem mais, nem menos.
passemos assim o tempo,
ele não da marcha ré.

Mas se você quer dinheiro,
deixe dizer-lhe na fé:
Cuidado ele é de comprar.
Toma-lhe o Tao todo, inteiro,
dinheiro é tempo primeiro.
Depois é que vem solidão.
Vê como é passageiro?
Retranca qualquer de zagueiro,
fila do ponto em 'buzão",
currículo de ter carreira,
carteira de por coração.

Se você der mole ele abraça,
passa a lhe comer mulher.
Se perceber, perde a graça,
você fica sem pau na mão,
sem ter quem lhe faça em brasa,
sem dividir manhãs e pão.
Para alem do sucesso pandeiro,
ou dos percalços de paradeiro,
da sua própria profissão.

Olha bem onde a vida lhe engana,
joga você na cama,
então não põe mais ninguém não.
lá onde você se molha
pelas entradas e encolhas,
pondo um rabbit na paixão.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Mágica (O analfabeto poético)

                                 

Consegue ver?
Olhe devagar.
É a realidade,
vai passando
aí por você!

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/



fotografia- Gentil Barreira

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passado(O analfabeto poético)

                           Fotografia-informativo- OrlandoBrito

A lembrança é uma caixinha mágica
onde se pode guardar o tempo.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 6 de junho de 2010

Poema para a mulher miragem(O trago da seda)

invenção dos monstros-1937-Salvador Dali


Em que parte da vida te perdeste dela mesma?
Em que individualidade ficaste acomodada?
De tal modo perdida, que de perdida te mataste;
Desdentando apenas tua imagem abantesma.

Na tragédia vais,  ao fim, compor morada.
Sem a possibilidade do outro, sem olhar de contraste.
A humanidade te é externa, e a diversidade não é nada.
Em que parte disferiste o golpe que a ti mesma mutilaste?

A humanidade te é interna, e a diversidade mal criada.
Quem foi que notaste na realidade comovida?
com a tua vista curta das personas sem estrada.
Quando não tens o olhar no outro, tens a vista desprovida.

Sendo-te dela mesma apenas vazia, passiva e abandonada.
Viver é mais que existir, é interagir na vida que encontraste.
Se não tens o olhar no outro, não dominas a mirada.
Quando nada há por ver, que às cegas segues só, e acostumaste.


http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 30 de maio de 2010

ùnico(o trago da seda)

Palhaço-1987-Gustavo Rosa

Não sou um só, não único.
Meus anônimos são sinônimos
de mim, são mediúnicos

Nos seus cantares afônicos,
como Rock and roll e Olodum.
Concisos, sucintos, lacônicos.

Não tenho heterônimo nenhum.
Outros de mim chegam junto,
Arrisco um forro Garanhuns.

Como Brasil orfeônico.
Minas de ferro esperanto,
internauta monofônico.

Malandro branco e Banto,
mangue de guaiamuns.
Quietude de acalanto.

Conversa de futebol,
meus outros são meus comuns.
Boteco é o meu quintal.

Cama de acordar com sol,
força adversa do arranco,
chama de lamber geral.

Pois sendo tantos meus múltiplos,
calma de achar assunto,
dentre os quantos penúltimos.

Eu não sou um, sou muitos.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/
.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O trago da seda( o trago da seda)

Parceiros-s/d-Cristina Canale

Nossa carreira de versos,
vicios de metrificar.
Porra é o fim manifesto,
nos ainda termos a amar.
Amor de corpo é honesto,
homem começa com H
único, comum e diverso,
composto de transpirar.
No amar há um poder tônico.
Biônico o amor é quasar,
deixa que um brilho bem único,
noutro se venha juntar,
vibrando onde tenham assunto,
suor de corpo é soar.
Somente se eles não mentem
no rosto  dos olhos urgentes,
o resto a viver é amar.
Amar é dar um mergulho.
Ter de seu o outro, e entrar.
Pode ser lindo,
pode dar gorgulhos,
pode ser maroto,
pode ser vulgar.
Isso se entre dois gostos,
Há mosto de se beijar.
O beijo tem sal devasso,
vozerio mel, Babel. 
Mandinga feita de abraços,
estardalhaço no céu,
barulhos de ouvir, coretos.
Solo de dois em um,
despacho com fé e paixão.
Sabores com urucum
Amor é um prédio concreto,
com janelas para a ilusão.
Perigo de risco certo.
larica de desejar.
Depois de um no outro posto,
com a calma do alvoroço,
entre os dois tem o som do mar.
O mar com seu próprio dorso,
nas pedras do cais se esfrega,
ao amar a pedra se entrega
e a dedicação é lombar.
Amores no mar têm ilhas,
humores, lugares, virilhas,
ao cabo das maravilhas,
têm olhos d'agua chorar.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Poema vazio ( o trago da seda)

                         Biassino Gesualdi -Árvore - s/d 

Aqui apenas o poema vazio,
vazio de suas vontades.
Vazio de todo sentido,
vazio de ter saudade.

