Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

terça-feira, 16 de junho de 2009

Autoestima(o trago da seda)

Sarah Rede de Hospitais pelo Brasil

Neurocirurgia
nela a alegria
de quem não sabia
volta sedutora

Quem é que diria
que a beleza um dia
voltaria à vida
coordenada e boa

Sorriso dispara
em ponto de bala
quando ela fala
do seu corpo que voa

Reconstroe tão linda
nova e recorrente
trova de auto estima
causa comovente

Engenhando gente
nova e que se instala
em gente novamente
essa rede é Sarah

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Abusada(a puta me encantou)

Suite Manequins-1986-Iberê Camargo

Essa paixão é abusada,
liga de madrugada,
mas não tem o que falar.
Acorda no meio o meu sono,
de mim já não sou meu dono,
ela diz que vem namorar.
Traz erva de deixar louco,
com ela a mim entorpece.
Engole-me todo aos poucos
assim a giboia vence
então fica toda dengosa,
aberta qual rubra rosa.
Aos gemidos umidece.
De mim não tendo mais pena,
seu cheiro é de açucena,
sua agua é espuma de mar.
Ao meu corpo essa madona
avisa quem é a dona,
quem sou eu pra reclamar.
Então traz do fundo à tona
sentimentos que detona,
até a mulher se acalmar.
Depois para o lado rola,
parece que vai embora,
antes do dia clarear.
Carrega em sono de anjo
o que de mim com esbanjo,
levou porque veio buscar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Copacabana à princesinha do bar(perna bamba é do samba)

Menina do Rio-s/d-Maria Lina Smania

A fulaninha é popular
nas noites da cervejinha.
Fim de semana à tardinha
é tão sua a luz solar.

Finda a praia, eu a observo
como servo dessa beleza.
Quando ela vem com certeza,
sou obrigado a olhar.

Parado como o trânsito,
em transe com o meu sangue.
Vendo esse corpo Não exangue,
o meu é que fica aflito.

Roubando minha atenção,
vem ela de jeito clássico.
Cativa em mim tal visão,
acho que a acho o máximo.

Meus olhos de bumerangue
em mim fazem notado,
ereta palmeira do mangue,
que o sangue tinha baixado.

Os passos caminham lentos,
são mesmo de apaixonar.
Cabelos molham os ventos,
deixando pra quem olhar

ideias de bons desejos,
esguios vindos do mar.
Num requebrar de lampejo,
gostoso de observar.

Será que o oceano ao lado
sabe o caminhar da moça,
fazendo quebrar a louça
de um coração machucado ?

Quando ela passa desvia,
para onde não sei dizer,
a calma que em mim havia,
antes disso acontecer.

Então fico eu bolado,
peço mais uma cerveja,
em solidão sertaneja
bebo o líquido gelado.

Quando ela aos meus olhos olha
por dentro de óculos escuros,
na timidez da memória
meus óculos quebram os muros.

Ainda seguindo a história
desse fato consumado,
ela vem e bebe ao meu lado,
provocando uma alegria.

bebo uma duas e três,
para irrigar os meus sustos,
olhando de quando em vez
a solidão do seu busto.

São dois pássaros presos,
acho que doem como siso,
pois imagino-os acesos,
em mim fazendo o sorriso.

Depois seus cabelos secos,
em meu olhar sem desvio,
penso os meus dedos presos ,
por entre aqueles fios.

É mais que corpo essa mulher,
trazendo bela o que lhe é próprio.
Feliz quem dela mais tiver
extraído que o ópio.

por modo dele acabar,
sai o verso dessa esquina,
nesse amor de morfina,
tirando a dor ao passar.

Não é uma escolha sua,
ser poeta é sem escolha.
Apenas escreve em folhas,
o que o homem vê nas ruas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Público alvo(a puta me encantou)

Favela-1967-Teruz

Nunca gostei de escrever à toa, algo barato, apenas busco descobrir nas letras o que haja de sentimento, para alem do recato.
Não os sentimentos claros, mas os evasivos, os escondidos das palavras, as travas; Nem mesmo os sentimentos elegantes ou bonitos, mas o desacato.
No momento quero aqui, o que há de delicado no palavrão mais falado.

