Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 31 de outubro de 2009

Herança(perna bamba é do samba)

José Spaniol, Cadeiras

 Não se chega a Leminski,
sem trafegar em Quintana.
Um dia eu vi que Lya,
comeu dos doces de Cora.
Paulinho não é Paulinho,
Se não bebesse Cartola.
Cacaso não teria mar,
acaso não houvesse Cecília.
Até mesmo Gullar,
esse poeta  dos bons,
uma noite o ouvi falar
do apreço por Drumond.
Em todo contemporâneo,
esta a marca, a quilha.
Tem sempre um pouco do crânio,
do que o antecede na história.
A poesia desencadeia livre,
pagina após página,
o instantâneo.
O caminho é mesmo assim,
revive, comove e move seu id.
Isto é pulsão, arquivo,
depósitos da memória.

Riscos de amar VI(a puta me encantou)

                                                                                       1925 - 1930 / Lipchitz
Pierrot com Bandolim

Dói o amor não há morfina, graduação, não há unguento.
Ninguém pode avaliar nessa dor individual, seu sofrimento.
É uma dor tanto maior, quanto menor é o esquecimento.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Augustos Anjos ( a puta me encantou)

Nú em Pé - Elvira - 1918- A.Modigliani

Com o caráter que a necessidade clama,
seguem  com os olhos firmes de guerreiras.
Buscam nas ânsias do desejo, passageiras,
o bônus a lucrar na forma financeira
das saias curtas, ao despir Copacabana.

Mulheres que ganham vida com os corpos,
introjetando os desejos de outras damas,
Jésicas, Íngreds, Doris, Yasmins, Alanas,
com seus portes de aluguel, flanam ciganas,
assim chamadas nas efígies dos devotos.

São corpos belos de servis augustos anjos
a contemplar a mais ansiosa solidão,
das ambulantes circulando o calçadão,
por  poucas cédulas jogam-se ao chão
intimas peças, divulgando-se  em esbanjo.

Nesse esforço de bons serviços prestados,
produzem chamas incendiando a terceiros,
cantam proclamas dos amantes trapaceiros,
retumbam forte o som bumbo dos legueiros,
nas poucas horas de estartar apaixonados.

E nessas tardes de tão traídas esposas,
sem muito alarde caminham as poderosas.
Têm o segredo de adúlteras pétalas de rosa,
vestidas do vermelho vulto das gostosas,
nesse horário de verão das mariposas.

Fazem tão bem, sem olhar mesmo a quem,
num pegue e pague dos músculos d'alegria.
Mucosas portas abertas sem a alergia,
dos preconceitos que a própria vida procria
neste ato, alegres às vezes o são também.

Felicidade que se conta contra as horas,
tudo que finda desfaz em si os segredos,
como as fadas amantes dos arremedos.
Essas moças reproduzem seus enredos
depois apenas simplesmente vão embora.
.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Anjo da guarda(perna bamba é do samba)

Péricles

Um ser divino e bom.
Como uma cerveja gelada.
Para os boêmios veio garçom,
vestido de todo branco.
Lembrando o dia no tom.
Da noite é o anjo da guarda.

Não é um anjo qualquer,
o cargo exige a idade.
Quanto mais velho estiver
o paletó e a gravata,
é prova de autoridade.
Nele se deve por fé.

Esse guardião da noite,
nas mesas foi consagrado,
forja e senhor da corte,
dos lábios de embriagados.
Testemunha de toda sorte
de breu dos apaixonados.

Estertor que a si encera,
arriba o  sol com portas de aço,
lavando os pés dos homens,
como a dizer-lhes os passos,
diante do que já é ontem.
A rodada é última, a do abraço.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pressa(o trago da seda)

Desintegração da percistência da memória 1954
Salvador Dali


Os dias não têm pressa de passar ligeiro.
Isso é coisa dos homens que correm,
para o lugar onde o tempo é do dinheiro.

Será que lá a sensatez chega primeiro?

