Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

terça-feira, 22 de maio de 2012

Por aí ( O olhar da carranca)


Fotografia: A Idade Traz Outra Beleza...- Cello


A conquista do banal
é o que faz de um homem
sujeito às provocações do simples, do normal
Os livros de ontem
são faces cediças do vício intelectual
outros que os comprem,
eu fico com a beleza de um olhar casual.

sábado, 19 de maio de 2012

Vacas frias ( O olhar da carranca)

Fotografia:Congada chapéu e fita- Paulo Cesar da Silva

A felicidade na adversidade, ninguém acredita.
Bem como os temores, somem com as cores de um laço de fita.
A simples maldade não vence a verdade, apenas lhe irrita,
e  a firmeza é parte da paternidade, é coisa benquista.
A força do tempo há de ser o alento, o forte abraço.
Os filhos um dia terão, como os ventos, os seus próprios passos.
Pois o mundo é grande e não cabe na ponta curta de um laço.
A medir esses passos, com a dignidade, a trena é o compaço.
As dificuldades saindo de cena, por mais que tardias,
serão só lembranças, na ponta da lança serão vacas frias.
A vida então, como na canção, vai ter outro dia
Assim quem viver haverá de ver reinar a alegria.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dando a outra face ( Barril Diógenes)


                        Fotografia: Os tempos da escrita e da memória- José de Almeida


Na arte de transfigurar a palavra está o refinamento humano da literatura, dando a ela uma outra forma, outra musculatura. Significando uma outra face, novo encarte, outra nova visão.
Nessa transfiguração a arte surge, onde o homem ressurge e a vida ganha amplitude, compreensão, transparência, abertura.
Alterando-se a palavra damos à ela outros sentidos, posto que um só não basta.
Na arte o humano se reconhece, se abastece, naquilo que busca de novo, num ato de reconstrução da sua própria realidade, de alguma forma modificada, encandecida.
Nessa compostura a vida se transforma, elástica, maior, mais crítica  e de  sentimentos mais farta.
Na arte de configurar a vida, a palavra, o idioma, é fruto comum do ambiente do conhecimento, a fala é cultura nata. A escrita é mais, requer níveis de elaboração.
Com a escrita a palavra muda, é outra lide, escrita é fermentação, é ousadia, é mosto; Quem faz dela o melhor uso, transforma a si e ao outro, dando á fala novo rosto, novo valor, novo gosto, isto é a criação, essa é a diferença iluminada.
Nesse acontecimento se descreve o melhor posto, o melhor múltiplo discernimento de continuidade.
A escrita criativa fica assim contaminada, é a realidade revisitada de outa forma. Uma libertação na crônica renovada.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dejejum ( Beco da fome)


                                                                                                           Fotografia: Rodando a Bahia- Arthur
Tendo fome ela grita aos meus ouvidos
Despertando a sonolência dos justos
Ela gira a baiana em mil sentidos
Taca fogo no circo, o pavio é curto

Ela metralha o sono com dez mil tiros
Ela é light somente na margarina
Mas que fome há de haver nessa menina
sobrepondo à emergência os seus custos?

Todo dia ela faz tudo desigual
Acordando-me para fazer o café
Tem a fome dos monges lá do Nepal
Tem na fala as vantagens de ser mulher.

Todo dia ela insiste para eu levantar
Fica na cama mais tempo de colher
Quer um creme de queijo, quer se fartar
Três torradas ao ponto, quer Camembert

Se não tem iogurte do Panamá
Se não tem fruta fresca, ela quer Jambé
Se não tem pão fresquinho no samburá
Ela faz desatino ou coisa qualquer

Essa fome parece não se aplacar
Ela tira do sério a esse Zé Mané
Cuja vida se aplica em ser do lar
Às seis horas da manhã estará de pé

Para não engordar, ela come pouco
Pura satisfação de um passarinho
Mas se entorna em água o que era vinho
Meus ouvidos de ouvir vão ficando roucos

Se ela não come, a fúria toma lugar
Se preparo a comida, ela diz que não
Se tem papos de anjo, ela quer manjar
Se ofereço, ela diz que não faz questão

Vou botar a comida num alguidar
Para meu santo de maior devoção
Na esquina um despacho eu vou deitar
Em jejum vou pedir por nossa união

Amanhã quando o dia abrir  janelas
Serei eu o motivo dos seus desejos
Pois café matinal não terá mazelas
Vou cobrir sua ira com os meus beijos

Essa ira é embira pra se amarrar
Essa birra é intriga de oposição
Esse papo não tem nem colher de chá
Vou fazer amor, essa é a refeição.














quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lucilúdico ( O analfabeto poético)


Fotografia:Imensidão-Milton Ostettoad


Lucidez é precisão
no escárnio do destino
É a pedra, é a água, é o limo
na insensatez da acepção.