Essa canção e para aquele que teve educação desiludida , canta aos deseducados, aos excluídos dessa palavra graduada, a contra mão de uma nação, o grão.
O meu canto é para eles, que reproduzem no pancadão dos bailes suas mazelas e crenças, de forma brava e rebolados.

Quero o momento cidadão que há de surgir no trem lotado, no sufoco do vale transporte.
Da dívida na agiotagem involuntária do sujeito de olerite precário.
Na correria que vem do rapa perseguindo o subemprego, um e outro mal arranjados.
Meu poema vai dizer do olhar opaco do desempregado.

Desejo e esperança tenho, de tocar-lhes na alma com o que é simples poesia, que alguma coisa lhes diga, ao jeito do desamparo.

Faço o verso agora, a quem é a menina e a fome, que ao consumo vende bem barato o seu corpo novo e inacabado. Verso carne em fogo, verso carne queimada, no lugar e na hora errada. Verso forte de juventude esbulhada.

Vem se juntar à poesia o franzino e amarelo menino, menor ainda, com seus olhos marcados de chão e sono . Ele e o crack da bola de pedra a cinco reais , baque e enfoque rápido da morte. Entulho humano eliminado de forma mágica em sua última balada infante e trágica.

Para esse é sim o meu poema, mesmo que dito a quem jamais saberá, pois tem a vida corroída na má sorte viva de ter sido inesperado, veio do ralo.

Com esse verso quero espargir em todos os rostos a poesia necessária e itinerante, dos ambulatórios públicos feitos de saúde precária e gente nobre e mal paga. Borrifar de rimas a pequena professora e sua escola de comunidade sitiada na milícia armada. De livros poucos e abnegação de ideias

Levo a poesia agora às delegacias lotadas, dos pequenos furtos de possibilidades futuras perdidas, ou quem sabe mesmo roubadas, nas sequelas dos que ao fim da linha pagam a carcomida corrupção nativa dos que podem.

Meu poema agora é a dengue, é a ausência sanitária , uma poesia malária, ressurgida com seu rosto vinculado ás conseguencias de vida deficitária.

Poema esse que cresce com as moças e com os moços empoçados, encurralados nas favelas planas das cidades, sem planos , sem a plena solução de felicidade. É poema Josilene e Cleonilson, é poema Vila Kelson's, Nova Holanda , Baixa do sapateiro, Vilas do Pinheiro e do João.
Esse é o poema ligado no povo da Maré e do Cruzeiro, compléxo do Alemão.

Esse é meu poema bom, o bacana! Ele se desdobrando em bicos de avião, ela mete os peitos jovens no calçadão de Copacabana. Sobrevivência chicana.

Êta poema bonito, êta que a vida é sacana.
Com a carência de rima na jovem mãe prematura trazendo no colo outro que ainda mama.
Êta poema bonito, êta poema sacana.

Quem sabe ao poema caiba, assim deixar um recado nos bancos da pouca escola, nos trancos dessa história, pois é o que ele sabe antes de ir embora.
.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A surtada(o trago da seda)

Duas Figuras-1973-Arthur Barrio

Escapole nesse verso a fugitiva, perambula com cidadania roubada.
Escreve aos cegos um pedido em missiva, uma moeda para a cerveja gelada.

Inverte o inverso comum das comportadas. Nos sentidos submersos vai a louca, desprovida de razão, dela amputada, a vida fica reduzida a coisa pouca.

Escancarada ela é pública privada, espraiando o surto necrosado, curta e rota.
Mendigando a persona de si exilada, vê-se em seus olhos existência que desbota.

Chama aos gritos a personalidade quebrada, nessa fratura exposta vê-se que esta torta.
Tem a indiferença transeunte ocupada, em si fechada, perdeu as chaves da porta.

Vive o desvio e tem a calma esfaqueada, dorme em soleiras sem as noites garantidas.
Terá saudades de alguém nela trancada?
Ou há nos gritos a identidade perdida?

Bebe ao conflito invisível, não é nada.
Quem passa escuta, mas não ouve esse conflito.
A vida é rápida e sopra sempre ocupada, o olhar comum so observa o que é bonito.