Poemeu(a puta me encantou)

                    
Palhaço- 1980- A. Poteiro
Que mico !
Demorei muito tempo para aprender a cair no chão,
como palhaço de circo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Lamento( a puta me encantou)

 
                  Os Amantes Desenho Bateau-Lavoir 1904 Oca-P. Picasso

Busquei em mim uma saudade
do fato, e ela não havia.
Amei seu corpo num ato
de procura da alegria.
Como quem toma um café
numa manhã de padaria.

No som agudo do trompete,
um passaro chamando o dia.
Você vestida num corpete,
menor do que lhe cabia,
fazia sexo, mas não ardia.
Tudo fazia o nexo das terapias.
Todo quase nesse momento,
Quase acontecia.

Vadiamos no cumprimento
do prazer, da liberdade.
Mas quem não sente saudade,
perdeu os espelhos de dentro.
É Por isso meu bem que na verdade,
eu lamento, eu lamento.....

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O trago da seda(o trago da seda)

 XIndependência, 1969- Di Cavalcante

Matriz, Quieto, São João,
Fallét, Fogueteiro,
Macacos e Gambá.
Pau da bandeira,
Juramento e Alemão,
Urubus, Salgueiro,
Casa Branca, Prazeres,
Tuiúti e Arará.

Reféns de quem?

São Carlos, Mangueira, Jacaré.
Jacarezinho, Muzenza, Chácara do Céu,
Santo Amaro, Mineira, Sapê
Do Zinco, Coroa, Coréia e Borel.
Cabritos, Formiga, Tabajaras,
Caniço, Pavão-Pavãozinho,
Do Castro, Baronesa e Das Araras,
Telégrafo, Rocinha, Escondidinho.

Reféns de quem?

Batan, Bispo, Fubá e Pedra Lisa
Indiana, Engenho da Rainha.
Dona Marta, Do Adeus, Camarista
Arrelia, Cruzeiro, Catrambí e  Carobinha.
Do amor, Padilha, Dendê, Curupatí
Praia da Rosa, Favela Tijuquinha,
Coqueiro, Bela vista, Vila Jurarí
Cachambí, Barro Preto e Lagoinha.

Reféns de quem?


Angú Duro, Turano,Vai quem quer,
Buraco Quente, Da Ilha, Bananal.
Chacrinha, Serinha,Querosene, Da Maré
Tavares Bastos, Carrapeto, Vidigal
Humaitá, Anil, Sossego e Sumaré
Do Galo, Do Rato, Do Urubu,
Da Bacia, Babilônia, Timbaú,
Mata Machado, Tijuáçu,

Reféns de quem?

Da Moreninha, do  Caramujo,
Chapéu Mangueira, Mandala, Do Estado,
Nova Cintra, Santa Alexandrina
São Januário, Capim, Ferreira de Araújo,
Araticum, Rato Molhado,
Mangueirinha, Maloca, Caxambú,
Cerro Corá. e Cabuçú, Borda do Mato,
Rebú, Cafubá, e Morro Azul.

Guetos fechados,
a olhos nus.
Para o Estado
Parecem pus.

Gente de origem pobre,
que tem caráter reto.
Vivendo por coragem,
a quem descaso encobre,
com muita autoridade.
Droga e legalidade.

Reféns de quem?


Tem que morar por perto
do trampo, viração,
transporte incompleto,
Te contei, Caracol e Grotão.

Nova Brasília e Frei Gaspar,
Da Alegria e do Sabão.
Cidadania, devia ter lugar,
Parque da Cidade,
morro do Cavalão.

Legalize, Porque não?

Morro da Liberdade,
Guararapes, Do Canal,
Parque Felicidade,              
Retiro, Vigário Geral.
Julio Otoni e Caxangá,
Da Cruz, Bpo e Pica-Pau,
Guaíba,  Carirí e  Changrilá,
Providência e a vila do general.


Reféns de quem?


