Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Viva São João ( O trago da seda)

                                     Fotografia- noite de são joão- Cristina Neves

O frio é elegante na festa de São João
Laços e botas, chapéu de palha e terno.
Saias rodadas giram os tempos modernos,
sem terra é asfalto e passeata em  céu aberto.
Nas cidades se agregam a refinaria e o balão.

Desgraça pouca é uma bobagem atrevida
saltando fogueira e pisando os pés na brasa.
A natureza tem suas digitais corrompidas,
o fogo é de morro abaixo, a água é poluída
na desventura da realidade carcomida.
A vida dos ventos fica no crivo das asas.

Nesse instante de sanfona e de baião,
grande é a noite abraçando a madrugada.
Olha pro céu meu amor, diz o refrão,
chama e calor provento a solução.
Serei ao seu lado, mesmo caindo ao chão,
nocivas são as vias aéreas constipadas.

Brisas juninas pedem frio à madrugada.
Olhe para o céu que a tristeza acabou.
Full HD em lua despedaçada
na cinegrafia da imagem privada
há de haver quadrilhas imaginárias
pela mirada do olhar que as filmou.










terça-feira, 3 de julho de 2012

É aqui Ó ( Banguelê)

                                         Imagem - AFP


A partícula de Deus
brevemente anunciada,
esta em qualquer calçada.
Já seguem suas pegadas
os cientistas e eu.

Argila pré-animada
Fração de Prometeu,
Divina tese ao ateu,
última vela no breu,
pedaço de quase nada.

O universo é meu e seu,
na origem despedaçada.
Da ciência revoltada,
até a próxima Intifada
entre a Judeia e o Caldeu.

Nas explosões do Nobel
da ciência consagrada
a vida surge atinada,
sai dúvida enamorada
de como o universo se deu.

Da heresia de Galileu
até a última charada.
Por vaticínio a escada,
assim vai, sendo escalada
ao Bóson de Higgs europeu







segunda-feira, 2 de julho de 2012

Mariatos ( Olhos nus)

                             Fotografia:Desejo de Arsénio Melo

Todo olhar é um desejo debruçado na janela
basta observar os olhos com o lustre da flanela
vai-se notar o salto ornamental que há nas ideias
Se os olhos falam tamanho, mais parecem tagarelas,
para quem os observa não existem palavras meias
Pois olhos sabem sorrir, sabem chorar, sabem ser veias
Os seus em particular me soam canto à capela,
bandeiras, são Mariatos falando entre o mar e a terra.


terça-feira, 19 de junho de 2012

O sol à mão ( Barril Diógenes)

                                    Fotografia: O sol na minha mão-Manuel Joaquim Bastos

Desejar ter amigos
não é ter amizades.
A acessibilidade
àquilo que é abrigo,
na essência e no perigo,
custa a afetividade.
Amigos de verdade
provêm duo arrimo,
sem o susto do limo
das adversidades.

Cultuado na saudade,
o afeto é um dom divino.
A amizade é um exercício
bem maior que seu desejo.
Projeção é só um almejo
do real, que é mais difícil.
Aonde o temor é vício
limita-se o solfejo.
À palavra branda,
uma outra é esbravejo.

Seguem o mesmo realejo.
Se a amizade se espanta,
é que a graça não é tanta
em um pequeno gracejo.
A amizade é um braço
antes do precipício,
ante o chão movediço,
a forma do afeto é um laço,
como a cama e o cansaço,
elo em ouro maciço.
Zelo e o calor do abraço.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Apresto ( O olhar da carranca)

                         Fotografia: Apresto-Antonio Costa
Minha vida não cabe em um pôster.
O meu corpo não gosta de palco.
Minha poesia não é um "Blocbuster",
meu verso descamba em socalco.
Se apenas é um manifesto,
não tendo censura ou recalque,
descrevo num rosto sem talco
as marcas que o sombreiam; De resto
não faço disso um embuste,
por mais que isso me custe.
Nem tudo que brilha é ilustre,
às vezes sobra o indigesto.
Tenho versos que parecem chiques,
tenho outros aonde eu não presto.
Como finanças a pique,
somo o descarte imodesto.
Com um Descartes moderno,
depois de os ler verifique,
o que lhe restou de apresto.


terça-feira, 29 de maio de 2012

É o bicho pagando( Perna bamba é do samba)


fotografia: Museu da Polícia civil 

Sobre o céu azul das terras brasileiras,
na asa delta do descobridor Cabral.
Nas cascatas e nas grandes cachoeiras,
tanta agua e tanta sede nos jornais.
Contra o vento banham muitos animais,
avestruz, águia, burro, borboleta,
nessa nau fantasma qual Catarineta,
o zoológico contábil faz Carnaval,.

