Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração.
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Cachaça ( O olhar da carranca)
Tenho que reagir a meus desgovernos
Organizar a solução já por princípio
Desgovernos se agarram como os vícios,
instalados em nossos recantos ermos
Nesses termos se parecem precipícios
Desses pontos não se chega a bom termo
Perco o tempo nesse fato desperdício
Com sequelas de fundo até creditício,
Vendo a vida sobre a ótica de um enfermo.
Devo achar comigo nisso um armistício
Parar de brigar eu comigo mesmo
Escrever é agora o meu ofício
Meu abrigo, cachaça boa, torresmo
Em cada verso ponho a palavra difícil,
nos caminhos das linguagem como sesmo
Um poema foge do meu hospício,
occipício de um louco vitalício,
aonde as rimas escapulem sempre a esmo
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Barbitúrico ( O olhar da carranca)
O mundo muda todo dia a cada minuto, a cada hora.
Deste universo real eu tenho um lugar, não sou o único.
Sofro o custo fatal de cada dose bebida em ácido úrico.
Tudo que escrevo, apenas poucos leem, embora público.
Assim palavra é pensamento na sua forma mais sonora.
Quando escrita pode servir como saudável barbitúrico.
Para vazar aquilo que no verso é a vida que evapora.
Assim servida em prato quente, sai ao dente e vai embora.
Enquanto minha alma ri, no dedão do pé, a calma chora.
A poesia vem comum, sério evento em um tato lúdico.
sábado, 29 de outubro de 2011
Dia D Drummond ( Banguelê)
Fotografia:Carlos Drummond de Andrade- Arquivo A/Estadão

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Carlos caminhava quieto com suas lembranças minerais

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Carlos caminhava quieto com suas lembranças minerais
Fazia do seu tempo as crónicas publicas como pérolas
do niilismo latente colhera boas lembranças às malévolas
Desde criança vivera custos de insubordinações mentais
Deste adulto se via sustos como mistura varietal
Assim se passou na vida sem as firulas de academia
frustrou seu anonimato com sua própria caligrafia
Seus escritos fizeram cura à fissura que lhe era um mal
Teve a palavra certa como uma seta, rumo à ironia
Cultuou a fisionomia que traduziria na flor de um povo
Como o ovo da serpente contra corrente do estado novo
Esse velho arquivista grafou as pistas do que viria.
Poeta preso à vida, essa avenida de tão mãos dadas
Mago no seu silêncio onde engendrou solidariedade
Vivo em Copacabana habita o mar que escreve a cidade
Sem dizer dos suspiros que estão contidos na madrugada
Mesmo sendo o Andrade silêncio claustro de um diamante
Deus lhe deu diabruras nas aventuras dos santos dias
Fez em auto retrato a caricatura, a fotografia
Carlos amou calado todos pecados de um amante
Língua a lamber pétalas, rosas abertas, as comestíveis
Fora seguindo em frente como um José sem saber para onde
tendo uma pedra aos pés traçou como fé um olhar nos bondes
ponte de tontas pernas ficam eternas por serem criveis
Com jeito quase candura essa criatura de olhar interno
teve em tal atitude maior virtude, o melhor disfarce
Feitio nessas medidas pós num poema de sete faces
Um corte à modernidade para modelo dos próprios ternos
Ganha então Drummond um dia de seu com direito a doce
Hoje de sua mina tudo é útil e nada a mais sobra
Hoje de sua mina tudo é útil e nada a mais sobra
Data que por estima se comemora o autor da obra
Trinta e um de Outubro já se destina á vida de um Gauche
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Relógio de sol- ll ( Banguelê)
As vasilhas sobre a pia
Um céu azul sobre o dia
Um terremoto na Turquia
Um santo que desconfia
Minha tristeza se alia
à tristeza de Maria
A vida é sem simetria
Sem meia bilheteria
Cultura tem alergia.
Ao som de Alegria, Alegria
Perdi o que não teria
na última ventania
A palavra poesia
veste muitas caligrafias
para despir ideologia
ONU é nula, é letargia
Por questão de entropia
vai sempre ser a titia
O homem aumenta a cria
Sete bilhões de antropogenias
Na próxima Segunda, você Sabia?
Em Brasília
Em Brasília
Pip...Pip...Pip...Dezenove horas e cinquenta minutos.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Leveza no circo da alma
Fotografia:A insustentável leveza - Sammy Monteiro
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A leveza é incomum ao hábito
Também ela não se aparenta à beleza
não tem perfume e nem hálito
Suas janelas estão distantes da avareza
Nunca se suporta como algo tácito
È uma forma flúida por natureza
Não significa descompromisso,
nem desafeto, nem anarquismo,
posto que só se firma na certeza.
