Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alvorada ( Banguelê)




Fotografia: Sol Carioca - Jussara F. Leite
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É noite e o cheiro de pele e verão vem do mar, entrando pelas janelas em busca de abrigo.
Com o silêncio escuro a cidade descansa em paz, no restauro de todas as suas fadigas humanas.
A lua desce sem cerimônia, vai tateando no escuro, até se agarrar á lâmina de concreto e vidro do edifício mais alto.
O tempo é lânguido agora, como um corpo macio de preguiça, de ausência, de vazio.
Tudo está tranquilo dentro da intranquilidade do amor, sem o infortúnio das intrigas, tudo dorme, menos eu, pois meus ouvidos se ressentem daquela voz como cantiga.
Tudo dorme, menos eu, fico na insônia, pois careço dela, e ela não esta comigo.
No escuro da noite o desejo é mais veloz, o desejo é companhia, é energia, é liga.
Sou como o mar que veio estar aqui, pois ele também á hora não dorme, por castigo de sal, pois ele também se move como quem busca afagar a pele estendida da praia.
Como dormir sem a maciez dos seus braços entrelaçados, ou o seu rosto no meu peito?
Como passar uma noite, sem ouvir sua respiração ressoar quando em sono profundo , sem alarde?
Não serei capaz de fazê-lo, se o fizer foi por descuido, pois resiste essa falta de jeito.
Reside agora em mim esse estado de solidão, essa vigília, sem sua rouquidão no leito. fico sem jeito.
Sem suas pernas em trança, sem os seus lábios quentes, sem seu calor natural de vontade.
A manhã pode chegar arrastando sua pressa, nada me interessa, nada está direito.
Se ela está longe, nesse longe me leva, aonde o amor transita, lá sempre estou consigo.
Meu amor dorme tão longe, que de longe traduziu-se imagética mas física, em fé, em falta em saudade.
Espero! E logo a alvorada do dia, clareia o sol, em novo, e de posto eu a encontre na felicidade.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

No mais ( O analfabeto poético)

                                                                               Fotografia: Sombra em vela Latina de Pedro Cerqueira

Ifá e os ancestrais
dos animais humanos,
derramaram seus desejos
nos herdeiros lusitanos.

Em cada lábio um beijo,
em cada vela de pano,
queima o sol tão almejo,
deixando no corpo os danos.

O tempo é o maior parceiro
para o reparo de enganos.
Viver é um fato primeiro,
depois se forjam os planos.

Residente num arcano,
qual os arquétipos mentais.
Tambor de mina afina
a trilha aonde passamos.

A fé é coisa divina
nos indivíduos grupais,
ou uma Cafiaspirina
para quem não vê nada mais.

Amar é mais que estima
O amor é um braseiro,
só queima se é inteiro,
só arde se está em paz.
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sábado, 12 de novembro de 2011

Rapidinha ( O trago da seda)

                                                                                              Nascente do Rio São Francisco - Wagner Almeida              

vida não é uma coisa mágica,
tanto quanto ela não é trágica.
Se muito  a existência é autofágica,
de si mesma ele é a dádiva.

Se telúrica ou lunática
Se liberta ou gramática
Se genética ou se lática
Se na América ou na África

A vida é apenas prática
Dinâmica ela é tática
Na matéria é numismática
Nas artérias pragmática
Semeadura sabática
Inexata matemática
Duvidosa ou enfática
Mas na aventura ela é errática

Se a vida lhe sorri ela é simpática
Se ela lhe faz carpir, problemática
Se não tem onde ir é estática
Para quem não viver ela é vápida
Mas não há que se discutir, ela é rápida!
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

às vezes eu cismo ( Barril Diógenes)

                                                                     Raiz de orquídea-Antônio Rezende

Só uma pista de tamanho abismo
A violência da sociedade se mede
pelos perigos do seu jornalismo
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http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

domingo, 6 de novembro de 2011

Limança ( Perna bamba é do samba)


