Retrato de Louis-Auguste Cézanne - P. Cezane
O que há na idade madura?
Mais que alarde do vivido,
é a qualidade da procura.
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Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração. Colaboração voluntária : PIX - maurogmaciel@hotmail.com
Citações
A palavra é o fio de ouro do pensamento.
SÓCRATES
segunda-feira, 12 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Bibliofilia(o trago da seda)
Desenhista 1950 Di Cavalcanti
Devolva meu livro por favor.
Não guarde consigo minhas páginas.
Se você não leu e não gostou,
não vai recorrer ás folhas fálicas.
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Devolva meu livro por favor.
Não guarde consigo minhas páginas.
Se você não leu e não gostou,
não vai recorrer ás folhas fálicas.
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Fim( o trago da seda)

Marília Dias- Ruptura : a experiência do suporte
Mistura de terra e areia com cimento
e muita água, nos olhos muita água.
No saibro à peneira o febril ressentimento.
Passei a régua nessa mágoa.
O dedo em riste das horas não resiste,
desandou em rompimento dois parceiros.
Bebida nos nervos evapora, é bem triste,
o afeto perdeu seu paradeiro.
O nosso amor sem fé, ficou anêmico,
quando a dor deu o tom, um tom maior.
Nos abraços de jeito já transgênico,
nos modificamos tudo para bem pior.
Um anjo demônio, com nome de meu santo,
manipulou os fatos todos como genes.
Os sorrisos tão gostosos que eram tantos,
ficaram secos e bem poucos também.
Os nossos corpos assim modificados,
acusaram enfim o fim, o golpe.
Quando um clima de dia de finados,
se abateu na noite, dando o mote.
No romper, abriu-se o verbo incendiado,
aonde o amor sempre perde a razão.
Não estejamos nesse túmulo condenados,
arrastando as correntes da ilusão.
Vou deixar para você só um recado
no espelho, um bilhete escrito a mão.
Eu vou seguir sozinho para o meu lado,
você vai para o seu sozinha então.
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terça-feira, 30 de março de 2010
Entroncamento de Amor(o trago da seda)
Acróbata & Arlequim - 1905 P. Picasso
Meu filho é meu companheiro de estrada.
Ele no verde ecológico dos anos.
Eu na outra ponta de amor,
trago a vida calcinada.No mesmo amor que reproduz-se assim.
Sem planos ficamos Humanos,
enquanto fazemos a caminhada.
Destino é ação conjunta,
do que espero ser degrau, escadade fazer no mundo a melhor morada.
Solidária sempre, solitária nunca.
pois são os entroncos que traduzem rumos,
arquitetando a existência da chegada.
.
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segunda-feira, 22 de março de 2010
Prato predileto(a puta me encantou)
(Flávio de Carvalho, Nu Feminino, 1972)
A vida tatuada na pele dos fatos,
deixa nas tintas o rótulo que for.
Se antropofagia é seu predileto prato,
farofe-se em mim meu amor.
Sem nenhum recato,
pois sou seu churrasco de gato!
Liqui-pós-moderno,
à noite eu pardo,
meu nu é terno,
quente ao seu lado.
No breu de sua cor,
sou só sabor
enlambuzado.
Não aguarde nas tristezas, o que não compense.
Risque esse pretérito do caderno,
venho-lhe pênis et circencis.
Lindoneia, tudo meu já nasceu torto,
sem traumas.
Rasgue o vestido, deixe comido seu corpo,
traz calma.
Vamos fazer ventania.
Mate a descência Européia
na tropical alegria, alegria. Mergulho íntimo de apnéia.
Corpoesia sem cartógrafos,
dou-lhe os dedos e os dardos,
troquemos pois as digitais.
Em nossos corpos coreógrafos
linguas de fino trato são fatais.
É de comer e lamber o prato,
após dizer quero mais.
Mas ouça:
_Tome cuidado com os "Normais"!
Aos chacais os mimeógrafos.
