Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Et cétera ( A puta me contou)


Fotografia: Vamos Andando- Manuel Oliveira


Não se preocupe tanto,
que o tempo é único,
ele é um só.
Cuide de não haver tristeza,
mas se ela houver,
que não lhe dê um nó.

Não se renda á angústia,
porque ela assusta
e vai virando dó.
Busque mais alegria,
aonde ela se cria
é que brilha o sol.

Respeite o cansaço,
ele é o abraço
da luta maior.
Abrace forte à esperança,
ela e a contradança,
do que há de melhor.

Vamos, nada será mal.
O Et cétera é o tal
é qualquer assunto.
Vamos que  tudo é plural.
Se estamos juntos,
o certo é ao final.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Número Cinco ( A Puta me contou)


Fotografia: Chega de saudade- Patrícia


Durmo contigo à noite,
contigo é à noite o sonho.
Nele eu penso que ponho,
na ausência, no aceiro,
o mais penoso aloite
entre mim e o travesseiro.

Deixo que a noite me vença.
Entre ela e eu há o cansaço;
E a solidão por sentença,
brutalizada em ausência,
me faz sonhar com os afagos.

E neles eu sinto o seu cheiro,
neles com seu cheiro eu brinco.
Como se o mundo inteiro,
como eu, fosse prisioneiro
do Channel número cinco.

E antes que o sonho acabe
no reino da menor descrença,
la aonde a desavença
mostra seu corte de sabre,
o amor nos faça defensa.

Como da corte é a rainha,
o sonho é da realidade.
É no universo da saudade
que a lembrança principia,
trazendo aromaticidade.

Fazendo a diferença,
eliminando as distâncias,
nessa hora tão imensa,
qual poética licença,
que vença a felicidade.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Moral de homem ( Perna bamba é do samba)


Pra registrar no fanzine
Só quem conhece opina
Viva Paulo Vanzoline
que deu a volta pra cima

Nós e eles ( Barril Diógenes)

Fotografia: Notícias daqui-Luciana Capiberibe

Peconhas, Limpa folhas
Angelins vermelhos, Sapos garimpeiros
Maçarandubas, Brilhos de fogo
Faveiras, Bromélias, Orquídeas
Arapaçús, Formigueiros de topete
Capitães da mata, migrante Maranhão

A floresta nata é da Nação
Uirapurus, Oiapoque
Que ninguém os toque
Façam contenção
E que os escroques
não lhes ponham mãos.

Maracujás da mata, Tracajás
Caranguejeiras gigantes
Peçonhas, serra do navio
Venenos, Jacús-Ciganos
Sucuris, Monólitos e remédios
Ouro, bio piratas, diamantes.
Nascente dos rios.

Jari, Araguari, Amapari
Corais,  muitos Euro nacionais, até demais
Cigarrinhas, Macacos-prego, Ariranhas
Micos mão de ouro, Cuxiú
Fumaça do Arú, Acapu
Tumucumaque e Mandioqueiras

Estendidos nas fonteiras
Ongs Armstrongs
Louros e outros louros
E uma vila chamada Brasil
No verde setentrional do azul anil
Aqui somos todos, nós e eles.

sábado, 27 de abril de 2013

Do seu próprio jeito ( O trago da seda)



Epigrafado de uma tradução de My way - Frank Sinatra
.
Para que serve um homem ao final do dia, para que serve um homem ao final de si, ao final do seu tempo, aonde há o laço com o que é infinito. Aonde a forma recordação abraça o eterno, e essa tinta mandala, quadriculada no imagístico gesto, veste assim a última homenagem da vida toda.
Toda ela completa do individual e de todos, do  seu próprio jeito.
Os registros serão o perfume exalado da memória incorporada de histórias, das mínimas recordações desses todos.
E o agora é pensar que ele fez tudo isto, e devemos dizer que foi esse o seu jeito, agora um legado da sua trajetória única.
Sem timidez, foi esse o seu jeito. Rápido; Rápido de amor e de sorriso, rápido de choro e de lágrimas, mas também rápido das alegrias, das viagens  todas nos caminhos do que há de mundo no mundo.
E tudo foi divertido, e tudo foi até onde tudo é e mais, muito mais, sem arrependimentos  eu devo dizer: Do seu próprio jeito.
De pé e coragem tudo foi enfrentado no xadrez do corpo, tudo foi enfrentado por inteiro.
E agora o fim não é o fim, o fim é outra história a ser contada com as coisas sonoras da lembrança encharcada do afeto construído no sem fim,  alem do tempo cronológico.
No coração esse é o desafio exposto claramente.
Meu amigo, o caso é que uma vida nunca fica completa, ela segue nos outros, nos amigos, e nos amigos  dos amigos também ela se expande.
Nessa época da memória tudo se refaz nas outras formas, nesse mapa os planos são outros a cada passo, no ocorrer do atalho por fim, tenho certeza, foi esse o seu jeito.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Abstrações ( O trago da seda)

