Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Propaganda enganosa ( Mamulengo)
Campeão do infortúnio
na ilusão do desejo,
desperdicei pecúlio
na esperança de um beijo.
Toquei fogo em gasolina,
fiquei nu de alma suja,
dei vexame na esquina,
pelo amor da dita cuja.
Pratiquei piores vícios,
Para ver se a seduzia.
Li poemas do Vinicius,
atolei-me em vaca fria.
Errei todas as cantadas,
acumulei prejuizos.
As cartas do amor são marcadas.
Meu peito não tem juizo.
De fato se preconiza,
mudar o rumo da prosa.
Do amor eu aviso amigos.
É Propaganda enganosa.
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Sobre o nada ( Mamulengo)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Tributo ( Mamulengo)
Fotografia: Uma boa leitura-Elmo
Muito bom entrar numa livraria,dessas que possuem um café.
Escolher dentre todos os livros,
todos disponíveis, um que
atraia a mais a atenção.
Folhear suas calmas páginas de pele
Cuidadosamente.
Decidir por aquele que o chama,
sem ter a obrigação de ler.
Entrar e se sentar.
Respirar fundo consigo,
pedir um café curto,
uma água na taça.
Dedicar-se à leitura,
mergulhar nela.
Esquecer o tempo.
Ler à vontade,
até se locupletar de suas ideias.
Mas não compra-lo em absoluto,
pois isso quebraria o encanto.
Em vez disso, devolve-lo ao seu silêncio,
com o carinho dos cúmplices,
num ritual delito da volta
ao seu lugar na estante.
Então com a plenitude abastecida,
sair com as ideias colhidas,
sem pagar nada.
Apenas por dádiva de grandeza,
um tributo à gratuidade e ao tempo.
Apenas uma resenha de humanidade.
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Um olhar ( Mamulengo)
Para Jean C. Brasileiro
Dos sapatos de ferro da infância,
talvez eu traga na lembrança,
mais que os passos da memória.
Com eles perdi arrogâncias,
devido às circunstâncias
de um outro modo de andar.
A vida sob outros ângulos,
ensinou-me a persistência,
em cada chão novo de pisar.
Com ela me fiz homem
de corpo e de consciência.
Errático, erótico, erudito e popular.
Direto mesmo ao assunto
construí um homem ímpar,
um corpo ereto, de cara limpa
Roubei beijos, subi grimpas
quebrei medos, criei fundo.
Em mim não há o que minta.
Vivi meus anacolutos,
abandonei os absolutos,
até o amor me acalmar.
Se trago ainda alguns sustos,
com o tempo são diminutos,
eu os acalento no olhar.
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Arpas ( Mamulengo)
Fotografia: Hugo Paniche
Certas amizades criam aspas,outras criam farpas.
Quando quero subo escarpas,
para buscar as minhas íntimas amizades.
São as arpas !
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Cacique( perna bamba é do samba)
Meu coração é Cacique em mim,
é de Ramos.
Minhas veias de tamarineira
são as chamas.
Já tenho nas pernas passos beiras,
Suburbanos.
Bira e seu celeiro
só de bambas.
Sambando vamos,
seguir o caminho da rua Uranus.
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é de Ramos.
Minhas veias de tamarineira
são as chamas.
Já tenho nas pernas passos beiras,
Suburbanos.
Bira e seu celeiro
só de bambas.
Sambando vamos,
seguir o caminho da rua Uranus.
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sábado, 2 de outubro de 2010
Arte da tarde ( Mamulengo)
Fotografia: Amor perfeito- Diana Figueredo Costa
A tarde espreguiça lá fora.
Aqui dentro a arte é senhora.
Vai à cozinha,
faz um pão quente.
Come-o como a mim.
Vai ao banheiro,
escova os dentes.
Lava o corpo no chuveiro.
que bem lhe caia
Passa nos cabelos
meu velho pente.
Veste uma saia,
bem displicente.
Escolhe camisa no camiseiro.
Da-me um cheiro,
de seu primeiro.
deixa a toalha no secador
e vai embora dizendo
tchaw amor.
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A tarde espreguiça lá fora.
Aqui dentro a arte é senhora.
Vai à cozinha,
faz um pão quente.
Come-o como a mim.
Vai ao banheiro,
escova os dentes.
Lava o corpo no chuveiro.
que bem lhe caia
Passa nos cabelos
meu velho pente.
Veste uma saia,
bem displicente.
Escolhe camisa no camiseiro.
