Quando a primavera chega,
é claro, é cor.
Iluminação de todos,
claridade de entrudo.
Calor de felicidade.
Vaidosa a natureza
invade em delicadeza
tudo, tudo, tudo.
Perfume de todo mundo,
semeadura de liberdade.
Estação de alegria
Violinos de Vivaldi
na flor da diversidade.
Quando a primavera chega,
é claro e estou.
Ouvidos, visão, olfatos, sentidos....
No tato do seu calor,
alguma parte me arde.
Será a tarde?
Será Gullar?
Será?
.
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Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
De grife
Fotografia: Caricatura-Carlos Barcellos
Quando o sarau é de grife,a poesia não resiste.
Se por lá chega,
rapidamente evapora.
Deixando só um esquife
de conteúdo pobre.
Sem qualidade longeva,
feito de cascas de palavras,
cujo sentido se deprava,
no cheiro, numa bandeja.
O que essas cascas encobrem,
na fantasia de nobre
é o caricato da cena.
São tatuagens de rena,
Versos que não valem a pena,
A que dão o nome de poema
onde a poesia foi embora.
.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Mamulengo
O universo do universo,
deixo para os astrônomos.
O universo da terra,
Cava-o os agrônomos.
Uni o verso de peito,
ao peito de quem é anônimo
ao sub do sol que é urbano.
Fulano, Beltrano, Sicrano.
Sou um poeta mamulengo,
solto no corpo de pano.
A costura do meu poema
é o universo humano.
.
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deixo para os astrônomos.
O universo da terra,
Cava-o os agrônomos.
Uni o verso de peito,
ao peito de quem é anônimo
ao sub do sol que é urbano.
Fulano, Beltrano, Sicrano.
Sou um poeta mamulengo,
solto no corpo de pano.
A costura do meu poema
é o universo humano.
.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Virando a mesa
faz parte da minha natureza.
Se a vista não lhe for curta,
faça do lençol "tereza."
Tire dos olhos a burca,
Salte da janela de si.
A vida fora das presas
foi feita para fluir.
Não guarde pó de tristezas,
agora tenho que ir.
Eu vivo de virar a mesa.
O amor é um trago no fim.
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domingo, 19 de setembro de 2010
Depois do Jantar ( Imails da Jò)
Fotografia:Amantes- Cristina Matos
Imail enviado por Jô a Escrava do amorQuando suas mãos vêm me visitar
com dedos de urbe,
tato de púbis,
hálito de bar.
Quando o coração trafega no olhar
meu Deus como pude?
Depois do jantar!
Eu tinha jurado por tudo que há.
Você me descobre, me cobre,
e come.
Consome,
você me faz delirar!
Quando sua boca me vem ofegar.
por trás do pescoço, colosso,
alvoroço.
Falando vulgar,
de língua
de gato
de bruços
de quatro
de fato,
de lado,
faz eu me virar.
Então viro outra,
ponho-lhe na boca,
aos beijos de docas
de louca,
de portas
de entrar.
Quando você vem,
e chama, e chupa.
Perco a conduta,
me escuta,
me escuta,
eu fico sem ar.
Se a vida é tão curta,
eu digo que sim.
Quero não.
Eu digo que não.
Quero sim.
Fico devoluta de mim,
por razão.
Então você vem e cutuca
de mansinho assim.
Tirando-me as cercas,
machuca, executa,
plantando a paixão.
Ao cabo da luta,
eu fico tão puta.
Da fadiga justa
sobrou-me
o suor,
no assoalho da sua invasão.
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Olhos de pedra ( o analfabeto poético)
Fotografia: plataforma 1
Meu poema ambiental teve a palavra queimada.
Meu verso de ouro teve a impureza lavada no mercúrio fluvial.
Minha rima caçada de tráfico, veio silvestre bioma passarada.
O meu rio se sorrio, é assoreo; Ausência ciliar no capinzal.
Minha poesia foi sina, foi biodiversidade menina, roubada de prima,
foi mina de lavra, foi palavra de eucalípto no Fantástico.
Sou um poeta de usina suja e natureza alagada, fogo e matagal.
Há amor em mim, eu o acho, entre o chorume e o lençol freático.
