Isso já está em mim,
amo mulheres
que frequentam botequins.
Para ler poesia basta ter calma, Para ler Poesia basta ter paixão, deixe-a incidir subcutânea, trama das retinas à veia aorta para faxina do coração.
SÓCRATES
Ossos agora vendidos engrossam nosso desamparo.
O estado desmilinguido, o povo desempregado.
Mesmo o Gullar tendo ido, o que de fato é uma pena,
O arroz continua subindo por isso nem vem ao poema.
Nas calçadas , desguarnecidos, há corpos em quarentena.
Dormindo já combalidos sem teto que os proteja
enquanto mandam os bandidos e a república se desgrenha.
Bananeira e desdentada, chamada de patriótica,
a Nação cai nesse conto Vigário para idiotas.
Fios de cobre vendidos fazem do pobre sem trem
joguete de outro sentido, não rimam versos também.
Precária cidadania, corroida nesse ato
produziu carcomida teoria chamada domínio dos fatos.
Como se a terra batida fosse culpa dos sapatos.
Assim nossa pátria abatida é sugada por carrapatos,
em golpes dentro de golpes entre tantos golpes já dados.
Esse vírus já conhecido destruindo os anteparos.
Eles vão queimando os silos produzindo mais desamparo.
Mas cães babando latidos de raiva , serão travados,
enquanto o povo unido reverterá os roubados.
Em tempos vis, corrompidos, de valores tão lavados.
Nublando tanto os sentidos não se vê a lua em minguados.
A verdade é nua e crua, se o direito não se situa,
Cabe ao povo ir às ruas a reverter esse estado.
de coisa torpe indecente, de crime impertinente,
entre o fascio e o mais trágico fardo.
Quem não cala aqui não consente, se essa terra é da gente,
se o interesse é nacional, há que exigir urgente,
há que unir toda gente, para se vencer no final.
Quando um botequim fecha, a cena é loquaz, temos três identidades de gênero humano: Os profissionais que limpam as mesas com a maior certeza que o ser humano pode ter na finitude temporária da valia maior de suas forças. Os bêbados com a simplicidade alcoólica tropeçando sua dignidade vulnerável evaporada em cauderetas, taças ou copos americanos adictos ; São seres embriagados em decomposição histórica, sobre os quais não há salvação, pouco resta e menos nos vale a pena qualquer comentário diante da grandeza iluminada dos terceiros, os namorados novos , esses sim cumpliciados no sagrado. Extremados externam toda objetividade afetiva e sem dúvidas salvarão a humanidade no amanhecer com a eternidade de fim de noite delineada nos seus beijos apaixonados .
Sou Branco como areia, quem quiser ver basta olhar.
Não trago samba na veia mas recebi um Candeia
vindo de algum orixá.
Ele me disse na veia, com a voz negra que aconselha
sentado na mesa de um bar.
Você que pensa que é branco, guardado na Torre do Tombo
tem o outro pé no quilombo de outra origem além mar
O inconsciente é um jongo de atabaque candongueiro
Não há ariano dinheiro que o possa camuflar.
vem mestiçagem primeiro, banhada em agua de cheiro
do sul até o Amapá.
Portanto caro parceiro, como o povo brasileiro
é feito de se misturar, você é variante etnia
unida por tantas guias da genética popular.
Bem maior que as utopias de furta-cor supremacia, ao fim nosso povo se fia
no tear das alegrias de uma história singular.
Para que não haja sofisma ou dominação por falácia,
a escravidão de Anastácia como batismo e crisma.
se mantém na eficácia regenerando a cisma
mantendo um povo sem rima mostrando o que há por lutar
quando um grupo comovido
me chamou para escutar
Era uma barca de corações repartidos
alegrando meus ouvidos
como a lua alegra o mar
Seus instrumentos de bemois tão sustenidos
são afagos aos ouvidos
obrigado e saravá
Pedindo benção a Jackson do pandeiro
patrimônio brasileiro
sanfonia e maracás
Iluminados com platinelas de brilhos
a alegria volta aos trilhos
nesse valor popular
Eu que sozinho me escondendo do Covid
dezenove não são vinte
tudo isso vai passar
Aqui escornado num sofá de quase elite
aceitei esse convite
de acelerar coração
Posso dizer, neles o Brasil reside
como eixo e revide
forró coco e samba bom
Se me permitem desejo aos barqueiros merda
pois a vida anda lerda
deles temos precisão
Esteja certa toda gente que nos cerca
que o pandeiro seja a seta
e Jackson a solução
![]() |