Perdera um filho num incêndio ocorrido?
Ou terá sido ela mesma a incendiada?
Arrasta a vida no exíguo espaço frio, que lhe sobrou de emprestado na calçada.

Do coletivo a loucura è um apenso.
terá a guisa de uma paixão desavisada ficado louca por amor,
perdido o censo?
se fora assim é uma louca apaixonada.

O seu barulho é de humano detrito, nessa cidade bela e violentada.
Não saberemos o que terá de fato havido, no surto agito dassa pobre desgraçada.
.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Demônios no chão( a puta me encantou)


Mural de Di Cavalcante no Ed. Triângulo- SP

Um pedaço de saudade se soltou de mim, como pastilha de fachada de um velho prédio.
Dei-me conta de que a solidão se solta assim, desprendendo-se aos poucos , por assédio.
Os solitários têm do amor um cunho autista, feito o artista num solo único de trapézio.
Como se dividir a vida fosse um vício radioativo, perigoso como o césio.
Se lhes despencam da memória as paredes, fica evidente o que maltrata o coração.
É que o trapézio nesse caso não tem redes, então para que se esconder de uma paixão.
O amor vadio este sim é o mais gostoso, Tem de perigo o que também de tesão.
Nesse artigo o seu corpo é bem zeloso, se você volta como posso dizer não?
divertido conviver com seus critérios, manuzear seus labirintos com as mãos.
Acaba o tédio e fico duro sem remédios, no seu corpo assim me embrenho feito um cão.
Até ficar o meu corpo agarrado, sendo os chiados seus o meu diapazão.
Depois do embate dos desejos já suado, então dormimos com os demônios no chão.
.

domingo, 17 de maio de 2009

A leoa(o trago da seda)


Mulher-1983-Luiz Soares

Às vezes a meiguice se esconde,
nas veias quentes teme ser fraqueza.
Então essa mulher se faz de homem,
querendo colocar o pau na mesa.
Momento em que tal ferocidade
apaga o seu sorriso, é leoa.
Range os dentes a guerreira na cidade,
desconhece a tranquilidade boa.
Não tem noção de silêncio elegante,
ou do poder de envolver, dialogar.
A felina é ferina no rompante,
fica gigante e marcial ao se postar.
Por que um gênio assim? do que tem medo?
La onde o profundo feminino mais guardado ecoa.
O que dela mulher tem em segredo,
nos gritos que ouvi, e a voz destoa.
Eva tão rigorosa consigo mesma,
destreza que parece vir de ontem.
Esquece de ser leve com a firmeza,
não gosta mesmo que lhe desapontem.
Tendo em algum tempo tudo que queria,
alarido ainda empana-lhe a sensatez.
Mostra bem mais na sua forma bravia,
essa fêmea eriçando a sua tez.
Os trovões saem na língua de enguia,
são os carinhos que de sorte não se fez.
Fosse-lhe a vida só um pouco mais vadia,
mataria de outra forma a timidez.
Quanto muro, tanto escudo, manto couro.
Tendo a mesma no seu peito a guarita,
para guardar um coração de ouro,
no belo corpo da mulher que grita.
.

sábado, 9 de maio de 2009

Filhos(perna bamba é do samba)

Imaginações e objetos do futuro

Os filhos são nossos zelos,
com os trilhos que somos deles.
Para o mundo chegam em pelos,
depois vão estes e aqueles.

São outros quando são aves,
povoam o céu como estrelas.
São quando novos suaves.
Desenvoltos queremos ve-los,

Que sigam os seus apelos,
padeçam dentro de nós.
Cometam tambem seus erros,
produzam a própria vóz.

Entoem seus novos cantos,
entorne-os em nossos bares,
afugentando os espantos,
são marinheiros aos mares.

Tenham às mãos cartas náuticas,
latitude por polaris,
com as quais cultivem coragens,
para abastecer aos pares.

Acertem os seus caminhos,
aprumem-se ao mundo inteiros.
se querem vestir-se em linhos,
que ganhem algum dinheiro.

