Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quanto o tempo tem ? ( Olhos nus)

Fotografia: Sinais da passagem do tempo- Carlos Marques
Então corre a medida do homem na vida, que é o tempo.
Quanto dele é preciso para construir a realidade ?
Segue em contagem regressiva do humano pensamento.
Metro, cubo, quadrado, feito em linearidade.

Vai  bem rápido, bem célere, inevitável ou bem lento.
Tempo que contamos e damos nome de idade.
Pondo ordem na desordem dos humanos, fora e dentro.
Cada um tem uma, para singularidade,

O tempo por ele mesmo é ilusão de verdade.
dentro dela é que se vive, tudo de cada momento.
Quase uma mentira é a tal posteridade.
Quanto dele é preciso para construir a saudade?
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Aniversário ( Banguelê)

A felicidade é uma página humana,
quando se descreve no tempo da vida.
Comum churrasco na tendinha suburbana,
uma alegria que por pouco se edifica.

O aniversário é quando ela se proclama,
reclama a si os afetos e suas ligas.
A data é apenas um perfume dessa dama
Gregoriana, uma gincana divertida.

Pois ser feliz é uma bobagem distraida,
uma avenida em que transitam os corações.
Deixemos ser a pista, em nada interdita,
se houver tristezas, caipiras aos limões.

Viver é ser melhor que os tais aniversários.
No tempo verso, o engano faz a tinta.
O tempo é um guardião mais que lendário.
Quem se negar aos seus  ventos, faça a finta.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Receita incompleta para encontrar o amor.( O beco da fome)

Fotografia: E o  amor - Isabela Daguer


Nesses tempos de valores individuais,
são de lenços de papel  feitos os abraços.
Nessa velocidade a vida dos normais
vai esculpindo um jeito duro, um jeito aço.
O amor cospe um veneno contumaz,
desconsertando, muito, os jovens no desejo.
Querem amar, mas não o sabem, são sem paz.
O amor os espanta na semente de um beijo.

Nesses templos que são redes sociais,
o fecundo é um coração adstringente.
Corre o tempo, corre a vida, escorre o cais.
Não há mais bala na agulha, há um pente.
Facas nos dentes onde todos são rivais.
Como dizer um eu te amo simplesmente?
É comovente, na descrença dos casais,
a rapidez não permissiva dos descrentes.

Sendo esses moços, pobres moços, tão legais.
Levarão tempo para achar o amor no outro.
Visto que amar é dar de si a desiguais,
para fundir um só calor no corpo a corpo.
Nesse mormaço, das devassidões carnais,
não se permite deslizes de ouvidos moucos.
Mas quem quiser dele saber um pouco mais,
tem que arriscar, alem de ser um pouco louco.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ceia ( Beco da fome)

Fotografia: Mãos que moldam o mundo - Francisco J. 
Parceria  poética: Mauro Maciel e Maria Fernandes

Caro amor como transmitir uma relação?

Será um balde de espumante da alegria.
Umas uvas passas que passadas amestraram.
Difíceis nozes a ensinar a arte das emoções.
Querer o amor é coincidir os corações
onde os abraços ofegantes só aliam anistia;
Mostrando mais que a deriva dos balões
num céu de nuvens onde os amantes levitaram.

Caro amor como transmitir uma relação?

Onde as pessoas de si mesmas são tardias,
projetando sombras de solidão.
Onde a vida cobra presença vadia,
tantos nesse múltiplo se admoestam,
pagando o pedágio da ilusão.
Se bandido o amor une vilões,
nos violões que as madrugadas abrigam.

Caro amor como transmitir uma relação?

Desejo é arte na criação dos amantes,
voracidade das ameixas se cobre de queixas.
A mesa está farta de promessas e beijos,
o ano se aproxima, gritando aos ventos.
Façam suas vidas que o novo está dentro.
.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

À mão ( O trago da seda)


Fotografia: Gratidão caminha livre- Arthur Guimarães

A cenografia da vida está em nossas mãos.
O espetáculo, dela mesma, escala os nossos pés.
Aos aplausos, chamam de felicidade.
A realização é tamanha e tão difícil,
tanto que lhe deram o nome de simplicidade.

