Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Rastros ( O olhar da carranca)

Fotografia: Museu da Pampulha- Leandro S. Soares
Nas minhas memórias de palha,
onde guardo o que se passou,
achei uma pequena agulha.
Almoço em domingo pirralho,
Dos tempos do tio "Nonô".
Para quem não tinha família,
onde a vida não era uma flor,
Comer bife com ervilhas,
era agua fresca de bilha,
pequeno tempero de amor.
Saudades feitas nas curvas
arquitetadas  da Pampulha,
modernista assim, sem pudor.
Recordo tirando as luvas,
aonde a lembrança fagulha,
do mar, que em que Minas faz turra,
e a infância em mim preservou.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Folia. (Perna Bamba é do Samba)

Fotografia: Ensaio técnico da Portela- Philippe Lima

Foi dada a largada,
libera o cordão.
Vai ter feijoada,
vai ter multidão.
Repique e retreta,
Cacique e Doidão.
Vem pro Bola preta
trombone e trombeta,
polícia e mijão.

Tem banda e bandinha,
Bloco sem noção.
Princesa e rainha,
desfile e ilusão.
Tem carro que enguiça
Badalo ou Sainha,
Desliga a justiça,
turista e punguista,
Vem que sou facinha.

Meninos de Cloves
ou de Bate-bola.
Calor se não chove.
Tem bunda de fora.
Meu bem volto já,
Eu disse que ia.
Vem cá e me da.
Escravos da Mauá
ou Dá cá,dá tia.

Vai ter fantasia.
Mas salvo o engano,
Tristeza é alegria,
Imprensa que eu gamo.
Vou beijar-te agora,
Pirado ou pirando.
Quem mama não chora,
tem samba lá fora,
e eu caio sambando.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Versatilidade no circo da alma

Fotografia: Adeus tristeza- Nuno Chaves
Ter coragem na vida é obrigação ímpar.
O que não quer dizer que seja algo fácil.
Encarando trancos vividos de cara limpa,
sem ter medo dos riscos que nisso é portátil.
O choro é agua que desfaz a tinta,
quando no rosto a tristeza tem volume tátil.
Viver é beber agua de moringa,
respirando a natureza do que é volátil.
A beleza da vida nela mesma se dissipa.
Participar dessa trama visível é versátil.
.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vai ( A puta me contou)



fotografia: Acabou- Carolynne Tavares




Menina não me complique!
Eu sei que você é Punk,
mas é que eu sou Mangue,
caso não me identifique.
.
Mistura de dinamite,
versa explosão bumerangue.
O amor não tem forma exangue,
é veia de romper diques.

Desejo não é ofício,
coisa de pele é sacana.
Amar é transcender cama,
passa alem do sexo início.

Se a tara é grande demais,
parece mesmo difícil.
Meu corpo não é seu vício,
porto ou beira de cais.

Não sou poesia chique.
Sou breu, fundo de mar.
Não sei se você vai gostar,
mas eu não sou beatnick.

Estar junto não é estar perto,
depois haverá quem se zangue.
Afetos perdem o sangue,
quando o amor não da certo.

Vá procurar outro porto.
O amor acabou, ficou torto.
Agora que já é morto,
não há mais o que acordar.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tópico ( A puta me contou)

Fotografia: Leme da lua- Isa Blue
Parece que a boemia está meio torta
A noite atual é mais mercantil, 
Até a lua deve pagar ingresso na porta

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Senhora dos navegantes ( O analfabeto poético)

                                 Fotografias: Oferenda à Yemanjá- Sara Guedes



Senhora dos navegantes
o mar lavou todo meu peito,
levando magoas nas águas,
trazendo paz desse jeito.

Senhora Iemanjá
rainha do mar inteiro.
Divina Iorubá
canta o dois de Fevereiro.

Senhora de todas as ondas
dedico aqui o meu feito.
Janina de cuja estima
sai um poema em respeito.

Nossa senhora do mar
navegue com os pescadores,
se houver nos barcos lugar,
leve também seus amores.

Senhora da felicidade
distribua a todos  de si.
Mãe de nossas cabeças
azuis dos mantos daqui.

