Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nagôas e Guaiamuns ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Argemiro Patrocínio

O samba sem ironia, sem alguma picardia,
é café com água fria, algum amor sem tesão.
Do samba a verdade é filha como uma luz que brilha,
em forma de redondilha acessa a emoção.
Na trilha de Noel Rosa, Poeta que é pai da Vila,
outro vem é se perfila com a sua melhor roupa.
Sambar de alma dedicada, de um jeito que não recata,
é como amar na madrugada, nunca fala coisa pouca.
A rima é arma perigosa nessa canção venenosa.
Quando não calam as rosas, vem mais conscientização.
Assim a alegria entrosa, fazendo a vida mais prosa,
insinuante e gostosa, antídoto à solidão.
Legado de valentia é o  recado dessa alegria.
O samba é a fotografia do fato feito em crônicas.
A resistência sem  o recato é a barricada da folia,
Guaiamuns em suas brigas, Nagôas em fé sardônica.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

João bobo ( O olhar da carranca)

Fotografia: Pensare per Immagini - Luigi Ghirri

Mais uma vez vem a noite e me abraça;
Quente com seus braços de bruma e breu.
E a invalidez me ronda a calma, inata,
como imagem que passa, somos ela e eu.
Uma têmpora maior que três dias me exclui
de alguma alegria reflexo, no espelho.
A história está feita, ou serei eu a refazer
de novo, como fora antes, e o será.
Ainda dizem as crendices populares
que um raio nunca cai no mesmo lugar.
Tudo  que penso é que de novo não sei,
como de fato nunca me soube, num jogo.
Sou homem feito de minhas tentativas,
nenhum futuro me garante à frente por consenso.
Vencer recusas do corpo nunca foi tarefa fácil,
agora é o que me falta, é o que caminhar suspenso .
Não sei bem para onde, não sei nem como, se frágil.
Tenho que fazer o refazer da vida, não me açodo ao vento.
Às vezes tenho a impressão que há em mim, um mar todo.
A teimosia, a faísca alma, a queda de um João bobo.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Banho de mar a fantasia.( Barril Diógenes)


O dia queima a pele em violeta ultra.
A cidadania é um canhão de bala curta,
enquanto explode a plebe toda em profusão.
Refrão após refrão, e a união de vozes  se avulta,
a exigir em qualidade a vida assim menos fajuta
a erigir bem mais que a existência por devolução.
Ao militante o militar, de arma em mão letal;
Se  lançam chamas no "buzão" do carnaval,
é a união da solidão e a força bruta.
Descarrilando a solução nessa permuta,
do que se pode e o que se fode no final.

O rolezinho esbarra em mim nessa conduta,
um diz que sim, enquanto o outro já refuta
com uma desculpa meio fora do lugar.
Seguimos juntos, vozerio sem escuta,
e a disfunção permite ficar como está.
Para o evidente do caroço falta fruta.
Pois quem quiser comer angu que vá a luta.
Ao que parece, aparece um apartar.
IDH é um índice filho da puta,
é o que constrói uma pessoa mais arguta,
e a fantasia acaba em um banho de mar.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pula que é de graça! ( Barril Diógenes)




Já é hora de exercer cidadania
Já é hora, Já é tempo, Já é dia.
Minha pátria, sua pátria, pátria minha,
não quer ter somente voo de galinha.
Já senhora não quer ser só patriazinha.
Mas para tal tem que haver a ousadia.
Tem que haver maior rigor na valentia.
Sem as ruas volta tudo às vacas frias.

Já é hora dos cidadãos serem os guias.
Corrupção tem duas pontas nessa linha
e o silencio esconde a quem beneficia
Quem decide é quem exige, é realista.
Dessa força se constitui quem caminha.
Pátria nossa, pátria sua, pátria minha.

Já é hora de lutar por soluções
As cidades, as veredas, as florestas os sertões.
Todos juntos: Índios, negros e os herdeiros de Camões.
Zés, Antônios, as Marias, os Joões.
Ruas, praças, vilas, pistas, avenidas.
Só quem luta consciente faz a vida.
Pátria nossa, pátria sua, pátria minha..

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Assoalho Pélvico ( O olhar da carranca)

Fotografia: Evandro Teixeira

Para Helen, que busca dar forma ao pastelão
.
Quando o corpo em si limita,
encurta o rumo da estrada.
O comum é a vida finita,
no espaço que ela habita,
e no possível é reconquistada.
Por mais que assim seja aflita,
que a noite não seja bonita,
Há sempre um sol madrugada.