Aos malditos os seus sarcófagos.
O contemporâneo ficou pobre
agora, venha, sejamos pop.
A balada é ouvir Rip-Rop.
Tope! Tope! Tope!
Huuuuuuuuuuuuuuu...
Saia da internet minha flôr!
Venha, não fique triste,
aceite o meu convite,
porque o prazer consiste
em troca de calor.
Dê um sorriso meu amor,
não inventei Reich nem Nietzsche,
mas um poeta que lhe amou.
Telma acredite
no que eu disse:
_Não sei ser Beat.
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sábado, 20 de março de 2010
Cinco chopes e a conta(a puta me encantou)
Le cecle de amours 1880 - Rodin
Não há dor que resista ao quinto chope.
Tudo em volta ganha cores de aquarela.
Diante deles não há mulher que não bela,
nem varão valente que não a toque.
Quando então nessa hora do desejo,
a felicidade ébria de um beijo,
faz aos tímidos falarem tagarelas.
No escuro rimam corpos nus à vera
e a poesia no outro dia, se descobre.
Com a luz entre os meios da janela,
poema de rima rica ou rima pobre.
Caso o último sendo, os dois incorrem
no difícil da verdade que é dizer,
ao acordarem na manhã, ainda grogues:
Olá como vai, Quem é você?
Mas se acaso o primeiro caso ocorre,
deslizando a solidão com o prazer,
dois amantes unidos assim discorrem,
nesse mistério evidente de viver.
Então o amor onde lhes bate fica,
com o gosto bom que sói o intento.
Um ao outro cultivando uma estica
bebem o vinho doce do momento.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
O contra diz(o trago da seda)
Mondrian- Gray-it- brown 1918
O corpo contradiz
seu movimento
O movimento contradiz
o desejo
O desejo contradiz
comportamento
O comportamento contradiz
a expressão
A expressão contradiz
a linguagem
A linguagem contradiz
o pensamento
O pensamento contradiz
o silêncio
O silêncio contradiz
a opinião
A opinião contradiz
a neutralidade
A neutralidade contradiz
a consciência
A conciência contradiz
a ignorância
A ignorância contradiz
o conhecimento
O conhecimento contradiz
o iato
O iato contradiz
o impulso
O impulso contradiz
a razão
A razão contradiz
o fato
O fato contradiz
a ilusão
A ilusão contradiz
a ideia
A ideia contadiz
a inércia
A inércia contradiz
a ação
A ação contradiz
o medo
O medo contadiz
o discurso
O discurso contradiz
a atitude
A atitude contradiz
o segredo
O segredo contradiz
a paixão
A paixão contradiz
o amor
O amor não contradiz nada não
O corpo contradiz
seu movimento
O movimento contradiz
o desejo
O desejo contradiz
comportamento
O comportamento contradiz
a expressão
A expressão contradiz
a linguagem
A linguagem contradiz
o pensamento
O pensamento contradiz
o silêncio
O silêncio contradiz
a opinião
A opinião contradiz
a neutralidade
A neutralidade contradiz
a consciência
A conciência contradiz
a ignorância
A ignorância contradiz
o conhecimento
O conhecimento contradiz
o iato
O iato contradiz
o impulso
O impulso contradiz
a razão
A razão contradiz
o fato
O fato contradiz
a ilusão
A ilusão contradiz
a ideia
A ideia contadiz
a inércia
A inércia contradiz
a ação
A ação contradiz
o medo
O medo contadiz
o discurso
O discurso contradiz
a atitude
A atitude contradiz
o segredo
O segredo contradiz
a paixão
A paixão contradiz
o amor
O amor não contradiz nada não
sábado, 13 de março de 2010
Luna Bar(a puta me encantou)
A lua crava sua unha à esquerda,
nas costas do hotel Copacabana.
Eu observo seu caminho sem certezas.
