Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
terça-feira, 17 de agosto de 2010
De mãos dadas para o vazio ( O analfabeto poético)
Por um momento único nossos olhos se tocaram.
Por um segundo de calor em um lapso instigante.
De vitrinas vivas houvera o reclame rápido,
como um raio involuntário.
Enquanto nossas mãos chamaram pela união dos corpos.
Mas eles não estavam prontos.
Detiveram-se nas fronteiras da negação fria, éramos só normais.
Num labirinto de formas nos desintegramos, se tanto.
Como a um estalo de ferro, comum ao ranger dos músculos armados.
Como a uma inversão dos brios, comum à descrença dos inacabados.
Como a barragem dos rios corrompidos na energia, para validar a luz
na cidades dos sonhos dos seres de terra.
Devastamos aguas e morremos na praia.
Ah! Se não houvessem tantas regras, tantas ideias prévias,
tantas banalidades de solidão.
Ah! se houvessem só coragem e coração.
Mas houvera apenas um único segundo desvairado,
num olhar único, denunciante. O olhar de um beijo.
Por um momento de segredo infiel, fugidio e passado.
Amamos-nos, como a onda quebrada no momento do mar,
é da areia.
Porque é da areia e do mar o tempo de sal de todo e qualquer amor,
por menos ou quase.
Nós que não soubemos ser do desejo, não beberemos desse sol,
dessa coragem. Fomos fracos.
Mas nós dois, por um átimo de instante rápido qualquer,
nos amamos.
O amor vem primeiro nos pequenos atos falhos,
quando fogem sussurros no silêncio.
O amor vem bem antes na sedução, inesperado.
Amamos no que houvera de perdido e assustador,
amamos onde o amor nos saiu do controle,
antes de se esvaziar no ar.
Como dois abandonados em temor.
Ficamos desligados, estancamos no inacabado.
Mas amamos.
Nesse espaço vazio, nesse início finado, que agora é desbota.
Nessa cortina de fumaça que nos afasta, e desenlaça,
desfazemos como a uma réstia ácida
encoberta em suas cascas de medo,
como as couraças e seus segredos.
Resta agora a distância, como é longa a distância! diz o poéta!
Como é vazia!
Se não soubemos amar, amamos a dúvida.
Hoje não restamos dádiva do delírio, e talvez nunca o sintamos.
Não soubemos mais que esse couro sem pele de nossos pobres estáticos braços.
Esse será o nosso pecado replicante.
Não soubemos mais que o prévio combinado de medo,
na delicadeza dos infelizes.
Talvez já o saibamos.
Estivemos nus desse desejo encabulado dentro das nossas roupas de carne,
dentro dos preconceitos pétreos, dentro de nossas censuras.
Fomos só distantes, e de distantes ficamos pequenos.
Com nossas poucas palavras exiladas, mas condenadas à libido.
Nossa nobreza será essa, desperta de disparates entre os dedos da elegância.
Nossa pobreza será essa, nossa união será essa,
essa será nossa extravagancia
Essa distância que nos aproxima, num brilho de erogenidade,
enquanto olhamos para o nada disso tudo,
pois o tempo do amor nos atos não se conta em ábacos.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Inquietude ( O analfabeto poético)
Vivo do absurdo que sou.
Respiro o alívio da desilusão.
A cada ausência lúdica me refaço,
no abraço da sabedoria dos cansaços,
olhando com o olhar inteiro a amplidão.
Nela me assenhoro dos meus passos.
Vou no enlace frouxo da razão.
Corre no meu pulso sangue brasio.
Sempre há algo em mim que principio.
No peito trago nua essa paixão.
O tempo de lonjuras e mormaços
discorre nesse misto o seu condão.
Na solidão dos homens me repasto.
Por hombridade faço a solução,
a ter que prosseguir passo por passo.
Vivo de existir no que conquisto,
sem ter o passaporte das certezas.
Nem garantias trago nos meus vícios.
Minha alegria é carta sobre a mesa,
dos sorrisos da contradição.
Um dia no outro dia me completa.
Entre os dois a noite me abandona.
O ciclo da vida não é rota certa.
O inesperado sempre vem à tona,
contrariando o solo dos anacoretas.
Sobre os contornos da indiferença,
às vezes quase morto vou à lona.
