Citações

A palavra é o fio de ouro do pensamento.


SÓCRATES

sábado, 17 de dezembro de 2011

Via superior(Perna bamba é do samba)

                                           16/12/2011     O Globo                                                                                                                                         

_Aí Cabral!
Não o pai, mas o filho.
Tudo bem?
Pega o trem
da Central!
Pega, vem!
Vem no Rusch pros trilhos.
A Marechal!
Vem comigo.
Vai ser legal,
vem amigo.

_Aí Cabral!
Vai rolar alegria,
Supervia?
Nem liga!
Assovia!
É!  Na moral!
Que que tem?
Contagia a moçada!
Eu não tô fazendo nada,
Você também!
Na Geral?
Vem Cabral!

Vem pra ver que bonito!
Tanta gente!
É tão quente.
caminhar nos dormentes.
Nem parece um conflito.
Marginal?
Irmão, não tem perigo.
Lotação sem castigo!
Vem curtir o apito!
Nada mal,
natural!
Vem Cabral!
Vem meu bem!!
mauro-paralerpoesiabastatercalma.blogspot.com
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

No vão da escada ( A olhos nus)

                                                      Fotografia: Por baixo da escada-Eduardo B Bernardes

Nada vai mudar o passado,
plano pleno da memória,
guarda móveis da história,
seja no certo ou no errado.
Nem tudo é dom do agrado,
também há aventura inglória,
de fato não persecutória,
mesmo estando ao lado.
O tempo transforma a gente,
mas deixa como num cercado,
o que se passou guardado.
Como fato recorrente,
como lembrança candente,
mantendo uma vida quente,
comum de um caso contado.
Lembrança é uma corrente
nos pés do tempo amarrada.
Por mais que o tempo ande,
pois tempo não para em nada,
a memória é um elefante
sentado no vão da escada.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alecrim ( Beco da fome)

Fotografia: Ferreira Gullar-Leo Burgos

O poeta de carne e de ossos passou por mim.
Sem contato, sem barulhos, sem conversa palavra.
Andava atento à gôndola do mercado aonde estava.
Aparentemente procurava o arroz, ou algo assim.
O poeta, apenas homem, queria ser  alimentado.
O poeta, apenas homem, apenas estava ao lado.
O poeta, apenas homem, parecia um poema calado.
Com o tempo parece que agregou poemas ao corpo.
Com a idade, poeta e poema quase se confundem num todo.
Mais que poema, o poeta precisa comer por ser animado.
Mas se o poeta não é um poema, parece dele revestido,
pois ao se ver o poeta, é o poema concreto que faz sentido.

O poeta magro e calado, tem o tempo de vida no corpo grafado,
O poema está nessa pele, nesses ossos, de carne já seca do sol do tempo.
O poeta é presente nos versos, hoje dele exalados  do passado.
Com eles atravessa a rua e sai, com um ar de preocupação.
Será um poema que o aflige? O poeta sera ele mesmo ou não?
Nessa hora não é fome de sígnos que conta, é fome de feijão.

Mas quando se olha para o homem, os versos aparecem nele enfim, seu corpo ali ao lado é cheio de presença e de significado; Posto que o poeta, com sua fome, talvez os procure entre os temperos. Não uma rima certa fechada ou aberta, mas apenas o perfume ou alecrim.

Talvez o poeta com sua fome apenas, aplaque o espanto
do que a vida exige, por se mover por tempo quanto.
Só, o homem não tem os versos que ao poeta são dados tantos.
No entanto o poeta some, escorrendo no homem de cabelos brancos, no intento o poeta transborda com a face vincada de poemas, seu manto.
Nessa hora o poeta é só, o homem é só o que procura, o de comer no seu canto.
Nessa hora é a simplicidade da vida que se transmite em seu encanto.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Viva ( Olhos nus)

Fotografia - Aniversário- Maria Oliveira

Um ano de novo te abraça
como quem chega recente.
nova idade em nova graça.
O tempo renova a gente.
Em cada aniversário
O tempo é um senhor exigente,
que em ti resplandece ao contrário,
de um jeito que a gente nem sente.
Teu corpo é o meu aonde.
Teus lábios  são bordas de taça.
Como os sorrisos que não escondes,
quando essa conquista nos laça.
Os amigos, num alarde
se juntam comuns, são parte,
participando como encarte
da vida que é a tua arte.
A felicidades que abraças
num existir sempre quente
faz que o nosso amor como brasa
queime quase eternamente.
Comemoramos o teu dia,
comemoramos a ti,
A toda tua poesia,
desse novo ano a vir.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Em paz ( O analfabeto poético)