Tem cachorro, tem cabra, e tem carneiro,
tem político atolado em atoleiro,
tem perilo, pirâmide, tem um mal cheiro,
empreiteiro fornicando no quintal.
Na corcova do camelo entra a cobra,
superfaturando a custo nossas obras,
Da cartola do coelho o capital.
Agneologia é algo escondido,
a cidade de Queiroz tem um zumbido,
tem cavalo dado com cela e estribo,
solapando o fràgil erário nacional.

Pra cacique cavalgar como elegante,
misto público e privado é gritante.
O elefante esta escondido no embornal.
Senador ganhando mimos de regalo,
esse almoço devo lhes dizer é caro,
cada cidadão aqui perde um galo,
para o gato ficar rico no final.
Desse jeito a sociedade é ré,
sofre o custo da mordida ao Jacaré.
Nos impostos, e em tantos outros custos,
onde a seca faz sofrer lá no Assaré.

Aonde a agua molha a mão mais que aos pés,
a saúde e educação tem gastos curtos.
É preciso desvendar a solução.
O desvio morde mais que o leão,
tem macaco pendurado no arbusto.
As divisas decolam do aeroporto,
depois voltam da offshore bem mais limpinhas.
São de ouro os ovos dessa galinha,
A tomada não é focinho do porco.
O ladrão de colarinho não tem rosto,
se me perguntarem, nego, eu digo não.

O meu voto anda valendo tão pouco,
colorida e azul é a calda do pavão.
CPI é um senado em fogo morto,
cheio de pau velho que já nasceu torto,
pleiteando a arte na televisão.
Nessa jogatina o pobre entra com o cu,
sete e sete à oitenta entra peru.
A gaiola das loucas toma o tesouro,
do eleitor presado que não é panaca.
A gente não tem cara de babaca,
aceitar isso é aparecer mais tolo.

É preciso tourear, vencer o touro,
é melhor chutar o pau dessa barraca.
Na vitória e no feijão ficam os louros,
para ver se a política progride.
Tantas fezes ha nos ombros desse tigre,
pois escrevo indignado com a caca.
Nos sabemos distinguir o amigo urso,
quando descobrimos  roubo deslavado.
Depois vem o senador e o deputado
dizer aquilo que lhes parece justo.
Às dezenas, ás centenas, blá, blá,blá.

Corrupção é algo feito em par.
Nas apostas desse assunto delicado,
servidor anda se servindo um bocado,
faz a vida na propina do milhar.
Ha mais chifre de cavalo em veado,
por consórcio os quatro lados são cercados,
dominando o sistema do cerrado,
basta olhar num sobrevoo ao governar.
Poesia é uma absurda maritaca,
a palavra é um bom drible da vaca,
conta a história do Real de algum lugar.















domingo, 27 de maio de 2012

Afago ( O olhar da carranca)

                                Fotografia: Afago Sereno- Pedro Antônio Scharam

Nasci da linhagem do anjo torto
das avenidas de nuvens, mas no fundo
o chão é a prótese do meu corpo.
O bonde que hoje passa, é perigo.
Expande o viés trágico do mundo,
nas máquinas doidas de caçar niqueis.
Cresci na aragem de pedra desse  porto.
Já o conheço tanto, já o conheço pouco.
Os que têm abrigo que se curvem,
a ousadia é mais que conforto.
No tempo da estiagem não trago sorriso morto.

Meu amor briga, quer paparico.
Ela tem dores até na alma, eu a sigo
aonde  o amor cala mais fundo.
Ah... minha amada, o amor é louco!
É aonde estão as asas, o resto é aborto.
Muitos amam mesmo é a si, e não ao outro.
Choram, sofrem, gozam o desgosto.
A tranquilidade é um susto, mas é algo rico.
Eu preciso ficar atento, meu amor quer  paparico.

