Fotografia: Eu do tamanho- Amélia lourenço
A confiança
sempre esta
aonde a coloque
a coragem de ser
indivíduo consciente
de si mesmo
e plural no universo
de todos.
E nessa andança
faz o lugar.
Sem ter recalque,
encara o tal que
a história
há de coser.
ponta de lança
salto da dança
perseverança
com um sorriso
nos dentes.
E sem ter aviso
do improviso
dói como um ciso
abrindo espaço
na gente.
Vai simplesmente
seguindo, em frente
do eu que habita você.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração.
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sábado, 9 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
A arquibancada no circo da alma
Fotografia: Dia do Circo - Diógenes Santos
A amizade no circo da alma
tem nas mãos o riso das palmas,
o esquecimento de todo trauma,
entre a chama aclamada nos sons.
A amizade é uma troca de somas
que inflama na mesma lona,
o afeto bom e o prazer..
Unindo o picadeiro
ao solidário braseiro
da arquibancada em você,
O amigo traduz com calma
a força desse amálgama
dileto, de cuja álgebra
resulta em ser e estar com.
A amizade, se longa ou breve
ocorre no que descreve
o abraço do acontecer
deixando em cada pele
um pouco que se revele
da fraternidade do ser
sábado, 2 de novembro de 2013
Calhau ( O olhar da carranca)
Fotografia: Marcos Estrella
Com o tempo e com peito aberto, é o que penso,
com a experiência viva das datas tantas passadas,
aprende-se, assim, a identificar preconceitos;
Quando lâminas afiadas na pedra amolada do silêncio.
Rasgam a realidade, de um só jeito, disforme.
evidente no que o corte é exposto e pre-propenso.
A nudez é trajada de medo do momento
a atitude é gritante e fria, mais velada.
A desumanidade individual humana toma assento,
ou é o que dela resta, como leito seco do prévio ou do nada.
Desce o rio que corre em silencioso intento,
de quem quer se socorrer no incorrer da falha,
e sem saber, já de pronto descortina a imagem revelada.
Pintura reluzente e redundante, sempre a denunciar como um calhau o obscuro universal do particular
Com o tempo e com peito aberto, é o que penso,
com a experiência viva das datas tantas passadas,
aprende-se, assim, a identificar preconceitos;
Quando lâminas afiadas na pedra amolada do silêncio.
Rasgam a realidade, de um só jeito, disforme.
evidente no que o corte é exposto e pre-propenso.
A nudez é trajada de medo do momento
a atitude é gritante e fria, mais velada.
A desumanidade individual humana toma assento,
ou é o que dela resta, como leito seco do prévio ou do nada.
Desce o rio que corre em silencioso intento,
de quem quer se socorrer no incorrer da falha,
e sem saber, já de pronto descortina a imagem revelada.
Pintura reluzente e redundante, sempre a denunciar como um calhau o obscuro universal do particular
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Militarização e questão social ( Barril Diógenes)
Uma nova estética de protesto se instalou na sociedade brasileira.
A juventude nos aponta, nessa nova forma, uma latente revolta popular.
Os velhos instrumentos militares conservadores são insistentemente usados,
criminalizando-a, mas já não têm efeito funcional como inibidores de movimentos sociais.
O estado democrático de direito deve ser o maestro desse embate entre forças.
A polícia e a política novamente se abraçam, se é que já se desenlaçaram um dia.
O velho e o novo se chocam, são batalhões em ação e reação, o que é Liberdade?
A consistência jurídica construída como proteção dessas relações
é rompida a pedradas e a bala aonde a constituição é pequeno detalhe,
num embate entre a borracha e as pedras portuguesas do Brasil.
A vida segue seu rumo, há truculência no meio da rua, está pegando fogo.
A coisa é pública..
domingo, 13 de outubro de 2013
Bactéria doida (O olhar da carranca)
1999- Sebastião Salgado
No teto o branco, sob a sanca, o lustre,
de cuja luz vazia escorre o tempo e só.
A vida para sua atitude, plena e física,
e a realidade contaminada, é tísica,
como é o bacilo a ser derrota, o Koch.