Fotografia: Feira livre- Rique Ferreira


A fuzarca da feira e o frio de outono
são frutas que como na brisa que me abraça.
O preço da praça em sobra, em  abandono,
é o grito neo tono da luta em Gaza.
Mingau pelas beiras, bobagem, besteira.
Alegria inteira na voz pechincheira.
E o poema cheira a fogo sem brasa.
De qualquer maneira, na falta de sono,
num verso sem dono o poeta é a fumaça.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Alvorada do guerreiro ( A olhos nus)

Fotografia: Camisas vermelhas- Fernando Quevedo / O Globo

A alvorada queima fogos em Quintino,
os devotos se aglomeram na sacada,
bem mais cedo amanhece a madrugada,
lá no Império Serrano o samba é o hino.

Na cultura brasileira o sincretismo
dessa crença se traduz apaixonada.
Salve Jorge o cavaleiro das quebradas.
Santo forte contra todo mal destino.

Esse santo em seu cavalo é guerreiro
tem no manto o vermelho, a cor da vida,
cunha a força em faze-la aguerrida,
e é de todos o motivo, o padroeiro.

Que me venha, e a todos, conduzindo
desfazendo os temores sob a lança.
Protegendo com sua força os caminhos
com a calma e a boa perseverança.

Salve Jorge cuja fé é mais que a lenda.
Cujo tanto de fervor é sempre inteiro.
Sempre é nele que a esperança se inventa,
descrevendo em fé o Rio de Janeiro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Espaguete à reciclagem ( O beco da fome)

Fotografia: Reciclagem- Lucy Juliana

Vamos pelar uns tomates excluindo-lhes as sementes.
Se não me falha a memória por falta de calafate,
as sobras da geladeira serão de um alto quilate.
Meio pimentão murcho, o que sobrou da chicória,
uma abobrinha é luxo, uma berinjela é a glória.
Uma cebola inteira picadinha é excelente,
amassagado bastante de alho vão cinco dentes.

Aquele champinhom de ontem, guardado e resistente,
dará ao molho nobreza francesa por arremate.
Uma colher de manteiga ao azeite leniente,
refogados em conjunto pimenta e sal à vontade.
Se a carne sobrou moída é bem vinda no empate.
Proteína prometida provem porem paridade.
Salsinha e cebolinha vão trazer perfume às partes.

Uma colher de mostarda, se puder seja Dijon;
Juntar à ela o caldo tropical de uma laranja,
dará assim um total sabor cítrico por franja.
Numa pitada de açúcar  a acidez perde o tom,
vamos somar mais massa do tomate que é bom.
No fogo brando uma hora toda coisa se arranja,
Com um dedinho de moça vermelhinha igual batom.

Por fim a pasta ao dente não pode passar do ponto,
de seis a oito minutos na água já bem fervente.
Salgada ao gosto de mar, quem dele sabe o sente,
na textura deverá ela ficar sem desconto.
Pois é nesse paladar que o prazer faz seu apronto.
Da Itália esse manjar se come até ficar tonto,
servido com parmesão ralado bem fartamente.








terça-feira, 16 de abril de 2013

auto retrato ( O olhar da carranca)

Fotografia: Mirador del Contrabando- José Pedro


No real impregnado mergulhei o que sentia.
Craquelê do observado, no mundo fiz moradia;
Desse caco apaixonado entrei noite e  sai dia.
La no aonde tudo é certo meu errado principia.
Quando dói fico calado então  a língua me afia.
Quando choro o meu choro tem o cloro da azia.
Do amor que trago tanto contrabando a alegria.
Se alguns dos meus recados tem sua fisionomia,
de mim mesmo é que lhes falo se o invento é a poesia.

Argonauta ( A olhos nus)

Fotografia: Clark Little

Destemido de nuvens o sol brilha,
no céu claro do meu conhecimento.
Na memória, o embaralho dos momentos,
desliza um mar por sobre a quilha.