Fotografia: Zé Limeira- Marmitafilosófica

No estilo bom Zé Limeira
Contemporânea é a praia
Tem confusão lá na feira
Tem gente de toda laia
Razão de rabo de arraia
No Fal, Fuzil ou Biqueira
Ferro de fogo é Catraia
Bom não marcar a bobeira

Crack tem morte ligeira
Antes que a casa te caia
Depois da pedra primeira
Quem for esperto que saia
Ong tem maracutaia
Dinheiro não tem fronteira
Time sem jogo tem vaia
Febeapá de asneiras

Alô alô tia Léia
Como já disse o Ben
Tem confusão Europeia
Tem no Coréia também
Mel de abelha é colmeia
Ministro cai da boléia
Erraram lá no Enem
Completando a verborréia
Malandro nunca bobeia
Peão só anda de trem

Agora o santo tem cara
Os homens correm do arresto
Cuidado pouco é vala
Bagana fraca é esterco
Se a venda é livre, isso para
Sem repressão ignara
Se a violência está clara
A vida perde no preço

Bala achada tem pista
Basta fazer o cerco
Quem vai prender a polícia?
Melhor calar pelo resto
denunciando o xaveco
Na foto vem a milícia
Se vida é doce delícia
Depende de para quem
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sábado, 5 de novembro de 2011

Basta rir dessa piada ( O trago da seda)


Fotografia: I see you-Carina Guimarães
Hoje a poesia não tem nada pra dizer
Sem conter assunto ela não vai falar nada.
Vou deixar que a rima venha ao seu belo prazer.
Dizer o quer que seja, qualquer coisa desejada.
O poema ganha nisso, um tópico bem blazê.
Ganha uma amplitude de matar qualquer charada.
Nosso tema agora, portanto, é o que será o quê ?
Num karaokê de versos de língua  colada.
Posso até dizer que versa sobre o que o é não ser.
Se não há nada a dizer, nada há nessa parada.
Fantasio e pinto  a cor mais tinta do Tiê.
Quem não o entender pode entrar na embolada.

Se o poema é flor, é uma florada Ipê.
Se o poema é samba, vai varar a madrugada.
Ele não tem nada  a crer, ele é feito por você.
Se o poema é dor ele é causa apaixonada.
Mas se ele for Quintana, vai ter que entrar um tchê.
Só para lembrar que ele voou com a passarada.
Se o poema é tolo, ou vier tolo auê,
levo-o á praça com toada engajada.
Nesse belo embrulho, laço os olhos de quem lê
de uma forma zen, mas, não tem mais que faixada.
Ainda assim em versos, vai poema sem brevê.
Mesmo sem ter graça, basta rir dessa piada.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cachaça ( O olhar da carranca)

Fotografia: Cachaça e pimenta-Alberto Rugiero

Tenho que reagir a meus desgovernos
Organizar a solução já por princípio
Desgovernos se agarram como os vícios,
instalados em nossos recantos ermos
Nesses termos se parecem precipícios
Desses pontos não se chega a bom termo
Perco o tempo nesse fato desperdício
Com sequelas de fundo até creditício,
Vendo a vida sobre a ótica de um enfermo.

Devo achar comigo nisso um armistício
Parar de brigar eu comigo mesmo
Escrever é agora o meu ofício
Meu abrigo, cachaça boa, torresmo
Em cada verso ponho a palavra difícil,
nos caminhos das linguagem como sesmo
Um poema foge do meu hospício,
occipício de um louco vitalício,
aonde as rimas escapulem sempre a esmo
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Barbitúrico ( O olhar da carranca)

                                                               Fotografia: Sempre uma palavra - C.Viena

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O mundo muda todo dia a cada minuto, a cada hora.
Deste universo real eu tenho um lugar, não sou o único.
Sofro o custo fatal de cada dose bebida em ácido úrico.
Tudo que escrevo, apenas poucos leem, embora público.
Assim palavra é pensamento na sua forma mais sonora.
Quando escrita pode servir como saudável barbitúrico.
Para vazar aquilo que no verso é a vida que evapora.
Assim servida em prato quente, sai ao dente e vai embora.
Enquanto minha alma ri, no dedão do pé, a  calma chora.
A poesia vem comum, sério evento em um tato lúdico.