Nesse vazio reina a bactéria doida,
reina invasiva, lerda e lesionária.
Comum aos pobres povos ela se acoita,
entre o descaso e a saúde precária.
Invasiva, deletéria tanatológica e afoita.
Sob o teto calvo do homem resta a sede,
aonde o antibiótico é de domínio público.
Essa solidão madruga e tece tais paredes,
formando as janelas qual o vão mais lúcido.
Retirando a fórceps esse intruso súbito.
Quanta introjeção, fisioterapia,
lenta solução, falta de harmonia,
de cuja vazão jaz sentido único.
Tanta é a solidão, tanta é a alopatia
tanta é expectativa de uma solução.
A jogar no chão essa tal moléstia,
muita paciência, quase tibetana.
Quando isso é tudo o quase que me resta,
trágico contágio, desvirtude urbana,
fora com essa besta bacteriana.
No teto o branco, sob a sanca, o lustre,
de cuja luz vazia escorre o tempo e só.
A vida para sua atitude, plena e física,
e a realidade contaminada, é tísica,
como é o bacilo a ser derrota, o Koch.
Nesse vazio reina a bactéria doida,
reina invasiva, lerda e lesionária.
Comum aos pobres povos ela se acoita,
entre o descaso e a saúde precária.
Invasiva, deletéria tanatológica e afoita.
Sob o teto calvo do homem resta a sede,
aonde o antibiótico é de domínio público.
Essa solidão madruga e tece tais paredes,
formando as janelas qual o vão mais lúcido.
Retirando a fórceps esse intruso súbito.
Quanta introjeção, fisioterapia,
lenta solução, falta de harmonia,
de cuja vazão jaz sentido único.
Tanta é a solidão, tanta é a alopatia
tanta é expectativa de uma solução.
A jogar no chão essa tal moléstia,
muita paciência, quase tibetana.
Quando isso é tudo o quase que me resta,
trágico contágio, desvirtude urbana,
fora com essa besta bacteriana.
terça-feira, 9 de julho de 2013
O príncipe pelado ( Barril Diógenes)
Fotografia: protestos- O Globo
Os livros que li me observam todos.
A mulher que amei já me quer ao longe.
Como Santa Teresa descarrilada de bondes,
a cidadania provoca à praça os moços.
Querem os dias felizes desprovidos de engôdos.
E tudo o que sei não passou de história,
e tudo o que sei foi costurado, na memória
do tempo de sol da sabedoria dos tolos.
Da casa sem cal, que é moradia nos morros,
descem todos para a avenida.
A cara sem sal, de decência desprovida,
dos políticos enxameia para a briga.
É o povo, muito povo, todo o povo.
Governantes querem os líderes que não são.
Eles não entendem nada dos claros recados
não entendem o que não querem,
mas os fatos gritam irados
explicitados na multidão.
Eles, os velhos mesmos, não virão para as ruas
Eles, os velhos mesmos, atordoados
não querem entender a nação.
Mesmo assim haverá mudanças.
Mesmo assim algo vai mudar, esta mudando, esta mudado.
O príncipe moderno, diversionista, esta pelado.
Os livros que li me observam todos.
A mulher que amei já me quer ao longe.
Como Santa Teresa descarrilada de bondes,
a cidadania provoca à praça os moços.
Querem os dias felizes desprovidos de engôdos.
E tudo o que sei não passou de história,
e tudo o que sei foi costurado, na memória
do tempo de sol da sabedoria dos tolos.
Da casa sem cal, que é moradia nos morros,
descem todos para a avenida.
A cara sem sal, de decência desprovida,
dos políticos enxameia para a briga.
É o povo, muito povo, todo o povo.
Governantes querem os líderes que não são.
Eles não entendem nada dos claros recados
não entendem o que não querem,
mas os fatos gritam irados
explicitados na multidão.
Eles, os velhos mesmos, não virão para as ruas
Eles, os velhos mesmos, atordoados
não querem entender a nação.
Mesmo assim haverá mudanças.
Mesmo assim algo vai mudar, esta mudando, esta mudado.