Sempre a esperança é esperada
n'alguma palavra que é dita,
diante da postura errada
perante o pó da passada,
haverá uma tal saída.
Haverá  de surgir, qual do nada,
realinhando a prumada,
uma seta que diga siga.

Como algo em que se mitiga
o percalço da jornada,
aliviando a fadiga,
reabilitando essa vida,
como prendendo a mijada.
Em  uma atitude amiga,
qual da Guiné venha figa,
com as mãos mais apropriadas.





segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Solo de cordas ( O olhar da carranca)

Guitarra de Marta
Um solo Stratocaster abre a fenda,
por onde tu passaste, e foste embora.
Na porta a realidade ainda evapora.
 E na solidão, o amor volta a ser lenda.
Qual sopro de um trompete a alma é sonora,
e o humano coração que a entenda.
Das roupas devolveste só fazendas,
ficaste com o suor de quem namora.
Assim sobrou o menor que a encomenda,
pois vá buscar quem melhor surpreenda,
na corte o rei deposto não implora.
Ao fim nada mais há que se adenda,
outra que me ensine a fazer renda,
e a mim, somente a mim, sobrou o agora.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Soneto de então, é Natal (O olhar da carranca)

Fotografia O Globo

Chegou o Natal cheio de metades.
Ele é tropical, ele é tão presente.
Luzes na cidade. e o Assis Valente?
Pediu para a gente a felicidade.

Nesse o bom Noel veio mais urgente
na velocidade virtual dos tabletes,
nos Smartphones, doces diabetes.
Tudo se consome em Shoppings emergentes.

Data universal para o Ocidente
Há o velho abraço, que una mais as partes.
Que o material seja menos comovente

E os afetos sejam mais alardes,
e que a gente seja só mais gente,
e o Natal mais solidariedade.







quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pressuposto e previsível ( Barril Diógenes)


Na boa!
Os rios da minha cidade
não são o do Fernando Pessoa.
O Rio, a minha aldeia,
ninguém sabe para onde vai.
O Tejo entra no mar em Portugal;
O Rio, a minha aldeia, é um lamaçal.
Ele pertence a menos gente,
infelizmente a coisa é feia,
e o fato já é uma tristeza modal.

Porque pertence a menos gente,
essa menos gente se alheia.
Aos outros Rios sobra o assoreamento,
muita lama e muita areia, muito lamento.

Mas os rios e o Rio são muitos assombramentos
se juntam em algum mar inteiro, em alagados alentos.
Na calamidade contínua, e também inteira, são os deslisamentos.
Sobra a falta de solução, faltam bueiros, sobram plúvios lamentos.

Tudo é desastre, tudo é banheira, desaba muito.
Tudo é o muito, é o de sempre, repete a maneira.
 Voltamos ao velho trauma, de novo ao velho assunto
E os rios calamitosos se sobrepõem ao Rio minha cidade.
Colhemos os donativos comuns ao descaso, á caridade
E ao Rio comunidade sobra então o refazer, o estar junto.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Gente (O circo da alma)


                                                               Fotografia: Bunda dos calcanhares- Charles Stuck

Diferente do senso comum,
o ato involuntário
não faz acordo nenhum.
É um  revolucionário,
e está dentro de qualquer um.
Abrigado do pensamento,
provoca á lente, faz zum.
Agente, como o vento,
foca o real do momento
como quem mostra o bumbum

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eu vou ( O olhar da carranca)

Rua Antônio Vieira no Leme

Ijexá
Afoxé
Vou rezar
Vou ter fé

Abará
Candomblé
Vou voltar
a andar

Vou correr
qual Pelé
Nas calçadas
do mar.

Vou rumar
os meus pés.
Ver o sol acordar
Ver a lua mulher
Quem viver me verá.


Como um homem qualquer.
Vou daqui
Chego la
Caminho Guarani
eu vou te caminhar.




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Zumbi dos escravos (Barril Diógenes)

Fotografia: O Globo- cais do Valongo

Consciência negra
é da cor do tiziu.
É cafuza, é mulata,
é da cor do Brasil.
Foi queimada com brasa
reduzida a servil.

Transportada em navios,
a ferros, foi mercantil.
Das senzalas pros morros
quem te vê? quem te viu?

Hoje em pontos de ônibus,
igualdade em antônimos,
e o salário caiu.
Estatística é o quanto
se esconde, no manto,
o preconceito imbecil.

Nos modernos feitores,
fardados de amores,
apartada a fuzil.
Essa pedra de toque,
lúmpen do black Block,
essa cor varonil.

Quem são eles?
Quem são elas?
Quantos serão Mandela?
Quantos Gilberto Gil?