Minguante minha vista abocanha
um céu, que de azul beira a leveza
do seu corpo, dormindo ali deitado,
enquanto abro as janelas da tristeza,
para que esse verso em mim seja exilado.
Com calma outra manhã põe-se à mesa,
servida como virgem ao pecado.
A madrugada tem sanha de vida,
o mar estronda espumas encorpado.
À frente outra mulher faz a avenida,
sorrindo a um sujeito abandonado.
O asfalto em silêncio aguarda as ordens,
de um trânsito já semi- acordado.
No calçadão, mercado das origens,
caminha um sonhador aposentado.
Há bêbados buscando aonde urinem
o porre lírico do anoitecer passado.
O tempo ganha assim velocidade,
mostrando-se um animal indomado.
Quem dele não dispõe de liberdade,
já passa com o pescoço contratado.
É quando o trópico ardente se repete
com seus quarenta graus de sol molhado.
Trazendo para areia as vedetes,
e os vendedores de mate bem gelado.
O dia irrompe o himem, complacente
acolhe toda a gente a todo lado.
Á tarde o já vermelho sol cansado,
procura no horizonte o seu lugar,
morrendo como um peixe arpoado.
Se é prá morrer que seja frente ao mar.
Ressurge a noite com o perfume de damas,
perfura a fama da cama de apaixonar.
Despudorada a negra vem mundana,
precipício e fênix da hora urbana,
desinibindo fauna e flora dos sacanas.
Acorda o amor na hora de namorar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Dois pontos(a puta me encantou)
Sheila Nogueira- Lua e Sol
Um homem que é da noite,
casado com a mulher do dia,
paga caro a sua sorte
por tamanha assimetria.
Posta entre a noite e a manhã
se enamora a madrugada.
Quem dela tem a alergia
ao contágio, vicio, mais-valia
nessa hora da magia,
devia estar acordada.
Pois quando seu homem chega,
com lua e estrelas nos bolsos,
nas calças o amor a rosto.
Intumescido ao gosto
da fome apaixonada.
Esconde um amor enorme.
Nessa hora ela dorme...
Ela dorme..., Ela dorme...,
E mais nada.
.
Um homem que é da noite,
casado com a mulher do dia,
paga caro a sua sorte
por tamanha assimetria.
Posta entre a noite e a manhã
se enamora a madrugada.
Quem dela tem a alergia
ao contágio, vicio, mais-valia
nessa hora da magia,
devia estar acordada.
Pois quando seu homem chega,
com lua e estrelas nos bolsos,
nas calças o amor a rosto.
Intumescido ao gosto
da fome apaixonada.
Esconde um amor enorme.
Nessa hora ela dorme...
Ela dorme..., Ela dorme...,
E mais nada.
.
quarta-feira, 3 de março de 2010
O amor embriagado(perna bamba é do samba)
Bêbabos José Malhoa-1907
Caipirinhas de sonhos
Dois chopes de ilusão
Wiskys em gelo banho
Sakê congela a razão
Magníficas amigas
Dois cognacs bons de briga
Taças de vinho à mão
Vodka junto com lima
Também pode ter limão
Doses de Gin na auto estima
Rum cubano sem embargo
Stainheguer na língua
Tequila de um belo trago
Outra Aguardente bem vinda
Bagaceira Saramago
Cevejas em neve alpina
Um kirsch de adrenalina
Em um cointreau de afagos
Goladas muito absinto
Aquavit à felina
Pisco ao dizer que minto
Cachaça de meia esquina
Genebra do meu afinco
Licor de ver as meninas
Grappa saudosa paixão
armagnac sustenido
Champagne cheia de rimas
Calvados meu coração
Mais todo remédio vindo
do boteco do arlindo
Eu trago ao pedir perdão
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Caipirinhas de sonhos
Dois chopes de ilusão
Wiskys em gelo banho
Sakê congela a razão
Magníficas amigas
Dois cognacs bons de briga
Taças de vinho à mão
Vodka junto com lima
Também pode ter limão
Doses de Gin na auto estima
Rum cubano sem embargo
Stainheguer na língua
Tequila de um belo trago
Outra Aguardente bem vinda
Bagaceira Saramago
Cevejas em neve alpina
Um kirsch de adrenalina
Em um cointreau de afagos
Goladas muito absinto
Aquavit à felina
Pisco ao dizer que minto
Cachaça de meia esquina
Genebra do meu afinco
Licor de ver as meninas
Grappa saudosa paixão
armagnac sustenido
Champagne cheia de rimas
Calvados meu coração
Mais todo remédio vindo
do boteco do arlindo
Eu trago ao pedir perdão
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Parido( o trago da seda)
A poesia da América- 1943 -Salvador Dali
.