Vazio poema de estima,
vazio de seus tropeços.
Vazio que te alucina,
vazio  de rél confesso.

Vazio  verso sem ética,
vazio de contradição,
vazio tambem de estética,
vazio poema em perdão.

Vazio poema sem corpo.
Um poema vazio em palavras.
um poema no espaço corso,
vazio aonde não estava.

Vazio de heresia,
vazio de tronco duro,
vazio de amor maduro,
vazio de poesia.

Vazio seca de rio,
vazio da imensidão,
vazio de mar é o navio.
Poema vazio dissolução.

Vazio poema fracasso,
vazia terra de cava.
Poema vazio de aço,
poema vazio de travas.

Um vazio de ametria,
vazio total de amores.
Vazio todo de dores,
vazio de covardia.

Poema vazio de abraços,
vazio de companhia.
Vazio poema dos fatos,
poema vazio em alegrias.

Poema opaco, vazio de cores,
um poema vazio de olhar.
Vazio poema sem flôres,
vazio poema de bar.

Vazio poema sem face,
Vazio poema sem teto.
Vazio poema trespasse.
Poema vazio incompleto.

Vazio poema sem ar,
vazio de toda ausência,
vazio de olhos em par,
vazio de malemolência.

Poema vazio de medos,
poema vazio inquieto.
Poema vazio deserto,
poema vazio tão cedo.

Um poema vazio de afetos,
poema vazio em delito.
Poema vazio incompleto,
Poema vazio é não dito.

Poema um vazio ereto,
poema vazio de estado.
Um poema vazio incorreto,
um poema vazio coitado.

Vazio poema abandonado,
poema vazio de anoitecer.
Vazio, o  poema vazado,
O vazio poema em você.

Poema desocupado,
um poema vazio sem medo.
Poema vazio de recado,
poema vazio brinquedo.

Vazio poema adrenalina,
um poema vazio desfarço.
Vazio de poema é esquina,
vazio poema de ser escasso.

Vazio de braz de pina,
vazio poema de abraços.
Vazio de coisa divina,
poema vazio sem laços.

Poema é um vazio de rimas,
poema vazio solidão.
Um poema vazio em barriga,
poema sim vazio diz não.

vazio poema de briga,
vazio devassidão.
Poema vazio de liga,
vazio poema de pão.

Vazio poema de figa,
vazio de desalinho.
Vazio feito intriga,
vazio de taça de vinho.

Vazio do  que continha,
vazio de vagão de trem.
Vazio de fim de linha,
vazio do que não tem.

Poema vazio diz tudo,
vazio de querer bem.
Vazio de olhar desnudo,
poema vazio ninguem.

poema bem vaziozinho,
poema desguarnecido.
Vazio, vazio, sozinho.
Um poema vazio esquecido.

Poema vazio de sem,
poema calado, sem pio,
poema que eu desconfio
que nem poeta ele tem.


http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bilhete (o trago da seda)

Surreal- Albery Seixas-2004

Eu já te disse mais de uma vez  criatura,
a lucidez é uma homenagem à loucura.
É preciso ter sensatez na aventura.
Uma desatenção provocará só rasura,
tem que ter manha, ter jogo de cintura.
No meio do campo tem que ser craque,
senão é doideira de araque,
meia bomba, meio traque,
não passa de viagem sem destino, imatura.
Quem não pode com pote, a rodilha não segura.
Eu já disse para você criatura

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 16 de maio de 2010

Tarô ( o trago da seda)

 viscontisfarataro
Homenagem à Plínio Marcos


Nas cartas do tarô o vaticínio,
mostrando as armadilhas do real.
Real que aprisiona o raciocínio,
onde a diversidade é anormal.

Provendo as miragens escolhidas,
paridas dos sábios,  bem e do mal.
Velados no universo dos sentidos,
separam do comum o descomunal.

Sobre o mal, maior arcano é a ferida,
desatino do intestino pessoal,
quando o trágico desfila na avenida,
na metástase das certezas da geral.

Ao bem cabe ser joia da coroa,
parece o Gentileza do mural,
ou mesmo heterônimo do pessoa,
horóscopo na coluna social.

Descarregando sobre o inquilino
da vida o seu alheio fel fatal,
a tristeza é calado desafino,
"a dor da gente não sai no jornal".

Todo poeta é um pouco cabotino,
vem no destino, um gene varietal.
A alegria é coisa de meninos,
tem cheiro e cor de manga de quintal.

