Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 9 de novembro de 2013

A confiança no circo da alma

                                                                     Fotografia: Eu do tamanho- Amélia lourenço

A confiança
sempre esta
aonde a coloque
a coragem de ser
indivíduo consciente
de si mesmo
e plural no universo
de todos.

E nessa andança
faz o lugar.
Sem ter recalque,
encara o tal que
a história
há de coser.

ponta de lança
salto da dança
perseverança
com um sorriso
nos dentes.

E sem ter aviso
do improviso
dói como um ciso
abrindo espaço
na gente.

Vai simplesmente
seguindo, em frente
do eu que habita você.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

A arquibancada no circo da alma


Fotografia: Dia do Circo - Diógenes Santos

A amizade no circo da alma
tem nas mãos o riso das palmas,
o esquecimento de todo  trauma,
entre a chama aclamada nos sons.
A amizade é uma troca de somas
que inflama na mesma lona,
o afeto bom e o prazer..

Unindo o picadeiro
ao solidário braseiro
da arquibancada em você,
O amigo traduz com  calma
a força desse amálgama
dileto, de cuja álgebra
resulta em ser e estar com.

A amizade, se longa ou breve
ocorre no que descreve
o abraço do acontecer
deixando em cada pele
um pouco que se revele
da fraternidade do ser

sábado, 2 de novembro de 2013

Calhau ( O olhar da carranca)

Fotografia: Marcos Estrella

Com o tempo e com peito aberto, é o que penso,
com a experiência viva das datas tantas passadas,
aprende-se, assim, a identificar preconceitos;
Quando lâminas afiadas na pedra amolada do silêncio.

Rasgam a realidade, de um só jeito, disforme.
evidente no que o corte é exposto e pre-propenso.
A nudez é trajada de medo do momento
a atitude é gritante e  fria, mais velada.

A desumanidade individual humana toma  assento,
ou é o que dela resta, como leito seco do prévio ou do nada.
Desce o rio que corre em silencioso intento,
de quem quer se socorrer no incorrer da falha,
e sem saber, já de pronto descortina a imagem  revelada.
Pintura reluzente e  redundante, sempre a denunciar como um calhau o obscuro universal do particular 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Militarização e questão social ( Barril Diógenes)


Uma nova estética de protesto se instalou na sociedade brasileira.
A juventude nos aponta, nessa nova forma, uma latente revolta popular.
Os velhos instrumentos militares conservadores são insistentemente usados,
criminalizando-a, mas já não têm efeito funcional como inibidores de movimentos sociais.
O estado democrático de direito deve ser o maestro desse embate entre forças.
A polícia e a política novamente se abraçam, se é que já se desenlaçaram um dia.
O velho e o novo se chocam, são batalhões em ação e reação, o que é Liberdade?
A consistência jurídica construída como proteção dessas relações
é rompida a pedradas e a bala aonde a constituição é pequeno detalhe,
num embate entre a borracha e as pedras portuguesas do Brasil.
A vida segue seu rumo, há truculência no meio da rua, está pegando fogo.
A coisa é pública..

domingo, 13 de outubro de 2013

Bactéria doida (O olhar da carranca)

1999- Sebastião Salgado

No teto o branco, sob a sanca, o lustre,
de cuja luz vazia escorre o tempo e só.
A vida para sua atitude, plena e física,
e a realidade contaminada, é tísica,
como é o bacilo a ser derrota, o Koch.

Nesse vazio reina a bactéria doida,
reina invasiva, lerda e lesionária.
Comum aos pobres povos ela se acoita,
entre o descaso e a saúde precária.
Invasiva, deletéria tanatológica e afoita.

Sob o teto calvo do homem resta a sede,
aonde o antibiótico é de domínio público.
Essa solidão madruga e tece tais paredes,
formando as janelas qual o vão mais lúcido.
Retirando a fórceps esse intruso súbito.

Quanta introjeção, fisioterapia,
lenta solução, falta de harmonia,
de  cuja vazão jaz sentido único.
Tanta é a solidão, tanta é a alopatia
tanta é expectativa de uma solução.