Representar não é a realidade
ou dela é somente parte
imagem base, o alarde.
pedaço da confusão.

Lucidez é na verdade
a mais pura comunhão
pensamento e coração,
loucura e felicidade.

Desafeta da ilusão
do ouro em velocino.
Lucidez muro de arrimo
do delírio é contenção.

Pisando com os pés no chão,
há quem faça o desatino
de colher dela o fascínio,
embriagado de razão.
-

terça-feira, 10 de abril de 2012

Natal sem umbral (Perna bamba é do samba)

                                                                                                                
    Para meu amigo e parceiro Ney Helou

Gurufim do Natal
O samba ressurgindo
nos subúrbios da Central

O golfinho afinal
levará o mais findo
exorcizando o mal.

No trago da pinga
se desfaz mandinga
desproporcional.

Gurufim nos diz
nesse vis-à-vis
que ele irá feliz
para outro local

Madureira enfim
vai a si redimindo
nesse tal festim
Gurufim vai indo.

Para o mar sumindo
no culto mais lindo
Delfim abissal

Vem do povo Banto
todo esse canto
todo o comensal

Boca na moringa
Que o samba faz manto
Portela caminha
quebre esse encanto

Tira essa morrinha
do azul e branco
e ganha o Carnaval.
.

terça-feira, 3 de abril de 2012

De sapato branco ( Perna bamba é do samba)

Fotografia:Música-Mário Carvalho


Para João Bruno
-
Sou fã do Funk,                            
sou fã do Hip- Hop.
E vou te dar um toque
antes que você se zangue.

Não me atrapalho
antes mesmo com os pés,
para os ouvidos faço
gosto com o Jazz

Até no Blues
ouvidos pus.
Nos atabaques
sou da tribo dos Malés

Por outro enfoque
a olhos nus,
não me equivoco
com o Afro-Spiritus.

Se não me fecho,
no estilo como o TOC,
porque de resto
haverá dia de Rock

Por isso digo não se feche,
eu repito, não se empanque
com a acides meio Trash
dos Ingleses, dos Ianques.

Para os ouvidos percorrerem os caminhos,
para encontrar o X certo da canção.
Até o prazer carinhoso dos Chorinhos,
até sentir o acridoce  de um Baião.

Deixando isso pra lá,
sem deixar isso de lado.
Vem se arrastar
no Calango,
no Xaxado.
Do Cubano Chachachá,
ao Miudinho delicado.

Mas o meu gosto
por Catira e por Milonga,
tem por arrosto
as tongas dessas mirongas.

para encurtar essa bruma,
essa história que está longa,
cheia de Rumbas,
de instrumentais e Congas.

Além dos clássicos que dão paz
á alma humana,
tem os Boleros, jogam mais
à ela na lama.

Tendo isso dito,
enquanto um Mambo mamba.
Eu vou amigo
mantendo acesa a chama,
e te dedico
esse poema feito em Samba.

domingo, 25 de março de 2012

Galinha Capitu ( beco da fome)

Fotografia: Galinha  Mourisca- Maria da C. de O. Fernandes   


Os pretéritos do Algarves saíram pelas conquistas
Deixaram após Ourique, a boa galinha Mourisca
Com vinho de boa cave do Rei Afonso Henriques
Pretérito fora Al-Garb deixando se identifique
Se a cultura é antiga, dela fica o que lhe cabe

Nos sabores da comida. a receita vence o sabre
Ao fazê-la é necessário uma lista que a confira
Gaste um pouco do salário em galinha caipira
Três colheres de manteiga  num bom pedaço de bacon
Uma boa frigideira, uma Cebola é de bom tom

Um buquê de Hortelã, com Coentro num amarrado
Cebolinha, Salsa e Cravos, não seja do sal tão fã.
Use-o com mais cuidado, para que a vida seja sã
Vinho branco um bocado, faça um caldo com elã.
Da galinha em separado isso aquece como a lã

Não se esqueça de um limão, de onde queremos o sumo
São Seis fatias de pão, duas gemas pra consumo
Somam seis ovos pochés, Picadinho de gengibre
Mais manteiga de colher, Pimenta de gosto livre
Junte isso e vai com fé dar sabor ao prato chique.