Um poema é só um papel
O poeta é só o avião
A palavra é só o ilho
Dois ouvidos, par de trilhos
O destino é sem estação
A escrita tem um vel,
que a poesia joga no chão
Inseminada de brilho
Ganha mundo, em seu delírio
de outra significação.
Se o poema é andarilho,
desencaminha a solidão.
Rasga espaço, faz rastilho
com seus pés, segue impio.
Queima o sótão da razão.
A língua em fogo anel
traz a alucinação.
Abrindo o ventre dos sentidos,
conscientes ou escondidos,
queima a tal desilusão.
Pode ser assim ou não...
sábado, 27 de fevereiro de 2010
___________________(o trago da seda)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Razão(o trago da seda)
Self Portrait, 1937 - George Grosz
Mudei minha razão um dia,
passei a viver de emoção.
Em mim so sentido havia,
onde houvesse coração;
Mas veio o dragão dia a dia,
cotidiano padrão.
Eu que era so poesia,
já no modal não cabia,
quase virei solidão.
A solidão é um vício
de reclusão interior,
viver com ela é difícil
para quem tem no amor,
a existência de ofício,
trazida desde o início,
dentro da sua própria dor.
Predestinada razão.
Motivo, cerne, tesão,
o mais difícil é esse amor
feito de dádiva e contradição.
Um sentimento fronteiriço,
caminho minado, feitiço,
melhor vizinho da paixão.
Mudei minha razão um dia,
passei a viver de emoção.
Em mim so sentido havia,
onde houvesse coração;
Mas veio o dragão dia a dia,
cotidiano padrão.
Eu que era so poesia,
já no modal não cabia,
quase virei solidão.
A solidão é um vício
de reclusão interior,
viver com ela é difícil
para quem tem no amor,
a existência de ofício,
trazida desde o início,
dentro da sua própria dor.
Predestinada razão.
Motivo, cerne, tesão,
o mais difícil é esse amor
feito de dádiva e contradição.
Um sentimento fronteiriço,
caminho minado, feitiço,
melhor vizinho da paixão.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Neruda(o trago da seda)
Retrato de Neruda-1975-H. Carybé
O primeiro poeta que admirei foi Neruda.
Com seu chapéu de mundo,
com suas palavras de sal
e aconchego de ventanias.
Havia na sua pele queimada de salitre e cobre,
a conduta de luta na vertente da sua poesia.
Falante nos signos probos;
"Caliente"no afligir de um povo,
pura esperança empesteada de alegria.
Solidária e sólida, tamanha de natureza libertária,
pródiga voz de amor irrigada.
Sendo poeta popular tem nos versos vastidão.
Intimidades acessíveis a todos, e ao desespero da agonia.
Neruda e seus olhos sem beiras.
Vinha de palavras a serem bebidas
no cálice do nosso tempo,
trazia o mar na soleira da humana fisionomia.
O mar de sua casa de pedras, com suas portas abertas,
com as janelas escotilha miradas para lua.
Descanso de ilha negra nessas portas que abertas continuam.
Seu lugar na poesia é simples de gente, é semente de sol,
é estrelado de céu.
Uma decupagem das noites de amor,
no infinito rápido da humanidade.
