Fotografia: Quase pronto- Antônio Soares
Não se expõe ao ridículo?
Não tropeça no acaso?
Nunca trocou um passo?
Nunca pagou um mico?
Nunca foi um palhaço?
Nunca queimou o filme?
Nunca perdeu razão?
Jamais errou na mão?
Há algo que o desafine?
Quem não perdeu ilusão?
Quem nunca cometeu gafe?
Nunca deu maior mancada?
Quem nunca cai na cilada?
Quem não sofreu xeque-mate?
Quem não entrou na roubada?
Quem nunca pisou na bola?
Nunca foi um desastrado?
Quem nunca foi questionado?
Quem nunca disse e agora?
Quem nunca foi o culpado?
Nunca falou uma bobagem?
Quem nunca desdenhou fé?
Quem nunca foi um lelé?
Quem nunca manchou imagem?
Quem nunca falhou até?
Quem é total e desperto?
Sem um vacilo qualquer?
Quem é maior que Javé?
Ou é normal tão de perto?
Quem nunca caiu dos pés?
O erro é o pai do acerto.
Salvo o menor engano,
meu caro amigo fulano,
o ser humano é conserto,
e o mundo é a falha do plano.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Poema do erro no amor ( O circo da alma)
Fotografia: Macrofotografia vs soneto Vinícius de Moraes
Epígrafe do Poema dos olhos da amada de Vinícius de Moraes
.
Ah! Minha amada
que aos olhos sofreu.
Procura verdades
trocando metades,
como indo a Deus...
Tem desesperanças,
na contradança,
por erros meus...
Ah! minha amada
Não sou fariseu
Se acaso não sabe
a calamidade,
o desastre, sou eu.
Tão velho e criança,
quebrei confiança,
no que aconteceu...
Ah! minha amada.
Se o cristal rompeu,
abriu-se a cratera
na flor mais bela
do nosso apogeu.
O sal sobre a terra
sobrou a quem erra,
e o erro é meu...
Ah! minha amada
não me diga não.
Se todo o desgosto
distante e torto
te fere a razão.
Fiz triste seu rosto,
de alma e de corpo,
eu peço aqui perdão...
Epígrafe do Poema dos olhos da amada de Vinícius de Moraes
.
Ah! Minha amada
que aos olhos sofreu.
Procura verdades
trocando metades,
como indo a Deus...
Tem desesperanças,
na contradança,
por erros meus...
Ah! minha amada
Não sou fariseu
Se acaso não sabe
a calamidade,
o desastre, sou eu.
Tão velho e criança,
quebrei confiança,
no que aconteceu...
Ah! minha amada.
Se o cristal rompeu,
abriu-se a cratera
na flor mais bela
do nosso apogeu.
O sal sobre a terra
sobrou a quem erra,
e o erro é meu...
Ah! minha amada
não me diga não.
Se todo o desgosto
distante e torto
te fere a razão.
Fiz triste seu rosto,
de alma e de corpo,
eu peço aqui perdão...
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Prato cômico ( Beco da fome)
Fotografia: Laranja mecânica- Telmo Ruy Fernandes
Não é caldo de galinha, não é Canja.
Não é nada que se sirva no almoço.
Mas tem casca, sem semente ou caroço.
Se parece mas não cresce igual toranja.
Não se pode definir, não há um laudo,
que nos diga se é bolo ou se é doce.
Eu não sei como surgiu ou quem o trouxe,
Mas eu sei que é gostoso e tem respaldo.
Tem a massa bem cremosa de laranja.
Pedacinhos de um queijo derretido.
Tem três ovos que devem ser bem batidos.
O açúcar próprio, a fruta nos arranja.
Junte a tudo uma colher boa de amido,
com três xícaras bem cheias de farinha.
Ponha sal, bem pouquinho, a pitadinha,
bata bem até ficar tudo unido.
Não se esqueça de juntar também manteiga,
duas colheres que é para fazer a liga.
Tendo feito, vá com calma, vá sem briga.
Não tem nome mas não é receita leiga.
Sendo bolo, doce, ou antropológico,
o que importa é o prazer que á coisa cause.
Aprendi ouvindo um blues da Amy Winehouse
não esqueço do fermento biológico .
Unte a forma com manteiga por inteiro,
polvilhando com mais farinha de trigo.
Ligue o forno e o mantenha aquecido,
com água quente dentro de um tabuleiro.
Nessa forma jogue então a nossa massa,
sobre o fundo de uma forma uniforme.
Tendo tudo isso feito, e nos conformes,
cento e oitenta graus e a coisa assa.