Se o sorriso não encanta, é de vidro,
sai frio no silêncio do cristal.
Sobrou sobre o poema descabido,
o vento, um lamento e a pá de cal.


http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Poema para Deusa de ébano( o trago da seda)

                                             Mulher ao luar, s/d, Bruno Giorgi

Eu não posso fazer-lhe um funk meu amor.
Deus me deu por pecado o branco na cor.
A cor negra que gosto tanto de ter,
a cor negra eu preciso buscar em você.
No terreiro dos meus olhos há tambor,
no desejo do seu, ponho o meu prazer.
Essa é a pele aonde o samba é só calor,
E a sua boca na minha boca vai dizer.
Nas  suas pétalas abertas beijo a flor,
vendo a noite, no dia, derreter.
Nosso amor discorre assim, sem hora,
não há tempo acertado para ele ser,
para viver, para ficar, para ir embora.
Sob as bençãos de Pierre Verger,
nos devotos de Obaluaiê,
o melhor do amor é ser agora.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 9 de maio de 2010

Estação final (o trago da seda)

              Ligações perigosas, 1926, René Magritte

Um defeito na linha do metrô.
Um desfeito no meu coração,
diz-me ao corpo, agora  não vou,
pois se for sem amor quero não.

Na poesia cardíaco-decô,
nano corte mostrando ilusão.
Fico sozinho, prefiro, eu não vou
alimentar com você solidão.

Sou um branco de sangue nagô,
cujo anjo torto ensinou,
anulando com a arte de um gol,
os desiguinios da má sedução.

Ausenta de mim seu lençol,
aonde nosso amor acabou
no tetrahidrocanabinol,
ao querer que eu vá, eu não vou.

Nem ouço mais aquela canção,
que o Roberto Carlos cantou,
Tocada baixinho na estação
arcoverde de um jeito retrô.

Você sabe bem onde estou.
Vai com a saudade e fica.
pois já o amor não bate, complica.
diz-me o fim e por isso não vou.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Brincando com Drumond ( o trago da seda)

                      Pelado-2008-Efran Almeida

No meio do carinho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do carinho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do carinho.

Nunca me esquecerei desse tão mal momento
quando finda o amor numa pedra atirada.
Juro que a esquecerei,
no meu caminho tinha uma pedrada.

Tinha uma pedra no meio do carinho
saí desse caminho sem carinho, nem mais nada.
No final, sozinho, só a desilusão pelada.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

terça-feira, 4 de maio de 2010

Poema para a moça que dança(o trago da seda)

          Figuras no bar-s/d-Héctor Carybé

Gosto de todo e qualquer tipo de dança.
A dança da vida ao corpo, o revitaliza.
Tenho  pelo corpo um carinho especial.
Talvêz por levar-me de forma impracisa.
Ao espaço com precisão cirúrgica desliza.
Dançando, leva-se aonde quer chegar afinal.

Como agora! Quero a sua dança do ventre,
Quero sua ginga bonita de portar bandeira,
sua pele de sal, seu calor de amiga.
Movimento de dorso bailando brejeira.
Nesse seu corpo eu quero estar entre.
Deixar-lhe molhada em todas as beiras.

O meu verso guerreiro apronta-lhe na lança,
da mais gostosa guerra humana à brincadeira,
fazendo-a gozar sempre na lembrança.
Serão assim as memórias primeiras.
Movimento e sincronia de prazer e bonança,
sobrepondo-se ao baile de uma vida inteira.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 2 de maio de 2010

Primeiro Imail de Jô (Imails da Jô)


              Cabeça de escrava-1992- Oscar Pereira da Silva

 Enviado por Jô, a escrava do amor

Ele quis fazer de mim outra mulher,
não uma mulher com outro corpo,
mas outra pessoa na verdade.
Fico triste, não serei o que ele quer;
Se não gostou do que sou, serei saudade.
Saudade  é o que divido na forma e na fé.
Quis mudar-me, não gostou d'alguma parte.
Só ama se fizer de mim outra qualquer.
Se assim ele é, sinto muito, não sou aparte.
Para gostar-me, tem que ser toda, inteira.
Já tudo sabem os sussurros dos ouvidos.
Não serei mais uma tentativa passageira.
Nos corpos, nesse jeito de amor sumido.
Frio o romance deixa beijos sem maneiras.
Não seria eu, tendo outra personalidade.
Tentar ser outra é ruim , isso me cansa.
Distanciar de mim mesma não faz sentido.
Ficam nossos os reboliços da lembrança.
Tenho de mulher e amor, só a realidade.
Não vou apagar o olhar, nem vê-lo tolhido.
Não sei amar, ferida de minhas liberdades.
Eu que pensava encontrar amado escolhido,
vejo agora só um amor de puberdade,
Portanto ele não pode ser mais querido,
Que maldade, que maldade, que maldade..
Mais uma dor e mais um homem removido,
quando a ideia exaure a cumplicidade.
O amor acaba na abstinência, no castigo;
Se já em mim não há mais felicidade,
é que endiante só seremos bons amigos.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Ovo da Serpente(o trago da seda)

Foto- O Globo

Dizem por aí que eleições devem ser uma festa.
Parece que desfocam o olhar da questão.
Eleições, senhores, é resultado de forças adversas;
Não é carnaval, não é feriado de samba não.
Trabalho de muita luta em buscar as conquistas
manifestas dos cidadãos.
Eleições para não dançar, é não morrer  na praia.
Não é micareta ou frevo com banda de caminhão.