Neruda de todos, fecundos das palavras suas:
Camponeses e operários, desempregados e trabalhadores,
amantes e apaixonados.
Poeta serviçal de toda gente Neruda.
Viajante e senhor de estradas, e de sonhos.
Senhor também das tristezas pátrias e de partidas tantas,
poeta do mundo e das ruas do seu Chile regenerado.
Foi quem desenhou amores, na arquitetura dos meus beijos,
no aconchego das bocas queridas de calor enamorado.
Neruda que quando foi, deixou por derradeiro aqui sua vida.
Ainda que a tenha confessado como tendo sido vivida.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Noturno l(perna bamba é do samba)
Eu que não vou à praia
venho com a pele da lua.
Trago uma noite que caiba
entre as pernas das suas.
.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Silhueta(a puta me encantou)
O silêncio é grande, enorme;
Nele se fecha tudo, nele habito;
As minhas palavras têm leme,
amarradas no liame
das ondas escondidas dos ouvidos.
Silêncio que em si resume.
Impera o adiante que cogito.
Deixa no ar o seu hálito,
transformado no hábito
de esconder um homem crítico.
O silêncio guarda as febres,
fervuras e frevos favoritos,
calor de um olhar em neve,
nesse semântico conflito.
Por temor de que se erre,
naquilo que nunca é dito,
é que o poeta escreve,
já o erro consumido.
E traz nesse verso errático
a condução de um prático
no mar carnal de sentidos.
O silêncio em mim tem seu nome
num par de olhos descritos.
Mais íntimo o silêncio some,
dentro do nosso infinito.
E some todo o incógnito
onde a amada e o homem,
assumem o expresso irrestrito.
Então a timidez morre,
quando os seus lábios incorrem
nesse sorriso bonito.
.
Nele se fecha tudo, nele habito;
As minhas palavras têm leme,
amarradas no liame
das ondas escondidas dos ouvidos.
Silêncio que em si resume.
Impera o adiante que cogito.
Deixa no ar o seu hálito,
transformado no hábito
de esconder um homem crítico.
O silêncio guarda as febres,
fervuras e frevos favoritos,
calor de um olhar em neve,
nesse semântico conflito.
Por temor de que se erre,
naquilo que nunca é dito,
é que o poeta escreve,
já o erro consumido.
E traz nesse verso errático
a condução de um prático
no mar carnal de sentidos.
O silêncio em mim tem seu nome
num par de olhos descritos.
Mais íntimo o silêncio some,
dentro do nosso infinito.
E some todo o incógnito
onde a amada e o homem,
assumem o expresso irrestrito.
Então a timidez morre,
quando os seus lábios incorrem
nesse sorriso bonito.
.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Romance(a puta me encantou)
Minha senhora!
Dizem meus amigos que peco por timidez.
Aonde chego, chega meu corpo primeiro.
Quem vês primeiro é ele, de batedor; Eu mesmo sou pouco ligeiro, venho depois, pois sou carregado de amor.
Tenho sentimentos em excesso, interrogações em excesso, vivo na marra, e tenho poesia na verve ordinária!
Trago depois do corpo, todas as cores da vida, pinturas de toda história nele contida; Todos os lugares, todas as doses dos bares, todos os dissabores nos copos do caos que ingeri.
Venho de tantos os abraços desatados, aonde todos os vãos da paixão viraram mormaço. Unidos pelo cansaço, todos os laços, todos os beijos devaços, desavisados e degenerados, toda desilusão safada, que sai derramada de dentro da gente e acaba ficando no relatório sentimental de tudo que foi certeza um dia.
São tatuagens invisíveis a olhos nus. Trago também lonjuras no olhar, distâncias transparentes, alem de muitas, muitas saudades sem valor.
Para não magoar tuas verdades, por isso é que ando devagar, para que ela a vida, me encarregue agora do nosso tempo; Que sei tão breve, tão físico de curvas, lânguido e líquido, lisérgico e casto de amarguras tolas.