Comi da genética poética, com o semem transmodificado Monsanto.
A energia fóssil queimou meus olhos monóxidos.
A industria suja surge rude na fronteira Bric de araque.
Fazendo a palavra mais fácil de ser comprada, é prático.
A lógica não precisa da realidade, mas do Descartes mágico.
A vida é simples quando vem com lacre, plastificada.
A face do homem que sou, teve a numeração raspada.
A beleza do consumo é a classe média engalanada.
Mídia Deusa minha, bem ou mal, boca falada.
A madeira dessa farpa no meu peito,
teve algum jeito de nunca ser certificada.
O ar de sobra do amianto fez chiar meu canto.
De fuligem, de barro, de cigarro e de carros,
fez-se a vida na fumaça sonora.
Máxima alegoria no ouvido culto dos satisfeitos.
O lixo estrangeiro veio perfumar narinas com seu cheiro.
Nos containeres fazem rima aqui na Bolívia ou na África.
Na extinção do animal humano o poeta sobra.
A sirene avisa o avanço das águas fáticas
O mar pega fogo de óleo negro e morte,
talvez a vida resista sobre meus olhos de pedra.
sábado, 18 de setembro de 2010
Desfile
Fotografia: - Sem tempo- Pedro soares
Só pra você saber.A magica do tempo
não esta em ve-lo passar,
está no acontecer.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Fui ( Mamulengo)
Fui daqui embora,
tendo pouco pra falar.
Mais que pouco tendo nada,
que possa compartilhar.
Levei metade de abraços,
um quadro do Síloé,
lembranças e embaraços.
Carranca que não assusta,
e os espíritos do Rio.
Um São Jorge, nenhum tusta.
No fim eu me principío.
Você vai ficar com o Fusca.
Eu vou de peito baldio
do seu apreço de mulher.
Na despedida que custa,
Se a saudade lhe vier,
aperte-a com uma das mãos.
Ponha um calço no fogão,
e aprenda a fazer café.
A vida reinicío
num bico de pena leve,
que se asa tambem tivesse,
não ia me acompanhar.
Voaria em céu Brigadeiro
antes de mim primeiro,
numa corrente de ar.
Ah...escultura de neve
que é o amor!
Vive tão breve
e tem o sabor
derretendo-se no olhar.
Não levarei nenhum tempo,
que o tempo nunca se leva.
O tempo anda sozinho,
não sei para que lado vai.
Também não levo os carinhos,
que foram feitos em par.
Pois todos foram doados,
aos ventos apaixonados
dessa janela sobre o mar.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Não ( Mamulengo)
No raso do pensamento
onde a palavra se esconde.
Por trás do alumbramento
com a estatura de longe
Os olhos que te descrevem,
no que a boca repudia,
são desejos roçando a pele,
na face que os negaria.
No temor do novo intento,
aonde o amor se queria,
o corpo comportamento
guardou sua poesia.
Desnuda pelves palavra,
tão clara no seu silêncio.
Mostrando cara com cara,
um assustado intenso.
Comum ao lenço do medo,
cuja vontade escondia.
O olhar pedinte dos beijos,
atravessando a harmonia.
Nesse íntimo tal universo
onde o humano se fia,
temeu o seu próprio verso,
traiu sua própria alegria.
Lá vem! Esse ser abissal.
Sorrateiro que é o homem,
entrando pelo quintal,
pronunciando seu nome.
Mesmo que não se faça,
o amor que o olhar pedia.
Mesmo que se acovarde,
o abraço na coisa fria.
Restará nesse um olhar
certezas mais que pungentes,
do sal que há nesse mar,
no sol que houvera quente.
O desejo quando defeito,
deixa um rastro, um rio.
É fogo que implode o peito
sem acender o pavio.
Então se rompeu o afeto,
no que dele é a esquiva.
Derivamos no incerto,
descemos no ralo do dia.
Mas esse olhar inquieto,
fecundo e sem calmaria.
No que falar de completo,
vai dizer o que queria.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Amor de intelectuais
"Na penumbra
ela me toca os orgãos.
Em um rasgo,
a mim fode.
...Atravessam a noite
as estrelas...
Em quadris do diabo,
dançam rumba.