O príncipe moderno, diversionista, esta pelado.
terça-feira, 25 de junho de 2013
O analfabeto funcional ( o olhar da carranca)
O analfabeto funcional
tem sua consistência política,
quebrada na rua a pau
de forma bem pouco artística.
Maracanã sem geral ,
família sem hospital,
escola vai muito mal,
parou o trem da central,
como é que ele se explica?
O analfabeto funcional
sabe aonde a corda estica,
ficou sem plano real,
não sabe ler um jornal,
falta-lhe o fundamental,
mas bem conhece o lalau,
e quer saber como fica.
É o cenário nacional.
No que é consciência crítica,
tem gente que sabe os clássicos,
tem gente que vê Fantástico.
tem gente que é o escambau.
Com seu salário enxuto,
Sem inclusão digital,
põe fogo no matagal
e são chamados de brutos.
A classe C, alijada,
se mostra bem calejada,
na força provoca sustos
enquanto ganha merreca.
Joga as pedras das calçadas,
Vê Dólar em outra cueca,
no tanto que a PEC peca.
melando a marmelada.
No tanto que diz não sei,
desconhece a cura gay.
Ao pobre só resta a lei,
da farda ou da Milícia.
Sem ter a doce delícia,
tão sub- reptícia,
explode como seus custos.
Cansada dos três e vinte
Grita forte: É o seguinte!
Levanta-se contra o acinte
deseja um Brasil mais justo.
A multidão, como em Meca,
não quer mais corrupção.
O que ela quer é escola,
não aceita bolsa esmola,
quer ter mais educação.
Enquanto quebra a vidraça
mostra o quanto perdeu graça,
vandalizando a questão.
Desnuda mais um mistério,
quer público o ministério,
e grita com o pau na mão.
Escolhe quebrar o banco
enquanto o banco lhe quebra.
No ato que foge à regra,
o milagre perde o santo.
O povo é o bem de raiz
que reconstrói o pais.
Povo, mais povo em fúria,
um ao outo vis a vis.
Renega assim os desmandos
da politicagem espúria.
Explode em força e bando,
assim descobre o manto
social das suas penúrias.
Deixando de ser passivo,
com sua voz de gigante
todo o Brasil grita vivo,
heroico e retumbante.
Esse ato forte é ativo
entra na história e nos livros,
de forma pura e nua.
Um aviso, é um aviso, é um aviso.
É o povo tomando as ruas
exigente e importante.
É o povo, esse gigante,
é vasão, é um povo vivo.
sábado, 22 de junho de 2013
A espinha do peixe ( Barril Diógenes)
Fotografia: Manifestação em 20/06/2013 no Rio de Janeiro
Spray de pimenta
é o affair play do bope
do governador.
O povo aguenta
pelo feito imoral
do senador.
A massa esquenta,
sai da letargia, do torpor.
A revolta venta,
e varre o choque
da falta de hospital
para sua dor.
Bomba de efeito.
Esse é o grave jeito
sem doutor.
Não tendo leito,
sem educação,
sem professor.
Bala de borracha
acha o jornalista
e o cidadão.
Voa sem pista
contra a voz que grita
quero não.
Esse é o sândalo.
Eu que não sou vândalo,
passei por.
A rua canta
o que tem na garganta
e não passou.
A rua manda
nesse mar de gente seu valor;
E nessa enchente
faz Brasil corrente
meu amor.
Spray de pimenta
é o affair play do bope
do governador.
O povo aguenta
pelo feito imoral
do senador.
A massa esquenta,
sai da letargia, do torpor.
A revolta venta,
e varre o choque
da falta de hospital
para sua dor.
Bomba de efeito.
Esse é o grave jeito
sem doutor.
Não tendo leito,
sem educação,
sem professor.
Bala de borracha
acha o jornalista
e o cidadão.
Voa sem pista
contra a voz que grita
quero não.
Esse é o sândalo.
Eu que não sou vândalo,
passei por.
A rua canta
o que tem na garganta
e não passou.