A jogar no chão essa tal moléstia,
muita paciência, quase tibetana.
Quando isso é tudo o quase que me resta,
trágico contágio, desvirtude urbana,
fora com essa besta bacteriana.







terça-feira, 9 de julho de 2013

O príncipe pelado ( Barril Diógenes)

Fotografia: protestos- O Globo
Os livros que li me observam todos.
A mulher que amei já me quer ao longe.
Como Santa Teresa descarrilada de bondes,
a cidadania provoca à praça os moços.
Querem os dias felizes desprovidos  de engôdos.
E tudo o que sei não passou de história,
e tudo o que sei foi costurado, na memória
do tempo de sol da sabedoria dos tolos.
Da casa sem cal, que é moradia nos morros,
descem todos para a avenida.
A cara sem sal, de decência desprovida,
dos políticos enxameia para a briga.
É o povo, muito povo, todo o povo.
Governantes querem os líderes que não são.
Eles não entendem nada dos claros recados
não entendem o que não querem,
mas os fatos gritam irados
explicitados na multidão.
Eles, os velhos mesmos, não virão para as ruas
Eles, os velhos mesmos, atordoados
não querem entender a nação.
Mesmo assim haverá mudanças.
Mesmo assim algo vai mudar, esta mudando, esta mudado.
O príncipe moderno, diversionista, esta pelado.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O analfabeto funcional ( o olhar da carranca)


O analfabeto funcional
tem sua consistência política,
quebrada na rua a pau
de forma bem pouco artística.

Maracanã sem geral ,
família sem hospital,
escola vai muito mal,
parou o trem da central,
como é que ele se explica?

O analfabeto funcional
sabe aonde a corda estica,
ficou sem plano real,
não sabe ler um jornal,
falta-lhe o fundamental,
mas bem conhece o lalau,
e quer saber como fica.

É o cenário nacional.
No que é consciência crítica,
tem gente que sabe os clássicos,
tem gente que vê Fantástico.
tem gente que é o escambau.

Com seu salário enxuto,
Sem inclusão digital,
põe fogo no matagal
e são chamados de brutos.

A classe C, alijada,
se mostra bem calejada,
na força provoca sustos
enquanto ganha merreca.

Joga as pedras das calçadas,
Vê Dólar em outra cueca,
no tanto que a PEC peca.
melando a marmelada.

No tanto que diz não sei,
desconhece a cura gay.
Ao pobre só resta a lei,
da farda ou da Milícia.
Sem ter a doce delícia,
tão sub- reptícia,
explode como seus custos.

Cansada dos três e vinte
Grita forte: É o seguinte!
Levanta-se contra o acinte
deseja um Brasil mais justo.


A multidão, como em Meca,
não quer mais corrupção.
O que ela quer é escola,
não aceita bolsa esmola,
quer ter mais educação.

Enquanto quebra a vidraça
mostra o quanto perdeu graça,
vandalizando a questão.
Desnuda mais um mistério,
quer público o ministério,
e grita com o pau na mão.

Escolhe quebrar o banco
enquanto o banco lhe quebra.
No ato que foge à regra,
o milagre perde o santo.

O povo é o bem de raiz
que reconstrói o pais.
Povo, mais povo em fúria,
um ao outo vis a vis.
Renega assim os desmandos
da politicagem espúria.
Explode em força e bando,
assim descobre o manto
social das suas penúrias.

Deixando de ser passivo,
com sua voz de gigante
todo o Brasil grita vivo,
heroico e retumbante.

Esse ato forte é ativo
entra na história e nos livros,
de forma pura e nua.
Um aviso, é um aviso, é um aviso.

É o povo tomando as ruas
exigente e importante.
É o povo, esse gigante,
é vasão, é um povo vivo.

sábado, 22 de junho de 2013

A espinha do peixe ( Barril Diógenes)

Fotografia: Manifestação em 20/06/2013 no Rio de Janeiro
Spray de pimenta
é o affair play do bope
do governador.
O povo aguenta
pelo feito imoral
do senador.

A massa esquenta,
sai da letargia, do torpor.
A revolta venta,
e varre o choque
da falta de hospital
para sua dor.

Bomba de efeito.
Esse é o grave jeito
sem doutor.
Não tendo leito,
sem educação,
sem professor.

Bala de borracha
acha o jornalista
e o cidadão.
Voa sem pista
contra a voz que grita
quero não.

Esse é o sândalo.
Eu que não sou vândalo,
passei por.
A rua canta
o que tem na garganta
e não passou.

A rua manda
nesse mar de gente seu valor;
E nessa enchente
faz Brasil corrente
meu amor.

sábado, 1 de junho de 2013

GPS- Para Cláudio Upiano " in memoria" ( Barril Diógenes)

Fotografia: GPS-Querubim Moreira


A literatura é a tentativa,
ou mais, é a iniciativa
de criar um procedimento
constituindo rotas
para o pensamento.

No que podemos chamar
de amplitude maior
dos passos do homem,
em um processo
de coordenadas para a vida,
na impossível retenção
da viagem humana
no tempo espaço.