No entanto, ao desejo do amor, o dizem estar nas nuvens.
Quanto à liberdade de vive-lo seja como bem quiser...
Cada ano passado seja o que se queria.
Deixemos hino ao gênero feminino da mulher.
Quanto ao novo, que chega, um atalho à sabedoria.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Psil

                                               Fotografia: A palavra é uma arma- Pereira Lopes
Toda palavra é psíquica
no seu momento de vida.
Todo poema é sentimento
da visão nela rompida.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quebra cabeças O trago da seda)

-
Na explosão física dos sentidos,
uma pessoa demonstra sua grandeza.
Para que em sí não se esqueça.
Por mais que a realidade use vestidos,
Vive de desnudar velhas certezas.
-
                               Fotografia: ...Quebra cabeças- Helder J. Barreto

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

procê ( Banguelê)

Deixe o menino,
ele será mais destino
feito do homem que vier.
Deixe-o aos hinos
que o encobrem
à  futura mulher.

Homem arrimo
É só um sino qualquer.
Não tendo rumo,
será só imsumo
da fé.

Não fé consumo,
massa do húmus que isto é.
Poetisa de prumo
venha com o verso que tu és.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Falso self ( O circo da alma)

Fotografia: O rosto- Soraia Cardoso
Quem não vive
não serve
quem não serve
não ferve
Quem não ferve
não verve
Quem não verve
não escreve

Vive como quem deve,
quem não é leve.
Não tem força com F
Fica ausente,
escondido e excludente.
Fita o fora de si,
não se entorna evidente.

No entorno age como quem decora.
Não se atreve no real, no agora,
diante do outro apenas evapora.
Causa sem calças e com a realidade breve,
se a vida for feita na farsa do "FALSO SELF".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lacan de Língua II

Fotografia: Lacan_ "A relação sexual não existe"- Vitor O. Jorge
Às vezes eu cismo
O amor é dádiva ao outro,
ou doação ao narcisismo?

Vôo de abismo
O amar é prática de gosto,
ou redução ao niilismo?

Às vezes eu cismo...
.

domingo, 21 de novembro de 2010

Soneto em Tango ( Olhos nus)

Fotografia: Forever Tango- Gonçalo Silva
Um Tango vem rasgado no Bandoneon,
citando ao passo arrastado nossa dança.
Nas praças vivas vesperou pelo Leblon.
Pura energia vista em nua aliança.

Pisa a calma e a atravessa de calor,
a trama incauta do desejo é a confiança.
Moléstia é o Diabo louco do amor.
Nos corpos nus, alados quando a noite avança.

Esses jovens não sabem o seu colosso,
temem como se ao amar houvesse lei.
Não dominam bem os apartes do seu gozo.

Quanto ao amor dedico só o que não sei.
Pois dele assim me vale o que é gostoso.
Nunca dei por certo se é correto ou se errei.

sábado, 20 de novembro de 2010

Riscos de amar V

Fotografia: Ana's Song- Hugo Amador
Coisa que às vezes assusta.
No reino da individualidade
O amor é uma troca injusta.
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domingo, 14 de novembro de 2010

Mesa de câmbio ( A puta me contou)

Fotografia: Birds Of  Prey- Uri Kolker
O homem das posses fartas
trouxe ao lado quase vazia
a moça de posses poucas
com suas roupas vadias

Sozinho comprou o piano
Bebeu wisque cantou sozinho
seu corpo alugou enganos
ferveu de planos mesquinhos

A moça de carne incasta
iconoclasta dos carinhos
exibiu pose ginasta
dentro de um vestidinho

Sozinha como um arcano
grelo adubado na vinha
fez danos e entrou no cano
foi para casa sozinha

A solidão lícita em par
tentou matar a tristeza
Na cena vista de um bar
Amor e o comércio à mesa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Poema desvairado ( O trago da seda)

Fotografia: Voyageur- Honey

O abandono é sem dono
A solidão não tem mão
O não saber é sem como
Perdido é sem solução

Qual a resposta da vida
Se a pergunta sei não?
Quando o desejo e a desdita
Trilham caminhos sem chão

A calma esconde brigas
despidas na desilusão.
Má sorte a ser comida
sem a fome da paixão.