Quem puder lhe dar um nome gastronômico,
que o faça porque o nome lá não tem.
É saboroso, é saudável e faz tão bem.
Na receita mais parece um prato cômico.
Não é caldo de galinha, não é Canja.
Não é nada que se sirva no almoço.
Mas tem casca, sem semente ou caroço.
Se parece mas não cresce igual toranja.
Não se pode definir, não há um laudo,
que nos diga se é bolo ou se é doce.
Eu não sei como surgiu ou quem o trouxe,
Mas eu sei que é gostoso e tem respaldo.
Tem a massa bem cremosa de laranja.
Pedacinhos de um queijo derretido.
Tem três ovos que devem ser bem batidos.
O açúcar próprio, a fruta nos arranja.
Junte a tudo uma colher boa de amido,
com três xícaras bem cheias de farinha.
Ponha sal, bem pouquinho, a pitadinha,
bata bem até ficar tudo unido.
Não se esqueça de juntar também manteiga,
duas colheres que é para fazer a liga.
Tendo feito, vá com calma, vá sem briga.
Não tem nome mas não é receita leiga.
Sendo bolo, doce, ou antropológico,
o que importa é o prazer que á coisa cause.
Aprendi ouvindo um blues da Amy Winehouse
não esqueço do fermento biológico .
Unte a forma com manteiga por inteiro,
polvilhando com mais farinha de trigo.
Ligue o forno e o mantenha aquecido,
com água quente dentro de um tabuleiro.
Nessa forma jogue então a nossa massa,
sobre o fundo de uma forma uniforme.
Tendo tudo isso feito, e nos conformes,
cento e oitenta graus e a coisa assa.
Quem puder lhe dar um nome gastronômico,
que o faça porque o nome lá não tem.
É saboroso, é saudável e faz tão bem.
Na receita mais parece um prato cômico.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Eu não vou desistir ( O olhar da carranca)
Fotografia: voo sincronizado- PPS
Os meus olhos trazem ao vivo
O que do mundo puderem olhar.
Observam teus olhos altivos
do universo da libido,
qual uma explosão solar.
Meus olhos estão contidos,
nos olhos que são os teus.
Meus olhos só têm ouvidos
para todos os mil sentidos,
de descortinar os teus véus.
Meus olhos não tremem sustos
com os barulhos dos céus.
Não fazem conta dos custos,
nem se escondem nos arbustos
das trilhas do mundaréu.
O amor que trago comigo
foi colhido no olhar teus olhos
neles colho meus sentidos
deles faço meus abrigos
nas tormentas dos abrolhos
Não temas medos antigos,
os vãos, as intrigas do tempo.
Estarei sempre contigo
aonde fores, a sigo
independente dos ventos.
Os meus olhos trazem ao vivo
O que do mundo puderem olhar.
Observam teus olhos altivos
do universo da libido,
qual uma explosão solar.
Meus olhos estão contidos,
nos olhos que são os teus.
Meus olhos só têm ouvidos
para todos os mil sentidos,
de descortinar os teus véus.
Meus olhos não tremem sustos
com os barulhos dos céus.
Não fazem conta dos custos,
nem se escondem nos arbustos
das trilhas do mundaréu.
O amor que trago comigo
foi colhido no olhar teus olhos
neles colho meus sentidos
deles faço meus abrigos
nas tormentas dos abrolhos
Não temas medos antigos,
os vãos, as intrigas do tempo.
Estarei sempre contigo
aonde fores, a sigo
independente dos ventos.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Atenção ( O olhar da carranca)
Fotografia: Mau tempo, Bom tempo- Paulo Dias
Com a vida se passando, na escola do simplesmente, é que pude desvendar em mim mesmo, aquilo que de mim não sabia; Pois dos outros tenho sempre a informação vencedora a título de realidade, é o aparente do mundo ao meu lado, nunca o velado.
Foi preciso acalmar assombros, foi vital soerguer escombros, foi legal aprumar os ombros e colher a minha própria solução.
Se a divergência é um universo, minha história é do caminho, do chão, sou divergente manifesto.
Foi preciso aprender a respeitar onde piso, para poder encaminhar mais acurada a atenção do que sou no tempo e espaço.
Foi com a vista se alastrando, com a força do destino, só assim pude laborar o acaso, me apoiando no então do improviso, foi assim mesmo, sem nenhum aviso.
Necessário foi, dissolver os grumos da vergonha instalada à revelia do querer próprio, em água morna, para não encaroçar em ilusão, para não me queimar na fumaça da insegurança, foi pertinente ter opinião, ter atitude, Quebrar a ponta da lança com a minha ginga, com a minha dança, com a pulsação.