Senhora de tantos nomes
e de tantas alusões,
dedique-se também aos poetas,
às suas rogações

Poesia é um manjar branco
e um prato de acaça
essa rima mesmo que pobre
foi feita pra te abraçar.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Flor da pele ( A puta me contou)

Fotografia: Toda forma de amor
A manhã trouxe mais perto
todo o Rio de Janeiro
Do penúltimo ao primeiro
trouxe o chope predileto

Com ela houve o pernoite
no seu dorso travesseiro
onde o abraço do seu cheiro
no meu outro fora corte.

Toda brisa formou vento
dentre os seus olhos abertos
visão de amor não tem vetos
quando o viver vem de dentro

Passos largos, passos lentos
O tempo foi corriqueiro
passado de passageiros
laços do contentamento

À tarde o sol que é mais reto
na pele recitou o tempo
o amor vale cem por cento
mesmo quando é incorreto

Comuna a gente bem perto
sem deserto de coração
com esse instrumento à mão
todo corpo tem concerto

A noite despindo estrelas
fez luzir do amor a trama
um beijo dado na cama
é a forma melhor de vê-las

Quando chegou o sono
no afago derradeiro
um casal de Brasileiros
dormiu nesse abandono.

http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dalbert In Concert

Fotografia: Daberto - Marisa Queiróz
Disseram que o Dalberto está dolarizado,
ganhou muito dinheiro que está muito rico.
Não quer saber de rimar Português coitado,
agora é no Inglês que manda seu apito.

Seu prato predileto já é um Hambúrguer.
Foi lá pra black músic e levou a musa.
choram Ratos e Leme, não há quem enxugue.
Peitinhos e peitões estão de luto em blusa.

Total a poesia por aqui reclama.
O Harley é quem vai todo dalbertear.
O negão debandou pros lados do Obama.

Tem que comprar ingresso para escutar.
O afro brasileiro se cobriu de fama.
O Rio de janeiro é só prá passear.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com/

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quanto o tempo tem ? ( Olhos nus)

Fotografia: Sinais da passagem do tempo- Carlos Marques
Então corre a medida do homem na vida, que é o tempo.
Quanto dele é preciso para construir a realidade ?
Segue em contagem regressiva do humano pensamento.
Metro, cubo, quadrado, feito em linearidade.

Vai  bem rápido, bem célere, inevitável ou bem lento.
Tempo que contamos e damos nome de idade.
Pondo ordem na desordem dos humanos, fora e dentro.
Cada um tem uma, para singularidade,

O tempo por ele mesmo é ilusão de verdade.
dentro dela é que se vive, tudo de cada momento.
Quase uma mentira é a tal posteridade.
Quanto dele é preciso para construir a saudade?
.
http://www.mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Aniversário ( Banguelê)

A felicidade é uma página humana,
quando se descreve no tempo da vida.
Comum churrasco na tendinha suburbana,
uma alegria que por pouco se edifica.

O aniversário é quando ela se proclama,
reclama a si os afetos e suas ligas.
A data é apenas um perfume dessa dama
Gregoriana, uma gincana divertida.

Pois ser feliz é uma bobagem distraida,
uma avenida em que transitam os corações.
Deixemos ser a pista, em nada interdita,
se houver tristezas, caipiras aos limões.

Viver é ser melhor que os tais aniversários.
No tempo verso, o engano faz a tinta.
O tempo é um guardião mais que lendário.
Quem se negar aos seus  ventos, faça a finta.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Receita incompleta para encontrar o amor.( O beco da fome)

Fotografia: E o  amor - Isabela Daguer


Nesses tempos de valores individuais,
são de lenços de papel  feitos os abraços.
Nessa velocidade a vida dos normais
vai esculpindo um jeito duro, um jeito aço.
O amor cospe um veneno contumaz,
desconsertando, muito, os jovens no desejo.
Querem amar, mas não o sabem, são sem paz.
O amor os espanta na semente de um beijo.

Nesses templos que são redes sociais,
o fecundo é um coração adstringente.
Corre o tempo, corre a vida, escorre o cais.
Não há mais bala na agulha, há um pente.
Facas nos dentes onde todos são rivais.
Como dizer um eu te amo simplesmente?
É comovente, na descrença dos casais,
a rapidez não permissiva dos descrentes.

Sendo esses moços, pobres moços, tão legais.
Levarão tempo para achar o amor no outro.
Visto que amar é dar de si a desiguais,
para fundir um só calor no corpo a corpo.
Nesse mormaço, das devassidões carnais,
não se permite deslizes de ouvidos moucos.
Mas quem quiser dele saber um pouco mais,
tem que arriscar, alem de ser um pouco louco.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ceia ( Beco da fome)

Fotografia: Mãos que moldam o mundo - Francisco J. 
Parceria  poética: Mauro Maciel e Maria Fernandes

Caro amor como transmitir uma relação?

