Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bilhete (o trago da seda)

Surreal- Albery Seixas-2004

Eu já te disse mais de uma vez  criatura,
a lucidez é uma homenagem à loucura.
É preciso ter sensatez na aventura.
Uma desatenção provocará só rasura,
tem que ter manha, ter jogo de cintura.
No meio do campo tem que ser craque,
senão é doideira de araque,
meia bomba, meio traque,
não passa de viagem sem destino, imatura.
Quem não pode com pote, a rodilha não segura.
Eu já disse para você criatura

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domingo, 16 de maio de 2010

Tarô ( o trago da seda)

 viscontisfarataro
Homenagem à Plínio Marcos


Nas cartas do tarô o vaticínio,
mostrando as armadilhas do real.
Real que aprisiona o raciocínio,
onde a diversidade é anormal.

Provendo as miragens escolhidas,
paridas dos sábios,  bem e do mal.
Velados no universo dos sentidos,
separam do comum o descomunal.

Sobre o mal, maior arcano é a ferida,
desatino do intestino pessoal,
quando o trágico desfila na avenida,
na metástase das certezas da geral.

Ao bem cabe ser joia da coroa,
parece o Gentileza do mural,
ou mesmo heterônimo do pessoa,
horóscopo na coluna social.

Descarregando sobre o inquilino
da vida o seu alheio fel fatal,
a tristeza é calado desafino,
"a dor da gente não sai no jornal".

Todo poeta é um pouco cabotino,
vem no destino, um gene varietal.
A alegria é coisa de meninos,
tem cheiro e cor de manga de quintal.

Se o sorriso não encanta, é de vidro,
sai frio no silêncio do cristal.
Sobrou sobre o poema descabido,
o vento, um lamento e a pá de cal.


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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Poema para Deusa de ébano( o trago da seda)

                                             Mulher ao luar, s/d, Bruno Giorgi

Eu não posso fazer-lhe um funk meu amor.
Deus me deu por pecado o branco na cor.
A cor negra que gosto tanto de ter,
a cor negra eu preciso buscar em você.
No terreiro dos meus olhos há tambor,
no desejo do seu, ponho o meu prazer.
Essa é a pele aonde o samba é só calor,
E a sua boca na minha boca vai dizer.
Nas  suas pétalas abertas beijo a flor,
vendo a noite, no dia, derreter.
Nosso amor discorre assim, sem hora,
não há tempo acertado para ele ser,
para viver, para ficar, para ir embora.
Sob as bençãos de Pierre Verger,
nos devotos de Obaluaiê,
o melhor do amor é ser agora.

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domingo, 9 de maio de 2010

Estação final (o trago da seda)

              Ligações perigosas, 1926, René Magritte

Um defeito na linha do metrô.
Um desfeito no meu coração,
diz-me ao corpo, agora  não vou,
pois se for sem amor quero não.

Na poesia cardíaco-decô,
nano corte mostrando ilusão.
Fico sozinho, prefiro, eu não vou
alimentar com você solidão.

Sou um branco de sangue nagô,
cujo anjo torto ensinou,
anulando com a arte de um gol,
os desiguinios da má sedução.

Ausenta de mim seu lençol,
aonde nosso amor acabou
no tetrahidrocanabinol,
ao querer que eu vá, eu não vou.

Nem ouço mais aquela canção,
que o Roberto Carlos cantou,
Tocada baixinho na estação
arcoverde de um jeito retrô.

Você sabe bem onde estou.
Vai com a saudade e fica.
pois já o amor não bate, complica.
diz-me o fim e por isso não vou.

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Brincando com Drumond ( o trago da seda)

                      Pelado-2008-Efran Almeida

No meio do carinho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do carinho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do carinho.

Nunca me esquecerei desse tão mal momento
quando finda o amor numa pedra atirada.
Juro que a esquecerei,
no meu caminho tinha uma pedrada.

