Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração.
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sábado, 20 de março de 2010
Cinco chopes e a conta(a puta me encantou)
Le cecle de amours 1880 - Rodin
Não há dor que resista ao quinto chope.
Tudo em volta ganha cores de aquarela.
Diante deles não há mulher que não bela,
nem varão valente que não a toque.
Quando então nessa hora do desejo,
a felicidade ébria de um beijo,
faz aos tímidos falarem tagarelas.
No escuro rimam corpos nus à vera
e a poesia no outro dia, se descobre.
Com a luz entre os meios da janela,
poema de rima rica ou rima pobre.
Caso o último sendo, os dois incorrem
no difícil da verdade que é dizer,
ao acordarem na manhã, ainda grogues:
Olá como vai, Quem é você?
Mas se acaso o primeiro caso ocorre,
deslizando a solidão com o prazer,
dois amantes unidos assim discorrem,
nesse mistério evidente de viver.
Então o amor onde lhes bate fica,
com o gosto bom que sói o intento.
Um ao outro cultivando uma estica
bebem o vinho doce do momento.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
O contra diz(o trago da seda)
Mondrian- Gray-it- brown 1918
O corpo contradiz
seu movimento
O movimento contradiz
o desejo
O desejo contradiz
comportamento
O comportamento contradiz
a expressão
A expressão contradiz
a linguagem
A linguagem contradiz
o pensamento
O pensamento contradiz
o silêncio
O silêncio contradiz
a opinião
A opinião contradiz
a neutralidade
A neutralidade contradiz
a consciência
A conciência contradiz
a ignorância
A ignorância contradiz
o conhecimento
O conhecimento contradiz
o iato
O iato contradiz
o impulso
O impulso contradiz
a razão
A razão contradiz
o fato
O fato contradiz
a ilusão
A ilusão contradiz
a ideia
A ideia contadiz
a inércia
A inércia contradiz
a ação
A ação contradiz
o medo
O medo contadiz
o discurso
O discurso contradiz
a atitude
A atitude contradiz
o segredo
O segredo contradiz
a paixão
A paixão contradiz
o amor
O amor não contradiz nada não
O corpo contradiz
seu movimento
O movimento contradiz
o desejo
O desejo contradiz
comportamento
O comportamento contradiz
a expressão
A expressão contradiz
a linguagem
A linguagem contradiz
o pensamento
O pensamento contradiz
o silêncio
O silêncio contradiz
a opinião
A opinião contradiz
a neutralidade
A neutralidade contradiz
a consciência
A conciência contradiz
a ignorância
A ignorância contradiz
o conhecimento
O conhecimento contradiz
o iato
O iato contradiz
o impulso
O impulso contradiz
a razão
A razão contradiz
o fato
O fato contradiz
a ilusão
A ilusão contradiz
a ideia
A ideia contadiz
a inércia
A inércia contradiz
a ação
A ação contradiz
o medo
O medo contadiz
o discurso
O discurso contradiz
a atitude
A atitude contradiz
o segredo
O segredo contradiz
a paixão
A paixão contradiz
o amor
O amor não contradiz nada não
sábado, 13 de março de 2010
Luna Bar(a puta me encantou)
A lua crava sua unha à esquerda,
nas costas do hotel Copacabana.
Eu observo seu caminho sem certezas.
Minguante minha vista abocanha
um céu, que de azul beira a leveza
do seu corpo, dormindo ali deitado,
enquanto abro as janelas da tristeza,
para que esse verso em mim seja exilado.
Com calma outra manhã põe-se à mesa,
servida como virgem ao pecado.
A madrugada tem sanha de vida,
o mar estronda espumas encorpado.
À frente outra mulher faz a avenida,
sorrindo a um sujeito abandonado.
O asfalto em silêncio aguarda as ordens,
de um trânsito já semi- acordado.
No calçadão, mercado das origens,
caminha um sonhador aposentado.
Há bêbados buscando aonde urinem
o porre lírico do anoitecer passado.
O tempo ganha assim velocidade,
mostrando-se um animal indomado.
Quem dele não dispõe de liberdade,
já passa com o pescoço contratado.
É quando o trópico ardente se repete
com seus quarenta graus de sol molhado.