Somente a leveza vive daquilo
que sua falta de peso faz resistência no piso.
Leve plana no ar, qual plano pleno de aviso.
Leve plana no ar, qual plano pleno de aviso.
Leveda em um jeito de ser, não é estilo.
Prima pela tranquilidade da clareza.
Estima a atenção, não é cochilo.
Tão pouco é uma desatenção, nem um vacilo.
Tão pouco é uma desatenção, nem um vacilo.
Princípio dativo da correnteza de um amor vivo.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Poetododia ( O analfabeto poético)
Fotografia:O poeta da terra e do mar- Francisco Figueiredo
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Para ser poeta a gente
Tem que ter sangue quente.
Tem que ser eloquente
Ter a bala no pente
Para ser poeta tente
Ser alguém diferente
Ter palavra aparente
Ser assim simplesmente
Para ser poeta invente
Veja com outra lente
Com olhar abrangente
Sendo assim vá em frente
O poeta é vidente
Quando vê o evidente
O comum recorrente
Não mais que de repente.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Tá chovendo Hambúrguer (Beco da fome)
Fotografia: Fast-food/ Joana
A cidade decide lá fora seus destinos
Os seus perigos urbanos comoventes
sobra aos ombros dos homens, o mundo
Sobre o mundo dos homens, os meninos
Reproduzem seus destinos salientes
Dos sorrisos encandecestes,dois caninos
Nos embrolhos o olhar vê em segundos
Cobra a lei de olho a olho dente a dente.
Há quem tenha por conta e dom divino
Um terreno fértil e bem fecundo
JÁ Prevendo contar contas corrente
A cidade é de sangue e tem taninos
Dizem que assim se vai à frente
Quanto mais se parecer um prato fino
Sobre o qual só quem come é pouca gente
No sabor dos tais motivos oriundos.
A cidade assim, a mim, me faz cansado
Ela é um templo erguido à multidão
Tanta gente correndo a tantos lados
Tanta gente quer a sua solução
Cada um por si é só ,e vai tão ausente
Construindo essa tal própria virtude
Nas calçadas passam múltiplos contentes
Mas a cada um o que sobra é um Fast-Food.
Lábia ( o olhar da carranca)
Fotografia: Com que palavras- Óscar V. de Figueiredo
A palavra encantada é a que ainda falta ao poeta,
como a orquídea falseando a morte quando não floresce.
No olhar desavisado não se vê a resistência tão quieta,
quando se furta no vago da memória de forma encoberta.
É a fala gestando seus fatos na barriga da noite aberta.
Sem palavras não há poema, como não há Deus sem prece;
Sem poesia a vida pena, adia a festa assim insurreta.
A explicação de um verso está no que dele se introjeta.
Da noite restam só os rastros de fadiga na porta incerta.
O poema passa ausente quando se cala no que dele houvesse.
Foge nessa porta dos fundos como um amor em desenlace.
Cabe ao poeta a busca no que o disfere a alegação doentia.
Qual a palavra que falta, a dar ao verso nova fisionomia,
quando na folha de rosto expressa seu gosto ou sua atrofia.
Como um diálogo louco que refaz aos poucos a nua interface
Para encontrar o a dizer, o poeta ousa em recurso rimar.
O dia rasga seus fardos na barricada bruta dessa luta alerta.
O poeta lança seus dardos e forma falanges que a norma deleta.
O Rep, o repente é a roupa nova da fala semi-analfabeta
Se a palavra fosse minha eu a usava, eu mandava labiar.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Sem baba ( Beco da fome)
Hoje teremos frango com quiabo
Para quem não quer pecar pela gula
Isso é um perigoso beijo do diabo
Depois não se preocupe com a cintura
Deixe o regime um pouco de lado
O prazer da boca é a descompostura
Angu mineiro é demônio com ternura
Para os estômagos apaixonados
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Heróis da resistência ( O olhar da carranca)
Fotografia- Olhar- Caco Alves
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O que é de dentro da gente demora uma vida para ir embora,
como coisa pertinente, se fixa solidária, mas isso é outra história.
Pode ter cheiro, perfume, odor, aroma ou até fragrância.
O que sobra de nós, mesmo assim, as vezes é uma deselegância.
São coisas de dentro, das víceras da alma, traços de nossa tragetória.