Fotografia:Bruno Figueira

O que está vivo continua vida em fato recente
Permanece no tempo dos filhos os seus pais
Onde não há o abraço do corpo, o  vai na mente.
Haverá sempre na lembrança o que guardado esvai

Na guarda dos pais cabe o mel, no seu melhor sustento
É pátrio o amor real quando foi feito na história
Láctico calor  celeste vem do seu original provento
Todo o patrimônio agora é veste a despir memória

Dançam os momentos, no recordo, pertinentes
Não cansa, a saudade, quando é gerada em paz.
O que nos move em vida guardada,  é comovente
Na memória o que a história fez, numa outra se refaz
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sábado, 26 de novembro de 2011

A Moura torta ( Banguelê)

                                                                                      fotografia: Pré-texto- José de Almeida


A vanguarda ultrapassada em seu new look,
é indisposta ao mínimo senso crítico.
Não se afoba em discurso analítico,
Muda a foto como um click em Facebook.

Desinibe de uma forma contundente
num suposto saber que a sí diploma
Quem responde às perguntas foi a Roma
Ao sentar escolhe as cadeiras da frente

Pouco vale se pagou mais esse mico, 
ilustrando o ouvinte em brinde com o truque.
Inteligência abasta bem quem a cutuque.
O comentário não requer se ler o livro.

Toda cultura é por si só uma roupagem.
Seu corpo fetal está guardado em solução.
Bem costurada, pode qualquer sacanagem,
um bom discurso há de se ter sempre à mão.

A quem quiser pode estar aberta a porta,
pode entrar, e por seu bem dizer eu fico.
Com a nova roupa o pobre texto fica rico,
há muitas formas de enfeitar a Moura torta.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Haicai de balcão ( perna bamba é do samba)


Fotografia: Momento Refrescante- Vera  M. C. Matos       
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No boteco o assunto gira
em futebol,
em mulher ou em mentira.
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Sem miolo ( perna bamba é do samba)

Fotografia:Boteco- Murilo

Nas palavras do  walfrido:
Em Copacabana o couro come,
ou o couro é comido,
no prato cheio da fome.

Ás vezes parece tolo,
não faz, mesmo, nem sentido.
Filósofo sem miolo
chamado de Rei do Lido.

Carola esse dito cujo,
já do tempo encardido.
Adepto do pé sujo,
a Gota lhe tem doído.

Calado não fica mudo
aonde se aprende de ouvido,
um pouco, um quase tudo.
Um todo louco varrido.

Moela bóia no molho;
Sardinha nada no mesmo.
Tem cor da casca do ovo,
quebra dente de torresmo.

O tamanho de solidão
encurtando o vestido,
faz do velho um babão,
se a moça não tem marido.

Nos olhos esbugalhados
vê-se um fígado sofrido.
A sobra do escumalho,
o copo e a sede, embebidos.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Parece uma história. ( O analfabeto poético)