Sendo o mundo uma noz,
partam-no em tantos cacos.
Então já seremos avós,
por fim memoria, um facho.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A cuíca(perna bamba é do samba)



Samba-Zélia Salgado-1947


A cuíca esse instrumento genial,
misteriosa como é uma mulher,
quando mal tocada é agressão total.
Não se deve bolinar de forma qualquer.
Umedecida sob o pano tem de ser,
ela é a doce fala em lábios de atrevida.
Sente o tato e abre-se a planger,
sons de amor que doem como ferida.
Feminina também tem o seu ponto G,
íntima aos toques da marcação grita.
Em seu tom o gemido é de prazer.
Freme a vara, e o grelo em pele vibra.
Na cama da percussão, gargalhada,
vence ao recato, em sons lhe domina.
Privada è gozo de namorada,
em namoro é agito de esquina.
Se por dentro ferve toda molhada,
por fora é pura; Vestal de adrenalina.
Se fala algo é logo notada,
calada é observação que intriga.
Por baixo do latão inóx da saia,
será ela dama ou rapariga ?
-

terça-feira, 28 de abril de 2009

Saldo devedor( o trago da seda)

Dittico Duchamps-1990- Franco Vaccari

Há pessoas que se guardam nas ideias próprias, mesmo se as vezes,  por serem senso comum, adquiridas ou locadas no mercado ofertado das certezas absolutas dos conceitos prévios.
Somente quando essas ideias se cruzam, há conforto entre elas, há sempre mesma escuta na identidade previsível.
Assim e somente assim, essas pessoas se postam juntas lado a lado.
É razoável, para quem os encontros devam ter garantias de que os riscos da controvérsia, e suas possibilidades, sejam de fato neutralizados ou anulados
do perigo iminente de convivência com o diferente. São os similares.
Se eu fosse um economista, diria então que com isto forma-se bolha de ideias.
Uma total liquidez dos pensamentos absolutos investidos no absurdo universo
imobilizado do risco zero. Não pensar é um tipo de garantia, a alienação é um conforto. Mas sendo só um poeta , tenho nas palavras a arquitetura torta do raciocínio sem trena, minha calma não é pequena.
Estou sempre em constante desequilíbrio, comum ao fabrico das ideias novas,  resultantes das custas de enganos, dúvidas, dores e sabores; Cada passo meu tem o feitio de um novo desafio.
Talvez por esse saldo devedor é que elas, as ideias, nunca se liquidam. Restam sempre cobranças, créditos arriscados em resultados incertos e saldos de amor a conferir. Existir não tem garantias, pensar pode ser perigoso.
A violência do ar penetra as narinas da vida, é preciso resistência.
Contra o tempo não há freios de decida, para o passado não se treina.
Isso me faz crer que estou eu mesmo, correndo risco de vida.

domingo, 19 de abril de 2009

Boladão(perna bamba é do samba)

Mistérios do capital-2006-Damián Ortega

Acabam em samba essas muanbas do senado, com senadores passeando em Paris.
A moça linda acompanhando o deputado, o outro ainda fez castelo em meu pais.

Se atraso as contas o meu nome é manchado, e se não pago quebro a cara e o nariz.
lá no oriente cortam mãos com um machado, aqui quem rouba, ganhou os votos que quis.

talvez o assunto seja mesmo delicado, nem adianta discutir em CPIS.
Se o governante de um estado foi caçado, tudo é tão velho nas ruas de São Luiz.

Agora é a mesma antiga prosa eu já sei. Sou calejado nesse grande randevu.
So usa as saias a outra face do sarney, depois que pinta os cabelos de acajú.

parece linda a capital Brasileira, as esplanadas da calada capital.
Seu mar esconde nas conchas a roubalheira, alas exalam um cheiro forte e fecal.

eu canto um samba resistindo como posso, faço meus versos com o que leio no jornal.
Sou brasileiro e disso não tenho remorso, um dia, aviso, vamos ver ponto final.

haverá sabre de feitiço em feiticeiro. O cheiro podre não vai mais salientar.
Mocinhos vão sacar as armas de brinquedo, então a história nessa hora vai mudar.