Alem do limite contemporâneo
há um pré e um pós
em qualquer tópico
ou ponto ótico.
São bases, são suposições,
das afinidades históricas
e das finitudes existenciais,
nada menos e nada mais.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Transmutação ( A olhos nus)

Fotografia:  Um grupo de indígenas Waurá pesca na lagoa Piyulaga,Sebastião Salgado
O tempo de espera
é uma página do amor
cuja leitura deve ser calma.
É preciso saber ler as ausências,
os silêncios e as distâncias.
Este é um tempo antena
de saudade da convivência.
Transitando à distância lado a lado:
Os sentidos sem palavras,
as medidas sem trenas,
as paisagens sem as cenas,
de um espaço delicado
restante, do que agora é apenas
a falta no que nos doí à carne.
Mas por mais que cause trauma,
por mais que  faça água,
por mais que produza dor,
essa dor é um desarme
na essência a se supor.
É preciso ter paciência,
paciência, paciência,
paciência de pescador.
É preciso guardar as utopias.
É preciso agradar a alegria.
É preciso força, dínamo, vetor.
O tempo de espera é frio,
e tem o barulho de um rio
que vai passando em fio;
Como quem aguarda o momento
da natureza do brilho
do mar, que é o delírio natural
do abrir de uma flor.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Pavana ( O olhar da carranca)



Certa feita me disseram evitando o olhar:
_ O que não tem solução, solucionado está.
No desvio, na negação, no vazio, na covardia,
na ausência da inclusão a solução é  se virar.
Resistência tem arrabaldes alem limites e cercanias.
A aranha que tece a teia pode se perder na ventania.

Quem quiser quebrar barreiras tem que sorrir poesia.
Se é triste o haver da morte, essa tristeza pesa no ar
E para navegar o impreciso não se pode temer o mar.
O mar tem caminhos próprios, suspensos, quando ousadia.
Na tormenta a solução sempre é manter a cabeça fria.
Pavana em Copacabana, e a gente samba para não sambar.

Quem se levanta da solidão constrói assim a sua guia.
Ser próprio na opinião tem um só condão, o da valentia.
A vida, essa grande dama, sempre nos chama, saravá!
A busca da solução vai bem mais do aonde a mão alcançar.
Se a dor tem a sua cor, também faz a arte da sinergia.
Que seja a felicidade sempre a maior parte da biografia.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

X da questão ( Perna bamba é do samba)


Fotografia: Cartola-Walter Firmo

Às vezes parece que a vida me passa
por entre os dedos abertos das mãos
A vida é vasta e parece a caça
correndo na raça  em busca do em vão
O futuro é o tempo de caráter misto
de fato não passa de uma abstração
Assim também é o passado, é um rabisco,
já foi o presente e é um rastro no chão.

Às vezes não sei o que ocorre comigo
O crime e o castigo é a solidão
Se os braços dela não são mais abrigo
o que hoje me abraça é somente a razão

E sendo a razão só uma filosofia
que muda com o tempo conforme a ilusão
Não sei mais o que possa ser alegria
Nem o que fazer com o meu coração.
Sem os seus abraços as noites são frias
parecem um freezer gelando o colchão
Em toda manhã é nublado o dia
e essa saudade é o X da questão

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Catástrofe ( Barril Diógenes)

Fotografia: Refugiados Palestinos-1948
Nakba
Acaba
ou não
acaba?
É diáspora
ou intifada?
Foto: ABBAS-MOMANI/AFP -2013

sábado, 11 de maio de 2013

Capiroto ( A olhos nus)

Fotografia:Vaqueiro encourado-Brasil invisível-Valdemir Cunha

Eu cuja vida já me avança
Franquiei-me em Sancho Pança
escudeiro do porque.
Eu quase assim pessoa mansa
tenho em mim a esperança
de reaver seu prazer.

Meu é o tudo que lhe tenho
mas se faltar um desenho
pinto a cor do zabelê.
Zeus esse Deus que não desdenho
é deserto jalapenho
de sonar cateretê.

Venho eu apenas e meu corpo
parte ereta, parte torto
tenho o salmo do incorreto.
Beijo o que a vida traz de perto
trago a água e o deserto.
tenho o amor a lhe fazer.

Parto do  incerto em parte horto.
melhor vida que aborto
Sou bem mais do que se vê.
Eu cujo filme a censura
esconde no que esconjura
na falta do acontecer.

Sou eu apenas rosa boto
parente do capiroto
tenho o olhar que sabe ler
Sou detetive do Belotto
o que não me dizem noto
desvendando-me em você.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Et cétera ( A puta me contou)


Fotografia: Vamos Andando- Manuel Oliveira


Não se preocupe tanto,
que o tempo é único,
ele é um só.
Cuide de não haver tristeza,
mas se ela houver,
que não lhe dê um nó.