O copo encobre feridas.
O tempo tapa tesão.
A noite salta saídas,
pecados e expiação.

No corpo zine a bebida.
No peito soçobra invento.
Não há no mundo medida
para a solidão lá de dentro.

Num trago da erva maldita,
vagando vai vela avulsa.
Neurônios bailam sem pistas,
sem solução, sem ternura

Do embargo cegando a vista,
num bar procurando a cura
ao aniquilar a conquista,
da vida que se expulsa



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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estima, rima, enigma ( Mamulengo)

Fotografia: Nu-ABrito

A cada dia mais se faz estima à poesia feminina,
há nela um rasgo de intimidade pessoal.
Em seus versos germinam mais generosidade, mais força,
posto que em toda mulher há poesia, na sua verdade mais real.

Porque em toda mulher há o encanto de mais sentimento.
Porque em toda mulher há entrega, portanto há sofrimento.
porque em toda mulher há crença, há confiança, há intento.
Porque em toda mulher há solidão, unicidade, há perdão,
há a unicidade, o alento.

Em todo olhar feminino há a tecitura do momento.
Porque em toda mulher há a resposta da natureza á esperança.
Porque em toda mulher há o labor da multiplicidade.
Porque sob a visão feminina nunca é a vida algo que se apequena.
Porque é em toda mulher que ela, a vida, se origina e se expande.

É é nelas que o sonho humanidade se fabrica
em tempo, em corpo e em gente.
Porque na mulher, os sentimentos predominam
desde todos os inícios.

Ainda que todas se ajoelhem a um poema do Vinicius.

Quando a natureza humana, nelas, se instala,
a força se reinicia e se completa.
Porque a concretude dos desejos esta nelas, O útero da vida é delas.
Nelas o eterno se aloja, aguardando a luz do novo homem multiplicada.
No escuro do silêncio uterino das transparências do trazer humano.
Ainda que chorem de calor por alguém, em vigília interna.
Ainda que alguém de dentro lhes pule o muro transitório
e esse choro permeie a vida também.

Aonde uma mulher guarda tristeza, se deve desfazer as presas,
nas quais se agarram todas as mágoas.
Talvez, de quando desfeitas as tramas da primeira união,
a ausente destreza de algum amor desarrumado,
dos carinhos ou descaminhos da cumplicidade.

A mulher é feita de sentimentos, arquiva todos os momentos de desilusão.
Toda arranhadura da entrega, sem esquecimento.
Ninguém se entrega tanto ou mais ao amor que ela,
ninguém confia tanto, ou mais, no amor quanto ela,
ninguém se dedica com tal carinho à tamanha empresa e razão que ela,
ninguém trilha mais os caminhos do coração quanto ela
e ninguém sente a desilusão da separação tanto quanto ela.

Quando a intimidade feminina doí, a dor se evidencia de modo tal,
que  mesmo com a leveza de um sorriso souto,
mesmo com o charme luminoso ou as cores de um vestido novo,
os olhos denunciam se há mágoa, se há dor, ou se há marcas  cativas dessa desilusão.
Uma lasca de cristal partido no olhar feminino quando chora.
Os olhos femininos têm mais força para o abraço, para a o aconchego da verdade, para o colo, para a evidência do desejo, para o beijo, para o calor,
pra o sexo.

A sensibilidade se evidencia sempre, diante do que é frágil
na consistência do amor, diante da dedicação que se transtorne
em sofrimento, diante do hiato de afeto, entre um antes e um depois.

Talvez diante da mágoa, da perda, talvez do esfriar silencioso
do distanciamento.
Talvez o sismo, diante do imaturo acabar de uma paixão,
algo de inexplicável e íntimo lhe dói mais.
Nela o afeto embaçado fica mais evidente, nela a tristeza ganha um tom diferente, afiado, interno, inteiro.

