Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 20 de novembro de 2010

Riscos de amar V

Fotografia: Ana's Song- Hugo Amador
Coisa que às vezes assusta.
No reino da individualidade
O amor é uma troca injusta.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

domingo, 14 de novembro de 2010

Mesa de câmbio ( A puta me contou)

Fotografia: Birds Of  Prey- Uri Kolker
O homem das posses fartas
trouxe ao lado quase vazia
a moça de posses poucas
com suas roupas vadias

Sozinho comprou o piano
Bebeu wisque cantou sozinho
seu corpo alugou enganos
ferveu de planos mesquinhos

A moça de carne incasta
iconoclasta dos carinhos
exibiu pose ginasta
dentro de um vestidinho

Sozinha como um arcano
grelo adubado na vinha
fez danos e entrou no cano
foi para casa sozinha

A solidão lícita em par
tentou matar a tristeza
Na cena vista de um bar
Amor e o comércio à mesa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Poema desvairado ( O trago da seda)

Fotografia: Voyageur- Honey

O abandono é sem dono
A solidão não tem mão
O não saber é sem como
Perdido é sem solução

Qual a resposta da vida
Se a pergunta sei não?
Quando o desejo e a desdita
Trilham caminhos sem chão

A calma esconde brigas
despidas na desilusão.
Má sorte a ser comida
sem a fome da paixão.

O copo encobre feridas.
O tempo tapa tesão.
A noite salta saídas,
pecados e expiação.

No corpo zine a bebida.
No peito soçobra invento.
Não há no mundo medida
para a solidão lá de dentro.

Num trago da erva maldita,
vagando vai vela avulsa.
Neurônios bailam sem pistas,
sem solução, sem ternura

Do embargo cegando a vista,
num bar procurando a cura
ao aniquilar a conquista,
da vida que se expulsa



.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estima, rima, enigma ( Mamulengo)

Fotografia: Nu-ABrito

A cada dia mais se faz estima à poesia feminina,
há nela um rasgo de intimidade pessoal.
Em seus versos germinam mais generosidade, mais força,
posto que em toda mulher há poesia, na sua verdade mais real.

Porque em toda mulher há o encanto de mais sentimento.
Porque em toda mulher há entrega, portanto há sofrimento.
porque em toda mulher há crença, há confiança, há intento.
Porque em toda mulher há solidão, unicidade, há perdão,
há a unicidade, o alento.

Em todo olhar feminino há a tecitura do momento.
Porque em toda mulher há a resposta da natureza á esperança.
Porque em toda mulher há o labor da multiplicidade.
Porque sob a visão feminina nunca é a vida algo que se apequena.
Porque é em toda mulher que ela, a vida, se origina e se expande.

É é nelas que o sonho humanidade se fabrica
em tempo, em corpo e em gente.
Porque na mulher, os sentimentos predominam
desde todos os inícios.

Ainda que todas se ajoelhem a um poema do Vinicius.

Quando a natureza humana, nelas, se instala,
a força se reinicia e se completa.
Porque a concretude dos desejos esta nelas, O útero da vida é delas.
Nelas o eterno se aloja, aguardando a luz do novo homem multiplicada.
No escuro do silêncio uterino das transparências do trazer humano.
Ainda que chorem de calor por alguém, em vigília interna.
Ainda que alguém de dentro lhes pule o muro transitório
e esse choro permeie a vida também.

Aonde uma mulher guarda tristeza, se deve desfazer as presas,
nas quais se agarram todas as mágoas.
Talvez, de quando desfeitas as tramas da primeira união,
a ausente destreza de algum amor desarrumado,
dos carinhos ou descaminhos da cumplicidade.

A mulher é feita de sentimentos, arquiva todos os momentos de desilusão.
Toda arranhadura da entrega, sem esquecimento.
Ninguém se entrega tanto ou mais ao amor que ela,
ninguém confia tanto, ou mais, no amor quanto ela,
ninguém se dedica com tal carinho à tamanha empresa e razão que ela,
ninguém trilha mais os caminhos do coração quanto ela
e ninguém sente a desilusão da separação tanto quanto ela.

Quando a intimidade feminina doí, a dor se evidencia de modo tal,
que  mesmo com a leveza de um sorriso souto,
mesmo com o charme luminoso ou as cores de um vestido novo,
os olhos denunciam se há mágoa, se há dor, ou se há marcas  cativas dessa desilusão.
Uma lasca de cristal partido no olhar feminino quando chora.
Os olhos femininos têm mais força para o abraço, para a o aconchego da verdade, para o colo, para a evidência do desejo, para o beijo, para o calor,
pra o sexo.