Meu tempo é de alegria, de não me afogar no caldo insossego e calado do mundo dos lamentos.
Foi com ciso que aprendi a tirar o guizo do leão do dia, foi com essa alegria, com sorriso, e com tesão.
Na vida é urgente ter peito para achar um jeito sem perder a mão, sem puxar o cão, sem fechar o coração; Nessa lida ponho os olhos nos olhos, ponho as mãos nas outras mãos, ponho corpo a corpo, e no amor presto muita, mas muita tenção.
Com a vida se passando, na escola do simplesmente, é que pude desvendar em mim mesmo, aquilo que de mim não sabia; Pois dos outros tenho sempre a informação vencedora a título de realidade, é o aparente do mundo ao meu lado, nunca o velado.
Foi preciso acalmar assombros, foi vital soerguer escombros, foi legal aprumar os ombros e colher a minha própria solução.
Se a divergência é um universo, minha história é do caminho, do chão, sou divergente manifesto.
Foi preciso aprender a respeitar onde piso, para poder encaminhar mais acurada a atenção do que sou no tempo e espaço.
Foi com a vista se alastrando, com a força do destino, só assim pude laborar o acaso, me apoiando no então do improviso, foi assim mesmo, sem nenhum aviso.
Necessário foi, dissolver os grumos da vergonha instalada à revelia do querer próprio, em água morna, para não encaroçar em ilusão, para não me queimar na fumaça da insegurança, foi pertinente ter opinião, ter atitude, Quebrar a ponta da lança com a minha ginga, com a minha dança, com a pulsação.
Meu tempo é de alegria, de não me afogar no caldo insossego e calado do mundo dos lamentos.
Foi com ciso que aprendi a tirar o guizo do leão do dia, foi com essa alegria, com sorriso, e com tesão.
Na vida é urgente ter peito para achar um jeito sem perder a mão, sem puxar o cão, sem fechar o coração; Nessa lida ponho os olhos nos olhos, ponho as mãos nas outras mãos, ponho corpo a corpo, e no amor presto muita, mas muita tenção.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Narciso S/A ( O circo da alma)
Fotografia: Narciso-Brunna Guimarães
Escraviza-se no espelho
imaginário, sem o olhar,
no que se mantem de joelhos,
ensimesmado num altar.
Mas o escravo, por conselho,
não se espelha ao não se ver.
Nesse momento aparelho
sega os olhos ao prazer.
Num tal desvio, nessa onda,
flexiona o seu desejo.
Narcotizado, nessa lombra,
entorpece ao sombrear
a própria sombra,
em satânico cortejo.
Nas pedras paredes de Eco,
do erótico fulcro, o sobejo,
grita à ausência do objeto
tão aclamado, é um adejo.
Sendo o desejo o sabor
que se externa no alheio
no outro há de estar o veio
O doce e o leve do amor
Se a vida é de ser breve,
não se a perde em solipsismos.
Só narciso à imagem deve,
e a solidão é um abismo.
A beleza é uma tênue flor,
O tempo do amor é conciso
Escraviza-se no espelho
imaginário, sem o olhar,
no que se mantem de joelhos,
ensimesmado num altar.
Mas o escravo, por conselho,
não se espelha ao não se ver.
Nesse momento aparelho
sega os olhos ao prazer.
Num tal desvio, nessa onda,
flexiona o seu desejo.
Narcotizado, nessa lombra,
entorpece ao sombrear
a própria sombra,
em satânico cortejo.
Nas pedras paredes de Eco,
do erótico fulcro, o sobejo,
grita à ausência do objeto
tão aclamado, é um adejo.
Sendo o desejo o sabor
que se externa no alheio
no outro há de estar o veio
O doce e o leve do amor
Se a vida é de ser breve,
não se a perde em solipsismos.
Só narciso à imagem deve,
e a solidão é um abismo.
A beleza é uma tênue flor,
O tempo do amor é conciso
sábado, 18 de agosto de 2012
Um pão de Queijo e um beijo (Beco da fome)
Fotografia: Pão de queijo- Sandra Lapertosa
Vou dizer o que aprendi para aguçar o desejo
afrodisíaco souvenir, o afamado pão de queijo
feitos por vovó Bibi, a quem de cá mando beijos.
Tem que ter três copos cheios alem da borda sem medo.
O beijo pode ser doce, mas o polvilho é o azedo.
Um óleo que já bem quente, a mais de um copo, dois dedos.
Escaldada essa fécula com o calor do óleo quente,
deve-se também fazer, com outro tanto em água fervente,
para a goma então formar quase a massa eminente.
