Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Comédia desumana ( Barril Diógenes)

Fotografia: Porque???- Ana Luar
Divina é a comedia humana,
no porta-luvas vira gigante.
Guarda sua radiante fama
Dos sonhos faz inferno de Dante.

Na selva escura de puro asfalto,
não se assegura o mínimo rastro.
Se a escala é dura rumo ao salto,
muitos quedarão com um infarto.

A vida trava uma luta cruel,
onde um vulto não é homem mais.
Dita Virgílio a caminho do céu:
É a loba vida que intriga à paz.

Vai sendo feita ao tempo a jornada,
em que se perdem muitos dos homens.
Na covardia das más palavras,
findam os que se perderam ontem.

Pobre da alma que acolhe a um mal,
ao qual se divulga com maestria,
mais não afeta, esse ato desigual,
tal desatino a quem não cabia.

Feita de calma e força, é a coragem,
não se esconde em tal atitude.
No anonimato de fiel clivagem,
com o silêncio não se discute.

Ao breu se esvai o caluniador.
Por mim se vai à cidade dolente.
Não cabe um ai na eterna dor.
Assim se vai tão perdida gente.

São pessoas que sofrem tanto,
inferiores como Caronte.
Guardam suas vidas num falso manto,
vivem num limbo sem horizonte.

Deixo a Minós vir os pecadores.
Ele os faça, um a um, nas sentenças.
De historias tristes são portadores.
Têm solidão por recompensa.

Difícil reconhecer a imundos,
de cuja alma nada se salva.
São só inúteis nunca profundos,
para seus erros não há ressalva.

Pobres coitados com vara e lama,
de cujas vidas eu vou declinar,
pois quem bebeu de Copacabana
Trás sempre aos olhos nave do mar.

sábado, 23 de abril de 2011

Poema em blocos ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Nervos de aço- Elifas Andreato
Se não quer me dar me empresta
com simpatia é quase amor
Só o cume interessa
tá pirando, pirado, pirou.

Quem não guenta bebe agua
ou escorrega mas não cai
Vou no bloco rua larga
que concentra mas não sai

Nem muda nem sai de cima
mas imprensa que eu gamo
Das amigas da esquina
Já comi pior pagando

Vou sair no escangalha
sou escravo da Mauá
Rola tarda mas não falha
vou treinar é volto já.

Vem ni mim que sou facinha
senta aí que eu empurro
Desfilando só na minha
então vem que eu tou duro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Não demoro (Perna bamba é do samba)



Fotografia: Vai -Mika
O amor deflagra o calor nos amantes.
Com a brasa lambida do fogo ateado no corpo.
Condena em silêncio fatal aos seus, aos replicantes.
No outro o desejo de amar traz o mar, Cais do porto.
O amor faz reclame a todos,  a todo instante.
Mesmo na descrença se é dele decano ou devoto.
Arrasa com a solidão num desvão, vendaval, num rompante.
Seja no beijo da foto, na brisa ou bagaço do terremoto.
Por vezes a forma de amor é tal deselegante.
Seja ele um pé de chinelos, novelo ou  angú de caroço.
Da forma que for, se é amor, é sempre mais edificante.
Seja ele atuante, ofegante, na  idade de velhos ou moços.
Amar é um ato afoito, é coito de fé delirante.
Na guerra do corpo a corpo respiram suados destroços.
Á tarde , na rua, na lua na mesa do restaurante.
Num chope gelado, bem acompanhado de pobres tremoços.
Assim quando já não há mais nada a perder, ele vem assaltante.
Ele entra por dentro da gente, delinquente, por todos os poros.
Seja certo que amar é medir pelo metro maior dos errantes.
Quando ouvem nos labios das bocas suspiros e sinais sonoros.
Ele esta onde não caberia, por ser de tamanho tão grande.
Depois põe fogo em toda Roma e conclama povo no foro.
Mas meu, amor, sendo noite, eu te peço que espere um instante.
Vou lá fora comprar um cigarro, juro que eu não me demoro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O beijo no circo da alma

Fotografia:O beijo- Sara Martins
.
Um beijo é a fala dos amantes
Ou mesmo o afeto dos amigos
Na face beijo é coisa elegante
Tradição na história, é bonito

Um beijo se dá a quem vai embora
A quem chega o beijo é bem vindo
Também se beija o rosto de quem chora
Beija-se em pares quando o amor é lindo

Beijar é ato de maior humana glória
Mostrando um ao outro em convite
Correspondido ele fica na memória
Beijo roubado não é algo que se evite