Abatido por um olhar destro e esteta.
Amasso o barro impuro da existência,
com as minhas mãos, assim ela desperta.
Pouco a pouco, delirante e férrea.
Como uma festa itinerante de querências,
marcada por suas próprias consequências
a questionar-me telúrica e etérea.
Mantendo a esperança irrequieta.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Onde o poeta não é poesia.(O analfabeto poético)
é onde não há solidariedade.
Aonde o reino inútil da ironia,
toma lugar da humanidade.
Não há nobreza na monarquia,
mas pequeneza de sua parte.
Não há fascínio na omissão,
só a solidão da adversidade.
Quando um homem pede a mão,
demonstra precisão, necessidade.
Pobre é o espírito de quem diz não,
cercado de imbecis na realidade.
Custos maiores puxam o cão,
que irá abater essa inutilidade.
Homem não se faz por herdade,
herança pobre ou pusilânime.
Negar socorro é mais que maldade,
é fraqueza, é fragilidade, e vexame.
A fotografia que fica, é de um nada.
Justa é a causa de que se reclame.
Cegar um poeta com uma pedrada,
diante de fúteis espectadores,
é ser da poesia a idiotice ladra.
Os que não enxergam as suas cores,
dos seus sentidos não são senhores,
jamais souberam os seus valores.
A esses restaram as barras da lei,
na qual se apure responsabilidades.
Aqui nesses versos finalizarei,
repudiando aos falsos poetas e aos covardes.
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domingo, 1 de agosto de 2010
.Com (O analfabeto poético)
O instrumento da palavra
a mim comove.
A palavra afinada
em qualquer tom.
A expressão do pensamento
se harmoniza no que fala.
Transmite ao plural humano
o que é humano.
Na linguagem nos aproxima
e nos espalha.
No silêncio do rastilho fogo e palha, a palavra falada deixa som.
No seu canto tem imagens muito claras,
mesmo quando não diz algo de bom.
Proferida das mais bocas sem amarras,
a palavra é membro físico incorpóreo.
No direito adquirido é história.
Quem a perde sofre em vida o purgatório.
No aprimorado isolamento ponto com,
vai alugando o coletivo dessa glória.
Muito embora isso pareça um contrassenso,
a palavra em teia é viva e unificada,
na tecnologia de um magico imenso,
afasta os corpos no erigir da madrugada.
Quanta gente agora vive ocupada.
Nessa tela que se arrosta como lenço.
Passa o tempo em ausência acompanhada,
sem que possam se dizer tudo que pensam.
Nesse imenso pé de ouvido estão linkadas,
onde a palavra é um teclado em movimento.
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sábado, 31 de julho de 2010
Clivagem (O analfabeto Poético)
Ah criatura !
A polissemia
é uma doença dos poetas.
E não tem cura.
Deve ser tratada
com doses ininterrúptas
de imaginação,
bem miscigenada.
No desvario
o poeta lambe a fenda
da linguagem,
até o delírio.
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A polissemia
é uma doença dos poetas.
E não tem cura.
Deve ser tratada
com doses ininterrúptas
de imaginação,
bem miscigenada.
No desvario
o poeta lambe a fenda
da linguagem,
até o delírio.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Acaso da vida (O analfabeto Poético)
Fotografias: Meu olhar diz tudo & Trago as marcas da vida no rosto M. Luísa
A vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
Substância subjetiva, alienável e passível de precariedade.
O que a vida tem é pulsão de continuidade, realejo de fertilidade nessa continuação.
Seja ela divindade ou acaso cósmico, não tem conceito ou sequer propriedade.
Ela é ela própria, vista toda ou parte, por pedaço, ou por metade.
Quem tem vida, nasce e vive com a simples realidade da água que corre, do ar da respiração. Parte é repartição da biodiversidade, parte é sua destruição.
Se tem pão, roupa, casa, saber, cultura, saciedade ou razão,
isso já é do campo da sobrevivência. Isso é ecologia social.
A vida surge pelo desejo, uma outra escala cromática musical.
Na acidental divisão da natalidade, vida é conspiração da natureza.
Aos que dela pedem é dada a indignação falada. Nessa ordem há a horda dos deserdados de acumulação, são os sem nada.