Marcas que queremos que desçam, que vão para longe, para fora.
Esperamos que caiam para sempre no ralo sanitário do esquecimento.
Mas ficam, ficam grudadas em nossas paredes duras de louça,
como a pedir clemência, e que de alguma forma alguém as ouça.
Coisas agrupadas vindas do interno, agarradas como nódoas concretas, cimento.
Por mais que as lavemos, joguemos agua, não passam, não morrem, não evaporam.
São coisas intimas que sempre engolimos vida afora; Com ou sem conhecimento.
Elas resistem ao ponto de aborrecer, ou mesmo de nos dar muito, muito trabalho.
Expostas como descartes involuntários, cartas sobradas de um jogo, como lixo do baralho sobre a mesa. Essas coisas ficam sempre retornando vorazes, incômodas, contidas.
Não querem ser exiladas do corpo de nossa existência privada.
Comuns às lembranças de alimentos, são os pratos da infância.
Elas permeiam a memória, como arquivos girando por pura implicância.
São as sobras de tudo dentro da gente, quando resistem a serem nada.
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O que é de dentro da gente demora uma vida para ir embora,
como coisa pertinente, se fixa solidária, mas isso é outra história.
Pode ter cheiro, perfume, odor, aroma ou até fragrância.
O que sobra de nós, mesmo assim, as vezes é uma deselegância.
São coisas de dentro, das víceras da alma, traços de nossa tragetória.
Marcas que queremos que desçam, que vão para longe, para fora.
Esperamos que caiam para sempre no ralo sanitário do esquecimento.
Mas ficam, ficam grudadas em nossas paredes duras de louça,
como a pedir clemência, e que de alguma forma alguém as ouça.
Coisas agrupadas vindas do interno, agarradas como nódoas concretas, cimento.
Por mais que as lavemos, joguemos agua, não passam, não morrem, não evaporam.
São coisas intimas que sempre engolimos vida afora; Com ou sem conhecimento.
Elas resistem ao ponto de aborrecer, ou mesmo de nos dar muito, muito trabalho.
Expostas como descartes involuntários, cartas sobradas de um jogo, como lixo do baralho sobre a mesa. Essas coisas ficam sempre retornando vorazes, incômodas, contidas.
Não querem ser exiladas do corpo de nossa existência privada.
Comuns às lembranças de alimentos, são os pratos da infância.
Elas permeiam a memória, como arquivos girando por pura implicância.
São as sobras de tudo dentro da gente, quando resistem a serem nada.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Crianças II ( Mamulengo)
Fotografia: Sem infância- Ruy Manuel machado
Criança que vai para a escola
Criança que tem juventude
Criança com cheiro de cola
Criança com a vida Rude
Criança que é bom de bola
Criança que sabe ser craque
Criança que perde a História
Criança que morre no crack
Criança de frente e perfil
Criança que não pode ser
Criança em trabalho infantil
Criança que tem de comer
Criança que mama no peito
Criança que ri pra você
Criança que rima respeito
Criança que faz o dever
Criança tem todos os dias
Criança que pede esmola
Criança que tem alegria
Criança que a infância foi embora
Criança que pôde crescer
Criança que tem sua hora
Criança que nasce um bebe
Criança que a vida devora
Criança que sofre abuso
Criança que não tem futuro
Criança de olhar difuso
Criança de coração puro
Criança que é inteligente
Criança que tem proteção
Criança esta dentro da gente
Criança é nova geração
Criança que cresce mais cedo
Criança que não cresce não
Criança merece brinquedo
Criança que dorme no chão
Criança também é de rua
Criança que vive por si
Criança que é criatura
Criança de marre dercí
Criança que tem de um tudo
Criança que leva carvão
Criança tem que ter estudo
Criança é a nova Nação.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Simples ( O analfabeto poético)
Sou um poeta, portanto não insista
pois o óbvio
é apenas mais um ponto de vista
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O olhar tem uma história ( Olhos nus)
Fotograffia: História de um Olhar- Nuno Sacramento
-No azul do dia chegam as mais leves alegrias,
transparecem no ar como asas sorrindo as horas.
O tempo devora o tempo a cada segundo, à revelia
do que possa acontecer, na realidade mais sonora.
Há brasas queimando a vida em cada fisionomia,
pois nessas fisionomias cada indivíduo se elabora.
Dos olhos desses humanos o flash é a fotografia
do conjunto convencional a que chamamos de história.
Mas a história guarda segredos de fatos nunca contados,
quando o azul é opaco em nuvens nimbus contraditarias.