Enquanto a lua
Lê a Freud”
Amanheceu e ela dorme....
ela me toca os orgãos.
Em um rasgo,
a mim fode.
...Atravessam a noite
as estrelas...
Em quadris do diabo,
dançam rumba.
Enquanto a lua
Lê a Freud”
Amanheceu e ela dorme....
Miame ( Mamulengo)
AH Cuba!
Deixa que eu entre com meus iPhones, com meus Hamburguers,
com meus dinheiros.
Deixa que eu te abrace de amante, pelas commodities primeiro.
Faremos amor em Guantânamo e atravessaremos o mar,
sem precisar de balseiros.
_Lembra do Al Capone?
_O Corleone?
Ainda trago esse perfume, esse cheiro, deixa eu voltar!
Abre a porta de trás , chegarei sorrateiro.
Se você deixar eu juro que não brigo, vamos tratar nossas manchas
com solução para vitiligo.
De presentinho, pra te agradar, trago um sotaque de gringo Flórida,
para misturar com rebolado Habaneiro.
Juro que não embargo mais no seu traseiro, me chame de charme,
me chame, me chame.
Ouça esse reclame!
Dou-lhe meu nome latino agora, é Miami!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Tequila ( Imails da Jô)
Imail enviado por Jô a escrava do amor
Ah! Quem dera,
eu fosse aqui nessa paquera
a sua bela.
Ah! Quem dera,
aqui nessa pontinha
de olhar.
A primeira
Quem me dera,
mulher nenhuma
alem de mim,
fosse seu fim,
fosse eu aqui seu par.
Seria eu a outra,
da historia outra,
desse outro lugar.
Ah! Quem dera,
vindo nas entranhas
soçobrasse a fera
indo até o talo
Seu beijo ruím
fosse meu regalo.
Molhasse-me toda a mais.
Retirando a minha páz.
Faço-te reparo.
Que te olhar assim.
Que te desejar.
Que há nesse mar.
Quê de se alagar.
Mestre do meu corpo, arrais
Eu já faço planos,
há no amor enganos,
por baixo dos panos,
mesa de bilhar.
Meu amado.
Meu profano.
Taco todo meu,
quitute suburbano.
Deixa-a pra lá,
vem brincar de amar.
O amor é velhaco.
Diz que sim,
às vias de fato,
vem para cá.
Antes que outro fim
faça-o ir embora,
e pague a conta,
sem levar em conta
esse olhar.
Vem que estou ficando tonta.
Vem-me, vem, me desapronta.
Vem fazer eu me cansar.
Vem entra e não pensa.
Vem, veja, vare e vença.
Vem, intenta.
Vem que eu vim intensa.
Vem brilhar.
Vem e vem correndo.
Vem, que estou ardendo agora.
Vem que estou querendo.
Não! Não vá embora.
Não! Não está na hora.
Deixa aberta a porta.
Deixa eu te sonhar.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Música (O analfabeto poético)
Capa de disco/Design for LP cover: Chega de Mágoa/No More Sorrow, Vários/Various- Elifas Andreato
Em memória de Chico Mário
A língua da música esta lambendo meus ouvidos agora,
Isso tira cracas de dentro dos meus pensamentos.
Notas musicais organizam minha paz de dentro para fora.
Mudam os gabaritos que engenharam o indivíduo a tempos.
Quando uma música toca, em mim dilui qualquer tormento,
restaurando os tons à vida pelas claves soltas mais sonoras.
Se um instrumento toca é algo maior que brisa a vento.
Sobre as pautas dançam em harmonias, minha alma junto com o meu centro.
Um solo de guitarra grafa a fender fotos de porta retratos;
Prometendo o salto surpresa implícito no rítimo dessa nau felicidade.
Entra o conversar de cordas, couros, paletas e metais, tudo me invade.
Metamorfoses singram meu espírito e a calma é o tento.
Até que esse velho marinheiro de cais, cidadão de corpo hiato,
voe emoções chorando um improviso Sebastian Bach de alarde.
Como um pássaro de sons impregnado desses instrumentos.
Tudo então se alinha ao salto, à solução fina do sax Pixinguinha.
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Em memória de Chico Mário
A língua da música esta lambendo meus ouvidos agora,
Isso tira cracas de dentro dos meus pensamentos.