Do oceano a felicidade é ilha
e o amor podemos dizer é o vento.
Sua voz me traduz a maresia
E a mazela é o sal do sofrimento.

Na tormenta e na fúria dos temporais
seu olhar que me guia,  é mestre arais,
estrelando o polar dos sábios Jônios.
na busca de ancoragem vejo cáis.

Me lembrei que morreu o Marco Antônio,
do seu canto não vibrará mais as cifras,
não sustenta o seu corpo sobre as ripas,
ele brilha agora inerte como o argônio.

Na infância do ontem eu lhe ponho,
na lembrança da paz ele hoje habita.
na praia do desejo deita o sonho
e o real é a aventura mais bonita.

Essa veia é do sangue do artista.
Para terminar o canto pouco falta
deixo qui palavra dita por não dita
O argumento é o devaneio do argonauta.

domingo, 14 de abril de 2013

Filosofando no circo da alma

Fotografia: Filosofando- Cleber Fernandes

O cheiro doce da fruta da feira que trouxe o outono.
Na fúria rápida do tempo digital do relógio,
também trouxe, em nome da crueldade de Kronus,
o inteiro entorse da luta sem eira, nem beira, nem sono, nem pódio.
Eu confessional, que fui sagrado pela corte real do mundo de Momo,
aonde a alegria insiste nas formas daquilo que é bom,
vou buscando a vida no seio das forças sem julgo, sou único dono.
Ressignificando a existência, faço soma à divindade de Aion.
Pois se essa existência não é dádiva, sem dúvida ela é ávida
na essência; Resistente, ela é livre  no feito entre um e outro jeito.
O sorrir e o carpir se abraçam no esquerdo de dentro do peito.
Do sujeito entrecortado entre o pão, a comédia e a arte dramática,
vou buscar o melhor; Se a felicidade é o fim objeto da prática!



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Fio da arte ( O trago da seda)

Fotografia: Clark Litlle  

Para Cláudio Upiano in Memória

Escrever não é algo individual,
 é empurrar a linguagem
para alem das fronteiras
da norma do homem e do animal.

Esse é um movimento clivagem
do limite, do sentido, do oral.
Desfazendo é o reinício.
Por dentro dos interstícios,
traz maior o original.

Violando o vitalício,
o romper é a viagem,
para alem dos quietos vícios.
Essa é a nobreza dos signos:
provocar a liberdade
fazendo um verso universal.

domingo, 7 de abril de 2013

Simbolismo ( A olhos nus )

                                Fotografia: Marcelo Carnaval

Banalidades do porão.
Consumê de salão.
Qualquer bobagem
Sem cabimento é criação.

A poesia é a ciclista
atropelando o caminhão.
É o fulano arrivista
abocanhando o seu quinhão.

Tudo detém o conhecimento
dentro daquilo a que se finde.
Vértice refém  do universal alento,
é a biblioteca do José Mindlin.

Qualquer abordagem
do sentimento é coração,
até um falso Baudelaire na contramão.
Democratizar conhecimento é fazer nação.
Por que não?

Todo poeta é franco atirador.
Tudo na poesia é dor e solução.
Na mais gramatical tradução.
A terra seca e a alfombra.
A devastação e a bomba.

Será a bala?
Será o dedo?
Será o cão?

Será a literatura um segredo á sombra?
O poema tem o condão
de ser a realidade
fantasiada de abstração.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A estátua e a pedra ( A olhos nus)

Fotografia: Vitor Marigo

A nossa vida tem suas amarrações.
Faz os acordos entre a estátua e a pedra,
nas transparências  entre o o real e o desejo.

A coerência fecunda o encanto e o espanto,
nos contraditos entre o caminho e as pernas.
Nasce o conflito, mais gostoso que primeiro beijo.

Portanto é no sol dos movimentos e das sombras,
aonde fazemos jus aos mínimos cantos das emoções,
que nos traduzimos no desatar das coisas ternas.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

E a pedra saiu correndo ( O trago da seda)

Fotografia: Pedra do Leme-Luiz Riedlinger
Foi mar pra tudo que é lado,
e a coitadinha da pedra
não fez o caminho a nado.

Enquanto falavam sempre
o mesmo poema falado.
Tadinha da pedra, nem geme.
Aquele calhau somente
ouvia aquela gente
repetir o recontado.

Tadinha da pedra do Leme
de tanto ouvir já treme
Sem saber mesmo até quando
suportará a episteme,
e ficava ali escutando.