A sensibilidade se evidencia sempre, diante do que é frágil
na consistência do amor, diante da dedicação que se transtorne
em sofrimento, diante do hiato de afeto, entre um antes e um depois.

Talvez diante da mágoa, da perda, talvez do esfriar silencioso
do distanciamento.
Talvez o sismo, diante do imaturo acabar de uma paixão,
algo de inexplicável e íntimo lhe dói mais.
Nela o afeto embaçado fica mais evidente, nela a tristeza ganha um tom diferente, afiado, interno, inteiro.

Como é intima a tristeza feminina nos seus claros aparentes.
Não há algo que a vende à uma atenção mais apurada.
Nela não há fascínio, porque não há fascínio em tristeza,
mas há beleza, há delicadeza, há dignidade, algo comum à dedicação maior
à sua verdade, nua e clara.
Porque toda mulher é para o amor, toda mulher é para a beleza,
toda mulher é para a vida, a mulher é artífice máxima dela mesma,
da própria vida.
.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Versos dela ( Mamulengo)

Fotografia: Ela e eu- Mariah



Ela tem olhos de seda
Ela vem cheirando a mar
Ela é manha de rede
Ela é abraço de luar

Tanto é sábia e sede
Ela vive a cada hora
Agora pergunto quede
Seu sorriso de agora

Tanto ama de repente
Tem calor de ser vadia
Tanto quanto pouca gente
Vive a calma da alegria

Ela tem sons de desejo
Ela tem amor de amar
Ela afaga boca e beijo
Tem um nome popular

Ela vem Minas de queijo
Tem silêncios de falar
Tem a voz de um solfejo
Será ela ? Quem será ?

No seu corpo liberdade
A pele e de tato livre
Sua vida é ser verdade
Dela não há quem se prive

Ela é íntimo segredo
De agregar ela é pública
Não padece de arremedo
Ela é uma mulher única
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cuidados de amar. ( Mamulengo)

                    Fotografia: Arlequim- Rosana Cortes



Dissolução de amor vive de bares.
É próprio ao desamor o esquecimento.
O desamor separa os seus pares,
depois de se passar como um vento.
O desamor faz pouco e nunca muito,
ele vive de se fazer de desatento.
O desamor se esconde nos assuntos.
Desmorona de andar a passos lentos.
O desamor progride com os abalos,
neles se abstrai, perde o momento.
Se o desamor é cinza de cigarros,
a solidão é seu melhor rebento.

Não perca seu amor pelos lugares,
para que ele também não se perca.
Não descuide em atitudes vulgares,
o amor só resiste a quem mereça.
Não o deixe no descaso, não o risque.
Fique atento aos detalhes sem caretas.
Nunca o afogue em doses de wisque.
Amar é abrir os mares à trombetas.
Não deixe que o amor cultive raiva.
Se amor é compromisso, comprometa.
Não pense que o amor vive de laiva,
O amor queima qual calda de cometa.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pobre e de pouca idade ( Mamulengo)

Fotografia: Clínica clandestina de aborto-André Costa
Pode parecer algo torto

estranho e até esquisito
homem falar de aborto
se é um feminino conflito

Porem sendo eu maldito,

esse tema é desconforto.
Pobres morrem, acredito,
não ocorre entre os ricos.

Se é da mulher coisa única.

No seu singular pode ser.
Mas por baixo dessa túnica
tem gente plural, pode crer.

A saúde é coisa pública.

Mulher merece viver.
Quantas delas ainda morrem,
tendo que se esconder?

Que vida há que defender?

Quando aos açougues recorrem?
Que povo é esse, e porque
esconder os fatos num totem?

Quando morre uma mulher,

morre um pouco a humanidade.
Não na fé, mas de verdade.
Pobre e de pouca idade.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mora ao lado ( Mamulengo)

Fotografia: Ninho de amor ao por do sol
O amor jamais tem forma, é sentimento.
Também não tem preço e nem mercado.
Mas nenhum amor é puro, pois é ato.
Ele acontece, independe dos ventos

Recende felicidade, aprimoramento.
O amor é dádiva ao outro presente.
No ato não tem moral, é indecente.
Amar só não resiste ao rompimento

O amor é maduro fruto no palato.
É calor do outro dentro da gente.
Se vive não há que  ser urgente.
O amor é o seu alheio delicado.