Trazendo para areia as vedetes,
e os vendedores de mate bem gelado.
O dia irrompe o himem, complacente
acolhe toda a gente a todo lado.
Á tarde o já vermelho sol cansado,
procura no horizonte o seu lugar,
morrendo como um peixe arpoado.
Se é prá morrer que seja frente ao mar.
Ressurge a noite com o perfume de damas,
perfura a fama da cama de apaixonar.
Despudorada a negra vem mundana,
precipício e fênix da hora urbana,
desinibindo fauna e flora dos sacanas.
Acorda o amor na hora de namorar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Dois pontos(a puta me encantou)
Sheila Nogueira- Lua e Sol
Um homem que é da noite,
casado com a mulher do dia,
paga caro a sua sorte
por tamanha assimetria.
Posta entre a noite e a manhã
se enamora a madrugada.
Quem dela tem a alergia
ao contágio, vicio, mais-valia
nessa hora da magia,
devia estar acordada.
Pois quando seu homem chega,
com lua e estrelas nos bolsos,
nas calças o amor a rosto.
Intumescido ao gosto
da fome apaixonada.
Esconde um amor enorme.
Nessa hora ela dorme...
Ela dorme..., Ela dorme...,
E mais nada.
.
Um homem que é da noite,
casado com a mulher do dia,
paga caro a sua sorte
por tamanha assimetria.
Posta entre a noite e a manhã
se enamora a madrugada.
Quem dela tem a alergia
ao contágio, vicio, mais-valia
nessa hora da magia,
devia estar acordada.
Pois quando seu homem chega,
com lua e estrelas nos bolsos,
nas calças o amor a rosto.
Intumescido ao gosto
da fome apaixonada.
Esconde um amor enorme.
Nessa hora ela dorme...
Ela dorme..., Ela dorme...,
E mais nada.
.
quarta-feira, 3 de março de 2010
O amor embriagado(perna bamba é do samba)
Bêbabos José Malhoa-1907
Caipirinhas de sonhos
Dois chopes de ilusão
Wiskys em gelo banho
Sakê congela a razão
Magníficas amigas
Dois cognacs bons de briga
Taças de vinho à mão
Vodka junto com lima
Também pode ter limão
Doses de Gin na auto estima
Rum cubano sem embargo
Stainheguer na língua
Tequila de um belo trago
Outra Aguardente bem vinda
Bagaceira Saramago
Cevejas em neve alpina
Um kirsch de adrenalina
Em um cointreau de afagos
Goladas muito absinto
Aquavit à felina
Pisco ao dizer que minto
Cachaça de meia esquina
Genebra do meu afinco
Licor de ver as meninas
Grappa saudosa paixão
armagnac sustenido
Champagne cheia de rimas
Calvados meu coração
Mais todo remédio vindo
do boteco do arlindo
Eu trago ao pedir perdão
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Caipirinhas de sonhos
Dois chopes de ilusão
Wiskys em gelo banho
Sakê congela a razão
Magníficas amigas
Dois cognacs bons de briga
Taças de vinho à mão
Vodka junto com lima
Também pode ter limão
Doses de Gin na auto estima
Rum cubano sem embargo
Stainheguer na língua
Tequila de um belo trago
Outra Aguardente bem vinda
Bagaceira Saramago
Cevejas em neve alpina
Um kirsch de adrenalina
Em um cointreau de afagos
Goladas muito absinto
Aquavit à felina
Pisco ao dizer que minto
Cachaça de meia esquina
Genebra do meu afinco
Licor de ver as meninas
Grappa saudosa paixão
armagnac sustenido
Champagne cheia de rimas
Calvados meu coração
Mais todo remédio vindo
do boteco do arlindo
Eu trago ao pedir perdão
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Parido( o trago da seda)
A poesia da América- 1943 -Salvador Dali
.
Um poema é só um papel
O poeta é só o avião
A palavra é só o ilho
Dois ouvidos, par de trilhos
O destino é sem estação
A escrita tem um vel,
que a poesia joga no chão
Inseminada de brilho
Ganha mundo, em seu delírio
de outra significação.
Se o poema é andarilho,
desencaminha a solidão.