De gravata, de chinelas,
do asfalto às favelas,
misturada e febril.

Consciência é coisa crítica,
é um saber refinado,
é atitude política,
é o Zumbi dos escravos.









segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ponto de vista (A puta me contou)

Fotografia: Rodando a Baiana- Cláudia Jaguaribe

só canta se for show
só chuta se for gol
Faz zomba do amor
só samba rock'n roll
pensa que sabe viver
mas ainda nem começou

sábado, 9 de novembro de 2013

A confiança no circo da alma

                                                                     Fotografia: Eu do tamanho- Amélia lourenço

A confiança
sempre esta
aonde a coloque
a coragem de ser
indivíduo consciente
de si mesmo
e plural no universo
de todos.

E nessa andança
faz o lugar.
Sem ter recalque,
encara o tal que
a história
há de coser.

ponta de lança
salto da dança
perseverança
com um sorriso
nos dentes.

E sem ter aviso
do improviso
dói como um ciso
abrindo espaço
na gente.

Vai simplesmente
seguindo, em frente
do eu que habita você.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

A arquibancada no circo da alma


Fotografia: Dia do Circo - Diógenes Santos

A amizade no circo da alma
tem nas mãos o riso das palmas,
o esquecimento de todo  trauma,
entre a chama aclamada nos sons.
A amizade é uma troca de somas
que inflama na mesma lona,
o afeto bom e o prazer..

Unindo o picadeiro
ao solidário braseiro
da arquibancada em você,
O amigo traduz com  calma
a força desse amálgama
dileto, de cuja álgebra
resulta em ser e estar com.

A amizade, se longa ou breve
ocorre no que descreve
o abraço do acontecer
deixando em cada pele
um pouco que se revele
da fraternidade do ser

sábado, 2 de novembro de 2013

Calhau ( O olhar da carranca)

Fotografia: Marcos Estrella

Com o tempo e com peito aberto, é o que penso,
com a experiência viva das datas tantas passadas,
aprende-se, assim, a identificar preconceitos;
Quando lâminas afiadas na pedra amolada do silêncio.

Rasgam a realidade, de um só jeito, disforme.
evidente no que o corte é exposto e pre-propenso.
A nudez é trajada de medo do momento
a atitude é gritante e  fria, mais velada.

A desumanidade individual humana toma  assento,
ou é o que dela resta, como leito seco do prévio ou do nada.
Desce o rio que corre em silencioso intento,
de quem quer se socorrer no incorrer da falha,
e sem saber, já de pronto descortina a imagem  revelada.
Pintura reluzente e  redundante, sempre a denunciar como um calhau o obscuro universal do particular 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Militarização e questão social ( Barril Diógenes)


Uma nova estética de protesto se instalou na sociedade brasileira.
A juventude nos aponta, nessa nova forma, uma latente revolta popular.
Os velhos instrumentos militares conservadores são insistentemente usados,
criminalizando-a, mas já não têm efeito funcional como inibidores de movimentos sociais.
O estado democrático de direito deve ser o maestro desse embate entre forças.
A polícia e a política novamente se abraçam, se é que já se desenlaçaram um dia.
O velho e o novo se chocam, são batalhões em ação e reação, o que é Liberdade?
A consistência jurídica construída como proteção dessas relações
é rompida a pedradas e a bala aonde a constituição é pequeno detalhe,
num embate entre a borracha e as pedras portuguesas do Brasil.
A vida segue seu rumo, há truculência no meio da rua, está pegando fogo.
A coisa é pública..

domingo, 13 de outubro de 2013

Bactéria doida (O olhar da carranca)

1999- Sebastião Salgado

No teto o branco, sob a sanca, o lustre,
de cuja luz vazia escorre o tempo e só.
A vida para sua atitude, plena e física,
e a realidade contaminada, é tísica,
como é o bacilo a ser derrota, o Koch.

Nesse vazio reina a bactéria doida,
reina invasiva, lerda e lesionária.
Comum aos pobres povos ela se acoita,
entre o descaso e a saúde precária.
Invasiva, deletéria tanatológica e afoita.

Sob o teto calvo do homem resta a sede,
aonde o antibiótico é de domínio público.
Essa solidão madruga e tece tais paredes,
formando as janelas qual o vão mais lúcido.
Retirando a fórceps esse intruso súbito.

Quanta introjeção, fisioterapia,
lenta solução, falta de harmonia,
de  cuja vazão jaz sentido único.
Tanta é a solidão, tanta é a alopatia
tanta é expectativa de uma solução.