Como é intima a tristeza feminina nos seus claros aparentes.
Não há algo que a vende à uma atenção mais apurada.
Nela não há fascínio, porque não há fascínio em tristeza,
mas há beleza, há delicadeza, há dignidade, algo comum à dedicação maior
à sua verdade, nua e clara.
Porque toda mulher é para o amor, toda mulher é para a beleza,
toda mulher é para a vida, a mulher é artífice máxima dela mesma,
da própria vida.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Versos dela ( Mamulengo)

Fotografia: Ela e eu- Mariah



Ela tem olhos de seda
Ela vem cheirando a mar
Ela é manha de rede
Ela é abraço de luar

Tanto é sábia e sede
Ela vive a cada hora
Agora pergunto quede
Seu sorriso de agora

Tanto ama de repente
Tem calor de ser vadia
Tanto quanto pouca gente
Vive a calma da alegria

Ela tem sons de desejo
Ela tem amor de amar
Ela afaga boca e beijo
Tem um nome popular

Ela vem Minas de queijo
Tem silêncios de falar
Tem a voz de um solfejo
Será ela ? Quem será ?

No seu corpo liberdade
A pele e de tato livre
Sua vida é ser verdade
Dela não há quem se prive

Ela é íntimo segredo
De agregar ela é pública
Não padece de arremedo
Ela é uma mulher única
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cuidados de amar. ( Mamulengo)

                    Fotografia: Arlequim- Rosana Cortes



Dissolução de amor vive de bares.
É próprio ao desamor o esquecimento.
O desamor separa os seus pares,
depois de se passar como um vento.
O desamor faz pouco e nunca muito,
ele vive de se fazer de desatento.
O desamor se esconde nos assuntos.
Desmorona de andar a passos lentos.
O desamor progride com os abalos,
neles se abstrai, perde o momento.
Se o desamor é cinza de cigarros,
a solidão é seu melhor rebento.

Não perca seu amor pelos lugares,
para que ele também não se perca.
Não descuide em atitudes vulgares,
o amor só resiste a quem mereça.
Não o deixe no descaso, não o risque.
Fique atento aos detalhes sem caretas.
Nunca o afogue em doses de wisque.
Amar é abrir os mares à trombetas.
Não deixe que o amor cultive raiva.
Se amor é compromisso, comprometa.
Não pense que o amor vive de laiva,
O amor queima qual calda de cometa.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Pobre e de pouca idade ( Mamulengo)

Fotografia: Clínica clandestina de aborto-André Costa
Pode parecer algo torto

estranho e até esquisito
homem falar de aborto
se é um feminino conflito

Porem sendo eu maldito,

esse tema é desconforto.
Pobres morrem, acredito,
não ocorre entre os ricos.

Se é da mulher coisa única.

No seu singular pode ser.
Mas por baixo dessa túnica
tem gente plural, pode crer.

A saúde é coisa pública.

Mulher merece viver.
Quantas delas ainda morrem,
tendo que se esconder?

Que vida há que defender?

Quando aos açougues recorrem?
Que povo é esse, e porque
esconder os fatos num totem?

Quando morre uma mulher,

morre um pouco a humanidade.
Não na fé, mas de verdade.
Pobre e de pouca idade.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mora ao lado ( Mamulengo)

Fotografia: Ninho de amor ao por do sol
O amor jamais tem forma, é sentimento.
Também não tem preço e nem mercado.
Mas nenhum amor é puro, pois é ato.
Ele acontece, independe dos ventos

Recende felicidade, aprimoramento.
O amor é dádiva ao outro presente.
No ato não tem moral, é indecente.
Amar só não resiste ao rompimento

O amor é maduro fruto no palato.
É calor do outro dentro da gente.
Se vive não há que  ser urgente.
O amor é o seu alheio delicado.

O perdão é do amor mais consagrado
Não é vazio, nem pavio dependente.
No seu fato não comove, é residente
O amor vive na gente, mas mora ao lado.
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