Beijo à face, beijo às costas, beijo à nuca
Beijo a filhos, do desejo e de novelas
Beijo bobo ou de língua, longa ou curta
Beijam-se eles e também se beijam elas

Todo tempo, todo dia, toda hora
Todos beijam desde o tempo de criança
Juventude de senhor e de senhora
Pois o beijo na idade não se cansa

Beijo aberto ou beijo de amor bandido
Beijo doce, beijo sempre tem sabor
Por vergonha tem o beijo escondido
Qualquer beijo vale a pena como for

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terça-feira, 12 de abril de 2011

Voltei aos dezessete ( Mamulengo)

Fotografia -La Sebastiana- Valparaiso
Caros amigos

Desculpem demorar a responder aos emails, mas estive fora por uns dias.
Fomos  visitar a Dom Pablo, a quem não via já a algum tempo e queria o reencontrar .
Fui à La Chascona mas lá não estava, achamos à casa grená fechada e o caseiro não permitiu que o aguardássemos  pois não sabia quando voltaria. Também pudera, chegamos de madrugada  sem avisar que viríamos, um completo abuso.
Dom Pablo não poderia adivinhar.
Maria aproveitou para rever à Rosália, sua amiga de boemia e vizinha de La Chascona.
Vadiamos pela Providência, bebemos alguns Pisco-Sauers para aguçar a imaginação às estrelas no velho boteco Venézia, onde encontramos o amigo Jaime.
Encontrar o Jaime foi muito bom, ele sim parece que aguardava a nossa chegada no Venézia para um uns chopes Escudo, bebida muito apreciada por Maria, já nos estava ele aguardando na mesa de sempre.
Jaime nos disse que talvez pudesse o poeta ter se escondido em Valparaiso ou em sua casa de praia com Matilde para o fim de semana.
Para facilitar a nossa vida, o amigo reservara aposentos naquela cidade para o caso de não acharmos lá o nosso Neruda. Maria bebeu todos os Escudos que quis e mais alguns por conta de Jaime.
Optamos por procurar em Isla Negra primeiro, e assim voltamos ao nosso objetivo de viagem: Encontrar a Pablo.
O velho caseiro nos dera a hipótese de aguardar até segunda feira em Santiago, mas não tínhamos esse tempo todo, por isso rumamos ao mar, pois em se tratando de fim de semana o velho poeta poderia estar em sua casa de praia.
Tomamos o ônibus à tarde pois tínhamos que diluir na cama o coquetel de pisco e chopes da noite anterior.
viajamos por cerca de uma hora e meia ao lugarejo marítimo onde nos aguardava a velha amiga Braso-argentina Soledad; de fato encontramos nossa amiga um pouco triste, parecia sofrer com peso do próprio nome.
Soledad padecia de tristeza o bastante para brincar com sua própria desventura amorosa; Seu amor não viera junto com ela à Isla para nos receber. Fora sozinho ao Brasil assistir ao Jogo Botafogo e Boca Júnior pela Libertadores e estava em Búzios lamentando a derrota como bom Argentino.
O amor tem suas dificuldades de ofício nos afastamentos. Soledad que os decifre  na tristeza de sua solidão.
Mas enfim chegamos ao barco do Senhor Neruda.
Sua casa fundeada nas ondas do mar em meio às pedras estava vazia, somente os serviçais a ocupavam de gentilezas junto com seus objetos. Dom Pablo não estivera lá nesse fim de semana, pois estava meio gripado, foi o que nos informaram seus gentis empregados.
Maria ficara bastante preocupada com o estado de saúde de Pablo, isso a emocionara de forma a se levar às lágrimas.
Mas onde encontrá-lo? Teria viajado até à Birmânia? Estaria em Paris com sua Matilde?
Ah! Meus amigos, isso não sabemos.
Por hora o que pude fazer para abrandar a situação tanto de Maria quanto de Soledad, foi procurar o lugar mais próximo onde abrir uma garrafa de um bom vinho emergencial. Para lavar-lhes as almas e acalmar-lhes os corações apertados por motivos diferentes. Um por ausência e outro por compaixão.
Bebemos e nos despedimos das pedras e do mar do poeta sem a sua presença. Seguimos à sua busca após nos despedirmos de nossa amiga quase brasileira, é óbvio.
Voltamos a Santiago para organizar melhor nossa procura, restava ainda a possibilidade de achar à Pablo nos morros de Valparaiso, nossa última tentativa no Chile.
Já pensávamos em procurá-lo na Espanha ou no Ceilão caso não obtivéssemos sucesso.
Após um prato de mariscos no mercado municipal de Santiago fomos enfim ao último reduto aonde pudéssemos encontrar o Nobel poeta e amigo.
Atravessamos o sol dos vinhedos do Máipo e seguimos ao frio de Valpa. Cerro Bellavista nos aguardava com sua névoa.
Muito frio, muito frio meus amigos.
A cidade é um porto desse poeta colecionador de coisas do mar.
Ponto de observação náutica para esse marinheiro das palavras.
Cerro de altitude  bastante para se observar o mundo das armadas.
Lugar onde se pode viver as alturas de um beijo na mulher amada.
Foi lá nas grimpas de La Sebastiana que eu e Maria encontramos por fim ao poeta andarilho; Lá estava ele, como um capitão de sua torre de comando, sentado na nuvem a observar o Coro-coro vermelho enjaulado no ar de sua casa.
Maria o viu primeiro e correu a cumprimentá-lo mais próximo, antes mesmo de ver à Matilde que sentava-se à sua frente. Queria saber de sua saúde antes de tudo.
O velho preguiçoso de tintas verdes nos dedos pôs-se a acalma-la com sua voz rouca e funda.
_Tranquila menina, tranquila, eu estou bem!
Logo atrás vim caminhando lentamente, claudicando pelas escadas fui ao encontro de meu amigo, que ao me ver levantou o corpo de sua nuvem e veio para um abraço afetuoso.
Estou te procurando a três dias meu caro, estive em suas outras casas!
Estou aqui meu amigo, é sempre para onde venho quando quero ver o mundo, disse sorrindo em minha direção.
Dom Pablo perguntou de sopetão se tenho aproveitado seus ensinamentos no que escrevo, se estou escrevendo todos os dias e por fim se bebo alguma coisa para aliviar o cansaço da subida.
Expliquei-lhe que agora não bebo mais tanto assim, mas ele não aceitou minhas desculpas, dirigindo-se ao bar para iniciar o que acabou se transformando em uma festa.
Depois de algumas doses o mestre da poesia se dirigiu á cozinha para preparar uma costela de cerdo assada, à qual fez questão que eu guardasse a receita na memória.