Não tenho sete faces que embaralhem meu rosto
Não conheço nada fácil, às vezes me complico.
Num único olhar procuro deixar tudo exposto.
Ninguém leu a minha mão, o mundo é o ombro amigo.
Trago-lhe as flores da primavera de agosto.
Quem não tem coragem de amar, não põe o bico.
Deixando isso bem claro diante  do aviso rouco,
sei do sussurro do corpo muito mais que do grito.
Sei da vontade de amar se meu amor quer paparico.






sexta-feira, 25 de maio de 2012

Homepage ( O beco da fome)

                          Fotografia: Saudável- Willian Lana


O doutor tem o poder sobre mim nesta hora.
Tenho a saúde publicada num pedaço de papel.
Está escrito em pílulas o que de resto é o que me sobra,
o doutor é quem define o que mais vale como obra.
Impera aos rins o domicílio da acidez úrica, o fel.
A gnose adocicada da glicose faz agora mais um réu.

Como trio de ataque, me avançam os intrépidos glicerídeos,
dando ao nobre médico todos, fartos, tantos, gordos subsídios.
Pronto, o colesterol se afasta do que vale ser, é "Creu", normal !
Também ficam exilados os sabores do tempero que há no sal,
proibidas, sobretudo por pressão, as delícias evitando o Beleléu.

Alcaloides ficam por um tempo longe, quase todos suprimidos.
Carboidratos afastados, sem degustação ungida em boca e céu.
Quanto á carne avermelhada, já me sobra é somente o mugido,
do bom vinho vou sofrer a má sorte da ausência do tonel.
Tomates, rúcula, light orégano, as folhas buscam meus sentidos.

O que apraz ao meu regalo vai embora, se perde, some, é limbo.
Limítrofe ao chope, ao torresmo, aos sabores nobres da costela,
vou tentar trazer ao alquebrado corpo a saúde nova de menino.
Em estrofes minha vida é consumida no integral, sem as moelas.
Quem me vê cantando, pensa de fato estar indo tudo lindo.

O prazer de glutão da lugar à essa tal transaminase, em tese.
Pobre, em mim se instala agora um gastro irônico destino.
Vascular LDL se associa sendo agora mais gordura em greve,
Há que mudar tudo via a alface dominando o intestino,
ainda bem que me sobrou por fim a receita útil da Caprese.





terça-feira, 22 de maio de 2012

Bobagem ( Barril Diógenes)

                                           Fotografia: Futilidades...- Cláudio Nascimento

A mediocridade e suas felicidades
imperam aonde nada se quer saber,
alem das irrelevantes medianas delícias
da condição Humana.
.

Por aí ( O olhar da carranca)


Fotografia: A Idade Traz Outra Beleza...- Cello


A conquista do banal
é o que faz de um homem
sujeito às provocações do simples, do normal
Os livros de ontem
são faces cediças do vício intelectual
outros que os comprem,
eu fico com a beleza de um olhar casual.

sábado, 19 de maio de 2012

Vacas frias ( O olhar da carranca)

Fotografia:Congada chapéu e fita- Paulo Cesar da Silva

A felicidade na adversidade, ninguém acredita.
Bem como os temores, somem com as cores de um laço de fita.
A simples maldade não vence a verdade, apenas lhe irrita,
e  a firmeza é parte da paternidade, é coisa benquista.
A força do tempo há de ser o alento, o forte abraço.
Os filhos um dia terão, como os ventos, os seus próprios passos.
Pois o mundo é grande e não cabe na ponta curta de um laço.
A medir esses passos, com a dignidade, a trena é o compaço.
As dificuldades saindo de cena, por mais que tardias,
serão só lembranças, na ponta da lança serão vacas frias.
A vida então, como na canção, vai ter outro dia
Assim quem viver haverá de ver reinar a alegria.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dando a outra face ( Barril Diógenes)


                        Fotografia: Os tempos da escrita e da memória- José de Almeida


Na arte de transfigurar a palavra está o refinamento humano da literatura, dando a ela uma outra forma, outra musculatura. Significando uma outra face, novo encarte, outra nova visão.
Nessa transfiguração a arte surge, onde o homem ressurge e a vida ganha amplitude, compreensão, transparência, abertura.
Alterando-se a palavra damos à ela outros sentidos, posto que um só não basta.
Na arte o humano se reconhece, se abastece, naquilo que busca de novo, num ato de reconstrução da sua própria realidade, de alguma forma modificada, encandecida.
Nessa compostura a vida se transforma, elástica, maior, mais crítica  e de  sentimentos mais farta.
Na arte de configurar a vida, a palavra, o idioma, é fruto comum do ambiente do conhecimento, a fala é cultura nata. A escrita é mais, requer níveis de elaboração.
Com a escrita a palavra muda, é outra lide, escrita é fermentação, é ousadia, é mosto; Quem faz dela o melhor uso, transforma a si e ao outro, dando á fala novo rosto, novo valor, novo gosto, isto é a criação, essa é a diferença iluminada.
Nesse acontecimento se descreve o melhor posto, o melhor múltiplo discernimento de continuidade.
A escrita criativa fica assim contaminada, é a realidade revisitada de outa forma. Uma libertação na crônica renovada.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dejejum ( Beco da fome)