A rua manda
nesse mar de gente seu valor;
E nessa enchente
faz Brasil corrente
meu amor.
sábado, 1 de junho de 2013
GPS- Para Cláudio Upiano " in memoria" ( Barril Diógenes)
Fotografia: GPS-Querubim Moreira
A literatura é a tentativa,
ou mais, é a iniciativa
de criar um procedimento
constituindo rotas
para o pensamento.
No que podemos chamar
de amplitude maior
dos passos do homem,
em um processo
de coordenadas para a vida,
na impossível retenção
da viagem humana
no tempo espaço.
Alem do limite contemporâneo
há um pré e um pós
em qualquer tópico
ou ponto ótico.
São bases, são suposições,
das afinidades históricas
e das finitudes existenciais,
nada menos e nada mais.
A literatura é a tentativa,
ou mais, é a iniciativa
de criar um procedimento
constituindo rotas
para o pensamento.
No que podemos chamar
de amplitude maior
dos passos do homem,
em um processo
de coordenadas para a vida,
na impossível retenção
da viagem humana
no tempo espaço.
Alem do limite contemporâneo
há um pré e um pós
em qualquer tópico
ou ponto ótico.
São bases, são suposições,
das afinidades históricas
e das finitudes existenciais,
nada menos e nada mais.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Transmutação ( A olhos nus)
Fotografia: Um grupo de indígenas Waurá pesca na lagoa Piyulaga,Sebastião Salgado
O tempo de esperaé uma página do amor
cuja leitura deve ser calma.
É preciso saber ler as ausências,
os silêncios e as distâncias.
Este é um tempo antena
de saudade da convivência.
Transitando à distância lado a lado:
Os sentidos sem palavras,
as medidas sem trenas,
as paisagens sem as cenas,
de um espaço delicado
restante, do que agora é apenas
a falta no que nos doí à carne.
Mas por mais que cause trauma,
por mais que faça água,
por mais que produza dor,
essa dor é um desarme
na essência a se supor.
É preciso ter paciência,
paciência, paciência,
paciência de pescador.
É preciso guardar as utopias.
É preciso agradar a alegria.
É preciso força, dínamo, vetor.
O tempo de espera é frio,
e tem o barulho de um rio
que vai passando em fio;
Como quem aguarda o momento
da natureza do brilho
do mar, que é o delírio natural
do abrir de uma flor.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Pavana ( O olhar da carranca)
Certa feita me disseram evitando o olhar:
_ O que não tem solução, solucionado está.
No desvio, na negação, no vazio, na covardia,
na ausência da inclusão a solução é se virar.
Resistência tem arrabaldes alem limites e cercanias.
A aranha que tece a teia pode se perder na ventania.
Quem quiser quebrar barreiras tem que sorrir poesia.
Se é triste o haver da morte, essa tristeza pesa no ar
E para navegar o impreciso não se pode temer o mar.
O mar tem caminhos próprios, suspensos, quando ousadia.
Na tormenta a solução sempre é manter a cabeça fria.
Pavana em Copacabana, e a gente samba para não sambar.
Quem se levanta da solidão constrói assim a sua guia.
Ser próprio na opinião tem um só condão, o da valentia.
A vida, essa grande dama, sempre nos chama, saravá!
A busca da solução vai bem mais do aonde a mão alcançar.
Se a dor tem a sua cor, também faz a arte da sinergia.
Que seja a felicidade sempre a maior parte da biografia.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
X da questão ( Perna bamba é do samba)
Fotografia: Cartola-Walter Firmo
Às vezes parece que a vida me passa
por entre os dedos abertos das mãos
A vida é vasta e parece a caça
correndo na raça em busca do em vão
O futuro é o tempo de caráter misto
de fato não passa de uma abstração
Assim também é o passado, é um rabisco,
já foi o presente e é um rastro no chão.
Às vezes não sei o que ocorre comigo
O crime e o castigo é a solidão
Se os braços dela não são mais abrigo
o que hoje me abraça é somente a razão
E sendo a razão só uma filosofia
que muda com o tempo conforme a ilusão
Não sei mais o que possa ser alegria
Nem o que fazer com o meu coração.