Um quilo de costela de boi, preferencialmente a parte do dorso.
Deve-se, segundo Pablo, colocar na chapa quente para selar os pedaços da carne.
Assim não se perderá os sucos e a maciez no cozimento.
Uma parte de água para duas de vinho de boa qualidade.
Salsa, salsão, alho poró, um amarado de ervas a gosto.
Cebola, legumes, alho e sal também a gosto.
Cozinhar tudo por aproximadamente duas Horas e meia.
Esse é um tempo adequado para colocarmos os assuntos em dia, em boas doses de wisque.
Depois em uma frigideira devemos saltear champignons, shiitakes em molho ao funghi, feito na manteiga e engrossado com o vinhadalho por redução.
Segundo o chef Neruda deve ser esse prato degustado com o acompanhamento de um purê de batatas e salada.
Nunca esquecer de que o gosto se apura com um bom vinho chileno, casta especial Cabernet savignon  do melhor free-shop. Para encontrá-lo é preciso viajar na solidariedade dos homens.
Depois dessa aula iniciamos o nosso sarau gastronômico cultural, que só terminaria no Cinzano com um Pisco a mais de boa conversa fiada e muita gargalhada.
Após o café despedimo-nos Maria e eu de Matilde e Pablo.
Maria sorria feliz como sempre faz depois de um vinho, principalmente porque nosso amigo Neruda a tranquilizara de sua saúde e estava bem vivo ao lado de sua Matilde.
Quanto a mim, sentia como quem houvera cumprido um dever. Apenas voltei ao dezessete.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Solução ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Enredo do meu Samba-Leila Lage
Quando a tristeza persiste Te fazendo triste
não tem jeito não.
Tem que beber de um samba fundo de quintal
para achar solução.

Solução....

Quando o desejo é um beijo, deseja desejos 
de um samba canção.
O amor esbarra nas línguas vibrando
como cordas de violão.

Solução....

Você que o olha  de longe, no olhar esconde
o calor da paixão.
Não vê que a vida te abraça no corpo aonde
há um toque com as mãos.

Solução...

Vê, vai seguindo sozinha, sem entrar na minha
não tem solução.
Pois este olhar continua te fazendo nua
em exposição.

Solução...