Para que ela , a vida, traga-nos o seu grito, eu venho depois do meu corpo de granito, entornado em ato incontrito tornado leve, ao contato úmido do teu calor.
Mas minha senhora!
Como podes ver, estar com o meu corpo apenas, não é estar comigo inteiro.
De meu tens à hora só as armas do guerreiro, de meu tens um trailer de carne, e pele, e acasos. Eu mesmo não sou cotidiano nem de mim.
Ficamos assim:
Para estar comigo inteiro tens que passar da indiferença morna dos teus dias. Tens que gostar de amar na madrugada e dormir pelas manhãs. Tens que rasgar as tardes trêmulas dos teus medos. Tens que passear em segredos com o prazer pela clave incerta do poeta, esse homem deselegante de olhar palavras no que nelas há de incorreto.
Viver é mesmo assim, não tem garantias.
Viver é consumar riscos de busca à uma felicidade a saber.
É o enigma de um desejo anterior; Ao largo disso então, é que vai sugerir o nosso amor. Fora isso eu não fico, eu vou.
Dizem meus amigos que peco por timidez.
Aonde chego, chega meu corpo primeiro.
Quem vês primeiro é ele, de batedor; Eu mesmo sou pouco ligeiro, venho depois, pois sou carregado de amor.
Tenho sentimentos em excesso, interrogações em excesso, vivo na marra, e tenho poesia na verve ordinária!
Trago depois do corpo, todas as cores da vida, pinturas de toda história nele contida; Todos os lugares, todas as doses dos bares, todos os dissabores nos copos do caos que ingeri.
Venho de tantos os abraços desatados, aonde todos os vãos da paixão viraram mormaço. Unidos pelo cansaço, todos os laços, todos os beijos devaços, desavisados e degenerados, toda desilusão safada, que sai derramada de dentro da gente e acaba ficando no relatório sentimental de tudo que foi certeza um dia.
São tatuagens invisíveis a olhos nus. Trago também lonjuras no olhar, distâncias transparentes, alem de muitas, muitas saudades sem valor.
Para não magoar tuas verdades, por isso é que ando devagar, para que ela a vida, me encarregue agora do nosso tempo; Que sei tão breve, tão físico de curvas, lânguido e líquido, lisérgico e casto de amarguras tolas.
Para que ela , a vida, traga-nos o seu grito, eu venho depois do meu corpo de granito, entornado em ato incontrito tornado leve, ao contato úmido do teu calor.
Mas minha senhora!
Como podes ver, estar com o meu corpo apenas, não é estar comigo inteiro.
De meu tens à hora só as armas do guerreiro, de meu tens um trailer de carne, e pele, e acasos. Eu mesmo não sou cotidiano nem de mim.
Ficamos assim:
Para estar comigo inteiro tens que passar da indiferença morna dos teus dias. Tens que gostar de amar na madrugada e dormir pelas manhãs. Tens que rasgar as tardes trêmulas dos teus medos. Tens que passear em segredos com o prazer pela clave incerta do poeta, esse homem deselegante de olhar palavras no que nelas há de incorreto.
Viver é mesmo assim, não tem garantias.
Viver é consumar riscos de busca à uma felicidade a saber.
É o enigma de um desejo anterior; Ao largo disso então, é que vai sugerir o nosso amor. Fora isso eu não fico, eu vou.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sonhos fresquinhos(o trago da seda)
O velho empurrava um carrinho pela rua ensolarada.
O homem pagava com a própria pele no tempo, um pedágio ao sol.
Trepidando seu carrinho movido a força humana pelas pedras, o homem vendia sonhos, vendia apenas sonhos.
Sonhos feitos com as suas próprias mãos doces, sonhos gostosos, sonhos com carinho; Vendia sonhos e mais nada.
No alpendre de piso amarelo,à sombra, eu o aguardava com a naturalidade dos meus.
Tinha as papilas gustativas já acustumadas, eu comia os sonhos com o desejo açucarado.