Os olhares que não brilham nos sentimentos nublados,
reocupam a chama humana de forma revolucionária.
Produzem também tristezas de vozerio embargado.
A história vencedora é a que desse embate evapora,
combinando sua visão com a visão de único estado.
Embora outros fatos hajam, parecem idos embora,
assim se reproduzindo a realidade mais notória.
Se acaso vier a ser mesmo um ato de vilania,
História é presente e passado, e nisso é compulsória.
A mais deixa na memoria o que foi, não o que seria,
no dizer dos vencedores. Vai risada vida afora...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Segue o inteiro ( Olhos nus)
Fotografia: Chile com Neruda- Maria
Marcas do nosso tempo, e salvo o engano,
dádiva do amor feliz de uma vez.
Juntos nos abraçamos a quase um ano.
Pele a pele, boca a boca, plano a plano.
Mesmo enfrentando muita pequenez,
pois o amor afeta aos desumanos.
Incomodamos tanto como o oceano
tem num só grão de sal, sua insensatez.
Ela a quem todos amam, está comigo
Comigo vem porque ela quer ser feliz
No sorriso dessa moça algo me diz
Onde a alegria é fonte e mais fino artigo.
Se ela briga por pouco, juro, não ligo,
pois que ela é meu samba da Imperatriz.
Rosto onde a luz do sol forja seu abrigo.
Quando se abre em chama é força motriz.
Já a quase um ano esse braseiro
Queima indelicado dentro do corpo
Onde o amor habita nada é morto
Nunca sofre fadiga e segue inteiro
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Festa de salão ( Banguelê)
Fotografia: Movimento de fé- Ana Mokarzel
O camelô levou muita porrada
Pedras portuguesas no chão
Perdeu féria confiscada
Quinquilharia no camburão
O cambista furou fila por nada
Bilhete falso nas mãos
Churrasquinho de gato na entrada
Um segurança pediu perdão
Tumulto na fila complicada
O bicho é contravenção
O show acaba de madrugada
A volta é sem condução
Alguma coisa parece errada
Nã, nã, nã, nã, nã, nã, não
A boca já foi fechada
Não entra mais Camarão
Um carro fechou calçada
Aguarda um guarda e talão
A coisa está animada
Tem cerveja de latão
Ensino público é nada
Lá não se aprende a lição
Se não tem chá com torradas
Vamos de graxa no pão
Aquela falta foi cavada
E claro, o juiz é ladrão
O jogo é carta marcada
Apareceu no telão
Também mineral gelada
Amendoim no carvão
Sai por cinco e mais nada
Lei seca é o X da questão
Bolacha doce ou salgada
Pra chuva tem familhão
A moça tem namorada
O moço tem solidão
No Leme às quartas pelada
Poesia é pura paixão
A lua foi camarada
Violência é mundo cão
Carteira foi expropriada
Algazarra é confusão
Agora não tem escada
para subir no Alemão
Agora não tem escada
para subir no Alemão
A noite segue a balada
O beijo é boca e tesão
Eu disse que esta errada
Mas ela é de opinião
O amor é de madrugada
Nessa festa de salão
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Paz de papel ( O trago da seda)
Deixe um sorriso escapar entre seus dentes,
hoje é primavera, carrega um céu tom de azul.
Goste mais dos carecas que não carecem de pentes.
Tente ser eloquente sem se rosnar pitibull.
Como é surpreendente a paz branca de papel,
Olha que a vida segue e as fotos mudam a lente
Só os inteligentes têm onde por o chapéu.
Quem do amor é crente vive em lua de mel.
Caso você não saiba, agora fique ciente
Mais que um palmo à frente tem gente que é bem legal
Quem quer viver disso nunca é indiferente
Posto que está no outro, o que nos cresce afinal.
Corações e mentes II ( O olhar da carranca)
Fotografia: Um menino Afegão (AP Photo / Altaf Qadri)
Quando os homens ficam fracos,as armas ficam mais fortes.
Na essência desses fatos
a vida é bem menos nobre.
Menos nobre de alegria,
menos de felicidade.
De tanta voracidade
mais turvam a luz do dia.
Na falta de maior sorte
pintam seus auto retratos,
mas porem por outros lados,
têm outra fisionomia.
Se um inteiro tem metades,
o mundo tem valentia
diante da crueldade,
por força de mais valia.
De naves não tripuladas
viram, como todos sabem,
as culturas contaminadas
pela força que as invadem.