Mas finalizando os fatos como qualquer bom gourmet
Não haveria esse prato, sem um amor a comer.
No céu da boca o palato, no céu do corpo o prazer
Depois do amor, o regalo só vale a pena cozer.
Amada, se sem recatos, Mourisca  foi pra você

sábado, 24 de março de 2012

Bacalhau espírito de porco ( O beco da fome)

Fotografia: Bacalhau 6- Fernanda Nyluand


Bacalhau espírito de porco
é feito para quem não teme.
No leite do fresco creme
devem ser deixadas  lascas,
de modo que o bicho ao gosto
dê prazer a quem as cata.
Num azeite extra virgem,
Cebolas douradas pouco.
Com pimenta sem vertigem,
mas que deixa um cabra rouco.

Refogando nesse douro
umas cenouras raladas,
dando a tudo a cor do ouro,
num sal pouco quase nada.
Se Portugal é a origem,
logo tem que ter Batatas.
Com alho e folha de louro,
manteiga em Rú na água.
Para que bem se aproveite
queijo ralado sem mágoa.

Não pode faltar o leite
para os pães já pernoitados.
Nesse rico caroteno,
substância classe A,
vitamina sem veneno
cheias C e de H.
Um vinho branco mais pleno
dará sabor ao maná,
se Deus não estiver vendo
aproveite para pecar.
.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ociosidades ( O analfabeto poético)

Fotografia: Gaivota- Rose Mary Borges 

A ociosidade da tarde aparece nas nuvens azuis do outono.
Como uma brisa sem guisa, segue esse dia sem dono.
Aprendi a voar com as gaivotas que pousam em meus olhos.
Elas é que deram asas ás minhas inutilidades de Barros

Alegria ( O analfabeto poético)

Fotografia: Alegria- Pedro Gonçalves
 

Levanta essa cabeça
Tira isso de letra
Esse papo tão careta
Não è algo que a mereça
Que a tristeza derreta
Qualquer dor desaqueça
Apagada em cometa
Que a alegria é dileta

Venha mais que completa
Vida não é quieta
Nem segue em linha reta
Não é porrete, é porreta

largue essa dor memória
Assumindo sua história
Faça-a publica e notória
Enfrente a divisória
Mude a trajetória
Venha sem promissória
E por dedicatória
Rompa a fita  vitória
.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sonar ( O analfabeto poético)

                                                                              fotografia: Golfinhos- Henrique Pedroso  


Quem ama não se preocupa com a forma justa
do amor se portar.
porque quando o amor acontece, é como a aranha,
tece a teia no ar.
Nunca se faz necessário único comentário,
não cabe lugar.
Quando o amor nos aquece, ao se nos despe,
formamos o par.
Seja de noite ou de dia, sou eu e Maria,
girando o tear,
cujo tecido é a vida. Faz vela, faz guia
nas brumas do mar.


mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

terça-feira, 13 de março de 2012

suor ( Banguelê)

                                                                                                                                                                                                 Fotografia: Contraste em P &;B -Deni G.
Esse zagueiro no jogo chamado vida,
as vezes bate um pouco,
as vezes causa ferida.
Quem não vacila no troco em dividida,
sabe sair desse toco,
com a cabeça erguida.
Para quem joga de forma destemida,
basta uma ginga de corpo,
e a partida é vencida.
Desfaz  com drible a dor da torcida,
cava a jogada no coco,
marca o gol e revida.
Vence ao se cuidar do bobo perigoso.
Entre um passe fantástico,
entre o lençol e o elástico,
a arquibancada delira e vai ao gozo.
com uma bola de couro,
com uma bola de plástico.
Mas há que suar camisa no gramado,
há que correr lado a lado,
Olho no peixe e no gato.
porque se alem da corrida, tem o baque,
Vida não vem em almanaque.
não se pratica de araque.
Ela só não vale a pena pra quem minta,
nem quem se cansa nos trinta,
ou só carrega na tinta.
Não há receita perfeita ao seu gosto.
em cada marca do rosto,
todo o placar fica exposto
Descuido tem sempre risco em bola alta,
entre a pressão e o ataque,
sola quando vem, se salta.
Encobre a zaga perdida e sempre incauta.
corre do drible da vaca,
quem joga bem se destaca.
É do incomum  que brota a vez do craque,
sempre a seguir centro avante
como Didi, o elegante.
Salva  da trava o tornozelo da falta.
Na perna entorta o Garrincha,
Na folha seca ou na finta.
No meio campo às vezes embola o jogo,
tem que sair desse logro,
Juiz tem ouvido de mouco.
Categoria de quem não é mesmo de quinta.
Quem resiste  esse foco,
Sabe o quanto a vida é linda.
.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da mulher ( A puta me contou)

Fotografia:Dia da Mulher- Manuela Monteiro



Da mulher se recria a vida, na vida se procria a chama da luz humana,
onde o orgasmo se aflita em possibilidades do corpo e da gênese,
mas também nela se instala a lembrança e a saudade e o instante,
Natureza maior da cumplicidade e da troca, em dádiva radiante e sacana.
Ser humano feminino, parcela da humanidade e dela sua gestante.