Contra o dragão da maldade
não tem santo popular.
Legalize, legalize,
legalize já.

Reféns dos  rifles e das chacinas,
maconha, crack,
fuzil e cocaína,
juventude morta
é coisa que não rima.
Baixa escolaridade
também é assassina.

Reféns de quem?

O pente que solta bala
na cabeça da auto-estima,
também põe a pistola
nas portas e nas esquinas.

Quem não sabe a solução?
Quem vai viver para contar?
Quem atira em avião?
Quem é peão no lugar?

Se a vida não quer matar a Vintém,
só quer mostrar que respeito faz bem.
.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ofício de poeta(o trago da seda)

A Morte de Pablo Escobar-sem data- F. Botero
Nesse ofício de poeta
não há fácil nem difícil.
Juntar palavras em espaços, 
jogadas como procela,
do alto do edifício
do seu próprio precipício,
como os tiros nas favelas.

O que pensa um poeta,
é uma porta sem tramela,
uma casa sem paredes,
sem teto, só com janelas
diante do tiroteio.
O verso não tem rodeio,
a rima feio com feio
é o que faz poesia bela.

O que sente um poeta
na alma de cidadão,
é como se a palavra esteta,
com a beleza incompleta,
formasse a contradição.
Enquanto esse  estafeta
traz a mensagem certa,
por via da contramão.
.

domingo, 18 de outubro de 2009

Mudança(a puta me encantou)

Retrato de Sochsha- Lasar Segall- 1912
Mudei minha razão um dia,
passei a viver de emoção.
Em mim só sentido havia,
onde havia coração;
Mas aí veio o dia-a-dia,
cotidiano padrão.
Eu que era só poesia,
já no modal não cabia,
quase virei solidão.

A solidão é um desvario
de reclusão interior.
A convivência é difícil,
para quem tem no amor
a persistência do início,
como uma marca, um vetor,
de solstício a solstício,
como se fosse vício
dentro da sua própria dor.

sábado, 17 de outubro de 2009

Viradavida(o trago da seda)


                 
Foto-Marcel Gautherot

Vida o que é isso,
o pai que me pariu,
depois sumiu 
sem compromisso.

É mágico da vida
reproduzir seu feitiço.
Vida... vida... vida...
Enquanto ela acontece,
eu aqui so me espreguiço.

Vida... vida....vida...
Da nascente ao sumiço
parte parece o mel ,
parte padece ouriço.

No pé que pisa valsa,
tambem pisa suplício.
quem é parido sem calças,
resiliênte é no víço.

Vida... vida... vida.....
o que é isso...

O tempo contado no início,
meio, metade e fim.
Se o existir é movediço,
mede-se assim... assim....

Mede-se assim... assim...
No compasso dos seus feitos,
nada há de ser perfeito,
seja de bom ou ruim.

Um tanto é de ser abraços
o outro é de ser sozinho
só o contar desses laços
pode medir os passos
que fazem surgir caminhos.

meta de sol é sol
meta de lua é lua
metade da vida é sonho
outra metade é crua

A terra gira em seu tempo,
a vida é nele que atua.
Quem não tem medo de cama,
se não tiver quem o ama
ama quem passa na rua.

Viradavida é vida...
Vida o que é isso....
.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Você(a puta me encantou)

            Mulher nua-1984- Luiz P. Baravelli

A moça de traços finos
olhava como quem esgrima,
tinha olhos pequeninos,
no olhar tinha auto-estima.

A moça de traços finos,
tinha dois namorados,
na verdade eram meninos,
nem foram apaixonados.

A moça de traços finos,
inquieta como as artistas,
trazia olhares alpinos,
como quem olha delícias.

A moça de traços finos,
gostava de ouvir os livros,
nutria por eles mimos,
passava-lhes olhos vivos.

A moça de traços finos,
seu nome não sei dizer,
chegou como desatino,
dei-lhe o nome de você.

Você tinha pele pêssego,
cheirava a cheiro de prosa.
Era de tirar o fôlego,
na langerie cor de rosa.