Exposta como lua atravessando a rua
do meu coração.
Tente mudar a conduta que vida é curta
e tem solução.

Solução.....

terça-feira, 29 de março de 2011

Sorriso ao Esteves ( Banguelê)

Fotografia: Trabalho e poesia- Lilian Moura
O dono da tabacaria sorriu para o Esteves.
Não sei muito bem porque, a que propósito.
O universo humano tem suas infinitudes,
mesmo que a humanidade se detenha em paredes.
Certos princípios já nascem com o gene do seu óbito.
Até mesmo o pensamento é vulneravel. Tem latitude e longitude.
A vida é um fato que só se costura no tecido das suas próprias atitudes.
Ainda que o Esteves ganhe um sorriso óbvio,
ainda que a humanidade tenha se limitado em redes.
Tem-se que querer ousar, buscar aos afetos como quem tem sede.
Buscar a felicidade lavando os desejos com os próprios olhos,
a partir daí, somam-se o quantum das virtudes.
Eu não poderia amar à filha de minha empregada,
sequer tive a felicidade real de conhece-la.
Nem a ela e nem á menina de Cacau lambuzada.
Amo a mulher a quem divido com a psicanálise.
Desse amor me faço em chamas verdadeiras, a fundo.
Mais de mim á ela trago no pó da estrada.
Mais que isso, eu não poderei ser nada.
Nada alem do que há em mim, dos sonhos desse mundo.
Ela sim é capaz de ver as coisas que há por baixo das pedras dos seres.
Já eu sei apenas dos sonhos, no que são reais por dentro,
sei apenas dos outros, no que são reais por junto,
sei também dos tantos,  no que são reais por fora.
Pelo tempo, penso que já o saberia.
Saí de casa muito cedo, muito cedo verti poesia.
Eu que quando jovem fui descaso das certezas,
porquanto nunca as tive próximas.
Hoje conquisto o mundo todas as manhãs,
com ou sem a metafísica das pessoas.
Causa porque elas me são mais, sem ringue na sobrevivência,
sem "timing" da concorrência, também  sem proclamas de marketing,
e sem os estragos desumanos do universo financeiro.
Não trago em mim até agora nenhuma desonra nisso.
Quanto à Tabacaria !
Deixo-a aos fumantes que desejam a morte pelos pulmões,
pois o Esteves nunca lá esteve, morava longe de fato.
Por sintonia a mim mesmo, me deixo com os meus desejos
nos abraços de Maria.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O bico da Sinuca ( Mamulengo)

Fotografia: Bolas da cinuca- H.Ralf Lundgren
.
Pela bola sete do jogo do amor,
o fio da Gillette é a cicatriz da dor.
Se o sorriso repete as bocas do calor,
são bolhas de confete numa Veuve Clicquot.

Sendo então pela ordem da vez a bola seis,
pontua-se em pano verde as contas do freguês.
Com o perfume da rosa que atenda à sensatez,
O poeta que se cuide no seu bom Português.

A bola cinco azul celeste é cor do céu.
Se acaso for descuido inverta-se o papel.
Sê vinho com veludo, sê gosto como mel.
Pois se o amor é tudo, não tenha dele o fel.

O tempo dos amantes seguirá sempre o tom
das quatro estações, se a bola for marrom.
Se é perto é chamego, se é longe é ponto com.
Pois sendo esse o segredo, há nele o que é bom.

Todos à ela desejam, a três, a bola verde.
Gelada agua de coco é bom para quem tem sede.
Cumplicidade em cama ou balançar de rede.
Queimam-se em chamas entre as quatro paredes.

Segunda bola em jogo. Atentem-se à amarela!
Pois dentro dessa flor afastam-se as quimeras.
O sol tem seu calor e a  China tem chinelas.
Todo romance em cor perfuma a coisa bela.

Quando a prima bola inflama, é vermelha.
Aonde chega invade em presente centelha.
toda mesa se abra, é o que se aconselha.
Se alguém tiver vergonha, queime suas orelhas.