Como é que pode todo dia um Carnaval? Olhando a vista até que parece chique.
Fantasiada essa ilha é o meu quintal, maracutaias, picaretas e trambiques.

Sequem em jatos cujo barulho eu ouço, desfaçatez com meu ouvido absoluto .
As passagens eu as paguei com o meu bouço, um dia desses me revolto e fico puto.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Soneto do adeus(perna bamba é do samba)

A morte da toureira-1933-pablo Picasso
Muito você quer, eu a conheço.
Do que ofereço, você não quer.
Daquilo que sei, paguei o preço.
do seu preço não serei esmoler.

De mim ficará publico endereço,
de você faça tudo o que quiser.
Desdenho sua vida no desprezo,
aqueço o coração de outra mulher.

Se arruinei seus sonhos, faltou fé.
Na vida a fé não é um adereço.
Perdemos o amor, coisa qualquer.

Às vezes a outra vez é o avesso.
O destino da queda é por-se em pé.
Como o poeta, é manhã e anoiteço.

domingo, 12 de abril de 2009

Salve Jorge ( perna bamba é do samba)



Samba-s/d-Rodrigo Saramago

O meu samba tem as veias
no cavaco,
ele tem sangue no peito
do tan -tan.
Do Cristo o meu samba tem
o sovaco,
também tem na bola,
Maracanã.
Tenho prazer dele hoje estar
bombando,
ao cair o sol de fato,
fica bom.
Pagode em todo lado vem
rolando.
O Leme é cincopado
até o Leblon.
Pode ter mesa, no beco
do rato,
também tem na ladeira
Sacopã.
Com o bom samba não vem
tempo errado.
Em santa Teresa tem
gente que é fã,
Mas sobrenatural é
batucado.
As morenas balançam
iansã.
Como outras rodas,
a pedra do sal,
onde a história canta e
não é vã.
Outro pagode é maneiro
la na muda,
tem tambem da arruda ou
no largo do IBAM.
Dor de amor quando doi, o samba
cuida.
Saudade, tristeza ou
ferbre terçã.
Mas se quer mesmo sambar
vento em proa,
pode vir, pois rola até
de manhã.
Na prainha tem bom samba
da Gamboa,
essa roda é sem ondas
campeã.
Também tem nosso chorinho
da feira,
essa turma, é do samba
co- irmã.
Se quiser mais ao norte,
Madureira.
Serrinha eu afirmo, celeiro
de ogans,
onde o samba acontece
de primeira.
Tanto pode que ele agora,
tem elã.
Tamborin esta tocando
na mangueira,
o Estácio foi seu berço
e o divã.
Procurando esse tal
José Pereira,
é cuíca em couro de
cabrito.
Nesse ronco levanta-se
poeira,
ele atende quem samba ao som
do apito.
Ainda há outro estilo,
gafieira.
Os metais fazem pista,
é bonito.
São Jorge esta com a nação
mandingueira,
protegendo aos sambistas
e seus ritos.
No seu dia ha fé madrugada
inteira .
chama que não se apaga
em conflitos.
Pois o samba tem maior força
guerreira,
pedindo a proteção
para os seus filhos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Malandro playgraund(perna bamba é do samba)

Grafitti na rua, s/d, Osgemeos

Quem é o tolo malandro,
que a tudo que ela diz, critica?
Parece esperto brigando,
mas compra agua de cuíca.
Olha como ele é bobo,
não sabe que o amor é fé.
Só no grito da esporro,
assim vai perder a mulher.
Se o pagode não apeteceu,
não faça papel de estorvo.
Agora o problema é seu,
assim é que nasce um corno.
Do samba ele não tem larica,
no samba ele não tá ligado.
Quando houve o som da cuíca,
o cabrão fica grilado.
Se ele não gosta de samba,
não sabe mesmo o que é bom,
vai beber agua de bamba,
vendida pelo o Neon.
Esparro no pagode é mal,
parece que manda, o voyeur,
mas lá no fundo de quintal,
ela faz o que ela quer.
Deixe a morena sambar mané,
vê se chega depois da hora,
depois do pagode em pé,
você quer leva-la embora?
Vem com esse nariz de bronze,
sambando pisa no ouriço.
Preste atenção nesse bonde,
samba requer compromisso
Tome mais agua de cuíca,
deixe a moça sambar rapaz.
No samba ela é coisa rica,
do samba ela gosta mais.
Esse malandro é um otário,
vem cheio de coisa e tal.
Peça de anedotário,
é mesmo malandro playgraund.
A baiana tem tabuleiro,
a carioca tem gingado,
tirar a moça do samba,
deixa um homem mal falado.
.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O sol vai e cai