sábado, 29 de outubro de 2011

Dia D Drummond ( Banguelê)

Fotografia:Carlos Drummond de Andrade- Arquivo A/Estadão


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Carlos caminhava quieto com suas lembranças minerais
Fazia do seu tempo as crónicas publicas como pérolas
do niilismo latente colhera boas lembranças às malévolas
Desde criança vivera custos de insubordinações mentais
Deste adulto se via sustos como mistura varietal
Assim se passou na vida sem as firulas de academia
frustrou seu anonimato com sua própria caligrafia
Seus escritos fizeram cura à fissura que lhe era um mal

Teve a palavra certa como uma seta, rumo à ironia
Cultuou a fisionomia que traduziria na flor de um povo
Como o ovo da serpente contra corrente do estado novo
Esse velho arquivista grafou as pistas do que viria.
Poeta preso à vida, essa avenida de tão mãos dadas
Mago no seu silêncio onde engendrou solidariedade
Vivo em Copacabana habita o mar que escreve a cidade
Sem dizer dos suspiros que estão contidos na madrugada
Mesmo sendo o Andrade silêncio claustro de um diamante
Deus lhe deu diabruras nas aventuras dos santos dias
Fez em auto retrato a caricatura, a fotografia
Carlos amou calado todos pecados de um amante

Língua a lamber pétalas, rosas abertas, as comestíveis
Fora seguindo em frente como um José sem saber para onde
tendo uma pedra aos pés traçou como fé um olhar nos bondes
ponte de tontas pernas ficam eternas por serem criveis
Com jeito quase candura essa criatura de olhar interno
teve em tal atitude maior virtude, o melhor disfarce
Feitio nessas medidas pós num poema de sete faces
Um corte à modernidade para modelo dos próprios ternos
Ganha então Drummond um dia de seu com direito a doce
Hoje de sua mina tudo é útil e nada a mais sobra
Data que por estima se comemora o autor da obra
Trinta e um de Outubro   já se destina á vida de um Gauche

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Relógio de sol- ll ( Banguelê)

Fotografia: Relógio de sol- FernandoRodrigues

As vasilhas sobre a pia
Um céu azul sobre o dia
Um terremoto na Turquia

Um santo que desconfia
Minha tristeza se alia
à tristeza de Maria

A vida é sem simetria
Sem meia bilheteria
Cultura tem alergia.

Ao som de Alegria, Alegria
Perdi o que não teria
na última ventania

A palavra poesia
veste muitas caligrafias
para despir ideologia

ONU é nula, é letargia
Por questão de entropia
vai sempre ser a titia

O homem aumenta a cria
Sete bilhões de antropogenias
Na próxima Segunda, você Sabia?

Em Brasília
Pip...Pip...Pip...Dezenove horas e cinquenta minutos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Leveza no circo da alma


Fotografia:A insustentável leveza - Sammy Monteiro
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A leveza é incomum ao hábito
Também ela não se aparenta à beleza
não tem perfume e nem hálito
Suas janelas estão distantes da avareza
Nunca se suporta como algo tácito
È uma forma flúida por natureza
Não significa descompromisso,
nem desafeto, nem anarquismo,
posto que só se firma na certeza.
Somente a leveza vive daquilo
que sua falta de peso faz resistência no piso.
Leve plana no ar, qual plano pleno de aviso.
Leveda em um jeito de ser, não é estilo.
Prima pela tranquilidade da clareza.
Estima a atenção, não é cochilo.
Tão pouco é uma desatenção, nem um vacilo.
Princípio dativo da correnteza de um amor vivo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Poetododia ( O analfabeto poético)

                                                      Fotografia:O poeta da terra e do mar- Francisco Figueiredo
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Para ser poeta a gente
Tem que ter sangue quente.
Tem que ser eloquente
Ter a bala no pente

Para ser poeta tente
Ser alguém diferente
Ter palavra aparente
Ser assim simplesmente

Para ser poeta invente
Veja com outra lente
Com olhar abrangente
Sendo assim vá em frente

O poeta é vidente
Quando vê o evidente
O comum recorrente
Não mais que de repente.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tá chovendo Hambúrguer (Beco da fome)

Fotografia: Fast-food/ Joana

A cidade decide lá fora seus destinos
Os seus perigos urbanos comoventes
sobra aos ombros dos homens, o mundo
Sobre o mundo dos homens, os meninos
Reproduzem seus destinos salientes
Dos sorrisos encandecestes,dois caninos
Nos embrolhos o olhar vê em segundos
Cobra a lei de olho a olho dente a dente.