Sem os seus abraços as noites são frias
parecem um freezer gelando o colchão
Em toda manhã é nublado o dia
e essa saudade é o X da questão
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Catástrofe ( Barril Diógenes)
Fotografia: Refugiados Palestinos-1948
Nakba
Acaba
ou não
acaba?
É diáspora
ou intifada?
Foto: ABBAS-MOMANI/AFP -2013sábado, 11 de maio de 2013
Capiroto ( A olhos nus)
Fotografia:Vaqueiro encourado-Brasil invisível-Valdemir Cunha
Eu cuja vida já me avança
Franquiei-me em Sancho Pança
escudeiro do porque.
Eu quase assim pessoa mansa
tenho em mim a esperança
de reaver seu prazer.
Meu é o tudo que lhe tenho
mas se faltar um desenho
pinto a cor do zabelê.
Zeus esse Deus que não desdenho
é deserto jalapenho
de sonar cateretê.
Venho eu apenas e meu corpo
parte ereta, parte torto
tenho o salmo do incorreto.
Beijo o que a vida traz de perto
trago a água e o deserto.
tenho o amor a lhe fazer.
Parto do incerto em parte horto.
melhor vida que aborto
Sou bem mais do que se vê.
Eu cujo filme a censura
esconde no que esconjura
na falta do acontecer.
Sou eu apenas rosa boto
parente do capiroto
tenho o olhar que sabe ler
Sou detetive do Belotto
o que não me dizem noto
desvendando-me em você.
Eu cuja vida já me avança
Franquiei-me em Sancho Pança
escudeiro do porque.
Eu quase assim pessoa mansa
tenho em mim a esperança
de reaver seu prazer.
Meu é o tudo que lhe tenho
mas se faltar um desenho
pinto a cor do zabelê.
Zeus esse Deus que não desdenho
é deserto jalapenho
de sonar cateretê.
Venho eu apenas e meu corpo
parte ereta, parte torto
tenho o salmo do incorreto.
Beijo o que a vida traz de perto
trago a água e o deserto.
tenho o amor a lhe fazer.
Parto do incerto em parte horto.
melhor vida que aborto
Sou bem mais do que se vê.
Eu cujo filme a censura
esconde no que esconjura
na falta do acontecer.
Sou eu apenas rosa boto
parente do capiroto
tenho o olhar que sabe ler
Sou detetive do Belotto
o que não me dizem noto
desvendando-me em você.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Et cétera ( A puta me contou)
Fotografia: Vamos Andando- Manuel Oliveira
Não se preocupe tanto,
que o tempo é único,
ele é um só.
Cuide de não haver tristeza,
mas se ela houver,
que não lhe dê um nó.
Não se renda á angústia,
porque ela assusta
e vai virando dó.
Busque mais alegria,
aonde ela se cria
é que brilha o sol.
Respeite o cansaço,
ele é o abraço
da luta maior.
Abrace forte à esperança,
ela e a contradança,
do que há de melhor.
Vamos, nada será mal.
O Et cétera é o tal
é qualquer assunto.
Vamos que tudo é plural.
Se estamos juntos,
o certo é ao final.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Número Cinco ( A Puta me contou)
Fotografia: Chega de saudade- Patrícia
Durmo contigo à noite,
contigo é à noite o sonho.
Nele eu penso que ponho,
na ausência, no aceiro,
o mais penoso aloite
entre mim e o travesseiro.
Deixo que a noite me vença.
Entre ela e eu há o cansaço;
E a solidão por sentença,
brutalizada em ausência,
me faz sonhar com os afagos.
E neles eu sinto o seu cheiro,
neles com seu cheiro eu brinco.
Como se o mundo inteiro,
como eu, fosse prisioneiro
do Channel número cinco.
E antes que o sonho acabe
no reino da menor descrença,
la aonde a desavença
mostra seu corte de sabre,
o amor nos faça defensa.
Como da corte é a rainha,
o sonho é da realidade.
É no universo da saudade
que a lembrança principia,
trazendo aromaticidade.