Votar é escolher quem vai correr na sua raia.
O político é representante, não é uma profissão.
Representar diversos não é cair na gandaia
com o dinheiro de toda a população.
Vê como age a gente brasileira honesta, sensata,
amantes e amadas unidos, Formando partes de outro corpo
iramanado de todos, que é a nação.

É dia de passeata política, dia dos morros descerem pelo asfalto.
Dia do asfalto subir para os morros, para cobrar com o voto de todos.
Da mais bem de vida mulher ao homem mais roto,
o povo é quem depois paga, pela omissão ou pelos votos que deu,
se houver só serpente dentro do ovo.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Falando nelas(o trago da seda)


Figura feminina com cabeça de flores,1937, Salvador Dali

O que as mulheres mais gostam de comer, é alma de homens.
Precisam delas, tomam-lhes a atenção.
Requerem cuidados, sem  descuidos querem-nos perto.
Todo o afeto querem ao lado, qual prédiletos postados;
Sempre um macho Alfa à mão.
Como vampiras, elas não querem se ater só à carne,
querem o bruto e o líguido.
Querem o amor para alem da volúpia da hora.
Querem o suor e o sangue quente.
Querem alem, querem a calma.
Elas nos consomem, são as senhoras.
Sem calma então  lançamo-nos aos rabos
que sugam e tremem e tomam.
Nos compenetros elas arrebatam os que as comem.
Elas gemem quanto aos seus lábios falamos
as coisas do sêmem.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sábado, 24 de abril de 2010

As de Copas ou de Ouros (perna bamba é do samba)

     Pierrete-1922- Di Cavalcanti

Jogaram água por cima.
Molhar os couros é inútil,
chamaram então a polícia,
para resolver algo fútil.

O tempo volta no tempo,
Quando sambar der prisão.
Prisão são os apartamentos
O samba é libertaçaõ.

Jogaram um líguido bento,
a guisa de calar a todos,
gritaram os gritos bobos,
molharam os instrumentos.

A raiz do samba é a raça,
 Não é acanhar  ninguem.
Só se invergonham os praças,
quando a patrulha vasa,
querem pagode tambem.

As moças requebram em chamas.
Os moços chamam, e elas vêm.
Na  roda de copacabana,
todos os  fins de semana
o samba é um canto do bem.


http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Poema para o desempregado.( o trago da seda)

         Sísifo,1548/49-Tiziano Vacellio.

No tempo do pós- moderno
o ocorrido é  o ultrapassado.
Não é como deve ser,
um tempo dos ocupados.
Precocidade em velhice,
como uma esquisitisse,
comuna aos desempregados.

Nesses senhores, que hoje
tão jovens miram a si pesados,
galopa um tempo no outro.
Quando perece o emprego,
há precisão de coragem,
no tempo a cego arriscado.

Passada a janela e o vento,
ter que inventar o momento
nos seus próprios de dentro,
para produzir nova vida,
virada de jeito interface.
De si um novo invento.

Um homem sem ser ocupado,
tende a manter-se ativo,
cativo de seu vazio
de produtor amputado.

Não amputado de um pedaço seu,
do seu próprio corpo.
Mas amputado de sua própria valia,
onde o trabalho desaconteceu,
com um ofício morto.
Mais preocupado em reinventar os dias.

Acorda às segundas feiras,
mastiga uma semana,
namora uma fria cama,
passa o ano preocupado.
O tempo não tem retorno.
O tempo nem tem passado.

Não passaria se é tempo.
O tempo só muda de lado,
porque para o proprio tempo,
tempo nem é contado.

A hora que foi vivida,
fecha para sempre a ferida,
mas deixa o corpo marcado.
Na explosão das pedras,
Sísifo perde a montanha.
Agora sem mais alento,
sobe ao apartamento,
mergulhando no  vasado.

Quando o acordar das manhãs
era sair e trabalhar,
Como acordar amanhã?
Agora a cor da manhã
é cor de espuma da praia,
para quem já não vai ao mar.

Um capitão sem navio
tem as lembranças salgadas,
na ausência da maresia,
da hora do corte a fio.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/