Há quem tenha por conta e dom divino
Um terreno fértil e bem fecundo
JÁ Prevendo contar contas corrente
A cidade é de sangue e tem taninos
Dizem que assim se vai à frente
Quanto mais se parecer um prato fino
Sobre o qual só quem come é pouca gente
No sabor dos tais motivos oriundos.

A cidade assim, a mim, me faz cansado
Ela é um templo erguido à multidão
Tanta gente correndo a tantos lados
Tanta gente quer a sua solução
Cada um por si é só ,e vai tão ausente
Construindo essa tal própria virtude
Nas calçadas passam múltiplos contentes
Mas a cada um o que sobra é um Fast-Food.

Lábia ( o olhar da carranca)

                                            Fotografia: Com que palavras- Óscar V. de Figueiredo

A palavra encantada é a que ainda falta ao poeta,
como a orquídea falseando a morte quando não floresce.
No olhar desavisado não se vê a resistência tão quieta,
quando se furta no vago da memória de forma encoberta.
É a fala gestando seus fatos na barriga da noite aberta.

Sem palavras não há poema, como não há Deus sem prece;
Sem poesia a vida pena, adia a festa assim insurreta.
A explicação de um verso está no que dele se introjeta.
Da noite restam só os rastros de fadiga na porta incerta.
O poema passa ausente quando se cala no que dele houvesse.

Foge nessa porta dos fundos como um amor em desenlace.
Cabe ao poeta a busca no que o disfere a alegação doentia.
Qual a palavra que falta, a dar ao verso nova fisionomia,
quando na folha de rosto expressa seu gosto ou  sua atrofia.
Como um diálogo louco que refaz aos poucos a nua interface

Para encontrar o a dizer, o poeta ousa em recurso rimar.
O dia rasga seus fardos na barricada bruta dessa luta alerta.
O poeta lança seus dardos e forma falanges que a norma deleta.
O Rep, o repente é a roupa nova da fala semi-analfabeta
Se a palavra fosse minha eu a usava, eu mandava labiar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sem baba ( Beco da fome)

Fotografia:Quabo-André C. Pimentel

Hoje teremos frango com quiabo
Para quem não quer pecar pela gula
Isso é um perigoso beijo do diabo
Depois não se preocupe com a cintura
Deixe o regime um pouco de lado
O prazer da boca é a descompostura
Angu mineiro é demônio com ternura
Para os estômagos apaixonados

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Heróis da resistência ( O olhar da carranca)

                                                                                                                                                                                                               Fotografia- Olhar- Caco Alves
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O que é de dentro da gente demora uma vida para ir embora,
como coisa pertinente, se fixa solidária, mas isso é outra história.
Pode ter cheiro, perfume, odor, aroma ou até fragrância.
O que sobra de nós, mesmo assim, as vezes é uma deselegância.
São coisas de dentro, das víceras da alma, traços de nossa tragetória.
Marcas que queremos que desçam, que vão para longe, para fora.
Esperamos que caiam para sempre no ralo sanitário do esquecimento.
Mas ficam, ficam grudadas em nossas paredes duras de louça,
como a pedir clemência, e que de alguma forma alguém as ouça.
Coisas agrupadas vindas do interno, agarradas como nódoas concretas, cimento.
Por mais que as lavemos, joguemos agua, não passam, não morrem, não evaporam.
São coisas intimas que sempre engolimos vida afora; Com ou sem conhecimento.
Elas resistem ao ponto de aborrecer, ou  mesmo de nos dar muito, muito trabalho.
Expostas como descartes involuntários, cartas sobradas de um jogo, como lixo do baralho sobre a mesa. Essas coisas ficam sempre retornando vorazes, incômodas, contidas.
Não querem ser exiladas do corpo de nossa existência privada.
Comuns às lembranças de alimentos, são os pratos da infância.
Elas permeiam a memória, como arquivos girando por pura implicância.
São as sobras de tudo dentro da gente, quando resistem a serem nada.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Crianças II ( Mamulengo)