Pois que o bom sabor mineiro, seja o que se o aproveite
quem de água não gostar pode usar opção leite.
Uma colher vai de sal, que ao carimã se deite.
Observe o principal, que vem dar ao pão o nome
também é o fundamento do prazer de quem o come
Queijo Minas, Roquefor, Parmesão ou Provolone.
Mussarela, Emmental, misturado ou Mascarpone.
Qualquer queijo vale a pena para o tamanho da fome.
Depois disso vem os ovos, para início quebre cinco
No prato ou batedeira, bata e espume com afinco.
Junte tudo e mão na massa, nosso pão já vem surgindo.
Apalpe, amasse, aperte, use a força se quiser.
Sove, alise, deslize como em bunda de mulher .
Use toda a expertise, a massa pede, ela quer.
Depois, ainda batidos, mais três ovos e vontade.
Continue, mão na massa, até dar cremosidade,
dar leveza ao pãozinho, dar memória, dar saudade.
Para tal, ponha carinho, ponha amor, mas de verdade.
Feito isso não se esqueça de pré aquecer o forno.
Deixe-o quente, quente mesmo, ele não pode ser morno.
Pois se acaso ficar frio, a receita é sem retorno.
Prepare os tabuleiros para receber nosso pão
faça bolinhas esparsas usando as duas mãos
redondas ou ovaladas, a forma não faz questão.
Deixe espaço entre elas para haver crescimento.
ponha então tudo ao forno e dê tempo ao próprio tempo.
De vinte a trinta minutos sem abrir pra não ter vento.
Depois disso é a hora de retirar a iguaria.
Agora deixe ao descanso dois minutos na bacia.
Com café, suco ou chá, fiz o mimo pra Maria.
Vou dizer o que aprendi para aguçar o desejo
afrodisíaco souvenir, o afamado pão de queijo
feitos por vovó Bibi, a quem de cá mando beijos.
Tem que ter três copos cheios alem da borda sem medo.
O beijo pode ser doce, mas o polvilho é o azedo.
Um óleo que já bem quente, a mais de um copo, dois dedos.
Escaldada essa fécula com o calor do óleo quente,
deve-se também fazer, com outro tanto em água fervente,
para a goma então formar quase a massa eminente.
Pois que o bom sabor mineiro, seja o que se o aproveite
quem de água não gostar pode usar opção leite.
Uma colher vai de sal, que ao carimã se deite.
Observe o principal, que vem dar ao pão o nome
também é o fundamento do prazer de quem o come
Queijo Minas, Roquefor, Parmesão ou Provolone.
Mussarela, Emmental, misturado ou Mascarpone.
Qualquer queijo vale a pena para o tamanho da fome.
Depois disso vem os ovos, para início quebre cinco
No prato ou batedeira, bata e espume com afinco.
Junte tudo e mão na massa, nosso pão já vem surgindo.
Apalpe, amasse, aperte, use a força se quiser.
Sove, alise, deslize como em bunda de mulher .
Use toda a expertise, a massa pede, ela quer.
Depois, ainda batidos, mais três ovos e vontade.
Continue, mão na massa, até dar cremosidade,
dar leveza ao pãozinho, dar memória, dar saudade.
Para tal, ponha carinho, ponha amor, mas de verdade.
Feito isso não se esqueça de pré aquecer o forno.
Deixe-o quente, quente mesmo, ele não pode ser morno.
Pois se acaso ficar frio, a receita é sem retorno.
Prepare os tabuleiros para receber nosso pão
faça bolinhas esparsas usando as duas mãos
redondas ou ovaladas, a forma não faz questão.
Deixe espaço entre elas para haver crescimento.
ponha então tudo ao forno e dê tempo ao próprio tempo.
De vinte a trinta minutos sem abrir pra não ter vento.
Depois disso é a hora de retirar a iguaria.
Agora deixe ao descanso dois minutos na bacia.
Com café, suco ou chá, fiz o mimo pra Maria.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Aqui jaz Samba 1925-2012 ( Perna bamba é do samba)
Samba- Di Cavalcante 1925
O Samba tinha negritude.
O Samba tinha sol na saia
das femininas virtudes,
também de chapéu de palha.
No brilho a pele morena,
bem antes era toda nua,
o Samba ganhou a cena
nas roupas alvas e cruas.
O Samba era brasileiro
de corpos tão elegantes.
Pierrete veio primeiro,
22 e modernizante.
Antecedeu ao Pierrô,
sem ser menos importante.
Só depois Di Cavalcante
no Samba pôs azul cor.
Havia-lhe um sol maneiro,
pictórico no sabor,
tão mulato, tão inteiro,
cheirando a trabalhador.