Então formou se a roda para os lados da praça de lá.
E ela se sentou ao centro , e de pronto começou a falar . Falava com uma voz calma, mas com a firmeza no ar. De modo que suas palavras chegavam toda aos ouvidos desse lugar.
Como a calma é uma forma de mostrar veracidade, aí ela falou sobre um caso havido, com um especial paladar.
Como as palavras bem ditas salivam os ouvidos muito, a sua estória bonita foi puxando mais o assunto.
Quando o assunto era sério, todos ficavam sérios, sendo o assunto difícil, faziam expressão de mistério. De repente, quando ficou perigoso, a estória em seu gozo, ganhou ares de precaução e todos se olhavam atentos.
Num certo momento dado o fato foi  engraçado, então todos se relaxaram e se fartaram de tanto gargalhar.
De uma hora para outra a moça se enterneceu, ao notarem  todos pararam de súbito, como quem brinca de estátua. Alguém até notou que uma gotinha de lágrima desceu do seu olhar, e solta foi se espalhando no olhar do outro, do outro, doutro e do outro ao lado.
A praça inteirinha foi se consternando em uma forte emoção, não em lástima, mas em compaixão.
É que contar uma história não é nada fácil, requer da pessoa que o faz, como árdua tarefa, muita, mas muita competência no trabalho de saber como tocar as pessoas, como emocionar.
A moça fez direitinho, com tamanha forma e carinho, que até quem estava passando quis também participar.
Assim foi juntando gente, mais gente, e mais, e mais .
A história ficou famosa a medida que foi conhecida, como os casos nos jornais.
A moça então contou para todos daquela cidade, como o caso tinha crescido e se enchido de alegria.
Sendo a alegria uma forma, no caso, contagiante, a praça da moça do caso se encheu de felicidade.
Enquanto o caso crescia dessa forma galopante, a moça do caso da praça foi contando o caso gigante.
E o caso ficou de tamanho tal, que todos daquela praça puseram nele uma parte, e assim ele foi crescendo.
Depois dele bem encorpado, como muitas outras palavras, até umas bem mais raras, o caso virou mais que um assunto. Se achando nele beleza, todos falavam juntos aquilo como certeza.
Por achar isso, um foi contando para o outro como se havia passado, sendo que ao fazê-lo, ia acrescentando um bocado, para que não restasse dúvida, e assim foi se espichando em mais gente.
O caso ia para um lado, depois para o outro lado,dependendo muito da forma como ele era contado.
A moça então notou  que seu caso tinha aumentado, alem de ter nesse caso ganhado imaginação. Ela achou aquilo bem bom para a sua contação.
Pois agora não era mais caso de conto seu, era sim um relato maior até que a imaginação.
Era um fato oral, do tamanho popular, do tamanho da Nação. Sem ler, o analfabeto sabia todo ele de cor, já fazia parte de si.
Como era na filosofia, a praça virou escola e o caso ganhou mais nome, ficou sendo assim, uma ideia.
A moça se foi embora, agora, o caso famoso, virou jeito de pensar.
Como havia muita gente na praça, e gente é diferente, de acordo com o lugar em que cada grupo é sentado, o caso mudou de lado e virou então discórdia.
Para explicar o ocorrido na confusão que acontecia, deram ao caso um nome que ele mesmo não pedia. Passaram a chama-lo pela alcunha de ideologia.
A ser tudo de verdade, os vencedores do certo puseram no caso um H, de forma assim, bem maiúscula.
A história mudou de boca, passeou de mãos em mãos, foi se alisando o relato até se formar em razão.
Eu juro que que nunca minto, como se deu de fato, entrou na boca do pinto, saiu na outra do pato.
Quem quiser que conte cinco, quem quizer que conte quatro.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alvorada ( Banguelê)




Fotografia: Sol Carioca - Jussara F. Leite
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É noite e o cheiro de pele e verão vem do mar, entrando pelas janelas em busca de abrigo.
Com o silêncio escuro a cidade descansa em paz, no restauro de todas as suas fadigas humanas.
A lua desce sem cerimônia, vai tateando no escuro, até se agarrar á lâmina de concreto e vidro do edifício mais alto.
O tempo é lânguido agora, como um corpo macio de preguiça, de ausência, de vazio.
Tudo está tranquilo dentro da intranquilidade do amor, sem o infortúnio das intrigas, tudo dorme, menos eu, pois meus ouvidos se ressentem daquela voz como cantiga.
Tudo dorme, menos eu, fico na insônia, pois careço dela, e ela não esta comigo.
No escuro da noite o desejo é mais veloz, o desejo é companhia, é energia, é liga.
Sou como o mar que veio estar aqui, pois ele também á hora não dorme, por castigo de sal, pois ele também se move como quem busca afagar a pele estendida da praia.
Como dormir sem a maciez dos seus braços entrelaçados, ou o seu rosto no meu peito?
Como passar uma noite, sem ouvir sua respiração ressoar quando em sono profundo , sem alarde?
Não serei capaz de fazê-lo, se o fizer foi por descuido, pois resiste essa falta de jeito.
Reside agora em mim esse estado de solidão, essa vigília, sem sua rouquidão no leito. fico sem jeito.
Sem suas pernas em trança, sem os seus lábios quentes, sem seu calor natural de vontade.
A manhã pode chegar arrastando sua pressa, nada me interessa, nada está direito.
Se ela está longe, nesse longe me leva, aonde o amor transita, lá sempre estou consigo.
Meu amor dorme tão longe, que de longe traduziu-se imagética mas física, em fé, em falta em saudade.
Espero! E logo a alvorada do dia, clareia o sol, em novo, e de posto eu a encontre na felicidade.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

No mais ( O analfabeto poético)

                                                                               Fotografia: Sombra em vela Latina de Pedro Cerqueira

Ifá e os ancestrais
dos animais humanos,
derramaram seus desejos
nos herdeiros lusitanos.

Em cada lábio um beijo,
em cada vela de pano,
queima o sol tão almejo,
deixando no corpo os danos.

O tempo é o maior parceiro
para o reparo de enganos.
Viver é um fato primeiro,
depois se forjam os planos.

Residente num arcano,
qual os arquétipos mentais.
Tambor de mina afina
a trilha aonde passamos.