Enquanto o erro se consome,
a riqueza muda de nome,
tantos outros corpos ardem.
Pentágonos são cinco lados,
apontam para outros nortes.
Senhores carregam mortes
um tanto despreocupados.
Mas a vida, sendo mais forte,
tem direções mais tamanhas.
Quem bate também apanha,
num viéz de um outro corte.
Quantos veus cobrem condutas
escondidas nessas burcas
que a história não vai contar.
Quantas guerras, nunca justas,
nas memórias ficam curtas.
Quanta gente a se matar
nas armas dos aviões.
Nas mentes e nos corações
Quanta paz há de respirar.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Hálito verbo ( O analfabeto poético)
Fotografia: Azaléia Vermelha para dar cor ao seu dia- Simone
Sobre as tulipas e as rosas
Os Antúrios e as gloriosas
Suponho antigas prosas
Gravatas e Helicônias
Sobre essas prosas ricas
Sobre essas prosas ricas
Como antigos relicários
busco a palavra errónea
A que anda, vai, que não fica
Gravada nos dicionários
A palavra é o que nos entrosa
Ventosa colada à vida
Significando coisas.
Com jeito de roupa nova.
Com jeito de roupa nova.
Dando signo na loisa.
Faz posse de venenosa,
zelosa ou sem vergonha.
Na boca humana é mucosa
Íris, lxias, Begonias,
Celósias ou Cerejeiras
Palavras têm um perfume
Naquilo a que são propícias.
Naquilo que as posiciona.
Naquilo que as posiciona.
Sonoras impuras delícias,
informação mais ligeira.
Em uma forma de lume
vestem os fatos, trepadeiras.
Quando uma é encoberta na lona,
ou quando nos abandona,
vem outra aonde a uma estava.
A língua sempre funciona.
Até o silêncio é palavra.
Até o silêncio é palavra.
Somando no seu volume
Mais solta em outra maneira.
Trafega nossos costumes,
Traduz a pessoa inteira
sábado, 24 de setembro de 2011
Vida que segue ( O trago da seda)
Fotografia: A vida segue no trilho- Marcel Carrasco
Sem pressa, sem pressa, sigo como um adágio.
Às vezes certas notícias, no erro, saem às tortas.
Zé Maria só queria, mas não me bateu as botas.
Quem não sabe, não o siga, obterá o contágio.
Aos amigos e amigas, estou viva e não sou plágio.
Se quer me encontrar, me liga, sendo ou não a cobrar.
Eu continuo querida e estou no mesmo lugar.
Tenho contrato com a vida e não mudei o estágio.
De sorte que dessa intriga dispenso todo o apanágio.
Sinto o perfume das noites, das estações e do mar.
Esse recado anotem, é anúncio de ocasião.
Se alguém insiste em matar-me, ainda não tem razão.
Estou mesmo muito viva, desmentindo os contrários.
Então ficamos assim, sem mais ou tais comentários.
A todos um abraço forte e um beijo no coração.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Passo a Passo ( O olhar da carranca)
Fotografia: Qual Picasso II_ Silvério Santos
Depois de tudo, a vida está diluída na força. O desejo da vida é viver.
Os projetos surdos edificaram os caminhos vazios que queriam.
Cada passo conquistado deve ao custo de quebrar a próxima lenda.
Cada caminho feito é outra ultrapassagem estreita, de outra e outra fenda, por onde eu haveria de resistir ao absurdo, é o que difere o único no jeito de ser. Nada poderia ser perdido nesse custo que me compôs, ao fazer-me homem.
Tanto no rosto quanto no gosto, trago resistência na argamassa de ontem.
Hoje já sou mais e sou também nada, em tudo vivo até aqui; Sou e me faço inteiro, integro e ímpar aos pares da (a)normalidade ignara.
Minha dignidade se fabricou à força e ao largo do tempo, mesmo que alguns não o notem num olhar.
Não há nenhuma alegria que não pague, de alguma qualquer outra maneira, à tristeza, algum tributo a valer. _Já o disse o padre Antônio Vieira.
Não há na mágoa nenhuma amnésia dessa alegria, mesmo a mais ligeira.
Esse é o meu tempo contado, esse é meu rumo, e esse é o meu mote.
Todos tentam o melhor com os recursos que podem, ou mais além. É o quantum disso que me comove na arquitetura humana do prazer.
Quantos homens fui, ou sou, ou serei para alem do que de mim sei, para alem do alheio.O outro olhar, do outro, se me é quem a mais ver.
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