Notas musicais organizam minha paz de dentro para fora.
Mudam os gabaritos que engenharam o indivíduo a tempos.
Quando uma música toca, em mim dilui qualquer tormento,
restaurando os tons à vida pelas claves soltas mais sonoras.
Se um instrumento toca é algo maior que brisa a vento.
Sobre as pautas dançam em harmonias, minha alma junto com o meu centro.
Um solo de guitarra grafa a fender fotos de porta retratos;
Prometendo o salto surpresa implícito no rítimo dessa nau felicidade.
Entra o conversar de cordas, couros, paletas e metais, tudo me invade.
Metamorfoses singram meu espírito e a calma é o tento.
Até que esse velho marinheiro de cais, cidadão de corpo hiato,
voe emoções chorando um improviso Sebastian Bach de alarde.
Como um pássaro de sons impregnado desses instrumentos.
Tudo então se alinha ao salto, à solução fina do sax Pixinguinha.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Crooner (O analfabeto poético)
A voz do Milton
é trompete de Miles.
Parece um rio
de sonoridade.
O trompete
Miles na voz
do Milton,
enche o vazio,
dá felicidade.
O Milton Miles.
O Miles Milton.
Mil tons.
Mil Davis.
Mil dádivas.
O improviso é o sopro
Para quem quer se soltar........
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Entrando de sola ( O analfabeto poético)
O que empenho para viver
é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória
Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas
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é uma vida
O que venho para contar
é uma história
Se o que trago para sorrir
Fazem feridas
O que tenho para chorar
são minhas glórias
A minha palavra sim
é atrevida
Meu abraço dedico
à escória
Se você não me vê
não deixo pistas
Vai ter que puxar
pela memória
Nenhuma saudade
é idealista
Nenhuma maldade
me degola
Resiliência se paga
so a vista
Para quem não me crê
já fui embora
Se o carinho não tem
rota prevista
É que o amor foi poeira
que evapora
No caminho não tenho
avalistas
Em cada passo que dou
faço o agora
Nos sapatos que uso
pisa um artista
Trazendo o assombro
em suas solas
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Do amor (imails da Jô)
Imail enviado por Jô a escrava do amor
O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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O amor é como a dor de um samba
unindo o olhar de duas pessoas
pelas pontas de uma corda bamba
.
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domingo, 5 de setembro de 2010
Affair ( O analfabeto poético)
Desejei seu beijo em vão,
pois ele era fumaça.
Fiquei no caminho do não,
sei bem o que nos afasta.
Francisco diz na canção,
um poeta quando passa,
sabe ver na escuridão. -
Mais uma cena se embaça,
mais uma desilusão.
Feliz não sou quem lhe faça,
vou guardar meu coração.
Mas esse olhar de vidraça, Dos seus olhos já sem graça,
vai ficar sem solução.
Se a vontade por pirraça,
formar brasa em seu colchão,
se o dia for o da caça,
se lhe faltar com a paixão,
não se envergonhe em ameaça,
utilize os dedos da mão.
Pode vir prazer aguaça-
até escorrer pelo chão.
Mas esse medo que afasta, vai te morder como um cão
Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão,
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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Enquanto em meus braços graça
o Abraço do violão,
Eu canto um samba que laça
o seu calor solidão.
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sábado, 4 de setembro de 2010
Hapa Nui ( O analfabeto poético)
Foto: Moia em tongariki- Revista época, Haroldo Castro
Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.
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Talvez eu morra,
de sorte que ficamos assim.
Vou dessa porra
de vida, no que ela é chinfrim.
Mesmo que ocorra,
da noite dos meus dias chegar por fim.
Bala Camorra,
sobre meu rosto um tiro, não é festim.
depois de morto.
Talvez eu volte, para o meu gurufim.
Num samba torto
solando cuíca no que sobrou de mim.
Serei encosto.
Amigos tomarão porre de Gim
sobre o meu corpo.
Uma mulher há de chorar o homem que fui.
Na sua fé,
dirá adeus a quem já se conclui.
Se Deus quiser
sairá ladeada por um ser de luz.