A fé é coisa divina
nos indivíduos grupais,
ou uma Cafiaspirina
para quem não vê nada mais.

Amar é mais que estima
O amor é um braseiro,
só queima se é inteiro,
só arde se está em paz.
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sábado, 12 de novembro de 2011

Rapidinha ( O trago da seda)

                                                                                              Nascente do Rio São Francisco - Wagner Almeida              

vida não é uma coisa mágica,
tanto quanto ela não é trágica.
Se muito  a existência é autofágica,
de si mesma ele é a dádiva.

Se telúrica ou lunática
Se liberta ou gramática
Se genética ou se lática
Se na América ou na África

A vida é apenas prática
Dinâmica ela é tática
Na matéria é numismática
Nas artérias pragmática
Semeadura sabática
Inexata matemática
Duvidosa ou enfática
Mas na aventura ela é errática

Se a vida lhe sorri ela é simpática
Se ela lhe faz carpir, problemática
Se não tem onde ir é estática
Para quem não viver ela é vápida
Mas não há que se discutir, ela é rápida!
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

às vezes eu cismo ( Barril Diógenes)

                                                                     Raiz de orquídea-Antônio Rezende

Só uma pista de tamanho abismo
A violência da sociedade se mede
pelos perigos do seu jornalismo
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domingo, 6 de novembro de 2011

Limança ( Perna bamba é do samba)


Fotografia: Zé Limeira- Marmitafilosófica

No estilo bom Zé Limeira
Contemporânea é a praia
Tem confusão lá na feira
Tem gente de toda laia
Razão de rabo de arraia
No Fal, Fuzil ou Biqueira
Ferro de fogo é Catraia
Bom não marcar a bobeira

Crack tem morte ligeira
Antes que a casa te caia
Depois da pedra primeira
Quem for esperto que saia
Ong tem maracutaia
Dinheiro não tem fronteira
Time sem jogo tem vaia
Febeapá de asneiras

Alô alô tia Léia
Como já disse o Ben
Tem confusão Europeia
Tem no Coréia também
Mel de abelha é colmeia
Ministro cai da boléia
Erraram lá no Enem
Completando a verborréia
Malandro nunca bobeia
Peão só anda de trem

Agora o santo tem cara
Os homens correm do arresto
Cuidado pouco é vala
Bagana fraca é esterco
Se a venda é livre, isso para
Sem repressão ignara
Se a violência está clara
A vida perde no preço

Bala achada tem pista
Basta fazer o cerco
Quem vai prender a polícia?
Melhor calar pelo resto
denunciando o xaveco
Na foto vem a milícia
Se vida é doce delícia
Depende de para quem
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sábado, 5 de novembro de 2011

Basta rir dessa piada ( O trago da seda)


Fotografia: I see you-Carina Guimarães
Hoje a poesia não tem nada pra dizer
Sem conter assunto ela não vai falar nada.
Vou deixar que a rima venha ao seu belo prazer.
Dizer o quer que seja, qualquer coisa desejada.
O poema ganha nisso, um tópico bem blazê.
Ganha uma amplitude de matar qualquer charada.
Nosso tema agora, portanto, é o que será o quê ?
Num karaokê de versos de língua  colada.
Posso até dizer que versa sobre o que o é não ser.
Se não há nada a dizer, nada há nessa parada.
Fantasio e pinto  a cor mais tinta do Tiê.
Quem não o entender pode entrar na embolada.

Se o poema é flor, é uma florada Ipê.
Se o poema é samba, vai varar a madrugada.
Ele não tem nada  a crer, ele é feito por você.
Se o poema é dor ele é causa apaixonada.
Mas se ele for Quintana, vai ter que entrar um tchê.
Só para lembrar que ele voou com a passarada.
Se o poema é tolo, ou vier tolo auê,
levo-o á praça com toada engajada.
Nesse belo embrulho, laço os olhos de quem lê
de uma forma zen, mas, não tem mais que faixada.
Ainda assim em versos, vai poema sem brevê.
Mesmo sem ter graça, basta rir dessa piada.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cachaça ( O olhar da carranca)

Fotografia: Cachaça e pimenta-Alberto Rugiero

Tenho que reagir a meus desgovernos
Organizar a solução já por princípio
Desgovernos se agarram como os vícios,
instalados em nossos recantos ermos
Nesses termos se parecem precipícios
Desses pontos não se chega a bom termo
Perco o tempo nesse fato desperdício
Com sequelas de fundo até creditício,
Vendo a vida sobre a ótica de um enfermo.