Não se renda á angústia,
porque ela assusta
e vai virando dó.
Busque mais alegria,
aonde ela se cria
é que brilha o sol.

Respeite o cansaço,
ele é o abraço
da luta maior.
Abrace forte à esperança,
ela e a contradança,
do que há de melhor.

Vamos, nada será mal.
O Et cétera é o tal
é qualquer assunto.
Vamos que  tudo é plural.
Se estamos juntos,
o certo é ao final.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Número Cinco ( A Puta me contou)


Fotografia: Chega de saudade- Patrícia


Durmo contigo à noite,
contigo é à noite o sonho.
Nele eu penso que ponho,
na ausência, no aceiro,
o mais penoso aloite
entre mim e o travesseiro.

Deixo que a noite me vença.
Entre ela e eu há o cansaço;
E a solidão por sentença,
brutalizada em ausência,
me faz sonhar com os afagos.

E neles eu sinto o seu cheiro,
neles com seu cheiro eu brinco.
Como se o mundo inteiro,
como eu, fosse prisioneiro
do Channel número cinco.

E antes que o sonho acabe
no reino da menor descrença,
la aonde a desavença
mostra seu corte de sabre,
o amor nos faça defensa.

Como da corte é a rainha,
o sonho é da realidade.
É no universo da saudade
que a lembrança principia,
trazendo aromaticidade.

Fazendo a diferença,
eliminando as distâncias,
nessa hora tão imensa,
qual poética licença,
que vença a felicidade.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Moral de homem ( Perna bamba é do samba)


Pra registrar no fanzine
Só quem conhece opina
Viva Paulo Vanzoline
que deu a volta pra cima

Nós e eles ( Barril Diógenes)

Fotografia: Notícias daqui-Luciana Capiberibe

Peconhas, Limpa folhas
Angelins vermelhos, Sapos garimpeiros
Maçarandubas, Brilhos de fogo
Faveiras, Bromélias, Orquídeas
Arapaçús, Formigueiros de topete
Capitães da mata, migrante Maranhão

A floresta nata é da Nação
Uirapurus, Oiapoque
Que ninguém os toque
Façam contenção
E que os escroques
não lhes ponham mãos.

Maracujás da mata, Tracajás
Caranguejeiras gigantes
Peçonhas, serra do navio
Venenos, Jacús-Ciganos
Sucuris, Monólitos e remédios
Ouro, bio piratas, diamantes.
Nascente dos rios.

Jari, Araguari, Amapari
Corais,  muitos Euro nacionais, até demais
Cigarrinhas, Macacos-prego, Ariranhas
Micos mão de ouro, Cuxiú
Fumaça do Arú, Acapu
Tumucumaque e Mandioqueiras

Estendidos nas fonteiras
Ongs Armstrongs
Louros e outros louros
E uma vila chamada Brasil
No verde setentrional do azul anil
Aqui somos todos, nós e eles.

sábado, 27 de abril de 2013

Do seu próprio jeito ( O trago da seda)



Epigrafado de uma tradução de My way - Frank Sinatra
.
Para que serve um homem ao final do dia, para que serve um homem ao final de si, ao final do seu tempo, aonde há o laço com o que é infinito. Aonde a forma recordação abraça o eterno, e essa tinta mandala, quadriculada no imagístico gesto, veste assim a última homenagem da vida toda.
Toda ela completa do individual e de todos, do  seu próprio jeito.
Os registros serão o perfume exalado da memória incorporada de histórias, das mínimas recordações desses todos.
E o agora é pensar que ele fez tudo isto, e devemos dizer que foi esse o seu jeito, agora um legado da sua trajetória única.
Sem timidez, foi esse o seu jeito. Rápido; Rápido de amor e de sorriso, rápido de choro e de lágrimas, mas também rápido das alegrias, das viagens  todas nos caminhos do que há de mundo no mundo.
E tudo foi divertido, e tudo foi até onde tudo é e mais, muito mais, sem arrependimentos  eu devo dizer: Do seu próprio jeito.
De pé e coragem tudo foi enfrentado no xadrez do corpo, tudo foi enfrentado por inteiro.
E agora o fim não é o fim, o fim é outra história a ser contada com as coisas sonoras da lembrança encharcada do afeto construído no sem fim,  alem do tempo cronológico.
No coração esse é o desafio exposto claramente.
Meu amigo, o caso é que uma vida nunca fica completa, ela segue nos outros, nos amigos, e nos amigos  dos amigos também ela se expande.
Nessa época da memória tudo se refaz nas outras formas, nesse mapa os planos são outros a cada passo, no ocorrer do atalho por fim, tenho certeza, foi esse o seu jeito.