Eu já te disse mais de uma vez criatura,
a lucidez é uma homenagem à loucura.
É preciso ter sensatez na aventura.
Uma desatenção provocará só rasura,
tem que ter manha, ter jogo de cintura.
No meio do campo tem que ser craque,
senão é doideira de araque,
meia bomba, meio traque,
não passa de viagem sem destino, imatura.
Quem não pode com pote, a rodilha não segura.
Eu já disse para você criatura
Eu não posso fazer-lhe um funk meu amor.
Deus me deu por pecado o branco na cor.
A cor negra que gosto tanto de ter,
a cor negra eu preciso buscar em você.
No terreiro dos meus olhos há tambor,
no desejo do seu, ponho o meu prazer.
Essa é a pele aonde o samba é só calor,
E a sua boca na minha boca vai dizer.
Nas suas pétalas abertas beijo a flor,
vendo a noite, no dia, derreter.
Nosso amor discorre assim, sem hora,
não há tempo acertado para ele ser,
para viver, para ficar, para ir embora.
Sob as bençãos de Pierre Verger,
nos devotos de Obaluaiê,
o melhor do amor é ser agora.
Gosto de todo e qualquer tipo de dança.
A dança da vida ao corpo, o revitaliza.
Tenho pelo corpo um carinho especial.
Talvêz por levar-me de forma impracisa.
Ao espaço com precisão cirúrgica desliza.
Dançando, leva-se aonde quer chegar afinal.
Como agora! Quero a sua dança do ventre,
Quero sua ginga bonita de portar bandeira,
sua pele de sal, seu calor de amiga.
Movimento de dorso bailando brejeira.
Nesse seu corpo eu quero estar entre.
Deixar-lhe molhada em todas as beiras.
O meu verso guerreiro apronta-lhe na lança,
da mais gostosa guerra humana à brincadeira,
fazendo-a gozar sempre na lembrança.
Serão assim as memórias primeiras.
Movimento e sincronia de prazer e bonança,
sobrepondo-se ao baile de uma vida inteira.
Ele quis fazer de mim outra mulher,
não uma mulher com outro corpo,
mas outra pessoa na verdade.
Fico triste, não serei o que ele quer;
Se não gostou do que sou, serei saudade.
Saudade é o que divido na forma e na fé.
Quis mudar-me, não gostou d'alguma parte.
Só ama se fizer de mim outra qualquer.
Se assim ele é, sinto muito, não sou aparte.
Para gostar-me, tem que ser toda, inteira.
Já tudo sabem os sussurros dos ouvidos.
Não serei mais uma tentativa passageira.
Nos corpos, nesse jeito de amor sumido.
Frio o romance deixa beijos sem maneiras.
Não seria eu, tendo outra personalidade.
Tentar ser outra é ruim , isso me cansa.
Distanciar de mim mesma não faz sentido.
Ficam nossos os reboliços da lembrança.
Tenho de mulher e amor, só a realidade.
Não vou apagar o olhar, nem vê-lo tolhido.
Não sei amar, ferida de minhas liberdades.
Eu que pensava encontrar amado escolhido,
vejo agora só um amor de puberdade,
Portanto ele não pode ser mais querido,
Que maldade, que maldade, que maldade..
Mais uma dor e mais um homem removido,
quando a ideia exaure a cumplicidade.
O amor acaba na abstinência, no castigo;
Se já em mim não há mais felicidade,
é que endiante só seremos bons amigos.
Dizem por aí que eleições devem ser uma festa.
Parece que desfocam o olhar da questão.
Eleições, senhores, é resultado de forças adversas;
Não é carnaval, não é feriado de samba não.
Trabalho de muita luta em buscar as conquistas
manifestas dos cidadãos.
Eleições para não dançar, é não morrer na praia.
Não é micareta ou frevo com banda de caminhão.
Votar é escolher quem vai correr na sua raia.
O político é representante, não é uma profissão.
Representar diversos não é cair na gandaia
com o dinheiro de toda a população.
Vê como age a gente brasileira honesta, sensata,
amantes e amadas unidos, Formando partes de outro corpo
iramanado de todos, que é a nação.
É dia de passeata política, dia dos morros descerem pelo asfalto.
Dia do asfalto subir para os morros, para cobrar com o voto de todos.
Da mais bem de vida mulher ao homem mais roto,
o povo é quem depois paga, pela omissão ou pelos votos que deu,
se houver só serpente dentro do ovo.
Figura feminina com cabeça de flores,1937, Salvador Dali
O que as mulheres mais gostam de comer, é alma de homens.
Precisam delas, tomam-lhes a atenção.
Requerem cuidados, sem descuidos querem-nos perto.
Todo o afeto querem ao lado, qual prédiletos postados;
Sempre um macho Alfa à mão.
Como vampiras, elas não querem se ater só à carne,
querem o bruto e o líguido.
Querem o amor para alem da volúpia da hora.
Querem o suor e o sangue quente.
Querem alem, querem a calma.
Elas nos consomem, são as senhoras.
Sem calma então lançamo-nos aos rabos
que sugam e tremem e tomam.