Miseráveis estão ausentes da sua fartura na distribuição.
Lotados nos albergues das calçadas, ou nas anestesias da virtualidade da televisão.
Mas isso também é uma outra questão.
A vida é de todos, e tem a felicidade dela mesma. Contida num gesto de olhar a lua, num cheio, numa noite estrelada. Por um mínimo que se veja, ela faísca e explode, mostrando sua beleza plena. Grandiosa e singela, é assim no resultado da sua inteireza.
Vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
A vida se vale é da sua própria grandeza.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/
A vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
Substância subjetiva, alienável e passível de precariedade.
O que a vida tem é pulsão de continuidade, realejo de fertilidade nessa continuação.
Seja ela divindade ou acaso cósmico, não tem conceito ou sequer propriedade.
Ela é ela própria, vista toda ou parte, por pedaço, ou por metade.
Quem tem vida, nasce e vive com a simples realidade da água que corre, do ar da respiração. Parte é repartição da biodiversidade, parte é sua destruição.
Se tem pão, roupa, casa, saber, cultura, saciedade ou razão,
isso já é do campo da sobrevivência. Isso é ecologia social.
A vida surge pelo desejo, uma outra escala cromática musical.
Na acidental divisão da natalidade, vida é conspiração da natureza.
Aos que dela pedem é dada a indignação falada. Nessa ordem há a horda dos deserdados de acumulação, são os sem nada.
Miseráveis estão ausentes da sua fartura na distribuição.
Lotados nos albergues das calçadas, ou nas anestesias da virtualidade da televisão.
Mas isso também é uma outra questão.
A vida é de todos, e tem a felicidade dela mesma. Contida num gesto de olhar a lua, num cheio, numa noite estrelada. Por um mínimo que se veja, ela faísca e explode, mostrando sua beleza plena. Grandiosa e singela, é assim no resultado da sua inteireza.
Vida não tem dignidade, quem tem dignidade são os homens!
A vida se vale é da sua própria grandeza.
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sábado, 24 de julho de 2010
Bom dia ( O analfabeto poético)
Quando saír de casa mulher,
ponha a felicidade em sua necessaire.
E usa também par de brincos,
que sejam dois pingos de luz.
Para os lábios pinte sorrisos,
se puder bem mais que cinco.
Pois o dia será longo,
carregado de azuis.
Nos olhos tenha um jeito
de desejo feminino.
Ao andar faça gracejos
de praia com sol a pino.
Se o dia for cansativo,
de estourar bueiro da Light,
pensamentos positivos.
Na escolha ? diga alright !
Caminhando faça passos lentos,
não deixa de olhar os lados.
Para não perder o tempo
de achar um namorado.
É quando a tardinha chegar
com jeito de tai chi chuan,
Dos bolsos tire pecados
para comer com maçã.
Com o abraço doce da noite
Saque o diabo do corpo,
junto com as peças íntimas.
Para isso deve a um coito
dedicar suas estimas.
Depois, mas só depois, já serena.
Com a alma e o corpo em rima,
fecha o olhos e dorme,
o sono de uma menina.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
caos ( O analfabeto poético)
Mistério é minha chama
A alegria de um Carnaval
Desfilo às vezes na cama
Se amo é amor de muito
Desolo quem não me quer
Com o mundo tenho assunto
maior é meu canto de fé
Meu canto é canto profundo
Feito de raiz no chão
Quem esta comigo esta junto
Quem não está é vazão
Os sábios são quase poucos
Silêncio rouco é palavra.
Tenho-a tatuada no corpo
Como rosto da estrada
Trago no delta do rio
Caminho de mar sem retorno
O mar tem o sal dos navios
E o mundo tem seus contornos
Meu verso quando te cala
Vias de fato ou canção
É coração de aba larga
Apara de desilusão
Do caos puro se projeta
Refazendo o conjunto
Na vida de visão reta
Poesia e curva de fundo.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ménage a trair ( O analfabeto poético)
Sabe quando uma mulher se aproxima de um poeta e se abre?
O poeta, esse tolo de idéias fora do lugar, acha que é para o homem.
Os heterónimos das pessoas às vezes têm outros planos, e neles se escondem.
E o que acontece?
É um engano!