À direita um violeiro,
ao fundo um estivador,
dois corpos luzem brejeiros,
são duas mulatas em flor.
Os homens sentados fitam
o que hoje é uma tristeza.
Fumaças ao fundo ditam
o destino dessa riqueza.
Queimada na intimidade
das coleções de cultura,
a irônica privacidade
do patrimônio é a clausura.
Na fuligem, no braseiro,
o azul virou fumaça.
Arquiva a Barata Ribeiro
mais uma ode à desgraça.
Perde um povo em ignorância,
as referências de laia.
nas paredes dessa instância
a relevância desmaia.
O Brasil perde altaneiro
mais uma peça notória.
Num destino traiçoeiro
O Samba virou memória
Do outro lado da praça,
quase de frente ao Metrô.
distante do olhar da massa.
a arte se suicidou.
O Samba tinha negritude.
O Samba tinha sol na saia
das femininas virtudes,
também de chapéu de palha.
No brilho a pele morena,
bem antes era toda nua,
o Samba ganhou a cena
nas roupas alvas e cruas.
O Samba era brasileiro
de corpos tão elegantes.
Pierrete veio primeiro,
22 e modernizante.
Antecedeu ao Pierrô,
sem ser menos importante.
Só depois Di Cavalcante
no Samba pôs azul cor.
Havia-lhe um sol maneiro,
pictórico no sabor,
tão mulato, tão inteiro,
cheirando a trabalhador.
À direita um violeiro,
ao fundo um estivador,
dois corpos luzem brejeiros,
são duas mulatas em flor.
Os homens sentados fitam
o que hoje é uma tristeza.
Fumaças ao fundo ditam
o destino dessa riqueza.
Queimada na intimidade
das coleções de cultura,
a irônica privacidade
do patrimônio é a clausura.
Na fuligem, no braseiro,
o azul virou fumaça.
Arquiva a Barata Ribeiro
mais uma ode à desgraça.
Perde um povo em ignorância,
as referências de laia.
nas paredes dessa instância
a relevância desmaia.
O Brasil perde altaneiro
mais uma peça notória.
Num destino traiçoeiro
O Samba virou memória
Do outro lado da praça,
quase de frente ao Metrô.
distante do olhar da massa.
a arte se suicidou.
domingo, 5 de agosto de 2012
Silente ( Perna bamba é do samba)
Fotografia: Ausência - Inka
Ai como dói uma ausência na gente,
como machuca um estrago de amor.
Quando eu trago um sorriso nos dentes,
tão somente evidente, escondendo a dor.
Se a alegria que vês é janela aparente,
tem semente em algo que machucou.
Essa festa do fim é dos quase contentes,
são as sobras frias e silentes de calor.
Como reflete esse espelho, essa lente,
mostrando o real fato no fino pente,
essa imagem restante, sem sal, sem sabor.
Nem de longe lembra as juras ardentes,
ai como dói esse fim comovente,
quando não se sabe sequer quem errou.
Nessa farsa em brinde o chope é quente,
quem saúda o ruim da paixão diferente,
quebra um verso onde a rima assim acabou.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Micróbio do Samba ( Perna bamba é do Samba)
Fotografia: Amor de Cavaquinho- PP de Almeida
Se o seu peito chorar baixinho,
com a sequencia afinada em Si,
vá nas cordas de um cavaquinho,
até a tristeza cansar, desistir.
Ouvir samba pode ser caminho,
para a vida voltar a sorrir,
no perfume sonoro do pinho,
um bom samba vai te redimir,
Cincopado ou no Miudinho.
No contágio maior da alegria.
Se o dissabor se tornar vizinho,
houver dor onde não mais havia,
deixe o samba assumir seus carinhos
melhor mesmo é cair na folia
e deixar o sofrimento sozinho.
Se o seu peito chorar baixinho,
com a sequencia afinada em Si,
vá nas cordas de um cavaquinho,
até a tristeza cansar, desistir.
Ouvir samba pode ser caminho,
para a vida voltar a sorrir,
no perfume sonoro do pinho,
um bom samba vai te redimir,
Cincopado ou no Miudinho.
No contágio maior da alegria.
Se o dissabor se tornar vizinho,
houver dor onde não mais havia,
deixe o samba assumir seus carinhos
melhor mesmo é cair na folia
e deixar o sofrimento sozinho.
Meia Boca (O olhar da carranca)
Fotografia: Verdades? Onde? João Zero
A vida como ela é,
pode bem vir a ser outra.
O tempo é uma porta aberta,
e o agora é coisa pouca.