Sonhos são para ser comidos todas as tardes.
Hoje não resisto mais menino.
O homem foi calcinado pelo sol.
Os paralepípedos ainda estão pregados lá, seguem indicando o destino a outros homens com outros sonhos.
Quanto aos meus sonhos, continuam guardados na lembrança entardecida.
São glicose na memória.
Quem não morde os seus sonhos, não conta uma história.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Angra(o trago da seda)
Reuters/ Bruno Domingos
Cai o barranco na cara dos ricos.
Cai o barraco na casa dos pobres.
Caem as pontes por sobre os rios.
Cai tanta chuva que depois escorre.
Cai o automovel numa cratera.
Cai um dilúvio sem ter paradeiro.
Cai tanta terra, mas cai tanta terra.
Cai a cidade inteira no bueiro.
Calamidade bem repetitiva.
Cai muita agua, não há quem preveja.
Caem as árvores, matas nativas.
Caem paredes e torres de igrejas.
Caem as pedras em tal desalinho.
Cai a esperança já tão caleja.
Cai e leva gente no seu caminho.
Caem mais vidas, o olhar mareja.
Cai a família em área de risco.
Cai e se sabe porque la esteja.
Cai o descaso como um cisco.
Cai o cordão do umbigo que seja.
Cai quem não quer se queixar ao bispo.
Caia de pau, parece político.
Cai se olhar pra trás, vira sal nisto.
Cai quem menos tem o ver crítico.
Cai o poeta com o seu rabisco.
Cai na real ou cai de bandeja.
Cai mas levanta se for arisco.
A natureza nem sempre nos beija.
Caem de sua boca os mil rugidos.
Buscando o que é dela aonde não esteja.
Cai temporal e alaga os sentidos.
Dizem que o bolo não é só a cereja.
Cai o barranco na cara dos ricos.
Cai o barraco na casa dos pobres.
Caem as pontes por sobre os rios.
Cai tanta chuva que depois escorre.
Cai o automovel numa cratera.
Cai um dilúvio sem ter paradeiro.
Cai tanta terra, mas cai tanta terra.
Cai a cidade inteira no bueiro.
Calamidade bem repetitiva.
Cai muita agua, não há quem preveja.
Caem as árvores, matas nativas.
Caem paredes e torres de igrejas.
Caem as pedras em tal desalinho.
Cai a esperança já tão caleja.
Cai e leva gente no seu caminho.
Caem mais vidas, o olhar mareja.
Cai a família em área de risco.
Cai e se sabe porque la esteja.
Cai o descaso como um cisco.
Cai o cordão do umbigo que seja.
Cai quem não quer se queixar ao bispo.
Caia de pau, parece político.
Cai se olhar pra trás, vira sal nisto.
Cai quem menos tem o ver crítico.
Cai o poeta com o seu rabisco.
Cai na real ou cai de bandeja.
Cai mas levanta se for arisco.
A natureza nem sempre nos beija.
Caem de sua boca os mil rugidos.
Buscando o que é dela aonde não esteja.
Cai temporal e alaga os sentidos.
Dizem que o bolo não é só a cereja.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Bilhete antrópico(o trago da seda)
O BEIJO - 1907/8 - GUSTAVE KLIMT
Amiga J.
Veja você,
Perguntam-me de supetão O que é ser poeta.
Ou indagam então de quando havera outro livro, se esta pronto, como fosse fornada de padaria, quando vou publica-lo, se o tenho escrito, e tudo mais.
Eu que escrevo somente para estar vivo, Isso é tamanho claro que pensava visivel, como conflito.
Nunca sei bem o que responder ,e assim essas perguntas ficam as vêzes como um zumbido.
Pois são os versos, são eles os atrevidos, que se livram de mim cada um a seu tempo.
Deles eu é que de fato sou fogo finito.
Cavalo de minha própria existência caótica, não escrevo para produzir livros.
