Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

domingo, 1 de junho de 2014

Sucata de amores ( Barril do Diógenes)

                                                                                                                                                  Fotografia: Tempo dr des-amores - José de Almeida


Sucata de amores é a lembrança,
dos guardados do depósito da memória.
Ao poeta o que resta é a farta história,
afora o que fora um dia já bonança.
A seta agora aponta a contradança
do que restou, por ser contraditória,
e ao corpo leva a mão à palmatoria,
ditando rumos tão sem governança.

Quem pensa que domina o tal destino,
se ilude com tamanha euforia,
não sabe o quanto em si desconhecido,
haverá de insurgir no rol dos dias.
Qual água sem desejo que nos molha,
qual o tempo esse farol esmaecido,
é o acaso se atrelando destemido,
mudando o rumo sem fazer escolhas.

Assim se vai vivendo, lado a lado,
o ser e a outra tal, a realidade.
O homem é de si mesmo só metade,
a outra parte é ao porvir destinado,
que invade a vida com brutalidade,
e ao tal destino traz força tamanha,
num jogo aqui se perde e aqui se ganha,
deixando por sobra o sal da saudade.











domingo, 18 de maio de 2014

Cerol ( Barril do Diógenes)

Fotografia CDI news

No tanto que o corpo é mente
em um sentimento combalido,
é o quando a gente não sente,
o que parece não ter sentido.

Se o lado esquerdo do peito
é o lado desguarnecido,
temos que achar algum jeito,
algum jeito, de se estar vivo.

É o quanto tão sem proveito,
em um tempo interrompido,
a despeito assim do desejo,
sortimento tão sobejo,
é assunto mesmo esquecido.

O afeto diz desrespeitos
á  nobreza de um cidadão.
Cama vazia, em  pulsão,
vira somente um leito;

Não, não, não, não, não.
Semente do que é ilusão.
Aquém do homem aguerrido,
forjado em exercer libido,
de fato é  inadequação.

A pele encobre o que foi
também elo corroído,
à sobra no corpo dói,
insana desses sentidos.

As mãos sem o tato em desuso
só um movimento ingrato
A existência diz tudo;
Sustenido senso-lato.

No patológico intruso,
se a bola já foi pro mato,
o tempo de vida é bem curto,
para a virtude dos fatos.

A reverter mais vazão,
descaso da sexualidade,
por absoluto é o tesão
fogo que sempre arde.
De tudo restante à tarde
toda e não  somente,
desdem da realidade.

O que move o amor mais crente,
na solidão da saudade,
no fundo do mar da gente,
é essa realidade urgente.

Ao se dobrar tão sozinha,
A pelves é  marginal,
no lençol branco do cal,
de olor sem rumo e sem linha.

Por ser desobediente,
na andança gestual de um rito,
ela é o que sobrou do grito,
lembrança irracional,
recordando o mais urgente,
do ultimo amor, o letal.

Rumando na contramão,
assim vai maior o tempo;
É uma linha bamba no vento
no invento da solução.

Com muito cerol de vidro,
a desferir movimento,
sobre o sol do carinho ido,
no ar da forma e do brilho,
no vendaval do momento.

Qual pipa solta em vacilo
quase penúltimo suspiro
no vendaval insuspeito,
e a vida segue sem jeito.
Ou ela é isso, ou aquilo.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Geo ( Barril do diógenes)


Diógenis santos
                                                                                              Fotografia: Diógenis Santos
Não vamos nos esquecer que o nosso gás vem da Bolívia.
Que nós temos contratos com a Venezuela.
Nossa política interna ainda é um caso de polícia;
Na externa já não bate o " tamborzão" mais belo.

Nosso povo ainda está morrendo de icterícia.
E tem ladrão levando a vida só no lero-lero.
Até parece que aqui está muito bem, é uma delícia.
Sabão no chão, malandro, escorrega todo o mundo.
e todos pagam na geral a evasão de divisas,
e ainda sobra pra lavar qualquer dinheiro

Boca falada é menos medo do presunto.
E tem a vala pra ganhar nos ferros.
É uma questão, há que pensar, de fato, nesse assunto.
O cabrito vai e a gente fica só com os berros.
Enquanto o mundo queima, igual a qualquer "buzão".

Copa do mundo é pra ficar na pista.
Aqui se perde muita grana é pro Doleiro.
O papa é Argentino e Déus é um brasileiro.
Que a gente sai geral com a taça e o tal na mão.
e ainda paga a conta cara dos artistas.

Privatizando o fundamental ensino,
a escola pública cai com a nação no chão.
E assim vamos criando o futuro, como hino.
Vamos criando as meninas e os meninos,
ganhamos o concurso  é na corrupção.