Ousadia maior da natureza, é sua face metade de útero e beleza,
como o desejo da espécie, como seu colo de proteção, sua razão.
Mulher é a certeza da primavera em germinar a próxima floração,
onde o que é sensível á flor em macia pele se instala abraçante.
No  abraço da vida em seu corpo, a espécie se explica em delicadeza.

Mas não se explica apenas na cama, mas não se explica apenas nos sonhos.
Mas não se explica apenas nos sentidos, da realidade de óvulo e de sangue.
Uma mulher se explica inteira sem permitir que a existência seja exangue.
pobre daqueles que à elas temam, sofrem da misoginia, essa pobre gangue,
sofrem de entende-la pouco, como pouco se sabem de si, isso é medonho.

Na mulher é que melhor se cosem as tecituras do silêncio oculto.
Nela o mesmo olhar do mundo se descortina de forma intensa e generosa.
Como brisa, como ceio, ventre, perfume, persistência  e muita prosa.
Não há como amanhecer apenas um dia a esse mistério, comum à rosa
aberta a um sorriso único da múltipla graça dos lábios adultos .

quarta-feira, 7 de março de 2012

Parceira (perna bamba é do Samba)

                                                                                                                                                                                                   
                                                                                                                                                                                                        Fotografia: Se da amada estás ausente- Luiz

Todos estão indo depressa,
onde eu vou bem devagar.
Uns têm o sorriso de fresta,
da coerência as avessas,
comum ao medo de amar.
Avesso ao gatilho da besta,
desprezo o que não presta,
pois se a vida  me resta,
habita o seu olhar.
Com a virtude canhesta
exposta e manifesta,
é dessa forma modesta
que eu vivo de te amar.
.

terça-feira, 6 de março de 2012

Cefalalgia ( A olhos nus)

                                                                                                                                                                                               Fotografia: Água viva- Sátiro Sodré
.
Ao conto do Bestiário de Cortazar, pode se somar um ponto; Aonde o tonto Gládio come a besta fera, criando o animal de passagem, desinibido na sua própria fertilidade de imaginação.
Apenas um comentário é pouco quanto ao lugar, a cena, o depositário desse poder, dessa magia desenfreada, desse golpe de condão.
O quanto a Cefalalgia fabrica seu machucar, trazendo nesse produto o condutor bis da emoção.
Animados ficam em par: Asas, pelos, patas, braços, bicos, escamas, fuselagens, olhos, focinhos, pelagens desejos em tramas, carinhos, valores em  líquida consideração.
Atarefados de seus aprontos saem do lar. Conquistas, disputas, beijos, os arrivistas em chamas.
Nos anos do seculo XXI do chamado Jesus Cristo, logram os possuídos, por seus troféus de bravura.
O homem e o animal do homem se fundem a olhos vistos, gerando nessa atitude as agulhas da costura. Estes serão seus próprios filhos! Na continuação de um está o outro, dentro do outro, dedo do outro.
É um outro, o novo animal que o assume, na falência de carne da cultura disforme.
Depenado de suas asas, tosquiado de seus pelos, amputado de suas patas, descamado de escamas.
Na forjadura dessa fábrica, discute de novo o risco Darwin dos primatas, refazendo sua compostura numa outra estatura, a miscigenada criação da sentidos à criatura.
Carregando em si, as conquistas e seus preços, sua lógica, sua ecologia, como um facho íntimo de seus nascituros. Projetando genética imagem naquilo que só posteriormente será conhecido como futuro.
Titãs em suas cabeças de dinossauro, restauro de uma Berlim sem seus muros. verdugo Chines entre a muralha e os musgos. Tanto é o mar e tamanha é a terra.
No entanto há outros, que têm minaretes salientes, e se explodem  imolados nas causas e nas crenças.
Nada disso emperra o acuro, ou evita que se Prossiga  a ejeção coronal, enquanto esse fruto é maduro.
.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pré Carnavalesco( perna bamba é do Samba)

                                                                                                                                  Empolga às nove    Fotografia o globo

Todos os blocos desfilam com a certeza,
entre as rodas o samba é o principal.
A alegria toma copo e ganha vida,
derramando na tristeza a pá de cal.
Muita gente se esparrama na bebida,
muitas bandas se proclamam na avenida,
fantasias dão um clima original.