Tinha uma pedra no meio do carinho
saí desse caminho sem carinho, nem mais nada.
No final, sozinho, só a desilusão pelada.

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terça-feira, 4 de maio de 2010

Poema para a moça que dança(o trago da seda)

          Figuras no bar-s/d-Héctor Carybé

Gosto de todo e qualquer tipo de dança.
A dança da vida ao corpo, o revitaliza.
Tenho  pelo corpo um carinho especial.
Talvêz por levar-me de forma impracisa.
Ao espaço com precisão cirúrgica desliza.
Dançando, leva-se aonde quer chegar afinal.

Como agora! Quero a sua dança do ventre,
Quero sua ginga bonita de portar bandeira,
sua pele de sal, seu calor de amiga.
Movimento de dorso bailando brejeira.
Nesse seu corpo eu quero estar entre.
Deixar-lhe molhada em todas as beiras.

O meu verso guerreiro apronta-lhe na lança,
da mais gostosa guerra humana à brincadeira,
fazendo-a gozar sempre na lembrança.
Serão assim as memórias primeiras.
Movimento e sincronia de prazer e bonança,
sobrepondo-se ao baile de uma vida inteira.

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domingo, 2 de maio de 2010

Primeiro Imail de Jô (Imails da Jô)


              Cabeça de escrava-1992- Oscar Pereira da Silva

 Enviado por Jô, a escrava do amor

Ele quis fazer de mim outra mulher,
não uma mulher com outro corpo,
mas outra pessoa na verdade.
Fico triste, não serei o que ele quer;
Se não gostou do que sou, serei saudade.
Saudade  é o que divido na forma e na fé.
Quis mudar-me, não gostou d'alguma parte.
Só ama se fizer de mim outra qualquer.
Se assim ele é, sinto muito, não sou aparte.
Para gostar-me, tem que ser toda, inteira.
Já tudo sabem os sussurros dos ouvidos.
Não serei mais uma tentativa passageira.
Nos corpos, nesse jeito de amor sumido.
Frio o romance deixa beijos sem maneiras.
Não seria eu, tendo outra personalidade.
Tentar ser outra é ruim , isso me cansa.
Distanciar de mim mesma não faz sentido.
Ficam nossos os reboliços da lembrança.
Tenho de mulher e amor, só a realidade.
Não vou apagar o olhar, nem vê-lo tolhido.
Não sei amar, ferida de minhas liberdades.
Eu que pensava encontrar amado escolhido,
vejo agora só um amor de puberdade,
Portanto ele não pode ser mais querido,
Que maldade, que maldade, que maldade..
Mais uma dor e mais um homem removido,
quando a ideia exaure a cumplicidade.
O amor acaba na abstinência, no castigo;
Se já em mim não há mais felicidade,
é que endiante só seremos bons amigos.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Ovo da Serpente(o trago da seda)

Foto- O Globo

Dizem por aí que eleições devem ser uma festa.
Parece que desfocam o olhar da questão.
Eleições, senhores, é resultado de forças adversas;
Não é carnaval, não é feriado de samba não.
Trabalho de muita luta em buscar as conquistas
manifestas dos cidadãos.
Eleições para não dançar, é não morrer  na praia.
Não é micareta ou frevo com banda de caminhão.

Votar é escolher quem vai correr na sua raia.
O político é representante, não é uma profissão.
Representar diversos não é cair na gandaia
com o dinheiro de toda a população.
Vê como age a gente brasileira honesta, sensata,
amantes e amadas unidos, Formando partes de outro corpo
iramanado de todos, que é a nação.