A solução?
Só se lutar no meio das ruas,
pois não virá de um raio,
ou qualquer coisa de lua,
senão da fibra e a fé de um cidadão.                                      

quarta-feira, 26 de março de 2014

A clava ( Barril Diógenes)

                                                                                                                                                                                                Fotografia: Gritos surdos- Miguel Rio Branco
A língua mastiga a cria, a palavra,
como um fundamental alimento
oriundo da formação do  discernimento.
Da possibilidade da palavra também se alimenta
a liberdade, da-se a expressão, dela a fala se cria e se sacia.
E expande a alma, e ganha espaço, qual o metro e a geometria.

Comuna assim a construção do pensamento,
e assume, imagética que é, qualquer poesia.
Aonde antes somente o silêncio estava,
somente o silêncio guardava tudo o que havia.
Na fala o sentimento avança, nessa brevidade se pronuncia.

Liberto, humano, lírico, rompe o real à força clava
aonde antes nenhum novo olhar sequer se atrevia.
Assim vai o poeta na solidão mais brava,
sem saber que ele é a seta, o possível nexo à raiz.
É ao mesmo tempo a criatura e a ventania,
contagiando com a escrita  a respiração da raça.
Recombinando vidas, dando-lhes vastidão
na brevidade do existir, uma una fisionomia.

domingo, 9 de março de 2014

Hora da Razão ( Barril do Diógenes)

A vida que se segue,
é a que a gente faz.
Por mais que a coisa pegue,
no pulso ela quer mais.
Da energia alegre
à ventania audaz.
Ela não tem air-bag,
por isso desapegue
do que não lhe da paz.
                                                                                                  Instalação de Nuno Ramos
Por pouco que se enxergue,
o tempo sempre esvai.
Na carga sobre os ossos,
bacilos canibais.
Dos dias perigosos,
áridos e arenosos,
hashtags carnavais.
Dois olhos hoje laços
em latitude abraços,
e os restos são banais.

terça-feira, 4 de março de 2014

Frei de Freire ( Barril Diógenes)


Educar é transgredir o saber; É Invadir o conhecimento
para libertar a pessoa, é expandir assim sua própria vida.
Ao interagir com o real, vai-se  desenganar a ignorância.
Ao provocar a inquietude vai-se transformando a atitude
na ousadia, no arrebatamento da existência mais altiva.
Vai-se germinar no individual a consciência coletiva.
Mais plural, desnuda da mítica, menos residual,
menos paralítica. Mútuo social sem mágica, mas prática.

Aquele que sabe, transforma o momento
com o fio do sabre do seu pensamento.
Transforma o real reduzindo- lhe a estática,
de forma global na práxis da crítica.
De uma forma tal, e com total talento,
que deixa o seu brilho
espalhado no chão do tempo.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nagôas e Guaiamuns ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Argemiro Patrocínio

O samba sem ironia, sem alguma picardia,
é café com água fria, algum amor sem tesão.
Do samba a verdade é filha como uma luz que brilha,
em forma de redondilha acessa a emoção.
Na trilha de Noel Rosa, Poeta que é pai da Vila,
outro vem é se perfila com a sua melhor roupa.
Sambar de alma dedicada, de um jeito que não recata,
é como amar na madrugada, nunca fala coisa pouca.
A rima é arma perigosa nessa canção venenosa.
Quando não calam as rosas, vem mais conscientização.
Assim a alegria entrosa, fazendo a vida mais prosa,
insinuante e gostosa, antídoto à solidão.
Legado de valentia é o  recado dessa alegria.
O samba é a fotografia do fato feito em crônicas.
A resistência sem  o recato é a barricada da folia,
Guaiamuns em suas brigas, Nagôas em fé sardônica.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

João bobo ( O olhar da carranca)

Fotografia: Pensare per Immagini - Luigi Ghirri

Mais uma vez vem a noite e me abraça;
Quente com seus braços de bruma e breu.
E a invalidez me ronda a calma, inata,
como imagem que passa, somos ela e eu.
Uma têmpora maior que três dias me exclui
de alguma alegria reflexo, no espelho.
A história está feita, ou serei eu a refazer
de novo, como fora antes, e o será.
Ainda dizem as crendices populares
que um raio nunca cai no mesmo lugar.
Tudo  que penso é que de novo não sei,
como de fato nunca me soube, num jogo.
Sou homem feito de minhas tentativas,
nenhum futuro me garante à frente por consenso.
Vencer recusas do corpo nunca foi tarefa fácil,
agora é o que me falta, é o que caminhar suspenso .
Não sei bem para onde, não sei nem como, se frágil.
Tenho que fazer o refazer da vida, não me açodo ao vento.
Às vezes tenho a impressão que há em mim, um mar todo.
A teimosia, a faísca alma, a queda de um João bobo.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Banho de mar a fantasia.( Barril Diógenes)