Devo achar comigo nisso um armistício
Parar de brigar eu comigo mesmo
Escrever é agora o meu ofício
Meu abrigo, cachaça boa, torresmo
Em cada verso ponho a palavra difícil,
nos caminhos das linguagem como sesmo
Um poema foge do meu hospício,
occipício de um louco vitalício,
aonde as rimas escapulem sempre a esmo
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Barbitúrico ( O olhar da carranca)

                                                               Fotografia: Sempre uma palavra - C.Viena

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O mundo muda todo dia a cada minuto, a cada hora.
Deste universo real eu tenho um lugar, não sou o único.
Sofro o custo fatal de cada dose bebida em ácido úrico.
Tudo que escrevo, apenas poucos leem, embora público.
Assim palavra é pensamento na sua forma mais sonora.
Quando escrita pode servir como saudável barbitúrico.
Para vazar aquilo que no verso é a vida que evapora.
Assim servida em prato quente, sai ao dente e vai embora.
Enquanto minha alma ri, no dedão do pé, a  calma chora.
A poesia vem comum, sério evento em um tato lúdico.

sábado, 29 de outubro de 2011

Dia D Drummond ( Banguelê)

Fotografia:Carlos Drummond de Andrade- Arquivo A/Estadão


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Carlos caminhava quieto com suas lembranças minerais
Fazia do seu tempo as crónicas publicas como pérolas
do niilismo latente colhera boas lembranças às malévolas
Desde criança vivera custos de insubordinações mentais
Deste adulto se via sustos como mistura varietal
Assim se passou na vida sem as firulas de academia
frustrou seu anonimato com sua própria caligrafia
Seus escritos fizeram cura à fissura que lhe era um mal

Teve a palavra certa como uma seta, rumo à ironia
Cultuou a fisionomia que traduziria na flor de um povo
Como o ovo da serpente contra corrente do estado novo
Esse velho arquivista grafou as pistas do que viria.
Poeta preso à vida, essa avenida de tão mãos dadas
Mago no seu silêncio onde engendrou solidariedade
Vivo em Copacabana habita o mar que escreve a cidade
Sem dizer dos suspiros que estão contidos na madrugada
Mesmo sendo o Andrade silêncio claustro de um diamante
Deus lhe deu diabruras nas aventuras dos santos dias
Fez em auto retrato a caricatura, a fotografia
Carlos amou calado todos pecados de um amante

Língua a lamber pétalas, rosas abertas, as comestíveis
Fora seguindo em frente como um José sem saber para onde
tendo uma pedra aos pés traçou como fé um olhar nos bondes
ponte de tontas pernas ficam eternas por serem criveis
Com jeito quase candura essa criatura de olhar interno
teve em tal atitude maior virtude, o melhor disfarce
Feitio nessas medidas pós num poema de sete faces
Um corte à modernidade para modelo dos próprios ternos
Ganha então Drummond um dia de seu com direito a doce
Hoje de sua mina tudo é útil e nada a mais sobra
Data que por estima se comemora o autor da obra
Trinta e um de Outubro   já se destina á vida de um Gauche

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Relógio de sol- ll ( Banguelê)

Fotografia: Relógio de sol- FernandoRodrigues

As vasilhas sobre a pia
Um céu azul sobre o dia
Um terremoto na Turquia

Um santo que desconfia
Minha tristeza se alia
à tristeza de Maria

A vida é sem simetria
Sem meia bilheteria
Cultura tem alergia.

Ao som de Alegria, Alegria
Perdi o que não teria
na última ventania

A palavra poesia
veste muitas caligrafias
para despir ideologia

ONU é nula, é letargia
Por questão de entropia
vai sempre ser a titia

O homem aumenta a cria
Sete bilhões de antropogenias
Na próxima Segunda, você Sabia?

Em Brasília
Pip...Pip...Pip...Dezenove horas e cinquenta minutos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Leveza no circo da alma


Fotografia:A insustentável leveza - Sammy Monteiro
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A leveza é incomum ao hábito
Também ela não se aparenta à beleza
não tem perfume e nem hálito
Suas janelas estão distantes da avareza
Nunca se suporta como algo tácito
È uma forma flúida por natureza
Não significa descompromisso,
nem desafeto, nem anarquismo,
posto que só se firma na certeza.
Somente a leveza vive daquilo
que sua falta de peso faz resistência no piso.
Leve plana no ar, qual plano pleno de aviso.
Leveda em um jeito de ser, não é estilo.
Prima pela tranquilidade da clareza.
Estima a atenção, não é cochilo.
Tão pouco é uma desatenção, nem um vacilo.
Princípio dativo da correnteza de um amor vivo.