Carnívoras, 2008, Adriana Varejão

Siga e sejamos amaveis.
Viva bem a vida.
Dias não são reciclaveis.

terça-feira, 24 de março de 2009

Negra( perna bamba é do samba)

           Separating Space From Sexuality (Pornstar), 2002, Julião Sarmento

Agora o amor se despede,
chega o sol.
Eu que deitei minha pele
na cor dessa noite,
quando as estrelas
formaram o lençol,
onde para ela
meu corpo inteiro
fizera a corte.
Sei que também
tenho um lado amoral,
como este que insiste
em mim agora,
cultivei no seu corpo
o meu quintal,
E colhi os beijos
que a madrugada endola.
O meu silencio
exibe um grito curdo,
um verso duro,
teso e temperamental.
Quando a negritude
cobre o céu em tudo,
nada é ilícito,
todo amor
vive um ato marginal.
Eu gostaria de te-la
sempre em meus braços,
onde o tempo
não tem valor de penhora.
Caminhos tortos
formaram nossos passos,
e o ultimo poema vai,
quando a noite evapora.
com os seus próprios passos
também, mais restam
as lembranças de alguém,
Com o calor que tem
essa jovem senhora,
que a realidade
diz ter ido embora.


Posso ler o poema XX
do Neruda,
desesperar na canção,
não vale nada.
O tempo novo
noutro tempo vai a muda,
nesse instinto
explode nova madrugada.
viver é um ato de ter a vida
às mãos, sem luvas.
Posso também lembrar,
o que é de breve e suave.
A bela negra ao meu lado
fizera-se desnuda.
Em tempo de amor,
em voo noturno
de ave,
seus lábios gemeram
livres de todas as regras.
Perfumara o sereno
como uma flor em brilho.
As estrelas miúdas
na manhã ficarão cegas,
ainda me povoa o peito
o pensamento vadio.
Poderia ter aqui
algum pincel e tela nova,
para pintar esse nu,
delineando suas curvas.
Mas já é dia e o amor passou,
vazada a hora.
No coração terei
as tintas da aquarela turvas,
Com o calor que tem
essa jovem senhora,
mais restam as lembranças
de alguém, que a realidade
diz ter ido embora,
Com os seus próprios passos
também.





Sem planos




Agora o amor se despede,
chega o sol.
Eu que deitei minha pele
na cor dessa noite,
quando as estrelas
formaram o lençol,
onde para ela
meu corpo inteiro
fizera a corte.
Sei que também
tenho um lado amoral,
como este que insiste
em mim agora,
cultivei no seu corpo
o meu quintal,
E colhi os beijos
que a madrugada endola.
O meu silencio
exibe um grito curdo,
um verso duro,
teso e temperamental.
Quando a negritude
cobre o céu em tudo,
nada é ilícito,
todo amor
vive um ato marginal.
Eu gostaria de te-la
sempre em meus braços,
onde o tempo
não tem valor de penhora.
Caminhos tortos
formaram nossos passos,
e o ultimo poema vai,
quando a noite evapora.
com os seus próprios passos
também, mais restam
as lembranças de alguém,
Com o calor que tem
essa jovem senhora,
que a realidade
diz ter ido embora.