Sabia que era gostosa,
você falava idiomas,
tinha o olhar de gulosa,
beleza de fogo em Roma.

você molestava o silêncio,
aguava o corpo também,
como um poema de Ascenso,
na cama logo de quem?

Sorria como um anjo,
que um dia fugiu do céu,
para gozar com esbanjo,
os prazeres de um bordel.

O vento ao ve-la nua,
bateu forte na janela,
soprou no ouvido d'árvores,
dizendo o quanto era bela.

Choveu muito, e a tarde chora,
a noite chegou quieta.
Você me disse: _ Vou embora!
levando o olhar do poeta.

Levou o corpo com os olhos.
Contente, calma e completa,
mas levou tambem recordos,
dura poesia concreta.
.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

É lis(perna bamba é do samba)


                           Estudo para retrato de moça. Caneta esferográfica sobre papel
                                        Siron Franco


O tato expõe seu corpo à minha pele,
em dedos deslisantes de verniz.
A graça do seu beijo voa garça,
no enleio da aventura de aprendiz.
O sol queimou o ceu furando nuvens,
arrasta ao ralo a tristeza matriz,
na ideia de que a vida so tem graça,
se é viva por motivo de pirraça,
na massa que compõe sua matiz.

Viver é mesmo muito parir gozo,
nas veias desse afan de ser feliz,
nem todo dia tem de ser gostoso,
e o outro apos a noite, nunca é bis.
Eu que nunca quiz ser corajoso,
covarde tambem nunca eu o quiz.
Espelho-me no mirar do seus olhos,
visão de tão efémeros esporos,
onde germina e doura a flôr- de- lis.

domingo, 11 de outubro de 2009

Pois é(a puta me encantou)

Bordel-1982- Carybé
O coração de um solitário peito,
na falta de um grande  amor,
fica repartido entre amigas do leito.

sábado, 10 de outubro de 2009

Subúrbio(a puta me encantou)

O beijo.
      Rubem Gerchman




Comeu uma língua de seda,
bebeu uma dose de Sade.
Ela então subiu ao céu,
mordeu um tanto de estrelas.

Verteu mel entre as pernas,
gemeu doce e brilhante.
Trazia os olhos de eterna,
enquanto inspirava ofegante.

Quis tudo aquilo que  fosse,
o amor tem suas veleidades.
De mim mesmo tomou posse,
seu corpo cheirava à saudade.

Tinha as nuvens do tempo
nas marcas da realidade.
Era inteira, era toda.
Era idade da loba.
Era bela mão boba.

Boque de amor cama e gozo;
era a mulher radiante.
Mas nesse seu instante todo,
Deixou  uma verdade elegante.

Tomara que de novo a tenha,
antes porem que ela vá embora,
para o distante da Vila da penha,
e eu fique  na escada da  gloria.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O trampolim(perna bamba é do samba)


Os gêmeos

Quando faltam as palavras,
mas sobram sentimentos,
fico prisioneiro de mim.
Nas  grades de ferro, os fatos,
sem conseguirem relatos,
Condenam os pensamentos.

Com um cárcere nas ideias,
as vozes desses momentos
uivam intestinas;
Lobos em alcatéia,
sem ter por onde sair.
Eu trago a tarde nos olhos,
as falas exalam poros,
de absorver existir.

Nos meus desejos de ir,
mergulho em mar de abrolhos,
querendo exilar, partir.
Então Crio o verso e o entorno
como um salto de trampolim .

Olho com olhos de ventos,
Ciclones, tufões, tormentos,
paredes de apartamentos,
lembrando-me do poeta.
Que  saltou intranquilamente,
de si próprio descontente,
na vida demais inquieta,
em todas as horas do fim.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Na fé(a puta me encantou)

Abstrato, 1984- Manabu Mabe







Da o papo, solta a língua,
manda qual o proceder.
Na disciplina da vida,
a real é o vamos ver.