Germina-se um poema no que ele é loquaz.
No bico da sinuca a saída se refaz.
Se a vida é muito curta, amar é ser audaz.
Assim com a bola branca amor eu peço paz

segunda-feira, 21 de março de 2011

Estações ( Perna bamba é do samba)

Fotografia: Época de chuvas-Vicente Parisi
Vem chegando o outono
Tirando o meu sono
Às nove da manhã

Mesmo que alague
Que você me largue
No Maracanã

Nosso amor gigante
É quase elegante
Feito a atriz e o fã

Mesmo que a prosódia
Nessa rapsódia
Pareça tão vã

Vasa o Guandú
Então apaga a Light
A gente se sente "socite"
Na pagina um
Do jornal

Engarrafados
Em pleno bleckout
E dizem que a zona norte
É lama medicinal

Vem chegando o outono
Como o patrono
Desse temporal

Só por um milagre
Não foi pro vinagre
O nosso Carnaval

sexta-feira, 11 de março de 2011

Surreal ( O olhar da carranca)

Fotografia: Às voltas no mundo perdido- Mark Freedom
Eu danço na corda bamba desde o dia em que nasci,
pois no ritmo desse samba eu cheguei até aqui.
Se há amores que choram, também há neles que rir.
Tsunami ou pororoca em New York ou Merití.
Dedo de moça arde e o espinho vem no Pequi.
O amor é coisa de louco em peito de Juquerí,
quem não se arrisca ao seu gozo tem medo de Pirirí,
não se dispondo ao outro, não saberá nem de sí.
Ceição queria um Antônio e Joaquim amava Lilí
O beijo que traz Maria tem gosto de Açaí.
O mundo treme la longe e se aquieta logo ali.
Quando um verso vai embora é que não tinha que vir.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Trilogia no circo da alma ( O circo da alma)

Fotografia: pulsão de vida e morte-Adriano Facuri
O neurótico recalca.
O psicótico delira.
O perverso não sente.

Um é óptico e desloca
O outro é involição ou ira.
O perverso é indecente.

A pulsão realojada em um.
Tresloucada no outro vagueia
Enquanto o perverso se alheia

Ao neurótico a norma decide
O psicótico em dois se cinde
A perversão tem requintes

O último é cálculo à guisa
O segundo em si alucina
O primeiro bem simboliza

Três sementes
em solo de gente
germinam imprecisas
É a vida que se realiza...
.

terça-feira, 1 de março de 2011

Quem vai ficar na berlinda? ( O olhar da carranca)

Fotografia: Gipsy Kings Ghettographik Portraits-Bruno Paixão

Não exijo nada do tempo, que o tempo não possa me dar,
suas exigências são, no momento, o que aguardo na pele visível.
Enquanto tudo que me foi dado, cabe num gesto seu do olhar.
Amo esse ato enviesado, esculpido no seu rosto a cinzel.

Se esse tempo não faz de conta, não finge ser só de vinda,
o viver fica dentro dele, na sua história, como uma foz desagua.
Se o tal tempo da vida é de barro, o afago dele é a cacimba,
não há trégua no espaço, mesmo no mundo das mágoas.

Falar do tempo é vago, se o tempo é por ele, imprevisivel.
Inclemente nesse enclave do que não se sabe onde finda,
para-lo é teima grave , quem tenta esbarra no impossível.
A resistência do amor é que nele refaz uma outra berlinda.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nonsense ( Barril Diógenes)


                                          Fotografia Pereira Lopes
Da praia do Leblon,
até a praia da Bica,
o fole do Acordeon
vai de Gil à Tiririca.

A cultura tem um som,
o palhaço é a contra-fé,
os votos mostram o tom,
Charles Chaplin da ralé.

O Brasil interno dita
ao congresso meio "Avon",
nossa trilha mais bonita,
congressistas são marrons.

A Internet voa aflita
na rapidez pós-kantiana,
aonde a informação levita,
tanto quanto cai da cama.

A política da imagem
passa a ser maior valor.
Partidos são só bobagens
para lesar eleitor.

Resulta que não se pense
representar cidadãos,
com o que há de "nonsense".
em pose na televisão.
,

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Rastros ( O olhar da carranca)

Fotografia: Museu da Pampulha- Leandro S. Soares
Nas minhas memórias de palha,
onde guardo o que se passou,
achei uma pequena agulha.
Almoço em domingo pirralho,
Dos tempos do tio "Nonô".
Para quem não tinha família,
onde a vida não era uma flor,
Comer bife com ervilhas,
era agua fresca de bilha,
pequeno tempero de amor.
Saudades feitas nas curvas
arquitetadas  da Pampulha,
modernista assim, sem pudor.
Recordo tirando as luvas,
aonde a lembrança fagulha,
do mar, que em que Minas faz turra,
e a infância em mim preservou.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Folia. (Perna Bamba é do Samba)

Fotografia: Ensaio técnico da Portela- Philippe Lima

Foi dada a largada,
libera o cordão.
Vai ter feijoada,
vai ter multidão.
Repique e retreta,
Cacique e Doidão.
Vem pro Bola preta
trombone e trombeta,
polícia e mijão.