Rasga espaço, faz rastilho
com seus pés, segue impio.
Queima o sótão da razão.
A língua em fogo anel
traz a alucinação.
Abrindo o ventre dos sentidos,
conscientes ou escondidos,
queima a tal desilusão.
Pode ser assim ou não...
sábado, 27 de fevereiro de 2010
___________________(o trago da seda)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Razão(o trago da seda)
Self Portrait, 1937 - George Grosz
Mudei minha razão um dia,
passei a viver de emoção.
Em mim so sentido havia,
onde houvesse coração;
Mas veio o dragão dia a dia,
cotidiano padrão.
Eu que era so poesia,
já no modal não cabia,
quase virei solidão.
A solidão é um vício
de reclusão interior,
viver com ela é difícil
para quem tem no amor,
a existência de ofício,
trazida desde o início,
dentro da sua própria dor.
Predestinada razão.
Motivo, cerne, tesão,
o mais difícil é esse amor
feito de dádiva e contradição.
Um sentimento fronteiriço,
caminho minado, feitiço,
melhor vizinho da paixão.
Mudei minha razão um dia,
passei a viver de emoção.
Em mim so sentido havia,
onde houvesse coração;
Mas veio o dragão dia a dia,
cotidiano padrão.
Eu que era so poesia,
já no modal não cabia,
quase virei solidão.
A solidão é um vício
de reclusão interior,
viver com ela é difícil
para quem tem no amor,
a existência de ofício,
trazida desde o início,
dentro da sua própria dor.
Predestinada razão.
Motivo, cerne, tesão,
o mais difícil é esse amor
feito de dádiva e contradição.
Um sentimento fronteiriço,
caminho minado, feitiço,
melhor vizinho da paixão.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Neruda(o trago da seda)
Retrato de Neruda-1975-H. Carybé
O primeiro poeta que admirei foi Neruda.
Com seu chapéu de mundo,
com suas palavras de sal
e aconchego de ventanias.
Havia na sua pele queimada de salitre e cobre,
a conduta de luta na vertente da sua poesia.
Falante nos signos probos;
"Caliente"no afligir de um povo,
pura esperança empesteada de alegria.
Solidária e sólida, tamanha de natureza libertária,
pródiga voz de amor irrigada.
Sendo poeta popular tem nos versos vastidão.
Intimidades acessíveis a todos, e ao desespero da agonia.
Neruda e seus olhos sem beiras.
Vinha de palavras a serem bebidas
no cálice do nosso tempo,
trazia o mar na soleira da humana fisionomia.
O mar de sua casa de pedras, com suas portas abertas,
com as janelas escotilha miradas para lua.
Descanso de ilha negra nessas portas que abertas continuam.
Seu lugar na poesia é simples de gente, é semente de sol,
é estrelado de céu.
Uma decupagem das noites de amor,
no infinito rápido da humanidade.
Neruda de todos, fecundos das palavras suas:
Camponeses e operários, desempregados e trabalhadores,
amantes e apaixonados.
Poeta serviçal de toda gente Neruda.
Viajante e senhor de estradas, e de sonhos.
Senhor também das tristezas pátrias e de partidas tantas,
poeta do mundo e das ruas do seu Chile regenerado.
Foi quem desenhou amores, na arquitetura dos meus beijos,
no aconchego das bocas queridas de calor enamorado.
Neruda que quando foi, deixou por derradeiro aqui sua vida.
Ainda que a tenha confessado como tendo sido vivida.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Noturno l(perna bamba é do samba)
Eu que não vou à praia
venho com a pele da lua.
Trago uma noite que caiba
entre as pernas das suas.
.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Silhueta(a puta me encantou)
O silêncio é grande, enorme;
Nele se fecha tudo, nele habito;
As minhas palavras têm leme,
amarradas no liame
das ondas escondidas dos ouvidos.
Silêncio que em si resume.
Impera o adiante que cogito.
Deixa no ar o seu hálito,
transformado no hábito
de esconder um homem crítico.
O silêncio guarda as febres,
fervuras e frevos favoritos,
calor de um olhar em neve,
nesse semântico conflito.