Não o faço para ser lido bonito, escrevo para equilibrar os meus sentidos e os seus arrebaudes humanos;
Fora isso seria bobagem, é algo que evito.
Escrevo simplismente para ser livre. Livre de mim mesmo.
Esse é o prumo transcrito no papel, essa celulose promíscua onde entra tudo e tudo pode.
È tudo o que posso dizer.
A poesia ativa talvêz seja só uma streep-tease sintática, onde o poeta mostra a nú o menbro mais caro do corpo, a palavra falada, a vóz, a capacidade despudorada de expressão da natureza do pensamento.
Só de despudores sobrevivem os poetas.
Mas os versos não estam nas palavras, só são refletidos nelas. Os versos existem diluidos no real, pois é da realidade que surge a essência das ideias.
A filologia é a história disso, basta um olhar para ver a liberdade do inclusive Contido na dor ou no prazer, no amor ou na solidão, no abraço da união, na vertigem ou na ilusão, no tolo do indivíduo, ou na poesia do perdão, nas coisas do mundo é visão.
De resto é o que fica como consequência asfaltada em sol do verão, é o poema evaporando da chapa quente das necessidades ânimas da gente.
Os versos buscam expressar alguma rima nesse calor que já existe, uma pista que eu mesmo não sei, escondida, mais uma consciência na vida. É alimento para a estima que se tenha de viver.
O que acontece, ou algo que se reveja, o que se quer, ou um guardado que machuque por sentir saudade, é o que vale.
Isso acontece comigo sempre. Como agora, quase posso toca-la na memória, trago-a no desejo do que te escrevo em vermelho. Porque vermelho?
É a cor de um beijo.
Amiga J.
Veja você,
Perguntam-me de supetão O que é ser poeta.
Ou indagam então de quando havera outro livro, se esta pronto, como fosse fornada de padaria, quando vou publica-lo, se o tenho escrito, e tudo mais.
Eu que escrevo somente para estar vivo, Isso é tamanho claro que pensava visivel, como conflito.
Nunca sei bem o que responder ,e assim essas perguntas ficam as vêzes como um zumbido.
Pois são os versos, são eles os atrevidos, que se livram de mim cada um a seu tempo.
Deles eu é que de fato sou fogo finito.
Cavalo de minha própria existência caótica, não escrevo para produzir livros.
Não o faço para ser lido bonito, escrevo para equilibrar os meus sentidos e os seus arrebaudes humanos;
Fora isso seria bobagem, é algo que evito.
Escrevo simplismente para ser livre. Livre de mim mesmo.
Esse é o prumo transcrito no papel, essa celulose promíscua onde entra tudo e tudo pode.
È tudo o que posso dizer.
A poesia ativa talvêz seja só uma streep-tease sintática, onde o poeta mostra a nú o menbro mais caro do corpo, a palavra falada, a vóz, a capacidade despudorada de expressão da natureza do pensamento.
Só de despudores sobrevivem os poetas.
Mas os versos não estam nas palavras, só são refletidos nelas. Os versos existem diluidos no real, pois é da realidade que surge a essência das ideias.
A filologia é a história disso, basta um olhar para ver a liberdade do inclusive Contido na dor ou no prazer, no amor ou na solidão, no abraço da união, na vertigem ou na ilusão, no tolo do indivíduo, ou na poesia do perdão, nas coisas do mundo é visão.
De resto é o que fica como consequência asfaltada em sol do verão, é o poema evaporando da chapa quente das necessidades ânimas da gente.
Os versos buscam expressar alguma rima nesse calor que já existe, uma pista que eu mesmo não sei, escondida, mais uma consciência na vida. É alimento para a estima que se tenha de viver.
O que acontece, ou algo que se reveja, o que se quer, ou um guardado que machuque por sentir saudade, é o que vale.
Isso acontece comigo sempre. Como agora, quase posso toca-la na memória, trago-a no desejo do que te escrevo em vermelho. Porque vermelho?
É a cor de um beijo.
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