Um engano de hormônios, um erro dos demónios mais sacanas.
Do que ela gostou ? Foi da poesia !
Então recorre naturalmente ao poeta, na sua jugular interna humana.
Atinge assim o sangue quente do homem, sem deseja-lo no ato.
Ela então diz alguma coisa sobre ser amiga, quando de fato sequer se conhecem.
Mas isso acontece.
A fêmea foi atraída pela carne quente da poesia, pela sua trama muscular subjetiva.
O homem então é só um cavalo dessa entidade afetiva, que passa a ser agora o guia.
Em seguida acontece com o afeto masculino uma azia de quem comeu torresmo e não podia.
Pronto!
Mais uma vez o poema traiu o poeta que traiu o homem.
O poema quase venceu o homem, como criatura subjulgando o criador.
como se nessa interface ele, o criador, se sentisse corneado consigo mesmo.
Num Ménage a trair, onde no final, ninguém ficou com ninguém dentro de sí.
Ou quase é isto, quando cada um sai consigo mesmo e algum saldo de poesia.
Para que se entenda, que ser poeta não é sempre o ocasional de pura alegria.
E a moral dessa história?
É que a desatenção em literatura pode fazer chifres em cabeças de cavalos.
Portanto caros poetas:
_ Cuidado.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Silvana (Prelúdio literário Bachiano para piano e poeta)
Piano e Mandola-1909/10- George BraquesAquela voz sussurrante
aderiu aos meus ouvidos,
como a ouvi-la ao distante,
ainda a ouço nos sentidos.
Aqueles dedos andantes
dos teclados destemidos,
harmonizaram acordes,
num canto meu escondido.
Agora resta um soneto,
com solo em sopro weril,
balançando meu coreto.
Só não olhou quem não viu.
Verso viril inquieto,
feito para você Sil.
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domingo, 11 de julho de 2010
Esporte do pouvo ( O analfabeto poético)
Brigaram Espanha e Holanda
pela copa dois mil e dez
no esporte que comanda
a bola rimada aos pés
Brigaram Holanda e Espanha
driblam chutando a gol
maior destreza na sanha
previra o polvo Paul
Pois suplantando na festa
à guisa de espremer laranja
sobe um gol de Iniesta
Chute nos paises baixos
Balançam tramas da rede
Num espanhol esculacho
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pela copa dois mil e dez
no esporte que comanda
a bola rimada aos pés
Brigaram Holanda e Espanha
driblam chutando a gol
maior destreza na sanha
previra o polvo Paul
Pois suplantando na festa
à guisa de espremer laranja
sobe um gol de Iniesta
Chute nos paises baixos
Balançam tramas da rede
Num espanhol esculacho
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Bala 12 ( O analfabeto poético)
Diluí minha tristeza,
como se possível fosse.
Numa festa de poetas,
aonde bebi alegria.
Com farta e indiscreta
solução de várias doses,
da elegia incompleta
de alguma poesia.
Achando a Inêz já morta
com tiros de "Bala doze",
entrei no beco dos ratos
e atirei sem pontaria,
(a caçar entre os salvados,
um prazer focado em close).
Mas a tristeza essa faca
de lâmina dura e fria,
rasgou a carne da morte,
ressurgiu sem fazer pose,
penetrando na minha calma
com a avidez da agonia.
Incisiva como um decote
de mulher, que ousada o use.
Para relembrar-me dos fatos,
na foto ela é quem ria.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Caminho da troça ( O analfabeto poético)
Segue o baile.......
Você tão Brigitte Bardot,
sempre assim.
E eu de Antonin Artaud,
ai de mim.
Nosso duplo no amor não rolou,
é o fim.
do que não começou,
folhetim......
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O menino ( O analfabeto poético)
Um dia meu menino partiu,
voou em um trem sem trilhos.
Navegou num avião sem asas,
viajou num barco sem rio.
Caminhou pisando em brasas,
no horizonte dos vazios.
Foi buscar seu próprio brilho,
bem longe, longe de casa.
Na linha arriscada dos olhos,
com pouca apreensão.
Passou em carinhos mornos,
paragens para a solidão.
Mas tinha a cumprir um todo
do tal rito de passagem.
Meu menino tinha seus modos
diferentes, suas verdades.