Por temor de que se erre,
naquilo que nunca é dito,
é que o poeta escreve,
já o erro consumido.
E traz nesse verso errático
a condução de um prático
no mar carnal de sentidos.
O silêncio em mim tem seu nome
num par de olhos descritos.
Mais íntimo o silêncio some,
dentro do nosso infinito.
E some todo o incógnito
onde a amada e o homem,
assumem o expresso irrestrito.
Então a timidez morre,
quando os seus lábios incorrem
nesse sorriso bonito.
.
Nele se fecha tudo, nele habito;
As minhas palavras têm leme,
amarradas no liame
das ondas escondidas dos ouvidos.
Silêncio que em si resume.
Impera o adiante que cogito.
Deixa no ar o seu hálito,
transformado no hábito
de esconder um homem crítico.
O silêncio guarda as febres,
fervuras e frevos favoritos,
calor de um olhar em neve,
nesse semântico conflito.
Por temor de que se erre,
naquilo que nunca é dito,
é que o poeta escreve,
já o erro consumido.
E traz nesse verso errático
a condução de um prático
no mar carnal de sentidos.
O silêncio em mim tem seu nome
num par de olhos descritos.
Mais íntimo o silêncio some,
dentro do nosso infinito.
E some todo o incógnito
onde a amada e o homem,
assumem o expresso irrestrito.
Então a timidez morre,
quando os seus lábios incorrem
nesse sorriso bonito.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Romance(a puta me encantou)
Minha senhora!
Dizem meus amigos que peco por timidez.
Aonde chego, chega meu corpo primeiro.
Quem vês primeiro é ele, de batedor; Eu mesmo sou pouco ligeiro, venho depois, pois sou carregado de amor.
Tenho sentimentos em excesso, interrogações em excesso, vivo na marra, e tenho poesia na verve ordinária!
Trago depois do corpo, todas as cores da vida, pinturas de toda história nele contida; Todos os lugares, todas as doses dos bares, todos os dissabores nos copos do caos que ingeri.
Venho de tantos os abraços desatados, aonde todos os vãos da paixão viraram mormaço. Unidos pelo cansaço, todos os laços, todos os beijos devaços, desavisados e degenerados, toda desilusão safada, que sai derramada de dentro da gente e acaba ficando no relatório sentimental de tudo que foi certeza um dia.
São tatuagens invisíveis a olhos nus. Trago também lonjuras no olhar, distâncias transparentes, alem de muitas, muitas saudades sem valor.
Para não magoar tuas verdades, por isso é que ando devagar, para que ela a vida, me encarregue agora do nosso tempo; Que sei tão breve, tão físico de curvas, lânguido e líquido, lisérgico e casto de amarguras tolas.
Para que ela , a vida, traga-nos o seu grito, eu venho depois do meu corpo de granito, entornado em ato incontrito tornado leve, ao contato úmido do teu calor.
Mas minha senhora!
Como podes ver, estar com o meu corpo apenas, não é estar comigo inteiro.
De meu tens à hora só as armas do guerreiro, de meu tens um trailer de carne, e pele, e acasos. Eu mesmo não sou cotidiano nem de mim.
Ficamos assim:
Para estar comigo inteiro tens que passar da indiferença morna dos teus dias. Tens que gostar de amar na madrugada e dormir pelas manhãs. Tens que rasgar as tardes trêmulas dos teus medos. Tens que passear em segredos com o prazer pela clave incerta do poeta, esse homem deselegante de olhar palavras no que nelas há de incorreto.
Viver é mesmo assim, não tem garantias.
Viver é consumar riscos de busca à uma felicidade a saber.
É o enigma de um desejo anterior; Ao largo disso então, é que vai sugerir o nosso amor. Fora isso eu não fico, eu vou.
Dizem meus amigos que peco por timidez.
Aonde chego, chega meu corpo primeiro.
Quem vês primeiro é ele, de batedor; Eu mesmo sou pouco ligeiro, venho depois, pois sou carregado de amor.
Tenho sentimentos em excesso, interrogações em excesso, vivo na marra, e tenho poesia na verve ordinária!
Trago depois do corpo, todas as cores da vida, pinturas de toda história nele contida; Todos os lugares, todas as doses dos bares, todos os dissabores nos copos do caos que ingeri.