Quem fala meia verdade,
guarda metade na boca.
Essa verdade encoberta,
se vista com acuidade,
silente,calada, quieta,
com face de coisa morta,
aparentemente incerta,
outra verdade denota.
Se uma parece incorreta,
a outra verdade é torta.
Uma na outra se infecta
numa atitude devota.
Se a primeira não despe fé
a segunda já pouco importa.
A vida como ela é,
pode bem vir a ser outra.
O tempo é uma porta aberta,
e o agora é coisa pouca.
Quem fala meia verdade,
guarda metade na boca.
Essa verdade encoberta,
se vista com acuidade,
silente,calada, quieta,
com face de coisa morta,
aparentemente incerta,
outra verdade denota.
Se uma parece incorreta,
a outra verdade é torta.
Uma na outra se infecta
numa atitude devota.
Se a primeira não despe fé
a segunda já pouco importa.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Bifocal ( A olhos nus)
Fotografia:Escrevo sem pensar- Skarlath
Meu ramo de atividade,
agora sem gritaria,
é fazer da poesia
a minha realidade.
Sem menor leviandade,
sem falsa aleivosia,
me sirvo dessa alegria,
talvez por necessidade.
É capa pra ventania,
fragmentos em clivagem,
blasfêmia contra a heresia,
coisa de alta voltagem.
Descarga de energia.
É lente à visão miopia,
luz de sol meio dia,
outro jeito, outra abordagem.
Nela eu busco valia,
unindo minhas metades,
nessa verbal cirurgia
destilo afetividade.
Até quando não queria,
em minha adversidade,
de mim ela faz serventia,
quando me invade.
A palavra em libertinagem
Vem como a teimosia.
Causada por bruxaria,
silenciosa e em alarde.
O inconsciente a guia,
da corpo, contagia,
na forma e fisionomia,
retraduzida em linguagem.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Laço vivo ( A olhos nus)
Fotografia: Quando a vida é cor de rosa- MLSP

O mundo dos laços cor de rosa, trazendo a vida às sérias
de mim fizera à Tirésias, prever femininas vitórias.
Na força afeita à alegria mais sólida e luminosa,
muito mais forte se cria à mais saudável trajetória
Carcinoma é anomalia da célula indecorosa,
que perderá teimosia, sumindo na ventania
como a erosão das falésias, perseverando as Magnólias.
No mundo, os laços das Rosas desafiando a insurreta crise,
o refazer é uma expertise estampada em peito e prosa.
Em cada novelo de linha, em cada ideal de cuca,
uma coragem novinha se alinha à nova peruca.
Revisionando as histórias, fortalecendo as meninas,
em preciosa auto estima a vida vem valiosa.
Nessas mulheres guerreiras há uma cadência zelosa
de ternura em laço rosa, ventura em boa companhia.
Se vida é coisa venosa, perpetuante é a cura.
E em cada olhar leitura o movimento se entrosa
Pois quem aposta na vida jamais a vê perigosa.
Na força que está unida à bossa de ser gostosa.
A vida boa de briga é a mesma vida dengosa.
Abram alas na avenida de abraços aqui e agora
São solidárias queridas com soluções amorosas.
Em atitudes proativas as moças dos laços rosa,
que sigam sempre altivas, de suas vidas senhoras.

O mundo dos laços cor de rosa, trazendo a vida às sérias
de mim fizera à Tirésias, prever femininas vitórias.
Na força afeita à alegria mais sólida e luminosa,
muito mais forte se cria à mais saudável trajetória
Carcinoma é anomalia da célula indecorosa,
que perderá teimosia, sumindo na ventania
como a erosão das falésias, perseverando as Magnólias.
No mundo, os laços das Rosas desafiando a insurreta crise,
o refazer é uma expertise estampada em peito e prosa.
Em cada novelo de linha, em cada ideal de cuca,
uma coragem novinha se alinha à nova peruca.
Revisionando as histórias, fortalecendo as meninas,
em preciosa auto estima a vida vem valiosa.
Nessas mulheres guerreiras há uma cadência zelosa
de ternura em laço rosa, ventura em boa companhia.
Se vida é coisa venosa, perpetuante é a cura.
E em cada olhar leitura o movimento se entrosa
Pois quem aposta na vida jamais a vê perigosa.
Na força que está unida à bossa de ser gostosa.
A vida boa de briga é a mesma vida dengosa.
Abram alas na avenida de abraços aqui e agora
São solidárias queridas com soluções amorosas.