Da-me um cheiro,
de seu primeiro.
deixa a toalha no secador
e vai embora dizendo
tchaw amor.
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De costas ao mar ( Mamulengo)
Fotografia: Sob a sombra da pátria amada
Amanhã,de um país virá seu povo!
Essa manhã vira seu povo!
A manhã de um país.
O verá seu povo!
O amanhã de um país!
O viverá seu povo!
Qual amanhã?
Em que Manhã?
De onde virá?
O que verá?
Em que lugar
desse país?
O que será que será
Nação matriz?
Que povo há de chegar
desses "Brasis",
de costas ao mar?
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Orquestra (Mamulengo)
Dançar é levar o corpo
para passear na música!
.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Vadia ( Mamulengo)
Fotografia:Voa beijo voa-Sônia Cristina Carvalho
A poesia é uma namorada vadia.
Beija a boca da gente,
some no meio da noite,
volta depois de alguns dias.
Não fala ao poeta aonde foi,
mas vem cheia de alegria.
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A poesia é uma namorada vadia.
Beija a boca da gente,
some no meio da noite,
volta depois de alguns dias.
Não fala ao poeta aonde foi,
mas vem cheia de alegria.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Aos poetas que a portela espera.( Perna B. é do samba)
Às meninas que só querem sambar.
Pois o Samba tem mesmo uma trama,
quem o souber viver, sarava.
Os meninos bem vêm a farra,
mas não respeitam o alguidar.
Tremem com as pernas bambas,
Eles não sabem sambar.
As meninas querem Portela.
Querem no azul amar.
Mas o amor tem tramelas,
comuns em toda favela
com segredos para entrar.
A porta que existe nelas
É cultura de sentinela.
Têm na linhagem do samba,
a língua mais popular.
Bonitas, passam à verá.
Mas o que mais lhes apressa,
é mesmo o presságio de amar.
Para isso não tem tempo certo,
sejam melhor incorretos,
tropecem de bar em bar.
Nos corpos mais prediletos,
bebam todas as doses.
Cirrose de amor é saudável
depois do amor, é sonhar.
Talvez no caminho errado
posto que o errar vicia,
O tempo da bateria,
se mede no couro aquentar.
Não no que dele se estoura,
com mais um beijo na lista.
Couro que estoura na pista
não vê a rainha passar.
Viver o amor é um feitiço.
Ninguém tem nada com isso,
se outros quiseram gozar.
Meninos não fechem as portas,
porque amar é o que importa.
O samba do amor não tem volta,
feliz de quem o cantar.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Meu homem ( A puta me contou)
Fotografia: Casal de São Vito- Monica Cardoso
Imail enviado por Jô a escrava do amor.
Meu parceiro de crença.
Meu amigo de amor.
Entra sem fazer dor,
também sem pedir licença.
Esqueço das desavenças,
apago o dissabor,
trazido de outro homem.
Embrenhada de calor.
Vem pela porta dos fundos,
vaza meu corpo junto.
Muda os meus profundos,
pinta em mim outra cor.
Derruba paredes e muros,
desfaz histórias e lendas.
Mostra-me um outro mundo,
no qual mistérios desvenda
Abre em mim uma fenda,
por onde liberta o ontem,
sem me pedir que lhe conte.
Inventa-me de outro jeito,
instala-se no meu peito,
bem aqui e bem agora.
Nisso eu fico feliz,
mesmo se a manhã diz,
que ele se vai embora.
Pizza ( Banguelê )
O que se faz de cultura de massa
Hoje é cultura em massa
Amassa, amassa, amassa
Uma pasta retrátil e elástica
Podendo romper ou conter cultura.
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O mar quando Quebra ( Mamulengo)
Fotografia: Os Homens e o mar-Mrsuigeneris
Tem Hora
que o mar
de dentro
da gente
é maior
que o mar
Lá de fora
O mar
inconsciente
É rede
É rente
Fervente
Ressaca
quando
evapora
É sede
Vidente
E sente
O outro
é indiferente
Somente
quebra
Insolente
Ontem
amanhã
E agora.
.
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que o mar
de dentro
da gente
é maior
que o mar
Lá de fora
O mar
inconsciente
É rede
É rente
Fervente
Ressaca
quando
evapora
É sede
Vidente
E sente
O outro
é indiferente
Somente
quebra
Insolente
Ontem
amanhã
E agora.
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domingo, 26 de setembro de 2010
Ilú ( Mamulengo)
Para quem tem olhar de araque!
Recomendo ouvir O Mundo,
na voz da banda do André, o Karnak.
