Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pobre e de pouca idade ( Mamulengo)

Fotografia: Clínica clandestina de aborto-André Costa
Pode parecer algo torto

estranho e até esquisito
homem falar de aborto
se é um feminino conflito

Porem sendo eu maldito,

esse tema é desconforto.
Pobres morrem, acredito,
não ocorre entre os ricos.

Se é da mulher coisa única.

No seu singular pode ser.
Mas por baixo dessa túnica
tem gente plural, pode crer.

A saúde é coisa pública.

Mulher merece viver.
Quantas delas ainda morrem,
tendo que se esconder?

Que vida há que defender?

Quando aos açougues recorrem?
Que povo é esse, e porque
esconder os fatos num totem?

Quando morre uma mulher,

morre um pouco a humanidade.
Não na fé, mas de verdade.
Pobre e de pouca idade.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mora ao lado ( Mamulengo)

Fotografia: Ninho de amor ao por do sol
O amor jamais tem forma, é sentimento.
Também não tem preço e nem mercado.
Mas nenhum amor é puro, pois é ato.
Ele acontece, independe dos ventos

Recende felicidade, aprimoramento.
O amor é dádiva ao outro presente.
No ato não tem moral, é indecente.
Amar só não resiste ao rompimento

O amor é maduro fruto no palato.
É calor do outro dentro da gente.
Se vive não há que  ser urgente.
O amor é o seu alheio delicado.

O perdão é do amor mais consagrado
Não é vazio, nem pavio dependente.
No seu fato não comove, é residente
O amor vive na gente, mas mora ao lado.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Papo reto ( A puta me contou)

Fotografia: Homem T- Rui Sousa
Não adianta sofrer,
nem amar o homem ideal.
Ele nunca irá te comer.
O homem ideal não tem pau,
entra uma ideia dentro de você!
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Acadêmica ( A puta me contou)

Fotografia: Gata- Oliveira
Para gostar de mim,
rasgue o seu diploma.
Tem que ser vadia,
tem que ser Madona.
Se é vasta a alegria,
gata, então ronrona.
Se está vazia,
encho essa cona,
com minha poesia
dura, intentona.
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sábado, 23 de outubro de 2010

Com o balançar das cadeiras ( Perna Bamba é do Samba)

Fotografia: Corpo dela e eu- Bruna
-
Quem não verá,
não saberá!
Os trejeitos nas cadeiras,
que ela sabe dar...

É remelexo de Caruru,
tempero de Vatapá.
É Rabada com Angu.
Farofa de Alguidar.
Pimenta de arder Tutu,
É doce de Araçá,
Moqueca com Urucum,
cachaça de Pau Canela.
Batuque de Olodum,
feitiço quente, panela.

Abraço de ser feliz,
no corpo de quem a quis,
cintura de tremer fundo.
É Carnaval de entrudo.
Depois de entrar com tudo
dentro da brincadeira,
ela ainda me deixa mudo,
duro, vesgo, bicudo,
com o balançar das cadeiras...
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia do poeta ( O analfabeto poético)

Fotografia: Era pra ser um dia normal- Camila Fontes

Ontem foi feriado.
Não fui a sarau,
não escrevi nada,
não li nenhum poema.
Fechei a fábrica de versos,
dei a mão pra minha namorada
e saí por aí.
Ontem eu fui normal,
ninguém nem notou,
acho que consegui!


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sonetinho para Maria.( Mamulengo)

Fotografia: Orquídea Vermelha-Maria Moreira
Maria teima em trazer um triste olhar no peito.
Desses de fim de amor, quando sobra tristeza.
Fita um desvario danado, de algo desfeito.
Dizendo que não pode amar sem uma certeza.

Maria pensa que o amor é sempre dor sobre a mesa?
Algo que não lhe valha algum outro proveito?
Espero que mude de ideia, pense outra natureza.
Venha para os meus braços reinar a melhor fraqueza.

Maria venha brincar! O amor é mesmo imperfeito!
Deixa essa tristeza pra lá, venha para a surpresa.
Às vezes para ir ao mar, um rio muda de leito.

Venha ser feliz agora, não tenha tanta rijeza
Ficar por aí sozinha, isso não é direito.
Não me faça mais esperar, faça essa fineza.
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sábado, 16 de outubro de 2010

Apenas homem ( Mamulengo)

                                                       Fotografia: O diabo saiu à rua- Francisco Fadista

.
Hoje, passando no fio da navalha,
vi o tenaz desejo e a solução.
Tinha um beijo guardado no teu sonho.
Tião medonho sou, o teu ladrão.