Venho de tantos os abraços desatados, aonde todos os vãos da paixão viraram mormaço. Unidos pelo cansaço, todos os laços, todos os beijos devaços, desavisados e degenerados, toda desilusão safada, que sai derramada de dentro da gente e acaba ficando no relatório sentimental de tudo que foi certeza um dia.
São tatuagens invisíveis a olhos nus. Trago também lonjuras no olhar, distâncias transparentes, alem de muitas, muitas saudades sem valor.
Para não magoar tuas verdades, por isso é que ando devagar, para que ela a vida, me encarregue agora do nosso tempo; Que sei tão breve, tão físico de curvas, lânguido e líquido, lisérgico e casto de amarguras tolas.
Para que ela , a vida, traga-nos o seu grito, eu venho depois do meu corpo de granito, entornado em ato incontrito tornado leve, ao contato úmido do teu calor.
Mas minha senhora!
Como podes ver, estar com o meu corpo apenas, não é estar comigo inteiro.
De meu tens à hora só as armas do guerreiro, de meu tens um trailer de carne, e pele, e acasos. Eu mesmo não sou cotidiano nem de mim.
Ficamos assim:
Para estar comigo inteiro tens que passar da indiferença morna dos teus dias. Tens que gostar de amar na madrugada e dormir pelas manhãs. Tens que rasgar as tardes trêmulas dos teus medos. Tens que passear em segredos com o prazer pela clave incerta do poeta, esse homem deselegante de olhar palavras no que nelas há de incorreto.
Viver é mesmo assim, não tem garantias.
Viver é consumar riscos de busca à uma felicidade a saber.
É o enigma de um desejo anterior; Ao largo disso então, é que vai sugerir o nosso amor. Fora isso eu não fico, eu vou.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sonhos fresquinhos(o trago da seda)
O velho empurrava um carrinho pela rua ensolarada.
O homem pagava com a própria pele no tempo, um pedágio ao sol.
Trepidando seu carrinho movido a força humana pelas pedras, o homem vendia sonhos, vendia apenas sonhos.
Sonhos feitos com as suas próprias mãos doces, sonhos gostosos, sonhos com carinho; Vendia sonhos e mais nada.
No alpendre de piso amarelo,à sombra, eu o aguardava com a naturalidade dos meus.
Tinha as papilas gustativas já acustumadas, eu comia os sonhos com o desejo açucarado.
Sonhos são para ser comidos todas as tardes.
Hoje não resisto mais menino.
O homem foi calcinado pelo sol.
Os paralepípedos ainda estão pregados lá, seguem indicando o destino a outros homens com outros sonhos.
Quanto aos meus sonhos, continuam guardados na lembrança entardecida.
São glicose na memória.
Quem não morde os seus sonhos, não conta uma história.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Angra(o trago da seda)
Reuters/ Bruno Domingos
Cai o barranco na cara dos ricos.
Cai o barraco na casa dos pobres.
Caem as pontes por sobre os rios.
Cai tanta chuva que depois escorre.
Cai o automovel numa cratera.
Cai um dilúvio sem ter paradeiro.
Cai tanta terra, mas cai tanta terra.
Cai a cidade inteira no bueiro.
Calamidade bem repetitiva.
Cai muita agua, não há quem preveja.
Caem as árvores, matas nativas.
Caem paredes e torres de igrejas.
Caem as pedras em tal desalinho.
Cai a esperança já tão caleja.
Cai e leva gente no seu caminho.
Caem mais vidas, o olhar mareja.
Cai a família em área de risco.
Cai e se sabe porque la esteja.
Cai o descaso como um cisco.
Cai o cordão do umbigo que seja.
Cai quem não quer se queixar ao bispo.
Caia de pau, parece político.
Cai se olhar pra trás, vira sal nisto.
Cai quem menos tem o ver crítico.
Cai o poeta com o seu rabisco.
Cai na real ou cai de bandeja.
Cai mas levanta se for arisco.
A natureza nem sempre nos beija.
Caem de sua boca os mil rugidos.
Buscando o que é dela aonde não esteja.