Posso ler o poema XX
do Neruda,
desesperar na canção,
não vale nada.
O tempo novo
noutro tempo vai a muda,
nesse instinto
explode nova madrugada.
viver é um ato de ter a vida
às mãos, sem luvas.
Posso também lembrar,
o que é de breve e suave.
A bela negra ao meu lado
fizera-se desnuda.
Em tempo de amor,
em voo noturno
de ave,
seus lábios gemeram
livres de todas as regras.
Perfumara o sereno
como uma flor em brilho.
As estrelas miúdas
na manhã ficarão cegas,
ainda me povoa o peito
o pensamento vadio.
Poderia ter aqui
algum pincel e tela nova,
para pintar esse nu,
delineando suas curvas.
Mas já é dia e o amor passou,
vazada a hora.
No coração terei
as tintas da aquarela turvas,
Com o calor que tem
essa jovem senhora,
mais restam as lembranças
de alguém, que a realidade
diz ter ido embora,
Com os seus próprios passos
também.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Perna bamba é do samba (perna bamba é do samba)

   Samba- 1967  Di Cavalcante

Eu fui ao samba,
ao monobloco na avenida,
Sambei e bebi feliz da vida,
até a coisa apertar.
Na multidão não tive jeito
nem saída,
a cerveja consumida,
insistia em vazar.

Fui contorcendo,
parecia até um mímico,
procurei banheiro químico
em tudo quanto é lugar.
Resilientente
juro que não sou um cínico,
sei que não era o único,
mas nada de encontrar.

Na multidão
a coisa foi ficando cheia,
quase estourei as veias,
sem medo de amarelar,
para distrair,
pensava em coisas alheias:
Olhar pra mulher feia,
chope quente
chato em bar.

No bloco grande
mais quinhentas mil pessoas,
sambando e bebendo a toa,
até ver o boi voar.
O engano é resto,
tudo certo gente boa,
Travei a força a urina,
mas convenhamos não da.

Por entre clóvis,
mulatas e bailarinas,
a cerveja vaticina,
eu já começo a suar.
Segui em frente,
dobrei todas as esquinas,
foi quando veio urgente
um desespero para urinar.

Sofrendo forte,
o esfíncter descontrolado,
a bexiga fez um surto personal,
de arrepiar.
Olhei um muro
neutro e desabitado,
corri num tal desaprontado
no ocasional pude então aliviar.

imaginando que a ninguém
o ato incomode,
escorre o fio,
vaza toda uma piscina.
Desce um rio 
entre as pernas como pode,
de tanto mijo que saiu ,
tanta urina.

Na solidão
balançando-me para os lados,
foi quando ouvi
semi-atento alguém chamar.
Eu estava leve
respirando aliviado,
diante do ocorrido,
demorei muito a notar.

Era um sujeito
baixinho mas poderoso,
atrapalhando o gozo,
de quem findou de mijar.
Com certo olhar
de desprezo rigoroso,
o excelente nervoso
era alcaide do lugar.

Ele então disse:
_ aprume-se e esteja preso.
Nas mãos estava
sem dúvidas a evidência,
pego em flagrante
ato de crime indefeso.
respondi:
_tolice
tenha a santa paciência.

Fui explicar
que leis tinha a natureza,
mas era pouco
não sugeria clemenência.
Então guardando
depressa meu pé de mesa.
Do ocorrido
foi lavrada a ocorrência.

Prevalecendo o poder da valentia,
fui delicado
para o moço não se assustar.
Pudico em público,
de fato ele assim agia,
escondendo que queria
com isso ser popular.

O feroz gajo
tinha à cara o destemido,
sem garbo levou-me nisso
ao delegado do dia.
Fui Preso em público
como a qualquer bandido,
assim impune
o fato não ficaria.

Então chegando já
algemado à delegacia,
teve início que ardia
um tal de sapeca iaiá.
Por crime bárbaro
usa-se a democracia,
muito elegante a chefia
fizera-me confessar.

Sendo a verdade
dita enfim a todo time,
o que quiseram
não abstive de declarar.
Mas o homem teima
em querer ver a arma do crime,
contar assim me deprime,
mas não me neguei a mostrar.

Interrogado
para saber da minha culpa,
por atitude e conduta
de natureza vulgar,
da incontinência,
a prova era nua e crua
vista sem usar lupa,
Eu não podia negar.

Sou réu confesso
sem pudor, em violência.
Fui preso armado
de tamanha indecência.
fato de  grosso calibre em manifesto.
sem ter de resto um juiz probo e togado 
para julgar causa de tão longa evidência 
o fato é grave e transitou em julgado.