Diabo coxo de vinho e adrenalina,
peguei-te o sonho com as minhas mãos.
Joguei teu corpo num lagar vindima,
depois pisei com o coração.

O amor que queres é mesmo incorreto,
Algo como os que trazes na memória.
Mudo em ti os fatos, sou o incerto.
Sou eu a diferença dessa história.

Todos que amaste não me valem.
Sofrimento alheio, menos então.
Tenho na vara que te invade,
a alegria inversa da paixão.

O que importa aqui é corpo, e arde.
Negar-te ao calor, é solidão.
A minha diferença é o fio da arte.
O meu amor, por gosto, é mandrião.

Ninguém jamais te amou assim.
Nem que assim se pareça também.
Não tenho começo nem sou fim.
Apenas um homem que te faz bem.
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Lacan de lingua ( Mamulengo)

Fotografia: Entre o Purgatório e a Psicanálise- Maria Marques
Às vezes eu cismo.
Poesia e Psicanálise
vivem um lesbianismo!
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Vou pro Samba( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Ela Samba-Alexandre Pinta
Vou pro samba na esquina do pé sujo.
Vou levando a cuíca na sacola.
O pé sujo fica lá no Caramujo.
Me acompanham um tantan e uma viola.

Vou pro samba porque o samba é da hora.
Tem Arlindo, Paulinho e tem Cartola.
No Samba ponho o coração pra fora.
"Cantando eu  mando a tristeza embora."

Vou pro samba pra festejar o Cacique.
Vou tocar pra uma moça que rebola.
Quando ela samba algo em mim liga num Clik!
No repenique me anima essa senhora

Vou pro samba que o samba esta me esperando,
quando ele chama tem que ser, é sua glória.
Se eu não fosse seria homem que desiste.
Isso não existe, porque vou pro samba agora.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos mestres ( Mamulengo)

Fotografia: Cavalo Marinho do Mestre Salustiano
Mestre é o que ensina o outro
o que a si soube prover.
Mestre é o que ganha pouco,
Vira-se em oito para viver.

Mestre ilumina mentes,
rega  sementes,
faz florecer.
Mestre vive apertado,
passa o legado
para o outro crescer.

Mestre sabe a esgrima,
tem auto estima,
abnegação.
Mestre não desanima,
vai construindo o cidadão.

Mestre trabalha em casa,
criando asas
de imaginação.
Mestre que vira as noites
com tantos cadernos para correção.

Mestre é a quem devemos
a queda das vendas da escuridão.
Mestre que é ágora e templo,
dedica a esperança à nossa Nação.
.
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Gozou coração ( Mamulengo)

Fotografia: Para o meu Amor-Márcio R. de Souza

Poeminha para Jô

Essa moça chegou mansinho,
quebrou a louça dentro de mim.
Temendo que alguém nos ouça,
cantamos Lorca em Mandarim.

Essa moça tem um trejeito,
que  me fascina ao se despir.
Rebola a bunda de um jeito,
pra calça apertada poder sair.

Depois que pula na cama,
traz é uma dama de cabaré.
Fatal e de carne quente,
passa-me ao dente, essa mulher.

Essa louca fala baixinho,
diz-me carinhos de por em pé.
Depois abre os seus lábios,
todos molhados de frente e ré.

Seguro bem apertado
como um tarado as suas ancas
de jeito inusitado meto de lado
 a perna que não manca

Os nomes ditos e ouvidos,
são sustenidos, chuva de prata.
Mexem com a minha libido,
os seus gemidos de vira lata.

Veludo tem a canina,
com a boca rima capa e espada.
Depois se aninha em cima,
dançando o corpo de namorada.

Volto, desço  ainda,
aonde me acho, a nua senda.
grelo de guardar língua
só para vê-la alagar a fenda.

De mim ela engole tudo,
como charuto de degustação.
Eu nela entro bem fundo,
então pergunto, gozou coração?
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Crianças ( Mamulengo)

Fotografia: Sorriso de criança-José torres
Todo mundo é criança
Todo mundo pinta a cara
Todo mundo brinca e dança
Todo mundo da risada

Todo mundo vê palhaços
Todo mundo chuta latas
Todo mundo quer abraços
Mariola ou marmelada

Todo mundo deita e rola
Todo mundo vai à praça
Todo mundo chuta bola
Todo mundo faz pirraça

Todo mundo da beijinhos
Todo mundo acha graça
Todo mundo é novinho
Quando a novidade passa

Todo mundo quer um cheiro
Todo mundo da as mãos
Todo mundo quer brinquedo
Todo mundo é coração

Todo mundo chora medos
Quando o bicho é papão
Todo mundo tem segredos
Pra contar na escuridão

Todo mundo come o doce
Todo mundo quer prazer
Todo mundo vê gigantes
Quando para de crescer

Todo mundo fica grande
Passa anel de Bambolê
Todo mundo tem instantes
De desenhos na TV

Todo mundo vê princesas
Todo mundo lambe o prato
Todo mundo é sobremesa
Todo príncipe é sapo

Todo mundo tem estima
Todo mundo é short ou trança
Todo mundo tem esquinas
De retratar na lembrança.