Cai temporal e alaga os sentidos.
Dizem que o bolo não é só a cereja.
Cai o barranco na cara dos ricos.
Cai o barraco na casa dos pobres.
Caem as pontes por sobre os rios.
Cai tanta chuva que depois escorre.
Cai o automovel numa cratera.
Cai um dilúvio sem ter paradeiro.
Cai tanta terra, mas cai tanta terra.
Cai a cidade inteira no bueiro.
Calamidade bem repetitiva.
Cai muita agua, não há quem preveja.
Caem as árvores, matas nativas.
Caem paredes e torres de igrejas.
Caem as pedras em tal desalinho.
Cai a esperança já tão caleja.
Cai e leva gente no seu caminho.
Caem mais vidas, o olhar mareja.
Cai a família em área de risco.
Cai e se sabe porque la esteja.
Cai o descaso como um cisco.
Cai o cordão do umbigo que seja.
Cai quem não quer se queixar ao bispo.
Caia de pau, parece político.
Cai se olhar pra trás, vira sal nisto.
Cai quem menos tem o ver crítico.
Cai o poeta com o seu rabisco.
Cai na real ou cai de bandeja.
Cai mas levanta se for arisco.
A natureza nem sempre nos beija.
Caem de sua boca os mil rugidos.
Buscando o que é dela aonde não esteja.
Cai temporal e alaga os sentidos.
Dizem que o bolo não é só a cereja.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Bilhete antrópico(o trago da seda)
O BEIJO - 1907/8 - GUSTAVE KLIMT
Amiga J.
Veja você,
Perguntam-me de supetão O que é ser poeta.
Ou indagam então de quando havera outro livro, se esta pronto, como fosse fornada de padaria, quando vou publica-lo, se o tenho escrito, e tudo mais.
Eu que escrevo somente para estar vivo, Isso é tamanho claro que pensava visivel, como conflito.
Nunca sei bem o que responder ,e assim essas perguntas ficam as vêzes como um zumbido.
Pois são os versos, são eles os atrevidos, que se livram de mim cada um a seu tempo.
Deles eu é que de fato sou fogo finito.
Cavalo de minha própria existência caótica, não escrevo para produzir livros.
Não o faço para ser lido bonito, escrevo para equilibrar os meus sentidos e os seus arrebaudes humanos;
Fora isso seria bobagem, é algo que evito.
Escrevo simplismente para ser livre. Livre de mim mesmo.
Esse é o prumo transcrito no papel, essa celulose promíscua onde entra tudo e tudo pode.
È tudo o que posso dizer.
A poesia ativa talvêz seja só uma streep-tease sintática, onde o poeta mostra a nú o menbro mais caro do corpo, a palavra falada, a vóz, a capacidade despudorada de expressão da natureza do pensamento.
Só de despudores sobrevivem os poetas.
Mas os versos não estam nas palavras, só são refletidos nelas. Os versos existem diluidos no real, pois é da realidade que surge a essência das ideias.
A filologia é a história disso, basta um olhar para ver a liberdade do inclusive Contido na dor ou no prazer, no amor ou na solidão, no abraço da união, na vertigem ou na ilusão, no tolo do indivíduo, ou na poesia do perdão, nas coisas do mundo é visão.
De resto é o que fica como consequência asfaltada em sol do verão, é o poema evaporando da chapa quente das necessidades ânimas da gente.
Os versos buscam expressar alguma rima nesse calor que já existe, uma pista que eu mesmo não sei, escondida, mais uma consciência na vida. É alimento para a estima que se tenha de viver.
O que acontece, ou algo que se reveja, o que se quer, ou um guardado que machuque por sentir saudade, é o que vale.
Isso acontece comigo sempre. Como agora, quase posso toca-la na memória, trago-a no desejo do que te escrevo em vermelho. Porque vermelho?
É a cor de um beijo.
Amiga J.
Veja você,
Perguntam-me de supetão O que é ser poeta.
Ou indagam então de quando havera outro livro, se esta pronto, como fosse fornada de padaria, quando vou publica-lo, se o tenho escrito, e tudo mais.
Eu que escrevo somente para estar vivo, Isso é tamanho claro que pensava visivel, como conflito.