O granito velho e cansado
Já não suportando o link
diante de tal açoite
do mesmo poema Leminski
pedia ao vento da noite
que o levasse, o rogado.

E deu-se a ventania
no marasmo criativo
E o vento num rodopio
ouvindo a pedra um dia
atendeu o tal pedido
com a força da maresia

Éolo Deus do  pum
de rogado não se fez
Para outro lugar algum.
E a pedra vejam vocês
evadiu-se do posto um
foi parar lá no posto seis.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Irracionável ( O trago da seda)

Fotografia: A indicação do destino irracional- Nuno Silva

Mas                                                                                                    quando o banal
a paz                                                                                                   é o valor
interna                                                                                                 a violência
e sã                                                                                                       animal
em si                                                                                                    é
não                                                                                                      regra
será               B R U T A L I D A D E B R A S I L                                                                                      social
cidadã                                                                                              não há
enquan                                                                                            quem sou
to houver                                                                                          nem                                                                          
mulher                                                                                             aonde
es es                                                                                                estou                                        
tupra                                                                                                não há
das                                                                                                     país
em                                                                                                     raís
vans.                                                                                                Nação

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Hoje no circo da alma

Fotografia: Em dias de alma como hoje-Mariah


Uma pequena atitude de felicidade numa pitada simples de carinho.
A lucidez da surpresa boa em um afago feito sem motivo aparente.

Um olhar qualquer, mas que seja comovente, com o tato melhor no gestual das palavras.
Um presente singelo e cheio de afeto é a plena brincadeira recheada de alegria.

O tempo é o a mais da disponibilidade para uma tarde de estar junto com.
Umas horas passadas sem ponteiros, laçando o abraço de matar saudades.

O cuidado de um com o outro, apenas por que isso é bom assim.
A certeza da solidariedade tem cumplicidade no cheiro.

O tempo de andar devagar derrete o sorvete pelo calor do peito.
E o beijo, que é próprio do amor, é um pedaço doce de leite do prazer.

A mais absoluta e agradável inutilidade, faz a tranquilidade do verídico da vida.
E a pele do corpo, com sabor de ser, é somente isso, só ser.

O sol cuja luz vem do outro, é o outro, que em nós,  nos faz maior.
O balsamo cessa  a possibilidade da dor e para o domingo, que não acabou.

O braço confidente é radiante, a delicia do chamego erotizante.
A beleza leve da companhia, bole a fervura inconsequente dos amantes.

O absurdo de ser humano despe o que se apura, no inconsciente
do por acaso da existência. É o destino por mais um dia.





sexta-feira, 29 de março de 2013

Sinapse no circo da alma



Há em nos algo que somos e não sabemos tanto o quanto.
A consciência é na origem um labirinto em segredos.
Quão celular o cérebro é, um emaranhado arvoredo.
A se saber o que nos difere em relação a outros bandos.
No intra córtex habita esse segredo, misterioso tamanho.
A se desvendar na hercúlea chama da neurociência.
Quantos bilhões de neurônios haverão? qual competência?
Em número e em ordem basal é desconhecido tal ganho.
Tanto se sabe, e esse tanto ainda é pouco, tanta é a pesquisa.
E o que se sabe é parte de um quebra cabeça em tantas peças.
O interior do interior como funciona, é um desvendar que resta.
Essa certeza da incerteza, esta na mesa, a riqueza mais imprecisa.
Quanta beleza  Suzana, essa operária em sua sábia oficina.
No desafio que conduz o homem por força e fome, ou curiosidade.
Tudo se sabe, tudo se esquece, muda de nome, o falso e a verdade.
Todo o inteiro no cerebelo, mais que um cabelo, mais que a glicina.
Nesses bilhões, nesses sertões, neuro grotões portais inclusos,
Só dez por cento não é verdade da utilidade mais cerebral
Sinapse anatômica libidinal forjando a tônica com seus impulsos
diz ao poeta da natureza em seu tormento: Esse é o quintal!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Pasteurizado ( A olhos nus)

Fotografia: O desfrute do tropical- Orlando Costa


O tropicalismo do seculo vinte e um
é um açaí pasteurizado outra vez.
Para consumo dos educados pós Martinez.
Passado como o movimento Hippie,
Manuel audaz não passava de um Jeep.
Aparência nos descolados é hoje a altivez.
O romantismo visceral de Vade Mecum,
nessa zona de convergência tropical,
esta previsto na tragédia o temporal.
Nas águas da discussão o original se liquefez.