Para se olhar, para se enchergar a valer.
Para ouvir-se, ouvindo o Ilú, o Atabaque.
No que soa Candomblé na fala Alabê.
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Cadê ( Mamulengo)
Talvez o que procuro,
esteja nos olhos do ciclone.
Se talvez lá não esteja,
esteja na língua sem nome,
dos lábios finos de sorrisos.
Como a esconder avisos.
Nas ondas do mar mais maduro,
no escuro arriscado esconjuro,
no caminhar casuísmo,
do meu próprio tsunami.
Talvez o que procuro,
seja eu mesmo nesse escuro,
já tendo perdido o liame.
Por isso, caso não me encontre,
ao pronunciar o meu nome,
eu tenha um codinome,
para acomodar os cinismos.
Caminhos de passos duros,
sem as aparas dos seguros.
Modo estrangeiro de viver.
Talvez o que procuro,
eu traga nos olhos dos murros,
dados nas pontas das facas,
com o perfume de alfavaca,
na carne dos inseguros,
para fazer o acontecer.
Nos tratos de submundo
os rasgos calam profundo,
quebrando pontas de estacas,
com as gargalhadas de prazer.
.
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sábado, 25 de setembro de 2010
Na linha
entre jogadores
no futebol do peito
.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Revelação ( Olhos nus)
Fotografia: Inconsciente-Cecília Hudec
Se a linguagem não diz tudo,
no conteúdo das palavras,
tem um pedaço que é mudo,
é escuro,
é secreto.
Esse pedaço silêncio,
esconde no seu concreto
um misto de atitude,
revelação e afeto.
Por trás do comportamento,
preserva o seu absurdo.
Parte que não se pensa,
aparece em corpo desnudo.
São atos soltos no vento.
Revelados amiúde,
no seu passar desatento.
Como algo grafado em latim,
na tessitura dos vetos.
Histórias, fatos sem língua,
memórias caladas em medos.
Qual vegetação de restinga
espalham-se em interditos.
Lá o poeta entra, e briga,
para buscar o poema
do olhar, que hora lhe acena,
mas que ainda não foi descrito.
.
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Se a linguagem não diz tudo,
no conteúdo das palavras,
tem um pedaço que é mudo,
é escuro,
é secreto.
Esse pedaço silêncio,
esconde no seu concreto
um misto de atitude,
revelação e afeto.
Por trás do comportamento,
preserva o seu absurdo.
Parte que não se pensa,
aparece em corpo desnudo.
São atos soltos no vento.
Revelados amiúde,
no seu passar desatento.
Como algo grafado em latim,
na tessitura dos vetos.
Histórias, fatos sem língua,
memórias caladas em medos.
Qual vegetação de restinga
espalham-se em interditos.
Lá o poeta entra, e briga,
para buscar o poema
do olhar, que hora lhe acena,
mas que ainda não foi descrito.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Será a tarde? ( Mamulengo)
Quando a primavera chega,
é claro, é cor.
Iluminação de todos,
claridade de entrudo.
Calor de felicidade.
Vaidosa a natureza
invade em delicadeza
tudo, tudo, tudo.
Perfume de todo mundo,
semeadura de liberdade.
Estação de alegria
Violinos de Vivaldi
na flor da diversidade.
Quando a primavera chega,
é claro e estou.
Ouvidos, visão, olfatos, sentidos....
No tato do seu calor,
alguma parte me arde.
Será a tarde?
Será Gullar?
Será?
.
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é claro, é cor.
Iluminação de todos,
claridade de entrudo.
Calor de felicidade.
Vaidosa a natureza
invade em delicadeza
tudo, tudo, tudo.
Perfume de todo mundo,
semeadura de liberdade.
Estação de alegria
Violinos de Vivaldi
na flor da diversidade.
Quando a primavera chega,
é claro e estou.
Ouvidos, visão, olfatos, sentidos....
No tato do seu calor,
alguma parte me arde.
Será a tarde?
Será Gullar?
Será?
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
De grife
Fotografia: Caricatura-Carlos Barcellos
Quando o sarau é de grife,a poesia não resiste.
Se por lá chega,
rapidamente evapora.
Deixando só um esquife
de conteúdo pobre.
Sem qualidade longeva,
feito de cascas de palavras,
cujo sentido se deprava,
no cheiro, numa bandeja.
O que essas cascas encobrem,
na fantasia de nobre
é o caricato da cena.
São tatuagens de rena,
Versos que não valem a pena,
A que dão o nome de poema
onde a poesia foi embora.
.
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