Em atitudes proativas as moças dos laços rosa,
que sigam sempre altivas, de suas vidas senhoras.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Na lata ( O trago da seda)
Fotografia: Da lata- O Globo 14-07-2012
Quando eu me chamar saudade
Ja não serei mais que uma data
A vida não tem estorno, nem errata
ao fim, a aventura real é inexata;
Sujeita ao ajuste impuro da liberdade
Se saudade for, não serei bravata saudade
Mas enquanto eu me chamar idade
não passarei meu tempo em casamata.
Trago na pele madura a textura tacta,
sem a forca de seda e nu de gravatas.
De encontros é o meu caminho, minha verdade.
De tantas outras pegadas se faz estrada,
tão múltipla, e tão infinita é a veracidade.
Se ontem fui levedura, hoje sou pura nata,
a cada nova ternura, ou cada bala de prata,
sou ácido e o meu carinho é grão Ciabatta.
Em poema um ruim o verso não desata
perdido no pavio e meio da casualidade
sincronicidade,em Jung, parece mesmo cascata
Alguma coisa que lembra o verão da lata,
inundado num mar de alegria e felicidade regata
Quando eu me chamar saudade
Ja não serei mais que uma data
A vida não tem estorno, nem errata
ao fim, a aventura real é inexata;
Sujeita ao ajuste impuro da liberdade
Se saudade for, não serei bravata saudade
Mas enquanto eu me chamar idade
não passarei meu tempo em casamata.
Trago na pele madura a textura tacta,
sem a forca de seda e nu de gravatas.
De encontros é o meu caminho, minha verdade.
De tantas outras pegadas se faz estrada,
tão múltipla, e tão infinita é a veracidade.
Se ontem fui levedura, hoje sou pura nata,
a cada nova ternura, ou cada bala de prata,
sou ácido e o meu carinho é grão Ciabatta.
Em poema um ruim o verso não desata
perdido no pavio e meio da casualidade
sincronicidade,em Jung, parece mesmo cascata
Alguma coisa que lembra o verão da lata,
inundado num mar de alegria e felicidade regata
sábado, 7 de julho de 2012
Gabo ( O trago da seda)
Fotografia: Gabo- Alexandre Torezan
O fantástico de Gabriel faz história
no realista, o poder de ser mais que o real.
Na língua branca paginada do Latino papel,
lembranças perdidas não matam memória.
A imagem literária tem escala anormal
ao trançar as alturas desatadas de um rapel.
Em cujas linhas o humor é a carta precatória
e o simpático Garcia assim se afia em jornal.
Da Colômbia Macondo a cor é do azul céu.
Vivem avó desalmada e sua neta notória,
nas mágicas vestes verdes trópico bananal,
nos lombos de Arcádio caminha todo tropel.
Tais vidros de tais espelhos refletem a história,
Márques bem soube criar uma obra genial
nas sombras do amor dos tempos do cólera.
Assim, que mais ninguém escreva ao coronel
O fantástico de Gabriel faz história
no realista, o poder de ser mais que o real.
Na língua branca paginada do Latino papel,
lembranças perdidas não matam memória.
A imagem literária tem escala anormal
ao trançar as alturas desatadas de um rapel.
Em cujas linhas o humor é a carta precatória
e o simpático Garcia assim se afia em jornal.
Da Colômbia Macondo a cor é do azul céu.
Vivem avó desalmada e sua neta notória,
nas mágicas vestes verdes trópico bananal,
nos lombos de Arcádio caminha todo tropel.
Tais vidros de tais espelhos refletem a história,
Márques bem soube criar uma obra genial
nas sombras do amor dos tempos do cólera.
Assim, que mais ninguém escreva ao coronel
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Viva São João ( O trago da seda)
Fotografia- noite de são joão- Cristina Neves
O frio é elegante na festa de São João
Laços e botas, chapéu de palha e terno.
Saias rodadas giram os tempos modernos,
sem terra é asfalto e passeata em céu aberto.
Nas cidades se agregam a refinaria e o balão.
Desgraça pouca é uma bobagem atrevida
saltando fogueira e pisando os pés na brasa.
A natureza tem suas digitais corrompidas,
o fogo é de morro abaixo, a água é poluída
na desventura da realidade carcomida.
A vida dos ventos fica no crivo das asas.
Nesse instante de sanfona e de baião,
grande é a noite abraçando a madrugada.
Olha pro céu meu amor, diz o refrão,
chama e calor provento a solução.
Serei ao seu lado, mesmo caindo ao chão,
nocivas são as vias aéreas constipadas.
Brisas juninas pedem frio à madrugada.
Olhe para o céu que a tristeza acabou.
Full HD em lua despedaçada
na cinegrafia da imagem privada
há de haver quadrilhas imaginárias
pela mirada do olhar que as filmou.