Ou outro qualquer,
serei um incógnito Moia Hapa-Nui.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Manhã dos homens (O analfabeto poético)
Ao primeiro sinal de partida sonorizado, a realidade é urgente.
A manhã dos homens surge como uma lâmina iluminada.
Há que correr atrás do tempo reproduzindo de novo suas pegadas.
Na urbe os cidadãos procuram em jogo, suas cadeiras numeradas.
Atrofiam a vida pela global fábula dos emergentes, desastrada.
Ao segundo sinal, senhores, religuem seus celulares.
Mastiguem o pão nas commodities do balcão à frente.
Preparem seus diafragmas de mergulho, prendam os gases,
para que as surpresas da pressa se acumulem, travem os dentes.
Diante da possibilidade do que é fútil pareçam inteligentes e populares.
Anonímem-se em avatares, aos reclames
enquanto uma floresta em chamas será queimada,
na multiplicidade ignorante de um povo.
Amarrem-se ao cais salarial com seus cordames
Em hipóteses ou Iphones, não respirem ar novo.
Se for povo, leia antes o manual de instrução.
Socorram-se nos bares.
sendo tolos, fiquem quietos, é o mais conveniente, não reclamem.
Mantenham-se rígidos nos plexos solares.
Não cedam de si nada, nem por um minuto.
Sob nenhuma possibilidade dêem-se ao outro,
essa entrega seria um vexame de atos vulgares, e até libidinosos.
Paguem o dízimo à receita federal, evitem incômodos perigosos.
Ao terceiro sinal.......
Êpa!!
Um ipê sorriu de cor,
em abusado azul turquesa.
Chamou para si a natureza do dia,
essa cena não estava combinada.
Iluminou toda a calçada.
Consumo presumido de delicadeza?
Quem diria!
Uma criança corre escrachando-se em beleza animada.
Vai aprender necessidades na escola dos homens.
Resiste a praia, mesmo que magoada de ecologia.
Nas suas línguas negras ensaiadas, está vazia de areia e de ontem.
Cedo demais para as utopias físicas do mar em sua alegria.
A moça bonita negou-se ao namorado à noite,
agora nervosa passa perdida, em lamento.
Há um qualquer de tristeza em seus olhos,
parecem que choram para dentro
um restinho de amor ou de ressentimento.
Agora ela vai correndo apressada
em seu terninho arrependido de advogada,
pedir hábeas corpus ao juizado da vênia.
Não fala da noite passada. Não coitada!
O amor é assim,
faz silêncio ao fim,
nas paredes de um beijo.
Êpa!!!!
Desejo não se discute, evitem a poesia de cada um,
em situações limite ceguem os olhos do poeta,
mesmo que eles saibam ver na escuridão.
Guardem bem suas emoções, aguardem o lançamento.
Nas páginas octogenárias, em alguma parte alguma.
Pois um dinossauro de metal se esfrega nas ruas.
Em seu ponto final chegou, cheio de gente na barriga de bilhete único.
Gente que vale o transporte, gente igual, gente só rosto, gente só gente.
Cadastros, grotões, pingentes.
Correm à sorte!
Corram, corram, corram todos para o dia de hoje.
Dizem que é de quem chegar primeiro.
Mas atenção sejam felizes, porque esse dia também será único.
Até o próximo sinal.....
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Olhar paisagem ( O olhar da carranca)
Fotografia: Falésias a cair, Samuel Cantingueiro
Para Carlinhos Baixista
Ficam me olhando com esse olhar de janelas.
Pessoas como eu quebram, no corpo, suas fronteiras.
Fazem-no, eles, os que não conseguem passar por elas.
Mas quem enfim não as têm?
São precipícios!
Aquém de si próprios, tangem-se nas falésias, pelas beiras.
Miram assustados o universo do tudo que não sabem.
Preservam-se do que não sabem, protegidos pelo sossego,
garantidos do que é o óbvio, é paisagem.
São as fumaças do medo.
Santas, essas pessoas calmas, distraídas nos recatos dos seus centros.
Sem correr riscos imponderáveis, por princípios.
Protegem seus rostos de vidro, contra os desconhecidos ventos.
Quem de si não sai, por um único momento, viverá apenas normal,
viverá apenas morrendo.
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