De sério tornou-se interno,
para suportar privações.
Como se fosse ao inferno
e voltasse sem ter lesões.
Pois as lesões residentes,
frutos de seus guardados,
tornaram-no resiliente,
no que lhe restou salvado.
Indo assim pouco a pouco,
no amor forjou-se pelado,
pagando com o seu corpo
o preço do rumo errado.
O meu menino no tempo
deixou a vida ao sabor,
mesmo passando lento,
ela cobrou-lhe um valor.
Seguiu viagem de doido
ao saber qual o calor,
da dor que as feras sentem
no chicote do domador.
O mundo, esse domador,
mostrou-lhe algo de tristeza,
Marcada a força e a flor,
para que ele não as esqueça.
Nos tempos da vadiagem,
se for contar faltam dedos.
A parte sem ter contagem,
de tanta aparau-lhe os medos.
Meu menino virou rua,
à noite varou o sereno.
Girou como gira a lua,
depois se safou crescendo.
Mas com o tamanho da idade,
assim com o rosto no vento,
numa caixa de saudades
guardou os acontecimentos.
Com olhos mais comovidos
vagou no templo dos cultos.
Não notou o que era havido,
meu menino ficou adulto.
Danou-se de ler os livros
dos sábios para a cabeça.
Até ter com um ato falho
no baralho da natureza.
Compôs os cabelos grisalhos,
e a vida posta na mesa.
Espantou os espantalhos,
desentendeu-se com as certezas.
Como num passo de dança
depois de uns copos de vinho,
voltou a ser a criança,
desfazendo seu caminho.
Passou a olhar no outro
a si, como um falso esteta.
Já de infância envolto,
renasceu pequeno e poeta.
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domingo, 4 de julho de 2010
Poemapoesia (o analfabeto poético)
Fotografia: afecto aéreo- David Sousa
Ando por aí quase caindo,
tropeço nos degraus das minhas pernas.
Mas continuo o passo e vou seguindo,
agora tenho o corpo de um poema.
Eu mesmo não o vejo, ele me enxerga,
escora-se em mim sem linhas retas,
meus olhos passam a ver por suas nesgas,
as mais vastas visões irrequietas.
Mais vesgo já não tenho as vistas mesmas,
assim dizem a mim que sou um poeta.
Se a poesia é algo que eu não vejo,
seu beijo em minha boca, me desperta.
A bela saciada do desejo,
vai embora pela porta entreaberta.
so vem quando convem ao seu ensejo,
de ter comigo sem ser hora certa.
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Ando por aí quase caindo,
tropeço nos degraus das minhas pernas.
Mas continuo o passo e vou seguindo,
agora tenho o corpo de um poema.
Eu mesmo não o vejo, ele me enxerga,
escora-se em mim sem linhas retas,
meus olhos passam a ver por suas nesgas,
as mais vastas visões irrequietas.
Mais vesgo já não tenho as vistas mesmas,
assim dizem a mim que sou um poeta.
Se a poesia é algo que eu não vejo,
seu beijo em minha boca, me desperta.
A bela saciada do desejo,
vai embora pela porta entreaberta.
so vem quando convem ao seu ensejo,
de ter comigo sem ser hora certa.
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sábado, 3 de julho de 2010
Fugaz (O analfabeto poético)
Tudo é para sempre por um momento.
Por um momento, o sempre é mesmo uma espécie de manto do tempo.
Mas há tanto a ser coberto nesse alento,
que há pouco sempre para o desejado intento.
Fotografia: Nobuyoshi Araki
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Por um momento, o sempre é mesmo uma espécie de manto do tempo.
Mas há tanto a ser coberto nesse alento,
que há pouco sempre para o desejado intento.
Fotografia: Nobuyoshi Araki
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
Piercing na desilusão ( O analfabeto Poético)
Fotografia: Desilusão- Vitor Tripologos
Sabe quando um olhar bate no outro,
e só enxerga o que o outro não tem?
Não é um momento pouco,
até é o que há por aí de "Zen".
Esse é o momento em que
se diz: Você é meu! Bem.
Não é mais meu amor,
porque nesse caso o amor já não é.
Não é porque traz desilusão, dissabor.
Dor do que no outro se perdeu fé.