Não Permitindo o merecer perdoado,
No carmelitas daria pano para monjas.
Se o samba chama nossa festa de quizomba,
agora sou um homem menos depravado,
vou dar um nó bem forte na minha tromba,
sambar e beber à sombra sem trauma despreocupado.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Essa eu fiz para você(perna bamba é do samba)

Sem título-1968- Alex Vallauri

Eu procuro alguém,
que saiba engenhar
outros limites.
que entenda o som do silêncio,
quando ele habita em mim.
será quem eu ouça dizer
o que não sei
em seus palpites,
de cujos lábios
saiam sorrisos simples,
por estar feliz assim.
E assim sorrindo
preencha qualquer possibilidade
de alma vazia.
Quem saiba que pra as verdades
não há treino ou improviso.
Há que esse alguém,
ter seu valor próprio
por moradia,
gostando de mim
pelo mesmo que sou
sem muito sismo.
procuro alguém,
que não se esconda
das outras pessoas.
Quem saiba que o sentido do amor
esta no outro e nela inteira.
Quando a encontre,
alguma coisa bem dentro
a dois pareça que voa,
alguém que busque amar
como o outono
e a flor, a quaresmeira .
procuro alguém
com a calma lúcida e louca
da poesia,
com quem o meu destino se cruze
pelo menos uma vez,
pois o amor é substantivo
na forma imprecisa,
unindo almas e corpos
para muito alem
da lucidez.
.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Bala perdida(perna bamba é do samba)

Almada Negreiros (1893-1970) A sesta 1939

Uma bela perdida no ar,
atravessou o meu peito.
Traçante como bala
alojou-se em minha calma,
Veloz quando veio.
Hoje estou vivo,
mas trago essa paixão fraturada.
Sequelas deixaram-me assim,
alvejado desse jeito.
No calor do sol
e no azul de Janeiro
em plena madruga
suas decisões são tomadas
na imensidão do breu
desses olhos escuros.
Precisos e inflamaveis,
os seus abraços buscam a mim,
como cordame jogado ao cais de atracação.
Mesmo assim, quando o amor é rarefeito.
Enquanto ele existir haverá perdão.

Não a esperava a passos radiantes,
com esses lábios bélicos,
tão capazes de tirar a paz.
Nova agitação que aflora,
rápida e sem apuros mesmo,
sem qualquer preocupação a mais.
Aqui onde o pouco é o tudo,
os nossos gestos vazam,
somos dois amantes imperfeitos.
Pois é onde estamos, assim
e ademais, cedidos.
Cedidos como o mar e a praia,
lançados um ao outro.
Há nessa nudez de supernova,
a pura natureza explosiva.
é o seu corpo nu, negro,
celeste, que brilha.
Agora esse corpo è doce,
é a madura estrela
esquecida sobre os meus braços,
queimando as últimas chamas.

Eu sigo atingido em cheio
nessa linha de fogo
pelo calibre curto
desse olhar delicado.
tiro único,
rápido e certeiro,
na pontaria dessa emboscada
que é o desejo.

.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O novo(perna bamba é do samba)

Foto-2010-AP/Terra

Outro ano entra em chamas,
esperanças são queridas.
O desejo faz campana,
vai queimar tempo na vida.
Povoar Copacabana
numa alegria incontida.
Búzios, flores, fé profana,
multidão contemplativa
Explosivos com o prazer
todos vêm expectativas.
O novo vai acontecer
traduzindo a estrela altiva.
Dentro do anoitecer
a praia é gente comovida.
vamos renovando o ser
novesfora as feridas.

Cicatriz no amanhecer
acordando as tratativas
Novo ano a escrever,
tela branca colorida
vem e rompe o que vai ser.
O futuro é uma avenida
toda para percorrer
com os amigos por guarida.

Outro amor fará tremer
a existência desprovida.
Nova lide a exercer,
novo pão nova comida.
Fogos fazem os proclamas
brindando a mim e a você.
Se o tempo refaz as tramas,
nós continuamos a tecer.