Nunca sei bem o que responder ,e assim essas perguntas ficam as vêzes como um zumbido.
Pois são os versos, são eles os atrevidos, que se livram de mim cada um a seu tempo.
Deles eu é que de fato sou fogo finito.
Cavalo de minha própria existência caótica, não escrevo para produzir livros.
Não o faço para ser lido bonito, escrevo para equilibrar os meus sentidos e os seus arrebaudes humanos;
Fora isso seria bobagem, é algo que evito.
Escrevo simplismente para ser livre. Livre de mim mesmo.
Esse é o prumo transcrito no papel, essa celulose promíscua onde entra tudo e tudo pode.
È tudo o que posso dizer.
A poesia ativa talvêz seja só uma streep-tease sintática, onde o poeta mostra a nú o menbro mais caro do corpo, a palavra falada, a vóz, a capacidade despudorada de expressão da natureza do pensamento.
Só de despudores sobrevivem os poetas.
Mas os versos não estam nas palavras, só são refletidos nelas. Os versos existem diluidos no real, pois é da realidade que surge a essência das ideias.
A filologia é a história disso, basta um olhar para ver a liberdade do inclusive Contido na dor ou no prazer, no amor ou na solidão, no abraço da união, na vertigem ou na ilusão, no tolo do indivíduo, ou na poesia do perdão, nas coisas do mundo é visão.
De resto é o que fica como consequência asfaltada em sol do verão, é o poema evaporando da chapa quente das necessidades ânimas da gente.
Os versos buscam expressar alguma rima nesse calor que já existe, uma pista que eu mesmo não sei, escondida, mais uma consciência na vida. É alimento para a estima que se tenha de viver.
O que acontece, ou algo que se reveja, o que se quer, ou um guardado que machuque por sentir saudade, é o que vale.
Isso acontece comigo sempre. Como agora, quase posso toca-la na memória, trago-a no desejo do que te escrevo em vermelho. Porque vermelho?
É a cor de um beijo.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
De novo(o trago da seda)
Acho mesmo de mim, que sou um louco.
Olho para a juventude para ver o olhar do novo;
Quando ela chega velha eu acho pouco.
.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Disenteria(o trago da seda)
O bobo da corte- Diego Velasques 1644
Quem diria
Quem diria
A espetacular
Oral alergia
Verborragia
Pura gritaria
Auto-psicoterapia
Ira de irar, desvalia.
Gastronomia
Do lamentável
No momento
A servir
Pastel de vento
Sem sentimento
Ou compromisso,
quando isso tudo é só isso.
Sem nada no interior.
Sem fato de fato,
sem nenhum valor.
Soe somente reboliço,
frases no ventilador.
Perfórmance de arte destituída.
Como uma rede sem peixes,
num rio sem pescador.
A palavra corrompida.
Marra morta, combalida,
Na fúria vazia, se é show,
em um verso sem combate.
Tato que é tatibitate.
E o cão não morde nem late.
O ouro é de tolo quilate,
diverso de versos, estupor.
Quem diria nada disse
Se não disse não falou
Mais que velha e vazia
Tagarelice mais fria
Abaixo do estômago
nos intestinos do leitor
Quase asnice
Ser cretino.
Cretinice.
Cabotino.
A mesmice.
Vira hino.
De conteúdo ruim,
berro
chinfrin.
Birra.
Borra.
Barulhim
bobo,
mirim.
Uma chatice
a mais agrada
à Cleonice?
Um poeta
de pastiche
sem fim.
Ai como é horrivel
um poema previsivel,
fazendo pose de incrível.
Quem quer
disse me disse,
de um verso
basbaquisse.
Na voz
maritaca
Insiste.
Retite ai é o fim.
Ao ouvido
a patetice.
Bate estaca.
Esquisitice.
Macaco
faz macaquice,
fanfarrão
fanfarronice,
o idiota
a idiotice.
Gaiato
faz gaiatice,
maluco
faz maluquice,
paspalho
Faz paspalhice,
insano
Diz a sandice.
Esse poema tolice,
Maria com melancia.
Quem diria!
Quem diria!