Como se no outro, e em si,
houvesse um vazio no lugar da vida,
um enguiço, um machucado, uma ferida,
um olhar natimorto, sem fim qualquer.
É sempre um momento escroto,
bate boca ou silêncio apático, roupa suja, roto.
Boquete sacolé, tá ligado?
Momento frio em que
estar junto ou não, tanto faz tão pouco,
momento da separação, evento delicado.
Hoje no amor que mais não convém,
entre um homem e uma mulher,
há um jeito feito no meter o pé,
coisa de não encarar a força da maré,
no que o outro exatamente não é.
E se o amor que nesse caso não existe,
teima, ou insiste em parecer que esta bem;
O tempo vai ficando rouco, de dizer
quando o calor não da liga, não vem.
Quando um do outro é refém também,
quando nada mais fica em pé,
há só lágrimas a molhar
esse homem e essa a mulher.
Olham-se...... olham-se...... ele nela, ela nele.
Observam que dos dois não resta ninguém.
É quando o afeto acabou,
acabou porque foi embora,
acabou porque não é mais hora,
acabou porque acabou o porque,
e à flor da pele da para ver.
Nessa hora é que se elabora.
Mas não se elabora um cair da tarde,
não se elabora o claro que é lua,
não se elabora se pimenta arde.
Elabora-se na solidão pura,
elabora-se o que não se atura,
no que já não se enamora,
elabora-se onde e como ir embora.
Lá das duras partes
loucas, malasartes,
perdeu-se tesão,
as saudades serão os píercings,
destes com os quais se fixem,
as memórias que ficarão
espetadas nos descuidos do coração.
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Universo Próprio ( O analfabeto poético)
Fotosatélite:2010- Atmosfera- O Globo
"Para ser grande sê inteiro"
Para ser inteiro divida
Para ser mar sê Mineiro
Para ser parceiro sê liga
Para ser toque sê um cheiro
Para a saudade sê amigo
Para o vagar sê paradeiro
Para o perdão sê abrigo
Para ser abrigo sê nuvem
Para ser nuvem sê viagem
Para ser pleno sê pólen
Para ser firme sê coragem
Para ser pobre sê dinheiro
Para ser vento sê aragem
Para ser luta sê guerreiro
Para ser outro sê miragem
Para ser forte sê pluma
Para ser bruma sê visão
Para ser fim coisa alguma
Para ser louco sê razão
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terça-feira, 22 de junho de 2010
O carteiro é o poeta (O analfabeto poético)
Foto: Marcos Magaldi
O poeta exprime pessoas em personatos de si mesmos,
talvez por isso resiste se enganando.
Às vezes parece ser o bobo, o leso
por divergências sobre como as coisas acontecem,
no tempo de todos.
Tendo que olha-las de forma única se passando.
Observador da vida sob uma ótica outra que não estão olhando,
falante da existência humana com palavras que não estão nos planos.
Sintáxico nessa forma de olhar diferente, o novo, o comum, o fulano.
Vendo o mar na terra e a terra nos oceanos,
despido quando vai ao amor, e sofre dele todos os seus danos.
Tecendo pulmões de respirar a noite no citim negro da morte
às vezes nas estrelas dela mesma, se afogando.
Sendo só um, dentre tantas outras personalidades.
Simples tradutor de sonhos, irmanados de humildade
como quem joga com as pernas tortas e vai driblando.
Morrendo de viver vida de drible em adversidades,
renasce no que está morrendo, se reumanizando,
refaz-se da poesia assim o "baypass", a propriedade
caindo no samba ao seguir sambando.
Na solidão de si ser de tantos,
um palhaço de olhar ligeiro,
passaporte para as palavras.
Estafeta de um saber primeiro,
um outro jeito de pensar, outro paradeiro.
Viver nos versos é luta dos troveiros,
ou para rimar,
bater na sua porta
e poder entrar,
da forma mais prazeirosa
que você gostar,
até a significação molhada
de chover na madrugada
de se amar.
/http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Papel ( O analfabeto poético)
Buraco da fechadura-2004- Ivan do Espírito Santo
O papel, de portar palavras
pós escritas, vira boca.
O poeta, de pensar palavras,
pôs a vida nessa porta.
Traduz de dentro de si o mundo
para fora de sua vista torta.
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