                                                                                                           Fotografia: Rodando a Bahia- Arthur
Tendo fome ela grita aos meus ouvidos
Despertando a sonolência dos justos
Ela gira a baiana em mil sentidos
Taca fogo no circo, o pavio é curto

Ela metralha o sono com dez mil tiros
Ela é light somente na margarina
Mas que fome há de haver nessa menina
sobrepondo à emergência os seus custos?

Todo dia ela faz tudo desigual
Acordando-me para fazer o café
Tem a fome dos monges lá do Nepal
Tem na fala as vantagens de ser mulher.

Todo dia ela insiste para eu levantar
Fica na cama mais tempo de colher
Quer um creme de queijo, quer se fartar
Três torradas ao ponto, quer Camembert

Se não tem iogurte do Panamá
Se não tem fruta fresca, ela quer Jambé
Se não tem pão fresquinho no samburá
Ela faz desatino ou coisa qualquer

Essa fome parece não se aplacar
Ela tira do sério a esse Zé Mané
Cuja vida se aplica em ser do lar
Às seis horas da manhã estará de pé

Para não engordar, ela come pouco
Pura satisfação de um passarinho
Mas se entorna em água o que era vinho
Meus ouvidos de ouvir vão ficando roucos

Se ela não come, a fúria toma lugar
Se preparo a comida, ela diz que não
Se tem papos de anjo, ela quer manjar
Se ofereço, ela diz que não faz questão

Vou botar a comida num alguidar
Para meu santo de maior devoção
Na esquina um despacho eu vou deitar
Em jejum vou pedir por nossa união

Amanhã quando o dia abrir  janelas
Serei eu o motivo dos seus desejos
Pois café matinal não terá mazelas
Vou cobrir sua ira com os meus beijos

Essa ira é embira pra se amarrar
Essa birra é intriga de oposição
Esse papo não tem nem colher de chá
Vou fazer amor, essa é a refeição.














quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lucilúdico ( O analfabeto poético)


Fotografia:Imensidão-Milton Ostettoad


Lucidez é precisão
no escárnio do destino
É a pedra, é a água, é o limo
na insensatez da acepção.

Representar não é a realidade
ou dela é somente parte
imagem base, o alarde.
pedaço da confusão.

Lucidez é na verdade
a mais pura comunhão
pensamento e coração,
loucura e felicidade.

Desafeta da ilusão
do ouro em velocino.
Lucidez muro de arrimo
do delírio é contenção.

Pisando com os pés no chão,
há quem faça o desatino
de colher dela o fascínio,
embriagado de razão.
-

terça-feira, 10 de abril de 2012

Natal sem umbral (Perna bamba é do samba)

                                                                                                                
    Para meu amigo e parceiro Ney Helou

Gurufim do Natal
O samba ressurgindo
nos subúrbios da Central

O golfinho afinal
levará o mais findo
exorcizando o mal.

No trago da pinga
se desfaz mandinga
desproporcional.

Gurufim nos diz
nesse vis-à-vis
que ele irá feliz
para outro local

Madureira enfim
vai a si redimindo
nesse tal festim
Gurufim vai indo.

Para o mar sumindo
no culto mais lindo
Delfim abissal

Vem do povo Banto
todo esse canto
todo o comensal

Boca na moringa
Que o samba faz manto
Portela caminha
quebre esse encanto

Tira essa morrinha
do azul e branco
e ganha o Carnaval.
.

terça-feira, 3 de abril de 2012

De sapato branco ( Perna bamba é do samba)

Fotografia:Música-Mário Carvalho


Para João Bruno
-
Sou fã do Funk,                            
sou fã do Hip- Hop.
E vou te dar um toque
antes que você se zangue.

Não me atrapalho
antes mesmo com os pés,
para os ouvidos faço
gosto com o Jazz

Até no Blues
ouvidos pus.
Nos atabaques
sou da tribo dos Malés

Por outro enfoque
a olhos nus,
não me equivoco
com o Afro-Spiritus.

Se não me fecho,
no estilo como o TOC,
porque de resto
haverá dia de Rock

Por isso digo não se feche,
eu repito, não se empanque
com a acides meio Trash
dos Ingleses, dos Ianques.