Fazendo a diferença,
eliminando as distâncias,
nessa hora tão imensa,
qual poética licença,
que vença a felicidade.
sábado, 4 de maio de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Nós e eles ( Barril Diógenes)
Fotografia: Notícias daqui-Luciana Capiberibe
Peconhas, Limpa folhas
Angelins vermelhos, Sapos garimpeiros
Maçarandubas, Brilhos de fogo
Faveiras, Bromélias, Orquídeas
Arapaçús, Formigueiros de topete
Capitães da mata, migrante Maranhão
A floresta nata é da Nação
Uirapurus, Oiapoque
Que ninguém os toque
Façam contenção
E que os escroques
não lhes ponham mãos.
Maracujás da mata, Tracajás
Caranguejeiras gigantes
Peçonhas, serra do navio
Venenos, Jacús-Ciganos
Sucuris, Monólitos e remédios
Ouro, bio piratas, diamantes.
Nascente dos rios.
Jari, Araguari, Amapari
Corais, muitos Euro nacionais, até demais
Cigarrinhas, Macacos-prego, Ariranhas
Micos mão de ouro, Cuxiú
Fumaça do Arú, Acapu
Tumucumaque e Mandioqueiras
Estendidos nas fonteiras
Ongs Armstrongs
Louros e outros louros
E uma vila chamada Brasil
No verde setentrional do azul anil
Aqui somos todos, nós e eles.
Peconhas, Limpa folhas
Angelins vermelhos, Sapos garimpeiros
Maçarandubas, Brilhos de fogo
Faveiras, Bromélias, Orquídeas
Arapaçús, Formigueiros de topete
Capitães da mata, migrante Maranhão
A floresta nata é da Nação
Uirapurus, Oiapoque
Que ninguém os toque
Façam contenção
E que os escroques
não lhes ponham mãos.
Maracujás da mata, Tracajás
Caranguejeiras gigantes
Peçonhas, serra do navio
Venenos, Jacús-Ciganos
Sucuris, Monólitos e remédios
Ouro, bio piratas, diamantes.
Nascente dos rios.
Jari, Araguari, Amapari
Corais, muitos Euro nacionais, até demais
Cigarrinhas, Macacos-prego, Ariranhas
Micos mão de ouro, Cuxiú
Fumaça do Arú, Acapu
Tumucumaque e Mandioqueiras
Estendidos nas fonteiras
Ongs Armstrongs
Louros e outros louros
E uma vila chamada Brasil
No verde setentrional do azul anil
Aqui somos todos, nós e eles.
sábado, 27 de abril de 2013
Do seu próprio jeito ( O trago da seda)
Epigrafado de uma tradução de My way - Frank Sinatra
.
Para que serve um homem ao final do dia, para que serve um homem ao final de si, ao final do seu tempo, aonde há o laço com o que é infinito. Aonde a forma recordação abraça o eterno, e essa tinta mandala, quadriculada no imagístico gesto, veste assim a última homenagem da vida toda.
Toda ela completa do individual e de todos, do seu próprio jeito.
Os registros serão o perfume exalado da memória incorporada de histórias, das mínimas recordações desses todos.
E o agora é pensar que ele fez tudo isto, e devemos dizer que foi esse o seu jeito, agora um legado da sua trajetória única.
Sem timidez, foi esse o seu jeito. Rápido; Rápido de amor e de sorriso, rápido de choro e de lágrimas, mas também rápido das alegrias, das viagens todas nos caminhos do que há de mundo no mundo.
E tudo foi divertido, e tudo foi até onde tudo é e mais, muito mais, sem arrependimentos eu devo dizer: Do seu próprio jeito.
De pé e coragem tudo foi enfrentado no xadrez do corpo, tudo foi enfrentado por inteiro.
E agora o fim não é o fim, o fim é outra história a ser contada com as coisas sonoras da lembrança encharcada do afeto construído no sem fim, alem do tempo cronológico.
No coração esse é o desafio exposto claramente.
Meu amigo, o caso é que uma vida nunca fica completa, ela segue nos outros, nos amigos, e nos amigos dos amigos também ela se expande.
Nessa época da memória tudo se refaz nas outras formas, nesse mapa os planos são outros a cada passo, no ocorrer do atalho por fim, tenho certeza, foi esse o seu jeito.
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