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Caldinho de feijão( perna bamba é do samba)

Fotografia: Bar- José
Meu amor tenho olhos tristes agora,
de onde venho a saudade se demora.

                                       Os meus braços te desejam abraçar.

Rodei mundos de chão noites afora,
na Serrinha namorei outra senhora.

                                      A solidão enganou o meu olhar.

Meu amor se vestiu de dama fina,
maltratando um vadio de esquina.

                                      Fiz-lhe um samba bem facinho de cantar.

Ela disse esse samba não tem rima,
seu desejo, poeta, é só estima,

                                    seu abraço é de balcão de bar.

Meu amor fez um sorriso de atriz,
desdenhando  dos beijos como esfinge.

                                      Muito esnobe no mundo de quem finge.

Pôs o encontro vazado na ilusão,
foi-se  embora, de mim, porque não quis,
esse samba com feitio de raiz

                                    num torresmo no caldinho de feijão.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ciclo ( Mamulengo)

Fotografia: Espetáculo- João Chaves
Quando acordo ontem,
tenho muito trabalho.
Refazer a vida em um dia
novinho em folha,
para aguardar a memória
amanhã.
.

Para minha amiga sorrir ( Mamulengo)

Fotografia: Alegria, alegria- João Freitas
Para Helena Schilling
.

A minha amiga bonita,
de toda, é mulher beleza.
Tem nos olhos jovem brisa,
tem charme de baronesa.
Meninas de poetisa,
convívio de igual leveza.
Pois essa amiga tão linda,
cheia de vivacidade,
em si mesmo sofre ainda,
farpas de amor saudade.

Amado inconsequente,
esse sujeito insolente,
trazendo a tristeza rente
à minha nova amizade.
Se eu fosse cabo ou tenente
mandava esse delinquente
voltar-lhe a felicidade.
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A lá Bangu ( Mamulengo)

Fotografia: Bangú- Núbia Andrade
Deu no New York Times
que o nosso amor se acabou
no caminho de Anchieta,
Realengo e Jabour
de fato ele respirava
meia bomba a lá Bangú.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Propaganda enganosa ( Mamulengo)

Fotografia: propaganda- José de Almeida


Campeão do infortúnio
na ilusão do desejo,
desperdicei pecúlio
na esperança de um beijo.

Toquei fogo em gasolina,
fiquei nu de alma suja,
dei vexame na esquina,
pelo amor da dita cuja.

Pratiquei piores vícios,
Para ver se a seduzia.
Li poemas do Vinicius,
atolei-me em vaca fria.

Errei todas as cantadas,
acumulei prejuizos.
As cartas do amor são marcadas.
Meu peito não tem juizo.

De fato se preconiza,
mudar o rumo da prosa.
Do amor eu aviso amigos.
É Propaganda enganosa.

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Sobre o nada ( Mamulengo)

Fotografia: Ensaio sobre o nada João Veríssimo

Flaubert quis um livro sobre nada.
Manuel De Barros escreveu
um livro sobre o nada.
Não sobrou mais nada,
de modos que eu não tenho nada
que possa escrever aqui

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tributo ( Mamulengo)

Fotografia: Uma boa leitura-Elmo
Muito bom entrar numa livraria,
dessas que possuem um café.
Escolher dentre todos os livros,
todos disponíveis, um que
atraia a mais a atenção.
Folhear suas calmas páginas de pele
Cuidadosamente.
Decidir por aquele que o chama,
sem ter a obrigação de ler.
Entrar e se sentar.
Respirar fundo consigo,
pedir um café curto,
uma água na taça.
Dedicar-se à leitura,
mergulhar nela.
Esquecer o tempo.
Ler à vontade,
até se locupletar de suas ideias.
Mas não compra-lo em absoluto,
pois isso quebraria o encanto.
Em vez disso, devolve-lo ao seu silêncio,
com o carinho dos cúmplices,
num ritual delito da volta
ao seu lugar na estante.
Então com a plenitude abastecida,
sair com as ideias colhidas,
sem pagar nada.
Apenas por dádiva de grandeza,
um tributo à gratuidade e ao tempo.
Apenas uma resenha de humanidade.

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