Essa mera porcaria,
cheirando a disenteria,
ia chamar
Poesia.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Zé Limeira no samba(perna bamba é do samba)
Briga de galos- 1951-Djanira
Zé Limeira pediu licençaa Deus para descer do céu
disse que tinha peleja
mas foi é beber cerveja
gelada nas redondezas
do boteco do Leonel
Violeiro bacharel
Lá encontrou Tereza
bonita por natureza
mulata de cama e mesa
Rainha bem globeleza
da comuna do Borel
Vestindo mais de um anel
Zé não foi pra Paraiba
evitando mais intrigas
deu o braço à rapariga
rumou com a tal amiga
a quem chamou de pitél
De provar daquele mel
Tinha vontade inteiro
mas antes foi no Salgueiro
buscar uma agua de cheiro
ouvir o som de um pandeiro
num samba em verso fiel
O cantador menestrel
sem ser um bamba na escrita
pra moça em laço de fita
fêz poesia bonita
deixando a mulher aflita
Limeira fêz um cordel.
Ao homem da Borborema
versador de mote à hora
repique caixa e surdo
ao poéta do absurdo
num galope de entrudo
foram mostrar a escola
A noite rasgou seu vel
Com cheiro de praia Ipanema
furos de estrelas pequenas
do céu desceu lua plena
no firmamento da teima
do brilho de um papel.
Pra ver Zé Limeira cantar
de todas as cercanias
surgiram tantas Marias
o sol já paria o dia
quando o pagode insistia
seu gosto mais popular.
Martelo de baira mar
com rimas da boa aposta
foi uma pequena amostra
o samba é só prá quem gosta
levanta a saia das moças
deixando alegria no ar
Depois de ouvir o pagode
Zé Limeira deu um mote
tirado da sua cachola
Sem querer ser nada esnobe
perguntau pro rip- hop
se sabe cantar Cartola
Como num drible de bola
enquanto ninguem responde
no traficar de um bonde
O rep é o repente longe
com a postura de um conde
Limeira pega a viola
Chamando pra um desafio
A alegria foi tanta
os versos soltam gargantas
mas cantador sacripanta
com a morena se adianta
provocando disvarios
Por conta dos seus carinhos
falava com voz bem mansa
que rimou o fio da lança
com a cavidade da entrança
casando o desejo e a dança
de macho e fêmea no cio.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Verão( a puta me encantou)
O verão chegou à tarde.
Avisou-me pela janela,
usando sandálias chinelas.
Com sua pele que arde
Belas mulheres quase nuas
trafegarão suas belezas.
Com o sol delas com certeza
caminhando pelas ruas
O calor mitiga as tristezas.
No verão brilham alegrias.
Os corpos lotam as praias
como toalhas de mesa.
Então eu saio de casa
descalço de avarezas,
Sunga afeita à firmeza
Procuro chapéu prá calvo
Camisa uso sem mangas
Um pouco volto ao menino
para lavar meu destino
Busco um boteco à sombra
Postar-me onde passem tais moças.
Cumprindo um só ritual,
morenadas por igual,
queimarem-se qual terracota
No verão o sol faz o abraço
de se conter tropical,
faz estima levanta o astral.
Assim com o seu mormaço
Comum é o tempero do sal,
libertando a endorfina,
aumento de adrenalina
para ferver no carnaval.
Avisou-me pela janela,
usando sandálias chinelas.
Com sua pele que arde
Belas mulheres quase nuas
trafegarão suas belezas.
Com o sol delas com certeza
caminhando pelas ruas
O calor mitiga as tristezas.
No verão brilham alegrias.
Os corpos lotam as praias
como toalhas de mesa.
Então eu saio de casa
descalço de avarezas,
Sunga afeita à firmeza
Procuro chapéu prá calvo
Camisa uso sem mangas
Um pouco volto ao menino
para lavar meu destino
Busco um boteco à sombra
Postar-me onde passem tais moças.
Cumprindo um só ritual,
morenadas por igual,
queimarem-se qual terracota
No verão o sol faz o abraço
de se conter tropical,
faz estima levanta o astral.
Assim com o seu mormaço
Comum é o tempero do sal,
libertando a endorfina,
aumento de adrenalina
para ferver no carnaval.
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