Para os ouvidos percorrerem os caminhos,
para encontrar o X certo da canção.
Até o prazer carinhoso dos Chorinhos,
até sentir o acridoce  de um Baião.

Deixando isso pra lá,
sem deixar isso de lado.
Vem se arrastar
no Calango,
no Xaxado.
Do Cubano Chachachá,
ao Miudinho delicado.

Mas o meu gosto
por Catira e por Milonga,
tem por arrosto
as tongas dessas mirongas.

para encurtar essa bruma,
essa história que está longa,
cheia de Rumbas,
de instrumentais e Congas.

Além dos clássicos que dão paz
á alma humana,
tem os Boleros, jogam mais
à ela na lama.

Tendo isso dito,
enquanto um Mambo mamba.
Eu vou amigo
mantendo acesa a chama,
e te dedico
esse poema feito em Samba.

domingo, 25 de março de 2012

Galinha Capitu ( beco da fome)

Fotografia: Galinha  Mourisca- Maria da C. de O. Fernandes   


Os pretéritos do Algarves saíram pelas conquistas
Deixaram após Ourique, a boa galinha Mourisca
Com vinho de boa cave do Rei Afonso Henriques
Pretérito fora Al-Garb deixando se identifique
Se a cultura é antiga, dela fica o que lhe cabe

Nos sabores da comida. a receita vence o sabre
Ao fazê-la é necessário uma lista que a confira
Gaste um pouco do salário em galinha caipira
Três colheres de manteiga  num bom pedaço de bacon
Uma boa frigideira, uma Cebola é de bom tom

Um buquê de Hortelã, com Coentro num amarrado
Cebolinha, Salsa e Cravos, não seja do sal tão fã.
Use-o com mais cuidado, para que a vida seja sã
Vinho branco um bocado, faça um caldo com elã.
Da galinha em separado isso aquece como a lã

Não se esqueça de um limão, de onde queremos o sumo
São Seis fatias de pão, duas gemas pra consumo
Somam seis ovos pochés, Picadinho de gengibre
Mais manteiga de colher, Pimenta de gosto livre
Junte isso e vai com fé dar sabor ao prato chique.

Mas finalizando os fatos como qualquer bom gourmet
Não haveria esse prato, sem um amor a comer.
No céu da boca o palato, no céu do corpo o prazer
Depois do amor, o regalo só vale a pena cozer.
Amada, se sem recatos, Mourisca  foi pra você

sábado, 24 de março de 2012

Bacalhau espírito de porco ( O beco da fome)

Fotografia: Bacalhau 6- Fernanda Nyluand


Bacalhau espírito de porco
é feito para quem não teme.
No leite do fresco creme
devem ser deixadas  lascas,
de modo que o bicho ao gosto
dê prazer a quem as cata.
Num azeite extra virgem,
Cebolas douradas pouco.
Com pimenta sem vertigem,
mas que deixa um cabra rouco.

Refogando nesse douro
umas cenouras raladas,
dando a tudo a cor do ouro,
num sal pouco quase nada.
Se Portugal é a origem,
logo tem que ter Batatas.
Com alho e folha de louro,
manteiga em Rú na água.
Para que bem se aproveite
queijo ralado sem mágoa.

Não pode faltar o leite
para os pães já pernoitados.
Nesse rico caroteno,
substância classe A,
vitamina sem veneno
cheias C e de H.
Um vinho branco mais pleno
dará sabor ao maná,
se Deus não estiver vendo
aproveite para pecar.
.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ociosidades ( O analfabeto poético)

Fotografia: Gaivota- Rose Mary Borges 

A ociosidade da tarde aparece nas nuvens azuis do outono.
Como uma brisa sem guisa, segue esse dia sem dono.
Aprendi a voar com as gaivotas que pousam em meus olhos.
Elas é que deram asas ás minhas inutilidades de Barros

Alegria ( O analfabeto poético)

Fotografia: Alegria- Pedro Gonçalves
 

Levanta essa cabeça
Tira isso de letra
Esse papo tão careta
Não è algo que a mereça
Que a tristeza derreta
Qualquer dor desaqueça
Apagada em cometa
Que a alegria é dileta

Venha mais que completa
Vida não é quieta
Nem segue em linha reta
Não é porrete, é porreta

largue essa dor memória
Assumindo sua história
Faça-a publica e notória
Enfrente a divisória
Mude a trajetória
Venha sem promissória
E por dedicatória
Rompa a fita  vitória
.