O dia queima a pele em violeta ultra.
A cidadania é um canhão de bala curta,
enquanto explode a plebe toda em profusão.
Refrão após refrão, e a união de vozes  se avulta,
a exigir em qualidade a vida assim menos fajuta
a erigir bem mais que a existência por devolução.
Ao militante o militar, de arma em mão letal;
Se  lançam chamas no "buzão" do carnaval,
é a união da solidão e a força bruta.
Descarrilando a solução nessa permuta,
do que se pode e o que se fode no final.

O rolezinho esbarra em mim nessa conduta,
um diz que sim, enquanto o outro já refuta
com uma desculpa meio fora do lugar.
Seguimos juntos, vozerio sem escuta,
e a disfunção permite ficar como está.
Para o evidente do caroço falta fruta.
Pois quem quiser comer angu que vá a luta.
Ao que parece, aparece um apartar.
IDH é um índice filho da puta,
é o que constrói uma pessoa mais arguta,
e a fantasia acaba em um banho de mar.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pula que é de graça! ( Barril Diógenes)




Já é hora de exercer cidadania
Já é hora, Já é tempo, Já é dia.
Minha pátria, sua pátria, pátria minha,
não quer ter somente voo de galinha.
Já senhora não quer ser só patriazinha.
Mas para tal tem que haver a ousadia.
Tem que haver maior rigor na valentia.
Sem as ruas volta tudo às vacas frias.

Já é hora dos cidadãos serem os guias.
Corrupção tem duas pontas nessa linha
e o silencio esconde a quem beneficia
Quem decide é quem exige, é realista.
Dessa força se constitui quem caminha.
Pátria nossa, pátria sua, pátria minha.

Já é hora de lutar por soluções
As cidades, as veredas, as florestas os sertões.
Todos juntos: Índios, negros e os herdeiros de Camões.
Zés, Antônios, as Marias, os Joões.
Ruas, praças, vilas, pistas, avenidas.
Só quem luta consciente faz a vida.
Pátria nossa, pátria sua, pátria minha..

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Assoalho Pélvico ( O olhar da carranca)

Fotografia: Evandro Teixeira

Para Helen, que busca dar forma ao pastelão
.
Quando o corpo em si limita,
encurta o rumo da estrada.
O comum é a vida finita,
no espaço que ela habita,
e no possível é reconquistada.
Por mais que assim seja aflita,
que a noite não seja bonita,
Há sempre um sol madrugada.

Sempre a esperança é esperada
n'alguma palavra que é dita,
diante da postura errada
perante o pó da passada,
haverá uma tal saída.
Haverá  de surgir, qual do nada,
realinhando a prumada,
uma seta que diga siga.

Como algo em que se mitiga
o percalço da jornada,
aliviando a fadiga,
reabilitando essa vida,
como prendendo a mijada.
Em  uma atitude amiga,
qual da Guiné venha figa,
com as mãos mais apropriadas.





segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Solo de cordas ( O olhar da carranca)

Guitarra de Marta
Um solo Stratocaster abre a fenda,
por onde tu passaste, e foste embora.
Na porta a realidade ainda evapora.
 E na solidão, o amor volta a ser lenda.
Qual sopro de um trompete a alma é sonora,
e o humano coração que a entenda.
Das roupas devolveste só fazendas,
ficaste com o suor de quem namora.
Assim sobrou o menor que a encomenda,
pois vá buscar quem melhor surpreenda,
na corte o rei deposto não implora.
Ao fim nada mais há que se adenda,
outra que me ensine a fazer renda,
e a mim, somente a mim, sobrou o agora.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Soneto de então, é Natal (O olhar da carranca)

Fotografia O Globo

Chegou o Natal cheio de metades.
Ele é tropical, ele é tão presente.
Luzes na cidade. e o Assis Valente?
Pediu para a gente a felicidade.

Nesse o bom Noel veio mais urgente
na velocidade virtual dos tabletes,
nos Smartphones, doces diabetes.
Tudo se consome em Shoppings emergentes.