Tem banda e bandinha,
Bloco sem noção.
Princesa e rainha,
desfile e ilusão.
Tem carro que enguiça
Badalo ou Sainha,
Desliga a justiça,
turista e punguista,
Vem que sou facinha.

Meninos de Cloves
ou de Bate-bola.
Calor se não chove.
Tem bunda de fora.
Meu bem volto já,
Eu disse que ia.
Vem cá e me da.
Escravos da Mauá
ou Dá cá,dá tia.

Vai ter fantasia.
Mas salvo o engano,
Tristeza é alegria,
Imprensa que eu gamo.
Vou beijar-te agora,
Pirado ou pirando.
Quem mama não chora,
tem samba lá fora,
e eu caio sambando.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Versatilidade no circo da alma

Fotografia: Adeus tristeza- Nuno Chaves
Ter coragem na vida é obrigação ímpar.
O que não quer dizer que seja algo fácil.
Encarando trancos vividos de cara limpa,
sem ter medo dos riscos que nisso é portátil.
O choro é agua que desfaz a tinta,
quando no rosto a tristeza tem volume tátil.
Viver é beber agua de moringa,
respirando a natureza do que é volátil.
A beleza da vida nela mesma se dissipa.
Participar dessa trama visível é versátil.
.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vai ( A puta me contou)



fotografia: Acabou- Carolynne Tavares




Menina não me complique!
Eu sei que você é Punk,
mas é que eu sou Mangue,
caso não me identifique.
.
Mistura de dinamite,
versa explosão bumerangue.
O amor não tem forma exangue,
é veia de romper diques.

Desejo não é ofício,
coisa de pele é sacana.
Amar é transcender cama,
passa alem do sexo início.

Se a tara é grande demais,
parece mesmo difícil.
Meu corpo não é seu vício,
porto ou beira de cais.

Não sou poesia chique.
Sou breu, fundo de mar.
Não sei se você vai gostar,
mas eu não sou beatnick.

Estar junto não é estar perto,
depois haverá quem se zangue.
Afetos perdem o sangue,
quando o amor não da certo.

Vá procurar outro porto.
O amor acabou, ficou torto.
Agora que já é morto,
não há mais o que acordar.

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tópico ( A puta me contou)

Fotografia: Leme da lua- Isa Blue
Parece que a boemia está meio torta
A noite atual é mais mercantil, 
Até a lua deve pagar ingresso na porta

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Senhora dos navegantes ( O analfabeto poético)

                                 Fotografias: Oferenda à Yemanjá- Sara Guedes



Senhora dos navegantes
o mar lavou todo meu peito,
levando magoas nas águas,
trazendo paz desse jeito.

Senhora Iemanjá
rainha do mar inteiro.
Divina Iorubá
canta o dois de Fevereiro.

Senhora de todas as ondas
dedico aqui o meu feito.
Janina de cuja estima
sai um poema em respeito.

Nossa senhora do mar
navegue com os pescadores,
se houver nos barcos lugar,
leve também seus amores.

Senhora da felicidade
distribua a todos  de si.
Mãe de nossas cabeças
azuis dos mantos daqui.

Senhora de tantos nomes
e de tantas alusões,
dedique-se também aos poetas,
às suas rogações

Poesia é um manjar branco
e um prato de acaça
essa rima mesmo que pobre
foi feita pra te abraçar.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Flor da pele ( A puta me contou)

Fotografia: Toda forma de amor
A manhã trouxe mais perto
todo o Rio de Janeiro
Do penúltimo ao primeiro
trouxe o chope predileto

Com ela houve o pernoite
no seu dorso travesseiro
onde o abraço do seu cheiro
no meu outro fora corte.

Toda brisa formou vento
dentre os seus olhos abertos
visão de amor não tem vetos
quando o viver vem de dentro

Passos largos, passos lentos
O tempo foi corriqueiro
passado de passageiros
laços do contentamento

À tarde o sol que é mais reto
na pele recitou o tempo
o amor vale cem por cento
mesmo quando é incorreto

Comuna a gente bem perto
sem deserto de coração
com esse instrumento à mão
todo corpo tem concerto

A noite despindo estrelas
fez luzir do amor a trama
um beijo dado na cama
é a forma melhor de vê-las

Quando chegou o sono
no afago derradeiro
um casal de Brasileiros
dormiu nesse abandono.

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