O frio é elegante na festa de São João
Laços e botas, chapéu de palha e terno.
Saias rodadas giram os tempos modernos,
sem terra é asfalto e passeata em céu aberto.
Nas cidades se agregam a refinaria e o balão.
Desgraça pouca é uma bobagem atrevida
saltando fogueira e pisando os pés na brasa.
A natureza tem suas digitais corrompidas,
o fogo é de morro abaixo, a água é poluída
na desventura da realidade carcomida.
A vida dos ventos fica no crivo das asas.
Nesse instante de sanfona e de baião,
grande é a noite abraçando a madrugada.
Olha pro céu meu amor, diz o refrão,
chama e calor provento a solução.
Serei ao seu lado, mesmo caindo ao chão,
nocivas são as vias aéreas constipadas.
Brisas juninas pedem frio à madrugada.
Olhe para o céu que a tristeza acabou.
Full HD em lua despedaçada
na cinegrafia da imagem privada
há de haver quadrilhas imaginárias
pela mirada do olhar que as filmou.
terça-feira, 3 de julho de 2012
É aqui Ó ( Banguelê)
Imagem - AFP
A partícula de Deus
brevemente anunciada,
esta em qualquer calçada.
Já seguem suas pegadas
os cientistas e eu.
Argila pré-animada
Fração de Prometeu,
Divina tese ao ateu,
última vela no breu,
pedaço de quase nada.
O universo é meu e seu,
na origem despedaçada.
Da ciência revoltada,
até a próxima Intifada
entre a Judeia e o Caldeu.
Nas explosões do Nobel
da ciência consagrada
a vida surge atinada,
sai dúvida enamorada
de como o universo se deu.
Da heresia de Galileu
até a última charada.
Por vaticínio a escada,
assim vai, sendo escalada
ao Bóson de Higgs europeu
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Mariatos ( Olhos nus)
Fotografia:Desejo de Arsénio Melo
Todo olhar é um desejo debruçado na janela
basta observar os olhos com o lustre da flanela
vai-se notar o salto ornamental que há nas ideias
Se os olhos falam tamanho, mais parecem tagarelas,
para quem os observa não existem palavras meias
Pois olhos sabem sorrir, sabem chorar, sabem ser veias
Os seus em particular me soam canto à capela,
bandeiras, são Mariatos falando entre o mar e a terra.
Todo olhar é um desejo debruçado na janela
basta observar os olhos com o lustre da flanela
vai-se notar o salto ornamental que há nas ideias
Se os olhos falam tamanho, mais parecem tagarelas,
para quem os observa não existem palavras meias
Pois olhos sabem sorrir, sabem chorar, sabem ser veias
Os seus em particular me soam canto à capela,
bandeiras, são Mariatos falando entre o mar e a terra.
terça-feira, 19 de junho de 2012
O sol à mão ( Barril Diógenes)
Fotografia: O sol na minha mão-Manuel Joaquim Bastos
Desejar ter amigos
não é ter amizades.
A acessibilidade
àquilo que é abrigo,
na essência e no perigo,
custa a afetividade.
Amigos de verdade
provêm duo arrimo,
sem o susto do limo
das adversidades.
Cultuado na saudade,
o afeto é um dom divino.
A amizade é um exercício
bem maior que seu desejo.
Projeção é só um almejo
do real, que é mais difícil.
Aonde o temor é vício
limita-se o solfejo.
À palavra branda,
uma outra é esbravejo.
Seguem o mesmo realejo.
Se a amizade se espanta,
é que a graça não é tanta
em um pequeno gracejo.
A amizade é um braço
antes do precipício,
ante o chão movediço,
a forma do afeto é um laço,
como a cama e o cansaço,
elo em ouro maciço.
Zelo e o calor do abraço.
Desejar ter amigos
A acessibilidade
àquilo que é abrigo,
na essência e no perigo,
custa a afetividade.
Amigos de verdade
provêm duo arrimo,
sem o susto do limo
das adversidades.
Cultuado na saudade,
o afeto é um dom divino.
A amizade é um exercício
bem maior que seu desejo.
Projeção é só um almejo
do real, que é mais difícil.
Aonde o temor é vício
limita-se o solfejo.
À palavra branda,
uma outra é esbravejo.
Seguem o mesmo realejo.
Se a amizade se espanta,
é que a graça não é tanta
em um pequeno gracejo.
A amizade é um braço
antes do precipício,
ante o chão movediço,
a forma do afeto é um laço,
como a cama e o cansaço,
elo em ouro maciço.
Zelo e o calor do abraço.
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