Data universal para o Ocidente
Há o velho abraço, que una mais as partes.
Que o material seja menos comovente

E os afetos sejam mais alardes,
e que a gente seja só mais gente,
e o Natal mais solidariedade.







quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pressuposto e previsível ( Barril Diógenes)


Na boa!
Os rios da minha cidade
não são o do Fernando Pessoa.
O Rio, a minha aldeia,
ninguém sabe para onde vai.
O Tejo entra no mar em Portugal;
O Rio, a minha aldeia, é um lamaçal.
Ele pertence a menos gente,
infelizmente a coisa é feia,
e o fato já é uma tristeza modal.

Porque pertence a menos gente,
essa menos gente se alheia.
Aos outros Rios sobra o assoreamento,
muita lama e muita areia, muito lamento.

Mas os rios e o Rio são muitos assombramentos
se juntam em algum mar inteiro, em alagados alentos.
Na calamidade contínua, e também inteira, são os deslisamentos.
Sobra a falta de solução, faltam bueiros, sobram plúvios lamentos.

Tudo é desastre, tudo é banheira, desaba muito.
Tudo é o muito, é o de sempre, repete a maneira.
 Voltamos ao velho trauma, de novo ao velho assunto
E os rios calamitosos se sobrepõem ao Rio minha cidade.
Colhemos os donativos comuns ao descaso, á caridade
E ao Rio comunidade sobra então o refazer, o estar junto.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Gente (O circo da alma)


                                                               Fotografia: Bunda dos calcanhares- Charles Stuck

Diferente do senso comum,
o ato involuntário
não faz acordo nenhum.
É um  revolucionário,
e está dentro de qualquer um.
Abrigado do pensamento,
provoca á lente, faz zum.
Agente, como o vento,
foca o real do momento
como quem mostra o bumbum

sábado, 7 de dezembro de 2013

Eu vou ( O olhar da carranca)

Rua Antônio Vieira no Leme

Ijexá
Afoxé
Vou rezar
Vou ter fé

Abará
Candomblé
Vou voltar
a andar

Vou correr
qual Pelé
Nas calçadas
do mar.

Vou rumar
os meus pés.
Ver o sol acordar
Ver a lua mulher
Quem viver me verá.


Como um homem qualquer.
Vou daqui
Chego la
Caminho Guarani
eu vou te caminhar.




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Zumbi dos escravos (Barril Diógenes)

Fotografia: O Globo- cais do Valongo

Consciência negra
é da cor do tiziu.
É cafuza, é mulata,
é da cor do Brasil.
Foi queimada com brasa
reduzida a servil.

Transportada em navios,
a ferros, foi mercantil.
Das senzalas pros morros
quem te vê? quem te viu?

Hoje em pontos de ônibus,
igualdade em antônimos,
e o salário caiu.
Estatística é o quanto
se esconde, no manto,
o preconceito imbecil.

Nos modernos feitores,
fardados de amores,
apartada a fuzil.
Essa pedra de toque,
lúmpen do black Block,
essa cor varonil.

Quem são eles?
Quem são elas?
Quantos serão Mandela?
Quantos Gilberto Gil?

De gravata, de chinelas,
do asfalto às favelas,
misturada e febril.

Consciência é coisa crítica,
é um saber refinado,
é atitude política,
é o Zumbi dos escravos.









segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ponto de vista (A puta me contou)

Fotografia: Rodando a Baiana- Cláudia Jaguaribe

só canta se for show
só chuta se for gol
Faz zomba do amor
só samba rock'n roll
pensa que sabe viver
mas ainda nem começou

sábado, 9 de novembro de 2013

A confiança no circo da alma

                                                                     Fotografia: Eu do tamanho- Amélia lourenço

A confiança
sempre esta
aonde a coloque
a coragem de ser
indivíduo consciente
de si mesmo
e plural no universo
de todos.

E nessa andança
faz o lugar.
Sem ter recalque,
encara o tal que
a história
há de coser.

ponta de lança
salto da dança
perseverança
com um sorriso
nos dentes.

E sem ter aviso
do improviso
dói como um ciso
abrindo espaço
na gente.

Vai simplesmente
seguindo, em frente
do eu que habita você.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

A arquibancada no circo da alma


Fotografia: Dia do Circo - Diógenes Santos

A amizade no circo da alma
tem nas mãos o riso das palmas,
o esquecimento de todo  trauma,
entre a chama aclamada nos sons.
A amizade é uma troca de somas
que inflama na mesma lona,
o afeto bom e o prazer..

Unindo o picadeiro
ao solidário braseiro
da arquibancada em você,
O amigo traduz com  calma
a força desse amálgama
dileto, de cuja álgebra
resulta em ser e estar com.

A amizade, se longa ou breve
ocorre no que descreve
o abraço do acontecer
deixando em cada pele
um pouco que se revele
da fraternidade do ser