Será um balde de espumante da alegria.
Umas uvas passas que passadas amestraram.
Difíceis nozes a ensinar a arte das emoções.
Querer o amor é coincidir os corações
onde os abraços ofegantes só aliam anistia;
Mostrando mais que a deriva dos balões
num céu de nuvens onde os amantes levitaram.

Caro amor como transmitir uma relação?

Onde as pessoas de si mesmas são tardias,
projetando sombras de solidão.
Onde a vida cobra presença vadia,
tantos nesse múltiplo se admoestam,
pagando o pedágio da ilusão.
Se bandido o amor une vilões,
nos violões que as madrugadas abrigam.

Caro amor como transmitir uma relação?

Desejo é arte na criação dos amantes,
voracidade das ameixas se cobre de queixas.
A mesa está farta de promessas e beijos,
o ano se aproxima, gritando aos ventos.
Façam suas vidas que o novo está dentro.
.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

À mão ( O trago da seda)


Fotografia: Gratidão caminha livre- Arthur Guimarães

A cenografia da vida está em nossas mãos.
O espetáculo, dela mesma, escala os nossos pés.
Aos aplausos, chamam de felicidade.
A realização é tamanha e tão difícil,
tanto que lhe deram o nome de simplicidade.

No entanto, ao desejo do amor, o dizem estar nas nuvens.
Quanto à liberdade de vive-lo seja como bem quiser...
Cada ano passado seja o que se queria.
Deixemos hino ao gênero feminino da mulher.
Quanto ao novo, que chega, um atalho à sabedoria.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Psil

                                               Fotografia: A palavra é uma arma- Pereira Lopes
Toda palavra é psíquica
no seu momento de vida.
Todo poema é sentimento
da visão nela rompida.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quebra cabeças O trago da seda)

-
Na explosão física dos sentidos,
uma pessoa demonstra sua grandeza.
Para que em sí não se esqueça.
Por mais que a realidade use vestidos,
Vive de desnudar velhas certezas.
-
                               Fotografia: ...Quebra cabeças- Helder J. Barreto

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

procê ( Banguelê)

Deixe o menino,
ele será mais destino
feito do homem que vier.
Deixe-o aos hinos
que o encobrem
à  futura mulher.

Homem arrimo
É só um sino qualquer.
Não tendo rumo,
será só imsumo
da fé.

Não fé consumo,
massa do húmus que isto é.
Poetisa de prumo
venha com o verso que tu és.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Falso self ( O circo da alma)

Fotografia: O rosto- Soraia Cardoso
Quem não vive
não serve
quem não serve
não ferve
Quem não ferve
não verve
Quem não verve
não escreve

Vive como quem deve,
quem não é leve.
Não tem força com F
Fica ausente,
escondido e excludente.
Fita o fora de si,
não se entorna evidente.

No entorno age como quem decora.
Não se atreve no real, no agora,
diante do outro apenas evapora.
Causa sem calças e com a realidade breve,
se a vida for feita na farsa do "FALSO SELF".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lacan de Língua II

Fotografia: Lacan_ "A relação sexual não existe"- Vitor O. Jorge
Às vezes eu cismo
O amor é dádiva ao outro,
ou doação ao narcisismo?

Vôo de abismo
O amar é prática de gosto,
ou redução ao niilismo?

Às vezes eu cismo...
.

domingo, 21 de novembro de 2010

Soneto em Tango ( Olhos nus)

Fotografia: Forever Tango- Gonçalo Silva
Um Tango vem rasgado no Bandoneon,
citando ao passo arrastado nossa dança.
Nas praças vivas vesperou pelo Leblon.
Pura energia vista em nua aliança.

Pisa a calma e a atravessa de calor,
a trama incauta do desejo é a confiança.
Moléstia é o Diabo louco do amor.
Nos corpos nus, alados quando a noite avança.

Esses jovens não sabem o seu colosso,
temem como se ao amar houvesse lei.
Não dominam bem os apartes do seu gozo.

Quanto ao amor dedico só o que não sei.
Pois dele assim me vale o que é gostoso.
Nunca dei por certo se é correto ou se errei.