É dia de passeata política, dia dos morros descerem pelo asfalto.
Dia do asfalto subir para os morros, para cobrar com o voto de todos.
Da mais bem de vida mulher ao homem mais roto,
o povo é quem depois paga, pela omissão ou pelos votos que deu,
se houver só serpente dentro do ovo.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Falando nelas(o trago da seda)


Figura feminina com cabeça de flores,1937, Salvador Dali

O que as mulheres mais gostam de comer, é alma de homens.
Precisam delas, tomam-lhes a atenção.
Requerem cuidados, sem  descuidos querem-nos perto.
Todo o afeto querem ao lado, qual prédiletos postados;
Sempre um macho Alfa à mão.
Como vampiras, elas não querem se ater só à carne,
querem o bruto e o líguido.
Querem o amor para alem da volúpia da hora.
Querem o suor e o sangue quente.
Querem alem, querem a calma.
Elas nos consomem, são as senhoras.
Sem calma então  lançamo-nos aos rabos
que sugam e tremem e tomam.
Nos compenetros elas arrebatam os que as comem.
Elas gemem quanto aos seus lábios falamos
as coisas do sêmem.

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sábado, 24 de abril de 2010

As de Copas ou de Ouros (perna bamba é do samba)

     Pierrete-1922- Di Cavalcanti

Jogaram água por cima.
Molhar os couros é inútil,
chamaram então a polícia,
para resolver algo fútil.

O tempo volta no tempo,
Quando sambar der prisão.
Prisão são os apartamentos
O samba é libertaçaõ.

Jogaram um líguido bento,
a guisa de calar a todos,
gritaram os gritos bobos,
molharam os instrumentos.

A raiz do samba é a raça,
 Não é acanhar  ninguem.
Só se invergonham os praças,
quando a patrulha vasa,
querem pagode tambem.

As moças requebram em chamas.
Os moços chamam, e elas vêm.
Na  roda de copacabana,
todos os  fins de semana
o samba é um canto do bem.


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Poema para o desempregado.( o trago da seda)

         Sísifo,1548/49-Tiziano Vacellio.

No tempo do pós- moderno
o ocorrido é  o ultrapassado.
Não é como deve ser,
um tempo dos ocupados.
Precocidade em velhice,
como uma esquisitisse,
comuna aos desempregados.

Nesses senhores, que hoje
tão jovens miram a si pesados,
galopa um tempo no outro.
Quando perece o emprego,
há precisão de coragem,
no tempo a cego arriscado.

Passada a janela e o vento,
ter que inventar o momento
nos seus próprios de dentro,
para produzir nova vida,
virada de jeito interface.
De si um novo invento.

Um homem sem ser ocupado,
tende a manter-se ativo,
cativo de seu vazio
de produtor amputado.

Não amputado de um pedaço seu,
do seu próprio corpo.
Mas amputado de sua própria valia,
onde o trabalho desaconteceu,
com um ofício morto.
Mais preocupado em reinventar os dias.

Acorda às segundas feiras,
mastiga uma semana,
namora uma fria cama,
passa o ano preocupado.
O tempo não tem retorno.
O tempo nem tem passado.

Não passaria se é tempo.
O tempo só muda de lado,
porque para o proprio tempo,
tempo nem é contado.

A hora que foi vivida,
fecha para sempre a ferida,
mas deixa o corpo marcado.
Na explosão das pedras,
Sísifo perde a montanha.
Agora sem mais alento,
sobe ao apartamento,
mergulhando no  vasado.

Quando o acordar das manhãs
era sair e trabalhar,
Como acordar amanhã?
Agora a cor da manhã
é cor de espuma da praia,
para quem já não vai ao mar.

Um capitão sem navio
tem as lembranças salgadas,
na ausência da maresia,
da hora do corte a fio.