O perdão é do amor mais consagrado
Não é vazio, nem pavio dependente.
No seu fato não comove, é residente
O amor vive na gente, mas mora ao lado.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Papo reto ( A puta me contou)

Fotografia: Homem T- Rui Sousa
Não adianta sofrer,
nem amar o homem ideal.
Ele nunca irá te comer.
O homem ideal não tem pau,
entra uma ideia dentro de você!
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Acadêmica ( A puta me contou)

Fotografia: Gata- Oliveira
Para gostar de mim,
rasgue o seu diploma.
Tem que ser vadia,
tem que ser Madona.
Se é vasta a alegria,
gata, então ronrona.
Se está vazia,
encho essa cona,
com minha poesia
dura, intentona.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sábado, 23 de outubro de 2010

Com o balançar das cadeiras ( Perna Bamba é do Samba)

Fotografia: Corpo dela e eu- Bruna
-
Quem não verá,
não saberá!
Os trejeitos nas cadeiras,
que ela sabe dar...

É remelexo de Caruru,
tempero de Vatapá.
É Rabada com Angu.
Farofa de Alguidar.
Pimenta de arder Tutu,
É doce de Araçá,
Moqueca com Urucum,
cachaça de Pau Canela.
Batuque de Olodum,
feitiço quente, panela.

Abraço de ser feliz,
no corpo de quem a quis,
cintura de tremer fundo.
É Carnaval de entrudo.
Depois de entrar com tudo
dentro da brincadeira,
ela ainda me deixa mudo,
duro, vesgo, bicudo,
com o balançar das cadeiras...
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia do poeta ( O analfabeto poético)

Fotografia: Era pra ser um dia normal- Camila Fontes

Ontem foi feriado.
Não fui a sarau,
não escrevi nada,
não li nenhum poema.
Fechei a fábrica de versos,
dei a mão pra minha namorada
e saí por aí.
Ontem eu fui normal,
ninguém nem notou,
acho que consegui!


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sonetinho para Maria.( Mamulengo)

Fotografia: Orquídea Vermelha-Maria Moreira
Maria teima em trazer um triste olhar no peito.
Desses de fim de amor, quando sobra tristeza.
Fita um desvario danado, de algo desfeito.
Dizendo que não pode amar sem uma certeza.

Maria pensa que o amor é sempre dor sobre a mesa?
Algo que não lhe valha algum outro proveito?
Espero que mude de ideia, pense outra natureza.
Venha para os meus braços reinar a melhor fraqueza.

Maria venha brincar! O amor é mesmo imperfeito!
Deixa essa tristeza pra lá, venha para a surpresa.
Às vezes para ir ao mar, um rio muda de leito.

Venha ser feliz agora, não tenha tanta rijeza
Ficar por aí sozinha, isso não é direito.
Não me faça mais esperar, faça essa fineza.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sábado, 16 de outubro de 2010

Apenas homem ( Mamulengo)

                                                       Fotografia: O diabo saiu à rua- Francisco Fadista

.
Hoje, passando no fio da navalha,
vi o tenaz desejo e a solução.
Tinha um beijo guardado no teu sonho.
Tião medonho sou, o teu ladrão.

Diabo coxo de vinho e adrenalina,
peguei-te o sonho com as minhas mãos.
Joguei teu corpo num lagar vindima,
depois pisei com o coração.

O amor que queres é mesmo incorreto,
Algo como os que trazes na memória.
Mudo em ti os fatos, sou o incerto.
Sou eu a diferença dessa história.

Todos que amaste não me valem.
Sofrimento alheio, menos então.
Tenho na vara que te invade,
a alegria inversa da paixão.

O que importa aqui é corpo, e arde.
Negar-te ao calor, é solidão.
A minha diferença é o fio da arte.
O meu amor, por gosto, é mandrião.

Ninguém jamais te amou assim.
Nem que assim se pareça também.
Não tenho começo nem sou fim.
Apenas um homem que te faz bem.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Lacan de lingua ( Mamulengo)

Fotografia: Entre o Purgatório e a Psicanálise- Maria Marques
Às vezes eu cismo.
Poesia e Psicanálise
vivem um lesbianismo!
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Vou pro Samba( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Ela Samba-Alexandre Pinta
Vou pro samba na esquina do pé sujo.
Vou levando a cuíca na sacola.
O pé sujo fica lá no Caramujo.
Me acompanham um tantan e uma viola.

Vou pro samba porque o samba é da hora.
Tem Arlindo, Paulinho e tem Cartola.
No Samba ponho o coração pra fora.
"Cantando eu  mando a tristeza embora."