Fotografia: Sem infância- Ruy Manuel machado

Criança que vai para a escola
Criança que tem juventude
Criança com cheiro de cola
Criança com a vida Rude
Criança que é bom de bola
Criança que sabe ser craque
Criança que perde a História
Criança que morre no  crack
Criança de frente e perfil
Criança que não pode ser
Criança em trabalho infantil
Criança que tem de comer
Criança que mama no peito
Criança que ri pra você
Criança que rima respeito
Criança que faz o dever
Criança tem todos os dias
Criança que pede esmola
Criança que tem alegria
Criança que a infância foi embora
Criança que pôde crescer
Criança que tem sua hora
Criança que nasce um bebe
Criança que a vida devora
Criança que sofre abuso
Criança que não tem futuro
Criança de olhar difuso
Criança de coração puro
Criança que é inteligente
Criança que tem proteção
Criança esta dentro da gente
Criança é nova geração
Criança que cresce mais cedo
Criança que não cresce não
Criança merece brinquedo
Criança que dorme no chão
Criança também é de rua
Criança que vive por si
Criança que é criatura
Criança de marre dercí
Criança que tem de um tudo
Criança que leva carvão
Criança tem que ter estudo
Criança é a nova Nação.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Simples ( O analfabeto poético)

Fotografia- Pop artst Roy Linchtensten in his stúdio- Thomas Hoepker-1992
Sou um poeta, portanto não insista
pois o óbvio
é apenas mais um ponto de vista

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O olhar tem uma história ( Olhos nus)

Fotograffia: História de um Olhar- Nuno Sacramento
-
No azul do dia chegam as mais leves alegrias,
transparecem no ar como asas sorrindo as horas.
O tempo devora o tempo a cada segundo, à revelia
do que possa acontecer, na realidade mais sonora.
Há brasas queimando a vida em cada fisionomia,
pois nessas fisionomias cada indivíduo se elabora.
Dos olhos desses humanos o flash é a fotografia
do conjunto convencional a que chamamos de história.
Mas a história guarda segredos de fatos nunca contados,
quando o azul é opaco em nuvens nimbus contraditarias.
Os olhares que não brilham nos sentimentos nublados,
reocupam a chama humana de forma revolucionária.
Produzem também tristezas de vozerio embargado.
A história vencedora é a que desse embate evapora,
combinando sua visão com a visão de único estado.
Embora outros fatos hajam, parecem idos embora,
assim se reproduzindo a realidade mais notória.
Se acaso vier a ser mesmo um ato de vilania,
História é presente e passado, e nisso é compulsória.
A mais deixa na memoria o que foi, não o que seria,
no dizer dos vencedores. Vai risada vida afora...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Segue o inteiro ( Olhos nus)

Fotografia: Chile com Neruda- Maria
Marcas do nosso tempo, e salvo o engano,
dádiva do amor feliz de uma vez.
Juntos nos abraçamos a quase um ano.
Pele a pele, boca a boca, plano a plano.
Mesmo enfrentando muita  pequenez,
pois o amor afeta aos desumanos.

Incomodamos tanto como o oceano
tem num só grão de sal, sua insensatez.
Ela a quem todos amam, está comigo
Comigo vem porque ela quer ser feliz
No sorriso dessa moça algo me diz
Onde a alegria é fonte e mais fino artigo.

Se ela briga por pouco, juro, não ligo,
pois que ela é meu samba da Imperatriz.
Rosto onde a luz do sol forja seu abrigo.
Quando se abre em chama é força motriz.

Já a quase um ano esse braseiro
Queima indelicado dentro do corpo
Onde o amor habita nada é morto
Nunca sofre fadiga e segue inteiro