A jogar no chão essa tal moléstia,
muita paciência, quase tibetana.
Quando isso é tudo o quase que me resta,
trágico contágio, desvirtude urbana,
fora com essa besta bacteriana.







terça-feira, 9 de julho de 2013

O príncipe pelado ( Barril Diógenes)

Fotografia: protestos- O Globo
Os livros que li me observam todos.
A mulher que amei já me quer ao longe.
Como Santa Teresa descarrilada de bondes,
a cidadania provoca à praça os moços.
Querem os dias felizes desprovidos  de engôdos.
E tudo o que sei não passou de história,
e tudo o que sei foi costurado, na memória
do tempo de sol da sabedoria dos tolos.
Da casa sem cal, que é moradia nos morros,
descem todos para a avenida.
A cara sem sal, de decência desprovida,
dos políticos enxameia para a briga.
É o povo, muito povo, todo o povo.
Governantes querem os líderes que não são.
Eles não entendem nada dos claros recados
não entendem o que não querem,
mas os fatos gritam irados
explicitados na multidão.
Eles, os velhos mesmos, não virão para as ruas
Eles, os velhos mesmos, atordoados
não querem entender a nação.
Mesmo assim haverá mudanças.
Mesmo assim algo vai mudar, esta mudando, esta mudado.
O príncipe moderno, diversionista, esta pelado.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O analfabeto funcional ( o olhar da carranca)


O analfabeto funcional
tem sua consistência política,
quebrada na rua a pau
de forma bem pouco artística.

Maracanã sem geral ,
família sem hospital,
escola vai muito mal,
parou o trem da central,
como é que ele se explica?

O analfabeto funcional
sabe aonde a corda estica,
ficou sem plano real,
não sabe ler um jornal,
falta-lhe o fundamental,
mas bem conhece o lalau,
e quer saber como fica.

É o cenário nacional.
No que é consciência crítica,
tem gente que sabe os clássicos,
tem gente que vê Fantástico.
tem gente que é o escambau.

Com seu salário enxuto,
Sem inclusão digital,
põe fogo no matagal
e são chamados de brutos.

A classe C, alijada,
se mostra bem calejada,
na força provoca sustos
enquanto ganha merreca.

Joga as pedras das calçadas,
Vê Dólar em outra cueca,
no tanto que a PEC peca.
melando a marmelada.

No tanto que diz não sei,
desconhece a cura gay.
Ao pobre só resta a lei,
da farda ou da Milícia.
Sem ter a doce delícia,
tão sub- reptícia,
explode como seus custos.

Cansada dos três e vinte
Grita forte: É o seguinte!
Levanta-se contra o acinte
deseja um Brasil mais justo.


A multidão, como em Meca,
não quer mais corrupção.
O que ela quer é escola,
não aceita bolsa esmola,
quer ter mais educação.

Enquanto quebra a vidraça
mostra o quanto perdeu graça,
vandalizando a questão.
Desnuda mais um mistério,
quer público o ministério,
e grita com o pau na mão.

Escolhe quebrar o banco
enquanto o banco lhe quebra.
No ato que foge à regra,
o milagre perde o santo.

O povo é o bem de raiz
que reconstrói o pais.
Povo, mais povo em fúria,
um ao outo vis a vis.
Renega assim os desmandos
da politicagem espúria.
Explode em força e bando,
assim descobre o manto
social das suas penúrias.

Deixando de ser passivo,
com sua voz de gigante
todo o Brasil grita vivo,
heroico e retumbante.

Esse ato forte é ativo
entra na história e nos livros,
de forma pura e nua.
Um aviso, é um aviso, é um aviso.

É o povo tomando as ruas
exigente e importante.
É o povo, esse gigante,
é vasão, é um povo vivo.

sábado, 22 de junho de 2013

A espinha do peixe ( Barril Diógenes)

Fotografia: Manifestação em 20/06/2013 no Rio de Janeiro
Spray de pimenta
é o affair play do bope
do governador.
O povo aguenta
pelo feito imoral
do senador.

A massa esquenta,
sai da letargia, do torpor.
A revolta venta,
e varre o choque
da falta de hospital
para sua dor.

Bomba de efeito.
Esse é o grave jeito
sem doutor.
Não tendo leito,
sem educação,
sem professor.

Bala de borracha
acha o jornalista
e o cidadão.
Voa sem pista
contra a voz que grita
quero não.

Esse é o sândalo.
Eu que não sou vândalo,
passei por.
A rua canta
o que tem na garganta
e não passou.

A rua manda
nesse mar de gente seu valor;
E nessa enchente
faz Brasil corrente
meu amor.