Nos compenetros elas arrebatam os que as comem.
Elas gemem quanto aos seus lábios falamos
as coisas do sêmem.
No tempo do pós- moderno
o ocorrido é o ultrapassado.
Não é como deve ser,
um tempo dos ocupados.
Precocidade em velhice,
como uma esquisitisse,
comuna aos desempregados.
Nesses senhores, que hoje
tão jovens miram a si pesados,
galopa um tempo no outro.
Quando perece o emprego,
há precisão de coragem,
no tempo a cego arriscado.
Passada a janela e o vento,
ter que inventar o momento
nos seus próprios de dentro,
para produzir nova vida,
virada de jeito interface.
De si um novo invento.
Um homem sem ser ocupado,
tende a manter-se ativo,
cativo de seu vazio
de produtor amputado.
Não amputado de um pedaço seu,
do seu próprio corpo.
Mas amputado de sua própria valia,
onde o trabalho desaconteceu,
com um ofício morto.
Mais preocupado em reinventar os dias.
Acorda às segundas feiras,
mastiga uma semana,
namora uma fria cama,
passa o ano preocupado.
O tempo não tem retorno.
O tempo nem tem passado.
Não passaria se é tempo.
O tempo só muda de lado,
porque para o proprio tempo,
tempo nem é contado.
A hora que foi vivida,
fecha para sempre a ferida,
mas deixa o corpo marcado.
Na explosão das pedras,
Sísifo perde a montanha.
Agora sem mais alento,
sobe ao apartamento,
mergulhando no vasado.
Quando o acordar das manhãs
era sair e trabalhar,
Como acordar amanhã?
Agora a cor da manhã
é cor de espuma da praia,
para quem já não vai ao mar.
Um capitão sem navio
tem as lembranças salgadas,
na ausência da maresia,
da hora do corte a fio.
Morro do Bumba
Coberto de descaso
virou catacumba.
O lixo antigo
de tanta gente
cobre o castigo.
O poema fede
todo o chorume
que dele espele. O político agora foge.
O que é crítico
Falso amável
há que punir-se
o responsável.
Eu não sabia
è covardia
Já bem tardia.
Como contar
o que sobrou
do IDH ?
Mistura de terra e areia com cimento
e muita água, nos olhos muita água.
No saibro à peneira o febril ressentimento.
Passei a régua nessa mágoa.
O dedo em riste das horas não resiste,
desandou em rompimento dois parceiros.
Bebida nos nervos evapora, é bem triste,
o afeto perdeu seu paradeiro.
O nosso amor sem fé, ficou anêmico,
quando a dor deu o tom, um tom maior.
Nos abraços de jeito já transgênico,
nos modificamos tudo para bem pior.
Um anjo demônio, com nome de meu santo,
manipulou os fatos todos como genes.
Os sorrisos tão gostosos que eram tantos,
ficaram secos e bem poucos também.
Os nossos corpos assim modificados,
acusaram enfim o fim, o golpe.
Quando um clima de dia de finados,
se abateu na noite, dando o mote.
No romper, abriu-se o verbo incendiado,
aonde o amor sempre perde a razão.
Não estejamos nesse túmulo condenados,
arrastando as correntes da ilusão.
Vou deixar para você só um recado
no espelho, um bilhete escrito a mão.
Eu vou seguir sozinho para o meu lado,
você vai para o seu sozinha então.
A vida tatuada na pele dos fatos,
deixa nas tintas o rótulo que for.
Se antropofagia é seu predileto prato,
farofe-se em mim meu amor.
Sem nenhum recato,
pois sou seu churrasco de gato!
Liqui-pós-moderno,
à noite eu pardo,
meu nu é terno,
quente ao seu lado.
No breu de sua cor,
sou só sabor
enlambuzado.
Não aguarde nas tristezas, o que não compense.
Risque esse pretérito do caderno,
venho-lhe pênis et circencis.
Lindoneia, tudo meu já nasceu torto,
sem traumas.
Rasgue o vestido, deixe comido seu corpo,
traz calma.
Vamos fazer ventania.
Mate a descência Européia
na tropical alegria, alegria. Mergulho íntimo de apnéia.
Corpoesia sem cartógrafos,
dou-lhe os dedos e os dardos,
troquemos pois as digitais.
Em nossos corpos coreógrafos
linguas de fino trato são fatais.
É de comer e lamber o prato,
após dizer quero mais.
Mas ouça:
_Tome cuidado com os "Normais"!
Aos chacais os mimeógrafos.
Aos malditos os seus sarcófagos.
O contemporâneo ficou pobre
agora, venha, sejamos pop.
A balada é ouvir Rip-Rop.
Tope! Tope! Tope!
Huuuuuuuuuuuuuuu...
Saia da internet minha flôr!
Venha, não fique triste,
aceite o meu convite,
porque o prazer consiste
em troca de calor.
Dê um sorriso meu amor,
não inventei Reich nem Nietzsche,
mas um poeta que lhe amou.
Telma acredite
no que eu disse:
_Não sei ser Beat.