Fica atento na malícia,
na moral, no apontamento,
pra não passar o momento,
da sua hora propícia.

Existir é uma inteira,
mas tem que pagar pra ver,
mesmo com desilusão,
nas paradas de sofrer.

Não da mole de bobeira,
evite a vacilação.
Gavião que é de fronteira
fica atento na missão.

O tempo, meu bom,não erra,
é fera ferindo fera,
no bonde do acontecer.
Tá ligado na guarida,
fica atento se aplica,
tá na lida, vai viver.

Ta  maneiro, então fica,
no amor a bola quica,
se tem medo mete o pé.
Vai na fé e não complica,
vê se acha a saída,
na deriva da maré.

Deixa  de onda , se liga,
vai na paz de frente siga,
sai da fila quem quiser.

Central do Brasil( perna bamba é do samba)




Grafite- Vermelhoqueimado


O trem na central tem lotação esgotada.
A porta se abriu,
Sociedade civil paga pra levar porrada.

O trem pegou fogo em Triagem
de novo
Transporte público não é bobagem

O trem de Japerí pegou fogo
de novo.
Queimou a paciência do povo

O trem queimou Saracuruna
de novo.
Pegou fogo na comuna

O trem descarrilou aonde moro
de novo
Bem pertinho lá de Deodoro

O trem do metrô também ganha fama
de novo
quebrou la na Uruguaiana

Descaso, abandono e muita tristeza
descarrilaram de novo
com mortes em Santa Tereza.

Outro descaso evidente reluz
O trem para súbito
antes de Oswaldo Cruz
.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Yang-yin(a puta me encantou)


Yin Young-2002-Dinho Fonseca


Primeiro você é amiga,
ai vem se dar para mim.
Depois então você briga,
vai embora, faz intriga,
parece até que é o fim.

Briga porque quebro barreiras,
supero preconceitos em você.
Quebrando-as, a faço inteira,
quer você queira ou não queira,
eu passo a ser um prazer.

Quando a conheço por dentro,
entro e saio, saio e entro,
reviro seu pensamento,
rasgando seu corpo jasmim.
Penetro bem nesse corte,
mas não resumo tal sorte,
a um lençol de cetim.

Não entro só no seu corpo,
gosto de invadir coração.
nessa terra, nesse horto,
germinam os sentimentos,
onde com calma e intento,
procuro  plantar emoção.

Por isso é que você volta,
E nos viramos folhetim.
Paixão não tem escolta
guardiã em terracota,
então ficamos assim.

Assim sem pé nem cabeça,
para que você não se zangue
para que você não se esqueça,
o tao é espontânea natureza,
e o ato do amor yang-yin.   
                        .
 mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

sábado, 26 de setembro de 2009

A fala estende o corpo( o trago da seda)

                         
                                                                                                Edvard Munche _ O grito



A palavra rasga a cara,
a faca da boca é a vóz.
O silêncio que te mata,
reproduz nó na garganta.
Pois tira do medo a manta.
Conta,  relaxa e canta.

A fala  afrouxa a gravata,
 liberta, humaniza, relata
o pensamento, não é algoz.
A lingua bem empregada,
na sintaxe faz passeata
do sentimentos e da razão.

Quando uma vóz a mais fala,
relata o humano instante.
Desnuda os significados,
inpacta os significantes,
num discurso coordenado,
retratando essa união.

Por isso fala !
Mas fala a palavra inteira,
não deixa que ela fique na beira,
não a perca no cadafalso
de sua própria repressão.

A palavra que pisa em falso,
vira ato falho.
como um recorte ou retalho,
que deixa faltar pedaços,
na clareza da direção.

A pessoa articulada,
sabe domar a lingua que fala,
o que não é coisa pouca.
Quem fala tem o domínio
completo do raciocínio,
exposto com lucidez de opinião

Fala, abre essa boca,
da assim liberdade à alma.
Respira e fala com calma,
que fala e corpo é um todo,
refratário á solidão.