Vou pro samba pra festejar o Cacique.
Vou tocar pra uma moça que rebola.
Quando ela samba algo em mim liga num Clik!
No repenique me anima essa senhora

Vou pro samba que o samba esta me esperando,
quando ele chama tem que ser, é sua glória.
Se eu não fosse seria homem que desiste.
Isso não existe, porque vou pro samba agora.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos mestres ( Mamulengo)

Fotografia: Cavalo Marinho do Mestre Salustiano
Mestre é o que ensina o outro
o que a si soube prover.
Mestre é o que ganha pouco,
Vira-se em oito para viver.

Mestre ilumina mentes,
rega  sementes,
faz florecer.
Mestre vive apertado,
passa o legado
para o outro crescer.

Mestre sabe a esgrima,
tem auto estima,
abnegação.
Mestre não desanima,
vai construindo o cidadão.

Mestre trabalha em casa,
criando asas
de imaginação.
Mestre que vira as noites
com tantos cadernos para correção.

Mestre é a quem devemos
a queda das vendas da escuridão.
Mestre que é ágora e templo,
dedica a esperança à nossa Nação.
.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Gozou coração ( Mamulengo)

Fotografia: Para o meu Amor-Márcio R. de Souza

Poeminha para Jô

Essa moça chegou mansinho,
quebrou a louça dentro de mim.
Temendo que alguém nos ouça,
cantamos Lorca em Mandarim.

Essa moça tem um trejeito,
que  me fascina ao se despir.
Rebola a bunda de um jeito,
pra calça apertada poder sair.

Depois que pula na cama,
traz é uma dama de cabaré.
Fatal e de carne quente,
passa-me ao dente, essa mulher.

Essa louca fala baixinho,
diz-me carinhos de por em pé.
Depois abre os seus lábios,
todos molhados de frente e ré.

Seguro bem apertado
como um tarado as suas ancas
de jeito inusitado meto de lado
 a perna que não manca

Os nomes ditos e ouvidos,
são sustenidos, chuva de prata.
Mexem com a minha libido,
os seus gemidos de vira lata.

Veludo tem a canina,
com a boca rima capa e espada.
Depois se aninha em cima,
dançando o corpo de namorada.

Volto, desço  ainda,
aonde me acho, a nua senda.
grelo de guardar língua
só para vê-la alagar a fenda.

De mim ela engole tudo,
como charuto de degustação.
Eu nela entro bem fundo,
então pergunto, gozou coração?
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Crianças ( Mamulengo)

Fotografia: Sorriso de criança-José torres
Todo mundo é criança
Todo mundo pinta a cara
Todo mundo brinca e dança
Todo mundo da risada

Todo mundo vê palhaços
Todo mundo chuta latas
Todo mundo quer abraços
Mariola ou marmelada

Todo mundo deita e rola
Todo mundo vai à praça
Todo mundo chuta bola
Todo mundo faz pirraça

Todo mundo da beijinhos
Todo mundo acha graça
Todo mundo é novinho
Quando a novidade passa

Todo mundo quer um cheiro
Todo mundo da as mãos
Todo mundo quer brinquedo
Todo mundo é coração

Todo mundo chora medos
Quando o bicho é papão
Todo mundo tem segredos
Pra contar na escuridão

Todo mundo come o doce
Todo mundo quer prazer
Todo mundo vê gigantes
Quando para de crescer

Todo mundo fica grande
Passa anel de Bambolê
Todo mundo tem instantes
De desenhos na TV

Todo mundo vê princesas
Todo mundo lambe o prato
Todo mundo é sobremesa
Todo príncipe é sapo

Todo mundo tem estima
Todo mundo é short ou trança
Todo mundo tem esquinas
De retratar na lembrança.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

Caldinho de feijão( perna bamba é do samba)

Fotografia: Bar- José
Meu amor tenho olhos tristes agora,
de onde venho a saudade se demora.

                                       Os meus braços te desejam abraçar.

Rodei mundos de chão noites afora,
na Serrinha namorei outra senhora.

                                      A solidão enganou o meu olhar.

Meu amor se vestiu de dama fina,
maltratando um vadio de esquina.

                                      Fiz-lhe um samba bem facinho de cantar.

Ela disse esse samba não tem rima,
seu desejo, poeta, é só estima,

                                    seu abraço é de balcão de bar.

Meu amor fez um sorriso de atriz,
desdenhando  dos beijos como esfinge.

                                      Muito esnobe no mundo de quem finge.

Pôs o encontro vazado na ilusão,
foi-se  embora, de mim, porque não quis,
esse samba com feitio de raiz

                                    num torresmo no caldinho de feijão.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/