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quanto anos tem Brasília?( o trago da seda)

Uma reunião de amigos-1922-Max  Ernest

Quantos anos tem Brasília
Quantos rumos sem direção
Quanto tem quebrado a quilha
Quanto nela há quadrilhas
Quanto “afair” de danação

Quais as cuecas vazias
Que conduzem a nação
Caminhões de bóias frias
Quantos filhos ou filhas
quantos somos irmãos

quando vai chegar o dia
quantos até lá viverão
Peculato é covardia.
Fere a democracia,
o quanto sai pelo ladrão.

quem vai soltar a matilha
em quem assalta a união
quem faz a meia faz milha
quem vai lavar as vasilhas
quem tem botija na mão

Pariu a filha o Brasil
viu-se na televisão
dinheiro posto em pílhas
armarinho e camarílhas
quem quer ganhar um milhão

Quem vem pote, quem rodilha
Quem Põe dólar no colchão
Quem é chefe de família
Quem governa e não sabia
Quem anda só de “Buzão”

Quem é nicho e não é luxo
Quem engole o Panetone
Quem é tinta não é cartucho
Quem tem lombriga no bucho
Quem é cidadão sem nome

Quem é prato que se sirva
Na próxima eleição
Diga logo ou por missiva
Quando o povo tem fadiga
Suja o voto em regatão

Quantos anos têm á briga
Contra a corrupção
Quem quiser seguir-me siga
Qualquer cigarra ou formiga
Basta ser um cidadão

quem dira o que hoje há
entre a cidade e o  cristal
o eixão e o paranoá
o arrabalde de Taguá
o pecado a e o capital

quem vai dizer , quem deprime.
quem sequer vai agora ouvir
quem vai responder aos crimes
quem vai limpar as vitrines.
que pais é esse aqui.

Quem é que paga o imposto
Com que prazer realista
Quem a isso faz com gosto
dando sorriso no rosto
de Quem so é vigarista

Brasília tem Quantos anos
Políticos, bons ou ruins,
Erros, acertos, enganos.
Por baixo de quantos panos
Começam os meios e os fins.


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segunda-feira, 19 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

O corpo(a puta me encantou)


Grupo corpo



O corpo ao avesso é depósito,
de tudo que é ser vivente.
Nele comportam-se o ócio,
o ofício, a fé e o crente.

Para alem do princípio ótico,
o corpo é servido a quente.
Nele ancoram-se os sonhos,
e os enganos de pele da gente.

Na febre do seu porte, a sorte
da vida ruma estranhamente.
Movimento e quietude,
com ação intermitente.

Medo e coragem se abraçam,
num passo a passo insistente,
impulsionado por rastros
no chão do caminho à frente.

A busca do desejo, do carinho,
entre outros enredos estão,
uns se acham sozinhos,
outros de segunda mão.

Nos corpos os humanos se avizinham,
com prévios conceitos ou não,
alguns se parecem mesquinhos,
com os gestos contendo ilusão.

Os covardes neles têm ninhos,
aonde os excluidos são não.
As grades emparedam os normais,
que têm as certezas mais cedo.

A indiferença é o degredo
dequeles que não são iguais.
O amor no corpo deixa crivos
que ás vezes não são de paz.

Os idênticos amam-se mais,
de seus corpos seram só cativos.
O abrigo da vida é um livro,
no saldo ela mesma se faz.

Desperta e sem garantias,
Pois quando o sangue esfria,
no tempo não há corpo mais.

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

BUMBA - Poema audiovisual do descaso nacional(o trago da seda)


Jornal da Globo


Morro do Bumba
Coberto de descaso
virou catacumba.
             O lixo antigo
             de tanta gente
             cobre o castigo.
                       O poema fede
                       todo o chorume
                       que dele espele.
                                     O político
                                                  agora foge.
                                     O que é crítico
Falso amável
há que punir-se
o responsável.
           Eu não sabia
           è covardia
           Já bem tardia.
                       Como contar
                            o que sobrou
                                             do IDH ?

O lixo é fundo sem IDH prá todo mundo.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Depois(o trago da seda)

      Retrato de Louis-Auguste Cézanne - P. Cezane

O que há na idade madura?
Mais que alarde do vivido,
é a qualidade da procura.