Na alegria em cada corpo refletida,
muito samba, batucada e o escambau.
Multidões fazem dos blocos, correnteza.
A cidade é uma ode à beleza,
cada esquina é felicidade acesa,
todo mundo se desperta no anormal.

Os camelôs trazem suas bugigangas,
um chapel, uma rosa, umas cangas,
um repique, um surdo, um agogô.
Um trombone de vara põe o valor,
desta forma vai em frente uma charanga.
Arrastando com seus ditos de harmonia,
os sobrinhos, as sobrinhas, tios,tias,
Em sorrisos se abraçam com a orgia,
num fascínio da cultura tropical.


O astral sonoro encara as baterias,
no asfalto é  dada a senha da folia,
todos buscam o calor que contagia,
pra viver um grande amor de carnaval.
Se com menos ou com mais, qualquer destreza,
nesses dias nada causa estranheza,
cinco dias de folia nacional

.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pontos de vista ( O olhar da carranca)

                                                                                                                                                              Fotografia- O Globo
Se passo pelo meu tempo,
é o meu tempo que passa por mim.
O que respiro é o invento,
que passeia no meu intento
de ser, sou meu desejo assim.
Não há nem tarde, nem cedo
na coragem dos meus medos.
Não aguardo nenhum segredo,
são eles que entre os dedos,
escorrem indo à um fim.

A cada certeza havida,
corresponde à paz de um engano.
As certezas são finitas,
até o cair do pano,
entre o ar e o trampolim.
Nas trocas do pensamento,
o que não sei é o que dita,
pois se o saber mede um tento,
a dúvida em mim levita
num rastilho passarim.

No rosto os riscos dos planos,
como evidência  aflita;
Desregrados e mundanos,
serão no saldo humano,
o com que a realidade me quita.
Esse tempo que em mim deixa os danos,
também me é causa bem quista.
Discordo de falsos manos,
dos egoísmos urbanos,
nos pontos vastos de vista.
Mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tropia a calhar ( Barril Diógenes)

                                                                               .      . .  .  . . . .. . .   .  . Fotografia_ Abstrato. Raul Alexandre
.
As praças acampadas ganham seus mares
de gente protestante, da juventude.
O tempo é atuante em ocupares.
Na busca, na novidade e na atitude.
O intento muda de forma em novos lugares.
Transforma as multidões nas suas luzes.

As mentes antes silentes, antes vagares,
transbordam agora em formas mais argutas.
Na política social em voga, novos obuses         
compõem a causa pública em  dialética.
Exigindo com essa forma, nova conduta.
Nas redes novas ideias compondo estética.

Nas nuvens há informações por mil fonéticas.
Nas ruas dos facebooks juntam milhares.
Patética a humanidade multi-eclética,
exibe nova política e nova ética.
Exigem uma existência de formas justas,
compondo em novo cenário a cidadania.

Agregam em seus protestos fúria e alegria,
redistribuem riquezas nas suas lutas.
Não mais neoliberais cantam seus louros,
vestidos com os ternos negros dos janotas.
A praça rubra das vozes abate o touro.
Sem ouro menos reluz a princesa Europa.

Um Zeus apaixonado, em porta aviões,
circula todos os mares até o final.
Esquece esse gigante em centuriões,
de ver o que se passa no seu quintal.
Enquanto aumenta a riqueza do dragão,
impondo à geopolitica, os orientais.

O mundo vê a globalizada razão,
para a ilusão financeira que se esvai.
Enquanto o dragão ruge, o leão mia.
A pedir emprestado em pires, capitais.
O touro de Wall street é vaca fria,
sem discutir seus assuntos criminais.

Nos trópicos de soja e ferro só a alegria,
engorda o antes pobre Banco Central.
Globalizada a tal da economia,
reorganiza o mundo mais plural.
Do estado carece ter mais serventia,
Para desfilar de novo no Carnaval...
paralerpoesiabastatercalma

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Nu artístico ( A puta me contou)

Fotografia:  Strip or Die- Sandra Costa
.
Strip tease no arrame farpado tendo a pele por agasalho.
Diante da plateia embasbacada, muda o sorriso.
Em cada um dos lanhos gerados, em cada pequeno talho,
a cor vermelha do naipe, é a sorte em jogo no baralho,
cuja carta na mesa é peça despida do corpo no improviso.
Strip tease é uma coragem transparente desse corpo liso,
escancarando sem segredos seus detalhes, sem aviso;
Fazendo mais que ser perfórmico, por ser trabalho.
Falando mais como se arte fosse, e mostrando a vida nisso.