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sábado, 10 de abril de 2010

Bibliofilia(o trago da seda)

                                      Desenhista 1950  Di Cavalcanti

Devolva meu livro por favor.
Não guarde consigo minhas páginas.
Se você não leu e não gostou,
não vai recorrer ás folhas fálicas.

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Fim( o trago da seda)


Marília Dias- Ruptura : a experiência do suporte

Mistura de terra e areia com cimento
e muita água, nos olhos muita água.
No saibro à peneira o febril ressentimento.
Passei a régua nessa mágoa.
O dedo em riste das horas não resiste,
desandou em rompimento dois parceiros.
Bebida nos nervos evapora, é bem triste,
o afeto perdeu seu paradeiro.
O nosso amor sem fé, ficou anêmico,
quando a dor deu o tom, um tom maior.
Nos abraços de jeito já transgênico,
nos modificamos tudo para bem pior.
Um anjo demônio, com nome de meu santo,
manipulou os fatos todos como genes.
Os sorrisos tão gostosos que eram tantos,
ficaram secos e bem poucos também.
Os nossos corpos assim modificados,
acusaram enfim o fim, o golpe.
Quando um clima de dia de finados,
se abateu na noite, dando o mote.
No romper, abriu-se o verbo incendiado,
aonde o amor sempre perde a razão.
Não estejamos nesse túmulo condenados,
arrastando as correntes da ilusão.
Vou deixar para você só um recado
no espelho, um bilhete escrito a mão.
Eu vou seguir sozinho para o meu lado,
você vai para o seu sozinha então.

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terça-feira, 30 de março de 2010

Entroncamento de Amor(o trago da seda)

                                  Acróbata & Arlequim - 1905 P. Picasso


Meu filho é  meu companheiro de estrada.
Ele no verde ecológico dos anos.
Eu na outra ponta de amor,
trago a vida calcinada.

No mesmo amor que reproduz-se assim.
Sem planos ficamos Humanos,
enquanto fazemos a caminhada.

Destino é ação conjunta,
do que espero ser degrau, escada
de fazer no mundo a melhor morada.
Solidária sempre, solitária nunca.

pois são os entroncos que traduzem rumos,
arquitetando a existência da chegada.
.
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Prato predileto(a puta me encantou)

                                                                          (Flávio de Carvalho, Nu Feminino, 1972)


A vida tatuada na pele dos fatos,
deixa nas tintas o rótulo que for.
Se antropofagia é seu predileto prato,
farofe-se em mim meu amor.
Sem nenhum recato,
pois sou seu churrasco de gato!

Liqui-pós-moderno,
à noite eu pardo,
meu nu é terno,
quente ao seu lado.
No breu de sua cor,
sou só sabor
enlambuzado.

Não aguarde nas tristezas, o que não compense.
Risque esse pretérito do caderno,
venho-lhe pênis et circencis.
Lindoneia, tudo meu já nasceu torto,
sem traumas.
Rasgue o vestido, deixe comido seu corpo,
traz calma.

Vamos fazer ventania.
Mate a descência Européia
na tropical alegria, alegria.                                                                                                                      Mergulho íntimo de apnéia.

Corpoesia sem cartógrafos,
dou-lhe os dedos e os dardos,
troquemos pois as digitais.
Em nossos corpos coreógrafos
linguas de fino trato são fatais.
É de comer e lamber o prato,
após dizer quero mais.

Mas ouça:
_Tome cuidado com os "Normais"!

Aos chacais os mimeógrafos.
Aos malditos os seus sarcófagos.
O contemporâneo ficou pobre
agora, venha, sejamos pop.
A balada é ouvir Rip-Rop.

Tope! Tope! Tope!
Huuuuuuuuuuuuuuu...

Saia da internet minha flôr!
Venha, não fique triste,
aceite o meu convite,
porque o prazer consiste
em troca de calor.

Dê um sorriso meu amor,
não inventei Reich nem Nietzsche,
mas um poeta que lhe amou.

Telma acredite
no que eu disse:
_Não sei ser Beat.

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